Enayat, Hamid, Modern Islamic Political Thought, Basingstoke, Macmillan Press, 1991.

 

Encíclica Carta solene emitida pelo Papa.

 

Enclave Uma área territorial cercada por territórios pertencentes a outro Estado. Por analogia, designa-se também como tal um grupo religioso que vive cercado por outros de diferente religião (caso do enclave católico na Irlanda do Norte). Na história política portuguesa, destaca-se a questão do enclave de Dadrá e Nagara-Aveli, no antigo Estado Português da Índia, quando perante o Tribunal Internacional de Haia Lisboa reclamou direito de servidão de passagem face ao vizinho território português de Damão.

 

Encyclopédie ou Dictionnaire Raisonné des Sciences, des Arts et des Métiers “, 1751-1772 A Enciclopédia, com 17 volumes, dirigida por Diderot, com a colaboração directa de D’Alembert, pretende ser um quadro geral dos esforços do espírito humano. Tem como antecedente um projecto do Grão Mestre da Maçonaria Ramsay, desencadeado por Chambers em 1728, onde se pretendia reunir numa só obra as luzes de todas as nações. De certo modo, visa ser uma espécie de antídoto face à ratio studiorum dos jesuítas. No projecto de Diderot visa-se aquilo que na Alemanha era então conhecido como Popular Philosophie que visava ordenar racionalmente  o conhecido, fazer um inventário e uma classificação do adquirido pelo homem. A linha geral da mesma reflecte o movimento dos philosophes, visando, sobretudo, combater a religião, assumindo-se o projecto ideológico da modernidade, numa espécie de cruzada contra o obscurantismo clericalista. Visava-se eliminar toda a transcendência porque é preciso examinar tudo, agitar tudo sem excepção e sem comedimento. Está na base da chamada ilustração francesa e tem também Pierre Bayle como precursor.

 

Na obra colaboram, entre outros, Montesquieu, Voltaire, Rousseau, Buffon, Quesnay, Turgot, Helvétius e d’Holbach. A obra perdeu a licença real para a publicação em 1758, depois da edição da obra de Helvetius, De l'Esprit. Só 1765 se continuou o processo.

 

