Respublica           Repertório Português de Ciência Política            Total: F/Fa
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                © José Adelino Maltez. Última revisão em: 31-12-2003
 

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Lista de artigos

Artigos em grosso
Fabianismo
Fabricantes de ideologias
Faca, Zacarias Alves.
Facção
Facchi, P.
Facho
Facto
Factores (Os) Democráticos na Formação de Portugal
Factos dos direito
Facto normativo
Facto social
Facto social total
Factotum
Faculdade de Direito
Faculdade de Direito de Lisboa
Faculdades de Direito. Brasil
Faculdade de Letras do Porto 1919 Faguet, Émile 1847-1916
Falácia
Falanges
Falangismo
Falanstério
Falcão, José Joaquim (1796-1863)
Falcão, José Falcão, Paulo José
Falcão, Silvestre (m. 1927)
Falsa consciência
Falsificabilidade, Método da
Falsidade
Falta de autenticidade do poder Família
Família. Freud
Fanatismo
Fanfani, Amintore
Fanon, Frantz (1925-1961)
Faoro, Raymundo
FAP (1964)
Farabi (Al), Abu Nasr Mohammed (870-950)
Faria, Dutra
Faria, José Eduardo
Faria, Manuel Severim de
Farinha, Bento José de Sousa
Farinho, José Jacinto Valente
Farlie, Dennis
Faro, José D. C. de Sousa e
Farpas (As), 1871
FascismoItália
Fassò, Guido
Fatalismo
Fátima, Aparições de
Fátima, Futebol e Fado
Faure, Edgar
Favre, Pierre (n. 1941)
Faye, Jean-Pierre
Fazenda
 
Fabianismo A Fabian Society, esboçada em Londres em 1882-1883, é organizada em 1884 e dura até 1930. Tem como objectivo inicial contribuir para a reconstrução da sociedade de acordo com as mais altas possibilidades morais. Entre os fabianos, George Bernard Shaw, Graham Wallas, Edward Pease, Annie Beasant (na foto), H. G. Wells e o casal Sidney e Beatrice Webb (com o nome de solteira de Beatrice Potter). O termo apenas se consagra em 1889 com a publicação dos Fabian Essays in Socialism, organizados e prefaciados por Shaw. Cimentam-se em 1895 quando promovem a fundação da London School of Economics com o objectivo de dar uma instrução nas ciências políticas e económicas e de constituirem um centro de pesquisa sistemática nas ciências sociais. Distanciando-se de Marx, e influenciados por Proudhon e John Stuart Mill, reinventam um socialismo democrático que esteve na origem do trabalhismo britânico, influenciando o programa de 1918, Labour and Social Order, esboçado por Sidney Webb, que se manteve até aos anos conquenta, quando foram publicados os New Fabian Essays, de 1952. Baseiam-se nos anteriores radicais utilitaristas, mas, ao contrário da perspectiva de Bentham, que punha acento tónico nas reformas legislativas, vão, sobretudo, defender reformas de carácter económico e social, a inevitabilidade do gradualismo. Defendem a meritocracia e o recurso a peritos competentes para a gestão dos negócios públicos. Preferem o reformismo ao radicalismo. Assumem-se como defensores da eficácia da gestão. Utilizam como título o nome do general romano Quintus Fabius Maximus Verrucosus (morto em 203 a.C), o cuntactor, que venceu Aníbal, apenas o atacando quando chegou o momento propício, através de uma táctica que tanto foi subtil como eficaz.
 
Fabricantes de ideologias Qualificação atribuída por Karl Popper a Platão, Santo Agostinho, Hegel e Marx, considerados os grandes adversários da sociedade aberta.
 
Faca, Zacarias Alves. Advogado. Propagandista contra-revolucionário.
·Academia das Mulheres ou o liberalismo do século, combatido até pela fraqueza deste sexo
Coimbra, 1823.
 

Facção Do latim factione. Etimologicamente tem a ver com o verbo factio, facere, isto é, fazer, querendo significar maneira de fazer, o tipo de conduta adoptado por um determinado grupo. Começou por significar proeza ou facto notável, mas logo passou a qualificar a acção de grupos que disputam a vitória, em luta com outros grupos, como ocorria no circo romano, onde os grupos rivais se distinguiam por cores. Distingue-se de fracção, derivado de fractione, o acto de quebrar. O faccioso difere do fraccionário. Os dois distinguem de fractura, o fragmento, o pedaço. Facção, neste sentido neutro, não passa de grupo menor inserido noutro grupo maior.
ä Fracção.
4Beler, D. C., Belloni, F. P., Faction Politics. Political Parties and Factionalism in Comparative Perspective, Oxford, ABC Clio Press, 1978.
 
Facchi, P.
·La Propaganda Politica in Italia
Bolonha, Edizioni Il Mulino, 1960. Ed.
 
 
Facho Título do Boletim da Liga dos Antigos Graduados da Mocidade Portuguesa que começa a ser emitido em Junho de 1954.
 
