Respublica           Repertório Português de Ciência Política            Total: D/Du
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Lista de artigos

Artigos em grosso
D. Duarte Nuno
Duarte, Teófilo
Dubcek, Alexandre
Dubow, Frederic L.
Duclos, Pierre
Due Process of Law
Dufour, Alfred
Dufour, J.-L.
Dufrenne, Mikel
Duhamel, Alain
Duhamel, Olivier
Duhring, Eugen
Dulles, John Foster
Dumézil, Georges
Dumont, F.
Dumont, Louis
Dumont, René (n. 1904)
Dumoulin, Michel
Dunleavy, Patrick
Dunn, John
Dunning, William
Dunquerque
Dupeux, Louis
Duprat, Gérard
Dupuy, F.
Dupuy, René-Jean
DuqueLima
Duque, Rafael
Dura lex, sed lex
Durand, Jean-Dominique
Durand, Gilbert
Durand, Jean-Dominique
Durand, M.-F.
DurãoPortugal
DurãoGouveia
Durfee, Mary H.
Doutrina
Doutrinarismos
Doze Estrelas
Draconiano
Duarte (D.) (1391-1438)
Duarte, Herlander
Dubois, Pierre
Du Bois, William Edward Burghardt
Due process of law
Duguit, Léon (1859-1928)
Duma
DUMÉZIL, GEORGES (1898-1986)
Dunant, Henri
Dupanloup, Félix
Durkheim, Émile
Duroselle, Jean-Baptiste
Duso, Giuseppe
Dutra, Eurico Gaspar
Duverger, Maurice (n. 1917)
Dux
Dye, Thomas R.
Dyke, Vernon van
Dworkin, Ronald Myles
Dye, Thomas R.Dyke, Vernon van
Dyson, K. H. F.
 
Duarte, Joaquim Afonso Fernandes (1884-1958) Poeta potuguês
 
D. Duarte Nuno n. 1907 Neto potuguês de D. Miguel I. Duque de Bragança, depois da morte de D. Manuel II. Licenciado em agronomia por Toulouse. Casou em 1942 com uma descendente do ramo brasileiro de D. Pedro IV, D. Maria Francisca. No dia 21 de Julho de 1920, D. Miguel II renuncia ao trono, depois de negociações com os integralistas. No dia 31 confia a tutela de D. Duarte Nuno, seu terceiro filho, em quem abdica, a D. Maria Aldegundes de Bragança, sua tia. Em 2 de Setembro, a Junta Central do Integralismo Lusiano declara reconhecer como herdeiro do trono português D. Duarte Nuno, unindo-se assim ao partido legitimista. No dia 17 de Abril de 1922, pelo Pacto de Paris, unificavam-se os monárquicos liberais e legitimistas, através de Aires de Ornelas e D. Lourenço Vaz de Almada. D. Duarte Nuno reconhece assim D. Manuel II. Os integralistas vão discordar frontalmente do pacto. Apoio de O Dia e de O Correio da Manhã.
 
Duarte, Teófilo Tenente durante o sidonismo. Oficial de cavalaria. Nomeado governador de Cabo Verde em 1917. No dia 16 de Janeiro de 1919 comanda a chamada coluna negra vinda da Covilhã que aceita a rendição dos revoltosos de Santarém, impedindo que a cidade fosse tomada pelas tropas das Juntas, comandadas por Silva Ramos, que tencionava pedir a Paiva Couceiro para encabeçar o movimento. Demitido do exército de 1919 a 1926. Intitula-se fascista logo em 1920, elogiando Mussolini directamente. Em 1924 é um dos indicados como líder de um movimento fascista promovido pelo jornal Ditadura. Em 4 de Março de 1925 elogia o fascismo italiano e critica o nosso socialismo de Estado, bem como o movimento das forças económicas  que se arrogam a pretensão de substituir as forças políticas na governança do Estado. Em 1932 colabora no jornal nacional-sindicalista Revolução, escrevendo uma série de artigos sobre O fascismo e o direito público italiano. Ministro das colónias de 4 de Fevereiro de 1947 a 2 de Agosto de 1950. Está na origem do conflito de Henrique Galvão com o salazarismo.
 
Dubcek, Alexandre (1921-1992) Eslovaco. Membro do partido comunista, protegido por Antonin Novotny. Depois de ser primeiro secretário do Partido Comunista Eslovaco, desde 1963, torna-se primeiro secretário do Partido Comunista Checoslovaco, em Janeiro de 1968, permitindo a chamada Primavera de Praga. Demitido em 17 de Abril de 1969, depois de ter sido preso e levado para a URSS. Demitido do partido em 1970, é desterrado para o cargo de inspector florestal. Regressa à política em Dezembro de 1989 como presidente do parlamento federal checoslovaco, apoiando Vaclav Havel.
 
Dubow, Frederic L., Etzioni, Amitai, eds., Comparative Perspectives. Theories and Metods, Boston, Little, Brown & Co., 1970.
 
Duclos, Pierre Politólogo francês, historiador das relações internacionais e teórico do federalismo. Considera que a presença no poder global dos elementos particulares, mas permanecendo estes  distintos e reconhecíveis, procedendo-se a uma simbiose sem confusão nem desaparição das especificidades, é a essência do federalismo.
·L’Introuvable Science Politique
Paris, Éditions Dalloz, 1949.  
·L’Évolution des Rapports Politiques depuis 1750
Paris, Presses Universitaires de France, 1950.
·L’Être Fédéraliste
 Paris, Librairie Générale de Droit et de Jurisprudence, 1968.
·Le Fédéralisme Contemporain
 Leyden, Sythoff, 1963. Com Brugmans, Henri.
 
Due Process of Law Segundo o constitucionalismo norte-americano, os processos correctos seguidos pela autoridade pública face a uma pessoa acusada da prática de um crime.
 
Dufour, Alfred
Droits de l’Homme, Droit Naturel et Histoire
Paris, PUF, 1991
 
Dufour, J.-L., Waisse, M., La Guerre au XXème Siècle, Paris, Éditions Hachette, 1993.
 
Dufrenne, Mikel
·La Personalité de Base. Un Concept Sociologique
Paris, PUF, 1953
 
Duhamel, Alain, La Politique Imaginaire, Paris, Éditions Bernard Grasset, 1995.
 
Duhamel, Olivier
·Dictionnaire des Oeuvres Politiques
Paris, Presses Universitaires de France, 1986. Châtelet, François, Pisier-Kouchner, Evelyne,
·Les Démocraties
Paris, Éditions du Seuil, 1995.
 