End (The) of History and the Last Man, 1992 Obra de Francis Fukuyama, marcada por um exacerbado etnocentrismo. Citando Howard Wiarda (Toward a Framework for the Study of Political Change in the Iberio-Latin Tradition, de 1973), fala numa tradição ibérica autoritária, patrimonial, católica, estratificada, corporativa e semi-feudal. Num quadro cronológico sobre as democracias liberais, considera que Portugal e Espanha não tiveram democracias liberais de 1790 a 1990 (sic), colocando-nos, a Portugal e à Espanha, abaixo da Turquia, da Alemanha e da maioria dos países sul-americanos (pp.49-50). Nem o facto de escolher, para o quadro diacrónico, os marcos de 1790, 1818, 1900, 1919, 1940, 1960, 1975 e 1990 justifica o erro e o preconceito. Em 1900 e 1919, Portugal até era hiper-liberal, tanto na Constituição como na prática, como o fomos de 1820 a 1824, de 1826 a 1828 e de 1834 até 1926. Aliás, um bom democrata-liberal até nem deve esquecer que a palavra liberal deriva do castelhano, numa importação que os britânicos fizeram do termo a partir da experiência de Cádis, de 1811-1812, entre nós imitada em 1820. Este mesmo etnocentrismo levou, por exemplo, muitos soviétologos a dizer que o comunismo soviético grassou num povo que tinha uma tendência inata para regimes de despotismo oriental.   No caso concreto do etnocentrismo de Fukuyama, este considera que a democracia-liberal autêntica nasceu das concepções do mundo e da vida do protestantismo, pelo que é natural que manifeste obsediantes preconceitos relativamente às sociedades marcadas pelo catolicismo e pela religião ortodoxa, acusando-as de não terem permitido tanto a secularização como a auto-organização de sociedades civis:catholicism was hel to be an insuperate obstacle to democracy in Spain, Portugal, and any number of Latin American countries, as was Orthodoxy in Greece and Russia(sic, p. 221)                 Fukuyama, na sua perspectiva sobre Portugal e Espanha, trata de extrapolar incorrectamente a partir das consequências que observa na América Latina, considerando que  esta região herdou muitas das instituições feudais dos séculos XVII e XVIII de Portugal e da Espanha(p. 104), dando como exemplo de feudalismo, o mercantilismo, ponto de partida para o intervencionismo estatal latino-americano. Aqui talvez importe referir que o tal mercantilismo, na qual se deve inserir a ditadura modernizadora do Leviatão pombalista quanto à unitarização do Brasil, pouco tinha de católico. Basta recordar o enfrentamento entre o iluminismo  absolutista que Pombal perfilhou e o consensualismo tradicionalista que os jesuítas, como epígonos da Contra-Reforma, tentaram conservar.     Outro erro básico da perspectiva de Fukuyama, está na ligação que faz entre o processo desenvolvimentista da urbanização, com o consequente abandono da agricultura, e o pluralismo democrático (pp. 109-110).             Com efeito, em Portugal, nos anos de 1974-1975, foi na urbanização destribalizadora que enxamearam os adeptos do comunismo, enquanto nos campos do Norte e do Centro, com o apoio da Igreja Católica, é que surgiu a resistência democrática e liberal da primeira revolução de veludo anticomunista consequente da Europa. Uma terceira observação sobre as teses de Fukuyama a respeito de Portugal, tem a ver com a ligação que o autor faz entre a democracia e a existência de uma forte e alargada classe média. Ora, acontece que no Portugal anterior a 1974 existia mais isonomia social do que no desenvolvido capitalismo norte-americano e nunca o salazarismo abalou uma plurissecular democracia da sociedade civil, para utilizarmos uma expressão tão cara ao professor Adriano Moreira. Pelo contrário, foi o desenvolvimentismo modernizador da jovem democracia, na sua fase pós-revolucionária, que gerou o fenómeno do novo riquismo e dos descamisados. Olhar Portugal através de algumas pretensas heranças mercantilistas ibéricas da América do Sul, esquecendo que grande parte da crise desta região do mundo também tem a ver com a maneira como o free trade anglo-americano fomentou e instrumentalizou os regimes sul-americanos desde as independências é, de certo, uma perspectiva deformadora. Se Fukuyama conhecesse directamente a realidade portuguesa, que tantas vezes cita (pp. 13, 47, 51, 104, 110, 112 e 113), para além do estudo de Philippe Schmitter de 1975 (Liberation by Golpe. Retrospective Thoughts on the Demise of Authoritatianism in Portugal), veria  que aquilo que considera como as condições para a democracia (sentido da identidade nacional; religião; igualdade social; propensão para a sociedade civil e a experiência  histórica de instituições liberais), e com que concordamos na generalidade, talvez estejam mais enraizadas em Portugal do que em muitos pretensos paradigmas anglo-saxónicos e germânicos de democracia. Mesmo comparando a experiência portuguesa com a norte-americana, talvez o interregno autoritário-paternalista não democrático, de 1926-1974, seja menos violento que a peculiar institution da marginalização dos não brancos, tanto através da escravatura como da segregação racial.

 

Endireitas 1898 Em Abril de 1898, durante o governo progressista de José Luciano, fala-se no aparecimento de um partido de endireitas, a ser liderado por João Franco e Mouzinho de Albuquerque. O nome reaparece durante o segundo governo de Hintze, no poder desde 26 de Junho de 1900, principalmente nas eleições de 26 de Novembro também de 1900, quando os regeneradores se dividem entre os hintzáceos e os francáceos, também ditos endireitas. Deste último grupo, fazem parte, para além de João Franco, Campos Henriques e José Novais, os quais chegam a apoiar a candidatura dos republicanos no Porto. Nestas eleições, João Franco consegue ter cerca de 25 deputados, os quais hão-de constituir a dissidência regeneradora-liberal em 14 de Maio de 1901. Mas nos primeiros tempos dessa nova Câmara, João Franco chega a ser apoiado por republicanos, como Fernando Martins de Carvalho, do partido republicano até 1901, e António José Teixeira de Abreu, amigo pessoal de Afonso Costa.

