Idade do Nacionalismo e o século XVIII europeu, com o apogeu do absolutismo, foi uma espécie de época incubadora do Estado, eis que, no seguinte XIX, vai iniciar-se a Idade do Nacionalismo, na expressão já clássica de Hans Kohn.  Primeiro, foi, sem dúvida, o processo da Revolução Francesa, quando se substituiu um rei absoluto por um povo absoluto que, para manter o princípio da unidade da soberania, foi obrigado a utilizar o conceito d         e nação que, utilizado como elemento de contrapoder, no sentido de sociedade natural contra o Estado, tanto foi significando povo revolucionário,  como corpo político. Depois foi o idealismo alemão que, reagindo face à circunstância de uma nação etnográfica estar fragmentada em inúmeros Estados, gerou um conceito de povo orgânico, procurando justificar a passagem de uma Kulturnation para um Estado identificado com a Nação. Seguiu-se a tentativa jurídica do estabelecimento de um princípio das nacionalidades. Primeiro, foi a ideia da unificação italiana, contra a dominância do Império Austro-Húngaro e do Papado; depois, a tentativa de reorganização europeia, na sequência da  Grande Guerra de 1914-1918, com os 14 pontos do Presidente norte-americano Woodrow Wilson e a Sociedade das Nações. Mas os nacionalismos  não foram apaziguados e surgiu uma Segunda Guerra Mundial, donde derivou uma Organização das Nações Unidas, em cujo quadro, depois da Conferência de Bandung, se procedeu à descolonização em nome dos princípios da autodeterminação nacional, apenas aplicados ao mundo afro-asiático. E a história continua com os nacionalismos emergentes na sequência do fim da Guerra Fria, principalmente após o desmantelamento do Império Soviético e do regresso da balcanização.

 

Idade do Ouro. Para Platão, o anterior e o posterior não são o que está antes e o que está depois, em termos cronológicos, mas sim o que é melhor e o que é pior, em termos de cumprimento do bem. Logo aquilo que deve ser no futuro, é aquilo que é anterior, porque o anterior é aquilo que é superior, o que é mais perfeito.

 

Idade do Ouro Para Platão, o anterior e o posterior não são o que está antes e o que está depois, em termos cronológicos, mas sim o que é melhor e o que é pior, em termos de cumprimento do bem. Logo aquilo que deve ser no futuro, é aquilo que é anterior, porque o anterior é aquilo que é superior, o que é mais perfeito.

 

Ideal histórico concreto Para Jacques Maritain, o ideal histórico concreto difere das utopias. Não é um ser de razão, mas uma essência de ideal realizável. Não é obra feita, mas obra a fazer-se. Uma essência capaz de existência e chamando à existência, constituindo uma imagem prospectiva e um tipo específico de civilização. Enquanto o ideal histórico concreto é uma imagem dinâmica a realizar como movimento e como linha, a utopia é um modelo a realizar como termo e ponto de repouso. Definição contida no Humanisme Intégral de 1936.

 

 

 

Idealismo absoluto de Platão Considera que a ideia é um mundo exterior à matéria, que as ideias não podem misturar-se com a matéria, sob pena de se contaminarem.

 

Idealismo absoluto de Hegel O método passa a ser universal, assente na lei do devir, a lei das coisas, o sistema que as explica, ao contrário dos métodos do anterior cientismo que só valiam para um certo objecto. Com tal idealismo absoluto nega-se qualquer limite ao próprio conhecimento, dado admitir-se que as próprias formas de pensamento são também formas de realidade. O próprio mundo dos conceitos passa a ser composto por ideias sempre em movimento, onde o conceito sucessivo é sempre mais rico que o precedente, onde o absoluto devém dialecticamente, através da tese, da antítese e da síntese, porque a luta é a lei de todas as coisas.

 

 

 

Idealismo alemão Para Camus, procurou substituir Deus pela história, o euqilíbrio antigo pela tragédia moderna e a noção de natureza humana pela de situação.

