Respublica           Repertório Português de Ciência Política            Total: F/Fo
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Lista de artigos

Artigos em grosso

Fogaça, Júlio

Fomento Industrial, Lei do

Fonseca, António Joaquim Ferreira da (

Fonseca, Eduardo Gianetti da

Fonseca, Joaquim Dinis da (1887
Fonseca, Joaquim Roque da (n. 1891) Fonseca, José Soares da (1

Fonseca, Luís Maria Lopes da (n. 1883)

Fonseca, Manuel da (1911-1993)
Fonseca, Manuel da Silveira Pinto da (
Fonseca, Pedro da (
Fonseca , Rodrigo da
Fontana, José
Fonte da Arcada4º Visconde de (1793-1880)

Fonte Luminosa (1975) Fontismo
Foquismo

Força

Força, fortaleza, violência e poder
Força, influência e poder
Força e energia
Força da inércia

Força irresistívelForça Maior

Forças
Forças vivas
Forças Populares 25A
Ford, Henry

Fordismo

Forjaz, D. Miguel Pereira (

Formação económica e social
Formation (The) of National States in Western Europe, 1975
Formiga Branca, 1913

Fórmula de Cline

Forster, William
Forsthoff, Ernst
Fortaleza
Fortes, Mayer
Fortescue, John (
Fortuna, Necessità, Virtù
Fossaert, Robert
Foucault, Michel
Fouchet, Christian
Fougeyrollas, Pierre
Fouillé, Alfred Foundations (The) of Political Science,
Founding Fathers
Four Freedoms
Fourier, Charles

 

Fogaça, Júlio de Melo (1907-1980) Membro do PCP dos tempos de Bento Gonçalves. Grande proprietário rural da zona Oeste. Acede ao secretariado logo nos anos trinta, sendo preso em 1935 juntamente do José de Sousa e Bento Gonçalves. Preso no Tarrafal de 1935 a 1940. Novamente detido de 1942 a 1945 no memso campo cabo-verdiano. Organiza a chamada linha de transição, sendo sucessivamente criticado nos congressos de 1946 e 1951 como um desviacionista de direita. Expulso do partido em 1961 por mau comportamento moral. Novamente preso de 1960 a 1970. Depois de 1974 será presidente da comissão administrativa do Cadaval.
 
Fomento Industrial, Lei do (27 de Maio de 1972) Lei proposta por Rogério Martins que liberaliza o lançamento de novas indústrias e cria um Fundo de Fomento Industrial.
 
Fonseca, António Joaquim Ferreira da (1887-1937) Democrático, passa a alvarista. Ministro das finanças de 21 de Janeiro a 8 de Março de 1920, no governo de Domingos Pereira, na qualidade de democrático. Ministro do comércio de 20 a 30 de Novembro de 1920, no governo de Álvaro de Castro, na qualidade de reconstituinte. Ministro do comércio de 30 de Novembro de 1920 a a 2 de Março de 1921, no governo de Liberato Pinto, na qualidade de reconstituinte; a mesma pasta, de 2 de Março a 23 de Maio de 1921, no governo de Bernardino Machado, na qualidade de reconstituinte. Ministro do comércio no governo de Álvaro de Castro, de 18 de Dezembro de 1923 a 23 de Fevereiro de 1924 (substituído por Nuno Simões). Ministro de Portugal em Paris desde esta data até 1926.
 
Fonseca, Eduardo Gianetti da Liberal brasileiro da actualidade. Economista, professor da Universidade de São Paulo. Um dos fundadores em 1992 da Escola de Governo, promovida pela Associação Brasileira de Formação de Governantes.
·Liberalismo e Pobreza
1989.
·Vícios Privados, Benefícios Públicos. A Ética na Riqueza das Nações
1993.
 
Fonseca, Joaquim Dinis da (1887 Jurista, amigo íntimo de Salazar. Militante do CADC e do Centro Católico. Deputado entre 1922 e 1925. Subsecretário de Estado da assistência social (de 28 de Agosto de 1940 a 6 de Setembro de 1944) e das finanças (desde esta última data a 2 de Agosto de 1950)
 
 
Fonseca, Joaquim Roque da (n. 1891) Economista, dirigente da Associação Comercial de Lisboa e fundador da União dos Interesses Económicos. Um dos proprietários de O Século.
 
 
Fonseca, José Soares da (1908-1969) Licenciado em Direito. Presidente do CADC entre 1928 e 1930. Deputado desde 1942 e ministro das corporações e previdência social de 1950 a 1955. Assume a defesa da restauração da monarquia no Congresso da União Nacional de 1951, incompatibilizando-se desde então com Marcello Caetano. Administrador da Companhia Colonial de Navegação. Membro do Conselho de Estado. Presidente da Assembleia Nacional. Um dos conselheiros de Tomás em 1968, mostra-se contra a nomeação de Marcello Caetano como presidente do conselho.
 