 

Enegrén, André, La Pensée Politique de Hannah Arendt, Paris, Presses Universitaires de France, 1984.

 

Enelow, James M., Hinich, Melvin J., The Spatial Theory of Voting. An Introduction, Cambridge, Cambridge University Press, 1984.

 

Energia Do gr. energeia. Força, ou potência. Segundo as teses de Teilhard de Chardin, tanto há uma energia tangencial, dos fenómenos físicos, como uma energia radial, a da vida.

 

Enes Júnior, António José 1848-1901 Formado no Curso Superior de Letras. Jornalista, fundador de O Dia. Defende em 1870 uns Estados Unidos da Europa, temendo que Portugal seja absorvido pela Espanha. Membro do partido histórico. Maçon. Deputado em 1880, 1884, 1887 e 1890. Bibliotecário-mor da Biblioteca Nacional em 1886. Ministro da marinha e ultramar na primeira fase do governo extrapartidário de João Crisóstomo de 14 de Outubro de 1890 a 25 de Maio de 1891, onde lhe sucedeu Júlio de Vilhena. Comissário régio em Moçambique em 1891. Embaixador no Brasil. Traduz a História Universal de Cesare Cantu.

·A Guerra e a Democracia. Considerações sobre a Situação Política da Europa

Lisboa, J. G. de Sousa Neves, 1870.

 

:Francisco de Assis de oliveira martins, OUltimatum Visto por António Ennes, Lisboa, 1946

 

 

Enfantin, Prosper  (1796-1864) Barthélemy Prosper, de nome próprio. Um dos socialistas franceses, discípulo de Saint-Simon desde 1825. Filho de banqueiro. Preso em 1832, acusado de defender a bigamia.

·Traité d’Économie Politique

1831

·La Réligions Saint-Simoniènne

1831

·Doctrine de Saint-Simon

1832

 

 

 

Engels, Friedrich   (1820-1895) Político e filósofo alemão. Fundador do marxismo. Escreve várias obras em conjunto com Karl Marx, sendo também co-autor do manifesto de 1848. Começa como hegeliano, convertendo-se ao comunismo em 1842, ano em que conhece Marx, por influência de Moses Hess. Fixa-se em Manchester entre 1842 e 1844, onde contacta com o movimento do chartism. Contacta com Marx em Paris, no ano de 1844, começando os dois numa colaboração que dura até 1883, ano da morte de Marx. Os dois elaboram o célebre Manifesto de 1848, escrito por Marx a partir de um esboço feito por Engels. Depois da morte de Marx, trata de editar o segundo e o terceiro volume de Das Kapital que Marx deixara sob a forma de esboços e notas.

·Die heilige Familie oder Kritik der Kritische Kritik

Com Karl Marx, 1845.

·Die deutsche Ideologie

Com Karl Marx, 1847 cfr. trad. port. A Ideologia Alemã, in Obras Escolhidas, 3 tomos, Lisboa-Moscovo, Edições Avante-Edições Progresso, tomo 1, 1982.

·Manifesto Comunista

Com Karl Marx, 1848 cfr. trad. port. Manifesto do Partido Comunista, in Obras Escolhidas, 3 tomos, Lisboa-Moscovo, Edições Avante-Edições Progresso, tomo 1, 1982; 1ª ed. em alemão, 1848; 2ª ed. em inglês, 1850.

·Anti-Dühring

1877.

