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Gneco, Azedo
Gnosis/Pistis
Gnosticismo
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Gneco, Azedo (1849-1911) César Eudóxio Azedo Gneco. Operário. Fundador do Centro Republicano Federal (1873). Dirigente e fundador do Partido Socialista (1875). Tentou colaborar com D. Manuel II.
Gnosis/Pistis Do grego gnosis, ou conhecimento religioso, diferente da simples fé ou pistis. Segundo Pinharanda Gomes, enquanto esta é o acto de ouvir a palavra e aceitar o dom revelado sem compreender o mistério, a gnosis tende a ser o acto de ouvir a palavra e de a compreender para a aceitar,
transformando-se no conhecimento religioso dos iniciados e não o dos simples e pobres.
Gnosticismo O gnosticismo constituiu uma heresia dos primeiros cristãos, que visava criar uma espécie de religião universal, unindo o cristianismo às mais antigas crenças e ao próprio judaísmo. Partindo do dualismo persa, do confronto entre a matéria, intrinsecamente má, e o espírito,
intrinsecamente bom, considerava que o mundo havia sido criado por Demiurgo, um dos iões que desejava ser Deus. Para eles, unidos ao ser supremo, havia iões, uma série de seres intermediários entre o espírito e a matéria, que eram menos perfeitos à medida que se afastavam de Deus. Demiurgo, depois
de expulso do reino da luz, teria sido lançado num abismo, onde acabou por criar o nosso universo, dando forma à matéria e criando o homem, uma matéria onde existiria um grão de luz, a alma. E foi para redimir o homem que Deus teria mandado à terra um ião fiel ao ser supremo chamado Cristo. O
gnosticismo que teria sido fundado pelo judeu convertido ao cristianismo chamado Simão Mago, vai ressurgir no século IV, sob a forma de arianismo que, acreditando na unidade absoluta de Deus, negava a Trindade e a divindade de Cristo. Para o gnosticismo toda a história do mundo se desenrola na luta
entre dois princípios (o bem e o mal) através de três idades (o passado, o presente e o futuro). Tende também a adoptar uma visão trinitária da história, na senda daquele modelo que se manifestou em Vico (Deuses, Heróis e Homens) e em Comte (Idades Teológica, Metafísica e Científica). como assinala
Besançon, de uma historiografia de tipo gnóstico, com os dois princípios e os três tempos do maniqueísmo, mas, em vez de serem apresentados através de uma mitologia, são-no através de uma história pretensamente real, objecto de ciência constatável. É o que assinala a passagem de um pensamento
gnóstico a um pensamento ideológico. Assim, esta ficção que se recusa a ser uma ficção, que se apoia nos Padres e na realidade, torna-se uma ficção em dois graus, quase impossível de assinalar. Foi neste chão que Marx colheu a tríade Capitalismo, Socialismo, Comunismo. É ainda segundo o mesmo ritmo
que se visionam os três tempos das concepções revolucionárias: o tempo da opressão, o tempo da resistência e o tempo da libertação, em que o Anjo domina o Dragão e a vitória é levada até à apoteose. O gnosticismo exige também um líder, que tanto pode ser um dux individual como a figura colectiva de
um homem novo, desde o príncipe de Maquiavel ao militante comunista de Lenine. Além do líder, exige-se uma irmandade de pessoas. O que deu origem à mística das associações secretas, segundo a qual aqueles que não são iniciados são profanos, base de todos os vanguardismos. Acresce que o gnosticismo
tende a dividir geograficamente zonas dominadas pelo bem e pelo mal. Não aceitamos esta visão linear da história que acredita no progresso crescente, quando a história pode também ser retrocesso. Tanto o comunismo soviético como os ocidentalíssimos positivismos, cientismos e progressismos constituem
fogueiras não apagadas de um medievalíssimo gnosticismo.
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