Eanes, António dos Santos Ramalho Presidente da República de 14 de Julho de 1976 até 1986. Eleito em 27 de Junho de 1976 (61,6%), foi reeleito em 14 de Janeiro de 1981 (56, 44%). Destaca-se como o homem do 25 de Novembro de 1975, tornando-se Chefe de Estado Maior do Exército, implementando o modelo de regresso dos militares aos quartéis e de intransigente defensor dos modelos de democracia pluralista. Eleito em 1976 contra as candidaturas de Otelo Saraiva de Carvalho (16,48%), Pinheiro de Azevedo (14,37%) e Octávio Pato (7,59%). Como presidente tem relações tensas tanto com Francisco Sá Carneiro como com Mário Soares. Os eanistas dos dois partidos levam a cisões dentro do PSD, com a fundação da ASDI, e do PS, com a cisão dos Reformadores. Em 1978 decide-se pela criação de três governos presidenciais, dirigidos sucessivamente por Nobre da Costa, Mota Pinto e Maria de Lurdes Pintasilgo. Na segunda candidatura a presidente da república enfrenta o candidato da AD, general Soares Carneiro (40, 23%), sem o apoio de Mário Soares que suspende as funções de secretário-geral do PS para que o partido possa apoiá-lo. Otelo que continua a candidatar-se recebe 1, 49%. Inspira a criação do PRD em 1985, tornando-se presidente do mesmo em 1986, depois de abandonar a presidência.

 

Earle, Edward Mead

·Makers of Modern Strategy. Military Thought from Machiavelli to Hitler

Princeton, Princeton University Press, 1971 [trad. fr.

·Les Maitres da la Stratégie

2 vols., Raymond Aron, pref., vol. I -

·De la Rénaissance à la Fin du XIXème Siècle

vol. II -

·De la Fin du XIXème Siècle à Hitler

Paris, Éditions Flammarion, 1980-1982].

 

Eaton, Howard O., ed., Federation. The Coming Structure of World Government, Norman, University of Oklahoma Press, 1944.

 

Ebenstein, William, Today’s Isms. Socialism, Capitalism, Fascism, Communism, ...*, 1967 [10ª ed., com Ebenstein, Alan O., Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1994; trad. port. 4 Ismos em Foco. Comunismo, Fascismo, Capitalismo, Socialismo, Brasília Editora, Porto, 1974].

¾           , Ebenstein, Alan O., Great Political Thinkers. From Plato to the Present, 5ª ed., Nova York, Harcourt, Brace & Co., 19...*.

 

Eibl-Eibesbfeld, Irenaus 

Etologista, discípulo de Konrad Lorenz.

·Liebe und Hass

Munique, Piper, 1972. Cfr. trad. port., Amor e Ódio. História Natural dos Padrões Elementares do Comportamento, Amadora, Bertrand, 1987, 2ª ed.

 

 

 

Einaudi, Luigi (1874-1961) O primeiro presidente da República Italiana, entre 1948 e 1955. Liberal, professor de economia política em Turim e Milão. Eleito senador em 1919, conserva tal posição durante o regime fascista. Em 1935 vê proibida a sua revista La Riforma Sociale. Refugiado na Suíça de 1943 a 1945. Vice-primeiro-ministro com Alcide de Gasperi em 1947-1948, responsável pelas matérias orçamentais.

 

