Respublica           Repertório Português de Ciência Política            Total: S/Sr
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                © José Adelino Maltez. Última revisão em: 20-02-2009
 

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Lista de artigos

Artigos em grosso

Staat, Bewegung, Volk. Die Dreigliedrung der politischen Einheit, 1933

Staatskunst (Elemente der), 1810

Staël-Holstein, Baronesa (

Stahel, Walter R.

Stahl, Friedrich Julius (

Stammler, Rudolf (

Stand

Stankiewich, Wladyslaw J.

Star System

Start

Stasis

State an Nation Building, 1975

Statement

Staten Som Lifsform,

Stato

Status

Status Civilis

Stein, A.

Stein, Heinrich Friedrich, barão de (

Stein, Lorenz von

Stein, Michael B.

Stelandre, Yves

Stepan, Alfred

Sternhell

Stirner, Max

Stock, Maria José

Stoker, Gerry

Stokes, Donald E.

Stokey, Edith

Stoppino, Mario

Storing, J. H.,

Strategic Defense Iniciative

Strauss, David Friedrich

Strauss, Leo

Strayer, J.

Stuart Rothsay,  Lord Charles

Stuart, Jaime

Stubbs, Thomas William  (

Stúr, L'udevit

Sturm und Drang

Sturzo, Luigi  (

 
Sraffa, P.
1960
Production of Commodities by Means of Cmmodities
 
Londres, Cambridge University Press, 1960
 
Trad. Port. Produção de Marcadorias por meio de Mercadorias, Rio de Janeiro, Zahar, 1977
 
SS. Sigla de Schutz-Staffel m alemão esquadra de protecção. Uma milícia, ou organização paramilitar nazi. Começou por ser mera guarda pretoriana do partido nazi, transformando-se depois numa espécie de tropa espacial, dirigida por Himmler, que liquida as SA na chamada Noite de Cristal.
 
Staat, Bewegung, Volk. Die Dreigliedrung der politischen Einheit, 1933. Analisando a nova construção estadual do nazismo, Carl Schmitt considera que a mesma é a unidade de três elementos: Estado (Staat), Movimento (Bewegung), Povo (Volk). Nela a unidade política do povo e, portanto, toda a ordenação da sua vida pública se apresenta ordenada em três séries distintas. Distintas, mas não paralelas, dado que uma delas, o movimento, sustém o Estado e o Povo, penetra e conduz as duas outras. Daí poder considerar‑se o Estado em sentido estrito, como a parte política estática, o movimento como a parte política dinâmica e o povo como o lado apolítico crescente sob a protecção e à sombra das decisões políticas. Assim, o movimento é tão Estado como o Povo, e nem o Estado hodierno (no sentido de unidade política) nem o povo alemão hodierno(o sujeito da unidade política "Reich Alemão") poderiam imaginar‑se sem o movimento. O Estado em sentido estrito é o aparelho estatal das autoridades e dos gabinetes, consistindo no exército e nos funcionários estatais, é, organização de comando, de administração e de justiça. O Povo, por seu lado, inclui uma esfera de administração autónoma não estatal mas de direito público, que abrange tanto o ordenamento económico e social em categorias de profissões como uma administração autónoma comunal, baseada na vizinhança local. Assim, o Estado forte é o pressuposto de uma forte vida própria dos diferentes membros do próprio Estado. Daí considerar que não seria admissível querer excluir do domínio da ideia de comando (Führerprinzip) uma qualquer esfera da vida política que seja importante. Neste sentido, a força do Estado nacional‑socialista está em que ele é dominado e preservado da ideia de comando de cima para baixo em cada átomo da sua existência. Nisto difere do Estado militar e de funcionários do século XIX alemão, tão exteriormente forte que cometeu o grande erro político de ter autonomia comunal, que se tornou um ponto de invasão do princípio parlamentar liberal democrático num Estado de funcionários monárquico‑autoritário, dado que a burguesia liberal criou para si uma esfera subtraída ao Estado, de direito público, e, todavia “liberta do Estado”.
 
