Respublica           Repertório Português de Ciência Política            Total: S/Si
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                © José Adelino Maltez. Última revisão em: 12-02-2009
 

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Lista de artigos

Artigos em grosso

Sicília

Sidgwick, Henry

Sidjanski, Dusan

Sidney, Algernoon (

Sidonismo, Regime político  do

Siebertz, Paul

Siegfried, André

Signoria

Sik, Ota

Silésia

Silva, Alfredo da

Silva, Aníbal António Cavaco

Silva, António Henriques da 

Silva, António Maria da 

Silva, Armando Adão e Silva

Silva, Augusto Dias da

Silva, Augusto Santos

Silva, Carlos Bento da

Silva, Costa e

Silva, D. Francisco Maria da

Silva, Eduardo Ferreira dos Santos

Silva, Fernando Augusto Pereira

Silva, Fernando Emygdio da

Silva, Ferreira da

Silva, Gaspar Pereira da

Silva, Golbery do Couto e

Silva, Inocêncio Francisco da

Silva, João Elias da Costa Faria e

Silva, João Ferreira dos Santos

Silva, Luís António Rebelo da

Silva, Luís Augusto Rebelo da

Silva, Mário

Silva, Pedro Vieira da

Silva, Plínio Octávio Santana e

Silva, Rodolfo Xavier da

Silva, Xavier

Silveira, Alberto Carlos da

Silveira, António da

Silveira, D. Joaquim Lobo da

Silveira, Mouzinho da

Silveira, Mouzinho da.

Simão, José Veiga

Simas, Manuel Soares de Melo e

Simbolismo político

Símbolo

Simmel, Georg

Simmons, A. John

Simmons, J.

Simões, Nuno

Simões, Veiga

Simon, Herbert A.

Simonis, Yvan

Sinarquia

Sindicalismo Revolucionário

Singapura

Síntese, Regra da (Descartes)

Sionismo

Sismondi, J. -C. L. Sismonde

Sistema

Sistema aberto

Sistema Complexo

Sistema formal

Sistema Mundo

Sistema social

Sistemas eleitorais

Sistemas gerais, teoria dos

Sistemas políticos modernos

Sistemas reguladores da vida social

Sistemismo

Siu, R. G. H.

Sivan, Emmanuel

Sivini, G.

 
Sicília A ilha da Sicília foi ocupada pelos bizantinos, até ao século XIX, e pelos árabes, até ao século XI, e pelos normandos (em 1130, Anacleto II obteve do papa o título de rei da Sicília), passa, no século XII para os Hohenstaufen (em 1186, Constança, filha do rei da Sicília, casou com o Imperador Henrique IV, e o filho do casal, que será o Imperador Frederico II, transformou a Sicília na base dos Hohenstaufen); em 1265 chega a vez de se assumir como rei Carlos I de Anjou; em 1282 já integra o reino de Aragão, mantendo-se a casa de Anjou em Nápoles; em 1302, os angevinos reconhecem a separação da Sicília, permanecendo em Nápoles; em 1442 já a coroa de Aragão volta a reinar em Nápoles, mantendo unidas as Duas Sicílias, expressão retirada dos bizantinos que falavam no sul da Itália como a Sicilia aquém do Estreito, até 1458; nesta data, Nápoles fica com um rei próprio, Fernando I (1458-1494), enquanto Aragão permanece na Sicília. Entre 1495 e 1504 Nápoles é ocupada pelos franceses, sob o comando do rei Carlos VIII, invocando os direitos da casa de Anjou. Nápoles permanece na casa de Aragão até 1713, quando é ocupada pelos Habsburgos da Áustria; pela paz de Utrecht de 1713, a Sicília é atribuída à casa de Sabóia que com os Habsburgos austríacos, em 1718, a trocam com a Sardenha. Em 1735, pela Paz de Viena, que faz terminar guerra de Sucessão da Polónia, a Sicília e Nápoles passam para os Bourbons de Espanha, assumindo o reino Carlos VII (1735-1759), filho de Filipe V de Espanha e de Isabel Farnésio, que teve como ministro o toscano Tanucci. A Carlos VII, feito rei de Espanha, sucede Fernando IV (1759-1825) que casa, em 1768, com Maria Carolina, irmã da rainha de França, Maria Antonieta, tornando-se a Sicília um feroz adversário da Revolução Francesa; já em Nápoles, em Janeiro 1799, ocorre a ocupação francesa que transforma o território na República Parthenopeiana; em 27 de Dezembro de 1805, pela Paz de Schonbrunn, Napoleão atribui o Reino de Nápoles ao seu irmão José que reina de 1806 a 1808, data em que passa a rei de Espanha, sendo substituído por Murat que se conserva no poder até 1815; ; em 1808, os Bourbons reinantes em Espanha, depois de expulsos por Napoleão, refugiam-se na Sicília, onde se mantêm, sob protecção inglesa, até 1814; em 20 de Maio de 1815, pela convenção de Cazalanza, as Duas Sicílias são atribuídas aos Bourbons, passando a reinar Fernando IV; em 1816, quando os Bourbons se restabelecem em Nápoles, é criado o reino das Duas Sicílias, unitário e centralizado; em Julho de 1820 deu-se uma revolta liberal em Nápoles que instaurou aí a Constituição espanhola de 1812, mas Fernando IV, com a ajuda da Santa Aliança, restabelece a ordem anterior; segue-se Francisco I (1825-1836) e Fernando II.
 
 
 
Sidgwick, Henry (1838-1900) Professor de filosofia moral em Cambridge. Influenciado por John Stuart Mill e ligado à Escola Histórica. Um dos últimos grandes utilitaristas, embora invocando uma conciliação com Kant.
·Methods of Ethics
1874.
·Outlines of the History of Ethics
1886.
·Principles of Political Economy
1883.
·Practical Ethics
1898.
 
Sidjanski, Dusan
·Fédéralisme Amphicthyonique
Lausanne, F. Rouge & Cie., Librairie de l’Université, 1956.
·L’Avenir Fédéraliste de l’Europe. La Communauté Européenne, des Origines au Traité de Maastricht
Genebra, Publications de l’Institut Universitaire d’Études Européennes/Presses Universitaires de France, 1992.
 
 
Sidney, Algernoon (1622-1683) Assume-se contra o patriarcalismo de Filmer. Defensor do republicanismo aristocrático de Milton. Admite o regime misto, negando a tese do direito divino dos reis, dado considerar que a fonte do poder está no consentimento do povo. Salienta que a liberdade é o principal dos valores políticos.
·Discourses concerning Government
1698.
 