 
Duhring, Eugen 1833-1921 Professor em Berlim, precursor de Nietzsche. Propõe a supressão do Estado e a sua substituição por comunas económicas livres
 
 
Dulles, John Foster (1888-1958). Advogado, especialista em direito internacional. Membro do Partido Republicano, de origens puritanas. Representante dos Estados Unidos na ONU de 1945 a 1948. Negociador do tratado de paz com o Japão de 1951. Secretário de Estado de Eisenhower desde Novembro de 1952. Demite-se em Abril de 1959 por razões de doença. Um dos apoiantes da construção europeia. Como dele diz Adenauer, nunca mentimos um ao outro e sempre actuámos de acordo com as virtudes cristãs, em nome de exigências morais. Altera a doutrina Truman, do containment, inspirada por George Kennan, assumindo o roll back, uma perspectiva mais ofensiva face ao comunismo. Apesar disso, acabou por ser mais prudente que a anterior administração democrática, nomeadamente quando não apoiou a França na sua luta contra os comunistas do Vietname. Do mesmo modo, opôs-se a intervenção franco-britânica no Suez e deixou que Moscovo esmagasse a revolta húngara de 1956. Em Outubro de 1953 apresenta perante o Conselho Nacional de Segurança nova doutrina de luta contra o sovietismo, marcada pela deterrence (dissuasão), pelas massives retaliations (retaliação maciça) e pelo no shelting (não aos santuários). Na altura, os norte-americanos ainda tinham superioridade nuclear, dado que a URSS, apesar de já possuir bomba H desde Agosto de 1953, ainda não tinha possibilidade de atingir o território norte-americano. Com esta doutrina, os Estados Unidos não precisavam de mobilizar importantes forças convencionais, como ainda o tiveram de fazer na Guerra da Coreia. O modelo foi adoptado pela própria NATO em 1956.
 
Dumézil, Georges (1898-1986) Combatente na Grande Guerra de 1914-1918. Professor em Varsóvia de 1921 a 1933. Professor no Collège de France desde 1949 a 1968. Especialista na mitologia indo-europeia. Considera que as religiões da Índia, da Grécia e dos germanos se baseia numa mitologia comum. Salienta que a actividade religiosa de uma sociedade tem funções não apenas espirituais, mas também militares e económicas.
·Essai sur la Concéption Indo-Européenne de la Societé et les Origines de Rome., I Jupiter, Mars, Quirinus.
Paris, Éditions Gallimard, 1938.
·Essai sur la Concéption Indo-Européenne de la Societé et les Origines de Rome. II Naissance de Rome,
Paris, Éditions Gallimard, 1944.
·Essai sur la Concéption Indo-Européenne de la Societé et les Origines de Rome. III Les Mythes Romains
 Paris, Gallimard, 1947.
·Mythes et Dieux des Germains
Paris, Presses Universitaires de France, 1953.
·Aspects de la Fonction Guerrière chez les Indo-Européens
Paris, Presses Universitaires de France, 1956.
·Heur et Malheur du Guerrier
 [1ª ed., 1956], Paris, Éditions Flammarion, 1985.
·Idées Romaines
Paris, Éditions Gallimard, 1969.
·Les Dieux Souverains des Indo-Européens
Paris, Éditions Gallimard, 1977.
·Mythe et Epopée
3 vols., Paris, Éditions Gallimard, 1968, 1971, 1973. Com Émile Benveniste.
 
Dumont, F., Les Idéologies, Paris, Presses Universitaires de France, 1974.
 
Dumont, Louis n. 1911 Sociólogo e etnólogo francês.
·La Civilisation Indienne et Nous. Esquisse de Sociologie Comparée
Paris, Armand Colin, 1964.
·Homo Hierarchicus. Le Système des Castes et ses Implications, Paris, Éditions Gallimard, 1966.
·Homo Aequalis, 2 vols., vol. I - Genèse et Épanouissement de l’Idéologie Économique; vol. 2 - L’Idéologie Allemande. France-Allemagne et Retour, Paris, Éditions Gallimard, 1977-1991.
·Essais sur l’Individualisme. Une Perspective Anthropologique sur l’Idéologie Moderne, Paris, Éditions du Seuil, 1983 [trad. port. Ensaios sobre o Individualismo, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1992].
 
Dumont, René (n. 1904) Engenheiro agrónomo. Ligado aos serviços agrícolas da Indochine francea de 1929 a 1933. Técnico da FAO. Um dos líderes do ecologismo, depois de ser um dos teóricos do Terceiro Mundo. Candidato ecologista à presidência francesa em 1974
·Terres Vivantes
Paris, Plon, 1961
·África Começa Mal
1962.
·L’Utopie ou la Mort
Paris, le Seuil, 1974
·Seule une Écologie Socialiste
Paris, Robert Laffont, 1977
·Paysans Écrasés, Terres Massacrées
Paris, Robert Laffont, 1977
·Un Monde Intolérable
Paris, Éditions du Seuil, 1991.
·Misère et Chômage. Libéralisme ou Démocratie
Paris, Éditions du Seuil, 1994.
 
Dumoulin, Michel, L’Idée Européenne dans l’Entre-Deux-Guerres, Yves Stelandre, org., [1ª ed., 1927], Lovaina, Académie Louvain-la-Neuve, 1992.
 
Dunleavy, Patrick, O’Leary, Brendan, Theories of the State. The Politics of Liberal Democracy, Nova York, New Amsterdam Books, 1987.
 
Dunn, John
·Political Obligation in Its Historical Context. Essays in Political Obligation, Cambridge, Cambridge University Press, 1980.  
·The Politics of Socialism. An Essay in Political Theory, Cambridge, Cambridge University Press, 1984.
·Rethinking Modern Political Theory. Essays 1979-1983, Cambridge, Cambridge University Press, 1985.
·Contemporary Crisis of the Nation-State, Oxford, Basil Blackwell Publishers, 1995.
·Editor de Democracy. The Unfinished Journey. 508 BC to AD 1993, Oxford, Oxford University Press, 1992.
 
Dunning, William, A History of Political Theories. Ancient and Mediaeval, Basingstoke, Macmillan Press, 1919.
 
Dunquerque Dunkerk Actual cidade francesa; pertenceu à Flandres, integrada na Borgonha e, depois, nos Países Baixos espanhóis; ocupada várias vezes pela França nos séculos XVI e XVII, foi dominada pelos ingleses entre 1658 e 1662; nesta data, Luís XIV comprou-a a Carlos II, pssando a integrar a França até à actualidade
 
Dupeux, Louis, História Cultural da Alemanha. 1919-1960 [ed. orig. 1989], trad. port., Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1992.
 
Duprat, Gérard, Analyse de l’Idéologie, 2 vols., Paris, Éditions Galilée, 1980-1983.
 
Dupuy, F., Thoenig, J.-C., Sociologie de l’Administration, Paris, Librairie Armand Colin, 1983.
L’Administration en Miettes, Paris, Librairie Arthème Fayard, 1985.
 
Dupuy, René-Jean, Moreau, ...*, Georgel, ...*, Élements de Sociologie Politique, Paris, Éditions Cujas, 1966.
, Imbert, J., Morel, H., La Pensée Politique des Origines à nos Jours, Paris, Presses Universitaires de France, 1969.
 