Der Einzige und sein Eigenstuhm, 1844 Max Stirner assume-se como um anarquista libertário, marcado por um individualismo radical que, ao contrário do anarquismo de Proudhon, rejeita o Estado. Considera o homem como o único (Einzige) que não pode ser propriedade de ninguém, nomeadamente do Estado, mesmo que seja liberal. Critica frontalemente este modelo de Estado que conduz à escravidão do eu. Considera que o Homem feito para ser proprietário de todas as coisas não pode ser possuído por ninguém. propõe que a sociedade seja fundada no egoísmo, no culto de um eu  soberano, propondo a constituição de uma associação de egoístas, todos eles soberanos. Considera que a Revolução Francesa substituiu a monarquia limitada por corpos intermediários por uma monarquia absoluta que sujeita directamente o indivíduo à lei. Em nome dos interesses da nação triunfaram apenas os interesses da burguesia. Surge um Estado entendido como totalidade, detentor de um poder que se pretende justificado. propõe que se faça guerra a qualquer espécie de Estado, salientando que a liberdade reclamada pelo liberalismo não passa da máscara de uma nova dominação. Distanciando-se de Hegel e dos neo-hegelianos como Feuerbach e Bauer, considera que a ideia, a consciência ou a espécie não passam de alienaçãoes oriundas da teologia tradicional. Observa que a burguesa elevou o dinheiro à categoria de Deus, desenvolvendo o lucro em vez do uso . e que a concorrência, em vez de melhorar as coisa, apenas as pretende tornar mais lucrativas (cfr. trad. fr. L’Unique et sa Proprieté, Lausanne, Éditions l’Âge de l'Homme, 1988).

 

 

Easton, David  n. 1917 Canadiano, nascido em Toronto. Doutorado em Harvard. Professor na Universidade de Chicago desde 1947.

 

Autoridade na distribuição dos valores

Considera que a vida política consiste em acções relacionadas com a autoridade na distribuição dos valores (the political life consists of those actions related to the authoritative allocation of values) e o sistema político aparece como um complexo de actividades, dotado de autonomia (a system of interrelated activities influence the way in which authoritative decisions are formulated and executed for a society). Onde os valores aparecem como as vantagens, materiais ou não materiais, que são repartidas no quadro de um sistema político.

Para além da luta pelo poder

Observa que a luta pelo poder não descreve o fenómeno essencial da vida política; ela refere-se apenas a um aspecto relativamente importante, mas que permanece, apesar de tudo secundário, concluindo que o poder é apenas uma das variáveis significativas. Tendo apenas isto em atenção, omite-se uma dimensão também muito importante da vida política, isto é, a sua orientação relativamente a outros fins para além do poder. A vida política não consiste apenas numa luta pelo poder.

Autonomia do sistema político

Procura a autonomia do sistema político a partir da ideia de comunicação, entendida como o processo de converter a informação em poder. O sistema político é compreendido como um sistema de distribuição autoritária de valores, como um conjunto de interacções pelas quais se efectua a distribuição (allocation) autoritária (authoritative) de valores para uma sociedade. A vida política aparece como a complex set of a process through which certain kinds of inputs are converted into the type of outputs we may call authoritative policies, decisions and implementing actions. E seria este processo funcional da distribuição ou atribuição de valores, isto é, de objectos pelo mesmo sistema valorizados, distribuição marcada pela autoridade, pela imperatividade, que constituiria o traço distintivo do sistema político. Com esta perspectiva sistémica, a ciência política volta assim a ganhar autonomia face à sociologia e, pela via funcionalista, regressam temas fundamentais como os dos valores e e da autoridade. Da mesma forma, se considera que a vida política tem a ver com a unidade mais inclusiva, não podendo confundir-se com outros sistemas parapolíticos.

 

Na linha do behaviorismo e de Parsons, coloca como noção fulcral da respectiva análise a ideia de ambiente (environment), considerando que o sistema político é um sistema de comportamentos incluído num dado ambiente, um sistema que é influenciado pelo ambiente onde se insere, mas que também responde ou reage a esse ambiente.

Ambiente

Existiria tanto um intra-societal environment, um ambiente interior, como um extra-societal environment, um ambiente exterior. O ambiente interior seria o da sociedade global, entendida como a soma do sistema político propriamente dito como o dos sistemas não políticos, mas situados dentro do ciírculo da sociedade global, como o sistema ecológico, o sistema biológico, o sistema psicológico (personality system) e os sistemas sociais, incluindo nestes últimos, o sistema cultural, a estrutura social, sistema económico, o sistema demográfico e outros subsistemas. O ambiente exterior seria o ambiente que cerca a sociedade global, enumerando Easton três elementos deste ambiente: international political systems, international ecological systems e international social systems. O ambiente total do sistema político seria assim a soma do ambiente interior com o ambiente exterior.

