Respublica           Repertório Português de Ciência Política            Total: S/Sa
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                © José Adelino Maltez. Última revisão em: 20-02-2009
 

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Lista de artigos

Artigos em grosso

SA

Sá, Alexandre José Botelho de Vasconcelos e

Sá, Barros e

Sá, Costa e

Sá, Diogo de (sec. XVI)

Sá, Luís Viana

Sá, Victor

Saavedra Fajardo, Diego de

Sabato, Larry J.

Saber.

Sabine, George Holland

Sabóia

Sabotagem

Sabourin, Paul

Sacchi, Bartolomeu

Sacco-Vanzetti

Sacerdotium/ Imperium

Sacor, Grupo

Sacralização do Poder

Sacramento

Sacramento, Mário

Sacro Império Romano-Germânico

Sagrado na sociedade moderna

Sahlins, Marshall

Saint Exupéry, Antoine

Saint Gall

Saint-Geours, Jean

Saint-Germain, Tratado de

Saint-Just, Louis

Saint-Pierre, Abade de

Saint-Simon, conde de (

Saitta, A.

Sakharov, Andrei (

Salazar, Abel

Salazar, Oliveira

Saldanha, João Carlos

Saldanha, José Sebastião

Salema, João de Sande Magalhães Mexia

Salema, José de Sande Magalhães Mexia

Sales, Alberto

Salgado, Plínio

Salgueiro, D. Manuel Trindade

Salgueiro, Eduardo 

Salgueiro, João

Salgueiro, Prestes

Salisbury, John of

Salomon, Jean-Jacques

Salter. Arthur

Salus populi  (

Salut publique (

Salvadori, M.

Salvi, S.

Samarine, Yuri

Sammllungs Politik

Sampaio Bruno

Sampaio Pimentel, Adrião Pereira Forjaz

Sampaio, Conde de

Sampaio, Nélson de Sousa

Sampson, R. V.

Samurai 

Sanção

Sanches , Júlio Gomes da Silva

Sanches, António Nunes Ribeiro

Sanches, Rui Alves da Silva

Sanchéz Agesta, Luís

Sanchéz Albornoz, Claudio

Sancho Izquierdo, Miguel

Sandel, Michael J.

Sanders, David

Sanders, Ralph

Sandino, César Augusto (

Saneamento de Professores

Sanford, Nevit

Sangnier, Marc

Sanguinetti, Gianfranco

Santa Aliança

Santamaria, Julian

Santana, Manuel Fernandes

SANTARÉM, 2º Visconde de (

Santa-Rita, José Gonçalo

Santesmases, Antonio García

Santi Romano

Santíssimo Sacramento, Francisco Do (1610-

Santo Ofício, Conselho geral do

Santos Júnior, A. R. (

Santos, António Pedro Ribeiro

Santos, Boaventura Sousa

Santos, Clemente José dos

Santos, Delfim

Santos, Eduardo

Santos, Fernando Matoso dos

Santos, Fernando Piteira

Santos, Francisco Inácio Pereira dos

Santos, J. Pinto dos

Santos, José Beleza dos

Santos, José Domingues dos (

Santos, Machado

Santos, Manuel Pinto

Santos, Wanderley Guilherme dos

Santuário

Sanz del Rio, Julián

São Januário, 1º Visconde de (1829-1901)

São Luís, Frei Francisco de

São Marino

SÃO PAULO ou Paulo de Tarso

São Tomás, Frei João de

Saraiva, António José

Saraiva, António Ribeiro (

Saraiva, José Hermano (

Saraiva, Rocha

Sardenha, Reino da

Sargent, Lyman Tower

Sarmento, Alexandre de Morais

Sarmento, Critóvão de Morais

Sarmento, Morais

Sarmento, Morais

Sarre

Sartori, Giovanni

Sartre, Jean-Paul

Satyagraha

Saudosismo

Sauer, Wilhelm

Saussez, Thierry

Saussure, Ferdinand de  (

Sauvy, Alfred

Savas, E. S.

Savigny, Friedrich Carl Von  (

Saxe

Saxónia

Say, Jean-Baptiste

 
SA Tropas de assalto Sigla de Sturm Abteilung. Organização paramilitar nazi, nascida dos chamados serviços de segurança do partido. Usavam camisa castanha e chegam a contar em 1931 com cerca de 4,5 milhões de membros, quando as forças armadas regulares estavam reduzidas a 100 000 membros apenas. A organização que começa por ser liderada por Ernst Rohm adoptava a faceta mais anticapitalista e revolucionária dos nazis, tornando-se inconveniente depois de 1933, quando Hitler passou a chanceler e precisava de aliar-se com o chefe do Exército, Hidenburgo, e com os grandes industriais e homens de negócios, enquanto as SA falavam na necessidade de uma segunda revolução. Daí a chamada noite das facas longas de 30 de Junho de 1934, quando são decapitados pelas SS os chefes das SA, transformadas a partir de então em organização desarmada e sem qualquer importância na dinâmica do regime.
 
 
 
Sá, Alexandre José Botelho de Vasconcelos e. Secretário de Estado das colónias de Sidónio Pais, de 15 de Maio a 23 de Dezembro de 1918. Ministro da agricultura no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 17 de Dezembro de 1923.
 
 

Sá, António José de Barros e (n. 1823). Juiz. Deputado regenerador em 1854-1855; 1857-1858; 1858-1859; 1860-1861; 1865; 1865-1868; 1868-1869; 1871-1874. Par do reino desde Maio de 1854. Ministro da justiça do governo de Rodrigues Sampaio, de 25 de Março a 14 de Novembro de 1881.
 
Sá, Diogo de (sec. XVI) Jurista e militar, autor de um tratado De navigatione. Distingue-se no Oriente, nomeadamente nos combates de Chaul, açam Beth, entre 1528 e 1531.
·Tractado dos Estados Eclesiásticos e Seculares. En que por muy breve e claro stillo se mostra como em cada hum delles se pode o christã salvar.
·Tractatus de Primogenitura.
 
4Albuquerque, Martim, O Poder Político no Renascimento Português, Lisboa, ISCSPU, 1966. 4Andrade, António Alberto Banha, «Diogo de Sá», in Estudos Políticos e Sociais, III, 3, 1965, pp. 869- 941.
 
 
 
Sá, Luís Viana Político e universitário português. Deputado e dirigente do PCP. Doutor em ciência política pelo ISCSP. Foi docente de várias universidades privadas e da Universidade Aberta.
1976
·Introdução à Teoria do Estado
 
Lisboa, Editorial Caminho, 1976.
1992
·Eleições e Igualdade de Oportunidades
 
Lisboa, Editorial Caminho, 1992.
1987
·Soberania e Integração na C. E. E.
 
Lisboa, Editorial Caminho, 1987.
1994
·As Regiões, a Europa e a Coesão Económica e Social
 
Lisboa, Edições Cosmos, 1994.
1994
·O Lugar da Assembleia da República no Sistema Político
 
Lisboa, Editorial Caminho, 1994.
1997
·A Crise das Fronteiras.Estado, Administração Pública e União Europeia
 
Lisboa, Editorial Cosmos, 1997. A primeira parte da dissertação de doutoramento, apresentada em Novembro de 1995 e discutida em Janeiro de 1997.
 
Sá, Manuel José Maria da Costa e (1791-1843) Membro da comissão da Academia das Ciências, autora do projecto constitucional de 21 de Outubro de 1820.
 
Sá, Victor
1969
A Crise do Liberalismo e as Primeiras Manifestações das Ideias Socialistas em Portugal (1820-1852)
 
(dissertação de doutoramento), Lisboa, Edições
 
Seara Nova, 1969.
 

 
Saavedra Fajardo, Diego de Autor da razão de Estado cristã
·Idea de un Principe Politico-Christiano. Representado en Cien Empresas
Mónaco, Nicolao Enrico, 1640.
 
Sabato, Larry J., PAC Power. Inside the World of Political Action Commitees, Nova York, W. W. Norton, 1985.
 
Sabine, George Holland
1937
A History of Political Theory
 
[1ª ed., 1937], Hinsdale, Dryden Press, 1981 [trad. cast. Historia de la Teoria Politica, México, Fondo de Cultura Economica, 1965; trad. port. História das Teorias Políticas, São Paulo, Editora
 
Fundo de Cultura, 1964]
 
Sabóia A família de Sabóia, instituída no século XI, numa região alpina, actualmente integrada na França, foi alargando as suas possessões para o sul; nos finais do século XIV, Nice; no século XV, o Piemonte e Monferrato; em 1416, o Imperador fê-los duques de Sabóia; no século XVI, começam a recuar, sendo quase totalmente ocupados pela França, mas apoiados pelos espanhóis, recuparam os domínios italianos e em 1562 já estabelecem a capital em Turim. A região alpina donde foi originária a casa de Sabóia, foi anexada por Napoleão em 1796, tornando-se num departamento francês até 1814; nesta data foi restituída aos antigos soberanos; pelo Tratado de Turim de 24 de Março de 1860, voltou a integrar-se em França, depois de
plebiscito.
 
Sabotagem Do fr. saboter, de sabot, tamanco, o objecto utilizado por alguns operários para paralisar máquinas. Contudo, a expressão foi utilizada pela primeira vez pela Industrial Workers of the World, os wobblies, organização fundada em Chicago no ano de 1905.
 
Sabourin, Paul, L’État-Nation face aux Europes, Paris, Presses Universitaires de France, 1994.
 
Sabugosa, 3º Marquês de. António Maria da Silva César e Menezes (1825-1893). Histórico e, depois, progressista. Ministro do reino no governo de Loulé de 5 de Março a 17 de Abril de 1865. Ministro da marinha e ultramar de 1 Junho de 1879 a 3 de Julho de 1880 no governo de Anselmo José Braamcamp. Par do reino, apresenta em 1869, uma moção de protesto contra o iberismo republicano e socialista. Ver O Conde de Sabugosa. In Memoriam, Lisboa,
Portugália, 1924.
 
Sabugosa, Conde da (1854-1932) António Maria José de Melo César de Meneses, conde de (1854-1932). Membro do grupo dos Vencidos da Vida. Diplomata. Mordomo da casa real.
·Embrechados
1908.
 
Sacchi, Bartolomeu (1421-1481) Em De optimo cive considera como sabedoria ou sapiência, aquilo a que Cícero chamava prudentia, entendendo-a como o conhecimento das coisas divinas e humanas, a primeira de todas as virtudes, e por assim dizer uma nascente donde emanam todos os princípios do recto viver. No fundo, uma síntese entre poder e sabedoria.
 
Sacco-Vanzetti O caso, ocorrido entre 1920 e 1927, constitui uma espécie de affaire Dreyfus norte-americano. Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti eram dois emigrantes italianos, de tendências anarquistas. Presos em 1921 sob a acusação de no anterior terem assassinado uma pessoa durante um assalto à mão armard no Massachusets. As dúvidas quanto às provas recolhidas levam a um grande movimento de solidariedade em torno destes anarquistas, considerados perseguidos pela discriminação étnica e ideológica, não faltando manifestos de intelectuais, manifestações em Roma, bombas em Paris e greves gerais no Uruguai. Acabam por ser executados na cadeira eléctrica em Agosto de 1927. Mas em 1961, novos testes balísticos parecem ter comprovado a culpabilidade de Sacco.
 
 
Sacerdotium/ Imperium A partir do século XI, surge um conflito entre o Imperium e o papado, o Sacerdotium, quando este passa a reclamar poderes temporais, em nome da subordinação da ordem terrena à ordem divina, defendendo uma monarquia papal universal. Invoca-se inclusive uma apócrifa Doação de Constantino, segundo a qual este Imperador cedeu ao Papa a metade ocidental do Império. O conflito vai prolongar-se pelos séculos XII, XIII e XIV, principalmente quando, com os Hohenstaufen, primeiro, se dá a divisão entre os guelfos e os guibelinos, e depois, entre o próprio papa e os vários reis. Numa primeira fase, o conflito teórico dá-se apenas entre os adeptos do poder temporal do papa, os hierocratas, que defendiam a superioridade da Igreja sobre os governantes temporais, e os anti-hierocratas ou antiteocratas, partidários do Imperador, entre os quais se contam autores como João de Paris, Marsílio de Pádua, William de Ockham ou Dante Alighieri. Contudo, a partir do século XIII, com a emergência dos reinos, a res publica christiana, deixou de ser apenas uma diarquia, passando a surgir a tricotomia sacerdotium, imperium, regna. Destacam-se então os autores marcados pelo renascimento do direito romano que, considerando que os reis são imperadores no seu próprio reino, tratam de praticar a imitatio imperii. Mas é também na altura que, com São Tomás de Aquino, se procura uma media via, onde a Igreja passa a dispor de uma auctoritas superlativa que não absorveria a potestas civilis, apenas podendo intervir no poder temporal quando tal fosse necessário para a
realização dos seus fins espirituais.
 
Sacor, Grupo Um dos principais grupos económicos portugueses anteriores a 1974. Começa a partir da refinaria de Cabo Ruivo e alarga-se à refinaria de Matosinhos. Domina a Cidla e a Nitratos de Portugal.
 
Sacralização do Poder Como refere Jules Monnerot, com o Renacimento, tentou transformar‑se a política numa arte que lembra a medicina: o político como médico é, ao mesmo tempo, um homem que sabe, um homem que escolhe e um homem que actua. Resta saber, continuando a citar o mesmo autor, se, a partir de então, essa tendência humana para a sacralização do político não foi mais
 
·Heusch, Luc, «Pour une Dialectique de la Sacralité du Pouvoir», in Le Pouvoir et le Sacré, Bruxelas, Annales du Centre d’Étude des Réligions, 1962.
·Lenharo, Alcir, Sacralização da Política, 2ª ed., Campinas, Editora Papirus, 1986. Sacralização do
poder, 55, 351.
 
 
Sacramento, Francisco do Santíssimo (1610-1689) Carmelita português. Membro do partido do conde de Castelo Melhor.
·Epitome Único da Dignidade de Grande, e Mayor Ministro da Puridade, e da sua Muyta Antiguidade e Excellencia
Lisboa, 1661.
 
Sacramento, Mário Emílio de Morais (1920-1969) Médico de Aveiro. Ensaísta. Ligado ao partido comunista. Organiza o I Congresso Republicano de Aveiro.
 
 
 
Sacro Império Romano-Germânico (Sacrum Romanum Imperium Nationis Germanicae / Heiliges rõmisches Reich deutscher Nation). Fundado por Otão I, o Grande, em 962, apenas vem a ser formalmente dissolvido em 6 de Outubro de 1806; a designação dat do século XV, dado que anteriormente foi sendo conhecido por Império Romano (1034), Sacro Império (1157) e Sacro Império Romano (1254). Começou por ser uma reunião de principados alemães da Saxónia, Francónia, Suábia e Baviera, com influência no norte e centro de Itália que se distinguiam da francie occidentale; Otão III (983-1002) estabeleceu a capital em Roma e sonhou com a renovatio imperii Romanorum; a partir de 1024, acede ao império a dinastia sálica e império passa a dividir-se, sobretudo em virtude do poderio dos senhorios eclesiásticos; emerge a luta entre o sacerdotium  e o imperium que, com a dinastia dos Hohenstaufen (1138-1254) se volve no conflito entre os guelfos e os gibelinos; a política dos Hohenstaufen visou sobretudo evitar a instauração de uma unidade política autónoma no norte de Itália que afastaria a Alemanha do Mediterrâneo; com o imperador Carlos IV, da família Luxemburgo, surge a Bula de Ouro de 1356 que transforma o imperador numa espécie de presidente honorário de uma república aristocrática, donde o poder lhe vem, menos da coroação pelo papa, do que pela eleição dos principados. A constituição fundamental é a Bula de Ouro de 1356, pelo qual se regulava a eleição do Imperador, cabendo a mesma a um colégio de sete eleitores (Kufúrsten), três príncipes eclesiásticos - arcebispos de Colónia, Mogúncia e Trèves - e quatro príncipes laicos - o rei da Boémia, o conde palatino do Reno, o duque da Saxónia e o marquês do Brandeburgo.
A partir de 1440, os imperadores passam sempre a ser eleitos entre a família dos Habsburgos, salva a interrupção de 1742-1745; em 1519, quando o rei de França, Francisco I, se candidata ao lugar, eis que Carlos V confirma a preponderância; com ele se vai assistir à luta religiosa, com os protestantes agregados na Liga de Smalkalde; o modelo vai ser consagrado em 1648. Pelos tratados de Vestefália de 1648, surgiu um oitavo eleitor, o conde palatino Frederico V, cujo voto havia sido dado à Baviera, em 1623; em 1692, surge o nono eleitor, Hanôver; em 1777, com a união da Baviera e do Palatinado, os eleitores voltam a ser oito. Havia uma dieta federal, o Reichstag que, a partir de 1663, passou a reunir-se em Ratisbona, sendo composta por três colégios - o dos eleitores, o dos príncipes do Império e o das cidades; o imperador, depois de eleito, chamava-se rei dos romanos e só depois da coroação em Roma é que adquiria o título de imperador; o último imperador coroado foi Carlos V, já não em Roma, mas sim em Bolonha, em 1530; a partir de Maximiliano I os impradores passaram a usar o título de imperador eleito dos romanos (Romanorum Imperator / erwáhlter rõmischer Kaiser). Desde 1804 que o Imperador passou a assumir-se formalmente como Imperador hereditário da Áustria, mas o sacro império apenas foi formalmente extinto em 6 de Outubro de 1806, depois de Napoleão ter instituído a Confederação do Reno.
 
Sadowa, Batalha de O principal confronto da guerra austro-prussiana, ocorrido em 3 de Julho de 1866, na Boémia, perto de Praga. A vitória dos prussianos, sob o comando de Moltke, leva ao fim da guerra, seis semanas depois, transformando a Prússia na principal potência da Europa Central.
 
Sagrado na sociedade moderna
 1Caillois, Roger, L’Homme et le Sacré, Paris, Éditions Gallimard, 1939. Eliade, Mircea, Le Sacré et le Profane [1ª ed., 1956], Paris, Éditions Gallimard, 1965. Gellner, Ernest, Anthropology and Politics. Revolutions in Sacred Grove, Oxford, Basil Blackwell Publishers, 1995. Girard, René, La Violence et le Sacré, Paris, Éditions Bernard Grasset, 1972.
 
Sahlins, Marshall
Stone Age Economics
Chicago, Aldine-Atherton, 1972
Critique de la Sociobiologie
Paris, Éditions Gallimard, 1980.
 