Duque, Lima Júlio Ernesto de Lima Duque. Ministro do trabalho de 19 de Julho a 20 de Novembro de 1920, no governo de António Granjo. De 24 de Maio a 30 de Agosto de 1921, no governo de Tomé de Barros Queirós. De 30 de Agosto a 19 de Outubro de 1921, no governo de António Granjo. De 18 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924, no governo de Álvaro de Castro, como nacionalista.
 
 
Duque, Rafael Rafael Neves da Silva Duque. Ministro da Agricultura desde 23 de Outubro de 1934 a 28 de Agosto de 1940 Ministro da economia desde 28 de Agosto de 1940 a 6 de Setembro de 1944.
 
 
 
 
Dura lex, sed lex A ideia de direito para o homem comum que o entende como direcção, ligação e obrigatoriedade. A ideia de ordem contra o caos, onde a ordem, o que está, se confunde com o Estado.
 
Durand, Jean-Dominique
·Valeurs et Politique. Entretien avec René Rémond
Paris, Éditions Beauchesne, 1992.
·L’Europe de la Démocratie Chrétienne
Paris, Éditions Complèxe, 1995.
 
Durand, Gilbert (n. 1921) Professor em Grenoble. Especialista no imaginário e no simbolismo. Discípulo de Gaston de Bachelard. Influenciado por Jung e Piaget.
·Les Structures Anthropologiques de l’Imaginaire. Introduction à l’Archétypologie Générale
Paris, Presses Universitaires de France, 1960 (e Éditions Bordas, 1968; trad. port. As Estruturas Antropológica do Imaginário, Lisboa, Editorial Presença, 1989).
·L’Imagination Symbolique
Paris, Presses Universitaires de France, 1964.
·Les Grands Textes de la Sociologie Moderne
 Paris, Bordas, 1969.
 
Durand, Jean-Dominique, Valeurs et Politique. Entretien avec René Rémond, Paris, Éditions Beauchesne, 1992.
L’Europe de la Démocratie Chrétienne, Paris, Éditions Complèxe, 1995.
 
Durand, M.-F., Le Monde. Espaces et Systèmes, Paris, Presses de la Fondation Nationale des Sciences Politiques, 1991.
 
Durão, Portugal Albino Augusto de Portugal Durão. Ministro da agricultura de 4 a 19 de Maio de 1921 no governo de Bernardino Machado. Ministro das finanças no governo de António Maria da Silva, de 6 de Fevereiro a 26 de Agosto de 1922, quando sofre uma forte oposição da Associação Industrial Portuguesa. Ministro dos negócios estrangeiros no governo de António Maria da Silva, de 1 de Julho a 1 de Agosto de 1925.
 
Durão, Gouveia Carlos Honório Gouveia Durão. Desembargador. Deputado em 1821-1822. Ministro da justiça do governo da regência de D. Isabel Maria, de 13 de Outubro a 14 de Novembro de 1826, em lugar de José António Guerreiro. Volta a ser ministro do reino e da marinha do mesmo governo desde 7 de Setembro de 1827, substituindo o visconde de Santarém.
 
Durfee, Mary H., Rosenau, James N., Thinking Theory Thoroughly. Coherent Approach to a Inchoerent World, Boulder, Westview Press, 1995.
 
 
doutrina social da Igreja
 
Doutrina Segundo Adérito Sedas Nunes, trata-se de um pensamento cientificamente fundamentado, mas não exclusivamente científico porque se inspira num sistema de valores, interpreta‑o para um determinado contexto histórico, prolonga‑o em ordem à acção. Para o interpretar e prolongar neste sentido, tem já de recorrer ao conhecimento positivo da realidade;mas,nem por isso, a sua fonte originária deixa de ser um sistema de valores e não factos ou doutrinas científicas dado que a Ciência, como tal, é dirigida à compreensão dos fenómenos apenas: a esfera dos valores, como aliás a do próprio ser, é‑lhe totalmente vedada. Para Marcel Prélot, a doutrina, relativamente aos fenómenos, aprecia‑os,aceita‑os ou recusa‑os em função de um ideal, porque as doutrinas julgam os factos e indicam os caminhos a seguir para garantir a felicidade dos cidadãos ou o poder para o Estado. Referem‑se ao melhor,ao mais nobre, ao mais moral, ao mais justo,ao mais forte, segundo a Weltunschauung em que se inspiram
 
Doutrinarismos Léo Strauss fala em doutrinarismos, considerando como tal uma visão nascida no século XVIII por certo jusracionalismo que concebia uma ordem social justa válida para qualquer lugar e qualquer tempo, independentemente das circunstâncias. Algo completamente diferente do gradualismo do direito natural de conteúdo relativo, variável ou progressivo, que sempre considerou haver uma variedade de regimes políticos legítimos, conforme as circunstâncias e estando todos dependentes da arte de governar e não das boas intenções dos governantes.
 
Doze Estrelas Hoje a Europa tem uma bandeira azul, com uma coroa de doze estrelas, não uma estrela por Estado, mas o emblemático número doze, considerado símbolo da plenitude e da perfeição, como doze eram os filhos de Jacob, os trabalhos de Hércules, os signos do zodíaco, os meses do ano, os apóstolos ou a romana lei das doze tábuas. Doze estrelas, como as da auréola de uma Virgem que aparece no vitral da catedral de Estrasburgo, uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés, tendo uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça (et in capite eius corona stellarum duodecim)... Tudo muito conforme, aliás, com o capítulo XII do Apocalipse de S. João. Compare-se o que a respeito escreve o nosso Padre António Vieira, onde se fala numa Mulher em dores de parto, dando à luz um Filho varão o qual, no entanto, há-de reinar sobre todas as nações do mundo com ceptro de ferro. Se um Dragão tenta tragá-lo, eis que ele será arrebatado ao céu, onde se assentará no trono de Deus. À Mulher se darão duas grandes asas de águia com que fugirá do Dragão. Virá, depois, um Cavaleiro, montado num cavalo branco, trazendo, na orla do vestido, a divisa rex regum et dominus dominantium, comandando um exército, também montado em cavalos brancos, que vencerá o Mal, isto é, a bestialidade do Dragão e os falsos profetas que o seguem. Interpretando tal passagem, o Padre António Vieira considera que se trata de um relato da emergência da Igreja do Quinto Império, onde se descreve a maneira da Igreja se coroar, e alcançar o Reino e império universal, onde a Lua é o Império Turco (ou o império dos que apenas têm poder temporal) e o ferro, a inteireza e constância da justiça e igualdade com que o mundo há-de ser governado. Tratar-se-ia da procura de um poder que não está sujeito às inconstâncias do tempo, nem às mudanças da fortuna e que se há-de estender até ao fim do mundo. Porque só então chegará o corpo místico de que fala São Paulo , com Cristo a nascer de novo. O tal Filho, que tem o trono no Céu, tal como a Igreja tem uma coroa na terra 
 
Draconiano A atitude política que repete o modelo de Draco, um chefe político grego do que impôs leis severas em Atenas, em 621 a.C.
 