 
Sidonismo, Regime político do A partir do golpe dezembrista, vitorioso em 5 de Dezembro de 1917, surgiu o interregno sidonista, essa procura de uma república nova que, no plano eleitoral, tentou um presidencialismo assente tanto no sufrágio universal e directo como no alargamento do colégio eleitoral. O novo governo, instituído em 11 de Dezembro de 1917, integrou três ministros unionistas, e dois centristas, do novo Partido Centrista Republicano, surgido a partir dos evolucionistas. Com a saída dos ministros unionistas em 3 de Março de 1918, grande parte das forças apoiantes do dezembrismo criaram um Partido Nacional Republicano, em 30 de Março, onde se integraram os centristas de Egas Moniz e os reformistas de Machado Santos. Entre Dezembro de 1917 e Dezembro de 1918, a República Portuguesa vai viver sob o interregno do dezembrismo ou sidonismo que a si mesmo se qualificou como república nova, feita em torno do poder pessoal de Sidónio Pais, a quem Fernando Pessoa chegou a erguer à categoria de presidente-rei. A mudança começou a partir de 5 de Dezembro de 1917, data de início de um movimento revolucionário liderado por uma junta de que fazia parte o próprio chefe dos revolucionários da Rotunda, Machado Santos, juntamente com Sidónio Pais e Felicioano Costa. No dia 8, o movimento já está vitorioso (uma centena de mortos) e, três dias depois, já constitui governo Sidónio Pais, um militar universitário, marcado por um inequívoco republicanismo, como o atestavam o facto de ser um ilustre maçon com um curriculum onde se destacava a circunstância de ter sido membro do primeiro governo do regime republicano. Anunciada a vitória em 8 de Dezembro, data em que Afonso Costa era preso no Porto, o novo poder começa por anular os castigos impostos aos bispos, disolve o parlamento e manda libertar os indivíduos presos por estarem implicados no golpe de 16 de Dezembro de 1916 (9 de Dezembro). São reintegrados os saneados pela lei de 1915 (10 de Dezembro) e é destituído o presidente da república (11 de Dezembro). Em 27 de Dezembro, já Sidónio acumulava as funções de presidente do ministério e de presidente da República. Cerca de uma década depois, no golpe o 28 de Maio de 1926, os principais conspiradores voltarão a ser republicanos e maçons e entre as cabeças da movimentação voltará a destacar-se outro dos revolucionários do 5 de Outubro de 1910, o Almirante Cabeçadas. Curiosamente, tanto em Dezembro de 1917 como em Maio de 1926, será destituído o mesmo Presidente da República institucional, Bernardino Machado, outro ilustre maçon que acrescentava ao curriculum a circunstância de ter sido ministro da monarquia, pelo partido regenerador. O interregno será interrompido em 14 de Dezembro de 1918, com o assassinato de Sidónio Pais na Estação do Rossio, em Lisboa. Já no dia 6 houvera uma outra tentativa de assassinato, que não impediu o garboso político de continuar oa banhos de multidão. Em 14 de Dezembro, assumia o poder o até então Secretário de Estado da Marinha, o Almirante Canto e Castro, conhecido pelas suas convicções monárquicas. Eleito Presidente da República no dia 16, com o apoio dos unionistas, será ele a encabeçar a transição para o regresso à república velha e a ter de jugular as revoltas monárquicas de Janeiro de 1919, desde a revolta de Monsanto em Lisboa, à Traulitânia do Norte, esta encabeçada pelo brioso Paiva Couceiro. Assim, por decretos de 11 e 30 de Março, o sidonismo tratou de instituir o regime do sufrágio universal, alargando o direito de voto a analfabetos e a oficiais, sargentos e equiparados das forças armadas. O colégio eleitoral passou de 471 557 recenseados para cerca de 900 000 e nas eleições de 28 de Abril chegou a atingir-se o nível dos 513 958 votantes. Com efeito, no dia 28 de Abril de 1918 realizaram-se tanto as eleições para Presidente da República como as eleições legislativas. Nas primeiras. Sidónio Pais apresentou-se como o único candidato, e nas segundas triunfou o partido sidonista, com 108 deputados, contra 37 monárquicos, 5 independentes e outros tantos católicos. A Câmara dos Deputados sidonista era composta por 155 deputados eleitos por círculos, predominando o sistema da lista incompleta, dado que cerca de um terço dos mandatos era para a representação das minorias. Havia 77 senadores, dos quais 28 provinham de agremiações sócio-profissionais. 49 destinavam-se ao eleitorado comum e 9 ficavam reservados para as minorias. O interregno tentou institucionalizar um regime híbrido, um isto... já não é República porque lhe falta Afonso Costa, mas que ainda não é monarquia porque lhe falta o Rei, conforme palavras de Alfredo Pimenta, numa conferência que em 26 de Fevereiro de 1918 proferiu na Liga Naval. Em primeiro lugar, importa recordar que, nesse período, Portugal, além de estar em guerra, sofria as consequências da fome, a então dita questão das subsistências, e da peste, principalmente por causa da epidemia da pneumónica. A própria exaltação messiânica e as relações com o transcendente estavam marcadas pelas consequências das aparições de Fátima, onde o último episódio havia ocorrido três meses antes do golpe dezembrista. Durante o ano de 1918 viveram-se alguns dos picos dramáticos da nossa participação bélica, desde a derrota na batalha de La Lys (9 de Abril) ao torpedeamento da Augusto Castilho (14 de Outubro), um pouco antes de ser assinado o armistício (11 de Novembro). Infelizmente, os dolorosos investimentos humanos da nossa participação na Flandres foram prejudicados pela imagem germanófila com que oss adversários marcaram o grupo de Sidónio, o que prejudicou a nossa participação na conferência de paz. Saliente-se que, depois de em 21 de Março os alemães iniciarem uma ofensiva, os ingleses recuaram cerca de 60 km, mandando o CEP para a frente. Na batalha de La Lys morreram 7 098 praças e 327 oficiais, cerca de 35% dos nossos efectivos na Flandres. A partir de então houve sucessivas recusas de participação na frente e os nossos soldado, assim humilhados, serviram de mão de obra para abertura de trincheiras, ao serviço dos britânicos. No plano da política doméstica, o dezembrismo tentou resolver o conflito entre o Estado e a Igreja Católica. Aliás, a primeira medida tomada pelo novo regime foi a da anulação dos castigos impostos aos bispos (9 de Dezembro de 1917). Seguiu-se o reatamento das relações com a Santa Sé (27 de Junho de 1918). Institucionalmente, o dezembrismo tentou inaugurar um novo regime institucional, marcado pelo presidencialismo, assente no sufrágio directo e universal e no alargamento do próprio colégio eleitoral. Com efeito, Sidónio Pais não pode ser configurado como um mero ditador precursor do salazarismo ou continuador de João Franco. Como o qualificou Raul Brandão, ele teve metade de príncipe e metade de condottiere. Foi a força de um momento que o levou ao alto. Apenas passou como um relâmpago e não deixou vestígios, porque tal força se não era fictício, desapareceu ao primeiro sopro... teve a existência que têm sempre os homens que procuram conciliar forças adversas. Duram um momento. Desaparecem num momento. Ele foi sem dúvida o homem que re ele spondeu às circunstâncias. A anterior república, marcada pela partidocracia de uma força dominante, temia o diálogo directo com a massa da população. Sidónio assumiu o diálogo directo com o povo, ensaiou banhos de multidão, teve rasgos de generosidade e recebeu um apoio emocionalmente sentido por um povo cansado de políticos, fechados sobre o seu próprio clube partidário ou parlamentar. Surgiu assim o primeiro presidente da república eleito directamente por sufrágio universal, alcançando uma legitimidade profundamente sentida e popularizando a República pela primeira vez. Pressentiu também a necessidade de um intervencionismo estadual no plano social e económico lançando as bases de um Estado-Providência. Logo em 9 de Marços criou-se uma nova estrutura governamental, onde o velho ministério do fomento, donde já se tinha destacado uma estrutura dedicada ao trabalho, deu lugar, por um lado, a um ministério da agricultura e, por outro, a um ministério das subsistências e dos transportes. Seguiu-se a criação de um Instituto de Seguros Sociais Obrigatórios e de Previdência Geral (10 de Maio) e lançaram-se mesmo as bases da intervenção imediata, com a criação da sopa dos pobres, que ainda hoje funciona com o nome de sopa do Sidónio, e a instituição das senhas de racionamento, logo em Setembro. O presidencialismo alterou mesmo a estrutura do governo, dado que em 15 de Maio os próprios ministérios foram substituídas por secretarias de Estado, presididas pelo próprio presidente da república, entretanto já eleito em 28 de Abril. Não se pense, contudo, que o modelo nasceu num país vivendo em normalidade institucional. A revolução dezembrista foi a sangrenta, fazendo cerca de uma centena de mortes e de quinhentos feridos, enquanto a instabilidade golpista continuou a manifestar-se. Logo em 8 de Janeiro de 1918, a revolta dos marinheiros; no Verão uma greve dos ferroviários, precedendo uma ensaio de greve geral em Novembro; em Setembro, uma revolta militar em Lamego; e em Outubro, novas movimentações revoltosas em Lisboa, Porto e Évora. A resposta do poder estabelecido nunca foi branda e assumiu mesmo alguns contornos de terrorismo de Estado, sendo marcada pela chamada Leva da Morte, de 16 de Outubro, quando num transporte de presos golpistas, na baixa lisboeta, sete deles foram assassinados, entre os quais se incluiu o aristocrata republicano Ribeira Brava. Mas Sidónio nunca deixou de procurar acalmar os ânimos. No dia 18 de Maio, em visita ao Porto, libertou pessoalmente os revoltosos detidos que se queixavam das tradicionais violências policiais. No plano partidário, o sidonismo, depois de perder o apoio político dos unionistas (em 7 de Março, os ministros do grupo de Brito Camacho abandonaram o governo e, no congresso de 8 de Abril criticaram violentamente o estado de coisas, decidindo não apresentar-se às eleições) tentou estruturar-se pela criação o Partido Nacional Republicano (30 de Março de 1918), onde se integraram os centristas de Egas Moniz e os reformistas de Machado Santos. O partido, que teve como órgãos de apoio A Lucta  e A Situação, ainda sobreviveu depois da morte de Sidónio, sob a designação de Partido Nacional Republicano Presidencialista, tendo concorrido às eleições legislativas de 1921 e 1922, antes de se fundir, em 1925, com o Partido Nacionalista. Outro movimento político nascido na altura foi a Cruzada Nuno Álvares, fundada em 18 de Julho, sob a inspiração do Professor da Faculdade de Direito de Lisboa, Martinho Nobre de Melo. Esboçou-se, inclusive, uma revista, a Pela Grei - Revista para o Ressurgimento Nacional pela Formação e Intervenção de Uma Opinião Pública Consciente, fundada em princípios de 1918, de que saíram sete números, até 20 de Maio de 1919. Dirigida por António Sérgio e contando com a colaboração de Ezequiel de Campos e Raúl Proença, era órgão de uma Liga de Acção Nacional que tinha como Presidente o reitor da Universidade de Lisboa, Pedro José da Cunha, e como secretários-gerais Reis Santos e António Sérgio, tendo, entre os fundadores, os professores Ruy Enes Ulrich e Francisco António Correia. Excluir a lei e a prática eleitoral do sidonismo da vida da I República, configurando o processo como um pré-28 de Maio ou um protofascismo pode constituir excelente literatura de justificação, mas impede que se assinale uma efectiva experiência de sufrágio universal e a primeira eleição de um chefe de Estado por sufrágio directo e também universal. Julgamos que o antigo ministro dos primeiros governos do regime, juntamente com os ilustres republicanos que o apoiaram, de Machado Santos a Egas Moniz apenas criaram a hipótese de um modelo de presidencialismo democrático que, se tem o vício da personalização do poder, nem por isso deixa de ser democrático, como o têm demonstrado as experiências da V República francesa, com Charles de Gaulle e Mitterrand e, como, de certa maneira, o tentou praticar Ramalho Eanes, nas nossas experiências de institucionalização pós-revolucionária da democracia. Acresce que a participação de adversários do regime na vida parlamentar, longe de destruir as instituições, poderia vivificá-las. Ligar a experiência sidonista ao 28 de Maio corresponde a uma verdade, se distinguirmos o 28 de Maio do salazarismo e se recordarmos que uma das primeiras oposições ao salazarismo veio dos generais do movimento, nomeadamente de Vicente de Freitas. O regresso à república velha  e a eleições de 1919 O regime foi destruído com o assassinato do presidente-rei em 14 de Dezembro de 1918. Seguiu-se a eleição de um novo Presidente da República, em colégio eleitoral, no dia 16 de Dezembro, recaindo a escolha no almirante Canto e Castro, um monárquico sidonista, apoiado pelos unionistas. Instituiu-se também o último governo sidonista, sob a presidência de Tamagnini Barbosa, a partir de 23 de Dezembro. O governo vive a pressão das juntas militares monárquicas e da pressão das forças político-militares republicanas. Faz a sua apresentação parlamentar em 8 de Janeiro, sendo criticado por Cunha Leal e Machado Santos, mas eclodem movimentos revolucionários em Lisboa, Covilhã e Santarém, sob o comando de uma junta revolucionária constituída por Álvaro de Castro, Francisco Couceiro da Costa, António Granjo, Jaime de Morais, Augusto Dias da Silva e Cunha Leal. Em 18 de Janeiro começava a conferência de paz de Versalhes, estando Portugal representado por Egas Moniz. Em 19 de Janeiro, Paiva Couceiro restaura a monarquia no Porto e em 23 de Janeiro dá-se a revolta monárquica de Monsanto em Lisboa. Continuou a funcionar a Câmara dos Deputados eleita em 28 de Abril de 1918, mas fervilharam as juntas militares revolucionárias que prenunciam os fins do modelo, acelerado pelo processo de restauração da monarquia no Porto, a partir de 19 de Janeiro de 1919, a que se seguiu uma revolta monárquica em Lisboa, a partir de 23 de Janeiro. Os novos poderes do sidonismo optaram pela fidelidade à república, acabando por compartilhar o governo com representantes da república velha. Assim, em 27 de Janeiro e até 30 de Março, emergiu um governo presidido por José Relvas, misturando democráticos, evolucionistas, unionistas, socialistas e sidonistas, durante a vigência do qual se restabeleceu a plena vigência da Constituição de 1911 e se liquidaram as sedições monárquicas. Em 19 de Fevereiro já se dissolviam as Câmaras sidonistas e se convocavam as eleições para 13 de Abril. O novo governo começa por juntar representantes de todos os partidos, incluindo dos próprios sidonistas (na justiça, estrangeiros, comércio e colónias), cujo parlamento se manteve até 19 de Fevereiro, data em que se regressou formalmente à plena vigência da Constituição de 1911. Augusto Dias da Silva, socialista, no trabalho. Pretendia-se um gabinete de concentração republicana. No acto de apresentação parlamentar, em 4 de Fevereiro, o gabinete proclamava que era de todos os partidos, não tem partido algum, o seu partido é a república. Chama-lhe o ministério da desforra. As tropas republicanas são comandadas pelo general Alberto Ilharco. Em 11 de Fevereiro Abel Hipólito conquista Estarreja aos monárquicos. Só no dia 13 se punha fim à Traulitânia, principalmente pela acção de Sarmento Pimentel. No dia 17 caía Vila Real. No dia 19 de Fevereiro de 1919 dava-se a dissolução do parlamento sidonista, anunciando-se o regresso à chamada república velha. As eleições eram convocadas para 13 de Abril. No dia 12 de Março já Afonso Costa substituía Egas Moniz na conferência de paz, pouco tempo depois de ter saído o primeiro número do jornal anarco-sindicalista A Batalha (23 de Fevereiro). Teixeira Gomes era nomeado
ministro de Portugal em Madrid (11 de Março).
 