14Hartmann, Nicolai, A Filosofia do Idealismo Alemão, trad. port., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1976. 4Luís Cabral de Moncada, O Idealismo Alemão e a Filosofia do Direito em Portugal, Coimbra, 1938.

 

Idealismo e Direito, 1910 Conferência proferida por Paulo Merêa reagindo contra o discurso positivista da tomada de posse do novo reitor da Universidade de Coimbra, Manuel de Arriaga.

 

Idealismo libertário Qualificação dada ao anarco-idealismo de William Godwin.

 

Idealismo mágico Novalis proclama que a pátria do homem é o seu mundo interior, defendendo que o mundo deve ser romantizado, dado que importa conferir alto sentido ao que é comum, aparência misteriosa ao que é ordinário e dignidade incógnita ao que é conhecido. Para tanto, aponta como meta um regresso tanto à Idade Média como ao espírito da Reforma: o problema supremo da cultura é o de se apropriar do próprio eu trancendental, de ser, ao mesmo tempo, o eu do próprio eu. Por isso surpreende pouco a falta de percepção e de inteligência completa dos outros. Sem uma perfeita compreensão de nós mesmos não é possível conhecer verdadeiramente os outros. Assim, chega mesmo a considerar que a poesia é o autêntico real absoluto. Isto é o cerne da minha filosofia. Quanto mais poético, mais verdadeiro. Proclama até que estamos em missão; somos chamados para a formação da terra.

 

Idealismo platónico O elemento fundamental do pensamento platónico reside na respectiva teoria das ideias ou formas, consideradas como as coisas que realmente são, o ser, e que se distinguiriam das coisas que acontecem, dado que estas apenas estariam entre o ser e o não ser. Só a ideia é aquilo que gera, aquele princípio que não muda, aquilo que é necessário e permanente, aquilo que auto-subsiste, a causa de toda a mudança, dado que aquilo que acontece não passaria da ideia que devém, do mero contingente, do que é composto de mudança. As ideias, enquanto coisas perfeitas e auto-subsistentes, não são visíveis, aos olhos dos homens concretos, devido ao seu esplendor, pelo que só o espírito as consegue vislumbrar e apreender. O fulcro deste conceito está na respectiva metáfora do sol (), onde tal estrela está para o mundo visível como a ideia de bem para o mundo do inteligível. A luz equivale à verdade, os objectos da visão — como as cores — aos objectos do conhecimento, como as ideias; a faculdade da visão, à faculdade da razão; o exercício da visão, ao exercício da razão; e a aptidão para ver, à aptidão para conhecer. É daqui que surge a célebre alegoria da caverna, onde, segundo as próprias palavras de Platão, o homem começa por ver-se livre das suas algemas; depois, abandonando as sombras, dirige-se para as figuras artificiais e para a luz que as ilumina. Por fim, sai deste lugar subterrâneo para subir até aos sítios que o sol ilumina; e como os seus olhos, débeis e ofuscados, não podem fixar-se imediatamente nem nos animais nem nas plantas, nem no sol, recorre às imagens dos mesmos pintadas na superfície das águas e nas suas sombras, mas estas sombras pertencem a seres reais e não a objectos artificiais, como acontecia na caverna; e não estão formadas por aquela luz, que o nosso prisioneiro tomava pelo sol. O estudo das ciências que temos falado produz o mesmo efeito. Eleva a parte mais nobre da alma até à contemplação do mais excelente dos seres; como no outro caso, o mais