Facto No seguimento das teses de Locke, para quem a matter of fact é uma entidade observável diferente daquela que é meramente deduzida, o empirismo de Hume vem fazer o confronto entre as coisas como elas realmente são (os factos) e as coisas como elas devem ser (o valor), gerando-se a tendência para uma radical separação entre o ser e o dever-ser, com a consequente perspectiva que considera que a ciência apenas pode tratar dos factos e não do valor, como vai concluir o positivismo. Esta herança vai mesmo salientar que a ciência política, para ser verdadeiramente científica deve ser cega perante os valores e nem seque pode ter como objecto as idieas, ficando-se pelas ideologias enquanto meros factos sociais. Para Durkheim os fenómenos sociais devem ser tratados como coisas. Isto é, como algo que se oferece ou apresenta à observação e que, como “data”, constituem o ponto de partida para a ciência. Neste sentido, seriam algo independente dos agentes. São maneiras de agir, de pensar e de sentir exteriores ao indivíduo, dotados de um poder de coerção, porque se impõem aos mesmos indivíduos, não se confundindo com os fenómenos orgânicos nem com os fenómenos psíquicos. São diferentes dos primeiros porque consistem em represnetações e acções; diferem dos segundos porque estes apenas têm existência na consssciência individual e por ela. Até porque a maior parte das nossas ideias e tendências não são elaboradas por nós, vêm-nos de fora. Trata-se de uma velha tese positivista que mesmo um autor integralista como António Sardinha sublinha, quando em O Valor da Raça, proclama: é o Facto que nos inspira, unicamente o Facto. Conduz-nos não a suposta excelência de Princípios. É o inventário das realidades ambientes o motivo que intimamente nos delibera. Já antes o empirismo de Locke salientava a existência de uma matter of fact, considerando esta aquilo que é observável, sendo diferente daquilo que apenas é deduzido. Depois, saliente-se a oposição feita pela fenomenologia de Husserl dos factos, sempre individuais, às essências, sempre universais. Resta saber de o devr-ser não está metido dentro do próprio ser, como defende a clássica teoria da natureza das coisas, segundo a qual só por dentro das coisas é que as coisas realmente são. Essa perspectiva terceirista que tenta superar o radical realismo e o idealismo absoluto, em nome de um ideal-realismo ou de um materialismo transcendental e que nega a ciência livre de valores, quando admite o transcendente situado e considera que pode haver ciências, como as ciências culturais , entendidas como ciências com referência aos valores, perspectivas, não segundo a tese da ética material dos valores, mas conforme o imanentismo de Aristóteles.
 
Factores (Os) Democráticos na Formação de Portugal (1929) Obra de Jaime Cortesão, onde se considera que os caboucos da democracia em Portugal não descem no tempo às profundidades da administração romana; cavaram-nos as classes servas quando, fugidas a uma economia agrícola e doméstica, se entregaram ao tráfico e à indústria naqueles burgos cuja actividade fora vivificada pelo comércio marítimo, e o novo espírito da cristandade. São essas tendências universalistas, desenvolvidas durante a nossa Idade Média que eclodiram e triunfaram durante a revolução que levou ao trono o Mestre de Avis, determinando a formação social predominante, a missão histórica e o carácter ideal da Nação.
 
Factos dos direito Categoria criada pela chamada Escola Sociológica do Direito. Segundo o fundador da mesma, Eugen Ehrlich, os Tasachen des Rechts são os fenómenos jurídico-sociais reveladores do direito, dando como exemplos, o costume, a posse, a família, os estatutos associativos e as disposições de última vontade. Conceito próximo do de factos normativos, segundo a terminologia de Gurvitch.
 
Facto normativo Categoria utilizada pelo sociólogo Talcott Parsons, na senda de Georges Gurvitch, sociólogo, de formação jurídica. Para este último, em L'Idée de Droit Social, um facto normativo é a ligação entre a acção empírica de uma comunidade real e a acção eterna dos valores morais que encontram a sua justificação jurídica no próprio facto da sua existência,porque este facto apresenta em si mesmo um valor jurídico positivo. Os factos normativos retiram a sua força obrigatória da totalidade na qual se integram, uma totalidade que não é necessariamente uma pessoa jurídica, mas antes uma pessoa colectiva complexa integrada por federações económicas, políticas, sociais e cooperativas. Eles existiriam em todas as formas socialmente reais de associações, desde as de carácter coordenador às de carácter integrador (as comunidades religiosas, políticas, culturais, profissionais e económicas), isto é, as comunidades que criam o seu ser gerando o direito que lhes serve de fundamento.
 
Facto social como constrangimento Durkheim considera que o facto social é constrangimento. Apesar de reconhecer que o poder não é apenas pura força material, mas também como força moral, religiosa, intelectual ou económica, não deixa, no entanto, de o reduzir sempre a um simples facto: "a ideia de força implica a ideia de poder que, por sua vez, não existe sem a ideia de ascendente, de mestria, de dominação e correlativamente de dependência, de subordinação; ora, as relações que todas estas ideias exprimem são eminentemente sociais. É a sociedade que classificou os seres em superiores e inferiores, em senhores que comandam, em súbditos que obedecem; é ela que conferiu aos primeiros esta propriedade singular que torna o comando eficaz e que constitui o poder". Isto é, tanto o poder governamental, como o espiritual ou o do pai de família constituem simples intermediários da dimensão repressiva inerente à sociedade.
 
Facto social total Ideia de Marcel Mauss que vai ser adoptada por uma série de autores que tentaram conciliar a herança darwinista com o mais recente desenvolvimentismo. Está na base do conceito de sociedade global. Tem a ver com o facto psíquico total de Gurvitch. Conforme, depois, vai salientar Lévi-Strauss, o social não é o real, senão integrado em sistema. äGurvitch; Mauss; Sociedade global.
 
Factotum O mesmo que “faz-tudo”
 
Faculdade de Direito A primeira faculdade de direito portuguesa é criada com o regime setembrista em 5 de Dezembro de 1836, pela fusão das anteriores faculdades de Cânones e de Leis. Já em 1833, no âmbito de uma comissão encarregada de propor uma reforma da instrução pública, Alexandre Tomás de Morais Sarmento, havia proposto a junção das escolas numa única Faculdade de Ciências Morais. Em Fevereiro de 1835, também o lente de matemática Dias Pegado tratou de sugerir uma só Faculdade de Jurisprudência. A segunda faculdade de direito apenas surge com a I República, a partir de 1913.
 
