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Lista de artigos

Artigos em grosso

Seabra da Silva, José de

Seabra, Visconde de

Seach, M.

Seara Nova

Seara, Fernando Reboredo

Sebastião, D.

Secessão

Secher, Reynald

Secularismo

Secularização

Sede do poder político

Sedição

Sédillot, René

Seeley, John Robert (

Segmento

Segregação

Segrestin, D.

Séguélla, Jacques

Séguélla, Jacques

Segunda Câmara

Segurança

Seguros Sociais Obrigatórios

Seiça, Vicente José 

Seidelman, Raymond

Seidman, Harold

Seidman, Steven

Seiler, Daniel-Louis

Seipel, Monsenhor Ignaz

Seita

Seitz, Brian

Selden, John  (

Selecção Natural

Self, P.

Selfgovernment do trabalho

Seliger, M.

Seligman, Adam B.

Semântica

Semedo, Padre Álvaro

Semiologia ou Semiótica

Semple, Elen Churchill

Senado

Séneca, Lucius Anneus

Senghor, Léopold Sédar

Senne, René Le

Sennet, Richard

Senso comum (

Sensualismo

Separação de poderes

Separatismo

Sepúlveda, Bernardo

Sepúlveda, Juan Ginés de

Sequeira, Pedro Vítor da Costa

Sérant, Paul

Sérgio, António

Sernin, André

Seroka, Jim

Serpa Machado, Manuel

Serpa, António de

Serra, Abade Correia da

Serra, Adriano Pais da Silva Vaz Serra

Sérvia

Servidão

Serviles

Settembrini, D.

Seurin, Jean-Louis

Severino, Bartolomeu de Sousa

Sevícias, Relatório das 

Sexismo

 
Sea power theory. äMahan.
 
Seach, M., Le L’État Marketing. Comment Vendre des Idées et des Hommes Politiques, Paris, A. Moreau, 1981.
 
Seabra, Visconde de (1799-1898) António Luís de Seabra. 1º Visconde de Seabra desde 1865 Bacharel em leis desde 1820. Magistrado. Exílio de 1828 a 1833. Maçon desde 1831. Deputado de 1834 a 1864. Membro da Junta do Porto em 1846. Encarregada uma comissão de elaborar o Código Civil por decreto de 8 de Agosto de 1850. Ministro da justiça de Saldanha, na Regeneração, entre 4 de Março e 19 de Agosto de 1852. Presidente da Câmara dos Deputados em 1862. Nomeado par do reino em 1862. Presidente substituto da câmara dos pares de 1866 a 1868. Juiz do Supremo Tribunal de Justiça desde 1864. Reitor da Universidade de Coimbra em 1866-1868. Autor do projecto de Código Civil de 1867. Volta à pasta da justiça no governo de Ávila entre 4 de Janeiro e 22 de Julho de 1868. Morre em 29 de Janeiro de 1895, com a pro
vecta idade de 96 anos, em Mogogofores.
 
O célebre António Luís de Seabra, autor
espiritual do nosso primeiro Código Civil de 1866, reconhecia expressamente, em A Propriedade. Filosofia do Direito [1850], a coincidência dos respectivos princípios com os de Ahrens, adoptando um individualismo absoluto: a natureza não reconhece senão indivíduos; os géneros, as espécies, são puras abstracções do nosso espírito, ideias de número e semelhança e nada mais. Quando dizemos o homem ou designamos o indivíduo, ou não designamos coisa alguma. Nestes termos, considera que da mesma forma pois que do sentimento de liberdade ou personalidade emanou a ideia de propriedade – a posse segura e tranquila dos objectos úteis e necessários à vida – ou da sua necessidade, nasceu a ideia duma associação em que as forças individuais se contrabalançassem, fundindo‑se numa só força em defesa e proveito da liberdade e propriedade individuais. Paralelamente a esta visão da sociedade, salienta que o Estado só tem deveres: do outro lado está o governo com os seus deveres. Estes resolvem‑se na manutenção dos direitos individuais e de sua recíproca individualidade. Assim, o interesse geral importa nas democracias o mesmo que a razão de estado nos governos absolutos.
·A Propriedade. Philosofia do Direito, para servir de introducção ao Commentário sobre a lei dos Foraes
Coimbra, Imprensa da Universidade, 1850.
·Projecto do Codigo Civil Portuguez. 1ª Parte
Lisboa, Imprensa Nacional, 1857.
 
4Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, II, pp. 138 segs.. 4 Moncada, Luís Cabral, Subsídios para uma História da Filosofia do Direito em Portugal (1772 - 1911), Coimbra, Coimbra Editora, 1938, 2ª ed., pp. 50 segs..
 
ìPropriedade (A). Krausismo.
 
Seabra da Silva, José de (1732-1813) Político português dos reinados de D. José e de D. Maria I. Ministro com Sebastião José de Carvalho e Melo e, depois, com a viradeira de D. Maria I, desde Julho de 1788. Desterrado pelo Marquês de Pombal, volta a ser afastado em 1799 com a oficialização da regência de D. João. Autor de Deducção chronologica e analytica, Lisboa, Miguel Manescal da Costa, 1767.
 
 
 
Seara, Fernando Reboredo Jurista. Professor nos ISCSP e na Universidade Lusíada. Foi secretário-geral do CDS, na presidência de Adriano Moreira. Especialista em temas desportivos. Deputado pelo PSD em 1999, na direcção de Durão Barroso.
 
 
 
Seara Nova Revista dita de doutrina e crítica cujo primeiro número sai em 16 de Outubro de 1921. Tem como colaboradores António Sérgio, Raul Proença, Jaime Cortesão, Ezequiel de Campos e Raúl Brandão.
 
Sérgio, se assume algumas das propostas do neo-kantiansmo da Escola de Marburgo, acaba por ser dominado por uma epistemologia neocartesiana. Para ele, o Eu absoluto, que se eleva acima do eu empírico é a unidade unificadora, pelo que a razão sendo a busca do universal (da Unidade em tudo), constitui a manifestação do universal no indivíduo - a manifestação daquilo que no indivíduo não é individual.
 
 
Sears, D. O., McConahay, J. B., The Politics of Violence, Boston, Houghton Mifflin, 1973.
 