penetrante dos órgãos do corpo eleva-se à contemplação do mais luminoso que há no mundo material e visível (). Por outras palavras, as nossas faculdades da sensibilidade e da imaginação apenas conseguem apreender imagens. Se, pela opinião e pela crença, conseguimos aceder a totalidades, eis que, contudo, ainda estamos no domínio das coisas visíveis. Para atingirmos as coisas invisíveis ou inteligíveis são necessárias outras faculdades, onde não basta a razão que apenas nos consegue levar ao nível das coisas invisíveis inferiores, aos conhecimentos científicos racionais. Para chegarmos às coisas invisíveis superiores só através da contemplação intelectiva. Só que, para atingirmos este quarto momento, precisamos de recorrer ao mito, a única hipótese que tem o homem de conseguir a referenciação total... Seguindo as próprias palavras de Platão, só aquele que renunciar em absoluto ao uso dos sentidos pode elevar-se. Só através da razão, alguém pode aceder à essência das coisas; e se continua a suas investigações até que perceba mediante o pensamento da essência do bem, chegou ao término dos conhecimentos inteligíveis, assim como o que vê o sol chegou ao término do conhecimento das coisas visíveis (). A ideia é o esplendor da luz, mas os nossos olhos sensíveis não conseguem olhar o sol de frente, embora tenhamos de tentar olhar o sol de frente. As ideias (de eidos) são os paradigmas (de paradeigma ou modelo eterno). E só é possível a participação das coisas nas ideias através das imagens ou dos reflexos (eikon). As ideias estão separadas da matéria, são um subsistente completo, algo que vem de fora. Assim a ideia de justiça. Ela tem um supremo esplendor, é perfeita e, logo, perfeitamente justa. Mas o respectivo brilho não permite que a mesma seja vista pelos nossos olhos. A ideia de justiça só é visível através dos olhos do espírito, não passa daquilo que tentamos descobrir quando nos interrogamos sobre o que é? a coisa justiça, ou sobre o que é? a natureza da justiça. A ideia de justiça não pode estar nas coisas, devendo, portanto, ser separada delas. É uma espécie de coisa matemática que nunca é encontrada nas coisas sensíveis. Tal como uma linha traçada num papel ou na areia nunca é uma linha no sentido matemático. Tal como a canidade (isto é, o carácter específico dos cães) tem de ser o verdadeiro cão. A ideia faz, portanto, parte de uma realidade supra-sensível, estável e eterna. Neste sentido, também a polis surge como um modelo que não passa de cópia (eikon) de um arquétipo, de uma forma ou de um plano proveniente do passado que se apresenta como o princípio. Logo, pesquisar aquilo que deve-ser transforma-se na procura do tempo perdido, da Idade de Ouro, do de onde se vem que é também o para onde se vai. E é a divindade que nos guia nessa revolução circular. Contudo, o movimento pode ser abandonado a si mesmo. O giro do corpo esférico em redor do seu próprio eixo pode rodar no sentido oposto ao do seu próprio movimento, numa mudança de direcção que leva a destruições e a cataclismos, mas a que se seguem regenerações parodoxais, onde os cabelos brancos dos velhos voltam a escurecer, os adolescentes retomam as dimensões dos recém-nascidos e os cadaveres dos mortos se diluem no chão, nascendo então a raça dos filhos da terra que, ao sair da terra regressam à vida, sem guardarem lembrança das anteriores condições da respectiva existência.