·Der Ursprung der Familie, des Privateigentums und des Staats

1884. Cfr. trad. port. de João Pedro Gomes, A Origem da Família, da Propriedade e do Estado Lisboa, Edições Avante, 1986.

·Ludwig Feuerbach und der Ausgang der klassische deutsche Philosophie

1888.

Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico

Trad. port., Lisboa, Editorial Avante, 1975.

 

4Bobbio, Norberto, Il Marxismo e lo Stato, 1976.4Gruppi, Luciano, Tudo Começou com Maquiavel. As Concepções do Estado em Marx, Engels, Lenine e Gramsci, Porto Alegre, 1987.4Halévy, Élie, História do Socialismo Europeu, trad. port. de Maria Luísa C. Maia, Amadora, Livraria Bertrand, 1975, pp. 113 segs..

 

Engenharia social Popper contrapõe à engenharia utópica de Hegel e Marx uma engenharia social, capaz de analisar os problemas práticos com métodos teoréticos que seriam fundamentalmente os mesmos em todas as sociais. – Popper,39,236

 

Engenharia utópica. Qualificativo de Popper face às teses historicistas de Marx e Engels. Ver engenharia utópica. –Popper,39,236

 

Enghien, duque de Louis Antoine Henri de Condé. Um dos chefes dos realistas franceses emigrados, depois de 1789. Raptado na Alemanha pela polícia secreta de Napoleão. Fuzilado em 1804 no castelo de Vincennes.

 

Engisch, Karl

Introdução ao Pensamento Jurídico

Einführung in das juristiche Denken, 1956], trad. port. de J. Baptista Machado, Lisboa, 2ª ed., 1968

 

Engodo Isca com que se apanham peixes ou aves, aliciação, adulação astuciosa, coisa com que se seduz alguém. Uma das fases do processo político, visando enganar ardilosamente com vãs aparências.

 

Enigma Aquilo que dificilmente se compreende.

 

Enriquez, Eugène, De la Horde à l’État, Paris, Éditions Gallimard, 1983.

 

Ensaio Título de certas obras em que não pretende tratar-se a matéria a fundo. Bacon, Montaigne, David Hume, Voltaire e muitos outros intitularam como tal algumas das suas obras.

 