Saint Gall (Sankt Gallen) Cantão suiço desde 1803
 
Saint-Geours, Jean
1981
L’Imperatif de Coopération Nord-Sud. La Synergie des Mondes
Paris, Librairie Dunod
 
Saint-Pierre, Abade de (1658-1742) Charles-Irinée, capelão da duquesa de Orleães, assessor do cardeal Melchior de Polignac no Congresso de Utreque. Publica, em 1713, um Projet pour rendre la paix perpétuelle en Europe, onde tenta conciliar as várias soberanias da Europa, em três grossos e fastidiosos volumes que têm um Abregé, feito pelo próprio autor, em 1729, com 227 páginas. Recorde-se que, desde 1700, os europeus vivem a guerra de Sucessão de Espanha, com a França de Luís XIV, apenas apoiada pela Baviera, a ter que enfrentar a Grande Aliança de Haia, com as Províncias Unidas, a Inglaterra, o Imperador, a maior parte dos príncipes alemães, Portugal e Sabóia. Ligando o seu projecto ao suposto plano de Henrique IV, diz que o mesmo foi por este rei inventé, e, dedica-o a Luís XIV. O projecto vale evidentemente como mais uma das boas intenções totalmente inadequadas às circunstâncias daquele equilíbrio absolutista e mercantilista, dado que, nos anos seguintes, novas guerras se seguem, aproveitando os pretextos das sucessões, num confronto entre Habsburgos e Bourbons, como a guerra de sucessão da Polónia (1733 - 1738), a guerra da sucessão da Áustria (1740 - 1748) e a guerra dos Sete Anos (1756 - 1763).
É evidente que o projecto não convém aos estadistas de então, dado que não só impõe às soberania existentes os limites do direito como pretende conservá-las ou congelá-las nos limites que tinham atingido.
Estamos em pleno apogeu do século da força e dos Estados em movimento, onde cada soberano adopta a máxima que Hobbes atribui ao Leviathan em 1651: non est potestas super terram quae comparetur ei.
Vive-se um tempo onde a medida do direito é a utilidade e onde cada soberano tem tantos direitos quanto os respectivos poderes. Onde cada Estado é um lobo para os outros Estados, numa guerra de todos contra todos.
Ao contrário do que sucedera com outros projectistas da paz, o Abade vai ser lido pela opinião crítica da république des lettres de então, principalmente por Rousseau e por Kant. Rousseau, por exemplo foi, em 1756, encarregado pela família e pelos amigos do abade de resumir aquilo que qualificava como um fatras de vingt volumes.
 
1713
Project de Paix Perpétuelle
 
3 vols., Utrecht
1729
Abregé
 
Resumo do projecto, feito pelo próprio autor
 
4Assoun, Paul-Laurent, «Abbé de Saint-Pierre», in Dictionnaire des Oeuvres Politiques, pp. 725-730. 4Serra, Antonio Truyol, Historia de la Filosofia del Derecho y del Estado. 2 - Del Renacimiento a Kant, Madrid, Alianza Universidad, 1982, pp. 227 segs..
 
Saint Exupéry, Antoine (1900-1944) Escritor francês. Piloto militar desde 1921, passa à aviação comercial em 1926. Sai de França em 1940 e colabora com a Resistência a partir de Argel em 1943. Desaparece em 31 de Julho de 1944. A sua obra Citadelle, publicada postumamente em 1948, constitui um repositório de máximas ao estilo da Politeia de Platão e de acordo com a tradição de Morus e Campanella. Considera que "não é em nome de um plano que tu trabalhas, tu trabalhas para obter um plano"
1929
Courier du Sud
 
 
1931
Vol de Nuit
 
 
1939
Terre des Hommes
 
 
1942
Pilot de Guerre
 
 
1943
Lettre à un Otage
 
 
1943
Le Petit Prince
 
 
1948
Citadelle
 
Trad. port. de Ruy Belo, Cidadela, Lisboa, Aster, 1973, 3ª ed.
 
Saint-Germain, Tratado de (1919) Tratado de paz entre os Aliados e o Império Austro-Húngaro.
 
Saint-John Perse  Nome literário de Aléxis Saint-Léger (n. 1887). Diplomata e poeta. Colaborador de Aristide Briand, que se exila nos Estados Unidos, a partir de 1940. Prémio Nobel da Literatura em 1960.
 Relatório de 1930 Num relatório intitulado Sur l'organisation d'un régime d'union fédérale européen, comunicado aos diversos governos europeus, em 1 de Maio de 1930. Aliás o memorando era modesto, visando apenas a criação de uma agência federal da Sociedade das Nações com o objectivo de se estabelecer através de uma série de acordos económicos, um mercado comum entre os diversos povos europeus. Mas, contrariamente ao discurso de Setembro, já encarava a questão de forma política, ou melhor dizendo, acentuando a vertente intergovernamental de cooperação política.
 
Saint-Just, Louis Antoine Léon de (1767-1794) Um dos montagnards. Membro do Comité de Salut Public em 1793 e presidente da Convenção em 1794. Guilhotinado juntamente com Robespierre em Julho de 1794. Autor da célebre aforismo segundo o qual o povo faz a revolução; o legislador faz a república... fora das leis tudo é estéril e morto"
"Um povo só tem um inimigo perigoso: é o seu governo"
Segundo Albert Camus foi ele que "introduziu na história as ideias de Rousseau" e o Contrato Social vai, assim, transformar‑se no catecismo de uma "nova religião confundida com a natureza e o seu representante na terra, em vez do rei, o povo considerado na sua vontade geral". Foi a "aurora de uma nova religião, com os seus mártires, os seus ascetas e os seus santos"
1791
·L'Esprit de la Révolution et la Constitution de France
 
1791
1793
·Fragments sur les Institutions Républicaines
 
1793.
 
·De la Nature, de l'État Civil, de la Cité ou les Règles de l'Indépendance du Gouvernement
 
1791 - 1792
 
·Discours et Rapports. Fragments sur les Institutions Républicaines
 
Obra póstuma. Ver a trad. port. Discursos e Relatórios, Lisboa, Editorial Estampa, 1975.
 
·Oeuvres Complètes
 
Paris, Éditions Gérard Lebovici, 1984.
 
 
 
 
Saint-Simon, Claude Henri De Rouvroy, conde de (1760-1825) Oriundo da grande nobreza francesa. Sobrinho do memorialista Louis de Rouvroy. Começa como militar, combatendo na América em 1779. Adere à Revolução em 1789. Preso em 1793-1794, mas não por razões políticas. Apoia Bonaparte. Tem como secretários particulares, Augustin Thierry, em 1814, e Auguste Comte, a partir de 1817. Funda L'Industrie, em 1818, e L'Organizateur, 1819.  Um dos clássicos do socialismo utópico. Descobre a lei dos três estados, inventa a ideia moderna de planeamento e fomenta uma ideia de renovação moral, paralela ao desenvolvimento de grandes obras públicas, influenciando em França o desenvolvimento dos caminhos de ferro e a construção do canal de Suez, bem como a renovação do sistema bancário. Tem, entre nós, reflexos no fontismo.
Comte vai retirar deste autor a ideia de ordem e de física social
Considera que foi Descartes quem organizou a insurreição cientifica. Foi ele que traçou a fronteira entre as ciências antigas e modernas; foi ele que levantou a bandeira a que se acolheram os físicos no ataque aos teólogos; foi ele que arrancou o ceptro do mundo das mãos da imaginação para colocá-lo nas mãos da razão; estabeleceu o célebre princípio 'o homem só deve acreditar nas coisas que a razão admite e a experiência confirma', princípio que fulminou a superstição, que mudou a face moral do nosso planeta.
 
·Lettres d’un Habitant de Genève à ses Contemporains
1802.
·Introduction aux Travaux Scientifiques du XXème Siècle
1807 - 1808.
·Esquisse d’une Nouvelle Encyclopédie
1810.
·Mémoire sur la Science de l'Homme
1813.
·De la Réorganization de la Societé Européenne
1814. Em colaboração com Augustin Thierry.
·L’Industrie ou Discussions Politiques, Morales et Philosophiques dans l’Interet de tous les Hommes Livrés à des Travaux Utiles et Indépendants
1817.
·Du Système Industriel
1820 - 1822.
·Cathécisme des Industriels
1823 - 1824.
·Le Nouveau Christianisme
1825.
 
4Ansart, Pierre, Saint Simon, Paris, Presses Universitaires de France, 1969. ¾ Sociologie de Saint Simon, Paris, Presses Universitaires de France, 1970. 4 Amaral, Diogo Freitas, Ciência Política, III, pp. 12 segs.. 4Barata, Óscar Soares, «Apontamentos de História da Sociologia», in Estudos Políticos e Sociais, 1964, vol. II, nº 1, pp. 134 segs.. 4Brito, António José, «Saint-Simon», in Logos, 4, cols. 868-870. 4Dammame, Dominique, «Saint-Simon», in Dictionnaire des Oeuvres Politiques, pp. 730-739. 4Denis, Henri, História do Pensamento Económico, trad. port., Livros Horizonte, 1973, pp. 379 ss.. 4Gettell, Raymond G., História das Ideias Políticas, trad. port., Lisboa, 1936, pp. 435 segs.. 4Halévy, Élie, História do Socialismo Europeu, trad. port. de Maria Luísa C. Maia, Amadora, Livraria Bertrand, 1975, pp. 79 segs.. 4Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, I, p. 157. 4Theimer, Walter, História das Ideias Políticas, trad. port., pp. 306 segs..
 
Saitta, A.
Dalla “respublica christiana” agli Stati Uniti d’Europa
Roma, Edizioni Scientifiche e Letterarie, 1948.
 
 

 
Sakharov, Andrei (1920-1989) Em 1958 Andrei Sakharov denuncia o sistema soviético, criticando a reforma do sistema de ensino. Em 1966 Apelo de Sakharov ao XXIII Congresso do PCUS no sentido de uma maior desestalinização. Em 1970 Sakharov funda o Comité para a Defesa dos Direitos do Homem (16 de Novembro). Em 1975 Sakharov, Prémio Nobel da Paz (9 de Outubro). Em 1980 Decretado o desterro de Sakharov (22 de Janeiro). Em 1986 Acaba o desterro siberiano de Sakharov (19 de Dezembro).
se não houve um excessivo nacionalismo chinês e a ressurreição do Lebensraum, do anti-intelectualismo, do anti-humanismo levado ao extremo e de determinados preconceitos do socialismo camponês
chegou a apresentar uma proposta de formal extinção do sistema soviético, com a transformação do congresso em Assembleia Constituinte, matéria que, obviamente, foi rejeitada. Se Yeltsine insistia em denunciar a corrupção no seio do PCUS, algumas vozes assumiam a própria excentricidade de enfrentar alguns tabus: o deputado Iuri Kariakine chegou até a propor a destruição do próprio mausoléu de Lenine, considerado a múmia que destruiu a democracia. Em 11 de Dezembro de 1989, o mesmo Sakharov tratou de apelar para uma greve geral a favor do multipartidarismo. No dia seguinte, Gorbatchov enfrentava quase insultuosamente Sakharov no próprio Congresso. Quarenta e oito horas depois, morria Sakharov.
Nesta sequência, em 29/30 de Julho de 1989, um grupo de 400 deputados instituiu o Grupo Inter-Regional dos Deputados do Povo, liderado por Sakharov e onde também se destacavam Boris Yeltsine, Gavril Popov, Yuri Afanassiev e o estoniano Victor Palm. Tal grupo tinha como plataforma a defesa da democracia pluralista, da separação de poderes e da economia de mercado.
·Progresso, Coexistência e Liberdade Intelectual
 [1968], trad. port. de Maria Luísa Pinheiro, Lisboa, Dom Quixote, 1975.
·O Meu País e o Mundo
[1975], trad. port. de Maria Sobral, Lisboa, Dom Quixote, 1975.
 
Saíz, Francisco Xavier Barranco, Tecnicas de Marketing Político, Madrid, Pirámide, 1982.
 
Salamé, Ghassan, Démocraties sans Démocrates, Paris, Librairie Arthème Fayard, 1994.
 
 
 
 
Salazar, Abel de Lima (1889-1946) Médico e filósofo português. A sua dissertação de licenciatura versa sobre os fundamentos filosóficos da psicologia. Professor da faculdade de medicina do Porto desde 1916. Insurge-se contra o dogmatismo e os totalitarismos da direita e da esquerda. Critica o cientismo e considera que a socialização da ciência deve constituir a base para uma reforma democrática das mentalidades. Adopta as perspectivas do neopositivismo. Em 1942 considera que a Europa actual (... ) como a Grécia de outrora, é um conjunto em que a Nação substituiu a "cité". Este conjunto de nações possui uma unidade de civilização, a civilização europeia Este conjunto, estruturado com o conceito orgânico que a Europa historicamente elaborou, tende a ultrapassar este conceito. A unidade de civilização procura a unidade política; simplesmente o novo conceito não está definido: só a elaboração histórica do futuro o poderá definir. Este conceito é, evidentemente, antagónico com o de Nação, como outrora, na velha Grécia, o conceito de nação, em potência, era antagónico com o de "cité". Como a Grécia e Roma, igualmente a actual Europa está enclausurada num dilema; porque ultrapassar o conceito de Nação, seu conceito orgânico, é destruir o actual Sistema Histórico. Por outro lado, manter o conceito de nação é petrificar a história e acentuar o contraste com a unidade de civilização. Nesta unidade está em germe, potencialmente contido, um novo conceito e, portanto, um novo Sistema Histórico. A Europa oscila assim, constantemente e por forma cada vez mais aguda, entre o conceito definido historicamente elaborado, e o conceito futuro, indefinido. Actualmente 'tende' para ele como para qualquer coisa que se desenhe nas brumas do horizonte, sem, no entanto, se poder precisar o que seja.
·Ensaios de Psicologia Filosófica
1915
·A Evolução Histórica do Pensamento
1933.
·A Socialização da Ciência
1933.
·A Ciência e o Direito
1933.
·A Ciência e o Momento Actual
1935.
·Reflexões sobre a História
1935
·A Crise da Europa
Lisboa, Edições Cosmos, 1942.
 
 
 
Salazar, António de Oliveira (1889-1970) Militante do CADC e do Centro Católico. Publica em 1916 A Questão Cerealífera. O Trigo, Coimbra, Imprensa da Universidade. Publica em 1917-1918, no Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, ano IV, pp. 272-345, Alguns Aspectos da Crise das Subsistências. Deputado em 1921. Ministro das Finanças desde 27 de Abril de 1928 a 28 de Agosto de 1940, depois de uma breve passagem pela mesma pasta de 3 a 19 de Junho de 1926. Surge então a chamada ditadura das finanças. Presidente do Ministério em 5 de Julho 1932 (acumulando a pasta das finanças) Presidente do Conselho de Ministros de 1933 a 27 de Setembro de 1968. Responsável pela Constituição de 1933 e criad­­or do Estado Novo. Ministro efectivo das finanças de 18 de Janeiro de 1936 a 28 de Agosto de 1940. Ministro interino das colónias de 21 de Janeiro a 6 de Novembro de 1930. Ministro da marinha interino de 25 de Janeiro a 5 de Fevereiro de 1936. Ministro da guerra interino de 11 de Maio de 1936 a 6 de Setembro de 1944. Ministro dos negócios estrangeiros interino de 6 de Novembro de 1936 a 4 de Fevereiro de 1947. Ministro da defesa nacional de 13 de Abril de 1961 a 4 de Dezembro de 1962. A posse ao seu último governo é em 19 de Agosto de 1968. Tem os seus primeiros sinais de desconexão mental em 4 de Setembro. Morre em 29 de Julho de 1969.
 
·A Questão Cerealífera. O Trigo
Coimbra, Imprensa da Universidade, Estudos de Economia Nacional, 1916.
·«Alguns Aspectos da Crise das Subsistências»
In Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, 1917 - 1918, pp. 272-345.
·A Minha Resposta. No processo de Sindicância à Universidade de Coimbra
Coimbra, Coimbra Editora, 1919.
·Centro Católico Português. Princípios e Organização
oimbra, Coimbra Editora, 1922
·Aconfessionalismo de Estado
Conferência proferida em 14 de Junho de 1925, no X Congresso da Associación Española para el Progresso de las Ciencias, Madrid, Tomo I, pp. 129 ss, 1923.
·A Paz de Cristo na Classe Operária
Conferência proferida em Braga, no Congresso Eucarístico Nacional, em 4 de Julho de 1924; in Primeiro Congresso Eucarístico Nacional, Braga, Empreza Acção Católica, 1924, pp. 168-176.
·Laicismo e Liberdade
Conferência proferida no Funchal, Abril de 1925.
·Discursos e Notas Políticas
Coimbra, Coimbra Editora, 1935 - 1967.
 
}Ferro, António, Salazar. O Homem e a Obra, Lisboa, Imprensa Nacional de Publicidade, 1935. }Nogueira, Franco, Salazar, I - A Mocidade e os Princípios, Coimbra, Atlântida Editora, 1977. }Saraiva, J. Silva, O Pensamento Político de Salazar, Coimbra, Coimbra Editora, 1953. }Cruz, Guilherme Braga, A Revista de Legislação e Jurisprudência. Esboço da sua História, vol. I, Coimbra, 1975, pp. 654 segs..
 Salazarismo (1951-1958) De 1951 a 1958, período correspondente ao mandato de Craveiro Lopes, o regime do Estado Novo viveu um típico situacionismo de guerra fria, marcado pelo domínio de Santos Costa e a emergência da facção de Marcello Caetano. O salazarismo, enredado no modelo neo-fontista dos chamados planos de fomento, pôs fim à hipótese de solução monárquica e enredou-se na falta de solução para o problema ultramarino. Se, do lado situacionista, cresceu a corrupção e a decadência, também a oposição clássica dos reviralhista mostrou total incapacidade, apesar de terem surgido sinais de uma nova oposição vinda dos católicos e dos próprios monárquicos. Conforme observa Mário Soares, o tempo que se seguiu à "eleição" de Craveiro Lopes foi um período de refluxo - de apagada e vil tristeza - para a Oposição, no conjunto das suas diferentes correntes... a oposição, como força organizada e actuante, praticamente, dissolveu-se. O próprio Partido Comunista - com uma armadura importante de funcionários políticos ilegais - sujeito a uma repressão feroz e hesitante entre políticas contraditórias ( foi a época dos "desvios de esquerda", sectaristas, logo seguidos dos "desvios de direita", oportunistas - denunciados com idêntico vigor!) não pôde, praticamente, suscitar, durante este largo período sombrio, uma única situação de perigo para o regime. as classes trabalhadoras, de resto, pareciam mergulhadas em sono letárgico Com efeito, o salazarismo fez um excelente aproveitamento da situação de guerra fria, instrumentalizando a nova divisão surgida na oposição entre os atlantistas e os comunistas. De qualquer maneira, assinale-se o crescente descontentamento dos militares face à política de Santos Costa e a incompreensão no tocante à política ultramarina Na oposição, surgiram, entretanto vários movimentos, quase todos efémeros como a Organização Cívica Nacional (1951) e a Resistência Republicana e Socialista (1953-1954), liderada por Mário Soares que, em 1951, concluiu a respectiva licenciatura em letras e que, entre 1952 e 1957, também se licenciou em Direito, depois de expulso do PCP em 1951. Um grupo que reuniu elementos vindos do Partido Comunista da União Socialista, como Manuel Mendes (antigo militante do MUD Juvenil), Fernando Piteira Santos (expulso do PCP em 1949), Gustavo Soromenho e Ramos da Costa, a que se juntaram, depois, José Ribeiro dos Santos, Teófilo Carvalho Santos, José Magalhães Godinho, Eurico Ferreira e Fernando Homem de Figueiredo. Aliás, foi em nome do grupo que Soares entrou em 1956 para o directório da Acção Democrato-Social, a convite de Adão e Silva. Refiram-se também a Comissão Nacional Democrata (1954), a Causa Republicana (1954-1955), a Frente Nacional Liberal e Democrata (1957) e a Acção Democrato-Social (1956). Este grupo começou por reunir Mário de Azevedo Gomes, Jaime Cortesão e António Sérgio. Entrou depois Mário Soares. O grupo faz, sobretudo, exposições ao Presidente da República, naquilo que Humberto Delgado chama a pequena guerra dos papéisi. O período em causa foi suficientemente relatado pela Carta do Bispo do Porto a Salazar de 13 de Julho de 1958. O prelado, se concordava com a política externa, a política ultramarina e a política económica do salazarismo, já discordava radicalmente da solução dada ao problema social. Salazar em 31 de Maio de 1958 considerava que a greve é entre nós um crime que declarar nós não aceitamos a ideia da incompatibilidade de interesse entre o patronato e o operariado mas a da sua solidariedade permanente, enquanto D. António Ferreira Gomes salientava que o corporativismo português foi realmente um meio de espoliar os operários do direito natural de associação, de que o liberalismo, em 91, os privara, e que tinham reconquistado, penosa e sangrentamente Também Álvaro Cunhal assinalava ser sempre difícil, nas condições do fascismo, determinar nítidas fronteiras entre a legalidade e a ilegalidade. Há a legalidade consentida pelo governo e há a legalidade imposta pelas massas. Há zonas de actividade onde a lei não proíbe, mas tão pouco autoriza. Nessas zonas intermédias entre a legalidade e a ilegalidade, um tipo de actividade determinada não está de antemão qualificado como legal ou como ilegal. As autoridades insistem que é ilegal, porque a lei não autoriza e as massas populares insistem que é legal porque a lei não proíbe. O que decide então é a força relativa ao governo e das massas populares ao defrontarem-se na questão em causa.
 