Fonseca, Luís Maria Lopes da (n. 1883). Licenciado em direito em 1911. Ministro da Justiça, nos governos de Ivens Ferraz e Domingos de Oliveira, de 15 de Julho de 1929 a 23 de Janeiro de 1931, sucedendo a Mário Figueiredo. Deputado de 1934 a 1957. Colaborador no jornal Novidades. Sempre se assumiu como monárquico.
 
Fonseca, Manuel da (1911-1993) Romancista e poeta, do neo-realismo. Um dos expoentes dos intelectuais comunistas do pós-guerra.
 
Fonseca, Manuel da Silveira Pinto da (1784-1830) 2º Conde de Amarante e Marquês de Chaves (desde 1823). Herói da guerra peninsular. Instigador da revolta antivintista de Vila Real de 1823. Entra em Lisboa em 24 de Junho de 1823, recebendo o título de marquês de Chaves. Apoiante do partido miguelista.
 
Fonseca, Pedro da (1528-1599) Jesuíta. Professor no Colégio das Artes desde 1561. Animador do Curso Conimbricense. Professor em Évora (1564-1566) e Roma (1572). Em 1582 regressa a Lisboa. Autor de dois célebres compêndios de estudo (de 1564 e 1591) que tiveram larga circulação na Europa. Precursor de Francisco Suárez.
·Institutionum Dialecticarum libri octo
Lisboa,1564. Cfr. ed. bilingue em latim e português, de Joaquim Ferreira Gomes, Coimbra, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 1964.
·Commentariorum in Libros Metaphysicorum Aristotelis Stagiritae
Roma, 1577; Roma, 1589; Évora, 1604; Lião, 1612. Cfr. trad. port. de Joaquim Ferreira Gomes, Coimbra, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 1965.
·Isagoge Philosophica
Lisboa, 1591. Cerca de cinquenta edições nos séculos XVI e XVII. Ver ed. de Joaquim Ferreira Gomes, Coimbra, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 1965.
 
 
Fonseca magalhães, Rodrigo da (1787-1858) Figura marcante da pós-revolução liberal. Depois de frequentar durante dois anos o curso de teologia em Coimbra ingressa na carreira militar até 1817. Implicado na conspiração de Gomes Freire, emigra para o Brasil em 1819, depois de viver clandestinamente em Lisboa durante dois anos. Casado com uma filha do general Luís Rego, vai para o Pernambuci, onde o sogro era governador de armas. Regressa a Lisboa em 1820, sendo, então, funcionário do ministério dos negócios estrangeiros. Vai para o exílio em Londres em 1828, ligando-se a Silva Carvalho, tanto no domínio da política como na fidelidade maçónica. Director-geral do ministério da justiça e administrador da imprensa Nacional depois de 1834. Deputado pelo Minho, torna-se no líder parlamentar dos chamorros. Destaca-se de tal maneira como ministro do reino no governo de Saldanha, de 15 de Julho a 18 de Novembro de 1835, que tal governo fica a ser conhecido como o ministério do rei dos godos, por referência a Rodrigo, rei dos visigodos. Autor do decreto sobre a reorganização administrativa de 18 de Julho de 1835. Faz então parte da liderança chamorra e trata de instaurar uma política de empregadagem e de distribuição de mercês. Diz na altura que postos todos a comer à mesma mesa depress passariam de convivas satisfeitos a amigos dedicados. Desencadeia uma política de criação de barões, como os de Moncorvo, Samodães, Bonfim, Sabrosa, Setúbal, Ruivós, Bóbeda, Leiria. Como então dizia Garrett, foge, cão, que te fazem barão. Para onde? Se me fazem visconde... Já com o setembrismo, assume-se novamente como ministro do reino no governo do conde de Bonfim, entre 26 de Novembro de 1839 e 9 de Junho de 1841. Integra-se, então, na dissidência maçónica anticabralista do Supremo Conselho do Grau 33, liderada por Silva Carvalho. No mesmo governo passa a acumular a pasta dos negócios estrangeiros em 23 de Junho de 1840. Ministro dos negócios estrangeiros no governo de Joaquim António de Aguiar, de 9 de Junho de 1841 a 7 de Fevereiro de 1842. Volta a ministro do reino com Rgeneração, desde 7 de Julho de 1851 (onde substitui Ferreira Pestana), no governo de Saldanha, até 3 de Setembro de 1853. Acumula a justiça até 4 de Março de 1852, substituindo Joaquim Filipe de Soure. Em 19 de Agosto de 1852, volta a acumular a pasta da justiça, substituindo António Luís de Seabra. Mantém estas posições aé 6 de Junho de 1856. Juntamente com Fontes, faz parte do núcleo duro dos regeneradores. Recebe a alcunha d’ a raposa. D. Pedro V qualificará estes dois como os chefes da canalhocracia.
 