 
Sebastião, D. (1554-1580?) Pouco interessa que D. Sebastião, nascido em 20 de Janeiro de 1554, bem depois da primeira publicação das Trovas de Bandarra, não tenha correspondido ao perfil do rei visionado pelo posterior sebastianismo. Ele apenas tentou viver como lhe ensinaram a pensar, apenas tentou levar à prática a teoria então dominante entre pensadores da Corte, principalmente entre os confessores e os aios. Ele que podia equivaler-se a um Infante D. Henrique se a respectiva conquista de Ceuta, chamada Alcácer-Quibir, não se gorasse, parecia não possuir o jeito da governação das coisas práticas, não se assumindo como o gestor de uma grande companhia como era a Ordem de Cristo, nem revelando a ganância daquele que procurava juntar monopólios de comércio. Era também o exacto contrário do tio Cardeal que, esse, sim, representava a síntese entre os respectivos pai e irmão, isto é, entre D. Manuel I e D. João III. D. Sebastião, com efeito, tinha muito do estilo cavaleiresco de D. Afonso V, mas, ao contrário deste, nunca teve um príncipe D. João a cobrir-lhe a rectaguarda da governação ou a levar-lhe o apoio militar em caso de campanha militar de sorte mais duvidosa. Acresce que o próprio reino já não possuía aquele grau de saudável unidade que se manifestava cem anos antes. Será, contudo, fácil transformar a pessoa do rei morto e derrotado num bode expiatório. Culpa começou por ter toda a comunidade quando nele depositou todas as esperanças chamando-lhe maravilha fatal da nossa idade e dando-lhe sonho demais para gerir um aparelho de poder dominado pela frieza de um cálculo estratégico. A comunidade exigia-lhe impulso para a augmentação quando o que estava em causa era sobretudo gestão e defensão. Teve, portanto, a loucura de querer viver como pensava. O erro esteve, pois, não no viver, mas no pensar e no sonhar. No ousar o impossível quando se impunha a arte do possível, isto é, o abandono das praças africanas e a procura de alianças no concerto na balança de poderes. Por isso não seguiu os conselhos do Cardeal, as avisadas palavras de D. Jerónimo Osório ou, no momento final, a fortaleza de capitães como Cristóvão de Távora que lhe sugeriram um recuo. Ousou ser falcão em tempo de coruja, não querendo entender que, em determinados momentos, importa que nos submetemos para podermos sobreviver, a fim de renascer aquele vivo que deve lutar para continuar a viver. O exagero de D. Sebastião terá, depois, o exacto contrário no Cardeal-Rei, que não governa como pensava, quando não tem força física e anímica para escolher o sucessor que no íntimo da coerência autonomista, de certo, acalentava, D. Catarina de Bragança, permitindo que o partido de D. Catarina de Áustria acabasse por vencer, através de Cristóvão de Moura. O Cardeal, Rei não será rigoroso na leitura do nosso direito constitucional, praticando uma inconstitucionalidade por omissão de vontade. E foi essa ausência de intervencionismo real que levou à chamada perda da independência. Atingia-se o clímax de um vazio de rei, tendo colmatado a lacuna o absolutismo colectivista de uma classe política predominante, a da Corte. Sobretudo, num momento em que esse espaço do político estava ocupado pela facção dos Áustrias, enquanto os opositores cometiam o erro de apoiar D. António e de assim cair na ratoeira dos apoios franceses. Gerou-se deste modo o atrofiamento da nossa vitalidade, quando se impediu a hipótese da república poder manifestar a respectiva vontade permitindo-se a ascensão daquele influente que, invocando a espada e o tesouro, tratou de ocupar o centro político. Depois de Alcácer-Quibir, o velho partido autonomista, representado pelo Cardeal D. Henrique, com o apoio de Frei Bartolomeu dos Mártires, D. Jerónimo Osório, Diogo de Couto e Pedro Barbosa, está apertado entre os que alinham com Cristóvão de Moura e os que, com Febo Moniz, nos termos da prática de 13 de Janeiro de 1580, quando o Cardeal-Rei teve uma entrevista com os procuradores do primeiro banco, querem resistir, não extinguir a nação, conservando este reino na liberdade em que os reis (... ) antepassados (... ) o fizeram. Só que, como observa Costa Lobo, Filipe II, relativamente a D. João I de Castela, tinha mais quatro reinos só na península ibérica, além de Nápoles, da Sicília, de Milão, do Franche-Comté, dos Países Baixos e das Américas. Tinha o papa e o Imperador da Alemanha como aliados e não temia nem uma França, ainda dividida por guerras religiosas nem uma Inglaterra a recompor-se da sua ruptura com Roma... Tinha com ele não só a força das armas e do dinheiro, como também algum direito resultante daquele jogo das alianças dinásticas com que a dinastia de Avis se envolvera com Castela, com D. Afonso V, D. João II, D. Manuel e D. João III. Tinha havido Aljubarrota, contra o perigo castelhano, tal como depois iria suceder Toro, contra o perigo português. Afonso V, o derrotado de Toro, era bisneto de D. Juan I de Castela. Isabel I, de Castela, a vencedora de Toro, era bisneta de D. João I, o vencedor de Aljubarrota. D. João II havia casado o príncipe D. Afonso com Isabel, filha dos Reis Católicos. D. Manuel I, casando com a viúva de D. Afonso, fez jurar o filho D. Miguel da Paz, como herdeiro dos dois tronos. Carlos V casa com D. Isabel, filha de D. Manuel I e, do consórcio, nasce Filipe II. D. João III casa com D. Catarina, irmã de Carlos V e tia de Filipe II. O filho de D. João III, D. João, casa com D. Joana, filha de Carlos V e desta união resulta D. Sebastião. Filipe II é descendente dos vencedores de Aljubarrota e de Toro. Tão geneticamente Avis quanto Habsburgo. Malhas que a genealogia foi tecendo... Nas Cortes de Tomar de 1581, Filipe II mais não faz do que repetir as Declarações del-Rei D. Manuel, de como se havia de governar o Reyno de Portugal, depois que o Principe seu filho, que herdava Castella, succedesse naquelles Reynos, onde pode ler-se: a principal couza (... ) he que o dito Principe meu filho, e os que depois delle vierem, governem as couzas destes Reynos por officiaes delles, e que a elles todallas couzas delles encomendem, e nom a extranjeiros, que non sabem os costumes da terra, nem se podem tam bem conformar com os outros naturaes delles. Nestes termos, determinava que quando quer que o dito princepe meu filho, ou qualquer dos seus herdeiros, vier a estes Reynos que, logo que nelles entrar, todollos officiaes de Castella e Aragam que trouxer deixem as varas da justiça que trouxerem, e as tomem os officiaes Portuguezes, e nenhum outro official extrangeiro tenha juridiçam em couza alguma, em quanto em Portugal estiver, salvo que os do seu Conselho e officiaes de Castella e de Aragam possam entender nos negocios e couzas que dos ditos Reynos vierem. Mas como observava Garcia de Resende na sua Miscelânea: Vimos Portugal, Castela, / quatro vezes ajuntados, / Por casamentos liados/ Príncipe natural d'ella / que erdava todos reynados. /Todos vimos falecer / em breve tempo morrer / e nenhum durar três annos. / Portugueses castelhanos, / não os quer Deus juntos ver. Portugal transformara-se num país sem rei nem lei. Um rei que não se perdera apenas em Alcácer Quibir, mas, sobretudo, quando, durante as regências de D. Catarina e do Cardeal D. Henrique, o poder supremo se fragmentou em facções que propiciaram um vazio de ideias que a força das relações internacionais acabou por invadir. Uma lei que se tornou inautêntica quando, por acção e omissão, se desrespeitaram as leis fundamentais que constituíam a base da legitimidade da dinastia de Avis, nomeadamente o apelo às cortes em momentos excepcionais. O poder real que na Idade Média conseguira a unidade na diversidade de um regime misto, reforçado em 1385 e não desfeito com D. João II, dilui-se, na sequência da morte de D. João III, quando se transformou num mero lugar de confusão de poderes, onde regentes, Consejos, validos e confessores, enredados em disputas de etiqueta e mercês, perderam a representatividade e não respeitaram os limites que constituíam a sua própria natureza. Em vez dos três estados em Cortes Gerais, emerge a dissolução da Corte. A família real dividiu-se, a nobreza fragmentou-se, a Igreja esboroou-se, e cada uma das facções inventou um bode expiatório e recorrendo a aliados externos, de Filipe II ao próprio Papa. A bissectriz de todo esse paralelograma de forças chamou-se D. Sebastião. O Desejado. Queriam que fosse a segurança da lusitana antiga liberdade. Mas apenas lhe deram jesuítas contra todas as outras ordens, nobreza contra nobreza, e avó contra tio-avô. Toda a anterior literatura sobre a educação de príncipes era agora desafiada pela realidade de uma criança que, aos três anos, fora feito rei, com o pai morto antes dele nascer e com a mãe a largá-lo a uma classe política sem o norte do bem comum. Portugal terá um rei educado por uma espécie de laboratório construído por teorias. Em vez de um pai e de uma mãe, deram-lhe aios, do velho soldado D. Aleixo de Meneses a Febo Moniz, confessores como o jesuíta Luís Gonçalves da Câmara, e mestres, como o cosmógrafo-mar Pedro Nunes. Aos catorze anos de idade, o jovem rei já assume a governança sem nunca ter sido menino, numa altura em que a comunidade lhe pede que surja um novo reino com as virtudes dos antigos portugueses. Apesar de tudo, D. Sebastião ainda tentará cumprir aquele programa de consta de um memorial escrito pelo seu próprio punho antes de tomar o governo do Reyno. Tentará viver como pensava, sem pensar como vivia. Tentará transformar a carcaça corrompida do velho reino num reino adolescente: Trabalharey muito por dilatar a Fé. Favorecerey muito as cousas da Igreja. Armar todo o Reyno. (... ) Não crer levemente, e ouvir sempre ambas as partes (... ) Conquistar, e povoar a Índia, Brasil, Angola e Mina (... ) Reformar os costumes começando primeiro por mim no vestir, e comer. Em negocios ter primeiro conta com o bem comum, e depois com os particulares(... ) As leys que fizer, mostrallas primeiro a homens de virtude e letras para que me apontem os incovenientes que tiverem. Levar os subditos por amor(... )Serey pay dos pobres, e de quem não tem quem faça por elles. No fundo, quer ser El Hombre, quer retomar D. João II e por isso, em cerimónia junto do túmulo aberto daquele seu antecessor, embora não ascendente, proclama: Este foi o maior oficial que houve do nosso ofício. Este é o meu rei, este é o meu rei. É um tempo de apocalipse com os cavaleiros da fome, da peste e da guerra. Fenómenos naturais como tremores de terra, são vistos como castigo de Deus. Em 1531, em Santarém, Gil Vicente teve que fazer uma pregação contra os frades que ligaram o terramoto então ocorrido à permanência em Portugal dos judeus. Em 19 de Abril de 1506, o simples reflexo do sol num crucifixo da Igreja de S. Domingos, qualificado por um cristão novo como mero reflexo de uma vela, leva a que aos gritos de Heresia! Heresia!, saídos de dois frades dominicanos, a populaça, apoiada por marinheiros nórdicos, desencadeie um pogrom com um saldo de dois milhares de chacinados judeus. Cometas são vistos como sinais de Deus. Chegáramos à Índia, conquistáramos as Américas, circum-navegáramos a Terra, mas, na Europa, dividida entre protestantes e católicos, ameaçava o turco e circulavam os judeus. Nesta pequena casa lusitana, onde em Coimbra e Évora, os próprios teólogos invocavam a razão contra as teses da predestinação do novo agostianismo protestante, neste nosso ninho, onde o experimentalismo e a ciência progrediam, a massa informe de um povo marcado pela história trágico-marítima, enredava-se no providencialismo e retomava os milagres. Na crise de 1578-1580 as principais forças espirituais portuguesas estão com a faceta de rei natural de Filipe II. Move-as menos a Hispania do que a Cristandade. Sentem que falta uma potência católica na Europa para fazer face tanto ao perigo turco como à ameaça protestante. Entre a aliança com o rei de Espanha, a intervenção dos franceses ou a chamada dos protestantes ingleses, preferem o menor dos males e votam por Filipe II. Mais não fazem do que aquilo que as elites vão fazer com Napoleão através de El Rei Junot. Aquilo que a maçonaria vai fazer com os franceses, a partir de 1806, foi aquilo que a Igreja Católica fez com os espanhóis em 1580. Certo que, depois, ambas as entidades se vão redimir. A Igreja com os alcobacenses e os manuelinhos; a maçonaria com os republicanos, na sequência do ultimatum. Traidores sempre os houve, principalmente por uma errada inter­pretação da aliança conveniente no jogo das relações internacionais. Trairam os realistas miguelistas quando cederam aos ditames da Santa Aliança, atarvés de Metternich, Wellington ou Luís XVIII. Traíram os oposicionistas aos salazarismo quando cederam a ditames das internacionais comunistas, socialistas ou liberais, como já antes traíra o salazarismo quando cedeu à moda dos impérios coloniais. Sempre a tentação de alinhar com outras internacionais ou outras potências em nome de impérios universais. Contudo, em qualquer um dos seus momentos dolorosos, a pátria acaba sempre por retomar a vontade de autonomia, quando os descendentes dos traidores se nacionalizam e sobressai novamente a lusitana antiga liberdade, aquele português antigo de antes quebrar que torcer, aquela mistura de telurismo e oceano que nos faz um português à solta, onde o agricultor vai de caravela pelos mares ou se transforma em bandeirante pelo sertão. Ou, muito principalmente, quando, pela pena, se constrói o poema, cronicando a história ou chamando ensaio à filosofia, aquelas redes que sustentam a imaginação de quem ousou mais além para defender o daquém. Sempre foi assim que, muito cientificamente, fizemos sebastianismo, racionalizando aquilo que anteriormente era um mero fundo imaginativo.
 