Saldanha, José Sebastião (1777-1855) José Sebastião Saldanha de Oliveira e Daun. Senhor de Pancas. 1º Conde de Alpedrinha em 1854. Neto, pela parte materna do marquês de Pombal. Filho do 1º conde de Rio Maior. Irmão mais velho de João Carlos Saldanha. Capitão de cavalaria e coronel de milícias. Bacharel em leis. Ajudante de campo do duque de Sussex entre 1801 e 1805. Vítima da setembrizada de 1810. Preso e deportado para os Açores. Maçon desde 1801. Será depois um dos teóricos da contra-revolução. Autor de
·Diorama de Portugal nos 33 Mezes Constitucionaes ou Golpe de Vista sobre a Revolução de 1820 - A Constituição de 1822 - a Restauração de 1823. E Acontecimentos Posteriores até ao Fim de Outubro do mesmo Anno
Lisboa, 1823.
·Revolução Anti-Constitucional em 1823, Suas Verdadeiras Causas e Effeitos
Londres, 1825.
 
 
 
Saldanha, João Carlos (1790-1876) Conde (desde 1827), Marquês (desde 1834) e Duque (desde 1862) de Saldanha. João Carlos Gregório Domingos Vicente Francisco de Saldanha Oliveira e Daun. Filho do conde de Rio Maior e de uma filha do marquês de Pombal. Grão-mestre da Maçonaria do Sul entre 1832 e 1837 (teve aqui como colaboradores, José Liberato Freire de Carvalho e o 4º conde de Lumiares). Figura controversa, mas fundamental do liberalismo monárquico. O general sem exército, o grão-mestre sem lojas, é, sem dúvida o aventureiro napoleónico à maneira do seus mestre La Fayette. Alguém sem vontade de poder, mas que está sempre a saltar para o cavalo do poder. Alguém que se mostra sempre incapaz de organizar os factores de poder e quem nem sequer tem uma ideia firme sobre o que fazer com os sucessivos poderes que vai conquistando ou que lhe oferecem. Dividido entre as emoções  da chefia militar e as conversas de gabinete onde todos lhe reconhecem grande capacidade de sedução. Por esta contradição vai passar quase metade da história do constitucionalismo monárquico.
·Membro do Conselho Conservador em 1808. Militar. Capitão com 17 anos e brigadeiro aos 28.
·Participa na vilafrancada; insta pela aprovação da Carta em 1826.
·Ministro da guerra do governo da regência de D. Isabel Maria, nomeado em 1 de Agosto de 1826. É substituído em 13 de Outubro de 1826 pelo ministro da marinha Costa Quintela, para comandar a repressão face à revolta do Algarve.
·Adoece gravemente e só volta à pasta em 1 de Maio de 1827.
·Acumula os estrangeiros a partir de 8 de Junho de 1827, por Palmela continuar embaixador em Londres.
·Sai deste governo em 26 de Julho de 1827, por ocasião das archotadas.
·Participa na belfastada em 1828.
·Deputado radical em 1834.
·Par do reino em 1834 (nomeado no dia 1 de Setembro, recusa, por ser deputado, e só toma posse em 5 de Janeiro de 1836).
·Presidente do conselho e ministro da guerra, de 27 de Maio a 18 de Novembro de 1835.
·Dirige a revolta dos marechais de 1837. Vai para o exílio depois da convenção de Chaves, mas regressa com a amnistia de 1838.
·Membro da Associação Eleitoral do Centro que concorre às eleições de 1838.
·Senador de 1838 a 1842.
·Volta à presidência do conselho de 6 de Outubro de 1846 a 18 de Junho de 1849, depois do golpe da emboscada, mantendo o cabralismo sem Cabrais.
·Promove a regeneração em 1851, contra o cabralismo.
·Presidente do conselho de 1 de Maio 1851 a 6 de Junho de 1856.
·Promove golpe de Estado de 19 de Maio 1870 e volta à chefia do governo de 19 de Maio a 20 de Agosto do mesmo ano, acumulando a guerra e os estrangeiros.
·Faleceu em Londres em 21 de Novembro de 1876, com 86 anos de idade.
 
 
 
Saldanhada (1870) Na noite de 18 para 19 de Maio de 1870, regimentos militares subvertidos por oficiais que invocam o setembrismo cercam o Palácio da Ajuda e pressionam D. Luís I no sentido da demissão do governo. Saldanha coloca-se à frente dos regimentos rebeldes (caçadores 5, artilharia 3 e infantaria 7), enquanto populares assaltam o castelo de S. Jorge. Tiroteio entre os rebeldes e a guarda do palácio. Saldanha é imediatamente recebido por D. Luís. Na tarde do dia 19, um suplemento ao Diário do Governo, nomeava Saldanha ministro da guerra, mas Loulé recusa referendar o acto. Então, Saldanha é nomeado presidente e ministro de todas as pastas.
 
 
Salema, José de Sande Magalhães Mexia. Juiz. Ministro da justiça do governo de Ávila, entre 5 de Março de 1877 e 29 de Janeiro de 1878.
 
Salema, João de Sande Magalhães Mexia  (1812-1873) Lente de direito desde 1837. Director da faculdade de direito.
·Princípios de Direito Político Aplicados à Constituição Política da Monarquia Portuguesa de 1838 ou a Teoria Moderada do Governo Monárquico Constitucional representativoo
I, Coimbra, 1841. Esta obra, depois de impressa,
foi retirada do mercado pelo próprio autor.
 
Sales, João Alberto (1857-1904) Cursa engenharia nos Estados Unidos a partir de 1875, mas regressa no ano seguinte, formando-se em direito em São Paulo em 1882. Republicano e positivista do grupo da Ilustração Brasileira. Considera que o objecto da ciência política não pode ser outro senão o estudo da estrutura íntima do organismo nacional, havendo no seio das sociedades duas ordens de organização: uma puramente social e espontânea, a chamada organização civil, e outra coercitiva e sistemática, a organização política.
·Política Republicana
Rio de Janeiro, Leuzinger, 1882.
·Catecismo Republicano
São Paulo, Leroy King Bookwalter, 1885.
·Ensaio sobre a Moderna Concepção do Direito
São Paulo, Tipografia da Província, 1885.
·A Pátria Paulista
Campinas, Gazeta de Campinas, 1887.
·Ciência Política
São Paulo, Teixeira & Irmão, 1901.
·O Ensino Público
São Paulo, Empresa Gráfica Limitada, 1929, 2ª ed..
 
Salgado, Plínio (1895-1975) Ensaísta e político brasileiro, fundador da Acção Integralista Brasileira. Inspirado por Carlyle e Nietzsche, foi tembém um dos epígonos do modernismo brasileiro. Considera que o Estado pressupõe um princípio doutrinário que o antecede. É que antes de se consubstanciar como facto social... já existia como síntese doutrinária e o Governo é a concretização física e moral do Estado, a personificação da autoridade do Estado.
·Psicologia da Revolução
1933.
·Espírito da Burguesia
1950.
·O Conceito Cristão de Democracia
Coimbra, Centro Académico de Democracia Cristã, 1945.
 
Salgueiro, Eduardo (n. 1904) Jornalista. Frequenta a Faculdade de Direito de Lisboa. Funda em 1928 a Editorial Inquérito. Colabora em A Águia, Seara Nova. Participa no grupo da Renovação Democrática. Traduz a História das Ideias Políticas de Gettel e a História das Doutrinas Económicas, de Charles Gide.
 
Salgueiro, João Fernandes (n. 1934) Economista. Subsecretário de Estado do Planeamento de Marcello Caetano entre 1969 e 1971, abandonando o governo por ser um dos fundadores da SEDES. Ministro de Estado das Finanças e do Plano de Francisco Balsemão. Militante do PSD é candidato à presidência do partido em 1975 contra Cavaco Silva.
 
Salgueiro, D. Manuel Trindade (n. 1898). Figura grada da Igreja Católica durante o salazarismo. Filho de pescadores de Ílhavo, doutor em Teologia por Estrasburgo em 1925, com uma dissertação sobre La Doctrine de Saint Augustin sur la Grâce d’après le Traité de Simplicien. Torna-se assistente do CADC desde 1934 e passa a professor da Faculdade de Letras de Coimbra em 1937. Em 1940 vem para Lisboa como Bispo Auxiliar do Patriarca, D. Manuel Gonçalves Cerejeira. Torna-se, então, Presidente da Junta Central da Acção Católica Portuguesa. Em 1955 é feito Arcebispo de Évora. Autor de O Papel da Vontade na Educação.
 
 
Salgueiro, Prestes
 
Salisbury, John of (1115 ?- 1180) Inglês, estuda em França. Secretário do bispo de Canterbury, Thomas Becket. Em França chega a estudar com Pedro Abelardo durante doze anos. Bispo de Chartres desde 1176. Participa activamente no Concílio de Latrão III, de 1179. Um dos primeiros europeus da Idade Média a conhecer o organon de Aristóteles. Pioneiro das teorias contratualistas, chega a admitir o tiranicídio.
·Polycraticus sive de nugis curialium et vestigiis philosopharum
1156 – 1159. Cfr. trad. ingl. Policraticus. Of the Frivolities of Courtiers and the Footprints of Philosophers, Cary J. Neederman, ed., Cambridge University Press, 1990.
 
 
Salisbury, Marquês de (1885-1902) Robert Arthur Talbot Gascoyne-Cecil, 3º Marquis of Salisbury. 1830-1903. Primeiro-ministro britânico em 1885, 1886-1892, 1895-1902. Secretario de Estado para a Índia, 1866-1867 e 1874-1877. Chanceler da Oxford University, 1870-1874. Secretário de Estado dos Estrangeiros, 1877-1880. Leader da House of Lords, 1881-1885.
 
Salisbury, Robert H., Chambers, W. N., eds., Democracy Today. Problems and Prospects, Nova York, Collier Books, 1962.
 
Salméron, Nicolas (1838-1908) Político espanhol. Marcado pelo krausismo. Presidente da república de Julho a Setembro de 1873.
 
Salomon, Jean-Jacques, Science et Politique, Paris, Éditions du Seuil, 1970.
 
Salter. Arthur (1881-1975) Professor em Oxford, sucede a W. G. Adams na regência da primeira cátedra de ciência política do Reino Unido, a partir de 1933. Abandona o ensino em 1944 e é ministro em 1952-1953. Considera-se mais um administrador do que um académico.
·Personality in Politics
Londres, 1947.
 
Salus populi (Hobbes) O mesmo que salvação do povo, enquanto segurança ou paz pública. Segundo Thomas Hobbes, é o primeiro dos fins de qualquer comunidade política. Daí que ela seja a suprema lei (salus publica, suprema lex), o objectivo primeiro da república, visando acabar com a insegurança do estado de natureza, onde o homem é lobo do homem numa guerra de todos contra todos.
 
Salut publique (Salvação Pública) O regime da Convenção, principalmente depois da supressão dos girondinos, em 2 de Junho de 1793, trata de invocar uma espécie de razão de Estado republicana, contra a perspectiva dos girondinos que defendiam a legalidade como valor supremo da conduta política. Surge assim um dos primeiros modelos de legalidade revolucionária, onde os fins supremos invocados pelos detentores do poder justificam os meios soberanistas do estado de excepção, gerando-se uma espiral de delírio que leva ao Terror e à utilização massiva da guilhotina, para liquidação massiva dos contra-revolucionários, dado acreditar-se que o bem do poder, iluminado pela razão, tem de extirpar o mal dos inimigos internos. Desta forma eis que a revolução e a repressão se confundem, mantendo-se o vício do anterior absolutismo e dos processos inquisitoriais. O novo detentor do poder, o povo soberano representado pelos comissários revolucionários, não se preocupam em consultar a vontade popular, dado que se assumem como representantes iluminados da vontade geral. Mesmo em Portugal, em 1975, pôde verificar-se a repetição do modelo, embora sem uso da guilhotina. Então, um distinto catedrático português, com funções governamentais no Ministério da Educação, chegou a justificar os desmandos do vanguardismo revolucionário e a desvalorizar o acto eleitoral que se aproximava, dizendo que, muitas vezes, o povo acaba por escolher aquilo que não lhe convém.
 
Salvadori, M., Eurocomunismo e Marxismo Sovietico, Turim, Edizioni Einaudi, 1978.
 
Salvi, S., Le Nazione Proibite, Florença, Vallechi, 1973.
 
 
Samarine, Yuri (1819-1876) Autor russo. Insiste em opor o eslavofilismo ao mundo romano-germânico. Contudo, está fortemente impregnados pelo idealismo alemão, principalmente por Schelling e Hegel. Tal como S. Tomás de Aquino conciliou Aristóteles e o cristianismo romano numa teologia escolástica, os eslavófilos, sobretudo Khomiakov e Kirievski, tentaram promover a integração de Hegel no ortodoxismo, construindo um integralismo teológico que se julgou capaz de comandar os próprios sentimentos individuais.
 
Sammllungs Politik (1879) A política de juntar todos, assumida pela Alemanha guilhermina na era pós-Bismarck, visando uma grande união de todas as forças políticas e sociais contra o SPD, o que permitiu, no plano político a emergência dos centristas e, no plano social e económico, um modelo proteccionista que favoreceu os grandes agrários, liderados pelos Junkers, os cavalheiros da indústria e grandes homens de negócios.
 
 
Sampaio Pimentel, Adrião Pereira Forjaz Primeiro regente da cadeira de economia política criada em 1836 quando se deu a fusão das faculdades de leis e de cânones e se criou a faculdade de direito. Começa por adoptar as lições de J. B. Say. Foi regente de 1836 a 1842-1843, regressando à mesma cadeira de 1851-1852 até 1870.
·Estudos e Elementos de Economia Política
1839-1874 (cfr. A ed. Da Colecção de Obras Clássicas do Pensamento Económico Português, Lisboa, Banco de Portugal, 1995).
4António Almodôvar, A Institucionalização da Economia Política Clássica em Portugal, Porto, Afrontamento, 1995.
 
 
 
Sampaio, António Rodrigues (1806-1882) Algarvio, filho de pescadores. Depois de uma educação fradesca, vive um frenesim esquerdista de 1828 a 1851. Jornalista. Activista da Associação Cívica ou Associação Eleitoral Setembrista de 1838. Cria uma comissão revolucionária anticabralista em Maio de 1848, juntamente com Oliveira Marreca e José Estevão, donde surgirá a Carbonária Portuguesa. Regenerador. Grão-mestre interino da Confederação Maçónica Portuguesa em 1852-1853, enquanto Loulé chefiava o governo. Ministro do reino na saldanhada, de 26 de Maio a 22 de Junho de 1870; ministro do reino do 1º governo de Fontes, de 13 de Setembro de 1871 a 5 de Março de 1877; idem no 2º governo de Fontes, de 29 de Janeiro de 1878 a 1 de Junho de 1879; presidente do conselho de 25 de Março a 14 de Novembro de 1881, acumulando a pasta do reino. Chama Lopo Vaz para a fazenda, Júlio de Vilhena para a marinha e Hintze para as obras públicas, todos antigos militantes da unha preta Demite-se por se encontrar doente, falecendo em 13 de Setembro de 1882.
 
Sampaio, Conde de Manuel António de Sampaio Melo e Castro Torres Lusignham. 3º conde de Sampaio. Presidente da Junta de Governo de Lisboa, nomeada em 13 de Setembro de 1820. Presidente da regência do reino nomeada pelas Cortes em 26 de Janeiro de 1821.
 
Sampaio Bruno (1857-1915). Frequentou a Academia Politécnica do Porto. Republicano. Implicado no 31 de Janeiro de 1891. Segundo Guerra Junqueiro, a extrema virilidade do raciocínio atrofiou-lhe a energia da vontade. O pensamento anulou-lhe a acção (Correspondência Literária e Política  com João Chagas, I, p. 57). Bibliotecário no Porto. Depois de 1910, opõe-se ao modelo político e cultural de Afonso Costa. Faleceu no Porto em 11 de Novembro de 1915.
·Análise da Crença Cristã
1874.
·Geração Nova. Ensaios Criticos
1886.
· Notas do Exílio. 1891-1893
Porto, Tipografia de A. J. da Silva Teixeira, 1893.
·O Brasil Mental. Esboço Crítico
Porto, Imprensa Moderna, 1898.
·A Ideia de Deus
1902.
·O Encoberto
1904.
·Os Modernos Publicistas Portugueses
Porto, Chardron, 1906.
·Portugal e a Guerra das Nações
1906.
·A Questão Religiosa
1907.
·A Ditadura. Subsídios Morais para o seu Juízo Crítico
1909.
 
}Sampaio, José Pereira, Sampaio (Bruno), Sua Vida e Sua Obra, Seara Nova, 1959. }Serrão, Joel, Sampaio Bruno. O Homem e o Pensamento, Lisboa, 1959.
 
Sampaio, Nélson de Sousa
·Ideologia e Ciência Política
Bahia, 1953.

Sampson, R. V., Progress in the Age of Reason, Londres, Heinemann Books, 1956.
 
 
 
 
Samuelson, Paul A. (n. 1915) Prémio Nobel da Economia em 1970.
1947
Foundations of Economic Analysis
 
Cambridge, Mass., Harvard University Press
 
Economics
 
1976, 10ª ed.
 