 
Faculdade de Direito de Lisboa O primitivo nome desta última escola foi o de Faculdade de Ciências Económicas e Políticas, aliás, logo alterado, no acto de instituição, para o de Faculdades de Estudos Sociais e Direito. Com efeito, na sequência do Decreto de 22 de Março de 1911, que criava a Universidade de Lisboa, eis que a Constituição Universitária, de 19 de Abril seguinte, atribuía à nova universidade uma Faculdade de Ciências Económicas e Políticas. No entanto, a lei orçamental de 30 de Junho de 1913, emitida por um governo onde era Ministro das Finanças e Presidente Afonso Costa, autorizava o dispêndio de verbas para organizar a Faculdade de Ciências Económicas e Políticas, a qual passará a denominar-se Faculdade de Estudos Sociais e Direito (corpo do artigo 4º), que terá um regulamento similar ao da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Só a partir de 15 de Setembro de 1917 é que a faculdade fundada por Afonso Costa passa a designar-se Faculdade de Direito de Lisboa. Isto é, depois de se ter previsto o ensino das ciências económicas e políticas, substituíam-se estas por estudos sociais, onde o direito acabou por preponderar. Contudo, esta memória genética dos estudos sociais, deixa raízes na escola de Lisboa. Assim, a partir de 1931-1932, num ambiente marcado pela aliança entre o positivismo e o corporativismo, o sociólogo francês Paul Descamps, da Escola Social de Le Play, orienta na mesma instituição um Curso de Método da Ciência Social, editando aí, em 1933, La Sociologie Expérimentale. Compreende-se também que a mesma Faculdade, em 1941, chegue a propor a criação, no primeiro ano, de um semestre de Metodologia das Ciências Sociais, a par de uma Introdução ao Estudo do Direito, proposta que, no entanto, não terá vencimento.
 
4Marcello Caetano, Apontamentos para a História da Faculdade de Direito de Lisboa, Lisboa, separata da Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, 1961.4Guilherme Braga da Cruz, A Revista de Legislação e Jurisprudência. Esboço da sua História, em dois volumes, Coimbra, 1975-1979. Saliente-se que o título desta última obra constitui uma espécie de pretexto para um muitíssimo mais vasto texto, que se desdobra numa imensidade de rodapés, onde desfilam os acontecimentos académicos e políticos que estão na base do nosso tempo português, com exaustivas indicações biográficas e bibliográficas.
 
Faculdades de Direito. Brasil  Em 11 de Agosto de 1826 são criadas escolas juríricas em São Paulo e Olinda. Os cursos começam a funcionar em 1828, segundo o modelo de Coimbra. Em São Paulo, com 33 alunos matriculados, a escola começa a funcionar no Convento de São Francisco. A de Olinda, em 1854, é transferida para o Recife.
 
Faculdade de Letras do Porto 1919 Criada em 1919 pelo ministro Leonardo Coimbra, é extinta em 1931 e restaurada em 1961. A primeira geração, marcada por Leonardo, tem entre os professores Hernâni Cidade, Damião Peres, e conta, entre os alunos, Álvaro Ribeiro, Sant'Anna Dionísio, Agostinho da Silva, José Marinho e Delfim Santos.
 
Faguet, Émile 1847-1916 Professor francês de literatura. Defende a necessidade dos corpos intermediários.
·Politiques et Moralistes du XIXe Siècle
1891-1900.
·Le Libéralisme
Paris, 1902.
 
Falácia O mesmo que silogismo sofístico. Uma argumentação só aparentemente vália.
 
Falanges. äFourier.
 
Falangismo Do gr. Phalanx, fila, ordem de batalha, frente das tropas. O nome foi assumido contemporanemanete pelo movimento político fundado por José António Primo de Rivera em 29 de Outubro de 1933 no Teatro da Comedia em Madrid. Toma o nome de Falange Española. Logo em 13 de Fevereiro de 1934 funde-se com as Juntas de Ofensiva Nacional-Sindicalista de Ledesma Ramos. Depois da morte de José António e já durante a guerra civil, em Abril de 1937, Franco promove a aliança com os tradicionalistas. Em 1958, Franco cria o Movimiento.
 
Falanstério Do fr. Phalanstère, termo criado por Fourier.
 
Falcão, José Joaquim (1796-1863) Oficial do exército e ilustre maçon, assumidamente cabralista. Deputado e ministro por duas vezes em 1842-1846 e 1847-1849.
·Deputado de 40-46 e 48-51.
·Ministro da marinha e ultramar de 14 de Setembro de 1842 a 20 de Maio de 1846, no governo cabralista de Terceira.
·Ministro da fazenda de Saldanha, de 18 de Dezembro de 1847 a 29 de Janeiro de 1849.
·Conselheiro de Estado de 1845 a 1863.
 
 
Falcão, José Joaquim Pereira (1841-1893). Professor de mecânica celeste e astronomia. Propagandista republicano, autor da Cartilha do Povo, de 1884. Chega a proclamar,  num artigo publicado em 5 de Maio de 1891: se a Monarquia nos pode salvar, que nos salve: o nosso alvo é o país, e não o sistema.
 
Falcão, Paulo José Um dos três deputados republicanos pelo Porto, eleito em 26 de Novembro de 1899. Ministro da justiça de 15 de Maio a 19 de Junho de 1915, no governo de João Chagas.
 
Falcão, Silvestre (m. 1927) Médico. Unionista. Ministro do interior do governo de Augusto de Vasconcelos, de 13 de Novembro de 1911 a 16 de Junho de 1912.
 