Ensaio sobre o Problema do Estado, 1990 Foi esta a linha de força da nossa dissertação de doutoramento de 1990, Ensaio sobre o Problema do Estado, onde, depois de abordarmos o percurso que vai da aldeia à república universal, inventariámos as tentativas de superação da razão de Estado pelo Estado-razão. Continua a ser este o alento que nos leva a aderir àquele europeísmo que não ofende a autonomia das nações, entendidas mais como povos do que como Estados. Julgamos pertencer àquele grupo de pensamento político que não considera o Estado soberano como o fim da história do político. Com esse já antiquado Estado moderno, consolidado com o absolutismo, que pratica o culto da religião secular do soberanismo, dizendo que um qualquer centro político tanto deve ter uma soberania externa, a puissance absolue et perpétuelle d'une république, conforme as teses de Jean Bodin, implicando a definição de fronteiras e a definição de nacionalidade, como uma soberania interna, o poder absoluto de um soberanodentro de uma república, conforme o ideologismo leviatânico de Thomas Hobbes, implicando o ius tractum, o ius legationis, o ius iurisdictionis e o ius bellum. Como Francisco Vitória, consideramos que o Estado como sociedade perfeita é a comunidade que não é parcela de outra comunidade, mas que dispõe de leis próprias, de um conselho próprio e de autoridades suas (). É uma comunidade perfeita e integral. Por conseguinte, não está submetida a nenhum poder exterior, pois, neste caso, não seria integral (). Da mesma maneira, na senda de Vasquez de Menchaca, aceitamos um ius maiestatis, reconhecendo que a razão e a natureza condicionam o poder ao serviço da comunidade, pelo que aquele não é absoluto face ao direito, nem ilimitado, constituindo mero poder preeminente e universal, para dispor de tudo quanto conduza à conservação e saúde da alma e do corpo da república. Consideramos assim como Francisco Suarez, que há um poder supremo, uma suprema potestas, em cada república, um poder que não reconhece acima de si nenhum poder humano da mesma ordem ou da mesma natureza, isto é, que prossiga o mesmo fim. Um poder que, contudo, não se confunde com o dominium, devendo entender-se como um officium, dado que apenas existe por causa do regnum e não do rex (). Isto é, não admitimos a existência de um poder supremo, de natureza diferente dos restantes poderes que lhe estão por baixo, de um tipo de poder que, a si mesmo, se decreta como fonte de todos os poderes, como detentor de uma competência das competências, e como insusceptível de limitação pela moral e pelo direito. Foi assim que surgiu a soberania dita una, inalienável, indivisível e imprescritível. Com efeito, consideramos que entre um agrupamento de homens nos limites de um Estado e o agrupamento de homens na totalidade do planeta não há diferença de natureza, mas apenas de extensão. Da mesma maneira, sufragamos a ideia de que, entre o Estado e outras formas políticas ditas infra-estaduais, há mais distâncias de quantidade do que de qualidade. Sentimos por isso algumas reais afinidades com todos aqueles que, depois do holocausto e dos gulags, apelaram às profundidades do libertacionismo cidadanista e à consequente autodeterminação da polis, entendida como autonomia de autonomias, onde a pedra viva da construção é o indiviso do cidadão-homem livre, esse tal ser que nunca se repete. Essa polis que é sempre comunhão de cidadãos em torno das coisas que se amam e, onde, por sua vez, o cidadão é aquele que participa na decisão, aquele que dá o consentimento, isto é, o exacto contrário do mero súbdito de um soberano, do escravo de um dono ou da parcela fungível de um todo, seja ele uma nação, um Estado ou a própria humanidade. Não podemos, pois, deixar de comungar com todos aqueles que, reagindo contra o absolutismo, tentaram, pela via consensualista, institucionalizar formas de controlo do poder, estabelecendo travões ao mecanismo autofágico do Leviatã soberanista. Porque no soberanismo absolutista, o poder supremo não só não admite o controlo fáctico, da divisão e separação de poderes, como o próprio controlo normativo, nomeadamente pela não admissão do conceito de abuso do poder, esse poder supremo que, em nome de um terrorismo da razão, foi a fonte primordial do próprio terrorismo de Estado. Deste modo, não subscrevemos a propositada confusão feita entre um Estado soberano e uma nação autodeterminada, mesmo quando aquela decreta assumir-se como Estado-nação. Assim, pretendemos sufragar a ideia-força que foi proclamada pelo Professor Adriano Moreira, para quem está em crise o Estado Soberano, mas não está em crise a Nação (). Glosando este tópico, sempre poderíamos salientar que está em crise o Estado a que chegámos, dado que o mesmo tanto está sujeito ao desafio do unificacionismo mundialista, como ao do small is beautiful, isto é, aos desafios centrífugos.  Aquilo que, Adriano Moreira, na esteira de Teilhard de Chardin, qualifica como a lei da complexidade crescente nas relações internacionais, que é acompanhada por idêntica complexidade crescente na reconstrução da polis. Há divergências e convergências que só podem ser superadas, não pelo ecletismo ou pela síntese, mas apenas por aquilo que Chardin qualificava por emergência, por aquela energia que lança para cima e para dentro, na direcção de um estado cada vez mais complexo e mais centrado.