Samurai Nobreza guerreira do Japão desde o século XII. Classe que se mantém no século XIX e que apoia a restauração Meiji, encetada a partir de 1868. Obedece ao bushido, o código de conduta do guerreira, exaltando os valores da bravura, da lealdade e da honra.
 
 
 
Sanção Em termos gerais, penalidade dirigida contra um grupo ou uma pessoa, visando desencorajar certos tipos de comportamento. Medida punitiva tomada por um conjunto de Estados vidsando pressionar outro, no sentido deste mudar certas políticas. As medidas podem ser económicas ou diplomáticas.
 
Sanches, António Nunes Ribeiro (1699-1783) Natural de Penamacor. Médico de profissão. Tem como nome real o de Pedro Gendron. Um dos mais célebres estrangeirados. Influenciado por Newton e Locke. Em 1740 foi nomeado médico da czarina Ana e do Principe Ivan. Em 1744 foi ele que tratou aquela que viria a ser a imperatriz Catarina II, que então tinha apenas quinze anos de idade. Abandonou a Rússia em 1747, face a uma denúncia feita por um colega, um médico irlandês, que o terá acusado de judaísmo. Estabelecido em Paris e vivendo de uma pensão que lhe era atribuída pela Corte russa, tornou-se num consultor da mesma Catarina II, principalmente através da correspondência trocada com Ivan Ivanovich Beckoj, um dos favoritos da imperatriz. Nesta tarefa, elaborou vários memorandos sobre as mais diversas matérias, nomeadamente sobre a reforma da educação e a libertação dos servos. Alguns dos seus manuscritos estão no Arquivo de Braga, nomeadamente um estudo intitulado Sobre as Fronteyras da China e da Rússia. Sobre a matéria RÓMULO DE CARVALHO, Relações entre Portugal e a Rússia no Século XVIII, Lisboa, Sá da Costa, 1979.
·Cartas sobre a Educação da Mocidade
Colónia, 1760.
·Christãos Novos e Christãos Velhos em Portugal
·Dificuldades que tem um Reino Velho para Emendar-se
 
 
 
Sanches, Francisco (1550-1623) Médico, professor em Toulouse. Autor de Quod Nihil Scitur, de 1581. Influencia Bacon e Descartes.
 
Sanches Machado da Rosa, Júlio Gomes da Silva (1809-1866) Maçon. Bacharel em direito (1826). Advogado em Midões. No exílio de 1828 a 1832. Presidente da Relação de Lisboa. Segundo Fronteira, era tido por exaltados por áulico e pelos ordeiros como incapaz.
·Deputado em 1834-36; 1837-1838; 1838-1840; 1842-1845; 1846; 1851-1852; 1853-1856.
·Membro fundador da Sociedade Patriótica Lisbonense em 9 de Março de 1836.
·Subscritor da acusação de alta-traição aos implicados na belenzada de Novembro de 1836.
·Ministro do reino no governo de Sá da Bandeira, de 10 de Agosto de 1837 a 9 de Março de 1838.
·Ministro do reino no governo de Sabrosa, de 18 de Abril a 26 de Novembro de 1839.
·Membro da comissão central da ampla coalisão em Abril de 1842.
·Ministro da fazenda do governo de Palmela de 19 de Julho a 6 de Outubro de 1846.
·Apoiante de Saldanha em 1851, é falado para líder do novo centro eleitoral situacionista.
·Presidente da Câmara dos Deputados de 1853 a 1856.
·Ministro do reino dos históricos, no governo de Loulé, de 6 de Junho de 1856 a 14 de Março de 1857.
·Ministro da fazenda do mesmo governo desde 23 de Janeiro de 1857 até 16 de Março de 1859.
·Ministro do reino e da justiça do governo de Sá da Bandeira, de 17 de Abril a 4 de Setembro de 1865. ·Falecido em 23 de Abril de 1886
 
Sanches, Rui Alves da Silva Engenheiro civil. Sobrinho de Marcello Caetano. Ministro das obras públicas desde 27 de Setembro de
1968.
 
Sanchéz Agesta, Luís Jurista e politólogo espanhol.
·Lecciones de Derecho Politico
Granada, 1943, 2 vols.
·Principios de Teoria Politica
Madrid, 1955. Ver nova ed., Madrid, Ed. Nacional, 1967.
·El Concepto del Estado en el Pensamiento Español del Siglo XVI
Madrid, Instituto de Estudios Políticos, 1959.
·Los Principios Cristianos del Orden Politico
Madrid, Instituto de Estudios Politicos, 1962.
·Los Campos de Investigacion de la Ciencia Politica
Madrid, 1969.
·Direcciones de la Ciencia Politica Contemporanea
Madrid, 1973.
·Curso de Derecho Constitucional Comparado
Madrid, Universidad de Madrid, 1980.
·Elementos de Ciencia Politica
Madrid, Editora Nacional, 1986.
 
Sanchéz Albornoz, Claudio 1893-1984 Historiador espanhol. Ministro da II República. Professor em Barcelona (1918) 3e Madrid (1925). Opositor à ditadura de Primo de Rivera. Deputado depois de 1931. Embaixador em Portugal (1936). Reitor da Universidade Centra. Exílio em França e na Argentina, onde funda o Instituto de História de Espanha.
 
 
Sancho Izquierdo, Miguel
Compendio de Derecho Natural
Pamplona, EUNSA, 2 vols., 1980-1981. Com E Hervada, Javier
Lecciones de Derecho Natural con una Introducción al Estudio del Derecho
Pamplona, EUNSA, 1966
 
 
Sand, Shlomo, L’Illusion Politique. Georges Sorel et le Débat Intellectuel, Paris, Éditions La Découverte, 1985.
 
Sandel, Michael J. Precursor do comunitarismo norte-americano
Liberalism and the Limits of Justice, Cambridge, Cambridge University Press, 1982.
 
Sanders, David, Patterns of Political Instability, Basingstoke, Macmillan Press, 1981.
 
Sanders, Ralph, Margiotta, Franklin D., eds., Technology, Strategy and National Security, Washington D. C., National Defense University Press, 1985.
 
Sandino, César Augusto (1893-1934) Mineiro até 1926. Guerilheiro nicaraguense, entre 1927 e 1933, assumindo a luta contra o governo, acusado de cedência aos norte-americanos. Depois de um acordo de cessar fogo, na condição da retirada das tropas norte-americanas, foi assassinado por mandado de Anastasio Somoza, sobrinho do presidente nicaraguense. Em seu nome uma Frente Sandinista de Libertação Nacional
conquista o poder em 1979.
 
Saneamento de Professores Os vícios inquisitoriais, pombalistas e da viradeira manifestam-se logo em 5 de Dezembro de 1823 quando é criada na universidade de Coimbra uma junta expurgatória (entre os seis elementos da mesma, Frei Fortunanto de São Boaventura) que propõe a expulsão de catorze docentes (um deles é Manuel António Coelho da Rocha) e de trinta e sete alunos. Estávamos num tempo contraditório, posterior à derrota dos apostólicos na Vilafrancada, mas quando se procedia à revogação da efémera ordem vintista, sob um governo moderado, liderado por Palmela e Subserra. Viviam-se os choques das perseguições aos maçons, intensas no mês de Julho, mas começando a atenuar-se em Agosto, até porque dois dos principais governantes são irmãos. O pretexto para a perseguição foi a Carta de Lei de 20 de Junho de 1823 que suprimia as sociedades secretas e proibia a adesão de funcionários às associações em causa para o futuro, deixando imunes as adesões passadas. Aliás, a polícia apenas expulsou formalmente duas pessoas do país, embora tenha deportado trinta para fora de Lisboa. O processo ainda vive as contradições do perído e por decreto de 5 de Junho de 1824, durante o governo dominado por Lacerda e Barros, também dois irmãos, estabelece-se uma amnistia que identa de perseguição todos quantos tivessem pertencido a sociedades secretas.
Logo em 1828, nos primeiros tempos do governo de D. Miguel, são expulsos oito lentes da Universidade de Coimbra, tidos como maçons: Joaquim António de Aguiar; António Camelo Fortes de Pina; António Nunes de Carvalho (todos da faculdade de leis); Manuel Joaquim Cardoso Castelo Branco (da faculdade de cânones); Caetano Rodrigues de Macedo (filosofia); Joaquim Maria de Andrade; e Tomás de Aquino (os dois de matemática). Em 15 de Julho de 1834 eram demitidos inúmeros doutores em direito: Alexandre Dias Pessoa, Bernardo José de Carvalho, António Caetano de Sousa Faria Lobo Girão, Miguel Gomes Soares, Cândido Rodrigues Alves de Figueiredo e Lima, José Pedro Moniz de Figueiredo, António Vasconcelos e Sousa, José Maria de Lima e Lemos, José Lopes Galvão, Joaquim José Pais da Silva, José Feliciano da Fonseca Teixeira, Francisco Lebre de Vasconcelos, Joaquim Maria Taborda Falcão Tavares. Por decreto do dia anterior são nomeados Basílio Alberto de Sousa Pinto, Manuel António Coelho da Rocha, José Machado de Abreu, Francisco Maria Tavares de Carvalho, Frederico de Azevedo Faro Noronha e Meneses, António Nunes de Carvalho. Os pedristas demitem os miguelistas, tal como antes os apostólicos haviam demitido os liberais. Os primeiros serão para sempre condenados ao silêncio. Dos segundos já reza a história. Mas a cultura e a universidade portuguesas minguavam.
Nova vaga de saneamento de universitários ocorre com o salazarismo em 1947 com a aposentação compulsiva de quinze professores, entre os quais Mário Silva, Francisco Pulido Valente, Francisco da Fonseca, Remy Freire (ISCEF), e oito assitentes, entre os quais Andrée Crabée Rocha, Luís Dias Amado e Orlando Morbey Rodrigues.
 
Sanford, Nevit, Adorno, Theodor, Frenkel-Brunswick, Else, Levinson, D. H., The Authoritarian Personality, Nova York, Harper & Row, 1950 [reed., Nova York, W. W. Norton, 1982].
 
 
 
Sangnier, Marc (1873-1950) Líder político católico. Funda em 1 de Julho de 1903 Le Sillon, um movimento servido por um jornal com o mesmo nome que, à semelhança do populismo russo, se assumiu como um movimento de educação popular, a partir de intelectuais burgueses. Pretendia reunir os chamados democratas católicos, salientando que Cristo foi o mais temerário dos democratas do seu tempo. Em 1906, Sangnier considera que o movimento tem como fim realizar em França a República democrática, salientando que a democracia e a forma de governo mais favorável para a Igreja. Condenado em 25 de Outubro de 1910 pelo papa Pio X. O movimento assumia-se contra o conservadorismo hierarquista de outros católicos e estava a dividir os fiéis franceses. Apesar de acatar a decisão papal, eis que, em 1912, Sangnier funda um movimento exclusivamente político Jeune République, base dos movimentos democratas-cristãos franceses. Depois da Grande Guerra tem o apoio do papa Bento XV.
 
 
Sanguinetti, Gianfranco, Du Terrorisme et de l’État [ed. orig. 1979], trad. fr., Paris, Éditions Granma, 1980.
 