Falocracia ÖDrai
 
Falsa consciência Termo marxista utilizado para exprimir a ideia de que a ideologia traduz uma visão sistemática deformada do mundo. Confundindo a aparência das coisas com o seu verdadeiro conteúdo, leva a teorias próprias que não traduzem a realidade. Foi Engels que em 1893 considerou que a ideologia é um processo que o chamado pensador realiza com consciência, mas com falsa consciência. As verdadeiras forças motoras que o movem são-lhe desconhecidas, porque doutro modo não se trataria de um processo ideológico. Ele também imagina forças motoras falsas ou aparentes. Pelo facto de se tratar de um processo intelectual, ele descreve o conteúdo e a forma do pensamento como dos seus predecessores: trabalha apenas com a documentação intelectual que toma sem a olhar de perto como proveniente do pensamento e sem pesquisar se tem uma origem mais distante e independente do pensamento.
4Gabel, Joseph, A Falsa Consciência [ed. orig. 1962], trad. port., Lisboa, Guimarães Editores, 1979.
 
Falsificabilidade, Método da Método de verificação a contrario onde se procura a justeza de uma hipótese ou de uma ideia, através de uma série de tentativas de refutação (falsiability). Uma teoria é considerada justa quando é capaz de resistir a várias tentativas de refutação de que é objecto, isto é, sempre que os resultados das várias tentativas de refutação forem negativos. O método foi consagrado por Karl Popper, para quem não seria preciso provar as teorias, mas procurar demoli‑las, multiplicando experiências susceptíveis de demonstrar que uma teoria é falsa, pelo que não deveria caber no campo cientifico, mas ser deixada para a magia ou para a mística. Não deixa, no entanto, de considerar que é possível saber se uma doutrina é mais verdadeira do que outra. Porque dispomos de um instrumento de medida: são as normas ou regras de conduta.
 
Falsidade O contrário de verdade.
 
Falta de autenticidade do poder Adriano Moreira considera que um dos principais objectivos da ciência política está na detecção da falta de autenticidade do poder, na distância que vai dos princípios proclamados à prática política: a diferença ou falta de coincidência entre o modelo normativo de conduta que a lei proclama, e o modelo de conduta que o Poder adopta.
 
Família Vem do lat. famulus, casa, mas em sentido jurídico e moral. Segundo o direito romano, o conjunto das pessoas e das coisas que formavam a domus e que estavam sob a potestas de um paterfamilias, o chefe da casa. O pater era o chefe das pessoas que não eram escravos, os liberi, dado que o chefe da casa, relativamente às coisas e aos escravos, se assumia como dominus e não como pater. Os escravos que eram ao mesmo tempo pessoas e coisas é que tinham o dono. Isto é, a libertas consistia em não se ter um dono. Para Hegel a família, baseada no sentimento, é o estádio evolutivo que precede o da sociedade civil, baseado na luta de interesses privados. Pierre Le Play considera a família como molécula primordial da sociedade, defendendo a tríade família, propriedade, pátria. António Sardinha, defendendo a necessidade do estabelecimento da tríade família, comuna, corporações, considera que a mesma foi destruída pela Estado napoleónico. Nos termos da Constituição de 1933, é um elemento estrutural da vida da nação e constitui o ponto de partida para a estrutura corporativa, dado que na eleição das juntas de freguesia, apenas são eleitores os chefes de família.
Família. Freud De acordo com as teses de Sigmund Freud grupo humano, nas suas origens não passaria de uma horda, de uma massa aglutinada em torno de um macho dominante, de um pai despótico e omnipotente, que se apropriava de todas as mulheres e perseguia os filhos quando estes cresciam. Certo dia, os irmãos, revoltaram-se, matando e comendo o pai, passando-se a partir deste parricídio, da horda biológica e instintiva para a comunidade, diferenciada e orgânica. Num terceiro tempo, veio o remorso, o sentimento de culpabilidade, gerando-se tanto o tabu (p.e. a proibição de tomar mulheres dentro do próprio grupo) como o totem , o culto do antepassado assassinado que, assim, passa a ser divinizado e idealizado. E nesse complexo de Édipo estão os começos da religião, da moral, da sociedade e da arte.
 
Fanatismo Obediência cega a uma ideia, implicando que se sirva a mesma de forma obstinada, pela admissão da própria violência. Já Voltaire falava no fanatismo como une folie réligieuse sombre et cruelle.
4 Cohn, Norman, Les Fanatiques de l’Apocalypse [ed. orig. 1957], trad. fr., Paris, Éditions Julliard, 1962 [reed., Paris, Librairie Payot, 1983]. Colas, Dominique, Le Glaive et le Fléau. Généalogie du Fanatisme et de la Societé Civile, Paris, Éditions Bernard Grasset, 1992.
 
Fanfani, Amintore (1908-1999) Professor italiano de economia política, militante da democracia-cristã. Exilado na Suíça durante o fascismo. Colaborador de Alcide de Gasperi. Várias vezes chefe do governo em 1954, 1958-1959, 1960-1963 e 1982-1983. Senador desde 1973 e presidente do Senado em 1968-1973 e 1976-1982. Chefe da ala esquerda da democracia cristã, é responsável pela chamada abertura à esquerda, ensaiada a partir de 1958.
·Capitalismo, Catolicismo, Protestantismo
(1933), trad. port. de Osvaldo de Aguiar, Lisboa, Aster, s.d.
 
Fanon, Frantz (1925-1961) Psiquiatra. Natural da Martinica. Médico na Argélia em 1953, demite-se em 1957 e passa para a Tunísia, juntando-se à Frente de Libertação Nacional. Torna-se argelino, participando na guerra da independência da Argélia entre 1954-1962. Ministro da informação do governo provisório da República Argelina. Um dos principais teóricos dos movimentos ditos de libertação nacional do chamado Terceiro Mundo. Considera, numa perspectiva psiquiátrica que a descolonização é sempre um fenómeno violento, a expressão de uma necessidade psicossociológica, prenchendo uma dupla função: libertação em face do opressor e reconhecimento de si mesmo. Porque para o colonizado a vida só pode surgir do cadáver em decomposição do colono, dado que o colonialismo significou a morte da sociedade autóctene. Abater o colono é matar o opressor e o oprimido.
·Peau Noire et Masques Blancs
Paris, Éditions du Seuil, 1952.
·Les Damnés de la Terre
pref. de Jean-Paul Sartre, Paris, Éditions Maspero, 1961. Cfr. a trad. port., Os Condenados da Terra, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967.
·Pour la Révolution Africaine. Écrits Politiques
Paris, Éditions Maspero, 1964.
 