Staatskunst (Elemente der), 1810. Recolha de uma série de conferências proferidas por Adam Muller em Dresden. Já em 1804 considera que o Estado, identificado com a Sociedade e a Nacionalidade, se apresenta como uma unidade vital capaz de fundir antinomias, como as que opõem o corpo ao espírito e o momentâneo ao durável, salientando que o indivíduo não passa de simples parcela desse todo. Considera que o Estado é uma união íntima de toda a vida interna e externa de uma nação, um todo grande, enérgico, incessantemente móvel e vivo, que deve ser compreendido como um indivíduo grande que abrange em si todos os indivíduos pequenos. É que o Estado não é uma invenção dos homens destinada à utilidade ou ao prazer da vida dos cidadãos; para o cidadão nada existe for a dele. É indispensável, inevitável, funda-se na própria natureza humana. Em suma, o Estado é a fusão dos interesses humanos num todo orgânico. Em 1809 defende a tese do Estado resultar da fusão de duas antinomias: das monarquias asiáticas e das repúblicas modernas. No plano dos compromissos com as realidades, assume-se como defensor da manutenção da propriedade fundiária nas maõs da nobreza, porque isto garantiria a longa duração, dada a ligação quase religiosa da nobreza à terra. Insurge-se assim contra as teses do liberalismo de Adam Smith, para quem a propriedade deveria ser considerada como simples mercadoria. Defende também que a sociedade seja dirigida pelas suas elites naturais, organizadas pela Igreja. Adepto da representação por Stande. Se considera que o Estado é a mediação entre a Humanidade e o Indivíduo, já a Igreja é perspectivada como a mediação entre Deus e a Humanidade.
 
Staatsrechtslehre, 4, 25
 
Nome dado pelo Polizeistaat à ciência de polícia, ciência de governo, arte de governar, donde vieram as
ciências políticas. ìPolizeistaat.
 
 
 
 
 
 
Staël-Holstein, Baronesa (1766-1817) Com o nome de baptismo de Anne Louise Germaine Necker, tornada baronesa de Staël em 1786. Filha do ministro de Luís XVI, Necker. Assume-se como comparativista, não aceitando o método dedutivo. Critica nos revolucionários a paixão pelas ideias abstractas. Influencia Constant. Defende a monarquia constitucional, como forma de conciliação entre a mentalidade esclarecida e os interesses hereditários, em nome do equilíbrio europeu. Será uma das fontes de inspiração para os liberais moderados e o cartismo.
·Lettres sur Rousseau
1789.
·De l'Influence des Passions sur le Bonheur des Individus et des nations
1796.
·De la Litterature considerée dans ses Relations avec les Institutions Sociales
1800.
·De l'Allemagne
obra publicada em Londres em 1813, mas já concluída em 1810.
·Considérations sur les Principaux Évennements de la Révolution Française
1817
 
Stahel, Walter R., Giarini, Orio, The Limits to Certainty, Dordrecht, Kluwer Academic Publishers, 1989.
 
Stahl, Friedrich Julius (1802-1861) Filho de judeus. Nasce em Munique e é professor de direito em Berlim. Defensor da monarquia de direito divino, um dos teóricos conservadores e autoritários da monarquia prussiana, inspirador da política de Bismarck. Assume-se como um dos líderes do chamado partido reaccionário.
1830
Rechts und Staatslehre
 