 

Ideal-realismo Postura assumida por Hauriou e Gurvitch. Já antes havia sido defendida por Schleiermacher, quando proclamava a necessidade de unidade entre sujeito e objecto.

 

Ideen zu einer Geschichte der Menschheit in Weltbürgerlicher Absicht, 1784 Nesta obra, A Ideia de uma História Universal sob o ponto de vista cosmopolita, Kant defende uma república universal em que cada Estado, mesmo o mais pequeno, pudesse esperar a sua segurança e os seus direito, não do seu próprio poder ou do seu próprio juízo jurídico, mas apenas dessa grande sociedade das nações (foedus amphictyonum), duma força unida e da decisão da vontade comum fundamentada em leis. A república universal (Weltrepublik) em Kant constitui, assim, um mero princípio regulativo, enquanto imperativo categórico, impondo um Estado-razão, enquanto exigência para se superar o estado de natureza e estabelecer o reinado do direito na sociedade das nações. E isto porque a paz pelo direito não é uma quimera, mas um problema a resolver, consequência do reinado do direito, que o progresso um dia estabelecerá. Nessa obra, Kant considera que o maior problema da espécie humana, a cuja solução a natureza força o homem, é o estabelecimento de uma sociedade civil, que administre universalmente o direito, isto é, a criação de uma sociedade, em que a liberdade, submetida a leis externas, se encontre ligada, o mais estreitamente possível, a um poder irresistível, isto é, à criação duma constituição civil e perfeitamente justa. Ora este problema é, simultaneamente, o mais difícil e o que mais tardiamente é resolvido pela espécie humana, porque o problema do estabelecimento de uma constituição civil perfeita depende do problema das relações legais entre os Estados, e não pode ser resolvido sem se encontrar a solução deste segundo. Acrescenta que, por visionária que esta ideia possa parecer... ela é todavia a inevitável saída do estado de miséria em que os homens se põem uns aos outros, miséria essa que há-de forçar os Estados (por muito que lhes custe) exactamente à resolução a que foi forçado, embora contra a sua vontade, o homem selvagem: a de renunciar à sua brutal liberdade e procurar tranquilidade e segurança numa constituição legalmente estabelecida. Assim, todas as guerras são apenas outras tantas tentativas (não na intenção dos homens, mas na da natureza) para suscitar novas relações entre os Estados, e, através da destruição, ou pelo menos do desmembramento dos antigos, formar novos corpos, que por sua vez não são capazes de se manter em si mesmos ou em relação aos outros, pelo que terão de passar por novas e semelhantes revoluções; até que, finalmente, em parte devido à melhor ordenação possível da constituição civil, internamente, em parte devido a acordos comuns e à legislação, externamente, se conseguirá um estado de coisas que, à semelhança de uma comunidade civil, será capaz de se manter por si mesmo como um autómato.

 

Ideen zur Philosophie der Geschichte der Menscheit, 1784 - 1791 Obra de Johan Gottfried Herder (1744-1803), o inventor dessa entidade espiritual colectiva chamada povo (das Volk), enquanto comunidade total, consciente de si mesma, considerava que a característica mais importante da história era a variedade e a individualidade apresentadas pelas diferentes nações: tal como a água de uma nascente recebe do solo donde brota a sua composição, as suas qualidades actuantes e o seu sabor, assim o antigo carácter do povo proveio de traços raciais, do clima, do tipo de vida e da educação, das ocupações primitivas e das acções peculiares a cada um desses povos. Os costumes dos antepassados enraizaram-se profundamente e tornaram-se protótipo íntimo da raça. Considerado o pai do nacional-romantismo e do pan-eslavismo. Para ele, a divisão da humanidade em povos seria uma parte do plano da criação, onde cada povo teria a sua própria missão. Assim, as culturas nacionais seriam auto-manifestações divinas e progressivas. Só através de um povo é que o homem poderia participar na humanidade. A nação deixa de ser mera categoria política prática e simples sociedade atomisticamente concebida, e vai procurar raízes no conceito de Volk, como um povo orgânico, marcado por uma unidade de língua e de cultura e consciente de constituir uma unidade. Passa-se assim da nação-contrato para a nação-génio, aquela entidade a que vai atribuir-se uma alma colectiva, o Volksgeist, que faz dela uma totalidade englobante, mas a que se dá uma raiz naturalista. Para Herder, como nota Vítor Aguiar e Silva, a nação é um organismo dotado de um espírito próprio, espírito que se desenvolve ao longo do tempo, mas que não se modifica na sua essência, e que constitui a matriz de todas as manifestações culturais e institucionais de uma nação. Assim se compreende que o mesmo declare: o Estado mais natural é um Estado composto de um só povo, com um só carácter nacional. Um povo é um crescimento natural, assim como uma família, apenas mais amplamente difundido. [... ] Como em todas as comunidades humanas [... ] também, no caso do Estado, a ordem natural é a melhor, isto é, a ordem em que cada um desempenhe aquelas funções a que o destinou a natureza. Um povo que é visto como uma espécie de homem em ponto grande, dotado de uma imanência, à imagem e semelhança da vida interior da pessoa. Onde haveria forças vivas humanas que gerariam caracteres nacionais específicos porque tal como a água de uma nascente recebe do solo donde brota a sua composição, as suas qualidades actuantes e o seu sabor, assim o antigo carácter dos povos proveio de traços raciais, do clima, do tipo de vida e da educação, das ocupações primitivas e das acções peculiares a cada um desses povos. Neste sentido, a vida de cada povo é comparada ao desenvolvimento de uma planta onde a cultura de um povo é a flor da sua existência, pela qual ele se revela duma forma deveras agradável, mas transitória, pelo que a sanidade e duração de um estado não dependem do grau máximo da sua cultura, mas de um sábio ou feliz equilíbrio das suas forças vivamente activas. Quanto mais fundos forem estes alicerces vivos do seu centro de gravidade, mais firme e duradouro ele será (ver a trad. cast. Obra Selecta, Madrid, Alfaguara, 1982).