Duarte (D.) (1391-1438) Inventaria cinco estados ou classes que o nosso D. Duarte inventariou:o clero (os "oradores"), os guerreiros ("defensores"), os "lavradores e pescadores", entendidos como "pees em que toda a cousa publica se mantem e soporta", os oficiais, considerados "os mais principaaes consselheiros, juizes, regedores, veedores, scrivãaes e semelhantes" e os que usam de algumas artes aprovadas e mesteres.
·Leal Conselheiro
(1437) (cfr. ed. Livraria Sá da Costa, Lisboa, 1942).
 
Duarte, Herlander
 ·Economia do bem comum, Lisboa, Universidade Livre, 1985.
 
Duas Espadas. Ver Dois Gládios.
 
Dubois, Pierre (1250-1320) Já nos primeiros anos do século XIV, um conselheiro de Filipe o Belo, na sua disputa com o papa Bonifácio VIII, o advogado normando Pierre Dubois (1250-1320), escreve o tratado De recuperatione Terrae Sanctae, aparecido entre 1305 e 1307, onde, instrumentalizando a ideia de cruzada, preconiza a institucionalização de uma assembleia de reinos europeus, em forma de concílio de príncipes e prelados, sem tutela do papa nem do Imperador. Surgia, pela primeira vez, o projecto de uma entidade europeia fora dos quadros da respublica christiana, sem que, contudo, se defendesse qualquer modelo de reconstrução do imperium. Este conselheiro do rei de França era também adepto do fim do poder temporal dos papas, adoptando a tese de que le roi est empereur en son royaume, conforme fora expressa por Guillaume Nogaret, em 1303. Nesse tratado considera que, para garantir a paz, não basta elogiá-la ou jurar mantê-la. Há que apoiá-la em instituições próprias. Há que organizar a arbitragem internacional. Refira-se que as ideias de Dubois nenhum efeito tiveram no seu tempo e depressa caíram no esquecimento. Foi apenas Ernest Renan, nos finais do século XIX, que as desenterrou da poeira do passado, quando o novo nacionalismo francês retomava o europeísmo.Com efeito, nessa obra manifestam-se os interesses do rei de França, a quem convinha a negação do império e da teocracia papal, isto é, de qualquer espécie de poder universal. Aliás, é a partir da aplicação destas teses romanistas aos reinos medievais que, segundo Joseph Hõffner, se abriu larga brecha na estrutura do Orbs christianus Dubois, Pierre (1250-1320) Jurista francês, defensor de Filipe o Belo contra Bonifácio VIII, autor do tratado de recuperatione Terrae Sanctae, cerca de 1306
&
·De recuperatione Terrae Sanctae (1305 - 1307).
 
Du Bois, William Edward Burghardt (1868-1963). Líder dos negros norte-americanos. Professor de economia em Atlanta, depois de ter estudado em Harvard e Berlim. Funda em 1905 o Niagara Movement e participa na National Association for the Advancement of Colored People, em 1909, um importante grupo de pessão visando a defesa dos direitos civis e políticos da população negra. Desiludido com o processo de defesa dos direitos cívicos, acaba, no fim da vida por aderir ao Partido Comunista norte-americano, em 1961, chegando mesmo a renunciar à cidadania norte-americana, instalando-se no Ghana, no ano seguinte.

Due process of law Modelo estabelecido pelo 14º amendement à constituição norte-americana, surgido em 1868, impondo às autoridades administrativas um procedural due process para protecção dos direitos e das liberdades individuais, em nome do princípio segundo o qual "no person shall be deprived of life, liberty, or property without due process of law."

Duguit, Léon (1859-1928) Pofessor em Bordéus. Começa por ser especialmente marcado pelo organicismo evolucionista, à maneira de Spencer, como se reflecte em Droit Contitutionnel et Sociologie [1883] e em Des Fonctions de l'État Moderne [1894]. Numa segunda fase, a partir de 1901, evolui para um sociologismo experimentalista, influenciado por Durkheim, como se nota em L'État, le Droit Objectif et la Loi Positive [1901], L'État, le Gouvernement et les Agents [1903] e na primeira edição do Traité de Droit Constitutionnel [1911]. Numa terceira fase, já nos anos vinte, adopta a filosofia solidarista e aquilo que qualificou como sindicalismo integral, admitindo uma correcção ao respectivo realismo pelo idealismo de valores como o da justiça, o que se reflecte na segunda edição do Traité [1921]. É então que assume a defesa de uma concepção social  de direito em nome do respectivo aspecto objectivista e realista. Critica os modelos da teoria geral do Estado, defensores da soberania absoluta do Estado, assumindo a defesa jurídica do solidarismo. Vive-se o ambiente posterior ao caso Dreyfus, assiste-se ao nascente sindicalismo e à defesa da descentralização territorial.
Considera que a personalidade do Estado é uma ficção. O Estado está submetido à lei e o fundamento desta é a solidariedade social, algo que não é uma criação da lei e que é superior e anterior ao Estado. Dá enfâse aos deveres do Estado em vez dos simples direitos do Estado. Serviço público em vez de soberania. Responsabilidades do Estado. Funções de polícia e defesa do fomento e do bem-estar.
 
Para Duguit, a palavra Estado designa toda a sociedade humana em que existe diferenciação política, diferenciação entre governantes e governados, segundo a expressão consagrada – uma autoridade política (Os Fundamentos do Direito, trad. port., Lisboa, Inquérito, 1939, p. 30). Se aceita a teoria do Estado‑Força, quando reconhece que o que aparece em primeiro plano no Estado é o seu poderio material, a sua força irresistível de constrangimento, e que o Estado é força, não há Estado senão quando num país há uma força material irresistível. Assinala, contudo, que, ao contrário dos autores alemães do Macht‑Staat, esta força irresistível do Estado é regulada e limitada pelo Direito. É que uma construção jurídica não tem valor senão quando exprime, em linguagem abstracta, uma realidade social, fundamento de uma regra de conduta ou de uma instituição política. A construção jurídica do Estado só terá, pois, valor se for a expressão, em fórmulas abstractas, de realidades concretas. A teoria do Estado‑Pessoa e da Soberania‑Direito não satisfaz, de modo nenhum, estas condições, pois implica a ideia de que o Estado é uma personalidade distinta dos individuos que o constituem e que essa personalidade é dotada de uma vontade superior, pela sua essência, a todas as vontades individuais e colectivas que se manifestam num determinado território, constituindo essa superioridade de vontade a Soberania‑Direito. Ora tudo isto são puras concepções do espírito sem nenhuma espécie de realidade positiva (Traité de Droit Constitutionnel, I, pp. 47 ss.).
Reconhecer o Estado como Força é, para o autor em análise, uma atitude realista que o afasta do idealismo, mas salientar o facto do Estado se subordinar ao Direito significa que a força, porque é força, não pode fundar o direito, mas apenas submeter‑se‑lhe. Assim, considera que a soberania é um simples poder de vontade comandante, uma vontade superior a todas as outras vontades existentes num determinado território, pelo que as relações entre a vontade soberana e as vontades não soberanas são necessariamente desiguais, dado existir uma vontade superior e outras vontades subordinadas.
A soberania é assim concebida como um poder de vontade independente e unificado. Porque, em primeiro lugar, não deriva de nenhuma outra vontade que lhe seja superior, dado ser a competência da sua competência; em segundo lugar, porque a soberania é una, atendendo a que num mesmo território não pode haver outra vontade soberana. Logo, a soberania tem de ser indivisível, inalienável e imprescritível.
Duguit, com efeito, considera que o Estado não é uma pessoa colectiva soberana, mas muito simplesmente uma sociedade na qual um ou vários indivíduos designados como governantes possuem poderio político, isto é, um poder de constrangimento irresistível; o exercício deste poder de constrangimento é legítimo, quando visa realizar os deveres que incumbem aos governantes.
Mas um governo não existe e não pode manter‑se senão quando se apoia em certos elementos de força existentes no país e quando, por outro lado, cumpre uma missão social que se impõe a todos, isto é, desenvolver a solidariedade social.
Contudo, os governantes não podem fazer nada que seja contrário à regra do direito, isto é, têm de se abster de qualquer acto que leve a um atentado contra a solidariedade social e o sentimento de justiça. Estão, assim, limitados negativamente e positivamente, pelo direito: negativamente, porque não podem fazer nada que seja contrário à regra do direito; positivamente, porque são obrigados a cooperar com a solidariedade social.
Noutra formulação, Duguit refere o Estado como uma cooperação de serviços públicos, onde a actividade de prestação é mais importante do que a dominação. Neste perfil do Estado como gestor, Duguit, como assinala Châtelet, vai abrir as portas ao intervencionismo do Estado Providência ultrapassando os preconceitos do laissez faire do Estado Liberal (Les Concéptions Politiques du XXe Siècle, p. 655).
 