 
Faoro, Raymundo Pensador brasiileiro, autor de uma interpretação da história luso-brasileira, de 1385 a 1930. Sem nunca ter aderido a nenhum partido, não deixa de ser um fundamental educador político. Utilizando as categorias weberianas, analisa o chamado Estado Patrimonial, bem como a questão moral nas relações de poder. A sua obra prima é Donos do Poder. Formação do Patronato Político Brasileiro, editada pela primeira vez em 1958. Ver a ed. de São Paulo-Porto Alegre, Editora da Universidade de São Paulo- Editora Globo, 1975.
 
 
Farabi (Al), Abu Nasr Mohammed (870-950) Filósofo islâmico, originário do Turquemenistão. Estuda em Bagdade, instalando-se depois em Alepo. Comentarista do Organon de Aristóteles e dos escritos de Platão, autor de uma Filosofia de Platão e Aristóteles. A Cidade Virtuosa. Influencia Avicena, Averróis e Maimónidas, nos domínios da filosofia política.
 
Faria, Dutra (1910-1978) Jornalista. Começa como nacional-sindicalista, mas logo adere ao salazarismo, destacando-se em A Voz e Diário da Manhã. Director da ANI.
 
Faria, José Eduardo Professor da Universidade de São Paulo. Influenciado pelas correntes da nova hermenêutica e pelo pensamento de Hannah Arendt. Articulista do Jornal da Tarde.
·Retórica Política e Ideologia Democrática
Tese de doutoramento na Universidade de São Paulo.
·Poder e Legitimidade. Uma Introdução à Política do Direito
Celso Lafer, pref., São Paulo, Editora Perspectiva, 1978.
·Sociologia Jurídica. Crise do Direito e Páxis Política
Rio de Janeiro, Forense, 1984.
 
 
Faria, Manuel Severim de (1583-1655)
·Discursos varios politicos
 Évora, 1624.
·Notícias de Portugal
1655.
 
}Sérgio, António, Antologia dos Economistas Portugueses. Século XVII, Lisboa, Livraria Sá da Costa, 1974, pp. 117 segs..}Torgal, Luís Reis, Ideologia Política e Teoria do Estado na Restauração, Coimbra, Biblioteca Geral da Universidade, 1982, tomo II, pp. 263 segs..
 
Farinha, Bento José de Sousa (1740-1820) Natural de Évora, professor de Filosofia em Lisboa e bibliotecário do Palácio da Ajuda. Segue os modelos de Heinécio. Organiza a primeira grande antologia do pensamento político português, coeva da própria Revolução Francesa.
1786
Filosofia de Príncipes apanhada das obras dos nossos portugueses
 
Lisboa, I - 1786; II - 1789; III - 1790
1789
Dissertação sobre a Insuficiência da Lei Natural
 
Lisboa, 1789.
 
Farinho, José Jacinto Valente. Saldanhista. Foi expulso da Terceira por Palmela em 1831. Ministro da justiça do governo de Saldanha, entre 6 de Outubro de 1846 e 28 de Abril de 1847.
 
 
Farlie, Dennis
1976
Party Identification and Beyond. Representation of Voting and Party Competition
 
Londres, John Wiley & Sons, 1976. Com Ian Budge e Ivor Crewe.
1977
Voting and Party Identification
 
Londres, John Wiley & Sons, 1977. Com Ian Budge.
1983
Explaining and Predicting Elections. Issue, effects and parties strategies in twenty three democracies
 
Londres, Alen, 1983. Com Ian Budge.
 
 
Faro, José D. C. de Sousa e. José Dionísio Carneiro de Sousa e Faro. Ministro da marinha de Tamagnini Barbosa de 23 de Dezembro de 1918 a 27 de Janeiro de 1919.
 
Farpas (As), 1871 Fascículos periódicos que começam a ser emitidos em Maio de 1871, ditos Chronica Mensal da Política, das Letras e dos Costumes, da autoria conjunta de Ramalho Ortigão e Eça de Queirós, até Novembro de 1872, quando este último é nomeado cônsul em Havana. Ramalho continua o labor até 1882. Os 11 volumes das crónicas voltaram a ser publicados de 1887 a 1890 e a parte escrita por Eça foi editada em 1890 sob o título Uma Campanha Alegre. Ramalho acrescenta ao conjunto umas Últimas Farpas, de 1911 a 1915. Há uma nova edição integral editada entre 1944 e 1949, com um estudo de Augusto de Castro, a que se acrescentaram as Farpas Esquecidas, em dois volumes, em 1946-1947.
 
Fascismo Do latim fascis, feixe de verga donde saía o ferro de uma acha, que os lictores romanos levavam à frente dos primeiros magistrados. O movimento protagonizado por Mussolini resulta de um conglomerado de origens: o darwinismo social; o vitalismo anti-racionalista de Bergson; o psicologismo de Gustave le Bon; a sociologia e o elitismo de Pareto; o irracionalismo de Nietzsche; o organicismo de Maurras; o sindicalismo revolucionário de Sorel.
Itália
Vários grupos italianos nos finais do século XIX, assumiram o símbolo do fascio. Uns, na Sicília, para darem cobertura a lutas de trabalhadores; outros, no Norte, invocando a democracia-cristã. Destaca-se, contudo, o núcleo fundado em 23 de Março de 1919, fundado por Mussolini em Milão, o qual, em breve, se funde com o partido nacionalista de Alfredo Rocco e Luigi Federdozini.
 