Santa Aliança Santa Aliança de 1815, 61, 395 Entretanto, Alexandre, bastante influenciado pelo pietismo de Bárbara von Krüdener (1764-1824), com quem contactou durante a sua segunda permanência em Paris, já depois do Congresso de Viena e da Segunda Restauração dos Bourbons, trata de gizar a hipótese de constituição de um pacto de inspiração religiosa entre os principais soberanos da Europa, que vai receber o nome de Santa Aliança. Com efeito, a ideia-força da Santa Aliança de Alexandre constituía um híbrido entre o pré-romantismo protoliberal que bebera em La Harpe e o religiosismo pietista que lhe dera a senhora von Krüdener. Um modelo tão eclético que ora podia ser entendido como a transformação do projecto libertador do abade de Saint Pierre num instrumento de soberanos autocratas, ora como a ideia de renascimento da res publica christiana à maneira de Carlos V, mas regenerada por um protestantismo imbuído do messianismo ortodoxo. Tal projecto vai parcelarmente concretizar-se em 26 de Setembro de 1815, quando se institui, entre o soberano ortodoxo da Rússia  Alexandre I , o soberano luterano da Prússia  Frederico-Guilherme III  e o soberano católico da Áustria  Francisco I , a Santa Aliança que invoca a divina providência e proclama querer levar as nações às sublimes verdades que nos ensina a eterna religião de Deus Salvador. Uma aliança de que Goethe vai dizer: a Europa nunca conheceu ideia mais generosa para a humanidade. As potências em causa são consideradas, segundo o texto instituidor, como três ramos de uma mesma família, como membros de uma mesma nação cristã que não tem realmente outro soberano senão aquele a quem exclusivamente pertence em propriedade o Poder: Deus. Trata-se de um pacto que se pretende aberto a todos os soberanos da Europa, mas que, no entanto, não vai ser sufragado pela cristã Inglaterra nem recebe a benção do Papa, embora a ele venha a aderir a França de Luís XVIII, em 19 de Novembro de 1815, por ocasião do Segundo Tratado de Paris. Se Alexandre sublinhava que a Santa Aliança é obra imediata de Deus. Foi Ele que me elegeu seu instrumento. É por Ele que realizei esta grande obra, já outros a procuravam instrumentalizar em favor dos interesses estaduais da balança dos poderes. Comecemos pela Áustria de Clemens Wenzel von Metternich (1773-1859), o mesmo que considerava o pacto instituidor da Santa Aliança como um documento vazio e sonoro, pelo que, até terá aconselhado o respectivo soberano que, sob o ponto de visto político a referida Aliança era insípida parlenda, não havendo, portanto, inconveniente em assinar. Com efeito, Metternich, em vez de uma aliança mística e pacifista, como preferia Alexandre, a quem bastava uma simples concertação das políticas externas das principais potências, pretendia a criação de um instrumento de luta contra o revolucionarismo, visando a instituição de um sindicato de interesses monárquicos para o socorro mútuo dos principais soberanos da Europa, que pudesse intervir nos assuntos internos dos vários Estados europeus. Metternich, que lera mais Bossuet do que Rousseau, era também um eclético. Onde Alexandre se assumia como romântico, Metternich respirava racionalismo; onde o soberano da Rússia apostava no misticismo, o chanceler austríaco ensaiava o chamado realismo político. Onde o primeiro queria a mudança, o segundo visava a conservação. Segundo Metternich, a ciência de governar pode reduzir-se a alguns princípios tão certos como os da química. Se os homens fossem menos pródigos em teorias, ganhariam o hábito de comprovar a uniformidade dos resultados pela combinação das mesmas causas. Para ele, os povos têm necessidade de autoridade e não de maioria e o mundo quer ser governado com factos justos e não com frases ou teorias. Deseja assim que os governos reduzam ao silêncio os doutrinadores no interior dos seus Estados e manifestem o seu desprezo pelos do exterior; os homens débeis e presunçosos serão aniquilados se outros mais fortes se apresentarem. cerrarem fileiras, e lhes derem batalha. Segundo o mesmo homem de Estado, o que interessaria no domínio das relações internacionais, seriam os verdadeiros interesses e o reconhecimento dos direitos adquiridos dos Estados, dado que o primeiro princípio da aliança das grandes potências é a manutenção de todas as instituições legalmente existentes: a paz geral só é possível com esta condição e a calma é o maior benefício para toda a sociedade humana. Conforme as suas palavras, uma das primeiras noções, diria mesmo a base da política contemporânea, é o direito à tranquilidade. Ora, a ideia fundamental da tranquilidade é a segurança da posse (dos territórios). Se as principais potências da Europa partem deste princípio, é necessário que os pequenos Estados, que dificilmente se podem manter, o aceitem voluntariamente ou à força. Alexandre e Metternich representam assim duas importantes tradições europeias. De um lado, um ortodoxo protestantizado, coincidindo com um russo germanizado, que adopta um idealismo messiânico. Do outro, um católico marcado pela razão de Estado, acumulando com um germânico pouco dado ao idealismo alemão, que assume o chamado realismo político, trata de reunir em si duas tendências que continuam a polarizar a actual teoria das relações internacionais Este período da história da Europa continua a ser um dos terrenos de análise dos teóricos das relações internacionais e, sobre ele, Henry Kissinger, no auge da vitória do realismo político norte-americano, elaborou um importante estudo. Também entre nós, a matéria foi objecto de aprofundada análise por ADRIANO MOREIRA, em Política Internacional e Ideologias Políticas, constituindo um dos pontos de partida da dissertação de POLÍBIO VALENTE DE ALMEIDA, Do Poder do Pequeno Estado.. Sublinhe-se que, por ocasião da conclusão do Segundo Tratado de Paris, foi assinado, na embaixada britânica, um protocolo de aditamento ao Pacto de Chaumont, de Março de 1814, onde havia sido instituída a Quádrupula Aliança, pelo qual se previa a reunião periódica dos representantes das potências signatárias, a fim de se discutirem medidas a tomar em defesa da ordem da paz e do bem dos povos. Segundo este protocolo, as Altas Partes Contratantes obrigam a concertar-se entre si em Sua Majestade Cristianíssima Luís XVIII, reposto no trono da França, no sentido das medidas que julgarem necessárias para a segurança dos seus Estados respectivos e para a tranquilidade geral da Europa [... ] concordam em renovar em períodos determinados, quer sob os auspícios directos dos soberanos, quer pelos seus ministros responsáveis, reuniões consagradas aos grandes interesses comuns, e ao exame das medidas que em cada momento forem julgadas mais salutares para a tranquilidade e prosperidade dos povos e para a manutenção da paz na Europa. Mais: as potências declaram que estão firmemente dispostas a não se afastar, nas suas relações mútuas, nem naquelas que as ligam aos restantes Estados, do princípio de união interna que até aqui presidiu às suas relações e interesses comuns, união tornada mais forte pelos laços de fraternidade cristã que os soberanos formaram entre si [... ] esta união, tanto mais real e duradoura quanto é certo que não tem em vista qualquer interesse isolado, não pode ter por objecto senão o respeito pela paz geral, fundada no respeito religioso pelas obrigações assumidas nos tratados e pela totalidade dos direitos que daí derivam [... ] a França, associada às outras potências para a restauração do poder monárquico, obriga-se a concorrer para a manutenção e fortalecimento de um sistema que deu paz à Europa e que é o único que pode assegurar-lhe sobrevivência [... ] para melhor atingir o fim antes enunciado, as potências que reconheceram o presente acto consideram necessário estabelecer conferências particulares e tratar em comum dos seus próprios interesses e dos interesses das outras potências enquanto elas se refiram ao objecto das suas deliberações actuais. A época e o local destas reuniões serão decididas de cada vez, precisamente por meio de comunicações diplomáticas, e nos casos em que tais reuniões tenham por objecto assuntos especialmente ligados aos interesses de outros Estados da Europa, não terão lugar senão depois de convites formais da parte dos Estados a quem os referidos negócios interessam, sob reserva expressa dos seus direitos de participar na reunião pelos seus plenipotenciários. Assim, na Conferência de Aix-La-Chapelle, ocorrida entre Setembro e Novembro de 1818, onde se reuniram os soberanos da Áustria, da Prússia e da Rússia, bem como Castlereagh e o duque de Richelieu, eis que Metternich viu consagrado o princípio da intervenção nos assuntos internos dos outros Estados, a fim de que todos os soberanos se entendessem estreitamente quanto ao caminho a seguirem no meio da tempestade. O pretexto era a rebelião que grassava em França contra os Bourbons, uma agitação que ameaçava o repouso e a segurança dos países vizinhos. Depois, nas Conferências de Karlsbad, de Agosto de 1819, e de Viena, de Maio de 1820, apenas com a participação da Prússia e da Áustria, perante a agitação liberal que se desenrolava na Alemanha, são delineados, com sucesso, os esquemas da censura à imprensa e da vigilância das universidades, pela instalação de um curador em cada uma delas Estas decisões vieram adiar a revolta nacionalista liberal da Alemanha, entretanto desencadeada. De 1807 a 1809 são os célebres Reden an die deutschen Nation de Fichte, onde se defende a unidade alemã com base na identidade da língua e da unidade da raça. Depois, as decisões do Congresso de Viena surgem num momento em que atinge o rubro a efervescência do nacionalismo romântico. Em 1819, uma Sociedade da História Antiga da Alemanha começava a publicar os Monumenta Germaiae Historia. Em 1811, um professor de educação física Jahn fundara o primeiro ginásio e não tarda a ser considerado como o preceptor da Germania. Em 1815 surge a associação Bürschenschaft que adopta a bandeira preta-vermelho-ouro que se tornará no símbolo da unidade democrática da Alemanha.. Na Conferência de Troppau, na Silésia, de Outubro de 1820, voltam a reunir-se os intervenientes de Aix-la-Chapelle, discutindo-se o princípio da intervenção, nomeadamente quanto a Nápoles. Na de Laybach, entre Janeiro e Maio de 1821, a Áustria ficou encarregada de utilizar uma força de 80 000 homens para repor o rei de Nápoles na sua plena autoridade Ao que parece foi nesta conferência que o czar Alexandre abandonou as ilusões liberalizantes e pietistas e decidiu apoiar o realismo do chamado sistema Metternich. Como ele dizia nessa conferëncia: desde 1814 que estou enganado sobre o espírito público. O que dantes via como verdadeiro, considero-o falso agora. Por seu lado, Metternich observará: a Rússia não nos maneja, somos nós que manejamos o czar Alexandre.. Na Conferência de Verona, entre Outubro e Dezembro de 1822, onde participam Alexandre I, Francisco II e Frederico-Guilherme II, todos os soberanos italianos e Chateaubriand, pela França, ficou, por sua vez, estabelecido um acordo quanto à intervenção da França dos Bourbons na Espanha, ao abrigo do qual um exército de 100 000 homens comandados pelo duque de Angoulême ajudam a repor no trono Fernando VII. Durante esta última conferência, surge também um tratado secreto, em 22 de Novembro de 1822, onde as altas partes contratantes, plenamente convencidas que o sistema de governo representativo é tão incompatível com o princípio monárquico, como a máxima soberania do povo é oposta ao princípio do direito divino, se obrigam do modo mais solene, a empregar todos os meios, e a unir todos os seus esforços para se destruir o sistema de governo representativo de qualquer Estado da Europa onde exista e para evitar que se introduza nos Estados onde se não conhece. Declaram também estar persuadidos que os princípios religiosos são os que podem todavia contribuir mais poderosamente para conservar as Nações no estado de obediência passiva que devem aos seus príncipes. Compreende-se, assim, que um dos Quatro Grandes vencedores de Napoleão, o Reino Unido, não tenha aderido a estes protocolos paralelos aos documentos surgidos do Congresso de Viena. Logo em 13 de Janeiro de 1815, antes de Napoleão regressar de Elba, o ministro inglês Robert Stewart Castlereagh, juntamente com Metternich e Talleyrand, estabeleceram um pacto secreto entre a Inglaterra, a Áustria e a França dos Bourbons, contra a Rússia e a Prússia, visando impedir a primeira de obter o Grão-Ducado de Varsóvia e a segunda, de conseguir o Saxe, objectivo a que aderiram o Wurtenberg e a Baviera Nos termos de tal pacto, as três potências comprometiam-se a prestar ajuda mútua se uma delas viesse a sofrer algum ataque subsequente às propostas para o prolongamento do Tratado de Paris, propostas que as três subscreveram. Este pacto secreto, levou Talleyrand a considerar: a coligação está desfeita. A França já não está isolada na Europa. Contudo, o regresso de Napoleão da ilha de Elba obrigou ao restabelecimento da mesma coligação entre as quatro grandes potências vencedoras de Napoleão.. Com efeito, não foi por razões teológicas que a Inglaterra não sufragou a Santa Aliança, apesar de Castlereagh, lhe ter chamado a piece of sublime myshticism and nonsense. À Inglaterra não interessava que a Rússia e a França pudessem assumir-se como as potências defensoras dos interesses dos Estados Secundários nem lhe convinha o estabelecimento do princípio da intervenção nos assuntos internos dos Estados contra os governos representativos. Como o mesmo Castlereagh vai declarar, em 1820, a aliança entre a Prússia, a Rússia, a Áustria e a Inglaterra tinha sido feita para libertar a Europa da dominação francesa e não para governar o mundo e para a vigilância interior de outros Estados. Assim, a Inglaterra abstém-se de intervir em Nápoles e na Espanha, optando, no plano da política interna europeia, por um sistema de concertação, bem diverso do sistema de polícia, advogado por Metternich e pela Rússia. Em 1825, com a morte de Alexandre e o suicídio de Castlereagh, entretanto substituído por Canning, dava-se uma reviravolta no chamado Sistema Metternich, especialmente quanto à política de intervenção na vida interior dos Estados. Se Castlereagh já considerava que era um grande perigo incorporar os princípios intervencionistas nos costumes diplomáticos correntes ou nas instituições do direito das gentes, eis que Canning assumia uma radical oposição ao modelo: as pretensões do príncipe de Metternich não são de modo algum razoáveis. Estão baseadas num estranho desconhecimento das nossas obrigações, interesses e sentimentos. A Inglaterra não pode intervir nos assuntos internos das nações independentes, nem prestar o seu apoio a tais intervenções. Na verdade, os britânicos jogavam menos na Balança da Europa, central e balcânica, diga-se de passagem, e mais na construção do Império Ultramarino, através da manutenção da supremacia naval. Como dizia Castlereagh, a Grã Bretanha, se não tinha nada a ganhar, tinha muito a perder. Interessava-lhe, portanto, a manutenção do equilíbrio no continente europeu, isto é, que do congresso não emergisse uma potência ainda mais forte. Assim, a partir de Viena, vão consolidar as respectivas possessões, obtendo a ilha de Malta, no Mediterrâneo, a Guiana, a Trindade e o Tobago, na América, a província do Cabo, em África, e a ilha do Ceilão, na Ásia. E na América do Sul não estavam minimamente interessados em que a Santa Aliança pudesse reprimir o movimento independentista face à Espanha e a Portugal. Bem pelo contrário, a potência comercial tinha todo o interesse em quebrar o proteccionismo entre as metrópoles e as ex-colónias sul-americanas, pelo que o apoio britânico às independências na região se torna inequívoco Refira-se que a França chegou a propor uma intervenção na América do Sul para sustar o processo das independências sul-americanas.. O jogos de força da balança dos poderes vão, assim, acabar por fazer com que a aliança mística se viesse a perder nas teias dos interesses das potências, pelo que a Santa Aliança é formalmente desfeita em 1826. Também o Sistema Metternich que, segundo o seu progenitor, não era tanto um sistema, mas sim a aplicação das leis que regem o mundo, vai sendo posto em causa pela ditadura dos factos. A revolta grega, iniciada logo em 25 de Março de 1821, vai constituir o detonador do modelo da balança dos poderes. Com efeito, a ideia de conservação adoptada por Metternich tinha de atribuir legitimidade ao sultão otomano para que se equilibrasse a balança dos poderes, enquanto a ideia de mudança se mostrava favorável a todos os que queriam a diminuição da influência dos turcos na Europa. Refira-se que os gregos, logo em 12 de Janeiro de 1822, num Congresso Nacional reunido em Epidauro, haviam proclamado a independência. Mas os turcos iriam reagir de forma violenta, nomeadamente pelo massacre de Chio. Um expediente destinado a ultrapassar o sistema de equilíbrios nascido do Congresso de Viena foi o de não intervirem os Estados, mas de se admitir e de se fomentar a colaboração com os revoltosos gregos através de voluntários, principalmente quando a Grécia foi objecto de um ataque por parte das forças navais do pachá do Egipto, ao serviço do sultão. Entretanto, em Abril de 1826, entre a Grã-Bretanha e a Rússia era assinado um acordo visando a criação de um Estado grego, protocolo a que a França vai aderir em Julho de 1827. E, em Outubro deste ano, as três potências decidem intervir contra os turcos sem nenhum mandato prévio atribuído por uma conferência entre os grandes da Europa. Até que, no dia 27 desse mesmo mês, as forças navais das três potências destroem a frota ao serviço dos otomanos na Batalha de Navarino. Em Maio de 1828 já são as forças terrestres russas que desencadeiam uma guerra contra a Turquia, obrigando o sultão, pelo Tratado de Andrinopla, de 14 de Setembro de 1829 a reconhecer a independência grega, confirmada pelo Protocolo de Londres de 1830 A independência grega começou por assumir a forma de República sob a direcção de Capo de Istria, antigo conselheiro do czar Alexandre que foi assassinado em 1831, acusado de favorecer a Rússia em demasia. A partir de então, as três potências protectoras da independência grega, impõem a esta a forma monárquica, escolhendo para soberano o princípe Otão da Baviera.. Sobre a matéria, Metternich vai considerar: o que pode acarretar perigos são as alianças parciais como esta a que a questão grega deu origem... É na união geral que pode estar a salvação da Europa [... ] Não se trata já da Santa Aliança  que, no fundo, nunca foi mais do que uma ficção , nem da de Chaumont, contratada para um caso especial, nem sequer a de Aix-la-Chapelle. Nada mais peço que um laço moral entre as Cinco Cortes, que a superioridade das suas forças converte em árbitros da Europa. Somente peço que essas Cortes não façam nada de importante, nada que possa comprometer a segurança geral, sem previamente se porem de acordo. Sobretudo, desejo que se deêm conta de que os assuntos de pura política não são hoje os mais importantes e que pensem  antes de mais nada  nas suas questões internas. Um espírito de inovação, ou antes, de desordem ameaça a calma de todos os Estados. É necessário opor-lhe um instinto de conservação, procurar a consolidação e robustecimento das instituições existentes, antigas ou modernas, conquanto tenham uma origem legítima  devem ser mantidas a todo o custo. Outra das excepções à regra vai ser a maneira como o Imperador da Rússia enfrenta a revolta polaca de 1830, onde obtém o apoio da Prússia. E a própria Áustria, em 1849, não se coibe de rasgar o sistema quando solicita à Rússia apoio para liquidar a secessão húngara. Também Portugal, neste contexto, vai sofrer os efeitos da balança dos interesses das potências europeias. Primeiro, com a independência do Brasil, onde funciona de forma expressa o intervencionismo britânico, desejoso de abrir os portos do Brasil ao seu imperialismo de free trade, contra o idealismo do nascente movimento liberal vitorioso em Lisboa. Depois, com a guerra civil de 1828-1834, onde se dá a expressa intervenção da Inglaterra e da França de Luís Filipe ao lado dos pedristas, sobretudo a partir de 1830. O sistema estabelecido nas relações internacionais europeias, apesar de tudo, vai garantir uma paz global durante cerca de quarenta anos. Vai agradar aos Estados, mas acaba por descontentar vários povos e nações da Europa. Os franceses, por exemplo, apesar dos esforços de Talleyrand, sentem a respectiva fraqueza no plano internacional e veêm-se comprimidos territorialmente; os belgas são obrigados à integração num reino dominado por holandeses, enquanto os alemães e os italianos não conseguem obter a respectiva unificação. Os descontentamentos gerados pelo Congresso de Viena vão, pois, constituir o ponto de partida para as sucessivas revoltas nacionalistas que acabam por deflagrar por toda a Europa, a partir de então. Insurreição sérvia. Nos Balcãs é também posta em causa a dominação otomana com a insurreição sérvia que leva à constituição de um principado autónomo, vassalo do sultão, em 4 de Dezembro de 1815, com Miloch Obrenovitch Só em 1830 é que o sultão concedeu a Miloch o título de príncipe hereditário dos sérvios, apesar de só em 1867 se ter dado a retirada de Belgrado de todas as guarnições turcas. Independência da Roménia. Depois, com a independência da Roménia, em 1856. Foi entre 1856 e 1859 que ocorreu a união dos cristãos da Moldávia e da Valáquia que, em 1862, estabelecem o principado da Roménia, ainda vassalo do Sultão, o qual, em 1866, obtém a plena independência. Bósnia Segue-se a revolta dos cristãos da Bósnia e da Herzegovina, declarando a respectiva união aos sérvios. Guerra dos Balcãs Todo um processo insurreccional que leva à subsequente Guerra dos Balcãs, entre 1875 e 1878, a partir da qual se consagram tanto a independência da Bulgária (1878) como a ocupação da Bósnia e da Herzegovina pela Áustria, entre 1878 e 1908. Os movimentos em causa foram particularmente apoiados pelos russos, que tinham criado, a partir de 1856, uma Sociedade Eslavófila, destinada a apoiar os povos eslavos na construção de escolas e igrejas. Esta acção foi, aliás, intensificada a partir de 1874 quando a Áustria entrou em força nos Balcãs. Em 24 de Abril de 1877, Alexandre II também declarou guerra aos turcos, no que foi imediatamente apoiado pelos sérvios, montenegrinos e romenos. Este conjunto de aliados cristãos, em 31 de Janeiro de 1878, chegou mesmo a atingir San-Stefano, às portas de Constantinopla, obrigando o sultão a subscrever um tratado onde se davam profundas alterações do mapa político daquela zona da Europa: confirmavam-se as independências da Sérvia e da Roménia; atribuía-se um governo autónomo à Bósnia e Herzegovina; criava-se o novo Estado da Bulgária, com grande extensão. Contra este Tratado de San-Stefano vão naturalmente insurgir-se a Áustria, a Alemanha e o Reino Unido, pelo que, para superar-se a questão, se vai reunir um Congresso de Berlim, entre 13 de Junho e 13 de Julho de 1879. Aí se estabeleceu o seguinte: a Bósnia e Herzegovina seriam ocupadas e administradas pela Áustria; além da Sérvia e da Roménia, entretanto obrigada a ceder a Bessarábia à Rússia, surgia também, como Estado independente, o Montenegro; a Bulgária saída do tratado de San-Stefano era dividida em três parcelas  a Roménia Oriental passava a província autónoma, com um governador cristão nomeado pelo Sultão; a Bulgária propriamente dita passava a mero principado vassalo do sultão, embora com direito a escolher o seu próprio príncipe; finalmente, a Macedónia era devolvida ao mesmo sultão. Refira-se que esta Macedónia vai provocar nova guerra dos Balcãs em 1912-1913, vindo a ser partilhada pela Sérvia, pela Bulgária e pela Grécia. O vazio gerado pela degenerescência do Império Otomano, os apetites das grandes potências e a indefinição dos modelos nacionais de alguns dos mais expansivos povos balcânicos, como os sérvios, adeptos de uma Grande Sérvia, e os gregos, de uma Grande Grécia, com o mar Egeu como centro, levaram àquele que ainda hoje é o não resolvido problema balcânico. Neste contexto, refira-se a criação, em 1913, do principado da Albânia, promovido pela Itália e pela Áustria, contra os interesses dos sérvios e dos gregos.
 
 
Santamaria, Julian
·«Política y Ciencia Política en la España de Hoy», in Revista Española de la Opinión Pública, n. º 37, Madrid, 1974.
·, ed., Transición a la Democracia en el Sur de Europa y América Latina, Madrid, Centro de
Investigaciones Sociológicas, 1981.
 
Santana, Manuel Fernandes (1864-1910) Padre jesuíta. Entra numa célebre polémica com Miguel Bombarda, naturalista português seguidor de Haeckel. Funda em 1902 a Associação Promotora da Instrução e Educação Popular, depois transformada, em 1907, na
Liga de Acção Social Cristã.
 
SANTARÉM, 2º Visconde de (1791-1856) Manuel Francisco de Barros e Sousa de Mesquita de Macedo Leitão e Carvalhosa. Ministro do reino do governo da regência de D. Isabel Maria de 8 de Junho a 7 de Setembro de 1827 (foi substituído por Carlos Honório Gouveia Durão). Ministro dos negócios estrangeiros de D. Miguel, desde 3 de Maio de 1828. Acumula a pasta da marinha a partir de 30 de Junho de 1827. Lavradio, em 1828, considera que ele tem pouco mais de meia vara de altura, mas em 1855 já lhe chama este estimável cavalheiro, que tanto tem honrado o nosso país com as suas publicações que o tornaram notável entre os sábios da Europa.
·Memórias para a História e Theoria das Cortes Gerais que em Portugal se celebraram pelos Três Estados do Reino
Em dois tomos (1827 - 1828).
·Quadro elementar das relações políticas e diplomáticas de Portugal com as diversas potências do mundo desde o princípio da monarquia portuguesa até aos nossos dias
Paris, 1842-1854.
·Corpo Diplomático Português
Paris, 1846.
 
4Maltez, José Adelino, «Os Principais Jushistoriadores Portugueses», in História do Direito Português. Elementos Auxiliares, Lisboa, Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa, 1984, pp. 25 segs.. 4Serrão, Joel, dir., Dicionário de História de Portugal, Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1978, V, pp. 470-471. 4Silva, Inocêncio Francisco, Dicionário Bibliográfico Português, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1977, tomo V, pp. 435-438.
 
Santa-Rita, José Gonçalo Professor na Escola Colonial. Especialista na análise da política colonial internacional depois da Conferência de Berlim de 1885.
·A África nas Relações Internacionais depois de 1870
Lisboa, Junta de Investigações do Ultramar, 1959
(reed. )
 
 
 
Santayana, Jorge ou George (1863-1952) Nasce em Madrid, mas emigra logo em 1872 para os Estados Unidos da América, sendo educado em Harvard, onde acaba por ser professor até 1912, oonde tem como discípulo T. S. Elliot. A partir de então vive em Roma. Um dos teóricos do chamado humanismo estético, para quem a religião, tal como a poesia e o mito, é uma expressão de um valor estético e que o próprio Deus é o mais alto símbolo dos ideais humanos mais elevados. Salienta também que as essências são meras formas ou modos da matéria. Porque o espírito, enquanto parcela da matéria é capaz de intuir as essências.
As palavras na política
Considera que uma coisa é a palavra ser utilizada para designar, para dar sinal de coisas, pessoas e lugares, o que é típico da linguagem da ciência, outra é a palavra começar a designar ideias, como acontece nas artes liberais, como a poesia, a lógica, a dialéctica ou a gramática. Ora, na política, as ideias aparecem no nosso pensamento... por impacto dos corpos vizinhos, sendo passadas de boca em boca, carregadas de julgamentos. Ora, não é com intuições puras de essências puras que o estadista ou o cidadão trata as suas ideias: o seu interesse adere aos factos, a acontecimentos recentes ou possíveis. Em política reduzimos as ideias a unidades globulares inteiramente relativas à nossa convivência, pelo que as ideias poderão tornar‑se força, porque força lhes é atribuída, já que as ideias propriamente ditas, têm apenas relações ideais, essenciais.
 