 

 

Ideen zu einem Versuch die Grenzen der Wirksamkeit des Staates zu bestimmen, 1792

Obra de Wilhhelm von Humboldt, Consideração sobre as tentativas de limitar a acção do Estado, escrita em 1792, mas só publicada na íntegra em Breslau, em 1851. Em 1792 houve apenas publicações parcelares da obra em Leipzig (na revista Thalia, dirigida por Schiller) e em Berlim; cfr. trad. ing. de J. W. Burrow, The Limits of State Action, Cambridge, Cambridge University Press, 1969). Considera o Estado como um mal necessário, salientando que todas as formas de intervenção deste têm consequências prejudiciais até porque os cuidados excessivos do Estado influem negativamente sobre a energia e o carácter moral. Daí defender que o Estado seja libertado de qualquer cuidado para com o bem positivo dos cidadãos; que não intervenha em mais do que é necessário para lhes dar segurança interna e externa; que nunca lhes limite a liberdade para uma finalidade diferente. É que o Estado não tem o direito de se ocupar das coisas privadas dos cidadãos desde que não ataquem os direitos de outrem. O que corresponderia às exigências dos modernos que apenas devem preocupar-se com a prosperidade, ao contrário dos antigos que procuravam a virtude.

 

Idées. Introduction à la Philosophie. Platon, Descartes, Hegel, Comte, 1939  Obra de Alain (1868-1951) A lógica da ordem, que é a lógica, exige que comecemos pelo começo, pelo que é o mais abstracto e o mais simples. A contradição não é um pequeno acidente nos nossos pensamentos, nós não pensamos a não ser através de contradições sobrepostas". "o poder torna louco e o poder absoluto, absolutamente torna louco" Paris, Éditions Hartmann, 1939)

 

Ideia. Do grego eidos, através do lat. idea. A representação formal de um objecto, no sentido restrito de ideia intelectual, distinta das imagens que se formam no nosso espírito quando imaginamos determinados objectos. O mesmo que forma ou paradigma. Segundo Platão, as coisas que realmente são, o ser, distinguem-se das coisas que acontecem, das coisas que estão entre o ser e o não-ser. Neste termos, salienta que as ideias estão separadas da matéria, são um subsistente completo. São as coisas perfeitas, auto-subsistentes.  Ideia é aquilo que gera, aquele princípio que não muda, aquilo que é necessário e permanente, aquilo que auto-subsiste, a causa de toda a mudança.

 

 

Identidade Do latim idem, igualdade e continuidade. A qualidade daquilo que é idêntico, o estado de uma coisa que não se modifica. Para Deutsch, no sistema politico,  memória surge como fonte da individualidade e da autonomia de um determinado sistema, atribuindo-lhe identidade, isto é, permitindo que surja um povo, entendido por Deutsch como uma comunidade de significações partilhadas.

 

Identidade, Conhecimento e  Para Kelsen, "a identidade do objecto do conhecimento não está garantida senão pela identidade do processo cognoscitivo, isto é pela identidade da direcção, dos caminhos do conhecimento".

 

 

Identidade, Filosofia da Hegel vem estilhaçar aquela lógica que se baseava em princípios como os da identidade e da contradição, onde uma coisa só podia ser ela própria e não outra e não podia ser ela própria e não ela própria. A partir de então, eis que o que é razoável existe efectivamente e o que existe efectivamente é razoável (was vernünftig ist, ist wirklich, und was wirklich ist, ist vernünftig). Dá-se assim o que ele também qualificou como a demolição da dialéctica da reflexão subjectiva. Porque, compreender o que é, é a tarefa da filosofia, mas o que é, é a razão (was ist, ist die vernunft). E a filosofia chega sempre mais tarde, quando as sombras da noite começam a cair é que levanta voo o pássaro de Minerva.