Creder, obbedire, combattere
 
· Sergio Panunzio, Teoria Generale dello Stato Fascista, Pádua, Cedam, 1937.
 
Foi com o modelo fascista de Benito Mussolini (1883‑1945), que em 1925 se assumiu o lema do nada fora do Estado, acima do Estado, contra o Estado. Tudo no Estado, dentro do Estado, ao mesmo tempo que se tentava substituir à velha tríade da revolução francesa, da liberté, égalité, fraternité, pela fascista trindade de autoridade, ordem, justiça. O próprio Mussolini, no artigo Fascismo, publicado em 1929, e rescrito por Giovanni Gentile, na Enciclopedia Italiana, definia o respectivo Estado como stato totalitario, proclamando: pode pensar‑se que o século actual é o século da autoridade, um século de 'direita', um século fascista; e que se o século XIX foi o século do indivíduo (liberalismo significava individualismo), podemos pensar que o século actual é o século 'colectivo' e, por consequência, o século do Estado. Três anos depois, em La Dottrina del Fascismo, já considerava que para o fascista, tudo está no Estado e nada de humano e espiritual existe, e muito menos tem valor, fora do Estado. Neste sentido, o fascismo é totalitário e o Estado fascista, síntese e unidade de todos os valores, interpreta, desenvolve e potencia toda a vida do povo. O fascismo, com efeito, sublimou o Estado, transformando‑o num fim em si mesmo. Como dizia Sergio Panunzio, um dos seus doutrinadores, tal como a matéria tende para a forma, a sociedade tende para o Estado.
Fascismo em Portugal
A subida ao poder de Mussolini, em 31 de Outubro de 1922, ocorreu durante o governo de António Maria da Silva (entre Fevereiro de 1922 e Novembro de 1923). Surgiram imediatamente adeptos portugueses do novo regime italiano, reunidos em torno do jornal Ditadura, dirigido por Raul de Carvalho que, em Agosto de 1923, chega a fundar a revista Ideia Nova. Se o fascismo mussoliniano empolga alguns cadetes de Sidónio, como Tófilo Duarte, não deixa de influenciar outros republicanos, como Francisco Homem Christo. Mas o caldo de cultura dessa terceira via tem sempre minoritárias influências em Portugal, dado que o espírito de aventura, garibaldiano, e o fundo messiânico, mazziniano, não poderiam florescer num ambiente onde o espírito de reacção tinha a ver com profundas memórias legitimistas e contra-revolucionárias, mais propícias à emergência de fenómenos como o Integralismo Lusitano ou a Cruzada Nun’Álvares, onde se procuravam mais endireitas de boulangismos, através de uma ditadura técnica, que quase esteve para ser desmepenhada pelos democráticos, com os militares António Maria Baptista ou Liberato Pinto, ou com o civil António Maria da Silva.
Críticas de Salazar ao fascismo
Logo em Dezembro de 1932, pouco depois da tomada de posse dos corpos dirigentes da União Nacional, Salazar, em entrevista a António Ferro procura distanciar-se do fascismo mussoliniano, considerando que o mesmo tende para um cesarismo pagão ... não conhece limitações de ordem jurídica ou moral, dado que Mussolini é um oportunista da acção, que ora marcha para a direita, ora marcha para a esquerda. Em síntese, proclama concordo com Mussolini em Itália, mas não posso concordar em Portugal. É aí que diz : eu não tenho horror aos partidos, dum modo geral; tenho horror ao partidarismo em Portugal.
 