Fontana, José (1841-1876) Suíço de nascimento, foi fundador do *Partido Socialista (1875). Inspirador da Fraternidade Operária.
 
Fonte da Arcada, 4º Visconde de (1793-1880) António Jacques de Magalhães. Deputado de 1826 a 1828. Deputado em 1834. Par do reino em 1835. Deputado em 1838. Retoma o pariato em 1842. Morreu em 19 de Agosto de 1880.
 
Fonte Luminosa (1975) Gigantesco comício promovido pelo Partido Socialista junto à Fonte Luminosa da Alameda Afonso Henriques em Lisboa, em 19 de Julho de 1975, que demonstrou a capacidade de mobilização das forças anticomunistas e antigonçalvistas.
 
Foquismo. Processo de guerrilha adoptado por Che Guevara, visando a constituição de focos ou bases de insurreição a partir da periferia rural de um determinado território.
 
Força Da expressão latina tardia fortia, derivada de fortis. Aliás, fortia, no latim clássico, era uma expressão poética relativa à força moral, àquilo a que hoje damos o nome de fortaleza, sendo assumida, depois pelos pensadores cristãos nesse sentido. Só depois passou a significar força física. Curiosamente, aquilo que hoje dizemos como força, dizia-se, em latim, virtus, donde veio a nossa expressão virtual, como a causa que produz um determinado efeito. Força, neste sentido, é a causa, a acção de um ente material capaz de alterar o estado de repouso ou de movimento de outro ente material. Tudo aquilo que é capaz de produzir ou alterar um movimento. Paradoxal evolução semântica, onde anterior virtus latina, de vis, isto é, a força física, deu em força moral, e onde a fortia, a força moral, com o actual sentido de virtude, deu em mera força física. Talvez porque violentia, vem de homem, do radical de vis, viris. Porque virtus, era a qualidade própria do homem, do viril, isto é a coragem, que evoluiu para a habilidade daquele que é virtuoso.
 
Força, fortaleza, violência e poder
Utilizando a classificação de Hannah Arendt, a força (force) distingue-se da fortaleza (strenght), firmeza ou força de alma, aquela virtude que São Tomás dizia ser mais de resistência que de ataque e que se expressa, por exemplo, na coragem cívica da não-violência. Esta significa algo no singular, a qualidade de um homem, enquanto a força é a energia dispendida pelos movimentos físicos e sociais, podendo ser tanto a força da natureza como a força das coisas. Ambas se distinguem da violência (violence), aquilo que destrói o poder, mas que é incapaz de criá-lo. Porque o poder (power) nunca é propriedade de um indivíduo, pertence ao grupo, é sempre no plural, e apenas existe enquanto o grupo permanece unido.
 
Força, influência e poder
Se politólogos como Lasswell colocam a força como algo que antecede a influência e o poder, já outros, como Prélot, falam em forças como poderes, anteriores ao Poder, com maiúscula, entendido como o poder político. Rivarol assinalava que as forças apenas passam a poderes quando actuam através de órgãos (a água é uma força que precisão do órgão moinho), entendendo os poderes como forças orgânicas ou organizadas, como a união entre um órgão e uma força. Nesta linha, a força não passa de um meio actual para se obter um bem futuro (Hobbes), de um meio que permite obter um efeito desejado (Russell), de uma determinada energia que apenas passa a poder quando se manifesta através de um determinado instrumento. 
Força, coerção e coacção
A coacção é a força legitimada, onde a intervenção da força ocorre para os fins do direito e nos limites estabelecidos pelo mesmo direito, onde há uma coacção virtual, a coercibilidade, e uma coacção actual, a coercitividade. Com efeito, coacção vem do lat. coactio, acção obrigar alguém contra a vontade deste. É sempre uma forma de violência moral, visando a prática de um determinado acto jurídico, pela ameaça de um mal maior do que aquele que resultaria da prática do acto. Difere da coerção, a forma jurídica da violência física sobre o infractor, onde o coactor já actua sobre o corpo do coagido. Com efeito, coerção vem do lat. coertio, co + arceo, isto é, confinar numa fortaleza, dita arx, arcis. O vocábulo expressa uma aproximação à ideia de coacção, mas sem a conotação jurídica de violência meramente moral ou psicológica. A coerção tem mais a ver com a violência física, com a acção violenta dos órgãos estaduais quando estes aplicam a força irresistível para o cumprimento de uma determinada ordem, depois de falar a ameaça da coacção, sempre potencial. A conduta de alguém que está sujeito à coacção não é espontânea, mas o coacto pode escolher entre dois objectos, tem alternativa de escolha, pode não cumprir a regra que estabelece sanção para quem não escolher aquele objecto considerado obrigatório pelo legislador. Com efeito, o direito é sempre fisicamente violável, apesar daquele que exerce o acto violador estar sujeito a um acto de resistência física por parte da ordem estabelecida. Neste sentido, há apenas coercibilidade, há apenas uma coacção potencial, latente ou virtual, diferente da coercitividade, da coacção actual ou efectiva, resultante da aplicação concreta da sanção ao violador da regra.
Força e violência
Um dos habituais tópicos da filosofia política e do direito tende a distanciar a força da violência, qualificando aquela como a intervenção em defesa da ordem estabelecida através de formas por ela admitidas e reservando a violência para a intervenção dos que querem destruir ou violar o estabelecido, onde a força tende a ser legítima e a violência ilícita. Esta evolução semântica, contrária, aliás, à base etimológica da distinção, levou até a que Georges Sorel tentasse inverter os termos quando, elogiando a violência, reservou a expressão força para o domínio da minoria sobre a minoria, base do situacionismo, e entendeu a violência como instrumento libertador da maioria, desejosa de abolir a exploração da minoria sobre o todo.
Força e energia
 