Saliente‑se que para Duguit o homem é por natureza um ser social e os seus actos não têm valor senão na medida em que são actos sociais, quer dizer , actos que tendem à realização da solidariedade social e têm tanto mais valor quanto lhe tragam uma contribuição maior. Considera assim que a regra de direito é uma criação espontânea do meio social, da consciência social ou, se se preferir, da soma das consciências individuais.
 
 – Estado como facto,91,599 –Estado,102,693 –Nação,65,426 –Obediência,55,355–Poder,54,339 Em 28 e 29 de Novembro de 1923, Léon Duguit profere conferências na Faculdade de Direito de Lisboa: Les Grandes Doctrines Juridiques et le Pragmatisme. Em 7 de Dezembro, o deão de Bordéus transforma-se no primeiro doutor honoris causa da escola. Sérgio há-de chamar-lhe um conferente de filosofia superficial, sem uma profunda compreensão dos problemas da filosofia, não conseguindo assentar o seu discurso numa noção suficientemente exacta do conceito. Uma das consequências das teses do Estado-Força é a escola realista francesa de Léon Duguit (1859-1928), para quem a palavra Estado designa toda a sociedade humana em que existe diferenciação política, diferenciação entre governantes e governados, segundo a expressão consagrada — uma autoridade política. Duguit, com efeito, considera que o Estado não é uma pessoa colectiva soberana, mas muito simplesmente uma sociedade na qual um ou vários indivíduos designados como governantes possuem poderio político, isto é, um poder de constrangimento irresistível; o exercício deste poder de constrangimento é legítimo, quando visa realizar os deveres que incumbem aos governantes. Mas um governo não existe e não pode manter-se senão quando se apoia em certos elementos de força existentes no país e quando, por outro lado, cumpre uma missão social que se impõe a todos, isto é, desenvolver a solidariedade social. Contudo, os governantes não podem fazer nada que seja contrário à regra do direito, isto é, têm de se abster de qualquer acto que leve a um atentado contra a solidariedade social e o sentimento de justiça. Estão, assim, limitados negativamente e positivamente, pelo direito: negativamente, porque não podem fazer nada que seja contrário à regra do direito; positivamente, porque são obrigados a cooperar com a solidariedade social. Porque o Estado é a força, mas força subordinada a uma regra de direito superior a ele, força que só legitimamente se impõe quando actua em conformidade com essa regra de direito. Se aceita a teoria do Estado-Força, quando reconhece que o que aparece em primeiro plano no Estado é o seu poderio material, a sua força irresistível de constrangimento, e que o Estado é força, não há Estado senão quando num país há uma força material irresistível, logo assinala, ao contrário dos autores alemães do Macht‑Staat, que esta força irresistível do Estado é regulada e limitada pelo Direito. Neste sentido, considera que uma construção jurídica não tem valor senão quando exprime, em linguagem abstracta, uma realidade social, fundamento de uma regra de conduta ou de uma instituição política. A construção jurídica do Estado só terá, pois, valor se for a expressão, em fórmulas abstractas, de realidades concretas. A teoria do Estado-Pessoa e da Soberania-Direito não satisfaz, de modo nenhum, estas condições, pois implica a ideia de que o Estado é uma personalidade distinta dos individuos que o constituem e que essa personalidade é dotada de uma vontade superior, pela sua essência, a todas as vontades individuais e colectivas que se manifestam num determinado território, constituindo essa superioridade de vontade a Soberania-Direito. Ora tudo isto são puras concepções do espírito sem nenhuma espécie de realidade positiva. Reconhecer o Estado como Força é, para o autor em análise, uma atitude realista que o afasta do idealismo, mas salientar o facto do Estado se subordinar ao Direito significa que a força, porque é força, não pode fundar o direito, mas apenas submeter-se-lhe. Esta concepção realista não aceita, pois, a visão do Estado como pessoa colectiva, o dogma da soberania alienável e divisível, bem como a chamada auto-limitação do Estado. Para ele, a soberania é um simples poder de vontade comandante, uma vontade superior a todas as outras vontades existentes num determinado território, pelo que as relações entre a vontade soberana e as vontades não soberanas são necessariamente desiguais, dado existir uma vontade superior e outras vontades subordinadas. A soberania é, assim, concebida como um poder de vontade independente e unificado. Porque, em primeiro lugar, não deriva de nenhuma outra vontade que lhe seja superior, dado ser a competência da sua competência; em segundo lugar, porque a soberania é una, atendendo a que num mesmo território não pode haver outra vontade soberana. Logo, a soberania tem de ser indivisível, inalienável e imprescritível.
· Droit Constitutionnel et Sociologie
1883
·Les Fonctions de l'Etat Moderne
1894
· L'État, le Droit Objectif et la Loi Positive
1901
·Études de Droit Public
Paris, 1901.
· L'Etat, les Gouvernements et les Agents
1903.
·Le Droit Social, le Droit Individuel et les Transformations de l'État
(1908 - 1911; 2ª ed., 1921)
·Traité de Droit Constitutionnel
(tomo I, 1ª ed., 1911; 2ª ed.,1921)
·Transformations du Droit Public
1913
·Souverainité et Liberté
Paris, Éditions Alcan, 1922
· Traité de Droit Constitutionnel
Tomo II, 1923.
·Leçons de Droit Public Général
Paris, 1926.
 