Siebertz, Paul
·A Maçonaria na Luta pelo Poder
Porto, Pola Grey, 1944, reeditada pela Associação Cultural Tudo Instaurar em Cristo, como título Dom Miguel e a sua Época. A Verdadeira História da Guerra Civil, Algueirão, 1985, com um prefácio de Henrique Barrilaro Ruas
 
 
 
Siegfried, André 1875-1959 Politólogo francês, de formação geográfica. Em 1940, director do Centre d'Études de Politique Étrangère de Paris. Um dos aliados franceses de Toynbee, no sentido de uma união franco-britânica. Autor de um trabalho pioneiro sobre o comportamento eleitoral, baseado na distribuição de espaços geográficos (1913).
·Tableau Politique de la France de l’Ouest sous la IIIème République
Paris, Librairie Armand Colin, 1913 [reed., Genebra, Éditions Slatkine, 1980].
·Les États Unis d’Aujourd’hui
Paris, Librairie Armand Colin, 1927.
·Tableau des Partis en France
Paris, Grasset, 1930.
·La Crise de l’Europe
Paris, 1935.
«A Propos de l’Organization de l’Europe», in Revue Social, n. º esp. Jun., Paris, 1948.
·Géographie Électorale de l'Ardèche sous la IIIe République
Paris, Armand Colin, 1949.
·De la IIIe à la IVe République
Paris, Grasset, 1956.
·De la IVe à la Ve République au jour le jour
Paris, Grasset, 1958.
 
 Sieyès, Emmanuel Joseph, Abade de (1748-1836) Uma brochura, de pouco mais de uma centena de páginas, editada anonimamente em Janeiro de 1789, Qu'est ce qu'est le Tiers État?, da autoria de Emmanuel-Joseph Sieyès, e redigida em Novembro e Dezembro de 1788, depois do mesmo autor ter emitido, também anonimamente, um Essai sur les Privilèges, transforma a palavra nação na síntese programática do desejo de mudança. Sieyès, roubando algumas ideias de Rousseau, e assumindo-se contra os privilégios que o Ancien Régime atribuía aos estados do clero e da nobreza, procura, nesse documento, defender a predominância do terceiro estado com o qual identifica a nação: le Tiers, à lui seul constitue la Nation, et tout ce qui n'est pas de Tiers, ne peut se regarder comme faisant partie de la Nation. Qu'est ce que le Tiers? Tout. O tom de manifesto de tal trabalho detecta-se logo nos slogans iniciais da introdução, onde Sieyès levanta e responde a três questões: 1º O que é o Terceiro Estado? Tudo. 2º O que tem sido até agora na ordem política? Nada. 3º O que pede? Ser alguma coisa. A partir de então, a nação é entendida, não como uma emoção ou como algo de metafísico, mas sim como uma categoria política prática. Isto é, à cláusula geral e indeterminada da vontade geral de Rousseau, os revolucionários franceses dão o conteúdo concreto da vontade nacional, através da técnica do centralismo democratista, assumindo-se uma perspectiva construtivista da nação. Como se lê na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, nenhum corpo, nenhum indivíduo pode exercer qualquer autoridade a não ser a que dela directamente derive. A soberania nacional una e indivisível exige uma ligação directa entre o cidadão e o Estado, implica um câmara única e uma lei única, bem como uma administração centralizada, sem corpos intermediários. Esta nacionalatria tinha, aliás, a ver com um concreto problema de luta pelo poder. As forças aristocráticas contra-revolucionárias desenvolveram uma teoria onde se considerava que a nobreza não tinha a mesma origem do povo. Sieyès vem a ser deputado pela Convenção, passando para membro do Comité de Salut Public depois da queda de Robespierre, em Março de 1795. No mês seguinte passa a presidente da Convenção. Embaixador em Berlim em 1798. Entra no Directório em 16 de Maio de 1799, promovendo a subida de Napoleão ao poder. De Novembro a Dezembro de 1799, é um dos três cônsules, com Napoleão e Roger Ducos. Inspirador da Constituição do ano VII. Depois da queda de Napoleão, apenas regressa a França em 1830. SIEYES, Emmanuel-Joseph, 59, 378
·Essai sur les Privilèges
Dezembro de 1788.
·Qu'est ce que le Tiers Etat?
1789. Brochura anónima de 127 páginas, publ. em Janeiro de 1789, e redigida em Novembro e Dezembro de 1788; ed. publ. com o nome do autor, ligeiramente modificada, veio à luz em Maio de 1789. Cfr. ed. com pref. de Jean-Dennis Bredin, Paris, Éditions Flammarion, 1988; trad. cast. Qué es el Tercer Estado? Ensayo sobre los Privilegios, introd. e notas de Marta Lorente Sariñena e Lidia Vázques Jiménez, Madrid, Alianza Editorial, 1989.
 
4Bastid, Paul, Sièyes et sa Pensée, Genebra, Éditions Slatkine, 1978. 4Clavreul, Colette, «Siéyès», in Dictionnaire des Oeuvres Politiques, pp. 747-757. 4Gierke, Otto von, Natural Law and the Theory of Society. 1500 to 1800, trad. ingl. de Ernest Barker, Cambridge, Cambridge University Press, 1938, pp. 107, 131 e 169. 4Prélot, Marcel, As Doutrinas Políticas, 3, cap. «A Soberania
Nacional: Sieyès», pp. 107 segs..
 
Sik, Ota Político checo, ministro de Dubceque na Primavera de Praga de 1969. Autor de Der Dritte Weg, de 1972. A obra, escrita no exílio, em Basileia, tem como subtítulo A teoria marxista-leninista e a sociedade moderna. Segundo o autor, a terceira via significa um afastamento do comunismo, mas sem adesão ao capitalismo, dado que se assume contra os ideólogos
conservadores de ambos os lados.
·Argumentos para uma Terceira Via. Nem Comunismo Soviético nem Capitalismo,
Trad. port., Coimbra, Novalmedina, 1979.
 
Signoria Governo de um só (principato) que na Itália renascentista destruiu o anterior autogoverno corporativo, gerando-se um status, uma situação real e concreta de dominação, sobre um vulgo que se converte em puro objecto, sobre o qual a força do poder fáctico exercicia uma espécie de arte, como a partir dos finais do século XIII aconteceu com a emergência dos capitães gerais 
 
Silésia (em alemão, Schlesien; em polaco Slask) A partir de 1327, esteve sob suserania da Boémia, embora alguns territórios, se mantivessem na órbitra da Polónia, governados pelos Piast; em 1526, depois da subida dos Habsburgos ao trono da Boémia, tornou-se numa província austríaca, mantendo-se alguns principados Piast, até 1675; a partir da Reforma, começa a influência da Prússia; na guerra de 1740-1742, é invadida pela Prússia, com o apoio francês; a dominação prussiana vai manter-se, apesar das guerras de 1744-1745 e de 1756-1763; a partir de 1815, juntam-se à Silésia antigos territórios da Saxónia. Pelos Tratados de Versailles e Saint-Germain, a antiga Silésia austríaca, com Troppau, passa a integrar a Checoslováquia; a Alta-Silésia, disputada pela Alemanha e pela Polónia, foi partilhada entre estes dois Estados em Outubro de 1921. Em Setembro de 1938, pelos acordos de Munique, a Silésia checoslovaca passou para a Alemanha; em 1939, depois da derrota polaca, o Reich integrou a parte polaca; em Potsdam a
Silésia passou para a administração polaca.
 
Sillon, Le (1893) Movimento católico francês fundado por Marc Sangnier. Passa a ter uma pequena revista com o mesmo nome a partir de 1894. Aceita as regras do jogo da III República e multiplica as reuniões públicas, passando a dispor de um serviço de segurança próprio, La Jeune Garde. Criticado por Maurras, não terá a solidariedade do próprio papa Pio X que o condena em 25 de Outubro de 1910, pelo facto dde comprometer de facto a Igreja face a uma formação política especial. Tal como a Igreja se distanciara das teses da monarquia de direito divino, critica agora um pretenso democratismo de direito divino. Sangnier aceita o conselho papal e dissolve o movimento.
 
 
 
Silva, Alfredo da (1871-1942) Empresário. Começa como empregado da casa Burnay. Apoiante do franquismo em 1906. Sendo accionista da Companhia Aliança Fabril, p com a União Fabril das Fontainhas. Em 1919 funda a assa a presidente do respectivo conselho de administração e nessas funções cria a Companhia de União Fabril, quando promove a fusão da primeira sociedade Sociedade Geral do Comércio, Indústria e Transportes. Em 1921 a Casa Gouveia, em união com o grupo bancário Totta. Em 1923 institui A Tabaqueira. Peças daquilo que será o grupo CUF, a que acresce em 1942 a Companhia de Seguros Império, bem como a construção naval, desde que em 1937 arrendou o estaleiro da Administração Geral do Porto de Lisboa e se iniciou na construção de navios de aço.. Figura central do movimento patronal durante a I República, é um dos criadores da União dos Interesses Económicos. Em 1929 apoia a Campanha do Trigo. Procurador à Camara Corporativa durante o salazarismo.
 