 

Identidade nacional Para Cánovas del Castillo a nação tem uma alma, um princípio psicológico que "consiste na identidade de recordações, de sentimentos e de esperanças e na unidade do próprio carácter, que faz com que cada uma seja diferente das outras, assinalando‑lhe uma peculiar missão para a obra universal do progresso humano". John Stuart Mill, analisando o sentimento nacional, considera que o mesmo "pode ter sido engendrado por diversas causas: é por vezes o efeito da identidade de raça e de origem; muitas vezes a comunidade de língua e a comunidade de religião contribuem para o fazer nascer; os limites geográficos, igualmente. Mas a causa mais poderosa  de todas é a identidade de antecedentes políticos, a posse de uma história nacional, e, por conseguinte, a comunidade de recordação, o orgulho e humilhação, o prazer e o pesar colectivos ligam‑se aos mesmos incidentes do passado. Contudo, nenhuma destas circunstâncias é indispensável ou absolutamente suficiente por si só". Gustav Radbruch salienta que "assim como o organismo conserva a sua identidade sob a transformação das células, do mesmo modo os povos conservam a sua inalterável unidade, a unidade não só de todos os seus actuais membros, como dos passados e futuros". Pierre Bourdieu observa que "qualquer unificação que assimile aquilo que é diferente, encerra o princípio da dominação de uma identidade sobre outra, da negação de uma identidade por outra". O modelo francês de construção da nação, utilizando serviço militar obrigatório e a escola primária obrigatória, criou uma espécie de motor moral de uma unidade de memórias e de língua, a fábrica de recordações e de solidariedade.Para além do sistema escolar e do sistema da conscrição, duas importantes formas de controlo do sistema de socialização, o modelo foi desenvolvendo outras formas como a participação em eleições nacionais e o próprio aproveitamento de certas competições desportivas. Isto é, o aparelho estadual tratou de promover uma unificação identitária, tratou de impor um sistema de valores e de normas nacionais em torno do qual se cristaliza a identidade da nação. A nossa Lei de Defesa Nacional fala na "consciência da identidade nacional".

 

 

Ideologia Termo inventado pelo sensualismo de Destutt de Tracy, em 1796, em Project d’Élements d’Idéologie, querendo significar ciência das ideias, o estudo sistemático, crítico e erapêutico dos fundamentos das ideias. Sofre logo uma rápida evolução semântica: de ciência das ideias passa a aspiração reformista envolvendo um programa político. Conforme a definição de Marcel Prélot, teses ligadas entre si e referidas a um princípio, dando origem a um plano intelectual de organização política, o qual constitui igualmente um todo ligado e coordenado. Para Jean Touchard, uma ideia política que tem peso social, uma pirâmide com vários andares; no vértice, a doutrina, aquilo a que os marxistas chamam praxis; em seguida, as vulgarizações; depois, os símbolos e as representações colectivas.

 

A ideologia depressa passou a uma criatura que ultrapassou os limites conceituais que lhe foram estabelecidos pelo criador. É um sistema de pensamentos, um conjunto de pensamentos estratificados, um conjunto autónomo sujeito a leis próprias de desenvolvimento. Por outro lado, passou a significar uma espécie de programa político reformista, ligado aos amanhãs que cantam. Em terceiro lugar, a ideologia é um sistema de ideias conexas com a acção (Carl J. Friedrich), exigindo uma estratégia para a actuação.

 

— Ideologias e ideias. — Ideologias e doutrinas. — Ideologias e religiões seculares. — Ideologia e ideal histórico concreto. A tese de Jacques Maritain. — O conceito marxista de ideologia. O conceito de falsa consciência. — A definição politológica de ideologias como sistemas de ideias com peso social. Teses de Raymond Aron, Cabral de Moncada e Adriano Moreira.