Considerando que uma teoria não é algo vazio de emoções, salienta que Hegel era gnóstico e para ele, como para os gnósticos, o Filho aboliu o Pai e o Logos estava em tudo. Mas uma tal forma de adoração da forma é idolatria.
A Renascença e a Reforma
" o cristianismo foi a princípio uma combinação da teologia grega com a moralidade judaica; combinação instável, na qual um dos elementos teria inevitavelmente de desaparecer; no catolicismo o elemento grego, ou pagão, triunfou; no protestantismo, a severa moral hebraica. Um produziu a Renascença; outro, a Reforma. "
considerar pagã essa filosofia germânica do eu, "procurando sobrepôr a inteligência como princípio e fim de si mesma, às evidências contantes do ser".
O Estado
o Estado pode ser um monstro, "mas a sua tirania centralizada tem a virtude de abolir a miscelânea de inumeráveis pequenas tiranias que outrora aterrorizavam e confinavam a vida. Um pirata único, que calmamente arrecad tributos, é preferível a cem piratas que os exijam sem aviso e sem limites".
 
Considera que "milhares de reformas deixaram o Mundo tão corrupto como antes, porque cada reforma vitoriosa cria uma nova instituição e esta instituição desenvolve abusos congénitos"
O império da paz universal
Neste sentido, defende que "a ordem universal já uma vez sonhada e nominalmente quase estabelecida, é o império da paz universal". Considera que deveria estabelecer‑se uma timocracia, um governo de homens de mérito e de honra, onde "a única igualdade subsistente seria a de oportunidades"
·The Sense of Beauty
Nova York, 1896.
·Reason in Society
Nova York, 1905.
·The Life of Reason
Nova York, 1905-1906.
·Soliloquies in England and Later Soliloquies
1922.
·Sceticism and Animal Faith
Nova York, 1923.
·The Realms of Beeing
Nova York, 1927-1940, 4 vols.
·The Realm of Spirit
Nova York, 1940.
·Winds of Doctrine
Nova York, 1940.
·Dominations and Powers
 Nova York, 1951.
·Reflections on Liberty, Society and Government.
·The Birth of Reason and other Essays
Nova York, Columbia University Press, 1968. Cfr. trad. port. Alternativas para o Liberalismo e Outros Ensaios, Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1970.
 
}Kirk, Russell, La Mentalidad Conservadora en Inglaterra y Estados Unidos, trad. cast., Madrid, Ediciones Rialp, 1956, pp. 453 segs.. ¾The Conservative Reader, pp. 467 segs.. 4Sousa, Maria Conceição Barreira, «Santayana», in Logos, 4, cols. 905-906.
 
Santesmases, Antonio García
Marxismo y Estado, Madrid, Centro de Estudios Constitucionales, 1986.
 
Santi Romano (1875-1943) Professor de direito italiano. Ensina direito administrativo em Camerino e, depois, direito constitucional em Modena, Pisa e Milão. Presidente do Conselho de Estado em 1928. Director da secção de direito público da Enciclopédia Italiana, de 1925 a 1937. O chefe de fila da escola institucionalista italiana, considera que "é Estado todo o ordenamento jurídico territorial soberano". Porque toda a entidade ou corpo social é instituição, porque há organização e, portanto, ordenamento:"toda a força realmente social e que esteja organizada transforma‑se por isso mesmo em direito", do mesmo modo que "todo o ordenamento jurídico é uma instituição e, vice versa, toda a instituição é um ordenamento jurídico; a equação entre os dois conceitos é necessária e absoluta". A instituição é estrutura ou posiçao na sociedade que se desenvolve e se constitui como um ser existente por si mesmo, pelo que todo o ordenamento é instituição e toda a instituição um ordenamento jurídico. Como salienta um dos seus discípulos, a instituição "significa uma organização que fixa os vários elementos de um ente, a posição e a função deles".
defendia um conceito de sociedade como "uma unidade concreta, distinta dos indivíduos que nela se compreendem", como uma "unidade efectivamente constituída".
Neste sentido, a sociedade seria uma estrutura que produziria automaticamente a sua auto‑regulação e, portanto, seria, neste domínio, marcada pela auto‑suficiência. A sociedade seria um status, uma intenção de poder que se estabilizou e adquiriu forma e que, como tal, perduraria, uma ordem geradora do seu próprio estatuto ou ordenamento.
 
1901
Principi di Diritto Amministrativo Italiano
 
 
1918
Corso di Diritto Coloniale
 
 
1918
L'Ordinamiento Giuridico. Studi sul Concetto, le Fonti e i Caratteri del Diritto
 
Trad. cast. El Ordinamiento Juridico, Madrid, Instituto de Estudios Politicos, 1963.
1926
Corso di Dirittto Internazionale
 
 
1930
Corso di Diritto Amministrativo
 
 
1932
Corso di Diritto Costituzionale
 
 
1945
Prinzipi di Diritto Costituzionale Generale
 
 
1947
Frammenti di un Dizionario Giuridico
 
 
 
 
Santíssimo Sacramento, Francisco Do (1610-
1689)ìSacaramento
 
 
Santo Ofício, Conselho geral do Embora não possa formalmente considerar-se um organismo dependente do Estado, saliente-se o Conselho Geral do Santo Ofício, cuja criação foi autorizada por bula papal de 16 de Julho de 1547 e que vai ter o primeiro regimento logo em 1552. Em 1570 é o regimento do cardeal D. Henrique, aprovado por D. Sebastião; em 1613, o Regimento de Pedro Castilho, o primeiro a ser impresso; em 1640, o de Francisco de Castro; em 1774, o Regimento pombalino do Cardeal Cunha que vem equiparar o Santo Ofício a qualquer outro tibunal régio. è apenas extinto em 1821.
 
 
 
Santos, António Maria de Azevedo Machado (1875-1921) Chefe dos revolucionários do 5 de Outubro de 1910. Tinha a República metida no corpo e na alma, segundo Cunha Leal. Funda O Intransigente Participa num projecto de Aliança Nacional em 1911, com Sampaio Bruno e Basílio Teles. Tenta organizar um partido reformista. Era o centro de episódicas concentrações de individualidades Promove revolta de 27 de Abril de 1913. Opõe-se a Bernardino Machado e a Afonso Costa, em 1914. Preso em Maio de 1915, depois da queda de Pimenta de Castro. Desterrado para Ponta Delgad a. Organiza nova revolta em Dezembro de 1916. Apoiante do sidonismo. Ministro do interior de 12 de Dezembro de 1917 a 7 de Março de 1918. A partir dessa data e até 9 de Junho de 1918 assegura a pasta das subsistências e dos transportes. Assassinado na noite sangrenta de 19 de
Outubro de 1921.
 
 
Santos, António Pedro Ribeiro Doutor em ciência política. Professor do ISCSP.
·A Imagem do Poder no Constitucionalismo Português
Dissertação de doutoramento. Lisboa, ISCSP, 1990.
·História Económica e Social. A Era Pré-Industrial
Lisboa, ISCSP, 1993.
·O Estado e a Ordem Pública. As Instituições Militares Portuguesas
Lisboa, ISCSP; 1999.
 
 
 
Santos, António Ribeiro dos (1745-1818) Natural de Massarelos, Porto. Educado no Brasil num colégio de jesuítas. Doutor em direito canónico por Coimbra e professor na mesma universidade. Nomeado em 1788 membro da Junta de Revisão e Censura do novo Código. Foi o primeiro bibliotecário-mor da Biblioteca Nacional de Lisboa, a partir de 1796. Membro da Academia das Ciências desde 1779, escreveu inúmeras memórias para essa instituição, nomedamente sobre sobre literatura judaica, origens da tipografia e história da cartografia. Este lente de cânones em Coimbra, por exemplo, é um dos que, por ocasião da "viradeira" pós‑pombalista, vai reagir ideologicamente contra o absolutismo pombalista, em nome desses ideais. Como diz Cabral de Moncada, nele se sente "num eco longínquo, a voz doutrinária de Vaz de Gouveia e dos juspublicistas da Restauração, de mistura com algo das ideias do novo evangelho político dos jusnaturalistas do século XVIII e das Constituições inglesa e americana". Para Ribeiro dos Santos, "em um governo que não é despótico, a vontade do Rei deve ser a vontade da Lei. Tudo o mais é arbitrário; e do arbitrio nasce logo necessariamente o despotismo... O Principe e a lei devem mandar uma mesma cousa, porque o throno e as leis têm a mesma origem, e dirigem‑se a um mesmo fim". Embora não defenda directamente os princípios da soberania popular, tem a coragem de proclamar "os direitos invioláveis da nação" e de "considerar os vassalos como corpo da nação". Aqueles direitos traduzir‑se‑iam na existência de leis fundamentais resultantes da "convenção expressa ou tácita entre o Povo e o Principe". E estas tanto podiam ser escritas como consuetudinárias, entendendo como tal os "costumes gerais e notórios... introduzidos de tempo imemorial por consentimento tácito dos seus Principes, e dos estados do Reino e confirmados por uso constante e prática de acções públicas e reiteradas; que são aquellas, a que os nossos Reis costumam muitas vezes recorrer em suas leis e testamentos, dando‑lhes o título de costume e estilo destes reinos". Entre essas leis fundamentais não escritas, Ribeiro dos Santos inclui princípios como o estabelecimento dos três Estados e das Côrtes, bem como "a liberdade que tem o povo de se tributar". Também a existência de Côrtes é vista não como "uma instituição arbitrária e dependente da vontade dos nossos principes... mas como um estabelecimento constitucional, fundado nos antigos usos e costumes... que exigiam a concorrência da nação, ou dos seus representantes no exercício do poder legislativo". Considera, do mesmo modo, que os "povos constituindo os reis, lhes não transferirão absolutamente todo o poder e auctoridade que tinhão, mas só lhes derão o poder de administração, fazendo‑os primeiros magistrados e mandatários da nação; e a ella inteiramente sujeitos e responsáveis no seu governo". Esta ideia da existência de leis fundamentais vai, aliás, assinalar toda uma corrente de opinião consensualista que também se manifesta em certa faceta do nosso liberalismo moderado bem como nalguns autores do tradicionalismo anti‑absolutista.
·A Verdade da Religião Cristã
Coimbra, 1787
·Notas ao Plano de Novo Código de Direito Público de Portugal
1789. Publ. em Coimbra, Imprensa da Universidade, 1844.
 
4Pereira, José Esteves, O Pensamento Político em Portugal no Século XVIII: António Ribeiro dos Santos, Lisboa, 1983. 4Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, II, pp. 283-284. ¾«Os Principais Jushistoriadores Portugueses», in História do Direito Português. Elementos Auxiliares, Lisboa, Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa, 1984, pp. 18 segs.. ¾ «A Questão do Novo Código», in História do Direito Português, II, 1983, pp. 130-153. }Silva, Inocêncio Francisco, Dicionário Bibliográfico Português, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1977, tomo I, pp. 247-256.
 
 
 
Santos, Boaventura Sousa Sociólogo português. Jurista de formação. Inspirador da Revista Crítica de Ciências Sociais. Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e director do Instituto de Ciências Sociais da mesma universidade. Partindo do neomarxismo, acompanha o modelo da Escola de Frankfurt, assumindo as perspectivas da esquerda norte-americana e que, no plano dos compromissos da pós-revolução portuguesa se traduz tanto nos apoios à candidatura presidencial de Maria de Lurdes Pintasilgo como à emergência do Bloco de Esquerda. Não se assumindo como o Anthony Giddens de António Gueterres, acaba por transformar-se numa espécie de intelectual orgânico dos tempos pós-cavaquistas, inspirando citações convenientes, coordenando projectos publicamente subsidiados, mas sem sujar as mãos com cargos políticos, dado não abandonar a bela insolência do maître à penser, ao mesmo tempo que promove uma escola altamente disciplinada por uma unidade de paradigma e de estilo, deste modo actualizando certa tradição coimbrã de um ex-cathedra orgânico, pleno de qualidade, mas hiperbolizando o iluminismo do pós-moderno, que, muito comteanamente, volta a considerar a sociologia praticada pela escola como a ciência arquitectónica, apesar dos mestres invocados, como Immanuel Wallerstein, não terem essa dimensão global, dado que presos à opinião conjuntural daquela moda que, talvez, venha a passar de moda.
·Democratizar a Universidade. Universidade para Quê?
Coimbra, Edições Centelha, 1995. «O Discurso e o Poder. Ensaio sobre a Sociologia da Retórica Jurídica», separata do Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Coimbra, FDUC, 1980.
·«O Direito e a Comunidade. As Transformações Recentes nos Países Capitalistas Avançados»
in Revista Crítica de Ciências Sociais, n. º 10, pp. 9-40, Coimbra, 1982.
·«O Estado em Portugal. 1974-1984»
In Revista Crítica de Ciências Sociais, n. º 14, pp. 7 segs., Coimbra, 1984.
·On Modes of Production of Social Power in the Law
 Institute for Legal Studies/University of Wisconsin-Madison, 1986.
·Um Discurso sobre as Ciências
Porto, Edições Afrontamento, 1987.
·«Uma Cartografia Simbólica das Representações Sociais. Prolegómenos a uma Concepção Pós-Moderna do Direito»
In Revista Crítica de Ciências Sociais, n. º 24, Coimbra, 1988.
·«Os Direitos Humanos na Pós-Modernidade»
 in Direito e Sociedade, n. º 4, 1989.
·Introdução a uma Ciência Pós-Moderna
Porto, Edições Afrontamento, 1989.
·O Estado e a Sociedade em Portugal. 1974-1988
Porto, Edições Afrontamento, 1990.
·Portugal. Um Retrato Singular
Porto, Edições Afrontamento, 1993.
·Pelas Mãos de Alice. O Social e o Político na Pós-Modernidade
Porto, Edições Afrontamento, 1994.
·Toward a New Common Sense. Law, Science and Politics in the Paradigmatic Transition
Londres, Routledge & Kegan Paul, 1995.
 
Santos, Clemente José dos (m. 1892) Barão de S. Clemente. Funcionário da Câmara dos Deputados. Especialista no cerimonial português e compilador de documentos e biografias parlamentares.
·Estatísticas e Biographias Parlamentares Portuguezas
Porto, Tipografia do Comércio do Porto, 1887, 1890 e 1892. Três partes em 6 tomos.
·Documentos para a História das Cortes Gerais da Nação Portuguesa
8 tomos, Lisboa, Imprensa Nacional, 1883-1891.
 
 
 
Santos, Delfim (1907-1966) Licenciado pela faculdade de letras do Porto em 1931. Leitor de português em Berlim desde 1937, onde contacta com Hartmann e Heidegger. Doutorado em 1940 na Universidade de Coimbra, com Conhecimento e Realidade. Catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa desde 1950. Considera que "todo o saber que de algum modo se organiza é sistema porque o saber, desde que organizado com inteligência de causa, método e finalidade, é sistema, quer este se revista, ou de um perfil poético, ou de um perfil científico, ou de um perfil teorético".
·Situação Valorativa do Positivismo
Berlim, 1938
·Da Filosofia
Porto, 1939
·Fundamentação Existencial da Pedagogia
Lisboa, 1946
·”O Pensamento Filosófico em Portugal”
In, Portugal, Lisboa, Secretariado Nacional da Informação, 1946.
·Obras Completas
Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 3 vols,
1971, 1973, 1977.
 
Santos, Eduardo Investigador. Licenciado pelo ISCSPU e pela faculdade de direito de Coimbra. Especialista em temas de política africana e em missionologia.
·Socialismo Africano
Mem Martins, Publicações Europa-América, 1971.
·A Negritude e a Luta pelas Independências na África Portuguesa
Lisboa, Edições Minerva, 1975.
 
 
Santos, Fernando Matoso dos Formado em Medicina e Filosofia por Coimbra. Lente desde 1880. Ministro da Fazenda de Hintze Ribeiro em 1900. Presidente da Associação Industrial Portuguesa.
 
Santos, Fernando Piteira Político, jornalista e professor português. Depois de militância comunista, é expulso do partido em 1951, mantendo-se como antifascista independente. Membro do grupo de Argel, com Manuel Alegre, funda a FPLN. Novas desinteligências com o PCP em 1970. Depois de 1974 é director do Diário de Lisboa.
·As Grandes Doutrinas Económicas
Lisboa, Publicações Europa-América, 1951. Obra editada sob o pseudónimo de Arthur Taylor.
·Geografia e Economia da Revolução de 1820
[1ª ed., 1962], 3ª ed., Mem Martins, Publicações
Europa-América, 1980.
 
Santos, Francisco Araújo Liberal brasileiro da actualidade.
·A Emergência da Modernidade
1990.
·O Liberalismo
1991.
 
Santos, Francisco Inácio Pereira dos Sacerdote católico. Doutor em direito por Lovaina (1935). A dissertação é orientada por Jean Dabin. Faz uma hermenêutica do salazarismo, aceitando a crítica ao totalitarismo, mas sem assumir a defesa da democracia.
·Un État Corporatif. La Constitution Sociale et Politique Portugaise
(dissertação de doutoramento, Jean Dabin, orient. ) [1ª ed., 1935, Georges Renard, pref. ], Marcello Caetano, pref., Lisboa, 1940.
·Capitalismo ou Comunismo? Resposta da Sociologia Cristã
 Lisboa, União Gráfica, 1954.
 
Santos, José Beleza dos (n. 1885). Criminalista português. Doutorado em 1921. Professor catedrático da Faculdade de Direito de Coimbra desde 1924. Autor de A Simulação em Direito Civil e de Lições de Direito Criminal.
 
 
 
 
Santos, José Domingues dos (1885-1958) Licenciado em Direito. Ex-seminarista. Chefe da ala canhota do partido democrático, funda a Esquerda Democrática. Exilado em França depois de 1926, é membro do Grupo de Buda e da Liga de Paris. Apoia a Frente Popular. Como governante, participa em cinco gabinetes da I República: ministro do trabalho do governo Sá Cardoso, de 29 de Junho de 1919 a 21 de Janeiro de 1920; ministro do comércio do governo de António Maria da Silva (de 26 de Junho a 19 de Julho de 1920); ministro do trabalho do governo de Liberato Pinto (de 30 de Novembro de 1920 a 2 de Março de1921 e de 2 de Março a 19 de Julho de 1921); ministro da justiça no governo de Álvaro de Castro, de 18 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924; presidente do ministério de 22 de Novembro de 1924 a 15 de Fevereiro de 1915.
 
Santos, José Gonçalves Pereira dos (n. 1855) Deputado regenerador desde 1881. Líder parlamentar dos regeneradores em 1905-1907. Engenheiro militar. Lente da Escola do Exército e do Instituto Industrial de Lisboa. Ministro das obras públicas, comércio e indústria dos governos de Hintze Ribeiro: de 26 de Junho a 30 de Novembro de 1900 e de 21 de Março a 19 de Maio de 1906. A mesma pasta no governo de Texeira de Sousa de 26 de Junho a 5 de Outubro de 1910.
 