1830-1833.
1830
Die Philosophie des Rechts
 
1830-1837. Edição revista de 1878.
1847
Der Christliche Staat
 
 
1863
Die gegenwartigen Parteien in Staat und Kirche
 
Berlim
 
Stammler, Rudolf (1856-1938) Jurista alemão, da Escola de Marburgo. O direito passa a ser entendido como uma ciência final, enquanto uma forma científica que ordena os fenómenos segundo uma relação meio-fim, onde o temporalmente ulterior (o fim ou o efeito) aparece como condicionante do temporalmente anterior (o meio), conforme a proposta de dedução transcendental feita pelo próprio Kant. Precisamente o contrário do que se verifica nas ciências da natureza, marcadas pela relação causa-efeito, onde o temporalmente ulterior (o efeito) surge condicionado pelo anterior (a causa). Aceita-se assim que, para além do método das ciências da natureza, que procuram apenas perceber, há um espaço autónomo para as ciências finais, onde predomina o querer e a relação meio‑fim. Neste sentido, considera que importa encontrar os puros conceitos fundamentais, as formas puras, o a priori, os postulados que condicionam logicamente cada conhecimento particular, cada experiência, cada matéria, esta, sim, mutável e alterável. O conhecer é assim figurado como um disco de círculos concêntricos, onde, no centro, se coloca o conceito em si mesmo e depois, sucessivamente, tanto os conceitos fundamentais puros dele emanados como os conceitos condicionados, estes obtidos por abstracção, a partir dos conteúdos restritos de uma experiência histórica, a tal matéria mutável. Aplicando o modelo ao direito, Stammler elabora uma construção unitária de conceitos jurídicos, isto é, supra-infra-ordenados, onde há conceitos superiores e inferiores. Adopta assim um sistema de formas puras, no qual pensamos juridicamente, esse conjunto de condições a priori que tornam possível a própria experiência, onde o conceito de direito aparece não só logicamente anterior à experiência jurídica como até condição desta. Assume-se como uma forma pura, como um a priori, a tal juridicidade que permitiria uma teoria pura do direito (reine Rechtslehere). O centro ou ponto fixo do direito é o conceito de direito em si mesmo, o querer inviolável e soberanamente vinculante (das unverletzbar selbstherrlic verbindende Wollen). Imediatamente a seguir, surgem os conceitos jurídicos fundamentais puros, as tais emanações imutáveis do conceito incondicionado e subsistente de direito. Isto é, as formas puras que condicionam logicamente cada conhecimento jurídico particular, cada experiência, cada matéria, estas sim mutáveis e alteráveis. As categorias que dão ordem lógica à massa desordenada dos fenómenos jurídicos que se apresentam à experiência. Finalmente, surgem os conceitos jurídicos condicionados ou derivados. Isto é, os conceitos obtidos por abstracção a partir dos conteúdos restritos de um direito historicamente posto.
 
Direito justo
Para além disso, há que proceder a uma investigação ou à praxe do direito justo ou do direito correcto (richtiges Recht), considerado como um critério superior ao direito positivo, algo que não constitui um conjunto de normas jurídicas, onde os casos particulares podem subsumir-se, mas antes uma massa de directrizes, ideias orientadoras, indicações metódicas ou princípios, o tal direito justo entendido como ideal social, como um padrão para se avaliar de cada direito positivo. A justiça aparece assim como um pressuposto do direito, dado que todo o pensamento do direito tem a justiça como exigência última, defendendo a possibilidade de a podermos atingir através de uma dedução a partir dos conceitos fundamentais. Mas o direito correcto, enquanto direito positivo,  a lei que, em determinadas circunstâncias coincide com a ideia de direito, embora ainda como direito não formado, tem qualidades objectivas, não constituindo algo que se impõe de fora, não é algo de transcendente face ao direito positivo. Não pode, por exemplo, extrair-se da moral, antes se atingindo através de uma reflexão crítica levada a cabo no contexto do próprio direito positivo (por exemplo, através da integração lacunas e das cláusulas gerais constantes da lei, como as de boa fé ou de equidade, onde o juiz só pode recorrer ao tal direito justo). O conceito de direito distingue-se assim da ideia de direito, dado que o mesmo contém as formas de pensar permanentes, enquanto a segunda não passa da medida  do cânon, do critério para julgar o direito, o qual não deixa se ser direito, mesmo que seja injusto ou esteja marcado pelo arbitrário. O direito correcto ou justo passa assim a ser um padrão para a avaliação do direito positivo, mas não deixa de ser positivo, dado constituir, conforme assinala Wieacker, aquela parte do direito positivo que, numa dada situação histórica, satisfaz  categorias formais apriorísticas do conceito de direito, o tal querer auto-regido, vinculativo e inviolável. Neste sentido, Stammler continua a ser positivista, apresentando como absolutos os conteúdos específicos de justiça existentes nas ordens jurídicas de determinados povos, sociedades e situações históricas. Segundo Welzel, trata-se de um positivismo sublimado ou de uma teoria complementar do positivismo jurídico. Neste sentido, considera ser preciso reabilitar a ideia de um direito natural: não como um conjunto de preceitos concretos, repletos de conteúdo, e válidos para todos os tempos e lugares, mas como uma ideia formal, abstracta, de justiça ideal para todos os direitos positivos.
 