 

Ensayo sobre el Catolicismo, el Liberalismo y el Socialismo, 1851 Donoso-Cortés considera três dogmas contra os quais é preciso lutar: o do direito divino dos reis, o da soberania do povo e o da omnipotência social. Os dois primeiros são uma e a mesma coisa na sua origem, na sua natureza e nas suas consequências sociais, pois ambos se fundam no mesmo dogma absurdo da omnipotência social; ambos são da mesma natureza dado  que derivam do princípio da obediência passiva do súbdito  e da infalibilidade legal do soberano, consagrando, assim, o princípio da servidão e o princípio da tirania; ambos são idênticos nas suas consequências sociais, porque ambos conduzem a sociedade ao seu sepulcro, ou por meio de um espantoso letargo ou por meio de horríveis convulsões. Refere também que o termómetro da repressão política sobe sempre que baixa o termómetro da religião, pelo que desde a Reforma luterana, o mundo caminha para o despotismo, o mais gigantesco e assolador de que há memória entre os homens. As etapas  desse despotismo são as seguintes: a passagem das monarquias feudais a absolutas; a criação de exércitos permanentes, onde o soldado é um escravo com uniforme, dado que não bastava aos governos serem absolutos; pediram e obtiveram o privilégio de ser absolutos  e ter um milhão de braços; depois necessitaram de um milhão de olhos e tiveram a polícia; em seguida, de um milhão de ouvidos e veio a centralização administrativa, pela qual vêm parar ao governo todas as reclamações e todas as queixas; finalmente os Governos quiseram ter o privilégio de falar ao mesmo tempo em todo o lado e veio o telégrafo. Por todas estas razões é que propunha um conceito de soberania limitada e um governo dos mais inteligentes. Salienta que no estado normal das sociedade não existe o povo, só existem interesses que vencem e interesses que sucumbem, opiniões que lutam e opiniões que se amalgamam, partidos que se combatem e que se reconciliam. (cfr. 3ª ed., Madrid, Ediciones Espasa-Calpe, 1973).

 

Omnipotência social, Estado Noramal da sociedade

 

Ensaios de António Sérgio (I, Rio de Janeiro, Anuário do Brasil, 1920; II, Lisboa, 1929; III, Porto, 1932; IV, Lisboa, Seara Nova, 1934; V, Lisboa, Seara Nova, 1936; VI, Lisboa, Editorial Inquérito, 1946; VII, Lisboa, Publicações Europa-América, 1954; VIII, Lisboa, Guimarães Editores, 1958) (cfr. a ed. crítica da obra com 8 tomos, Lisboa, Livraria Sá da Costa, 1976, 2ªed.).

Entre os ensaios publ. destacam-se: Tomo I: «A Educação Cívica, a Liberdade e o Patriotismo, Antigos e Modernos», pp. 199 segs.; «Da Opinião Pública e da Competência em Democracia», pp. 225 segs.; «Interpretação Não Romântica do Sebastianismo», pp. 239 segs..

Tomo II: «O Reino Cadaveroso ou o Problema Cultural em Portugal», pp. 25 segs.; «As Duas Políticas Nacionais», pp. 63 segs.; «A Propósito dos “Ensaios Políticos” de Spencer», pp. 145 segs.. Tomo III: «Notas de Política», pp. 141 segs..

Tomo IV: «Em Torno das Ideias Políticas de Camões», pp. 69 segs.; «Camões Panfletário. Camões e Dom Sebastião», pp. 98 segs.; «Os Dois Anteros», pp. 129 segs.; «Sobre o Socialismo de Antero. O Luminoso e o Nocturno», pp. 161 segs.. Tomo V: «Oliveira Martins. Impressões sobre o Significado Político da sua Obra», pp. 11 segs.; «Em torno da “Ilusão Revolucionária” de Antero», pp. 121 segs.; «Glosas sobre o Miguelismo de Oliveira Martins no “Portugal Contemporâneo”», pp. 219 segs..

Tomo VII: «Relanços de Doutrina Democrática», pp. 167 segs..

Tomo VIII: «Sobre o Socialismo de Oliveira Martins. Introdução à sua Obra Intitulada “Portugal e o Socialismo”», pp. 175 segs.; «Nótula Preambular à “Teoria do Socialismo” de Oliveira Martins», pp. 241 segs..