4 Burrin, Philippe, La Dérive Fasciste. Doriot, Déat, Bergery (1933-1945), Paris, Éditions du Seuil, 1986. Ebenstein, William, Today’s Isms. Socialism, Capitalism, Fascism, Communism, ...*, 1967 [10ª ed., com Ebenstein, Alan O., Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1994; trad. port. 4 Ismos em Foco. Comunismo, Fascismo, Capitalismo, Socialismo, Brasília Editora, Porto, 1974]. 4Evola, Julius, Il Fascismo visto della Destra, Roma, Volpe, 1974.4Felice, Renzo De, Interpretazioni del Fascismo, Bari, Edizioni Laterza, 1974.4Germani, Gino, Fascismo, Autoritarismo e Classi Sociali, Bolonha Edizioni Il Mulino, 1975; idem, Authoritarianism, Fascism and National Populism, New Brunswick, Transaction Books, 1978. 4 Griffen, Roger, Fascism, Oxford, Oxford University Press, 1995. 4 Ingersoll, David E., Matthews, Richard K., The Philosophic Roots of Modern Ideology. Liberalism, Communism, Fascism, 2ª ed., Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1991. 4 Lourenço, Eduardo, O Fascismo Nunca Existiu, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1976. 4 Luebbert, Gregory, Liberalism, Fascism or Social Democracy. Social Classes and the Political Origins of Regimes in Interwar Europe, David Collier, Seymour Martin Lipset, pref., Oxford, Oxford University Press, 1991. 4 Macciochi, A., Eléments pour une Analyse du Fascisme, Paris, Union Générale d’Éditions, 1976. 4 Martins, Hermínio, «Portugal», in Woolf, S. J., ed., O Fascismo na Europa, trad. port., pp. 421-467, Lisboa, Edições Meridiano, 1978. 4 Nolte, Ernst, Le Fascisme dans son Époque, 3 vols., trad. fr., Paris, Éditions Julliard, 1970. 4 Panunzio, Sergio, Lo Stato Fascista, Bolonha, Cappelli, 1925. 4 Pastor, Manuel, Las Orígenes del Fascismo Español, Madrid, Tucar, 1975. 4Idem, Ensayo sobre la Dictatura. Bonapartismo y Fascismo, Madrid, Tucar, 1977.4 Pombeni, P., Demagogia e Tirannide. Uno Studio sulla Forma-Partito del Fascismo, Bolonha, Edizioni Il Mulino, 1984. 4Poulantzas, Nicos, O Fascismo e a Ditadura, trad. port., Porto, Portucalense Editora, 2 vols., 1972. 4 Sérant, Paul, Le Romantisme Fasciste, Paris, Éditions Fasquelle, 1956. 4 Sternhell, Zeev, Naissance de l’Idéologie Fasciste, Paris, Librairie Arthème Fayard, 1989 (com Sznajder, M. e Asheri, M.). 4Idem, Ni Droite, ni Gauche. L’Idéologie Fasciste en France, Paris, Éditions du Seuil, 1990. 4Trindade, Hélgio, Integralismo. O Fascismo Brasileiro na Década de 30, São Paulo, Edições Difel, 1974.4 Winock, Michel, Nationalisme, Antisémitisme et Fascisme en France, Paris, Éditions du Seuil, 1990. 4 Woolf, J. S., ed., The Nature of Fascism, Londres, Weidenfeld & Nicholson, 1968 [trad. port. O Fascismo na Europa, Lisboa, Edições Meridiano, 1978].4 Zunino, P. G., L’Ideologia del Fascismo, Bolonha, Edizioni Il Mulino, 1985.4 Actas do Colóquio O Fascismo em Portugal [FLUL, Mar. 1980], Lisboa, Edições A Regra do Jogo, 1982 [textos de: Fernando Piteira Santos, «O Fascismo em Portugal. Conceito e Prática», pp. 9 segs.; Manuel Villaverde Cabral, «O Fascismo Português numa Perspectiva Comparada», pp. 19 segs.; João Arsénio Nunes, «Da Política “Classe contra Classe” às Origens da Estratégia Antifascista. Aspectos da Internacional Comunista entre o VI e VII Congressos (1928-1935)», pp. 31 segs.; Marie Christine Volovitch, «O Círculo Católico Operário do Porto (1898-1911). Um Pré-Corporativismo?», pp. 79 segs.; Manuel Braga da Cruz, «O Integralismo Lusitano e o Estado Novo», pp. 105 segs.; Fernando Farelo Lopes, «O Liberalismo Decadente da “Seara Nova”. Algumas Hipóteses», pp. 141 segs.; Cecília Barreira, «Homem Christo Filho. Algumas Considerações em torno do seu Percurso Ideológico-Político», pp. 175 segs.; José Pacheco Pereira, «Problemas da História do P.C.P.», pp. 269 segs.; António Bracinha Vieira, «A Psiquiatria perante o Fascismo. O Contributo para a Compreensão da Experiência Portuguesa», pp. 443 segs.].
 
Fassò, Guido
·Storia della Filosofia del Diritto
3 vols., Bolonha, Edizioni Il Mulino, 1966-1970 trad. fr. Histoire de la Philosophie du Droit. XIXème et XXème Siècles, Paris, Librairie Générale de Droit et de Jurisprudence, 1977].
 
 
Fatalismo. De fatum, particípio passado do verbo fari, dizer ou exprimir. Significava a palavra expressa por um adivinho, aquilo que ele fazia para prever o futuro. Por evolução semântica, a crença segundo a qual a vida humana é determinada por uma entidade superior a que ninguém consegue escapar. A crença na força do destino. Muitas vezes assume aspectos negativistas, considerando que a derrota é o inescapável destino do homem, andando ligada ao pessimismo, ao nihilismo e ao determinismo. Na linguagem comum, o fatalismo anda ligado à crença sobre a inevitabilidade do sofrimento, acentuando os aspectos trágicos da vida.
 
Fátima, Aparições de As primeiras aparições de Fátima ocorrem em 13 de Maio de 1917, durante um governo de Afonso Costa. Em 13 de Outubro ocorre o chamado milagre do sol, com a participação de cerca de 50 000 pessoas, acontecimentos relatados de forma imparcial pelo jornalista Avelino de Almeida no jornal Ilustração Portuguesa. A Igreja só as considera dignas de crédito em 1930. Por esta altura, dão-se em Portugal as aparições de Fátima: em 13 de Maio (30 de Abril do calendário russo), 13 de Junho, 13 de Julho, 19 de Agosto, 13 de Setembro e 13 de Outubro. A 13 de Julho(30 de Junho do calendário russo), a aparição terá dito: se atenderem aos meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados. O Santo padre terá muito que sofrer. Várias nações serão aniquiladas. Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á à Rússia que se converterá e será concedido ao mundo algum tempo de Paz [... [...] ...]. As reticências incluídas constituem o chamado segredo de Fátima. Em 31 de Outubro de 1942, o Papa faz essa consagração à Rússia, proclamando: aos povos pelo erro e pela discórdia separados, nomeadamente àqueles que Vos professam singular devoção, onde não havia casa que não sustentasse a vossa Veneranda Ícone (talvez escondida e reservada para melhores dias), dai-lhes a paz e reconduzi-os ao único redil de Cristo, sob o único e verdadeiro Pastor. Sobre a matéria, J. PEDRO, Fátima e a Conversão da Rússia, pp. 47 e 87, respectivamente. Por seu turno, o cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, em 1951, proclamava: Fátima, Altar do Mundo, opõe-se a Moscovo, capital do Reino do Anti-Cristo. Não é só coincidência das datas que tal sugere, é, sobretudo, oposição dos espíritos. Recorde-se que o cristianismo russo não é católico, apostólico romano. Sublinhe-se que em 13 de Julho os bolchevistas ainda não estavam no poder. Saliente-se que Portugal, nesse período de 1917, vive um processo particularmente traumático de fome, peste e guerra. Em 26 de Janeiro, partia para França o primeiro contingente do Corpo Expedicionário Português. Em Maio atingia-se o ponto alto da crise das subsistências, ocorrendo em 12 de Maio, em Lisboa, a chamada revolta dos abastecimentos. Ao mesmo tempo, dá-se um violento confronto entre o Estado republicano e a Igreja Católica, chegando a ser afastados das respectivas dioceses o bispo do Porto e o cardeal patriarca de Lisboa. O ano vai, aliás, terminar com a ascensão de Sidónio Pais ao poder, na sequência da revolta de 7 de Dezembro. E com o sidonismo vai dar-se um abrandamento da participação portuguesa na Grande Guerra e uma diminuição da tensão entre o Estado e a Igreja. Isto é, o bolchevismo esteve para a Rússia, assim como o sidonismo esteve para Portugal. A diferença talvez esteja entre o Mausoléu de Lenine e a Basílica de Fátima, semeadas na mesma altura, um em nome da Estrela Vermelha, outra consagrando Nossa Senhora de Fátima. As explicações racionalistas, de cepa físico-matemática, da história, mesmo que prenhes de hiperinformação, não conseguem ter a humildade de reconhecer mistérios, segredos e milagres. As consequências sociais e políticas parecem não alinhar com todos aqueles que pretendem explicar por causa-efeito o que talvez só possa ser compreendido pelos Fim que vêm depois do Fim.
 