Duma Parlamento russo, concedido por Nicolau II, depois da revolução de 1905. A primeira dura de Abril a Julho de 1906. A segunda, de Fevereiro a Junho de 1907. A terceira, de 1907 a 1912. A quarta de 1914 a 1917.
 
DUMÉZIL, GEORGES (1898-1986)
·Jupiter-Mars-Quirinus. I - Essai sur la Concéption Indo-Européenne de la Societé et les Origines de Rome; II - Naissance de Rome (Paris, Éditions Gallimard, 1941 - 1944).
·Aspects de la Fonction Guerrière chez les Indo-Européens (Paris, Presses Universitaires de France, 1956).
·Idées Romaines (Paris, Éditions Gallimard, 1969).  –Jupiter,Marte e Quirino,20,136
 
Dunant, Henri (1828-1910) Humanitarista suíço, fundador da Cruz Vermelha e vencedor do Prémio Nobel da Paz em 1901. A ideia surge-lhe no livro Un Souvenir de Solférino de 1862, a propósito da 40 000 baixas ocorridas na batalha com o mesmo nome, de 24 de Junho de 1859, que testemunhou.
 
Dupanloup, Félix 1802-1878 Bispo de Orleães de 1840. Chefe da Igreja Católica durante o II Império. Assume um catolicismo liberal moderadamente galicista, opondo-se ao tradicionalismo ultramontano. deputado e senador. membro da Academia Francesa desde 1854, retira-se em 1871, protestando contra entrada de Littré.
 
Duplo contrato em Grócio,109,760 A passagem do estado de natureza (status primaevus) ao contrato social (pactum expressum aut tacitus) é vista como um duplo contrato:primeiro,uma união entre associados;depois,a sujeição a um poder convencionado.Só que este contrato social é entendido como um facto histórico,empiricamente verificado,concebendo a existência de tantos contratos sociais quantos os Estados efectivamente existentes.
 
 
Duplo contrato em Locke,111,769 O processo de constituição é visto através do clássico duplo contrato:primeiro,um pactum unionis,a constituição da comunidade por liberdade de consentimento;depois,um pactum subjectionis,onde a maioria atribui ao governo o poder.
 
DURAND, GILBERT (n. 1921)
 
·Les Structures Anthropologiques de l'Imaginaire. Introduction à l’Archétypologie Générale (Paris, Presses Universitaires de France, 1960) (cfr. trad. port. de Hélder Godinho, Lisboa, Editorial Presença, 1989).
 
DURÃO ALVES, PAULO (1893-1977)
&
·A Comunidade Internacional (1942).
·A Filosofia Política de Suarez (Braga, Livraria Cruz, 1949).
 
 
 
Durkheim, Émile (1858-1917) Um normalien agregado em filosofia e doutor em Letras. Aluno de Fustel de Coulanges e Boutroux. Apresenta como tese, em 1893, La Division du Travail Social, de 1893. Doi anos depois emite Les Regles de la Méthode Sociologique, onde pretende, na senda do método positivista, estender o chamado racionalismo científico a toda a conduta humana. Professor em Bordéus e Paris. Acredita na sociologia como o estudo estatístico dos factos sociais e, almejando descobrir leis sociológicas, exclui o estudo da política do campo da sociologia, dado que as coisas políticas (dava o exemplo das guerras, das intrigas dos cours e das assembleias, bem como dos actos dos homens de Estado), porque ne sont jamais semblables à elles-mêmes: on ne peut donc que les raconter, et, à tort ou à raison, elles semblent ne procéder d’aucune loi définie (...) En tout cas, si ces lois existent, elles sont des plus difficieles à découvrir – Função,40,248 101,683 –Ciência ideológica e ciência das realidades,10,85 –Poder,54,338
Também Emile Durkheim referia nas Règles de la Méthode Sociologique, que "em vez de observar as coisas e de as descrever, de as comparar, nós contentamo‑nos em tomar consciência das nossas ideias, analisando‑as e combinando‑as. Em vez de uma ciência das realidades, apenas fazemos uma ciëncia ideológica".
Por seu lado, Durkheim referia a dificuldade de na política se distinguir entre a arte (a praxis ,a indicação do dever ser,do possível),a doutrina (mero procedimento dedutivo) e a ciência (a definição do real e a elaboração teórica,neste domínio,exigem‑se mutuamente porque uma ciênci se define pelo seu objecto teórico).
Durkheim dizia expressamente que "a ideia de força implica a ideia de poder que,por sua vez,não existe sem a ideia de ascendente,de mestria,de dominação e correlativamente de dependência ,de subordinação;ora,as relações que todas estas ideias exprimem são eminentemente sociais.É a sociedade que classificou os seres em superiores e inferiores,em senhores que comandam,em súbditos que obedecem;é ela que conferiu aos primeiros esta propriedade singular que torna o comando eficaz e que constitui o poder".(
Isto é,tanto o poder governamental,como o espiritual ou o do pai de família constituem simples intermediários da dimensão repressiva inerente à sociedade.
e Durkheim para quem os "fenómenos sociais devem ser tratados como coisas.São coisas ,com efeito,tudo aquilo que se oferece ou apresenta à observação.Tratar os fenómenos como coisas é tratá‑los na qualidade de data,que constituem o ponto de partida para a ciência".
Por seu lado,Emile Durkheim (1858‑1917) vem considerar que a palavra função é preferível á de fim ou objectivo dado que "a existência de uma correspondência entre o facto considerado e as necessidades gerais do organismo social é independente do carácter intencional ou não deste facto".
Salienta também que "perguntar qual é a função da divisão do trabalho,é procurar saber a que necessidade a mesma corresponde".
Emile Durkheim também considera que a nação é "o grupo humano cujos membros , por razões étnicas ou simplesmente históricas , querem viver sob as mesmas leis, formar um Estado, grande ou pequeno, não importa".
Emile Durkheim (1858‑1917).Para o grande sociólogo francês existiria uma consciência colectiva, a qual, em lugar de resultar das consciências individuais,é que produziria estas últimas:"tudo o que existe na consciência individual deve ser atribuído à pressão social" e a "única liberdade do indivíduo é a de individualizar em si a consciência colectiva".
E isto porque "a sociedade não se reduz a uma simples soma de indivíduos,mas o sistema em que se traduz a respectiva associação e que representa uma realidade específica, dotada de caracteristicas próprias".
Enquanto os contra‑revolucionários Bonald e Maistre adoptavam um organicismo tradicionalista que exigia a identidade entre o órgão e a função,em nome do princípio da divisão do trabalho,Durkheim, pelo contrário, vem considerar que as estruturas da sociedade podem mudar de função e que uma dinâmica divisão do trabalho implica o aparecimento de novas estruturas e,consequentemente, de novas formas de poder.
Como ele próprio assinala "quanto mais as sociedades se desenvolvem, mais o Estado se desenvolve;as suas funções tornam‑se cada vez mais numerosas,penetram,além disso, todas as outras funções sociais que o mesmo concentra e unifica por isso mesmo.Os progressos da centralização são paralelos aos da civilização"
Assim , refere que "o Estado estende progressivamente sobre toda a superfície do território uma rede cada vez mais apertada e complexa de ramificações que se substituem aos órgãos locais pré‑existentes ou os assimilam".
As teses de Durkheim constituem uma "amálgama de hegelianismo e organicismo", conforme a expressão de Jouvenel, considera o Estado como o "cérebro social",o "órgão que está encarregado de representar o corpo social no seu conjunto e de o dirigir".Trata‑se,aliás,de uma teoria que procura superar a a incapacidade demonstrada pelo liberalismo da época perante a pressão dos grupos intermediários.
Para ele "toda a vida do Estado propriamente dito passa‑se não em acções exteriores, em movimentos, mas em deliberações, isto é, em representações",pelo que "a sua função essencial é a de pensar" e "não executa nada".É entendido como a "sede de uma consciência especial, restrita,mas mais alta,mais clara, tendo dele mesmo um mais vivo sentimento", situando‑se "de tal modo longe os interesses particulares que não pode ter em conta condições especiais,locais, etc.,nas quais se encontram".
Considera também que "o Estado é o órgão do pensamento social.Não que todo o pensamento social emane do Estado.Mas está lá de duas formas.Uma vem da massa colectiva e é difusa:é feita destes sentimentos,destas aspirações, destas crenças que a sociedade elaborou colectivamente e que estão dispersas em todas as consciências.A outra é elaborada neste órgão especial que se chama Estado ou governo... Uma... permanece na penumbra do subconsciente.Mal nos damos conta de todos estes preconceitos colectivos...Toda esta vida tem qualquer coisa de espontâneo e de automático, de irreflectido. Pelo contrário, a deliberação, a reflexão é a característica de tudo o que se passa no órgão governamental.É verdadeiramente um órgão de reflexão".
Neste sentido, "o papel do Estado,com efeito,não é de exprimir o pensamento irreflectido da multidão,mas de acrescentar a este pensamento irreflectido um pensamento mais meditado e que,por consequência, tem de ser diferente"
O Estado surge ,pois, como um mecanismo de comunicação e de transmissão de informações,bem como um instrumento neutro e funcional,claramente separado da sociedade.
 