 

Ensimesmamento GASSET

 

Ensinar Do lat. insignare.

 

Enteléquia Do gr. entelekheia. Aristóteles designa como tal a alma, enquanto natureza perfeita ou princípio do movimento. O mesmo que a perfeição de uma coisa.

 

Ente Do lat. ente, forma do verbo esse (ser). Tudo o que tem existência real, coisa, ser ou objecto.

 

Entender Do lat. intendere, formar uma ideia clara de certa coisa, inferir.

 

Entente Acordo ou aliança internacional. Ficou célebre a Entente Cordiale, assinada entre a França e o Reino Unido em 8 de Abril de 1904. Surge depois a Triple Entente, os dois primeiros mais a Rússia, a qual dura até 1917, base sobre a qual assentaram os Aliados que enfrentaram os chamados impérios centrais na Grande Guerra de 1914-1918. A primeira visa, sobretudo, a repartição de influências no Norte de África, nomeadamente em Marrocos, e a neutralização do Canal do Suez, com a França a abandonar as suas pretensões face ao Egipto.

 

Entes morais Pufendorf parte da distinção entre entia physica e entia moralia, considerando a uniformidade do mundo físico, em oposição à multiformidade da moral. Se o universo físico está sujeito a um uniformis agendi modus, eis que no universo moral predomina a acção livre que pode mover-se nas mais variadas direcções. Ora, é essa multiplicidade espiritual do género humano que leva às leis, ao enquadramento jurídico, a fim de impedir a confusão. Nesta distinção ontológica, que Moncada qualifica como a principal inovação do pensamento de Pufendorf, por ir além da distinção entre substância e acidente, provinda dos escolásticos, constrói-se uma Ontologia das coisas políticas e acha-se uma categoria ou dimensão ôntica apropriada para as situar, em oposição à região do mundo puramente sensível

 

Entman, Robert M., Democracy Without Citizens. Media and the Decay of American Politics, Oxford, Oxford University Press, 1989.

 

Entrada ÖInput

 

Entropia Do grego entrope. O mesmo que energia degradada ou que desordem molecular. A medida que determinar a variação, dispersão e diversidade, o grau de desordem de um dado sistema físico, dotado de uma quantidade constante de energia. Em termodinâmica, a grandeza que permite avaliar a degradação da energia de um sistema. Nestes termos, a energia está no seu máximo quando, por exemplo, as moléculas de um gás têm todas o mesmo nível de energia. A lei da entropia foi descoberta por Rudolf Clausius nos finais do século XIX, traduzindo a existência de uma nova grandeza variável da energia... a quantidade de energia que, sendo gasta numa mudança, é irrecuperável pelo sistema e fica para sempre na zona do desperdício no balanço da energia do Universo. Para Teilhard de Chardin, a entropia é o nome dado pela física a esta queda, aparentemente inevitável, em consequência da qual os conjuntos corpusculares (sedes de todos os fenómenos fisico-químicos) passam, em virtude de leis estatísticas de probabilidade, para um estádio médio de agitação difusa, estado em que cessa toda a troca de energia útil, na escala da nossa experiência. Segundo CLAUDE CUÉNOT, Aventura e Visão de Teilhard de Chardin, trad. port., de Camilo Martins de Oliveira, Lisboa, Moraes, 1966,  para Teilhard, num sistema termicamente isolado, todas as mudanças espontâneas se fazem num sentido irreversível. Há, pois, aumento da entropia, isto é, da involução do sistema (princípio da degradação da energia). Mais simplesmente, este princípio exprime a tendência, que todo o sistema tem, para evoluir para estados de maior probabilidade.

Para Georges Balandier, trata-se da morte de um grupo, quando este é sufocado pela acção de forças internas de destruição ou por contacto com uma sociedade exterior mais forte.

 

Environment ìAmbiente.