Força da inércia Segundo as ideias de Cabet, o comunismo enquanto democracia perfeita, atinge-se pela democracia ordinária, isto é, pela utilização dos meios legais disponóveis num regime republicano de sufrágio universal, e não através de meios violentos, da conspiração e da acção de sociedades secretas. Defende assim uma revolução pacífica, onde, em vez da greve, se utiliza a força da inércia, nomeadamente pelo boicote ao pagamento dos impostos.
 
Força irresistível (Duguit).
 
Aceita a teoria do Estado-Força, quando reconhece que o que aparece em primeiro plano no Estado é o seu poderio material, a sua força irresistível de constrangimento, e que o Estado é força, não há Estado senão quando num país há uma força material irresistível,mas logo assinala que, ao contrário dos autores alemães do Macht-Staat, que esta força irresistível do Estado é regulada e limitada pelo Direito. Reconhecer o Estado como Força é, para o autor em análise, uma atitude realista, que o afasta do idealismo, mas salientar o facto do Estado se subordinar ao Direito significa que a força, porque é força, não pode fundar o direito, mas apenas submeter‑se‑lhe. Esta concepção realista não aceita, pois, a visão do Estado como pessoa colectiva, o dogma da soberania alienável e divisível, bem como a chamada auto‑limitação do Estado.
 
Força e Estado,88,584
 
Força e valores,54,344
 
Força –Não funda o direito, apenas se lhe submete DUGUIT,102,694
 
Força Maior Expressão equivalente à de estado de excepção. Indica aquela situação em que uma determinada situação política passa a estar dependente do mero exercício da força irresistível do que no consentimento comunitário ou da utilização dos meios jurídicos de defesa da ordem estabelecida. Neste sentido atinge-se o conceito decisionista schmittiano, segundo o qual soberano o que decide da situação excepcional (Souverän ist, wer über den Ausnahmezustand entscheidet). O conceito aproxima-se da ideia de estado de sítio, da suspensão de direitos e garantias individuais no todo ou em parte de um território estadual.
 
Forças Segundo Marcel Prélot, todos os poderes que não são o Poder, isto é, o poder político, o fenómeno político superior, não passam de forças, embora ambicionem tornar-se Poder. Já para Rivarol, as forças antecedem os poderes, isto é, transformam-se em poderes quando são utilizadas por um órgão, ou instrumento. O poder é força organizada, é união entre um órgão e a força. Isto é, a força equivale à energia e manifesta-se através de um instrumento.
 
Ford, Henry (1863-1947) Industrial norte-americano. Filho de emigrantes irlandeses. Constrói sozinho o seu primeiro automóvel em 1892-1893 e entra na produção para venda em 1903, do célebre Ford T. Pioneiro do fabrico em série, institui o chamado fordismo que chega a inspirar os soviéticos. Praticando altos salários e procurando fazer o controlo moral dos seus operários, mostra-se bastante hostil ao sindicalismo nas suas unidades industriais.
 
Fordismo. Expressão utilizada por Henri de Man e Gramsci e retomada pelos neomarxistas italianos dos anos sessenta, qualificando modelos de gestão que usam os métodos de Henry Ford.
 
Forjaz, D. Miguel Pereira (1769-1827) Conde da Feira desde 1820 Militar. Participa na campanha do Rossilhão. Membro do Conselho da Regência em 1807. Organiza a resistência militar contra os franceses, com Bernardim Freire. Membro da Junta Governativa de 1808. Par do reino em 1826. António Sardinha qualifica-o como organizador da resistência nacional.