 

Elementos da ideologias (racionais, emotivos, míticos). — O discurso político e a ideologia. A conquista do poder como conquista da palavra. — Ideologia e utopia. A utopia como subversão e a ideologia como justificação da instituição existente (Paul Ricoeur). A procura da cidade ideal. A tese de Karl Mannheim (1929). A posição de António Marques Bessa. — Mitos. Função explicativa, função justificativa e função contestatária. — O peso social. A sociedade de massas. Opinião pública e opinião crítica. Nestes domínios, prossegue o estudo das ideologias.

 

Para não falarmos de Mannheim [1929], refiram-se os trabalhos de Lane [1962], Allardt [1964], Ramon Real [1964], Brian Nelson [1966], Connoly [1967], Lichtein [1967], Harris [1968], Zeitlin [1968], Colleti [1969], Plamenatz [1970], Rejai [1971 e 1991], Bluhm [1974], Drucker [1974], Vallet de Goytisolo [1974], Seliger [1976], Norberto Bobbio [La Ideologia e il Potere in Crisi, Florença, 1981], Manuel Pastor [1981 e 1988], Bracher [1984], Blas Guerrero [1985], McLenan [1986], Ingersoll e Matthews [1991], Heywood [1992], Sargent [1993], Baradot [1994], Hulliung e Macridis [1995], Andrew Vincent [1995], Schumaker, Kiel e Heilke [1996]. Na relação entre ideologias e partidos, refira-se Hagopian, Budge e Robertson [1987]. Sobre a questão do declínio, crepúsculo ou fim das ideologias, Bell [1955 e 1960], Shils [1955 e 1968], Fernandez de la Mora [1965], Germino [1967], Waxman [1968], Di Palma [1973], Thomas [1975], e Shtromas [1994]. Uma problemática também salientada em Portugal com Barrilaro Ruas [Ideologia. Ensaio de Análise Histórica e Crítica, Lisboa, Biblioteca Social e Corporativa, 1960], Adriano Moreira [1964], Moncada [1974], e Madureira Pinto [1978].

 

} Allardt, Erik,, Littunen, Y., Cleavages, Ideologies and Party Systems, Helsínquia, Bookstore, 1964 [reed., Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1970]. } Baradat, Leon P., Political Ideologies. Their Origins and Impact, 5ª ed., Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1994. }Blas Guerrero, André, Nacionalismos e Ideologias Políticas Contemporáneas, Madrid, Ediciones Espasa-Calpe, 1985. } Bluhm, William T., Ideologies and Attitudes. Modern Political Culture, Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1974. } Bobbio, Norberto, La Ideologia e il Potere in Crisi, Florença, 1981. } Bracher, Karl Dietrich, The Age of Ideologies. A History of Political Thought in the Twentieth Century, Nova York, Saint Martin’s Press, 1984. }Colleti, Lucio, Ideologia e Società, Bari, Edizioni Laterza, 1969. } Connolly, William. E., Political Science and Ideology, Nova York, Atherton Press, 1967. } Drucker, H. M., The Political Uses of Ideology, Basingstoke, Macmillan Press, 1974. } Goytisolo, Juan Vallet, Ideologia, Práxis e Mito da Tecnocracia, trad. port., Lisboa, Restauração, 1974. } Hagopian, M., Regimes, Movements and Ideology, Harlow, Longman, 1984. }Harris, Nigel, Beliefs in Society. The Problem of Ideology, Londres, C. A. Watts, 1968. } Heywood, Andrew, Political Ideologies. An Introduction, Basingstoke, Macmillan Press/Nova York, Saint Martin’s Press, 1992. } Ingersoll, David E., Matthews, Richard K., The Philosophic Roots of Modern Ideology. Liberalism, Communism, Fascism, 2ª ed., Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1991. }Lane, Robert E., Political Ideology. Why the American Common Man Believes What He Does, Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1962. } Lichtein, Georges, The Concept of Ideology and Other Essays, Nova York, Random House Publishers, 1967. } McLellan, David, Ideology, Minneapolis, University of Minnesota Press, 1986 [trad. port. A Ideologia, Lisboa, Editorial Estampa, 1987]. }Nelson, Brian R., Western Political Thought. From Socrates to the Age of Ideology, 2ª ed., Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1966. }Pastor, Manuel,, ed., Ideologias y Movimientos Políticos Contemporáneos, Madrid, Universidade Internacional Menendez Pelayo, 1981. } Plamenatz, John, Ideology, Londres, Pall Mall Press, 1970. }Real, Alberto Ramon, Las Ideologias Politico-Sociales. Su Pretendida Declinación, Montevideo, 1964. } Rejai, Mostafa, Political Ideologies. A Comparative Approach, Armonk, Sharpe Books, 1991. }Idem, ed., Decline of Ideology?, Chicago, Aldine de Gruyter, 1971. } Sargent, Lyman Tower, Contemporary Political Ideologies. A Comparative Analysis, 9ª ed., Belmont, Wadsworth, 1993. } Schumaker, Paul D.,  Kiel, Dwight, Heilke, Thomas, Great Ideas/Great Schemes. Political Ideologies in the Nineteenth and Twentieth Centuries, Nova York, MacGraw-Hill, 1996. } Seliger, M., Ideology and Politics, Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1976. } Vincent, Andrew, Modern Political Ideologies, 2ª ed., Oxford, Basil Blackwell Publishers, 1995.  Zeitlin, Irving, Ideology and the Development of Sociological Theory, Englewood Cliffs, Prentice-Hall, 1968.