Sebastianismo äQuinto Império.
 
Secessão Acto de separação de um grupo relativamente a uma entidade organizada, normalmente de um Estado.
 
Secher, Reynald, Le Genocide Franco-Français. La Vendée “Vengée”, Paris, Presses Universitaires de France, 1986.
 
Secker, Martin, The Genesis of the State, Nova York, Praeger Press, 1990.
 
Secularismo De século, o que não está ligado a uma religião ou ao mundo do sagrado e mais restritamente o clero que não está ligado a uma ordem religiosa. Doutrina anglo-saxónica, equivalente ao laicismo francês. O seu principal representante é G. J. Holyoake (1817-1906), que se considerava um missionário social, assumindo o agnosticismo e ligando-se ao movimento cooperativo de matriz oweniana. Trata-se de um movimento de protesto marcado pelo positivismo e pelo utilitarismo que continuou a opor o racionalismo à teologia, advogando que as religiões não deveriam interferir nos domínios do Estado.
 
Ver Laicismo.
 
 
Secularização O processo de separação das instituições civis ou educativas do controlo eclesiástico. Mais restritamente, trata-se da substituição de processos de explicação do mundo e da vida marcados pelo sagrado e pelo misticismo por avaliações racionais e críticos e por padrões pragmáticos e utilitários. Segundo a síntese de Badie e Gerstlé, estamos perante um processo complexo que leva a três modificações da estrutura social: passa-se da predominância da acção prescritiva para uma larga difusão da acção electiva; a mudança social faz passar a estrutura da institucionalização da tradição para a institucionalização da mudança; as instituições passam de um conjunto relativamente indiferenciado para uma diferenciação e uma especialização crescentes, dotando-se de uma certa autonomia nas suas normas e nos seus valores.
 