 
 
Santos, J. Pinto dos Em 1903 abandona o partido regenerador e filia-se no partido progressista. Alinha na dissidência progressista de José Maria Alpoim em 1905.
 
Santos, Manuel dos –Nação, 58, 376
 
Santos, Wanderley Guilherme dos Liberal brasileiro da actualidade
·Paradoxos do Liberalismo
1988.
 
Santos, Manuel Pinto, Monarquia Constitucional. Organização e Relação do Poder Governamental com a Câmara dos Deputados (1834-1910), Lisboa, 1986.
 
Santos Júnior, A. R. (n. 1908) Alfredo Rodrigues dos Santos Júnior. Médico. Ministro do interior do salazarismo de 4 de Maio de 1961 aa 19 de Agosto de 1968. Presidente da câmara de Gouveia.
 
Santuário Lugar de refúgio ou de protecção, onde aqueles que nele se acolhem ficam imunes de um determinado castigo legal. No processo da guerra subversiva, ou revolucionária, diz-se também das bases donde partem os ataques, normalmente situadas no território de um Estado vizinho que apoia as forças subversivas, ou revlucionárias.
 
Sanz del Rio, Julián (1814-1869) Chefe dos krausistas espanhóis. Estuda direito e filosofia, formando-se em Heidelberg. Criador da Institución Libre de Enseñanza. A respectiva defesa do laicismo faz com que entre 1867 e 1868 tenha sido saneado da cátedra de História da Filosofia em Madrid. Diz ter escolhido o krausismo por este ser o mais consequente e o mais completo e o sistema que se conformava melhor com o são bem senso, dado também ser o mais susceptível duma aplicação prática.
·Ideal de la Humanidad para la Vida
1860.
·Lecciones para el Sistema de Filosofia Analítica de K. Ch. Krause
1904.
·El Idealismo Absoluto
1904.
 
4Lopez-Morillas, Juan, El Krausismo Español. Perfil de una Aventura Intelectual, México, Fondo de Cultura Economica, 19564Jobit, Pierre, Les Éducateurs de l'Espagne Contemporaine I. Les Krausistes, Paris, 1936.
 
 
 
 
 
São Boaventura, Frei Fortunato de (m. 1844) Membro da Ordem de Cister, foi lente de teologia, vindo a assumir em 1831 o cargo de Reformador Geral dos Estudos e de arcebispo de Évora. Biógrafo de Francisco da Silveira, Wellington e Beresford. Propagandista contra-revolucionário. Em 1811 editou O francezismo desmascardo ou exame das formas de que ultimamente revestio aquella manhosa seita, onde maneja com toda a desenvoltura as teses de Burke, de Maistre e Bonald. Um dos principais animadores das gazetas Minerva Lusitana (1808-1809), Pinhal dos Corcundas (1823-1824), Maço Férreo Anti-Maçónico (1823), Mastigoforo (1824), A Contra-Mina, periódico moral e político (1830-1832) e O Defensor dos Jesuítas (1829-1833), vindo a ser julgado pelos tribunais vintistas. A partir de 1834 exilou-se em Itália. Defende um rei absoluto um rei que governa o seu Reino sem conhecer por seu superior se não o mesmo Deus. Salienta que nunca o Povo se diz Soberano para outro fim mais do que para cair toda a Soberania nas mãos de um punhado de aventureiros que desta arte lhe fazem a boca doce, enquanto muto a salvo, a despeito da moral cristã e dos princípios mais vulgares de decência, vão enchendo a bolsa.
 
São Januário, 1º Visconde de (1829-1901) Governador civil do Porto demitido em Abril de 1865 pelo governo de Sá da Bandeira, é eleito deputado logo em 9 de Julho de 1865. Ministro da guerra. Ministro da marinha e do ultramar no governo de Braamcamp de 3 de Julho de 1880 a 25 de Março de 1881.
 
São Lourenço, Conde de (1794-1863) Ministro da guerra de D. Miguel em 20 de Fevereiro de 1829. Demite-se logo no dia seguinte.
 
 
 
São Luís, Frei Francisco de (1766-1845) Maçon, com o nome simbólico de Condorcet. Nome beneditino dado a Francisco Justiniano Saraiva. Professor de Coimbra e sócio da Academia das Ciências de Lisboa. Combate os franceses em 1808. Adere ao Sinédrio e será membro preponderante da Junta Provisional em 1820. Deputado da Junta de Governo criada em Alcobaça em 27 de Setembro de 1820. Membro da regência do reino nomeada pelas Cortes em 26 de Janeiro de 1821. Reitor da universidade de Coimbra e bispo da mesma cidade (1821-1823). Deputado em 1823. Presidente da Câmara dos Deputados em 1826 e 1834. Exilado na Serra de Ossa entre 1828 e 1834. Será depois patriarca de Lisboa, ficando conhecido como Cardeal Saraiva. Ministro do reino no governo de Palmela entre 24 de Setembro de 1834 e 16 de Fevereiro de 1835. Em carta ao marquês de Resende proclama: lamento-me de que o espírito científico, que tem contribuído tanto para o progresso das ciências físicas, não tenha também completamente e perfeitamente feito progredir as ciências morais e políticas, que hoje estão, pelo contrário, entregues à hipótese, à imaginação, às paixões e às disputas.
·Manifesto da nação portuguesa aos soberanos e povos da Europa
15 de Dezembro de 1820.
·Obras Completas
1855.
 
 
São Marino (Serenissima Repubblica di San Marino). 61 km2 e 23 600 habitantes. Considera-se o Estado mais antigo da Europa; terá sido fundado por Marinus no século XI, tendo-se transformado em república no século XV; em 1463, o Papa reconheceu a autonomia do
território; em 1862 foi assinado um tratado com a Itália
 
 
SÃO PAULO ou Paulo de Tarso 5/15-67 Cidadão romano, Paulo de Tarso, convertido ao cristianismo. Nietzsche acusa-o de ter posto Cristo contra Jesus, de ter sido o verdadeiro fundador do cristianismo. Com efeito, cabe-lhe estabelecer a origem divina do poder: não há poder senão o que vem de Deus(non est potestas nisi a Deo) e aqueles que existem são instituídos por Deus. Utiliza também a metáfora do corpo político, quando salienta que a comunidade dos cristãos forma o corpo místico de Cristo, que a Igreja constitui o corpo de Cristo. Defende também um radical princípio da igualdade: já não há grego nem judeu, nem circunscricizado nem incircuncizado, nem bárbaro, nem citam nem escravo nem homem livre, mas Cristo que é tudo em tudo.
·Epístolas de São Paulo.
 
4Holmberg, B., Paul and Power. The Structure of Authority in the Primitive Epistles, Philadelphia, Fortress Press, 1978. 4Monconduit, François, «Saint Paul», in Dictionnaire des Oeuvres Politiques, pp. 633-638.
 
 
São Tomás, Frei João de (1589-1644) Nasce em Lisboa. Filho de um diplomata catalão. Estuda em Coimbra e em Lovaina. Confessor de Filipe IV. Reage contra o luteranismo filiado no agostinianismo.
·Cursus Theologicus
publicado entre 1637 e 1677.
 
 
 
Saraiva de Morais Figueiredo, António Ribeiro (1800-1890) Nasce em Sernancelhe. Formado em Direito. Diplomata ao serviço de D. Miguel. Depois de 1834 exila-se em Londres, de onde chefia a causa miguelista. Formou-se em leis em Coimbra (1816-1821). Redige em 1835 O Contrabandista, órgão do miguelismo no exílio, a partir de Londres. Segue-se A Península, em 1840. Escreve também vários panfletos como Passado, Presente e Futuro ou Guia da Salvação Pública de Portugal, de 1835, e Quid Faciendum? Considerações Offerecidas aos Partidos Portuguezes, ao Presente Colligados para o Bem Nacional. Por um Legitimista Constitucional, 1842. Autor de Diário (1831-1845), 2 vols, Lisboa, 1915-1917. SARAIVA, António Ribeiro –Legitimidade, 55, 350. num texto de 1842, considerava que a legitimidade para os realistas era "a legitimidade nas coisas, nas instituições de um Estado, nos grandes contratos sociais e nacionais, nos interesses públicos e direitos criados, enfim, na observância das condições da socieade", até pelo facto de ser "o único princípio salutar que pode garantir a paz, a justiça, atranquilidade e a boa ordem nos Estados"
·Cartas Conspiradoras
Londres, 1844.
·“Diário” de António Ribeiro Saraiva
Lisboa, 2 vols., 1915 - 1917.
 
4Silveira, João Santos, Acção Política do Representante de El-Rei, o Senhor D. Miguel I em Londres [1970], Ponta Delgada, 1985. 4Veiga, João Melo Dias Mota, António Ribeiro Saraiva, Vida, Obra e Pensamento, Coimbra, 1966. 4Alvim, João Carlos, A Revolta Miguelista contra o Cabralismo. Cartas de António Ribeiro Saraiva e Cândido Figueiredo e Lima, Lisboa, Assírio & Alvim, 1985. 4Campos, Fernando, O Pensamento Contra-Revolucionário em Portugal, vol. II, pp. 127 segs..
 
Saraiva, Alberto da Cunha Rocha  (1886 - 1946) Alberto da Cunha Rocha Saraiva. Professor de direito. Ministro durante a I República: da instrução pública no governo de Cunha Leal, de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922; do trabalho no de António Maria da Silva, de 9 de Janeiro a 15 de Novembro de 1923. Começa como professor em Coimbra, transferindo-se para Lisboa, no ano lectivo de 1915-1916, autor de A Construção Jurídica do Estado, Coimbra, 1912, e de. Dele nos ficaram as seguintes lições de direito político/ direito constitucional: 
 
"considerar o Estado como pessoa jurídica é afirmar que ele se encontra submetido ao direito. Dizê‑lo soberano apenas significa que ele não está sujeito a nenhuma colectividade superior e de modo nenhum que se lhe não imponha o direito objectivo".
Daí referir que " as questões políticas e administrativas adquiriram uma forma jurídica para conjurar o arbitrio, para submeter ao direito o poder público, nenhum meio mais eficaz, mais directo e seguro do que considerar o Estado como pessoa jurídica".
 
·A Construção Jurídica do Estado
Coimbra, 1912.
·As Teorias sobre a Representação Política e a Nossa Constituição
[1916]
·«As Doutrinas Políticas Germânica e Latina e a Teoria da Personalidade Jurídica do Estado»
In Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, vol. II, Lisboa, FDUL, 1917.
·Lições de Direito Político
Coligidas de harmonia com as prelecções do Exº Sr. Dr. Rocha Saraiva ao curso do 1º ano jurídico de 1914-1915, por Augusto Oliveira e A. Duarte Silva, Coimbra, 1914
·Cadeiras de Direito Político
Sumários das Matérias Professadas no Ano Lectivo de 1915-1916, da autoria dos Professores Ludgero Neves e Rocha Saraiva (em Lisboa)
·Direito Público
Rocha Saraiva, coligido por Rómulo Rosa Mendes, Lisboa, 1925;
·Apontamentos de Direito Constitucional,
por Arlindo de Castro, Lisboa, 1931.
 
 
Saraiva, António José
·Herculano e o Liberalismo em Portugal
2ª ed., Lisboa, 1977.
·Política de Discriminação Social e a Repressão da Heterodoxia
Lisboa, 1958.
·Inquisição e Cristãos-Novos
Porto, Inova, 1969.
·Maio e a Crise da Civilização Burguesa
Mem Martins, Publicações Europa-América, 1970.
 
Saraiva, José Hermano (n. 1919) Licenciado em direito e em ciências histórico-filosóficas. Professor e reitor de liceu. Professor de direito no ISCSPU. Deputado salazarista. Ministro da educação nacional de Salazar e Marcello Caetano, de 19 de Agosto de 1968 a 15 de Janeiro de 1970. Embaixador de Portugal no Brasil com o marcelismo. Assume-se, depois de 1974, como um brilhante apresentador de programas históricos na televisão. Irmão de António José Saraiva.
 
Saramago, José (n. 1922) Escritor português. Prémio Nobel da Literatura em 1998. Membro do Partido Comunista.
 
Sardenha, Reino da Nome dado ao Grão-ducado da Sabóia a partir de 1720. Ver Piemonte
 
 
 
Sardinha, António (1888-1925) Ensaísta português fundador do Integralismo Lusitano. Insigne vulgarizador do tradicionalismo. Marcado pela origem republicana e formado no positivismo de Comte. Quer colocar-se naquilo que designa como o campo da ciência objectiva, assumindo-se contra o romantismo revolucionário. Considera que "pela federação das nossas confrarias agrícolas Portugal se constituiu". Salienta que as causas da crise espiritual do Ocidente derivam do chamado renascimento do direito romano, onde o "absolutismo dos reis entra a preverter a noção cristã de autoridade". Esse vício teria sido agravado pela Renascença "com a sua ideia naturalista do Poder e o seu centralismo excessivo, mesmo despótico" e com ela, Lutero que "quebra a unidade moral da Europa". Acontece que na Península Ibérica "o humanismo pretensioso da Renascença se depura e deixando de ser, como era para os gafados italianos, um fim, ‑ um ideal de vida, volve‑se com os Colégios da Companhia (de Jesus) acentuadamente, um meio de educação valiosíssimo, ‑ um valioso agente de formação mental, de que o Colégio das Artes em Coimbra nos fornece um exemplo convincente". Depois, com a derrota da Invencível Armada, deu‑se "o cisma das nações e o advento das éticas do norte com o seu natural triunfo em Vestfália". Finalmente, o absolutismo vai triunfar sem reservas no século XVIII, "destruindo todos os organismos intermédios" e deixando "apenas o Estado na presença do indívíduo, despojado já da rede miúda das associações domésticas e económicas". Para Sardinha, "o Estado Absolutista do século XVIII antecede logicamente o Estado Metafísico e todo poderoso das modernas democracias. Esse Estado é o Estado napoleónico baseado não na noção histórica da autoridade derivada da Família, da Comuna e das Corporações, mas no simples conceito materialista da força e do domínio". A seguir veio o idealismo alemão:"nos seus vícios estruturais o germanismo, para evitar o vácuo, encaminha‑nos para o absoluto. Donde a quase divinização do Estado, com Fichte e Hegel por seus corifeus na Pátria de Kant, ‑ no solar do livre exame". Citando George Santayana, vai considerar pagã essa filosofia germânica do eu, "procurando sobrepôr a inteligência como princípio e fim de si mesma, às evidências contantes do ser". Para ele "na pulverização crescente da sociedade, o 'indivíduo' dos idílios solitários de Rousseau dera lugar ao 'cidadão' dos festins eleitorais do liberalismo" e este "volveu‑se sem demora no 'produtor' da metafísica bastarda de Karl Marx". Foi, assim, que o Estado passou de "instituição coordenadora e complementária" a "instrumento de domínio" e que se gerou "o estadualismo mais abusivo e mais arbitrário". Nestes termos, Sardinha vai propôr o regresso ao direito natural, "como compreendia S. Tomás e toda a magnífica coorte dos seus comentadores peninsulares da Contra‑Reforma, com o insigne Francisco Suarez à cabeça". Seria o regresso à liberdade orgânica e à noção de pessoa: " a liberdade, ‑ no seu superior sentido orgânico ‑ é natural da Península, sendo entre nós o absolutismo um intruso violento, um hóspede atrevido e não desejado". Com efeito, "os hispanos basearam‑se sempre, por condição peculiar da sua índole, na noção de pessoa" e não na noção de indivíduo; "a individualidade vem do corpo, da matéria, do instinto. Inversamente, a personalidade da alma. " Para ele, o cristianismo é uma "grande democracia espiritual, ‑ a única, a verdadeira" e "em cujo seio somos todos irmãos e iguais perante Deus, diferenciando‑se somente pelos méritos adquiridos, pelas virtudes professadas, ‑ essa grande democracia espiritual, repito, correspondia ao que borbulhava no mais entranhado do génio hispânico: a ideia da independência e a ideia de responsabilidade".
·Valor da Raça. Introdução a uma Campanha Nacional
Lisboa, Almeida, Miranda e Sousa Editores, 1915.
·Ao Princípio era o Verbo. Ensaios e Estudos
Lisboa, Livraria Portugália, 1924; cfr. 2ª ed., Lisboa, Restauração, 1959.
·A Teoria das Cortes Gerais
Lisboa, 1925; cfr. 2ª ed., Lisboa, Biblioteca do Pensamento Político, 1978.
 
}Ascensão, Leão Ramos, O Integralismo Lusitano, Lisboa, Edições Gama, 1943. 4Braga, Luís Almeida, A Posição de António Sardinha, Lisboa, Edições Gama, 1943. 4Número especial da revista A Cidade. Revista Cultural de Portalegre, Julho-Dezembro de 1988.
 
 
Sargent, Lyman Tower, Contemporary Political Ideologies. A Comparative Analysis, 9ª ed., Belmont, Wadsworth, 1993.
 
 
Sarmento, Alexandre de Morais (m. 1840) 1º Visconde de Banho. Deputado vintista. Embaixador em Madrid em 1834. Ministro do reino do frustrado governo da belenzada, constituído de 4 para 5 de Novembro de 1836.
 
Sarmento, Critóvão de Morais Visconde da Torre de Moncorvo. Embaixador em Londres em 1823 e, depois, em Copenhaga.
 
Sarmento, José Estevão de Morais (1843-1930) Director do Colégio Militar e da Revista Militar. Historiador. Ministro da guerra de Hintze, entre 7 de Abril de 1896 e 7 de Fevereiro de 1897.
 
 
 
Sarmento, Júlio Ernesto de Morais (n. 1875) Oficial de cavalaria Ministro da guerra de 11 de Abril de 1928 a 8 de Julho de1929.
 