Formação económica e social Categoria marxista. Cada sociedade forma um todo que vai evoluindo ao longo do tempo:o comunismo primitivo, a escravatura,o feudalismo,o capitalismo...E em cada formação económica e social há uma classe dominante, detentora dos meios de produção,que exploraria todas as outras - o caso da nobreza no feudalismo e da burguesia no capitalismo. Enquanto o modo de produção é um objecto abstracto e formal, já a formação económica e social é um objecto real e concreto. Pode resultar de uma combinação particular de vários modos de produção onde um deles é dominante.
 
Formalismo Doutrina que faz preponderar a forma sobre o conteúdo. Caso do deontologismo na moral e do classicismo na estética. Diz-se também da doutrina estética contrária ao realismo.
 
 
Formation (The) of National States in Western Europe, 1975 Charles Tilly define o Estado como organização que controla a população ocupando um território definido na medida em que é diferenciada das outras organizações que operam sobre o mesmo território; é autónoma; é centralizada; e as respectivas subdivisões são coordenadas umas com as outras. Porque o Estado nasceu contra uma sociedade tradicional que era marcada pela resistência das estruturas comunitárias, pela ossificação da periferia e pela recusa de integração em novas redes de troca. E também não seriam despiciendos alguns factores económicos, dado que o Estado protege novas actividades económicas, desencadeia a conversão da agricultura, favorece a procura de mercados e assegura o controlo dos mares.
 
 
Formiga Branca, 1913 Polícia política irregular instituída em 1913, durante o governo de Afonso Costa, pelos democráticos. Constituída em grande parte por elementos dos anteriores batalhões voluntários da República. Começou por ter como missão a garantia da segurança dos principais líderes democráticos e gerou em seguida o estabelecimento de um sistema de informadores e de denunciantes. Nasceu logo após a revolta radical de 27 de Abril, sendo o principal organizador da mesma o governdor civil de Lisboa Daniel Rodrigues, irmão do ministro do interior Rodrigo Rodrigues. O primeiro inimigo da mesma eram os radicais e o modelo foi desde logo criticado por Machado Santos n' O Intransigente. Depois da revolta monárquica da primeira outubrada (Outubro de 1913), os formigas brancas assaltam os jorrnais monárquicos que então se publicavam em Lisboa (O Dia e A Nação) e prendem o empresário Monteiro Milhões. Como resposta, os partidários de Machado Santos organizam a formiga preta e estas milícias defendem o ataque dos primeiros a O Intransigente. Aliás, nesses dias os fomigas brancos organizaram barragens nas estradas, os chamados comités de vigilância.
 
Fórmula de Cline Segundo Ray S. Cline: Pp=(C+E+M) x (S+W). O poder apercebido - perceived power [Pp] é igual à massa crítica - função do território e da população [C] - mais capacidade económica [E], mais capacidade militar [M], vezes a coerência e adequação da estratégia nacional [S] mais a vontade nacional - a will to porsue national strategy[W], em função quer da vontade anímica da população, quer da sua adesão à estratégia nacional concebida pelo poder estabelecido.
 
Forster, William Ministro da educação britânico em 1870, num governo liberal presidido por Gladstone, quando é emitido o Education Act que estabeleceu uma rede de ensino público.
 
Forsthoff, Ernst Começa como adepto do nazismo, ao lado de Carl Schmitt contra as teses de Hans Kelsen. Professor em Heidelberg.
·Der totale Staat
Hamburgo, 1933.
·Die Politischen Parteien im Verfasungsrecht
Tubinga, 1950.
·Rechtsstaat im Wandel
 Estugarda, 1964.
·El Estado de la Sociedad Industrial
[ed. orig. 1971], trad. cast., Madrid, Instituto de Estudios Políticos, 1975.
 
Fortaleza Virtude moral que, no meio das dificuldades, assegura a firmeza e a constância na prossecução do bem. A capacidade para vencer o medo, de enfrentar as provações e as próprias perseguições. Leva à defesa de uma causa justa, dispondo a que se leva ao máximo essa defesa, tanto pela renúncia como pelo sacrifício da própria vida.
 
Fortes, Mayer
·African Political Systems
Oxford, Oxford University Press, 1940 [trad. port. Sistemas Políticos Africanos, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1981]. Com Evans Pritchard.
·The Dynamics of Clanship among the Tallensi
Londres, 1945.
·The Web of Kingship among Tallensi
Oxford, 1949.
·Oedipus and Job in West African Religion
Cambridge, 1959.
 