Sede do poder político Conceitos Operacionais O Poder Político como relação entre a sociedade civil (república ou comunidade) e o aparelho de poder (governo ou principado). O primado do político, da ideia de política como esforço para a participação no poder. O poder político como relação complexa, mais ampla que o binómio governantes/governados. A cidadania como exigência da política. A distinção entre o cidadão, o súbdito e o escvravo. — A luta pela aquisição, manutenção e exercício do Poder não se reduzindo ao espaço do governo mas, antes, abrangendo toda a república. Ultrapassagem do binómio duguitiano governantes/governados. A luta política como conquista das condições de obediência e de desobediência, isto é, pelo modo como os valores sociais são imperativamente distribuídos. –A política como processo pelo qual os valores sociais são indicados imperativamente, onde há uma distribuição feita a partir de cima, através de instituições para tanto autorizadas e que até podem usar a força para a obtenção desse resultado. –A ideia de processo político. A distribuição de valores processa-se através de decisões. As decisões são produzidas por actividades. As actividades constituem uma massa de movimentos de grupos. –O grupo como conjunto de homens, como massa de actividades e não como massa física separada, dado que cada homem participa ao mesmo tempo em várias massas de actividades. O grupo como massa de actividades movida por interesses, onde há flutuação de adesões. A sociedade como mosaico ou complexo de grupos. O afrontamento, o ajustamento e a dinâmica. A existência de uma pluralidade de centros de decisão, de constelações que se fazem e desfazem. A arte política como a arte de governar pelo consentimento e pela persuasão, onde o político, como o tecelão, é o que harmoniza contrários. A arte política como o preciso contrário da tirania, onde se governa pela violência e pela opressão. As fases do processo político: perusasão, autoridade, engodo e força. –A persuasão política como procura do consenso. A utilização da palavra para se cconseguir a adesão. A autoridade. A ocupação de um lugar superior pelo autor do discurso. A ideologia, a propaganda, a manha e o controlo da informação. A força, visando a obediência pelo temor. O poder como rede de poderes e a governação como processo de ajustamento entre grupos. A governação como modo dinâmico de gerir crises. A política como um processo de negociaçãp e de troca. — A questão dos grupos. A perspectiva pluralista e a perspectiva elitista. A política como processo de decisão. A pluralidade de centros de decisão. O modelo poliárquico. — Teoria das elites. Mosca, Pareto, Michels, Lasswell, Kaplan, Burnham e Wright Mills. — A polis entendida como rede de micropoderes, como instituição das instituições ou network structure.
 
Sedição Rebelião ou resistência face às autoridades políticas instaladas.
 
Sédillot, René, Survol de l’Histoire de l’Europe, Paris, Librairie Arthème Fayard, 1967.
 
Seeley, John Robert (1834-1895) Professor de história moderna em Cambridge.
· An Introduction to Political Science
 [1896]
 
Segall, M. H., Human Behavior and Public Policy. A Political Psychology, Elmsford, Pergamon Press, 1977.
 
Segmento Nos termos da síntese de Badie e Gerstlé, é a unidade social elementar de uma sociedade tribal. Uma série de segmentos opostos entre si formam um sistema político.
 
Segrestin, D., Le Phénomène Corporatiste, Paris, Librairie Arthème Fayard, 1985.
 
Séguélla, Jacques, L’Argent n’a pas d’Idées, Seules les Idées font de l’Argent, Paris, Éditions du Seuil, 1993.
La Parole de Dieu, Paris, Éditions Albin Michel, 1995.
 
Segunda Câmara Montesuqieu, na sua teoria da divisão dos poderes, propõe a divisão do poder legislativo em duas câmaras: a popular e a aristocrática. O modelo foi seguido pelo cartismo da Restauração a partir de 1814. Em Portugal, a Carta Constitucional de 1826 estabelece uma Câmara dos Pares. Na Constituição de 1838 surge o Senado.
 
Segregação Afastamento ou separação. Fala-se normalmente na segregação racial, no processo de separação de lugares de trabalho ou educativos, conforme a raça.
 
Séguélla, Jacques
·L’Argent n’a pas d’Idées, Seules les Idées font de l’Argent
Paris, Éditions du Seuil, 1993.
·La Parole de Dieu
Paris, Éditions Albin Michel, 1995.
 
Segurança Qualquer coisa que dá protecção ou torna seguro. Segurança e Estado em Espinosa, 110, 766
 
Seguros Sociais Obrigatórios Foi Bismarck que instituiu o primeiro modelo de seguros sociais: em 1881, o seguro obrigatório contra acidentes de trabalho; em 1883, os seguros de doença obrigatórios, com uma contribuição de dois terços para o empregado e um terço para o empregador; em 1889, o seguro de velhice obrigatório. Só em 1911 surge um código unificado dos vários seguros sociais.
 
Seiça de Almeida e Silva, Vicente José Canonista. Professor da cadeira de Direito Público Universal, entre 1850 e 1854. Segue Macarel, mas também cita Silvestre Pinheiro Ferreira e o brasileiro Pimenta Bueno. A partir de 1854 fica apenas com a parte de direito público universal e português.
 
Seidelman, Raymond, Harpham, Edward J., Disenchanted Realists. Political Science and the American Crisis, 1884-1984, Albany, State University of New York Press, 1985.
 
Seidman, Harold, Gilmour, Robert, From the Positive to the Regulatory State, 4ª ed., Oxford, Oxford University Press, 1986.
 
Seidman, Steven, The Postmodern Turn. New Perspectives in Social Theory, Cambridge, Cambridge University Press, 1994.
¾ , Nicholson, Linda, Social Postmodernism. Beyond Identity Politics, Cambridge, Cambridge University Press, 1995.
 
Seiler, Daniel-Louis,
·Les Partis Politiques en Europe
Paris, Presses Universitaires de France, 1979.
·Partis et Familles Politiques
Paris, Presses Universitaires de France, 1980.
·La Politique Comparée
Paris, Librairie Armand Colin, 1982.
·Comportement Politique Comparé
Paris, Éditions Oeconomica, 1985.
·De la Comparaison des Partis Politiques
Paris, Éditions Oeconomica, 1986.
·Les Partis Politiques
Paris, Librairie Armand Colin, 1993.
 
Sein und Zeit, 1927 Martin Heidegger insurge‑se contra a distinção sujeito/objecto e considera que o dasein, o ente que é existência (aquele que está, ou étant, nas traduções francesas), o modo de ser de um ente, o ente que nós próprios somos, é um ente que nos é acessível tal como é, em si mesmo. Neste sentido, o homem é o dasein, o estar aí, onde se funda originariamente a perspectiva da patenteação do ser, o lugar de que o ser necessita para se patentear, o algures em si mesmo patente, dado que dentro dele está o ente, e nele se põõe em obra. Desta forma, o rigor de qualquer ciência não pode igualar a seriedade da metafísica e a filosofia não passa da colocação em movimento da metafísica, pelo que é fundamental um regresso às próprias coisas, um zu den Sachen selbst. Dá‑se, assim, a intersecção entre a hermenêutica e a fenomenologia, considerando‑se que o fenómeno não é aparência ou aparição, mas antes o tirar o ente da obscuridade pela compreensão existencial. Porque há fenómenos que ou não foram postos a descoberto ou ainda estão cobertos de entulho. Heidegger propõe, assim, um pensamento meditativo, que está mais próximo do pensamento poético que do pensamento conceitual, opondo‑se àquilo que considera serem as três grandes tradições do pensamento político. Em primeiro lugar, contra a concepção clássica para quem a ordem política é um microcosmos da ordem natural, considerando que o homem faz parte da natureza e pode aceder a uma compreensão racional da mesma. Em segundo lugar, contra a concepção contratualista, que vê o homem contra a natureza, pelo que tem de agrupar‑se para resistir colectivamente à pressão da necessidade natural. Em terceiro lugar, contra a concepção hegeliano‑marxista que tenta conciliar a natureza e o homem. É que todas estas filosofias assentam nos mesmos postulados metafísicos: a concepção do homem como sujeito, afrontando um mundo objecto; uma concepção dicotómica do Ser, que vem de Platão e culmina tanto no racionalismo e empirismo, como no idealismo alemão, que consideram o objecto como produto da actividade do sujeito. Assim, refere que a essência humana não é um domínio objectivo, revestindo propriedades constituintes de um objecto, mas um desvelamento (aleteia), uma maneira particular do Ser abrir‑se ao ser. Neste sentido, considera que a ciência moderna e o Estado totalitário são ao mesmo tempo consequências do desdobramento essencial da técnica, que pretende uma espécie de submissão espiritual do real, pelo que o homem moderno é um animal de trabalho, dado que a técnica lhe exige que desenvolva o máximo da sua força de trabalho para assegurar à mesma técnica o máximo do seu poder para a dominação universal do real. Vivemos, assim, uma antropo‑logia, isto é, a instalação cada vez mais soberana do homem como subjectum. Uma antropo‑logia teórica que leva o racionalismo a ontologicizar, a considerar que nihil est sine ratio, e que culmina na afirmação hegeliana da identidade do racional e do real. É esta a razão pré‑totalitária; este totalitarismo como a verdade da tecnocracia ou dirigismo.
 