Sarre  (Saar) Até 1797 o território estava dividido entre a França, o duque de Zweibrúcken e o cone de Nassau-Saarbrúcken; depois desta data passou para a França, até 1815, quando foi dividido entre a Prússia e a Baviera; depois da Grande Guerra ficou sob controlo da SDN, mas em 1935, depois de referendo, passou para a Alemanha; sob ocupação militar francesa desde 1945, entrou, a partir de 1948, em regime de união aduaneira com o mesmo Estado; em 27 de Outubro de 1956, pelo acordo do Luxemburgo, foi programada a respectiva integração na RFA que se concretizou em 1 de Janeiro de 1957
 
 
Sartori, Giovanni (n. 1924) Professor italiano de ciência política. Até 1976 na universidade de Florença e depois nos Estados Unidos, em Stanford e na Columbia University de Nova Iorque. Fez o discurso fundador da Associação Portuguesa de Ciência Política em Julho de 1998.
O possível e o ideal
Estabelece uma clara distinção entre o liberalismo anglo‑saxónico, defensor do "possível", e as democracias igualitárias latinas, defensoras do "ideal". Estas últimas são cerebrais e intelectualistas, estando marcadas por princípios a prioristicos e pelo perfeccionismo utópico, considerando a igualdade como meio para atingir a liberdade, dotada de uma estrutura mental racionalista, dogmática e definitiva bem como uma concepção conflitual onde a realidade é que se deve render à razão. Pelo contrário o liberalismo anglo‑saxónico é pragmático, defende o crescimento gradual e a experiência, considera que a liberdade é um meio de atingir a igualdade, dotada de uma estrutura mental empírica, um espírito antidogmático que procede por ensaios bem como uma concepção legalista onde a razão se deve adaptar às realidades. A sociologia política, conforme assinala Sartori, é "um híbrido interdisciplinar procurando combinar variáveis explicativas sociais e políticas, ou seja, procurando combinar os inputs sugeridos pelo sociólogo com os inputs sugeridos pelo cientista político. Pelo contrário, a sociologia da política é uma redução sociológica da política". Considera que os cultores da ciência política, quando procuram distinguir‑se do "normativismo" dos juristas e dos filósofos, que obedeceriam aos cânones das chamadas ciências ideográficas ou individualizantes, estariam as seguir os ditames das ciências nomotéticas ou generalizantes. Salienta que "há filósofos disfarçados de cientistas"tal como existem charlatães em busca de misturas de literatura, filosofia, política, quem sabe, também de poesia e outros ingredientes" Não podemos, contudo, deixar de reconhecer que também há cientistas que mais não fazem do que dar uma ilusão de cientificidade a uma determinada ideologia e, muito aristotelicamente, que a poesia pode ser mais filosófica, no sentido de mais verdadeira, do que a história. "O nosso intelligere apreende o finito, não o infinito: o que é dividido e articulado, não o indiviso e indiferenciado". Refere que "a acção do marxismo demonstrou nos últimos cinquenta anos, a falta de unidade entre teoria e praxis; mostrou que a praxis se inverte, ao contrário do que previa e desejava a teoria.... É que o behaviorismo contribuiu para "a redução da política à sociologia política", sendo comparável à jurisdicização da mesma política, para concluir:"a behaviorização da ciência política põe em questão a autonomia da política. O tratamento se reflecte no objecto. Se a ciência é o como, esse como desfocaliza o quê e termina por sufocá‑lo". Para o mesmo Sartori "numa extremidade, a ciência devora a política; na outra, a política devora a ciência. Os dois extremos se tocam, e se transformam um no outro:a obrigação do cerdadeiro politólogo é impedir que isso aconteça". O homem só era um homem inteiro se estivesse em simbiose com a  polis, pelo que "o homem não político era inferior, era menos‑que homem"
foi Maquiavel o descobridor da política como algo de diferente da moral e da religião, considera, contudo, que só com o Leviathan de Thomas Hobbes, de 1651, se deu a primeira procura de cientificidade política, dado que nele "a ordem política é criada pelo seu fiat, pelo seu poder de inventar palavras, de defini‑las, de impô‑las aos súbditos". Foi, aliás, o próprio Hobbes que salientou o facto das "primeiras palavras" serem "propostas arbitrariamente pelos que em primeiro lugar deram nomes às coisas". Refere que "o caminho complexo e tortuoso da ideia da política" que "ultrapassa a cada instante, e em mil aspectos, a palavra correspondente". O behaviorismo, como salienta Giovanni Sartori, podia conduzir à redução da política à sociologia política, num processo equiparável à própria juridicização da mesma política, pondo em questão a autonomia da política. É que o tratamento se reflecte no objecto. Se a ciência é o como, esse como desfocaliza o quê e termina por sufocá‑lo. Para o mesmo Sartori, numa extremidade, a ciência devora a política; na outra, a política devora a ciência. Os dois extremos se tocam, e se transformam um no outro: a obrigação do verdadeiro politólogo é impedir que isso aconteça o caminho complexo e tortuoso da ideia da política que ultrapassa a cada instante, e em mil aspectos, a palavra correspondente
 
La Politica. Logica e Metodo in Scienze Sociali
 
Onde defende autonomia da ciência política.
1957
Democrazia e Definizioni
 
Bolonha, 1957 [trad. ing. Democratic Theory, Detroit, 1962; trad. fr. Théorie de la Démocratie, Paris, Librairie Armand Colin, 1973; trad. port. Teoria Democrática, Rio de Janeiro, Fundo de Cultura, 1965].
1962
A Teoria da Representação no Estado Representativo Moderno
 
Trad. port., Belo Horizonte, Edições da Revista Brasileira de Estudos Políticos/Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, 1962.
1964
Partiti e Sistemi di Partiti
 
Florença, Editrice Universitaria, 1964-1965 [trad. ing. Parties and Party Systems, Cambridge, Cambridge University Press, 1976; trad. cast. Partidos y Sistemas de Partidos, Madrid, Alianza Editorial, 1980].
1966
Stato e Politica nel pensiero di Bennedetto Croce
 
Nápoles, Morano, 1966. «Alla Ricerca della Sociologia Politica», in Rassegna Italiana di Sociologia, vol. IX, Roma, 1968.
1968
«Political Development and Political Engineering»
 
In Montgomery, J. D., Hirschman, Albert O., Public Policy, Cambridge, Massachussetts, Harvard University Press, 1968.
1968
«Tipologia dei Sistema di Partiti»
 
In Quaderni di Sociologia, vol. XVII, n. º Set., Roma, 1968.
1969
«Politics, Ideology and Belief Systems»
 
In American Political Science Review, vol. LXIII, Washington D. C., APSA, 1969.
1969
From Sociology of Politics to Political Sociology
 
In Government and Opposition, 4, 1969, pp. 195-214.
1970
«Per una Definizione della Scienza Politica»
 
In Antologia de Scienza Politica, Bolonha, 1970.
1970
Antologia di Scienza Politica
 
Bolonha, Edizioni Il Mulino, 1970. Ed.
1973
Correnti, Frazioni e Fazioni nei Partito Politici Italiani
 
Bolonha, Edizioni Il Mulino, 1973. Ed.
1975
Tower of Babel. On the Definition and Analysis of Concepts in the Social Sciences
 
Pittsburgh, International Studies Association, 1975. Com Fred Riggs e Henry Teune.
1976
Parties and Party Systems. A Framework for Analysis
 
Cambridge, Cambridge University Press, 1976 [trad. cast. Partidos y Sistemas de Partidos, Madrid, Alianza Universidad, 1980].
 
Trad. port. Partidos e Sistemas Partidários, Rio de Janeiro, Zahar, 1982
1979
La Política. Logica e Metodo in Scienze Sociali
 
Milão, Sugar Co., 1979 [trad. port. A Política, Brasília, Editora Universidade de Brasília].
1984
Social Science Concepts. A Systematic Analysis
 
Newbury Park, Sage Publications, 1984. Ed.
1987
The Theory of Democracy Revisited
 
2 vols., Chatham, Chatham House Publishers, 1987 [trad. cast. Teoria de la Democracia, 2 vols., vol. I - Los Debates Contemporaneos; vol. II - Los Problemas Clasicos, Madrid, Alianza Editorial, 1988].
1990
Elementi di Teoria Politica
 
[1ª ed., 1990], 3ª ed., Bolonha, Edizioni Il Mulino, 1995 [trad. port. Elementos de Teoria Politica, Madrid, Alianza Editorial, 1992].
1991
«Repenser la Démocratie. Mauvais Régimes et Mauvaises Politiques»
 
In Revue Internationale des Sciences Sociales, vol. 129, n. º Ago., Paris, 1991.
1993
La Democracia Despues del Comunismo
 
Madrid, Alianza Editorial, 1993.
1993
«Totalitarianism, Model Mania and Learning from Error»
 
In Journal of Theoretical Politics, vol. 5, n. º 1, 1993.
1993
Democrazia. Cosa è
 
Milão, Rizzoli Editori, 1993.
1994
Comparative Constitutional Engineering. An Inquiry into Structures, Incentives and Outcomes
 
Nova Iorque, New York University Press, 1994.
 
 
Sartre, Jean-Paul (1905-1980) Alsaciano. Agregado em filosofia desde 1929 pela École Normale Supériure. Continua os estudos em Friburgo, sendo influenciado por Husserl e Heidegger. Professor de Filosofia em Havre, desde 1936, e Paris, desde 1937. Mobilizado em 1939, fica detido de Junho de 1940 a Março de 1941. Assume o existencialismo. Funda, com David Rousset e Maurice Merleau-Ponty depois de 1945 o RDR (Rassemblement Démocratique Révolutionnaire) que procurava congregar todos os desiludidos de esquerda que não se enquadravam nas fileiras dos comunistas e dos socialistas franceses. Em 1949 Sartre entra em conflito com Rousset, quando este denuncia os campos de concentração estalinistas. O movimento fracassa e Sartre passa a compagnon de route dos comunistas, mas elogiando a via titista. Participa no Mouvement de la Paix e escreve artigos de intervenção em Les temps Modernes. Entra em conflito com Albert Camus, quando este publica L'Homme Revolté. Rompe com os comunistas em 1956 e 1957, denunciando o estalinismo. Apoia, desde a primeira hora, o movimento independentista argelino. Chega mesmo a prefaciar os Damnés de la Terre de Frantz Fanon. Apoia a luta dos palestinianos. Recusa o Prémio Nobel da Literatura em 1964. Durante o Maio de 68 critica a passividade do PCF e da CGT. Em 1970 torna-se director de La Cause du Peuple. Ainda em 1960 considera que o marxismo aparece como a única antropologia possível que é ao mesmo tempo histórica e estrutural e, além disso, a única que considera o homem na sua totalidade, ou seja, a partir da materialidade da sua condição e que longe de estar esgotado, o marxismo é ainda muito jovem, quase uma criança; apenas começou a desenvolver-se. Continua, portanto, sendo a filosofia da nossa época; é inexcedível porque as circunstâncias que o geraram ainda não foram ultrapassadas. Quaisquer que sejam elas, os nossos pensamentos só podem formar-se sobre esse húmus; devem estar contidos no quadro proporcionado por ele ou então perderem-se no vazio ou degradarem-se. Sartre dizendo que tais campos de concentração eram tão maus quanto o sensacionalismo que sobre os mesmos fazia a imprensa ocidental.
·L'Imagination
Paris, Alcan, 1936.
·Esquise d'une Théorie des Émotions
Paris, Hermann, 1939.
·L'Être et le Néant
1943.
·L'Âge de la Raison
1945.
·L'Existencialisme est un Humanisme
1946.
·Situations
3 vols., 1947-1949.
·Critique de la Raison Dialectique
Paris, Éditions Gallimard, 1960.
·Les Mots
1964.
 
Satyagraha O mesmo que força da verdade. Expressão com que Gandhi qualifica a tese da acção não violenta das massas, utilizada por ele nas campanhas de desobediência civil.
 
Satélite Diz-se e um país que, apesar de ser formalmente independente, é controlado por outro. Expressão amplamente usada durante da Guerra Fria para designar os Países do Leste europeu que a URSS considerava como apenas detendo uma soberania limitada, conforme expressão de Brejnev.
 
Saudosismo Corrente de pensamento iniciada por Teixeira de Pascoaes a partir da Renascença Portuguesa e da revista portuense A Águia, publicada entre 1910 e 1932. A saudade é entendida como o sangue espiritual da raça, um sentimento-ideia, uma emoção reflectida. Ligado a ideia de saudade ao autonomismo quinhentista e ao processo de resistência sebastianista, o movimento, que defendia uma democracia religiosa e rural, foi injustamente acusado de passadista, quando era um activismo vitalista, anti-intelectualista e antimecanicista, conforme assinala Pinharanda Gomes. Entre os intelectuais da corrente, Leonardo Coimbra, Jaime Cortesão e Afonso Lopes Vieira, bem como o pintor António Carneiro. Já D. Duarte no Leal Conselheiro definia a saudade como sentido do coração que vem da sensualidade e não da razão. E Garrett em Camões entendia-a como dor que tem prazeres.
 
Saussez, Thierry, Politique Séduction, Paris, Éditions Jean-Claude Lattès, 1985.
Nous Sommes Ici par la Volonté des Media, Paris, Éditions Robert Laffont, 1990.
 
Sauer, Wilhelm
Filosofía Jurídica y Social
Barcelona, Labor, 1933
·System der Rechts und Sozialphilosophie
1949, 2ª ed.
·Juristische Methodenslehre
1940.
 
 
 
Saussure, Ferdinand de (1857-1913) Nasce em Genebra. Estuda e doutora-se em Leipzig (1881). Professor em Paris, até 1891, e, depois, Genebra. Fundador da escola linguística do estruturalismo.
·Cours de Linguistique Générale
1916. Obra póstuma, publicada pelos discípulos C. Bally e A. Sechhaye. Ver ed. Paris, Payot, 1964.
 
Sauvy, Alfred (n. 1898) Professor no Collège de France e director do Instituto de Demografia da Universidade de Paris.
·Richesse et Population
Paris, Librairie Payot, 1943.
·Le Pouvoir et l’Opinion. Essai de Psychologie Politique
Paris, Librairie Payot, 1949.
·La Montée des Jeunes
Paris, Calmann-Lévy, 1953.
·L’Opinion Publique
Paris, Presses Universitaires de France, 1956.
·La Nature Sociale
Paris, Armand Colin, 1957.
·De Malthus à Mao Tse Toung. Le Problème de la Population dans le Monde
Paris, Denoel, 1958.
·Les Limites de la Vie Humaine
Paris, Hachette, 1961.
·Malthus et les Deus Marx
Paris, Denoel, 1963.
·Théorie Générale de la Population
2 vols., Paris, PUF, 1963-1966.
·Mythologies de Notre Temps
Paris, Payot, 1965.
·Bureaux et Bureaucratie
Paris, PUF, 1967.
·La Tragédie du Pouvoir
Paris, Éditions Hachette/Pluriel, 1978.
 
Savas, E. S., Privatizing the Public Sector, Chatham, Chatam House, 1985.
 
 

 
 
Savigny, Friedrich Carl Von (1779-1861)
 
directamente influenciado por Edmund Burke, o romantismo vai ter reflexos no mundo jurídico, estruturando‑se a chamada Escola Histórica.
O elemento conceitual fundamental desta corrente jurídica é a noção de povo (Volk
entendido como totalidade orgânica, aliás, bem diversa daquela outra que o considera como simples adição de indivíduos. O povo da Escola Histórica é um ser vivo marcado por forças interiores e silenciosas que segrega uma espécie de consciência popular, o espírito do povo (Volksgeist).
Este povo vivo, que não se reduz portanto à simples abstracção de um colégio eleitoral ou de uma assembleia de cidadãos, também não pode ser confundido com uma qualquer classe social, seja o proletariado ou os sans coulottes.
O povo é anterior e superior ao Estado e é do espírito do povo que brota tanto a língua como o direito, consideradas produções instintivas e quase inconscientes que nascem e morrem com o próprio povo.
No caso específico do direito, o costume teria de ser mais importante do que a lei, porque o que emana do Volksgeist tem estar numa posição superior aos próprios ditames do Estado.
·Vom Beruf unserer Zeit für Gesetzgebung und Rechtswissenschaft
Berlim, 1814.
·System des heutingen römischen Rechts
1840.
 
4Battaglia, Felice, Curso de Filosofia del Derecho, trad. cast. de Francisco Elias Tejada e Pablo Lucas Verdú, Madrid, Reus, 1951, I, pp. 317 segs.. 4Fraga, Gustavo, «Savigny», in Logos, 4, cols. 951-954. 4Maltez, José Adelino, Princípios Gerais de Direito. Uma Abordagem Politológica, Lisboa, Associação de Estudantes do ISCSP, 1992, tomo I, pp. 236 segs.. ¾Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, II, pp.
133 segs..
 
 
Savonarola, Girolamo (1452-1498) Dominicano de Florença, líder da república teocrática, entre 1494-1497. Nas suas pregações apelava sobretudo para as emoções, atacando a imoralidade do papa. Excomungado, acabou por morrer na fogueira.
 
 
 
Saxónia ou Saxe (Sachsen) Ducado desde o século IX; tornou-se independente no século XVI; uniu-se à Polónia no século XVIII; elevado por Napoleão à categoria de reino, em 1806, assim se manteve até a 1918; depois da abdicação de Frederico-Augusto III, em 9 de Novembro de 1918, a Saxónia tornou-se num Estado livre no seio da República de Weimar; em Janeiro de 1933, com a subida de Hitler ao poder, perdeu os últimos vestígios da respectiva autonomia. Em 1697 o eleitor Frederico-Augusto I converteu-se ao catolicismo e tornou-se rei da Polónia, como Augusto II, aí reinando até 1733; é ele que enfrenta uma guerra contra Carlos XII; o seu sucessor, Frederico-Augusto II, participa na guerra dos Sete Anos, ao lado de Maria Teresa de Áustria, sendo a Saxónia invadida pela Prússia. Com Frederico-Augusto III (1763-1827), dá-se uma inversão da política externa da Saxónia que se torna aliada da Prússia contra a Áustria; a partir de 1792 entra em guerra com a França, sendo derrotado, juntamente com os prussianos em Iena (1806), mas assinando com a França a Paz de Poznam (1806); a partir desta paz, Napoleão transforma a Saxónia em reino, aumentando o território à custa da Prússia; em 1807, Napoleão dá em 1807 ao rei da Saxónia o governo do Grão-ducado de Varsóvia; entra na Confederação do Reno; como aliado de Npoleão, participa na campanha da Rússia; na batalha de Leipzig de 18 de Outubro de 1813, voltam a mudar de campo, passando para os aliados contra Napoleão; mas o rei da Saxónia é feito prisioneiro e os seus domínios passam a ser administrados pela Rússia e, depois, pela Prússia; com o Congresso de Viena, de 1815, se Frederico-Augusto I conserva o seu título de rei, perde muitos dos seus territórios para a Prússia; como rei António (1827-1836), a Saxónia tornou-se numa monarquia constitucional; adere ao Zollverein em 1833; vencido pelos prussianos em 1866, teve de entrar na Confederação da Alemanha do Norte e depois no Reich, a partir de 1871. A região que tinha a capital em Magdburgo, foi integrada na RDA e dividida nos distritos de Leipzig, Dresden e Chemnitz ou Karl-Marx-
Stadt.
 
 
 
Say, Jean-Baptiste (1767-1832) Membro do tribunado em 1799, é afastado do poder por Napoleão. O seu Traité de 1803 apenas pôde ser reeditado em 1814, com a Restauração. Torna-se professor de economia industrial a partir de 1819, no Athenée. Em 1830 chega finalmente a professor de economia política no Collège de France..
Um dos principais vulgarizadores de Adam Smith e fundador dos estudos de economia política em França
Considera que a oferta cria a sua própria procura, formulando a chamada lei dos mercados, segundo a qual cada produto que se produz cria automaticamente mercado para outros produtos.
Influencia os portugueses Manuel de Almeida e Ferreira Borges.
·Traité d'Économie Politique, ou Simple Exposition de la Manière dont se Forment, se Distribuent et se Consomment les Richêsses
1803.
·Cours Complet d'Économie Politique
1828.
 
Denis, Henri, História do Pensamento Económico, trad. port., Livros Horizonte, 1973, pp. 321 ss.. Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, II,
p. 227.