 

Ideologias, Fim das Na década de cinquenta deste século, entre as angústias do pós-guerra e as dramas existenciais da guerra fria, emerge a tese do apaziguamento ideológico, do declínio ideológico ou do crepúsculo das ideologias. É quando Raymond Aron escreve L’Oppium des Intelectuels (1955), para, dez anos depois, dissertar sobre Fin des Idéologies. Renaissance des Idées. Segue-se Jean Meynaud que elabora a tese Le Déclin des Idéologies (1961).

Sobre a questão do declínio, crepúsculo ou fim das ideologias, Bell [1955 e 1960], Shils [1955 e 1968], Fernandez de la Mora [1965], Germino [1967], Waxman [1968], Di Palma [1973], Thomas [1975], e Shtromas [1994].

 

 

Ideologismos. Diz-se de pensamentos desligados ou independentes da acção. essas imaginações do pensamento, que, conforme refere Emmanuel Mounier, " correm o risco   permanente de fazer passar por cima, isto é, ao lado da história, as forças espirituais com que nós queremos animar a história. Umas vezes tomam a forma de um racionalismo mais ou menos rígido. Constroem então com ideias ou, mais recentemente , com considerações técnicas de teóricos, um sistema coerente que pensam impõr à história unicamente pela força da ideia. Quando a história viva ou a realidade do homem lhes resiste, creem ser tanto mais fiéis à verdade quanto mais aperram ao sistema, tanto mais puros quanto mantém a sua utopia em imobilidade geométrica".

 

Idéologues Nome dado a um movimento surgido em França em torno dos discípulos de Condorcet, Destutt de Tracy e P. Daunou, mas a que também aderem Cabanis, Volney e Laromiguière, e que editavam a revista Décade Philosophique. Em nome da ideologia como ciência das ideias são os continuadores do sensualismo. Fundam um modelo de republicanismo hostil aos jacobinos e embora adiram a Napoleão não deixam de se assumir uma espécie de oposição de esquerda dentro deste sistema, não concordando com as restrições à liberdade. Emitem então um periódico, dito Décade Philosophique que será suspenso por Napoleão.

 

Idiotes Na Grécia antiga fazia-se o contraste entre o koinón, equivalente ao público, e o ídion, o equivalente ao privado. Deste último termo, veio a expressão pejorativa idiótes, com o sentido de vulgar, de ignorante, de pessoa que apenas se preocupava consigo mesmo, em oposição ao polítes, ao cidadão. Deu em latim, idiota, o mesmo que estúpido.

 

Idolatria. A adoração dos ídolos, do gr. eidolom, figura que representa uma divindade.