 
Fortescue, John (1394-1476) Jurista inglês. Defende do modelo constitucional das leis fundamentais britânicas, comparativamente ao francês. Adepto do regime misto, na senda de São Tomás, concebe a existência de um estado de natureza estabelecido por Deus, considerado como a fonte de toda a autoridade política, admitindo, contudo. que a autoridade do rei se afirma pelo consentimento do povo. Proclama que o sistema inglês é um regimen politicum et regale, onde o rei não pode governar o seu povo senão mediante leis com as quais o povo está de acordo, ao contrário do regimen tantum regale, como vê no modelo francês, onde o rei pode governar o seu povo através de leis que ele mesmo faz. Considera que o dominium regale apenas é estabelecido pela força, enquanto o dominium politicum assenta no consentimento do povo. Salienta que o rei inglês é um rex politicus porque actua no interesse do reino e não no interesse próprio.
·De laudibus legum Angliae
1537. Trad. On the Excellence of the Laws of England, 1546.
·The Governance of England
 
 
Fortuna, Necessità, Virtù O poder aparece em Maquiavel como uma síntese da fortuna, da necessitá e da virtú, a expressão de um resíduo irracional, do imponderável, daquela margem de inexplicabilidade que se encontra na história. Primeiro estaria a fortuna, entendida como uma mulher que, segundo os preconceitos machistas do autor, para se submeter, teria de ser violentada. Uma mulher volúvel que até gosta mais de homens jovens, por serem menos respeitadores, mais ferozes e mais audazes: perchè la fortuna é donna, ed é necessario volendola tener sotto, batterla ed urtarla. Come donna, e amica de giovanni, perchè sono meno rispettivi, piú feroci e con piú audacia la comandano. Em segundo lugar, o cepticismo de Maquiavel leva-o a considerar que a moral nasce da necessidade, porque o Homem não faz o bem a não ser quando é pressionado pela necessidade . Em terceiro lugar, salienta que um dos elementos mais dinâmicos de toda a acção social é a virtú, a faculdade de acção que irradia sobre o conjunto humano. A qualidade daquele homem que tem grandezza del'animo e fortezza del corpo, um vitalismo equivalente àquilo que Nietzsche vai qualificar como o Wille zur Macht, o apelo a um homem de acção que concebe a vida como movimento.
 
 
Fossaert, Robert Teórico político francês, de marca neomarxista, althusseriana. Caricaturizando a nation par excelence, considera expressivamente: somos todos franceses desde sempre. A não ser os de Nice e os de Sabóia que o são desde 1860. A não ser os da Córsega que se tornaram mesmo a tempo de permitir a Napoleone Buonaparte de mudar o seu patronímico em troca de um Império. A não ser os Flamengos, os Artesianos, os Lorenos, os Comtois a quem esta qualidade chegou no século XVII. A não ser os alsacianos que a adquiriram nesse mesmo século, mas a perderam de 1871 a 1918, e de 1940 a 1945. A não ser os Picards e os Borgonheses. . . mas perigoso seria ir além do século XVI, porque a França eterna se torna rapidamente num Principado de contornos incertos e de futuro duvidoso. Saibamos, entretanto, que nos poderíamos tornar borgonheses ou ingleses desde sempre, para nada dizer de outros futuros mais estranhos ainda que nos preparavam o império carolíngio ou os seus invasores normandos e árabes
·L’Avenir du Capitalisme
Paris, Éditions du Seuil, 1961.
·La Societé/1. Une Théorie Générale
Paris, Éditions du Seuil, 1977.
·La Societé/2. Les Structures Économiques
Paris, Éditions du Seuil, 1977.
·La Societé/3. Les Appareils
Paris, Éditions du Seuil, 1978.
·La Societé/4. Les Classes
Paris, Éditions du Seuil, 1980.
·La Societé/5. Les États
Paris, Éditions du Seuil, 1981.
 