 
 
Silva, Aníbal António Cavaco Primeiro-ministro de Portugal de 1985 a 1995. Algarvio, natural de Boliqueime, licenciado e doutor em economia e professor de Finanças Públicas na Universidade Técnica de Lisboa e na Universidade Nova de Lisboa. Militante do PPD/PSD. Destaca-se como ministro das finanças da Aliança Democrática, durante a liderança de Sá Carneiro. Opositor de Balsemão e crítico do governo do Bloco Central, vence de forma inesperada o Congresso do PSD da Figueira da Foz, opondo-se à candidatura de João Salgueiro. Feito líder do partido através de uma espécie de Blitzkrieg, invocando a necessidade de apoio à candidatura presidencial de Diogo Freitas do Amaral e sustentado pelos militantes de Lisboa Marcelo Rebelo de Sousa, José Miguel Júdice, Durão Barroso e Pedro Santana Lopes, promove a saída do PSD do governo do Bloco Central e provoca as eleições gerais de Outubro de 1985, presidindo a um governo monopartidário de maioria relativa que contou com o beneplácito do novo partido eanista, o PRD. Instaura um novo estilo político, contra o chamado laxismo soarista, invocando o pragmatismo do homem de sucesso e proclamando não ter dúvidas e raramente se enganar, apesar de ideologicamente se declarar da esquerda moderna e de uma social-democracia inspirada em Bernstein. Nas eleições de 17 de Julho de 1987 consegue a primeira maioria absoluta da história política portuguesa.
·Política Orçamental e Estabilização Económica
Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1976.
 
Silva, Aníbal Cavaco (Governo de) 1985-1987 O X Governo C
 
Silva, António Henriques da  1850-1906 autor de Relações da Justiça com a Utilidade [1885] e de Elementos de Sociologia Criminal e Direito Penal, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1906.
 
Enrico Ferri (1856-1929).
 
 
 
Silva, António Maria da (1872-1950) Engenheiro de minas. Militante da Carbonária e do PRP. Maçon desde 1902, apece implicado na tentativa golpista de 28 de Janeiro de 1908, sendo também um dos principais elementos da actuação subversiva do 5 de Outubro de 1910. Figura-chave da I República. Por quatro vezes ministro e outras tantas vezes presidente do ministério. Começando em 1911 como deputado pelos independentes, logo adere ao partido democrático, assumindo a liderança do partido nos anos vinte, depois do abandono de Afonso Costa. Em 14 de Maio de 1915, integra a Junta Revolucionária que derruba Pimenta de Castro, logo aparecendo como Grão-Mestre Adjunto da Maçonaria. Em 1917 já integra o directório do partido democrático, chegando a estar detido com o processo de implantação do dezembrismo. Depois de 1919, assume-se como líder da ala direita dos democráticos, os chamados bonzos, à qual se opunham os canhotos, liderados por José Domingues dos Santos, e da qual se distanciavam os centristas de Vitorino Guimarães. Nomeado Administrador dos Correios depois de 5 de Outubro de 1910. Segundo Cunha Leal, As Minhas Memórias, II, p. 194, era um diletante de confusionismo, caracterizando-se a sua oratória pela dispersão, como se entendesse que a palavra tinha sido dada ao homem para ocultar o seu pensamento. Mas nunca discursava sem ter à frente uma série de cartapácios que nunca consultava. Em 1926, a diplomacia britânica considera-a como potencial líder autoritário de Portugal, face aos modelos de reprssão utilizados contra os sindicalistas e os anarquistas. Tem, nos anos vinte, papel idêntico ao de José Luciano no crepúsculo da monarquia. Também ele é um honesto manipulador de desonestos. Como conta Adelino da Palma Carlos, quando lhe perguntava porque nomeava tantos monárquicos, ele dizia: os republicanos já cá os tenho, preciso é de apanhar os outros. Chefia o último governo da I República, aliado a Bernardino Machado, o presidente eleito depois da renúncia de Manuel Teixeira Gomes. Proclama, então, não sou da esquerda nem da direita, sou do partido republicano. Autor de O Meu Depoimento, redigido em 1943 e publicado em 1974 e 1981: I Da Monarquia a 5 de Outubro de 1910, Lisboa, 1974; II Da Proclamação da República à Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Lisboa, 1981.
 
 
·Ministro do fomento do governo de Afonso Costa, de 9 de Janeiro de 1913 a 9 de Fevereiro de 1914.
 
·Ministro do fomento no governo de Afonso Costa de 29 de Novembro de 1915 a 15 de Março de 1916.
 
·Ministro do trabalho e da previdência social no ministério da União Sagrada, presidido por António José de Almeida, de 17 de Março de 1916 a 25 de Abril de 1917.
 
·Ministro das finanças no governo de Sá Cardoso, de 3 a 21 de Janeiro de 1920.
 
·Presidente do ministério de 26 de Junho a 19 de Julho de 1920, acumulando as finanças.
 
·Presidente e ministro do interior, de 6 de Fevereiro de 1922 a 15 de Novembro de 1923, acumulando o interior.
 
·Presidente e ministro da guerra, de 1 de Julho a 1 de Agosto de 1925.
 
·Presidente e ministro do interior entre 17 de Dezembro de 1925 a 30 de Maio de 1926.
·O Meu Depoimento
Redigido em 1943 e publicado em 1974.
 
 
Silva, Armando Adão e Silva (1909-1993) Advogado em Lisboa. Um dos tradicionais oposicionistas ao salazarismo. Depois de 1974 é eleito Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano. Peretenceu à União Democrática, ao MUNAF, à primeira comissão central do MUD e ao Directório Democrato-Social. É um dos oposicionistas que apoia a integração de Portugal na NATO em 1949. Candidato a deputado pela oposição desde 1953 a 1969. Não adere à ASP nem ao PS. Grão-mestre do GOL desde 1981.
 
Silva, Armando Barreiros Malheiro, Miguelismo. Ideologia e Mito, Coimbra, Edições Minerva, 1993.
 
Silva, Augusto Dias da Guitarrista, chamado o camarada Augusto. Membro do partido Socialista. Ministro do trabalho no governo de José Relvas, de 26 de Janeiro a 30 de Março de 1919. Ministro do trabalho do governo de Domingos Pereira, de 30 de Março a 30 de Junho de 1919.
 
Silva, Augusto Santos Sociólogo português. Professor, sucessivamente, em Évora e no Porto (faculdade de economia). Apoiante do governo socialista de António Guterres.
·Entre a Razão e o Sentido. Durkheim, Weber e a Teoria das Ciências Sociais
Porto, Edições Afrontamento, 1988
 
Silva, Carlos Bento da (n. 1812) Um dos destacados actores do liberalismo monárquico entre as décadas de quarenta e setenta do século XIX. Deputado e par do reino, ministro por seis vezes, nas áreas das obras públicas, da marinha, da fazenda e dos estrangeiros. Começando como cabralista, adere à Regeneração, assumindo-se como histórico, num percurso paralelo ao de António José de Ávila, de quem é companheiro político. E como avilista, chega a fazer parte da ala direita dos reformistas. Membro do gabinete que proíbe as Conferências do Casino fica pejorativamente caricaturizado pelas Farpas.
·Deputado em 1842-45; 1846; 1848-1851; 1851-1852; 1853-1856; 1857-1858; 1858-1859; 1860-1861; 1861-1864; 1865; 1865-1868; 1868-1869; 1869-1870; 1870-1871; 1871-1874.
·Par do reino desde 1874.
·Ministro das obras públicas, comércio e indústria dos históricos, no governo de Loulé, de 14 de Março de 1857 a 16 de Março de 1859.
·Ministro da marinha de 4 de Julho de 1860 a 21 de Fevereiro de 1862.
·A mesma pasta no governo de Sá da Bandeira, de 17 de Abril a 4 de Setembro de 1865.
·Ministro da fazenda e dos estrangeiros no governo de Sá da Bandeira, de 22 de Julho de 1868 a 17 de Dezembro de 1868, demitindo-se por não conseguir obter um grande empréstimo em Paris.
·Volta a ministro das obras públicas, comércio e indústria, no governo de Sá da Bandeira, depois da saldanhada, de 29 de Agosto a 29 de Outubro de 1870.
·Novamente ministro da fazenda do governo de Ávila, entre 5 de Março e 10 de Setembro de 1877.
 
Silva, Eduardo Ferreira dos Santos (1879-1961) Médico no Porto. Director da Escola Normal em 1911. Presidente da câmara municipal do Porto de 1915 a 1918. Médico do CEP. Ministro da instrução nos governos de António Maria da Silva, de 1 de Julho a 1 de Agosto de 1925 e de 17 de Dezembro de 1925 a 28
de Maio de 1926.
 
Silva, Fernando Augusto Pereira Oficial da marinha. Por seis vezes ministro da marinha durante a I República. Apesar de independente, opõe-se à revolta dos fifis de 21 de Abril de 1925, face à cedência do ministro da guerra Vieira da Rocha, durante o governo de Vitorino Guimarães.
Ministro da marinha nos seguintes governos republicanos:
· de Álvaro de Castro, de 18 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924;
·de Rodrigues Gaspar, de 6 de Julho a 22 de Novembro de 1924;
·de Vitorino Guimarães, de 15 de Fevereiro a 1 de Julho de 1925;
·de António Maria da Silva, de 1 de Julho a 1 de Agosto de 1925;
·de Domingos Pereira, de 1 de Agosto a 17 de Dezembro de 1925;
·e de António Maria da Silva, entre 17 de Dezembro de 1925 a 28 de Maio de 1926.
 
Ver Maurício de Oliveira, Pereira da Silva. Oficial. Ministro. Doutrinador, Lisboa, Editora Marítimo-Colonial, 1968.
 
Silva, Fernando Emygdio da (1886-1972) Professor da Faculdade de Direito de Lisboa. Licenciado por Coimbra em 1907, doutor em 1911, logo se transfere para a nova escola jurídica de Lisboa, onde funda o grupo de Ciências Económicas. Destaca-se como regente da cadeira de Finanças. Colunista no Diário de Notícias desde 1902. Administrador do Banco de Portugal a partir de 1919, assumindo o cargo de Vice-Governador da instituição em 1931. Procurador à Câmara Corporativa desde 1935, é o relator do II Plano de Fomento, em 1954. Director da Faculdade de Direito de Lisboa em 1950-1953. Ligado à fundação do Jardim Zoológico de Lisboa.
O Operariado Português
1905
O Regime Tributário das Colónias Portuguesas
1906
As Greves
1913
O Problema Financeiro Português
1920
 
 
Silva, Francisco Joaquim da Costa e Nascido em 1826. Filho do 1º visconde de Ovar. Deputado desde 1851. Par do reino desde 1881.
 
Silva, D. Francisco Maria da (1910-1977) Arcebispo de Braga dede Dezembro 1963 até à data da sua morte, depois de ter sido bispo auxiliar da mesma arquidiocese desde 1956. Natural do Porto e doutor em teologia por Roma. Lidera a revolta anticomunista de 1975.
 
Silva, Gaspar Pereira da (1801-1870) Ministro da justiça em 1862.
 