 
Seipel, Monsenhor Ignaz (1876-1932) Jesuíta austríaco, professor de teologia moral, e deputado democrata-cristão. Chanceler de 1922 a 1924 e de 1926 a 1929. Tem como sucessor Dolfuss.
·Der Kampf um die osterreichische Verfassung
1930.
·Der christliche Staatsmann
1930.
 
Seita Na senda de Max Weber, Badie e Gerstler definem a seita como uma forma de associação voluntária à qual apenas podem aderir de forma exclusiva os que se identificam com princípios morais ou religiosos estritamente definidos. O conceito difere do de Igreja, dado que esta constitui parte integrante da ordem social vigente. O sectário é aquele que não só adere de forma voluntária como também o que tem de exibir qualificações específicas. Em geral, a seita constitui uma dissidência face à religião principal do grupo social sendo marcada pelo exclusivismo social, doutrinário ou ético, tendendo a ser mais dinâmico e mais intolerante que o modelo do grupo de que se tornou disssidente.
 
Seitz, Brian, The Trace of Political Representation, Albany, State University of New York Press, 1995.
 
 
 
 
Selden, John (1584-1654) Historiador inglês. Crítico da teoria dos direito divino dos reis e do poder do clero, especialmente com a publicação em 1618 de uma History of Tithes. Preso em 1621, por atacar as doutrina de James Stuart. Um dos redactores, em 1628, da Petition of Right. Assume-se como um racionalista e como um antecessor do utilitarismo, em nome do qualifica como bom senso. Considera que o monarca é uma figura concebida pelos homens em nosso proveito, como garantia do nosso sossego, do mesmo modo como a família se respeita um chefe que proporciona alimento. Em Mare Clausum, de 1635, defende a propriedade privada do mar.
·History of Tithes
1618.
·Mare clausum
Londres, 1635.
·De jure naturali et gentium et juxta disciplinam hebraeorum
Londres, 1640.
·Table Talk
1689
 
Selecção Natural Processo de adaptação dos organismos ao respectivo meio ambiente, dependente da variação, da herança e da competição, conforme as teses do evolucionismo de Darwin.
 
Self, P., Administration Theory and Politics. An Inquiry into the Structure and Process of Modern Government, Londres, Allen & Unwin, 1972.
 
Selfgovernment do trabalho António Labriola propõe a criação de uma associação que não produzisse mercadorias e que por isso já não é o Estado, mas sim o seu oposto, ou seja, o sustentáculo técnico e pedagógico da convivência humana, o “self government” do trabalho... a sociedade dirigida como Estado foi sempre a de uma maioria entregue à tutela de uma minoria, dado que o Estado é... sistema de forças que mantém o equilíbrio ou o impõe pela violência ou pela repressão, dado que Estado cresceu ou diminuiu de poderes mas nunca desapareceu... o Estado é uma real ordenação de defesas para garantir e perpetuar um método de convivência.
äLabriola, Antonio
 
Seliger, M., Ideology and Politics, Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1976.
 
Seligman, Adam B., The Idea of Civil Society, Princeton, Princeton University Press, 1995.
 
Selznick, P., Leadership in Administration. A Sociological Interpretation, Evanston, Peterson & Co., 1957.
 
Selvagem, Carlos (n. 1890) Pseudónimo do oficial do exército Carlos Afonso dos Santos. Companheiro de Henrique Galvão. Escritor e historiador português.
 
Semântica Relação dos signos com os seus referentes.
 
Semedo, Padre Álvaro (1586-1658) Jesuíta português.
·Relação da Grande Monarquia da China
Obra concluída em 1637, com uma primeira edição espanhola em 1642 e uma edição sintética
em português em 1731.
 
Semiologia ou Semiótica Edo grego semeion, signo. Estudo sistemático dos signos, isto é, a análise de todas as produções humanas que utilizam significantes, como as línguas, as literaturas, as artes e as religiões. Isto é, dos sistemas de comunicação humana, dando-se prioridade à linguagem Segundo Saussure, a ciência que estuda a vida dos signos no seio da vida social. Se, com Saussure, a smiologia se integra na psicologia social, já Peirce a considera como parte integrante da lógica e da filosofia. Entre os cultores europeus da semiótica destacam-se os estruturalistas Barthes e Lévi-Strauss. Cabe-lhes a introdução da psicanálise no âmbito das chamadas ciências humanas.
 
Semple, Elen Churchill (1863-1932) Da escola do determinismo geográfico. Estuda em Leipzig com Ratzel. Professora de antropogeografia em Clarck (de 1923 a 1932). Considera que man is the product of the earth's surface: um filho da terra, pó do seu pó, mas que a terra concebeu, alimentou, impôs tarefas, dirigiu pensamentos, criou dificuldades que lhe robusteceram o corpo e lhe aguçaram o engenho, lhe suscitou problemas de navegação e de rega e, ao mesmo tempo, lhe murmurou sugestões para os resolver.
·American History and its Geographic Conditions
1903
·The Influences of Geographic Environment
1911
·The Geography of Mediterranean Region
1931
 
Sen, Amartya K., Collective Choice and Social Welfare, São Francisco, Holden Day, 1970.
 
 
Senado Instituição romana, dotada de auctoritas, constitui o poder supremo. Apesar de apenas ter o poder de dar conselho aos magistrados (senatusconsultum) e não ordens, tinha efectivos poderes financeiros (poder de fixação dos efectivos do exército e da traibuição de fundos a cada uma das operações), comanda também a política externa (designa e recebe embaixadores e pode propor aos comícios das centúrias a decisão sobre a paz e a guerra) e a religiosidade pública.
 
 
 
Séneca, Lucius Anneus (4 a. C. - 65 d. C. ) Estoicismo romano. Citado por Álavro Pais. cada homem passou a ser considerado como uma coisa sagrada, o homo, hominis res sacra de Séneca, e que também levou ao universalismo da consideração de todos
que, para além de uma pátria física e acidental, haveria uma pátria humana e superior, deste modo se acentuando a vertente panteísta e metafísica da ordem universal, o entendimento do mundo como o pai único de todos, onde também se encontraria a origem de cada um.
 
·De clementia.
 
·De beneficiis.
 
 
 
 
Senghor, Léopold Sédar (n. 1906) Professor e deputado em França, será o presidente da República do Senegal, de 1960 a 1980. Literariamente próximo de Paul Claudel. É o primeiro africano que em França obtém a agrégation. Condiscípulo de Pompidou no liceu. Visita Portugal em 1974, sendo feito professor honoris causa, por iniciativa de Almerindo Lessa.
·Nation et Voie Africaine du Socialisme
Paris, Présence Africaine, 1961.
·Pierre Teilhard de Chardin et la Politique Africaine
Paris, Éditions du Seuil, 1962.
·Liberté, Négritude et Humanisme
2 vols., Paris, Éditions du Seuil, 1964.
 