 
Foucault, Michel (1926-1984) Diplomado em filosofia, psicologia e psicopatologia. Membro do Collège de France desde 1970. Rompe com as teorias nihilistas e mecanicistas do poder. Considera que a sociedade não é um todo marcado pela coerência e pela coesão, mas um conjunto desarmónico, onde existe uma multiplicidade de conflitos.A sua teoria dos micropoderes, esboçada em L'Archéologie du Savoir, 1969, alcançou estruturação na obra Surveiller et Punir, de 1975.
Há uma rede de micropoderes, entendidos como Estados dentro do Estado, como os poderes locais, regionais e familiares, verdadeiros focos de poder, difundidos no corpo social. Estes diversos micropoderes estabelecem uma rede de relações com articulações laterais e verticais. Impõe-se portanto uma perspectiva que entenda o poder como relação, como jogo e como estratégia. O corpo político é uma relação de relações. O poder, a relação das diferentes relações de poder entre si. Das relações de poder com as relações de produção. Da relação das técnicas de poder com os processos do saber. Importa abandonar a ideia de centro pela ideia de rede de poder. A ideia de centro pressupõe o funcionamento unitário de um aparelho ou de uma instituição. E logo uma perspectiva teleológica e não estratégica. O poder do centro tende a ser jurídico, procura constituir a estrutura de um conjunto impessoal, usando a lei e os aparelhos que visam a integração institucional dos poderes múltiplos.
O poder como relação e estratégia
Proclama que o poder não é uma substância, mas uma relação, um tipo particular de relações entre os indivíduos. Daí que ele deva ser entendido de forma estratégica, porque não é um efeito, um produto ou uma super-estrutura.
O poder como relações de produção
Em vez da procura da essência do poder,deve perspectivar-se o poder como exercício, o poder como produtor e as relações do poder como relações de produção.
Relação entre constrangimento e produção
Com efeito, para Foucault o poder tem um polo negativo, que é o constrangimento, e um polo positivo, que é produção. E o poder é sobretudo relação entre estes dois pólos.
O poder como batalha perpétua
Ele é uma "batalha perpétua".Mais do que as guerras propriamente ditas é a constante luta contra os "ilegalismos". Batalha mesmo quando não tem resistências e batalha como se tivesse resistências.
A anatomia do corpo político
A anatomia política do corpo político é,assim, economia política. Porque o corpo político é relação de relações; relação do corpo do poder com os corpos que ele investe e que lhe resistem. O poder é relação das diferentes relações de poder entre si; relação das relações de poder e das relações de produção; relação das técnicas de poder e dos processos do saber.
A sociedade como um conjunto desarmónico
A sociedade não é um todo, nem sequer o jogo entre dois pólos solidários e contraditórios, mas um conjunto desarmónico. Não há coerência nem coesão, mas uma multiplicidade de conflitos: o que preside a todos estes mecanismos não é o funcionamento unitário de um aparelho ou de uma instituição,mas a necessidade de um combate e as regras de uma estratégia
Rede de micropoderes
Existe uma rede de micropoderes que se assumem como Estados dentro do Estado. Difundidos no corpo social, como poderes locais, regionais e familiares, eles são os autênticos focos do poder. E entre eles estabelecem-se redes de relações com articulações laterais e verticais.
O poder integrador do centro
Se estes vários poderes dispersos tendem a ser técnicos, o poder do centro procura ser jurídico, procura constituir uma estrutura de conjunto impessoal, tanto através da lei como dos aparelhos, visando a integração institucional dos poderes múltiplos
A centralização do Estado
Contudo, o poder não vem do centro do Estado e a própria centralização não passa de um efeito, de um imperativo estratégico, que é simplesmente objecto de múltiplas tentativas que se vão renovando, num jogo de poder. Até porque o poder se deixa invadir pelo prazer que ele persegue.
Da ideia de centro à de rede de poder
Haveria, assim, que abandonar a ideia de centro pela ideia de rede do poder, que acentuar a tensão estratégica do relacional em vez do teleológico.
·Folie et Déraison. Histoire de la Folie à l'Âge Classique
1961.
·Naissance de la Clinique. Une Archéologie du Regard Médical
Paris, PUF, 1963.
·Les Mots et les Choses. Une Archéologie des Sciences Humaines
Paris, Éditions Gallimard, 1966. Ver trad. Port. As Palavras e Coisas, São Paulo, Martins Fontes, 1988.
·L'Archéologie du savoir
Paris, Gallimard, 1969. Trad. Port., A Arqueologia do Saber, Rio de Janeiro, Forense Universitária, 1988, 4ª ed..
·Surveiller et Punir. Naissance de la Prison
Paris, Éditions Gallimard, 1975. Cfr. trad. port.Vigiar e Punir, Petrópolis, Vozes, 1979.
·Histoire de la Sexualité
vol. I - La Volonté de Savoir, Paris, Éditions Gallimard, 1976. Cfr. trad. port., História da Sexualidade, I, A Vontade de Saber, Rio de Janeiro, Graal, 2ª ed., 1979.
·Power/ Knowledge. Selected Interviews and other Writings 1972-1977
Org. de C. Gordon, Nova Iorque, Random House, 1977.
·De la Gouvernamentalité
Paris, 1989. Lições de 1978-1979.
·Microfísica do Poder
3ª ed., trad. port., Rio de Janeiro, Graal, 1982.
 
 
 
Fouchet, Christian (1911-1974) Político francês, licenciado em direito e ciências políticas. Colaborador de De Gaulle desde 1940. Diplomata em Moscovo, Varsóvia e Calcutá, até 1945. Deputado e dirigente do RPF (1951-1955). Ministro no governo de Mendes-France em 1954-1955. Alto-comissário na Argélia, de 19 de Março a 4 de Julho de 1962, depois de assinados os acordos de Evian. Ministro da Educação Nacional de 1962 a 1967 e do Interior em 1967. Volta a deputados de 1968 a 1971.
 