 
Fátima, Futebol e Fado Os oposicionistas ao salazarismo, consideravam como ópio do povo durante o regime autoritário a tríade fátima (a religião das peregrinações ao santuário mariano), futebol e fado. Os três efes são, aliás, uma adaptação da regra da monarquia napolitana, onde se falava em feste, frumento forca.
 
Faure, Edgar (1908-1988) Político francês. Advogado em Paris. Radical-socialista. Membro da delegação dos juristas franceses presentes no julgamento de Nuremberga. Várias vezes ministro da economia e finanças em 1950, 1951, 1954 e 1958. Presidente do conselho em 1955-1956. Professor de direito em Dijon, de 1962 a 1966. Liga-se ao general De Gaulle, sendo responsável por várias missões diplomáticas, nomeadamente a que levou ao estabelecimento de relações com Pequim. Ministro da agricultura em 1966 e 1968, no governo de Pompidou. Passa a ministro da educação nas vésperas do Maio de 1968. Volta ao governo em 1972 como responsável pelos assuntos sociais. Presidente da Assembleia Nacional em 1973. Acaba por integrar o grupo de Giscard d’Éstaing. Membro da Academia Francesa desde 1978.
·Au-delà du Dialogue
Paris, Balland, 1977. Com Philippe Sollers.
·La Disgrâce de Turgot: 12 Mai 1776
Paris, Gallimard, 1973.
·Mémoires
Paris, Plon, 1982 e 1984. I Avoir toujours raison c’est un grand tort, II Si tel doit être mon destin.
 
Favre, Pierre (n. 1941)
·La Décision de la Majorité
Presses de la Fondation Nationale des Sciences Politiques, 1976.
·Les Marxismes après Marx
1980.
·«La Science Politique en France depuis 1945»
In International Political Science Review, vol. 2, n.º 1, Londres, IPSA, 1981.
·«La Constitution d’une Science Politique, le Déplacement de ses Objects et “l’Irruption de l’Histoire Réelle”»
In Revue Française de Science Politique, vol. 33, Paris, Presses de la Fondation Nationale des Sciences Politiques/CERI, 1982.
·«Histoire de la Science Politique»
In Grawitz, Madeleine, Leca, Jean, Traité de Science Politique, vol. I, pp. 3 segs., Paris, Presses Universitaires de France, 1985.
·Naissances de la Science Politique en France, 1870-1914
 Paris, Librairie Arthème Fayard, 1989.
·Générations et Politique
Paris, Éditions Oeconomica, 1989. Com Jean Crète.
·La Manifestation
Paris, Presses de la Fondation Nationales des Sciences Politiques, 1990. Ed.
·Enseigner la Science Politique
Paris, L’Harmatthan, 1998. Com Jean-Baptiste Legavre.
 
 
Faye, Jean-Pierre (n. 1925) Filósofo, poeta e romancista francês. Funda em 1968 a revista Change. Agregado em filosofia e professor na Sorbonne. Criador do Collège International de Philosophie, em 1983.
1973
Langages Totalitaires
 
Paris, Éditions Herman, 1973.
1992
L’Europe Une. Les Philosophes et lEurope
 
Jacques Delors, pref., Paris, Éditions Gallimard, 1992.
1993
Le Siècle des Idéologies
 
Paris, Colin.
1993
La Déraison antisémite et son Langage
 
Paris, Actes Sud, 1993.
1994
Le Piège. La Philosophie Heideggerienne et le Nazisme
 
Paris, Balland, 1994.
1997
Qu’est ce que la Philosophie
 
1997.
2000
Nietzsche et Salomé
 
2000.
 
 
Fazenda Nome dado aos anteriores serviços públicos das finanças. Por diploma de 20 de Novembro de 1591, Filipe I cria o Conselho da Fazenda, subdividido na Casa da Índia, na Casa dos Contos, e nas Alfândegas, destinado a substituir os anteriores Vedores da fazenda. D. José I, em 22 de Dezembro de 1761, destaca, do Conselho, o Real Erário ou Tesouro Geral, que voltam a ser unificados por D. Maria II, por diploma dee 15 de Dezembro de 1788, quando se cria o cargo de Secretário de Estado da Repartição da Fazenda, que, no entanto, apenas entra em funcionamento em 1801. Para o cargo foi nomeado o visconde de Vila Nova de Cerveira, então presidente do Real Erário e da Junta de Comércio. Em 6 de Janeiro de 1801 é nomeado para a função D. Rodrigo de Sousa Coutinho.