Senne, René Le (1882-1954) Filósofo francês, adepto do personalismo cristão.
·Obstacle et Valeur
1934
·Traité de Caractériologie
1949.
 
Sennet, Richard, Autorité, trad. fr., Paris, Librairie Arthème Fayard, 1981.
 
Senso comum (Common sense) Locke Essay Concerning Human Understanding de 1690, onde, na linha do empirismo britânico, se defende a filosofia do common sense e da reasonableness
Antero de Quental, que o conhecimento é um facto íntimo e próprio do espírito, onde o conhecimento científico constitui apenas a região média do conhecimento, entre o senso comum, dum lado, e o conhecimento metafísico, do outro
Thomas Paine em Common Sense
Suart Mill Locke da tolerância, considerando que a liberdade é "procurar o nosso próprio bem à nossa própria maneira" mas de tal forma que "não tentemos privar os os outros da liberdade deles ou entravar os respectivos esforços para a obter".
Contra o utilitarismo considera que "em política a escolha das instituições políticas é mais uma questão de moral e de educação do que uma questão de interesses materiais". Para ele "não há razão para que todas as experiências humanas sejam construídas sobre o mesmo modelo ou sobre um pequeno número de modelos. Se uma pessoa possui qualquer razoável quantidade de senso comum e de experiëncia, a sua própria maneira de organizar a respectiva existência é a melhor, não porque seja a melhor em si mesma, mas porque é a sua"
 
Próximo da noção de Bergson, bon sens, considerado como "um acordo íntimo entre as exigências do pensamento e da acção", algo de semelhante à recta ratio dos estóicos e à reasonableness de Locke
 
 
 
Sensualismo Doutrina baseada no empirismo de Francis Bacon e nas teses de Locke que tem em França, como principal cultor, Condillac, para quem todos os nossos conhecimentos vêm das sensações. Uma ideologia intermediária entre os enciclopedistas e os liberais moderados da Restauração, à maneira de Constant. Teve como principais cultores Cabanis e Destutt de Tracy e chamaram-se a si mesmos os ideólogos, dado considerarem a ideologia ciência das ideias. Como assinala Prélot, em lugar do cogito, ergo sum do racionalismo cartesiano, preferem o existo porque sinto.
 
Separação de poderes Separação de poderes em Kant, 112, 790 Separação dos poderes em Montesquieu, 111, 773 Separação dos poderes (decisão, assentimento, deliberação)HAUR, 134, 925 Separação dos poderes em Locke (executivo, legislativo, confed, 111, 771
 
Separatismo Quando uma região, um território ou um grupo étnico quer sair de um Estado que até então fazia parte.
 
Sepúlveda, Bernardo (1791-1833) Bernardo Correia de Castro e Sepúlveda. Maçon, membro do Sinédrio. Oficial de infantaria. Chefe militar da revolta de 24 de Agosto de 1829. Membro da Junta do Porto. Deputado 1820-1821. Adere depois à Vilafrancada, como general em armas da Corte. Preso em Peniche 1823-1824. Exílio em França 1824-1833.
 
Sepúlveda, Juan Ginés de Cronista de Carlos V e de Filipe II. Tradutor da Política de Aristóteles para latim.
·Democrates alter, sive de iustis belli causis apud Indos
Obra de 1544-1545, só editada por Mendez Pelayo em 1892.
·Democrates sive de convenientia disciplinae militaris cum christiana religio
Roma, 1535.
·De Fato et libero arbitrio
1527.
 
Sequeira, Gil Mont’Alverne, Questões Açorianas [1ª ed., 1894], Ponta Delgada, Jornal de Cultura, 1994.
 
Sequeira, Pedro Vítor da Costa (1846-1905) Bacharel em matemática e filosofia. Jornalista. Sobrinho de Domingos Sequeira. Ministro das obras públicas, comércio e indústria do governo de Dias Ferreira, de 27 de Maio de 1892 a 23 de Fevereiro de 1893, substituindo Chanceleiros.
 
Sérant, Paul
·Le Romantisme Fasciste
Paris, Éditions Fasquelle, 1956.
·La France des Minorités
Paris, Éditions Robert Laffont, 1965.
Le Réveil Ethnique des Provinces de France
Paris, Centre d’Études Politiques et Civiques, 1966.
·Les Dissidents de l’Action Française
Paris, Éditions Copernic, 1978.
 
Serbati, Antonio Rosmini (1797-1855) Autor marcante do jusnaturalismo católico. Ordenado padre em 1821, tem a oposição dos jesuítas. Considera que o direito natural não passa de uma parcela da moral, criticando assim as teses de Thomasius e de Kant. Na senda de Rosmini, Costa Rossetti, Philosophia Moralis, 1886; Theodor Meyer, Institutiones Juris Naturalis, 1885-1900; Hertling, Naturrecht und Sozialpolitik. Em Espanha, destacaram-se J. Donoso Cortés (1808-1853), J. L. Balmes (1810-1848), L. Mendizabal y Martin (1859-1931) e Enrique Gil y Robles (1849-1908), com Tratado de Derecho Político según los Principios de la Filosofia y del Derecho Cristianos, de 1899..
 
·La Società e il suo Fine
de 1822.
·Della Naturale Costituzione della Società Civile
de 1827
·Prinzipi della Scienza Morale
1837
·Filosofia della Politica
de 1839.
·Filosofia del Diritto
2 vols., de 1841-1843.
 
4Guido Fassò, Storia della Filosofia del Diritto, III, 129 ss.. 4Luis Recaséns-Siches, Direcciones Contemporáneas del Pensamiento Jurídico. La Filosofía del Derecho en el Siglo XX, Barcelona, Labor,
1929, p. 14. 4Possenti, A Boa Sociedade, pp. 210 ss.

Sérgio, de Sousa António (1883-1969)
Oficial da marinha até 1910, quando se demite, em protesto contra a implantação da república. Colabora em A Águia, que logo abandona. Companheiro de Raúl Proença. Polemiza contra o saudosismo. Estuda em Genebra, entre 1914 e 1916, no Instituto Jean-Jacques Rousseau, sendo aí profundamente influenciado pelos modelos pedagógicos de John Dewey. Funda com Francisco Reis Santos e Pedro José da Cunha a Liga de Acção Nacional durante o sidonismo e edita a revista Pola Grei, onde defende um governo nacional, colaborando com Ezequiel de Campos. Exila-se no Brasil até 1923. Aí edita o primeiro volume dos Ensaios. Director da Seara Nova. Ministro da Instrução Pública no governo de Álvaro de Castro, de 18 de Dezembro de 1923 a 23 de Fevereiro de 1924. Um dos principais ideólogos da Seara Nova. Várias vezes exilado depois de 1926, foi um dos principais líderes intelectuais da oposição ao salazarismo. Defensor do racionalismo cartesiano. Em 1926, exilado em França, integra a Liga de Defesa da República. Regressa a Portugal apenas em 1933. Em Junho de 1934 assume as funções de director-delegado da revista Seara Nova. Faz também parte da direcção da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Em 1939 abandona a Seara Nova, em discordância com Câmara Reis. Participa activamente no MUNAF em 1943. Em 1946 milita no MUD, tornando-se vice-presidente da respectiva Junta Consultiva. Em 1947 tenta criar um Partido Socialista, autónomo face à SPIO, do velho partido fundado em 1875, escrevendo então Alocução aos Socialistas, data de 1 de Maio do mesmo ano. Em 1950 funda o Directório Democrato-Social. Inspirador das candidaturas de Quintão Meireles e de Humberto Delgado. Em 1958 é preso juntamente com Mário Azevedo Gomes, Jaime Cortesão e Francisco Vieira de Almeida, por causa do convite dirigido ao deputado trabalhistas Bevan para visitar Portugal. Fica incapacitado a partir de 1961, em virtude de uma grave doença psiquíca.
 