 
 
Silva, George Agostinho da (1906) Nasceu no Porto. Licenciado em Filologia Clássica pela Faculdade de Letras da sua terra natal.
·Reflexão
Rio de Janeiro, Ministério da Educação, Cadernos de Cultura, 1957.
·Reflexão. A Margem da Literatura Portuguesa
Pref. de Francisco da Cunha Leão, Lisboa, Guimarães Editores, 1959.
·Dispersos
Paulo Alexandre Esteves Borges, org., Lisboa, ICALP, 1988. Ed. de carácter exaustivo, reunindo entrevistas, bem como textos esparsos e inéditos. Destes, salientem-se «Considerando o Quinto Império», pp. 191 segs. ; «Ecúmena», pp. 227 segs., e «Quinze Princípios Portugueses», pp. 253 segs.. Da recolha, ficaram olvidadas as colaborações de Agostinho da Silva no Boletim da Academia Internacional da Cultura Portuguesa, nomeadamente «Algumas Considerações sobre o Culto Popular do Espírito Santo», nº 3, 1967, pp. 29-48, e «Perspectivas», nº 4, 1968, pp. 311-324.
 
 
èBorges, Paulo Alexandre Esteves, «Agostinho da Silva», in Logos, 4, cols. 1120-1125.
 
 
 
Silva, Golbery do Couto e Um dos principais teóricos da doutrina do Estado de Segurança Nacional e sustentáculo teórico do regime brasileiro instaurado em 1964. Professor da Escola Superior de Guerra do Brasil. Geopolítico, defensor de um destino manifesto do Brasil face ao Atlântico Sul. Em nome da geopolítica tenta uma espécie de síntese entre o organicismo de Herder, o idealismo de Hegel, o estatismo de Fichte e o nacionalismo económico de Fichte. Organiza o SNI durante o governo do Presidente Castelo Branco. Principal conselheiro do presidente Geisel, desde 1974.
·Geopolítica do Brasil
Rio de Janeiro, José Olympio, 1967.
 
 
 
Silva, Inocêncio Francisco da
 
Silva, João Elias da Costa Faria e Ministro do reino de Saldanha, entre 29 de Março de 1848 e 18 de Junho de 1849.
 
Silva, João Ferreira dos Santos (1799-1858) 1º Barão de Santos Desde 1850. Comerciante em Lisboa e Porto. Maçon. Cabralista. Presidente da Associação comercial do porto em 1837-1838. Deputado em 1842-1846.
 
Silva, João Fraústo da (n. 1933) Professor de Física. Director do Instituto Superior Técnico entre 1969 e 1971. Director do Gabinete de Estudos e Planeamento da Acção Educativa, durante a gestão de Veiga Simão como ministro da educação nacional. Reitor da Universidade de Lisboa em 1974-1975. Ministro da Educação de Francisco Balsemão. Apoiante da candidatura de Mário Soares. Presidente do Instituto Nacional de Administração.
 
Silva, José Augusto Ferreira da Ministro do interior de 19 de Junho a 11 de Novembro de 1915, no governo de José de Castro.
 
Silva, José Maria Rodrigues, O Homem e o Poder, Amadora, Livraria Bertrand, 1988.
 
Silva, José Bonifácio de Andrada e. ìAndrada.
 
Silva, Júlio Joaquim Costa Rodrigues, As Cortes Constituintes de 1837-1838. Liberais em Confronto, Lisboa, 1992.
 
Silva, Lúcio Craveiro (n. 1914) Jesuíta. Professor da faculdade de filosofia de Braga. Criador da primeira licenciatura portuguesa em relações internacionais, surgida na Universidade do Minho.
·A Idade do Social. Ensaio sobre a Evolução da Sociedade Contemporânea
Braga, 1952.
·Comunidade Internacional, Comunidade Europeia e Soberania Nacional
Braga, 1957.
·Antero de Quental. Evolução do seu Pensamento Filosófico
Braga, Livraria Cruz, 1959.
 
Silva, Luís António Rebelo da (1783-1849) Formado em direito. Eleito em 26 de Janeiro de 1821 secretário das Cortes Constituintes. Deputado em 1820, 1826-1828 e em 1834-1836.
 
 
 
Silva, Luís Augusto Rebelo da (1821-1871) Filho de Luís António Rebelo da Silva. Chamado o rebelinho. Romancista e historiador. Em 1850, a Academia das Ciências encarrega-o de continuar a obra do Visconde de Santarém. Professor do Curso Superior de Letras. Amigo de Alexandre Herculano. Ministro da marinha e ultramar no governo de Loulé de 11 de Agosto de 1869 a 26 de Maio de 1870. Deputado desde 1848.
· História de Portugal nos Séculos XVII e
XVIII.
 
Silva, Maria Beatriz Nizza, Silvestre Pinheiro Ferreira. Ideologia e Teoria, Lisboa, Livraria Sá da Costa, 1974.
 
Silva, Maria Margarida Ribeiro Garcez, “Os Lusíadas” e o Poder Político, Lisboa, Comissão Executiva do IV Centenário da Publicação de “Os Lusíadas”, 1973.
 
Silva, Mário José Pereira da Ministro do Exército de 13 de Abril de 1961 a 4 de Dezembro de 1962
 
Silva, Patrício da (Frei) (1756-1840) Agostinho. Lente de teologia. Maçon. Bispo de Castelo Branco, arcebispo de Évora e cardeal-patriarca de Lisboa, em substituição do cardeal Cunha. Ministro da justiça de 14 de Maio de 1824 a 15 de Janeiro de 1825. Membro da regência depois da morte de D. João VI. Vice-presidente da Câmara dos Pares em 1826.
 
Silva, Pedro Vieira da Secretário de Estado de D. Afonso VI:"que ainda que os Reinos pertencião por direito de sucessão aos soberanos; comtudo que elles não podião tomar posse do governo, sem terem observado as antigas Leis, e cerimónias de cad huma das Nações, por hum acto público; e que a authoridade lhe não era comunicada senão em virtude deste acto, que lhes servia de título para os presentes, e para os vindoiros".
 
Silva, Plínio Octávio Santana e Ministro do comércio no governo de José Domingos dos Santos, de 22 de Novembro de 1924 a 15 de Fevereiro de 1925.
 
Silva, Rodolfo Xavier da Médico. Ministro do trabalho no governo de Rodrigues Gaspar, de 6 de Julho a 22 de Novembro de 1924. Ministro da instrução no governo de Vitorino Guimarães, de 15 de Fevereiro a 1 de Julho de 1925, na
qualidade de membro da Acção Republicana.
 
Silva, Vítor Manuel Aguiar e (n. 1939) Professor e teórico da lietratura portuguesa. Vice-reitor da Universidade do Minho. Deputado da União Nacional eleito em 1969.
 
Silva, Xavier Ministro dos estrangeiros de Domingos Pereira de 30 de Março a 29 de Junho de 1919, na qualidade de independente. Ministro dos estrangeiros de António
Maria Baptista de 20 a 26 de Junho de 1920.
 
Silveira, Alberto Carlos da Oficial do exército. Ministro da guerra de João Chagas, de 8 de Outubro a 3 de Novembro de 1911, em substituição de Pimenta de Castro. Ministro da guerra do governo de Augusto de Vasconcelos, de 12 de Novembro de 1911 a 16 de Junho de 1912. Ministro da guerra de 23 de Maio a 30 de Agosto de 1921, no governo de Tomé de Barros Queirós.
 
Silveira, D. Joaquim Lobo da Conde de Oriola. Embaixador de Portugal em Berlim em 1820.
 
 
 
Silveira Pinto da Fonseca Teixeira, António da Visconde de Canelas. Brigadeiro, irmão do 2º conde de Amarante. Ligado ao Sinédrio é um dos revolucionários vintistas. Presidente da Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, surgida no Porto em 24 de Agosto de 1820. Vice-presidente da junta unificada surgida em Alcobaça, em 27 de Setembro de 1820. Implicado na martinhada de 11 de Novembro de 1820. Adere ao partido rainhista depois de 1823. Membro da junta revoltosa de Vila Real em 23 de Fevereiro de 1823. Era embaixador em Madrid, por ocasião da vilafrancada
 
Silveira Pinto da Fonseca, Manuel da (1784-1830) 2º conde de Amarante e 1º marquês de Chaves, desde 24 de Junho de 1823. Chefe da revolta de Vila Real de 23 de Fevereiro de 1823. Derrotado em 27 de Mrço seguinte, tem de refugiar-se em Espanha. Com ele, colaboram Gaspar Teixeira, o irmão António da Silveira e D. José Luís de Sousa, o morgado de Mateus. Regressa a Lisboa, triunfante, em 24 de Junho de 1823, depois da vilafrancada. Chefe da revolta de 5 de Outubro de 1826 contra a Carta. Invade Trás-os-Montes em 23 de Novembro de 1826.
 
 
Silveira, José Xavier Mouzinho da (1780-1849) Autor das principais leis orgânicas do cartismo português, emitidas formalmente nos Açores, mas aplicadas no continente a partir de 1834. Maçon. Formado em leis (1802). Magistrado em Marvão, Setúbal e Portalegre. Nomeado administrador-geral das alfândegas em 1821, por influência do seu amigo e companheiro maçónico, Manuel Fernandes Tomás. Ministro da fazenda, de 1 a 19 de Junho de 1823, depois da vilafrancada. Preso durante a abrilada. Deputado em 1826. Em 1828 vai para o exílio em Paris. Ministro da fazenda e da justiça da regência de D. Pedro, desde 3 de Março a 13 de Dezembro de 1832.
1Possidónio Mateus Laranjo Coelho, Mouzinho da Silveira, Lisboa, 1918 e Obras, Estudos e Manuscritos, 2 vols., edição de Miriam Halpern Pereira, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1989.
 
Silveira Pinto da Fonseca Teixeira, Manuel Amarante (1784-1830) Chefe da revolta de 5 de Outubro de 1826 contra a carta. Invade Trás os Montes em 23 de Novembro de 1826.
 