Fougeyrollas, Pierre
·La Nation. Essor and Déclin des Societés Modernes
Paris, Librairie Arthème Fayard, 1987.
 
 
Fouillé, Alfred Jules Emile (1838-1912) Professor em Bordéus e na Escola Normal Superior. Teoriza o conceito de ideias forças, que vai influenciar o institucionalismo de Maurice Hauriou. Um dos criadores do organicismo, tentando criar uma terceira força capaz de combinar as ideias de contrato com as de organismo social, misturando biologismo e psicologismo, bem como determinismo com vontade livre, num sincretismo e ecletismo bem galicista. No plano político, acaba por ser um estadualista, ao contrário das posições assumidas por Herbert Spencer, que tanto o influenciou. Assim considera que a sociedade é um organismo psíquico contratual que só existe através do indivíduo que é condicionado pela hereditariedade colectiva, pelo determinaismo social e pelo contrato livre.
·La Philosophie de Platon
1869.
·Histoire de la Philosophie
1875.
·La Science Sociale Contemporaine
Paris, Hachette, 1880.
·La Proprieté Sociale et la Démocratie
1884.
·L'Avenir de la Métaphysique fondée sur l'Expérience
1889.
·L’Évolutionisme des Idées-Forces
Paris, 1890.
·Psychologie des Idées Forces
Paris, 1893.
·La Démocratie Politique et Sociale en France
Paris, 1910.
 
 
Foundations (The) of Political Science, 1933. Obra de John W. Burgess, constituída por três livros: sobra a nação, o Estado, a liberdade e o governo. No tocante à nação, aborda a ideia, a distribuição geográfica, o carácter naciona. No tocante ao Estado, a ideia, o conceito, a origem, as formas e os fins. O autor mais invocado é Bluntschli, demonstrando-se como o fundador da ciência política norte-americana foi marcado pelas teorias germânicas, de matriz jurídica. O trabalho constitui uma síntese da anterior obra, Political Science and Comparative Constitutional Law.
 
Founding Fathers Os pais fundadores. Nome dado aos 55 delegados à Convenção de Filadélfia de Maio de 1787, subscritores da independência norte-americana.
 
Four Freedoms As quatro liberdades consideradas a base do conceito político norte-americano, conforme discurso de Roosevelt proferrido em 6 de Janeiro de 1941: f. of speech and expression; f. for worship God in one’s own way; f. for want; f. for fear.
 
Fourastié, Jean
·Les 40 000 Heures
Paris, Laffont, 1965.
·Idés Majeures
Paris, Gonthier, 1966.
·Les Conditions de l’Esprit Scientifique
Paris, Gallimard, 1966.
 
Fourier, Charles (1772-1837) François-Marie-Charles Fourier. Autodidacta francês, teórico do cooperativismo integral. Um socialista anti-estatista. Assume-se contra o industrialismo, o urbanismo, o liberalismo e a concorrência, mas distancia-se do socialismo, insurgindo-se contra a
abolição da propriedade privada e as heranças, considerando tal como monstruosidades. Propõe a criação de falanstérios, sociedades de produção e de consumo, onde, pela associação voluntária, se suprimiria a concorrência, abolindo os próprios salários. Nestes, os rendimentos seriam divididos em doze partes, quatro para remuneração do capital, cinco para o trabalho e três para o talento, isto é, para a direcção. Os seus discípulos, reunidos em torno a revista Réforme Industrielle, são liderados por Victor Considérant, tentando criar vários falanstérios que se arruinam. Elabora a teoria da atraction passionée, considerando que, em lugar de se refrearem as paixões, elas devem ser desenvolvidas e sublimadas, de modo a atingir-se aquilo que designa por garantisme, o estado da harmonia perfeita. As respectivas obras completas começam a ser publicadas em 1846. Um dos admiradores de Fourier é André Breton, um dos fundadores do surrealismo.
·Théorie des Quatre Mouvements et des Destinées Générales
1808.
·Traité de l'Association Doméstique et Agricole
1822
·Le Nouveau Monde Industriel et Sociétaire
1829.
·Théorie de l'Unité Universelle
1841. Nova edição do trabalho anterior
·La Fausse Industrie
1835
·Oeuvres Complètes
Paris, Éditions Anthropos, 1971 e Genebra, Slatkine, 1971, em 12 vols..
 
 
}Goret, J., La Pensée de Fourier, Paris, PUF, 1974.}Barthes, Roland, Sade, Fourier, Loyola, Paris, Le Seuil, 1971.}Debout, Simone, L'Utopie de Charles Fourier, Paris, Payot, 1978.