·Educação Cívica
Porto, Renascença Portuguesa, 1915.
·Ensaios
Oito volumes, 1920-1958.
·Pátio das Cantigas, das Palestras e das Pregações,
Lisboa, edição do autor/Editorial Inquérito, 1957.
·A Democracia
Lisboa, Cadernos Seara Nova, 1934. 2ª ed., 1937; 3ª ed., 1938.
·Diálogos de Doutrina Democrática
Lisboa, 1933.
·Democracia
Lisboa, 1934.
·Alocução aos Socialistas
Lisboa, 1947.
·Introdução Actual ao Programa Cooperativista
Lisboa, Seara Nova, 1937.
·Cartas ao Terceiro Homem, Porta-Voz das “Pedras Vivas” do País Real
Lisboa, Editorial Inquérito, 1953, 1ª série; idem, 1954, 2ª série; idem, 1957, 3ª série.
·Democracia. Diálogos de Doutrina Democrática, Alocução aos Socialistas
Ed. Crítica. Lisboa, Livraria Sá da Costa, 1974.
·Sobre o Espírito do Cooperativismo
Porto, 1958.
 
4Branco, J. Oliveira, O Humanismo Crítico de António Sérgio. Análise dos seus Vectores Filosóficos, Coimbra, 1986. 4Carvalho, J. Montezuma, António Sérgio. A Obra e o Homem, Lisboa, Livraria Arcádia, 1977. 4«António Sérgio. Um Perfil e uma Obra», in Vida Mundial, de 7 de Novembro de 1969.
 
 
Sermão pelo Bom sucesso das nossas Armas (1645) Neste sermão, o Padre António Vieira proclama que para aclamar o rei, bastou a resolução de poucos homens; para reputar o reino, ajuntamos exércitos de tantos mil, pelo que havemos de considerar que temos em campanha, não um exército de Portugal, senão Portugal em um exército. De tal sorte é esta causa comum, que toca a todos em particular e no mais particular de cada um. Porque a mais perigosa consequência da guerra e a que mais se deve recear nas batalhas é a opinião. Na perda de uma batalha arrisca‑se um exército; na perda da opinião arrisca‑se um reino. E lembremo‑nos de quantos reinos e
monarquias se perderam em um dia e em uma batalha.
 
Sernin, André, Alain, un Sage dans la Cité, Paris, Éditions Robert Laffont, 1985.
 
Seroka, Jim, Bebler, Anton, Contemporary Political Systems. Classifications and Typologies, Boulder, Lynne Rienner, 1990.
 
Serpa Machado, Manuel Pai de António Serpa Pimentel. Deputado em 1821-1822, chegando a ser presidente do Congresso Constituinte. Professor de direito, será decano de Coimbra. Um dos trinta pares da fornada cabralista de 3
de Maio de 1842. Apoiante de Costa Cabral.
 
 
 
Serpa Pimentel, António de (1825-1900) Lente da Politécnica, na área da matemática. Amigo de Herculano. Filho de Manuel Serpa Machado. Jornalista, colega de Latino Coelho. Deputado desde 1856. Só em 1858 toma partido pelos regeneradores, criticando a política do ministro da fazenda do governo histórico. Ministro da fazenda no primeiro governo de Fontes, entre 2 de Agosto de 1872 e 5 de Março de 1877. Ministro da fazenda de 29 de Janeiro de 1878 a 1 de Junho de 1879, no segundo governo de Fontes. Em Maio de 1879, a oposição progressista insinua relações pouco claras de Serpa com o Banco Nacional Ultramarino. A questão é votada a 28 do mesmo mês, o governo consegue vencer, mas apenas por oito votos. Assim, Serpa pede a demissão, arrastando com ele o restante governo, que se demite. Ministro dos negócios estrangeiros no terceiro governo de Fontes, de 14 de Novembro de 1881 a 31 de Maio de 1883 (um governo regenerador que começou por ser presidido por Rodrigues Sampaio, entre 25 de Março de 1881 e 14 de Novembro do mesmo ano e que até então teve Hintze Ribeiro como ministro dos estrangeiros). Sucede a Fontes na chefia dos regeneradores, em 20 de Janeiro de 1877. Tem a oposição de Barjona de Freitas que promove a dissidência da Esquerda Dinástica, até 1890. Entre os apoiantes, Lopo Vaz, Hintze Ribeiro e Barbosa du Bocage. Mas não receb o apoio expresso de António Augusto de Aguiar, Jaime Moniz, Tomás Ribeiro, Andrade Corvo, Barros e Sá e Melo Gouveia. Comissário português na conferência de Berlim de 1883 que cria o Estado Livre do Congo. Presidente do Tribunal de Contas em 12 de Agosto de 1886. Presidente do conselho de 14 de Janeiro a 14 de Outubro de 1890, acumulando a pasta da guerra. O governo toma posse depois do Ultimatum e reconcilia Barjona de Freitas com os regeneradores. Assina o Tratado de Londres em 20 de Agosto de 1890. Cai sob a pressão da Liga Liberal. Nomeado em 1892, pelo governo de Dias Ferreira, representante português para negociar um empréstimo internacional.
 
Serra, Abade Correia da (1750-1823) Abade José Francisco Correia da Serra. Maçon. Um dos fundadores da Academia das Ciências em 1779, auxiliando o duque de Lafões. Doutor em direito canónico por Roma, onde residia com os pais desde 1756, sob a protecção do mesmo duque de Lafões. Saiu de Portugal em 1797 para Londres, onde foi agente diplomático (1801). Passou depois para Paris. Foi embaixador nos Estados Unidos da América (1816), onde vivia desde 1813, depois de abandonar Paris. Regressou a Portugal em Agosto de 1821. Deputado por Beja em 1822.
 
Serra, Adriano Pais da Silva Vaz Serra. Civilista português, da escola da jurisprudência dos interesses e um dos redactores do projecto de Código Civil. Subsecretário de Estado das Finanças, de 13 de Dezembro de 1937 a 28 de Agosto de 1940.
 
 
 
Serra, António Truyol (n. 1913) Nasce na Alemanha, filho de comerciantes de Maiorca. Formado em Direito por Madrid (1936), doutor em 1945. Professor em Madrid (1941-1945), Múrcia (1946-1957) e na Complutense de Madrid, desde 1957. Professor convidado da Faculdade de Direito de Lisboa de 1950 a 1966. Membro do Instituto de Estudios Políticos de Madrid e da entidade que lhe sucedeu, o Centro de Estudios Constitucionales.
·Noções Fundamentais de Direito Internacional Público
[ed. orig. 1950], 2ª ed., Rogério Ehrhardt Soares, trad., Coimbra, Livraria Arménio Amado, 1962.
·Historia da Filosofia del Derecho y del Estado
2 vols., vol. I - De las Origenes a la Baja Edad Media [1ª ed., 1954], Madrid, Revista de Occidente, 1956; vol. II - Del Renacimiento a Kant [1ª ed., 1975], Madrid, Alianza Universidad, 1982 [trad. port. História da Filosofia do Direito e do Estado, 2 vols., Lisboa, Instituto de Novas Profissões, 1985-1990].
·Genèse et Fondements Spirituels de l’Idée d’une Communauté Universelle. De la civitas maxima stoicienne à la civitas gentium moderne
Lisboa, FDUL, 1958.
·La Integración Europea. Idea y Realidad Europea
Madrid, 1965.
 