Silveira, Mouzinho da. Reformas de As reformas estruturais de Mouzinho da Silveira Entre Março de 1832 e Dezembro desse mesmo ano, surge o meteoro de Mouzinho da Silveira. Como assinala Alfredo Pimenta, que lhe chamou o grande ditador do liberalismo, nos nove meses que foi ministro do Imperador do Brasil pôs Portugal do avesso. Ou, como assinala Oliveira Martins, deu-se o fim do Portugal Velho. No seu programa, considera-se que sem a terra livre em vão se invoca a liberdade política, acreditando que se o povo pagar menos, o Tesouro vai receber mais. A regência é, com efeito, marcada pelas reformas estruturais de Mouzinho da Silveira que, na torre de marfim das ilhas atlânticas, delineou o programa do Portugal liberal, através de uma série de decretos ditatoriais: em 16 de Março, extingue nos Açores o pagamento dos dízimos (quando esta lei foi alargada ao continente, tirou aos fidalgos liberais uma parte importante dos rendimentos, atentando contra os chamados direitos adquiridos); em 29 de Março, a liberdade de ensino; em 4 de Abril, abolição dos morgados e capelas de rendimentos inferiores a 200 000 réis; -em 19 de Abril, extinção das sisas sobre as transacções e das portagens; em 17 de Abril, abolição das penas de confisco para todos os delitos, contrariando um decreto da regência de 7 de Março de 1831 que mandava sequestrar os bens dos miguelistas; em 18 de Abril, definição dos delitos contra a propriedade; em 20 de Abril, franqueamento para a saída de géneros do reino; em 12 de Maio, redução dos foros para metade;
em 16 de Maio, nova divisão administrativa.
 
Simbiótica. Segundo Althusius, a política é simbiótica ou união, a arte de unir os povos entre si para estabelecer vida social comum, cultivá-la e conservá-la. Os que participam na política são os simbióticos que se obrigam à comunicação mútua daquilo que é necessário e útil para uso e consórcio da vida
 
 
Simão, José Veiga (n. 1929). Licenciado em Ciências Físico-Químicas por Coimbra em 1951. Doutor em Energia Nuclear por Cambridge em 1957. Professor na Universidade de Coimbra, Catedrático desde 1971. Reitor da Universidade de Lourenço Marques de 1963 a 1970. Ministro da Educação Nacional de Marcello Caetano de 15 de Janeiro de 1970 até 25 de Abril de 1974. Embaixador de Portugal na ONU em 1974 e 1975, por indicação de António de Spínola. Presidente do LNETI de 1978 a 1983 e de 1985 a 1992. Ministro da Indústria e Energia de 1983 a 1985 e Ministro da Defesa Nacional em 1998-1999. Deputado pelo Partido Socialista em 1983. Durante o marcelismo, lança o processo então dito da democratização do ensino, uma reforma do sistema educativo que teve como resultado tanto a supressão do chamado ensino técnico a nível do secundário como um aumento do número de universidades, desde a Universidade Nova de Lisboa às do Minho, Aveiro, Trás-os-Montes, Beira Interior e outras. Depois da função exercida no Minstério da Indústria, volta a ter um papel fundamental a nível do ensino superior universitário, lançando o processo de avaliação, em íntima ligação ao Conselho de Reitores das universidades públicas e contando com a colaboração do Professor Adriano Moreira. Basta recordar que grande parte dos Reitores das Universidades Públicas em finais da década de noventa ou vêm das novas universidades por ele lançadas, ou da Universidade de Lourenço Marques, onde ele foi Reitor.
 
Simas, Manuel Soares de Melo e inistro da instrução pública no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 17 de Dezembro de 1923.
 
Símbolo Emblema ou objecto físico que representa uma entidade mais vasta e quase sempre mais abstracta.
 
Simbolismo político Como salienta Lévi-Strauss, os factos sociais são, ao mesmo tempo, coisas e representações pelo que a sociologia não pode explicar a génese do pensamento simbólico; deve tomá-la como se fosse dada. De facto, é o pensamento simbólico que torna a vida social ao mesmo tempo possível e necessária dado que os símbolos são mais reais do que aquilo que simbolizam até porque o significante precede e determina o significado. Como justamente observa Paul Ricoeur, toda a razão tem um horizonte sobredeterminado pela crença, havendo um ponto, onde o racional comunica com o mítico, donde deriva toda uma constituição simbólica do laço social. Com efeito, toda a ética que se dirige à vontade para a lançar no agir deve ser subordinada a uma poética que abre novas dimensões à nossa imaginação. Também Eric Voegelin assinala que a sociedade é iluminada por um complexo simbolismo, com vários graus de compactude e diferenciação — desde o rito, passando pelo mito, até à teoria — e esse simbolismo a ilumina com um significado na medida em que os símbolos tornam transparentes ao mistério da existência humana a estrutura interna desse pequeno mundo, as relações entre os seus membros e grupos de membros, assim como a sua existência como um todo. A auto-iluminação da sociedade através dos símbolos é parte integrante da realidade social, e pode mesmo dizer-se que é uma parte essencial dela, porque através dessa simbolização os membros da sociedade a vivenciam como algo mais que um acidente ou uma convivência; vivenciam-na como pertencendo a sua essência humana. Mais recentemente, Edgar Morin considera que não podemos fugir ao mito, mas podemos reconhecer a sua natureza de mitos e relacionar-nos com eles, simultaneamente por dentro e por fora. Porque o problema consiste em reconhecer nos mitos a sua realidade e não a realidade. Em reconhecer a sua verdade e não em reconhecer neles a verdade. Em não introduzir neles o absoluto. Em ver o poder de ilusão que segregam constantemente e que pode ocultar a sua verdade. Devemos demitificar o mito, mas não fazer da demitificação um mito. Como salienta Georges Burdeau, o mundo político é da mesma natureza que o universo poético, dado que é povoado por crenças, convenções e símbolos. E isto porque se o político é o reflexo de uma imagem que a sociedade faz de si mesma, concebe-se facilmente que ele seja solidário de símbolos e de mitos que sustentam esta
representação.
 
 
Simmel, Georg (1858-1918) Filósofo alemão. Estuda em Berlim. Na senda de Diltthey, considera que a vida, além de procurar acrescentar-se (mehr-leben), visa também o transcender (mehr-als-leben), isto é, transformar-se em ideia. Procura uma sociologia pura que faz radicar nas interacções psicológicas que se dão entre os indivíduos. Adopta uma perspectiva atomicista e psicologista. Visa uma sociologia sistemática formal, pela procura daquilo que designa por forma (Gestalt), os invariantes constitutivos de qualquer instituição.
·Uber soziale Differenzierung. Sociologische und Psychologische Untersuchen
Leipzig, Duncker / Humblot, 1890.
Die Probleme der Geschichtesphilosophie
Leipzig, Duncker / Humblot, 1892.
·Philosophie des Geldes
1900.
Trad. ingl. The Philosophy of Money, Londres, Routledge / Kegan Paul, 1955
·Soziologie
1908.
·Grundfragen der Soziologie
1917.
·La Tragédie de la Culture et autres Essais
Paris, Ed. Rivages
·Problemas Fundamentais da Filosofia
Trad. Port. de Inah Oliveira do Amaral Aguiar, Coimbra, Atlântida, 1970.
 
 
Simmons, A. John
·Moral Principles and Political Obligations
Princeton, Princeton University Press, 1979.
·The Lockean Theory of Rights
Princeton, Princeton University Press, 1994.
·On the Edge of Anarchy. Locke, Consent and the Limits of Society
Princeton, Princeton University Press, 1995.
 
Simmons, J., Foucault and the Political, Londres, Routledge & Kegan Paul, 1995.
 
  
Simões, Alberto da Veiga (1888-1954) Político republicano, diplomata e ensaísta. Ministro dos negócios estrangeiros dos governos outubristas de Manuel Maria Coelho e Maia Pinto de 19 de Outubro a 16 de Dezembro de 1921. Membro do Partido Republicano Radical, constituído em 1922.
 
Simões, Nuno (1894-1975) Começa a actividade política como governador de Viana do Castelo. Depois de eleito deputado, transforma-se em conselheiro técnico empresarial. Ministro do comércio no governo de Cunha Leal, de 22 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922. Foi encarregado de organizar as eleições pelo presidente do ministério. Ministro do comércio no governo de Álvaro de Castro, de 23 de Fevereiro a 6 de Julho de 1924. Mantém a mesma pasta no governo de Domingos Pereira, de 1 de Agosto a 17 de Dezembro de 1925.
 
Simon, Herbert A.
·Philosophy of Democratic Government
Chicago, The University of Chicago Press, 1951.
Models of Man
Nova Iorque, Wiley, 1957
·Administrative Behaviour
Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1957.
·A General Theory of Authority
Notre Dame, University of Notre Dame Press, 1962.
The Sciences of Artificial
Cambridge, Mass., MIT Press, 1970
·Administration et Processus de Décision
trad. fr., Paris, Éditions Oeconomica, 1983.
 
 
Simonis, Yvan
Introdução ao Estruturalismo. Claude Lévi-Strauss ou “A Paixão do Incesto” [ed. orig. 1968], trad. port., Lisboa, Moraes Editores, 1979.
 
Sinarquia Diz-se de uma eventual sociedade secreta que visou a conquista do poder político através de uma elite de técnicos e de representantes de banqueiros e industriais. O modelo chegou a ser proposto por Saint-Yves d'Alveydre (1842-1900). Chegou a insinuar-se que os tecnocratas, surgidos na década de trinta tinham a ver com tal plano. Do mesmo modo, se referem os técnicos mobilizados pelo governo de Pétain. Até se disse que Mussolini chegou a fundar uma sinarquia.
 
 
Sindicalismo integral de Fezas Vital, 135, 939
 
Sindicalismo Revolucionário Modelo francês estabelecido por Ferdinand Pelloutier (1867-1901) e adoptado pela CGT a partir de 1902, quando esta central sindical francesa absorve a Fédération des Bourses de Travail, que havia sido dirigida por Pelloutier. O movimento adopta então o mito soreliano da greve geral, passando a defender tanto a espontaneidade como o recurso à violência, com rejeição do parlamentarismo e sem utilização dos partidos políticos. Destaca-se então Victor Grifuelhes (1874-1923), secretário-geral da CGT. Opõe-se ao militarismo, ao nacionalismo e à centralização estadualista, aproximando-se de algumas teses anarquista e passando mesmo a adoptar a designação anarco-sindicalista. O modelo marca também a central sindical espanhola, Confederación Nacional del Trabajo de España, a Unione Sindicale Italiana e a portuguesa Confederação Geral do Trabalho, tendo também aproximaçãoes à norte-americana Industrial Workers of the World e aos britânicos da Industrial Syndicalist Education League. Em 1913 tenta-se até a formação de uma Internacional Sindicalista, mas que apenas se concretiza em 1922, então em rivalidade com o movimento dos sindicatos comunistas.
 
Singapura República de Singapura. 640 km2. 3, 4 milhões de habitantes. 75% de chineses, 14% de malaios, 9% de indianos. Ilha situada no estreito de Malaca que constitui uma cidade-Estado. O Estado mais próspero da Ásia. Escolhida em 1819 para sede da Companhia Inglesa das Índias Orientais. Conquistada pelos japoneses em Fevereiro de 1942. Passa a ter autonomia interna em 1955. Nas eleições de Maio de 1959 vence People's Action Party dirigido por Lee Kuan Yew, que se mantém no poder até 1990. De cariz social-democrata, logo se vai aproximando da direita. Integra a Federação da Malásia em 16 de Setembro de 1963, mas logo se torna numa república independente em 9 de Agosto de 1965.
 