·De la Division du Travail Social
Paris, Alcan, 1893 cfr. trad. port., A Divisão Social do Trabalho, 2 vols., Lisboa, Editorial Presença, 1977.
·Les Règles de la Méthode Sociologique
1895 cfr. trad. port., Lisboa, Editorial Presença, 1980.
·Le Socialisme. Sa Définition, ses Débuts. La Doctrine Saint-Simonienne
curso de 1895-1896, publicado em 1928 por Marcel Mauss, Paris, Rets, 1978.
·Le Suicide
Paris, Alcan, 1897.
·Les Formes Élémentaires de la Vie Réligieuse
Paris, Alcan, 1912.
·Éducation et Sociologie
Paris, Alcan, 1922.
·Sociologie et Philosophie
Paris, Alcan, 1925.
·L'Évolution Pédagogique en France
Paris, PUF, 1933.
 
4Aron, Raymond, Les Étapes de la Pensée Sociologique, Paris, Éditions Gallimard, 1967, pp. 317 segs..4Giddens, Anthony, Durkheim on Politics and the State, Stanford, Stanford University Press, 1986.4Lacroix, Bernard, «Dinâmica Social e Subordinação relativa do Político segundo E. Durkheim», in Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, LII, 1977, pp. 311-334. 4Idem, Durkheim et le Politique, Paris, Presses de la Fondation Nationale des Sciences Politique, 1981. 4Idem, «Durkheim», in Dictionnaire des Oeuvres Politiques, pp. 213 segs..4Lukes, Stephen, Emile Durkheim. His Life and Work, Londres, Penguin Books, 1973. 4Silva, Augusto Santos, Entre a Razão e o Sentido. Durkheim, Weber e a Teoria das Ciências Sociais, Porto, Edições Afrontamento, 1988.4 Gonçalves, José Júlio, «Itinerários da Teoria Sociológica», in Estudos Políticos e Sociais, vol. VII, nº 2, 1969, pp. 344 segs..4Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, II, pp. 148 segs..4Moncada, Luís Cabral, Filosofia do Direito e do Estado, I, pp. 371 segs..4 Silva, Augusto, «Durkheim», in Logos, 1, cols. 1497-1501.
 
Duroselle, Jean-Baptiste (1917-1994) Professor francês, teórico das relações internacionais e especialista em história da ideia de Europa.
 ·Les Débuts du Catholicisme Social en France (1822-1870), Paris, Presses Universitaires de France, 1951.
·De l'Utilisation des Sondages d'Opinion en Histoire et en Science Politique, Bruxelas, INSOC, 1957.
·L’Idée d’Europe dans l’Histoire, Jean Monnet, pref., Paris, Éditions Denoël, 1963.
·Le Drame de l'Europe. 1914-1945, 2 vols., Paris, Imprimerie Nationale, 1969.
·Tout Empire Périra. Une Vision Théorique des Relations Internationales, Paris, Publications de la Sorbonne, 1981 [reed., Paris, Librairie Armand Colin, 1992].
·L’Europe, Histoire de ses Peuples, Paris, Librairie Académique Perrin, 1990 [trad. port. História da Europa, Lisboa, Círculo de Leitores/Publicações Dom Quixote, 1990].
·Introduction à l’Histoire des Relations Internationales, Paris, Librairie Armand Colin, 1991. Com Pierre Renouvin.
 
Duso, Giuseppe, La Reppresentanza. Un Problema di Filosofia Politica, Milão, Franco Angeli, 1988.
 
Dutra, Eurico Gaspar (1885-1974) Presidente do Brasil de 1946 a 1951. Destaca-se como ministro da guerra de 1936 a 1945, quando organiza a Força Expedicionária Brasileira. Durante a respectiva presidência há uma feroz repressão ao Partido Comunista, cuja extinção é decretada em 1947.
 