Serra , Coimbra Botado e (1786-1854) Juiz conselheiro. Presidente da Câmara dos Deputados cabralista de 1842 a 1846. Ministro do reino de Saldanha entre 18 de Dezembro de 1847 e 21 de Fevereiro de 1848. Assume também a pasta da justiça
de 21 de Janeiro a 21 de Fevereiro de 1848.
 
Serra, Manuel ( n. 1928) Oficial da marinha mercante. Começa como militante da JOC. Um dos organizadores da Revolta da Sé e do assalto ao quartel de Beja. Conhecido como o manecas das intentas. Depois de Abril de 1974, como dirigente principal do Movimento Socialista Popular, integra-se no Partido Socialista, até ao congresso de Dezembro de 1974, quando se torna dissidente, fundando, depois, a Frente Socialista Popular que alinha com os comunistas. Depois de abandonar a luta política, passou a dedicar-se
à aquacultura.
 
Serrão, Joaquim Veríssimo (n. 1925) Historiador e professor catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa. Director do Centro Cultural Português em Paris de 1967 a 1972. Reitor da Universidade de Lisboa em 1973-1974. Presidente da Academia Portuguesa da História.
 
Serrão, Joel (n. 1919)
·Antologia do Pensamento Político Português, vol. I - Liberalismo, Socialismo, Republicanismo
Porto, Edições Inova, 1970 [textos de Silvestre Pinheiro Ferreira, Manuel Fernandes Tomás, Mouzinho da Silveira, Almeida Garrett, António Feliciano de Castilho, José Estevão, Alexandre Herculano, Henriques Nogueira, Ramalho Ortigão, D. Pedro V, Júlio Dinis, Antero de Quental, Teófilo Braga, Eça de Queirós, Oliveira Martins, Basílio Teles, Sampaio Bruno, Fialho de Almeida, Raul Brandão, António Sérgio, Raul Proença].
·Do Sebastianismo ao Socialismo em Portugal
Lisboa, Livros Horizonte, 1969.
·«A Busca Pessoana do Sentido de Portugal»
In Pessoa, Fernando, Sobre Portugal, Lisboa, Livraria Ática, 1978.
·«Fernando Pessoa, Cidadão do Imaginário»
In Pessoa, Fernando, Ultimatum e Páginas de
Sociologia Política, Lisboa, Livraria Ática, 1980.
 
Sérvia 88 361 km2 e 9 791 000 habitantes; os sérvios constituíam 36% da população da Jugoslávia. O levantamento sérvio contra a dominação otomana ocorreu a partir de 1804, com o apoio de austríacos e russos, e pelo Tratado de Bucareste de 1812, russos e austráiacos obrigaram o sultão a conceder uma certa autonomia aos sérvios; em 4 de Dezembro de 1815, com Miloch Obrenovitch, passa a constituir um principado autónomo, vassalo do sultão; em 1830, o sultão concede a Miloch o título de príncipe hereditário dos sérvios, mas só em 1867 é que as guarnições turcas se retiram de Belgrado; obtém a independência completa em 1878, no Congresso de Berlim; em 1888, o príncipe Milan Obrénovitch passa a ter o título de rei. No âmbito da federação jugoslava posterior a 1945, os sérvios foram repartidos por várias repúblicas: na Sérvia propriamente dita, 4, 8 milhões; 1, 1 na província autónoma da Voivodina (54% da população), 209 000 no Kosovo (13% da população), 530 000 na Croácia ocidental (11, 5%) e 1 300 000 na Bósnia (32%). Em Outubro de 1987, Slobodan Milosevic assumiu o controlo dos comunistas sérvios em oposição a Tito; em Dezembro de 1990, os comunistas, rebaptizados como socialistas ganham as primeiras eleições pluralistas na Sérvia e no Montenegro, ao contrário do que sucedeu nas restantes repúblicas jugoslavas; em Maio de 1992 foi decretado um embargo comercial pela ONU, depois da Sérvia apoiar a revolta dos sérvios da Croácia e da Bósnia; em Dezembro de 1992, Milosevic foi reeleito presidente e o seu partir voltou a vencer esmagadoramente as eleições legislativas de Dezembro de 1993. Em Abril de 1992 foi constituída entre a Sérvia e o Montenegro uma República Federal da Jugoslávia, que não obteve reconhecimento internacional
 
Service, Elman R.,
·Origins of State and Civilization, Nova York, W. W. Norton, 1975.
·Com Cohen, Raymond, eds., Origin of the State. The Anthropology of Political Evolution, Filadélfia, Institute for the Study of Human Issues, 1985.
 
Serviços secretos. CIA, KGB, Intelligence. Serviços de informação. SIS
 
Servidão Adscrição dos agricultores à terra, os chamados servos da gleba. O processo de abolição da servidão nos séculos XVIII e XIX tem uma sucessão interessante. Em 1789 na Alsácia-Lorena. Em 1792 em Sabóia. Em 1792 na Renânia e na Suíça. Em 1806 em Nápoles. Em 1807 em Vestefália. Em 1811 no Norte da Alemanha. Em 1807 e 1811 na Prússia. Em 1816-1819 nas províncias bálticas da Rússia. Em 1848 nos Principados do Danúbio. Em 1848 na Hungria. Em 1861 na Rússia.
 
Serviles Nome dado pelos adversários aos deputados que nas Cortes de Cádis eram adeptos do absolutismo de rei Fernando VII. Lançaram em 1814 o Manifesto de los Persas, onde pedem ao rei o regresso à monarquia absoluta. A partir de 1820 passam a ser conhecidos como apostólicos, dando mais tarde origem aos carlistas.
 
Servitude Volontaire. ìDiscours de la Servitude Volontaire (1548)
 
Setembrismo. Ver Regime político do setembrismo
 
 
Seton-Watson, Hugh, Nations and States. An Inquiry into the Origins of Nations and the Politics of Nationalism, Londres, Methuen Press, 1977.
Settembrini, D., Socialismo al Bivio, Milão, Sugar Co., 1978.
 
Seurin, Jean-Louis, La Structure Interne des Partis Politiques Américains, Paris, Librairie Armand Colin, 1953., ed., La Démocratie Pluraliste, Paris, Éditions Oeconomica, 1980. Le Constitutionnalisme
Aujourd’hui, Paris, Éditions Oeconomica, 1984.
 
Severino, Bartolomeu de Sousa Ministro do trabalho de 8 de Março a 26 de Junho de 1920, no governo de António Maria Baptista/ Ramos
Preto.
 
Sevícias, Relatório das Relatório elaborado em 8 de Novembro de 1976 por uma comissão nomeada por Ramalho Eanes, a Comissão de Averiguação de Violências sobre Presos Sujeitos às Autoridades Militares, onde, conforme o comunicado da Presidência da República, se reconhece que centenas de portugueses foram sujeitos a prisões arbitrárias, viam-se privados de garantias judiciárias, sofreram torturas físicas e morais e tornaram-se ainda vítimas de outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. A comissão, presidida pelo brigadeiro Henrique Calado, tinha, entre outros, a presença do juiz António Gomes Lourenço Martins e dos advogados Ângelo Vidal de Almeida Ribeiro e Francisco de Sousa Tavares. Pronunciou-se fundamental sobre os factos ocorridos entre 11 de Março e 25 de Novembro de 1975. Reconhece-se que as prisões, algumas vezes com mandatos de captura assinados em branco resultaram de denúncias de organizações partidárias e sindicais, de gabinetes ministeriais e do SDCI. As torturas foram
praticadas no RALIS e no Regimento de Polícia Militar.
 
Sexismo Dizem certas feministas que o machismo gera uma espécie de racionalismo de géneros quando se consideram superiores aos indivíduos do sexo feminino.