Caixa negra

Já o sistema político propriamente dito funcionaria como uma caixa negra produtora de decisões e de acções (outputs), que teria como entradas, como inputs, tanto as exigências (demands) como os apoios (support). Aqui, Easton, na linha de Parsons, sofre as influências das teses de Wassily Leontief, anterior Prémio Nobel da Economia, que havia desenvolvido a análise sistémica dos inputs-outputs, perspectivando o sistema como algo de complexo que está em fluxo constante, em perpétuo movimento, dado que o output vai influenciar o input.

Inputs

O apoio traduz-se na disposição de um actor A relativamente a B, quando A actua em favor de B ou quando se orienta favoravelmente face a B, podendo B ser uma pessoa, um grupo, um fim, uma ideia ou uma instituição. Já a exigência é definida como a expressão da opinião que uma atribuição dotada de autorida, respeitante a um domínio particular, deve ou não ser feita pelos que para tal são encarregados.

Outputs

Os outputs constituiriam a distribuição autoritária de valores, pelos quais um sistema político diminuiria o peso das exigências que lhe são dirigidas ou maximizaria os apoios de que dispõe.

Retroacção

Dentro da caixa negra do sistema, far-se-ia a retroacção da informação, a conversão das demands em outputs, através das chamadas autoridades. Pela retroacção um sistema político pode assim ajustar a sua actividade tendo em conta os resultados da sua actividade passada. Ela aparece como um conjunto de processos que permite ao sistema controlar e regularizar as perturbações que se façam sentir.

Revolução pós-behaviorista

Em 1969, vem falar na necessidade de uma postbehavioral revolution nos domínios da ciência política, onde fosse possível conciliar os métodos quantitativos e o apelo aos factos da revolução comportamentalista, com os dados qualitativos da teoria política e os valores, uma revolução que não seria rejeição do contributo behaviorista para o alargamento da base cogniscitiva da ciência política, mas que teria de aliar, a tais métodos quantitativos, o qualificativo de uma teoria geral própria.

·The Political System. An Inquiry into the State of Political Science

Nova York, Alfred A. Knopf, 1953.

·«The Perception of Authority and Political Change»

In Friedrich, Carl Joachim, ed., Nomos I - Authority, Cambridge, Massachussetts, Harvard University Press, 1958.

·A Systems Analysis of Political Life

Nova York, John Wiley & Sons, 1965 [trad. fr. L’Analyse du Système Politique, Paris, Librairie Armand Colin, 1974]

·A Framework for Political Analysis

Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1965 [trad. cast. Esquema para el Análisis Político,  Buenos Aires, Ammorrortu, 1982.

·Varieties of Political Theory

 Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1966. Ed.

·Contemporary Political Analysis

Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1967.

·«The New Revolution in Political Science»

In American Political Science Review, vol. LXIII, n.º Dez., pp. 1051-1061, Washington D. C., APSA, 1969.

·Children in the Political System. Origins of Political Legitimacy

 Nova York, MacGraw-Hill, 1969. Com Jack Dennis.

·«The Political System Besieged by the State»

 In Political Theory, n.º 9, pp. 303-321, 1981.

·«Political Science in the United States. Past and Present»

 In International Political Science Review, vol. 6, Londres, IPSA, 1985.

·The Globalization of Political Science

 Washington D. C., 1988. 

·The Development of Political Science. A Comparative Survey

 Londres, Routledge & Kegan Paul, 1991. Com John Gunnel e Luigi Graziani.

·The Analysis of Political Structure

 Londres, Routledge & Kegan Paul, 1990.

·Divided Knowledge Across Disciplines and Across Cultures

Newbury Park, California, Sage, 1991. Com Corinne F. Schelling.

·Regime and Discipline. Democracy and the Development of Political Science

Ann Arbor, University of Michigan Press, 1995. Com John G. Gunnel e Michael B. Stein, eds.