 
 
Duverger, Maurice (n. 1917) a política apenas tem a ver com "o poder organizado,as instituições de comando e de controlo".
Poder "a forma de influência ou força que é estabelecida pelas normas,crenças e valores da sociedade onde se exerce".Considera,portanto,que o poder já seria um conceito normativo dado que "define a situação daquele que tem direito de exigir que os outros se verguem às suas directivas numa relação social,porque o sistema de normas e valores da colectividade na qual se desenvolveu esta relação estabelece este direito e atribui‑o àquele que dele se aproveita".
"toda a política implica uma escolha entre dois tipos de solução"(
a sociedade global implica uma cultura e um carácter nacional,exigindo três elementos:articulação dos diversos grupos humanos;forte integração dos mesmos,de modo a gerar uma solidariedade profunda;uma intensidade superior à da solidariedade grupal e à da unidade nas relações com o exterior.
É evidente que Duverger toma como ponto de chegada o actual Estado‑Nação e como paradigma a "nation par excelence",que por acaso também é a sua.Mas não deixa de estabelecer o quadro evolutivo das diversas sociedades globais:a tribo,a cidade antiga,o domínio senhorial feudal,a monarquia absoluta e,finalmente,o estado‑Nação,com os diversos modelos do século ‑ Estado Liberal‑Capitalista,Estado ‑Fascista ,Estado‑Socialista e Estado em vias de desenvolvimento.
considera que a nação é "essencialmente um produto da história.Tal como o homem se define pelo seu passado,como bem o notou a psicanálise,assim como ele é em cada instante a soma do que foi,e mais ainda do que acreditou que foi,assim uma nação se define pela sua história e tanto pela história imaginada como pela história objectiva,tal como foi na realidade.Da mesma maneira como o homem reconstrói em cada instante o seu passado,que escolhe certos factos,que esquece outros,que acentua as proporções de uns e que diminui as proporções de outros,assim os povos fabricam uma história artificial,que influencia profundamente os seus comportamentos e as suas instituições".
 
·Manuel de Droit Constitutionnel et de Science Politique, Paris, 1945.
·L’Influence des Systèmes Electoraux sur la Vie Politique, Paris, Armand Collin, 1950 (ed.).
·Les Partis Politiques [1ª ed., 1951], Paris, Librairie Armand Colin, 1986 [trad. port. Os Partidos Políticos, Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1970].
·Institutions Politiques et Droit Constitutionnel [1ª ed., 1955], Paris, Presses Universitaires de France, 1980.
·Méthodes de la Science Politique, Paris, Presses Universitaires de France, 1959.
·«Sociologie des Partis Politiques», in Gurvitch, Georges, Traité de Sociologie, tomo II, Paris, Presses Universitaires de France, 1960; in La Démocratie sans le Peuple, pp. 22-45, Paris, Éditions Julliard, 1961.
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·Ciência Política. Teoria e Método, trad. port., Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1981.
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·Segundo Relatório Preliminar elaborado em nome da Comissão dos Assuntos Internacionais sobre a Preparação do Encontro com os Parlamentos Nacionais sobre o Futuro da Comunidade, Estrasburgo, Comunidades Europeias/Parlamento Europeu, 1989-1990.
·Europe des Hommes, Paris, Éditions Odile Jacob, 1994 [trad. port. A Europa dos Cidadãos, Lisboa, Edições Asa, 1994].
·L’Europe dans tous ses États, Paris, Presses Universitaires de France, 1995.
 
Dux
Como assinala Tácito,no seu De Germania,editado cerca de um século depois de Cristo,o poder de tais duces "não era infinito nem livre",mas que "convence mais com autoridade do que com o poder de mandar"(auctoritate suadendi magis quam iubendi potestate). Trata‑se efectivamente de um poder não absoluto,isto é de um poder que não é nem infinito nem livre. É que tais chefes são constantemente acompanhados por companheiros ou comites,que constituem uma companhia ou comitatus, um grupo de fiéis à volta de um chefe governando, sobretudo,pelo processo da consulta. O próprio Tácito dizia que "a suprema grandeza de um imperador romano é de ser, não um proprietário de escravos,mas um senhor de homens livres,que ama a liberdade mesmo entre os que o servem".Nestas monarquias bárbaras,como assinala Evola,"o Estado ,quase como de acordo com o antigo conceito aristocrático romano,tinha por centro o conselho dos chefes,cada um deles livre,senhor na sua terra,condutor do grupo dos seus fiéis".
 
Dye, Thomas R.
·Politics, Economics and the Public
Chicago, Rand MacNally & Co., 1966.
·Understanding Public Policy
Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1972.
·Who’s Running America? The Reagan Years
Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1986.
 
 
Dyke, Vernon van
·Political Science. A Philosophical Analysis
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·Ciencia Política. Una Análisis Filosófica
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·Introduction to Politics
Chicago, Nelson A. Hall Co., 1995.
 
 
Ernst B. Haas
Dynamics of International Relations
1956
 
No próprio ano da instauração do Tratado de Roma e da subida ao poder de De Gaulle, a escola funcionalista norte-americana de ciência política, pela pena de Ernst B. Haas, analisando o processo de construção europeia marcado pela integração económica da CECA, fala na integração funcional. Considera que decisões económicas limitadas  seriam as mais aptas para a obtenção de escolhas políticas cruciais, as quais seriam provocadas mais por convergências de interesses  do que por opções políticas. Neste sentido, admite-se poder existir uma passagem automática da uma união económica a uma união política, dada a dinâmica ascendente da integração que permitiria que a mesma se estendesse progressivamente a outros sectores económicos, a sectores políticos e até a outros países. E isto, porque o novo centro político, gerado pela integração sectorial económica, entraria em relações directas com os principais actores sociais e políticos, os grupos de interesse e os partidos políticos, pelo que as próprias crises levariam ao reforço da integração e da comunidade por ela gerada. No fim do processo, atingir-se-ia inevitávelmente um novo Estado de natureza federal. Para Haas, para atingir tal objectivo, bastaria o desencadeamento do processo de estabelecimento de uma instituição supranacional num determinado sector económico, que levaria automaticamente à cobertura de outros sectores.ìHaas.
 
 
 
 
 
Dworkin, Ronald Myles Filósofo do direito norte-americano. Nasce em 1931. Estuda em Harvard e Oxford. Professor em Oxford e Nova Iorque. Situado na nova filosofia analítica do direito, assume a tradição do convencionalismo do common law, distanciando-se de Hart, mais influenciado pela jurisprudência analítica de Austin. Professor em Oxford e na New York University. Numa posição anti positivista retoma a teoria da experiência de Burke contra o utilitarismo, considerando que injusto nas suas consequências, porque perpetua a pobreza enquanto um meio para a eficiência, e é deficiente na sua teoria da natureza humana, porque vê os indivíduos enquanto átomos egoístas da sociedade, em vez de considerá‑los seres cujo sentido de comunidade é uma parte essencial do seu sentido do ego.
Taking Rights Seriously
Londres, Duckworth, 1977.
·A Matter of Principle
1985.
Law’s Empire
Cambridge, Mass., Belknap, 1986 (ver a trad. fr. L’Empire du Droit, Paris, PUF, 1994).
·Life’s Dominion
1993
 
Dye, Thomas R., Politics, Economics and the Public, Chicago, Rand MacNally & Co., 1966.
¾ Understanding Public Policy, Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1972.
¾ Who’s Running America? The Reagan Years, Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1986.
 
Dyke, Vernon van, Political Science. A Philosophical Analysis, Stanford, Stanford University Press, 1960 [trad. cast. Ciencia Política. Una Análisis Filosófica, Madrid, 1962].
¾ Introduction to Politics, Chicago, Nelson A. Hall Co., 1995.
 
Dyson, K. H. F., The State Tradition in Western Europe, Oxford, Martin Robertson, 1980.