Sinn Fein 1902 Movimento político visando a independência da Irlanda, fundado por Arthur Griffith, propondo a resistência passiva. Passa a assumir a necessidade da acção violenta, a partir de 1912. Sob a direcção de Eamon De Valera entra na luta armada em Outubro de 1917. Em 1922 dá-se uma cisão: os moderados, liderados por Griffith, aceitam o Estado Livre da Irlanda e constituem o Cumman nan Gaedheal. Os adeptos da constituição de um exército republicano irlandês, comandados por De Valera, constituem o Fianna Fail.
 
Síntese, Regra da (Descartes)  "conduzir por ordem os... pensamentos, começando pelos objectos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir, pouco a pouco, como que por degraus, até ao conhecimento dos mais complexos, e supondo a existência de ordem entre aqueles que não se
sucedem naturalmente uns aos outros".
 
Sionismo Sião ou Sion é uma das colinas de Jerusalém. O sionismo nasceu nos finais do século XIX, principalmente a partir da obra de Herzl, Judensataat, de 1895, visando construir um Estado no território do antigo reino de Israel. O primeiro congresso sionista teve lugar em basileia em 1897. Em 1920, pelo tratado de Sèvres criou-se a Palestina, um mandadto britânico da SDN. Surge a Jewish Agency for Palestine em 1922.

Sismondi, J. -C. L. Sismonde (1773-1842). Jean-Charles Léonard Sismonde Sismondi. Historiador e economista suíço. Começa como adepto das teses de Adam Smith em 1803. Modifica a linha de rumo do seu pensamento a partir de 1819. Critica o método abstracto e generalizante dos clássicos e o mito da concorrência. Fala nos males da industrialização e das crises de superprodução. Defende a economia como ciência moral. Assume-se como um dos socialistas ricardianos, isto é, daqueles que defendem a construção do socialismo e a crítica dos liberais, a partir das teses da economia clássica ricardiana. Acaba por influenciar Marx na teoria da mais valia e a ideia de concentração capitalista. Prefere os conflitos de interesses à harmonia dos interesses, considerando também que o aumento da produção gera o aumento da miséria.
·De la Richesse Commerciale
1803.
·Nouveaux Principes d'Économie Politique ou De la Richesse dans ses Rapports avec la Population
1819.
· Études sur l'Économie Politique
1837.
 
4Denis, Henri, História do Pensamento Económico, trad. port., Livros Horizonte, 1973, pp. 388 ss.. 4Halévy, Élie, História do Socialismo Europeu, trad. port. de Maria Luísa C. Maia, Amadora, Livraria Bertrand, 1975, pp. 72 segs.
 
Sistema Segundo Bertallanfy, sistema é um conjunto de elementos que se encontram em interacção, distinguindo entre sistemas abertos e sistemas fechados.
 
Sistema aberto Segundo Bertallanfy é todo o sistema qie se relaciona com o ambiente onde se insere, adaptando a sua estrutura e os seus processos internos ao ambiente. Pelo contrário, o sistema fechado é o que não tem contacto significativo com o ambiente. O sistema aberto tem informação, comunicação, organização, complexidade e heterogeinidade. O sistema fechado, onde apenas há matéria, tem caos, simplicidade, homogeneidade, determinismo, causalidade e entropia. Para Parsons, um sistema aberto é o que mantem relações de troca com os subsistemas. Diz-se de alguns sistemas normativos, como o sistema normativo, que eles são abertos quando têm relação tanto com os valores como com a realidade social. Estão abertos, 41, 257
 
Sistema Complexo Os sistemas complexos são regidos por mecanismos de auto-organização que respondem a flutuações aleatórias. Os processos de crescente complexificação conduzem a sucessivas ordens espontâneas que são permanentemente postas em causa, levando à constituição de ordens sempre mais complexas.
 
Sistema formal. Segundo Jean Ladrière é um conjunto de símbolos, de regras de formação, de axiomas e de regras de derivação. Constitui uma entidade ideal que, sob a forma de teoremas, faz aparecer todas as consequências que, de acordo com determinados critérios (as regras do sistema) decorrem de um corpo de proposições (os axiomas do sistema).
 
Sistema Mundo Ideia vulgarizada por Immanuel Wallerstein, retirada do conceito de économie-monde de Fernand Braudel.
 
Sistema político — Origens da ideia de sistema. A ideia grega de organon. As teses de Lewis H. Morgan. A teoria dos sistemas gerais de Ludwig von Bertalanffy (um conjunto de elementos que se encontram em interacção). A edição de General Systems, a partir de 1956. — O neo-empirismo anglo-saxónico como cruzamento dos movimentos funcionalistas e sistémicos, assente nos caboucos do utilitarismo, do pragmatismo e do positivismo. As origens: John Dewey, William James e C. S. Pierce. O behaviorismo ou comportamentalismo. — O funcionalismo. As origens sociológicas (Spencer e Durkheim) e antropológicas (Malinowski e Radcliffe-Brown, com a análise funcional-estrutural). Para este último, o sistema político é aquela parte do organização global de uma sociedade que se ocupa da conservação ou da criação de uma origem social, numa estrutura territorial, através do exercício organizado de uma autoridade coercitiva, que passa através do uso ou da possibilidade de uso da força. Charles Merriam e o Commitee on Political Research (1923). O papel de Harold D. Lasswell. Robert King Merton e Social Theory and Social Structure, 1957. — Distinção entre funções e disfunções. Funções manifestas e funções latentes. Funções que se reconhecem, mas não são intencionais e funções que são intencionais, mas não se reconhecem. — Distinção entre sistema aberto e sistema fechado. Do sistema oisolado que não tem contacto significativo com o ambiente ao sistema que se relaciona com o ambiente, adoptando as suas estruturas e os seus processos internos. A informação, a comunicação, a organização, a complexidade e a heterogeneidade.
— A perspectiva de Talcott Parsons. Da ideia de sistema social (uma pluralidade de actores sociais em interacção uns com os outros, onde há um elevado nível de auto-suficiência em relação ao ambiente) à ideia de sistema político (onde há relações de troca com subsistemas sociais). Se o sistema social é constituído por indivíduos, já os participantes do sistema político se assumem como cidadãos. A rede complexa de trocas entre os diversos subsistemas. A relação entre o aparelho de poder ou super-estrutura política e a base social. A necessidade de auto-suficiência do sistema social. O sistema político do Estado Moderno como um Estado Funcional, um Estado de Direito e um Estado Democrático. — A teoria da nova cibernética. Norbert Wiener e W. R. Ashby. — Funcionalismo e comparativismo. O Commitee on Comparative Politics. Gabriel Almond e Coleman e a obra The Politics of Developing Areas (1960). O desenvolvimento político e a engenharia política. A análise sistémica — Tipos de análise sistémica: partial system analysis, whole system analysis e system analysis. — A multifuncionalidade ou fungibilidade das estruturas e as alternativas estruturais para a mesma função (equivalentes funcionais).
— O modelo clássico de David Easton em A Framework for Political Analysis, de 1965. O sistema político como um conjunto de interacções de qualquer sociedade pelo qual se decidem e executam alocações obrigatórias ou autorizadas. As decisões e as acções autorizadas dos líderes que influenciam a distribuição de valores como o produto do sistema político. Distinção entre sistema político (o sistema inclusivo total) e sistemas parapolíticos (dos grupos e organizações) O sistema político como sistema autónomo e aberto mantendo relações de troca com o ambiente. Os inputs: exigências e apoios. As sobrecargas: quantitativa (volume stress) e qualitativa (content stress). As funções de ajustamento das exigências à capacidade do sistema. A expressão das exigências. A regulação das exigências. Os outputs ou produção do sistema político. -O modelo de Karl Deutsch, em The Nerves of Government, 1963. A comunicação. Os nervos do governo. O sistema político como o mecanismo organizado para a tomada e implementação de decisões políticas. A política e o governo como processos de direcção e coordenação dos esforços humanos dirigidos para a obtenção de algumas metas pré-estabelecidas, onde o mecanismo básico, através do qual se manifestam estes processos é a decisão política. Os receptores da informação. Os pontos de entrada da informação proveniente tanto do ambiente interno como do ambiente externo, sítios que recebem as mensagens do ambiente externo e interno. Os centros de processamento de dados. Os locais do sistema político onde se recebem os inputs  sobre o próprio funcionamento do sistema. A distinção entre memória e valores. A memória como o sítio do sistema político onde se armazena a informação, onde se confrontam as mensagens do presente com as informações recuperadas do passado. A memória como fonte da identidade e da autonomia. A identidade como base da ideia de povo, enquanto comunidade de significações partilhadas. A autonomia como a qualidade daquela entidade que é capaz de utilizar as informações do passado para decidir no presente. A consciência. O centro onde se dá o processamento de resumos altamente simplificados e concentrados de mensagens do segundo grau. O sítio onde se dá a inspecção, a coordenação e a pré-decisão. A distinção entre retro-acção (feedback) e decisão. — A perspectiva de Schmuel Eisenstadt. O sistema político como um processo de politização de conflitos de interesses e como resultante de um processo de centralização de estruturas políticas, dispersando os recursos políticos que estavam centrados nas anteriores hierarquias sociais. — A tipologia das funções sistémicas, segundo Gabriel Almond. Funções de conversão (articulação dos interesses, agregação dos interesses, comunicação política, formação, aplicação e administração de normas). Função de manutenção e função de adaptação do sistema político (recrutamento e socialização política). Capacidades do sistema político (de abstracção, regulativa, simbólica e sensitiva).

Sistema social Segundo Parsons, num sistema social há uma pluralidade de actores individuais em interacção uns com os outros, detendo um elevado nível de
autossuficiência em relação ao ambiente.
 
Sistemas eleitorais
Os sistemas eleitorais. Conceito e tipos básicos. Relação entre sistemas de partidos e sistemas eleitorais. — Sistemas de representação maioritária. Fórmulas de maioria simples ou relativa (plurality system). Fórmulas de maioria absoluta ou qualificada (majority system): o sistema de duas voltas; o sistema do voto alternativo. Fórmulas maioritárias corrigidas. — Sistemas de representação proporcional. Fórmulas do quociente eleitoral comum (voto individual transferível ou quota system).
Sistema do quociente inteiro ou de Hare (Qh=V/M); sistema do quociente rectificado ou de Hagen-Bach-Bischoff (Qr=V/M+n). Método do resto maior e método da média mais alta. —Métodos do divisor comum.
 
Método Hondt (1899). Método de Saint--Lague. — Método do quociente eleitoral de lista. A fórmula de Niemeyer (1985). — Fórmula automática de Baden (1920). — A divisão eleitoral. Círculos nacionais e
locais. Círculos plurinominais e uninominais.
 
Sistemas gerais, teoria dos Proposta surgida nos anos vinte por proposta do biólogo Ludwig von Bertallanfy, visando a constituição de um movimento de unificação das ciências. Cada disciplina deveria Ter uma teoria geral abstracta para integrar o conhecimento adquirido nas outras, desenvolvendo-se o processo de comunicação entre os vários campos de investigação. Vai influenciar o movimento da
cibernética. ESPE I, pp. 211 ss., 41, 256
 
Sistemas políticos modernos Segundo Gabriel Almond e Bingham Powell, de 1966, mantém-se nesta linha, distinguindo entre sistemas primitivos, sistemas tradicionais e sistemas modernos. Se os sistemas primitivos poderão ser segmentares ou em pirâmide, já os sistemas tradicionais assumem três formas: patrimoniais, burocrático-centralistas e feudais. Mais complexa é a divisão dos chamados sistemas modernos. No ponto de chegada estão os sistemas modernos com infra-estruturas políticas diferenciadas, incluindo-se neles as cidades-Estados secularizadas com diferenciação limitada (caso de Atenas) e os sistemas modernos mobilizados, isto é, os que possuem um nível elevado de diferenciação e de secularização, subdivididos entre sistemas democráticos e sistemas autoritários. Entre os dois, surgem os sistemas modernos prémobilizados, com duas espécies, os autoritários e os democráticos. Para estes autores, dentro dos sistemas democráticos, poderíamos Ter forte autonomia dos subsistemas sociais (v. g. o modelo norte-americano e o britânico), autonomia limitada dos subsistemas (v. g. República Federal da Alemanha e França na III e IV Repúblicas) e fraca autonomia dos subsistemas (v. g. México) Já nos sistemas autoritários haveria que fazer as seguintes distinções: os totalitarismos radicais (v. g. URSS), os totalitarismos conservadores (v. g. Alemanha nazi), os autoritarismos conservadores (v. g. Espanha de Franco) e os autoritarismos em vias de modernização (v. g. Brasil da revolução de 1964).
 
 
 
Sistemas reguladores da vida social Como salientava Bergson, em Les Deux Sources de la Morale et de la Réligion, existem sistemas reguladores da vida social. De acordo com as palavras de Castanheira Neves, trata-se de um sistema regulador extremamente complexo, multiforme, denso, rede de mil malhas em que nos encontramos situados, o nosso meio de existência social, mas em que logo intuímos um sentido ordenador, ao compreendê-lo como um todo, não como um caos, mas como um cosmos, como uma ordem. Vivemos num meio social ordenado em toda a nossa vida de relação, de convivência com os outros na mesma sociedade, desde o nascimento até à morte BERGSON, 135, 937
 
 
Sistemismo Com Talcott Parsons (1902-1979), o funcionalismo ousará transformar-se numa teoria geral capaz de analisar qualquer sistema social, incluindo o sistema político, considerado como um dos subsistemas sociais. Em primeiro lugar, reelabora a herança comportamentalista, considerando que toda a acção
humana é interacção, relação entre um determinado
resposta a um determinado estímulo exterior. Contudo, não considera que a acção humana seja apenas uma resposta ad hoc a estímulos particulares, dado salientar que o actor desenvolve um sistema de expectativas. Assim, vê a acção social como significativa, dado ser motivada, ou orientada, por significados que o agente descobre no ambiente, entre os quais coloca os signos e os símbolos. Procurando
François-Michel Bourricaud qualificará como o individualismo institucional, considera a sociedade como um sistema social que é caracterizado pelo mais elevado nível de autosuficiência em relação ao seu ambiente e que consistiria numa pluralidade de actores individuais em interacção uns com os outros. Assim, considera também que ao sistema social caberiam quatro funções: duas correspondentes à relação do mesmo com o respectivo ambiente e outras duas voltadas para as relações internas do mesmo sistema. Em primeiro lugar, o sistema social teria de adaptar-se ao ambiente onde vive, para recolher recursos, armazená-los em função das necessidades e, como contrapartida, contribuir para o mesmo ambiente com produtos próprios. Este conjunto de processos funcionais, correspondente ao subsistema biológico, seria a chamada adaptação (adaptation). Em segundo lugar, um sistema social, para viver em equilíbrio interno e externo, teria de alcançar uma série de objectivos e de finalidades. Esta função, dita de prossecução de fins (goal-attainment), seria corrrespondente à personalidade psíquica. Em terceiro lugar, e entrando agora nas funções voltadas para as relações internas, o sistema tende a integrar ao máximo todas as respectivas tendências internas que correm o risco de marginalizar-se ou de ser colocadas fora do sistema. Eis a função de integração (integration) que representa o nível de compatibilidade caracterizador das relações internas dos elementos de um determinado sistema, correspondente ao subsistema social, à socialização propriamente dita. Em quarto e último lugar, surge a função de manutenção dos modelos culturais, a função de conservação dos modelos (latent pattern maintenance), correspondente ao subsistema da cultura e que permite a superação satisfatória dos eventuais conflitos. É neste contexto que o político é perspectivado como o subsistema social que tem como função o goal-attainment, a organização e a mobilização dos recursos necessários para a realização dos fins de uma determinada colectividade, a capacidade de fazer com que as unidades pertencentes a um dado sistema de organização cumpram as respectivas obrigações, sendo entendido como um sistema autónomo e aberto que mantém relações e trocas constantes com os outros subsistemas da sociedade: o conjunto das actividades económicas; o conjunto dos processos de socialização (família e educação), o conjunto de instituições que têm por função manter as solidariedades que uma sociedade pode exigir dos seus membros (o aparelho legislativo e o aparelho judicial). Salienta também que, entre os subsistemas, há uma complexa rede de trocas, um quadro de inputs e de outputs, dado que cada sistema
recebe, dos outros, elementos ou factores de produção,
actividade. Para Parsons, enquanto o poder económico é linearmente quantitativo, uma simples questão de "mais" e de "menos", já o poder político é hierárquico, relacionado com níveis mais altos e mais baixos. Aqui, o maior poder não é apenas uma questão de mais poder, mas de um nível superior relativamente a um nível inferior. Ou seja, o poder político é relacional: the great power is power "over" the lesser, not merely "more" power "than" the lesser. Political power is relational, not merely in reference, that is to "n" potential exchange partners, but in direct significance. This is perhaps another way of stating the diffuseness of political power, in that it is a "mobilization of the total relational" context as facility to the goal in question. Estava assim aberta a via para aquilo que será conhecido como a cibernética, a ciência constituída pelo conjunto das teorias relativas às comunicações e à regulação no ser vivo e na máquina, utilizando-se uma palavra originária do grego kubernetes (o piloto ou timoneiro de um barco), expressão essa donde, aliás, derivou a palavra latina gubernare. Com efeito, a partir desta teoria sistémica funcionalista desenvolve-se, já no plano da ciência política, a teoria sistémica cibernética que, incidindo exclusivamente sobre o sistema político, fará repousar a autonomia deste na sua capacidade para transformar um certo número de informações em decisões obrigatórias. A ideia de sistema, em que este é entendido abstractamente como um conjunto de elementos que se encontram em interacção, ou como um conjunto de elementos interdependentes que formam uma totalidade coerente, antes de ser aplicada às organizações sociais, foi, aliás, concebida, nos anos vinte, para os seres vivos e depois, nos anos cinquenta, para as máquinas. Em qualquer das aplicações da ideia, o sistema surge sempre como uma totalidade que troca matéria com um determinado meio ambiente, que exporta e importa produtos e que se adapta. Ele seria um conjunto de unidades reconhecíveis que se caracterizam pela coesão e pela co-variação, em que a coesão levaria todos os elementos a formar um conjunto e a co-variação implicaria que os elementos componentes variassem em
conjunto, isto é, que fossem interdependentes. A teoria
trabalhos do biólogo Ludwig von Bertalanffy relativos à relação da célula com o exterior. Coube-lhe também a distinção entre sistemas abertos e sistemas fechados. Enquanto nestes dominaria a matéria, a entropia, o caos, o acaso, a simplicidade, a homogeneidade, o determinismo e a causalidade, já nos sistemas abertos dominaria a informação, a comunicação, a forma, a organização, a complexidade, a heterogeneidade, a probabilidade. Como ele próprio diz, um sistema aberto define-se como um sistema que troca matéria com o meio ambiente, apresentando importações e exportações, elaborações e destruições dos seus componentes materiais. Nele, a ordem é continuamente destruída e a adaptação é sempre possível graças à entropia negativa, pelo que o mesmo
estado pode ser atingido a partir de condições iniciais
partir destas premissas que Bertalanffy elaborou uma teoria dos sistemas gerais, com a qual pretendia um movimento de unificação da ciência, criticando a redução da comunicação entre os vários campos de investigação que conduzia a uma duplicação de esforços, e defendendo a necessidade de cada disciplina ter uma teoria geral e abstracta para integrar o conhecimento adquirido noutras disciplinas. Depois da Segunda Guerra Mundial, a teoria dos sistemas gerais que se destacou Norbert Wiener (1864‑1964), professor de matemática no Massachussetts Institute of Technology, autor de Cybernetics [1948], e Cybernetics and Society. The Human Use of Human Beings [1952]. Foi este mesmo autor que, definindo a cibernética como a ciência da comunicação e do controlo nos animais e nas máquinas, chegou mesmo a considerar que o ser vivo é uma máquina entre cujas funções, uma é a de montar a própria máquina. Considerou até que os organismos só actuam graças à aquisição, ao uso, à conservação e à transmissão da informação. Nas sociedades que são grandes demais, para se tornar possível o contacto directo, estes meios são a imprensa, o rádio, o telefone, etc.. A partir de então, fala-se numa causalidade sistémica que seria bem diferente da causalidade linear, e de uma lógica concreta e racional, já distante da lógica cartesiana. Em 1956 chegou mesmo a fundar-se uma Sociedade para o Desenvolvimento da Integração dos Sistemas Gerais, editora da revista General Systems.
 
Sittlichkeit. Moral objectiva concreta em HegelìPoliticidade.
 
 
Siu, R. G. H., The Craft of Power, Nova York, John Wiley & Sons, 1979.
 
Sivan, Emmanuel, Radical Islam. Medieval Thought and Modern Politics, New Haven, Yale University Press, 1985.
 
Sivini, G., Sociologia dei Partiti Politici, Bolonha, Edizioni Il Mulino, 1974.