Direito natural de conteúdo variável
Aliás, logo em 1902, defende um direito natural de conteúdo variável (Naturrecht mit wechselnden Inhalte), isto é aquelas proposições jurídicas que, em relações juridicamente condicionadas contêm o direito teoreticamente justo. Neste sentido, considera que a lei tem de ser um meio justo para chegar a um fim justo, salientando até que se trata de uma coacção para que se atinja a justiça.
Culto da forma pela forma
Esta Escola de Marburgo, segundo Cabral de Moncada, é, aliás, marcada por uma espécie de culto da forma pela forma. Isto é, das formas de pensamento despojadas dos seus conteúdos históricos, ao mesmo tempo que não é capaz de avançar na análise do problema dos valores, gerando aquilo que Alexandre Morujão qualifica como a sede metafísica, e que Erich Kaufmann refere como indiferença axiológica. Vazios que a filosofia dos valores e a neo-hegelianismo tentam, depois, colmatar.
1888
Über die Methode der Geschichtlichen Rechtsschule
 
Sobre o método da escola histórica do direito, 1888.
1894
Die Theorie des Anarchismus
 
A teoria do anarquismo, 1894.
1897
Recht und Wirtschaft
 
Direito e economia, 1897;
1902
Die Lehre von dem richtigen Recht
 
A teoria do direito justo, 1902;
1911
Theorie der Rechtswissenschaft
 
A teoria da ciência jurídica, 1911;
1917
Rechts und Staatstheorien der Neuzeit
 
1917;
1920
Sozialismus und Christentum
 
Leipzig, 1920
1921
Lehrbuch der Rechtsphilosophie
 
Manual de filosofia do direito em dois tomos, 1921-1924
 
Trad. cast. de W. Roces, Filosofia del Derecho, Madrid, Reus, 1930
 
Der Richter
 
1924;
 
Rechtsphilosophischen Abhandlugen und Vorträgeb Monografias e conferências filosófico-jurídicas, 1925.
 
Modernas Teorías del Derecho y del Estado
 
trad. cast., Botas, 1955
 
Stasis Palavra grega que designa a ruptura da comunidade cívica provocada por uma guerra civil.
 
Stand O mesmo que estat, estate ou status, diferindo dos conceitos de État, State ou Staat. Como salienta Pierangelo Schiera, abrange "o conjunto de pessoas que gozam, em virtude da comum condição em que se encontram, da mesma posição no que diz respeito aos direitos e aos deveres políticos; que, pelo facto de gozarem conjuntamente dessa posição, elaboram e praticam formas de gestão da sua posição que são precisamente comunitárias ou, pelo menos, representativas", incluindo‑se naquilo que certa historiografia alemão considera a standliche Gesselschaft, posterior à sociedade feudal, mas anterior à sociedade estatal propriamente dita. Entre o Estado medieval e o Estado Moderno existe, portanto, esta fase intermediária de um Estado já político mas ainda não susceptível de soberania.
 
Stankiewich, Wladyslaw J., ed., In Defense of Sovereignty, Oxford, Oxford University Press, 1969.
 
Stanley, John L., The Sociologie of Virtue. The Social and Political Theories of Georges Sorel, Berkeley, University of California Press, 1981.
 
Stanworth, P., Giddens, Anthony, eds., Elites and Power in British Society, Cambridge, Cambridge University Press, 1974.
 
Start Strategic Arms Reduction Talks. O START I foi assinado em 1991 entre os Estados Unidos da América e a URSS, prevendo a redução de mísseis nucleares, sendo válido para um período de sete anos. O START II foi assinado em 1993.
 
State an Nation Building, 1975 Obra de Samuel Finer, onde se considera que o Estado surgiu quando ocorreu uma modificação da estratégia das elites periféricas que abandonaram a sua tradicional resistência perante o centro do sistema político e passaram a procurar obter o controlo do mesmo. Tal momento aconteceu com o fim da sociedade feudal e o aparecimento do Estado Territorial, dado que, a partir de então, a relação centro-periferia se fez em termos de dominação.
 
Statement Proposição, o conteúdo de uma sentença declarativa.

Staten Som Lifsform, 1916 O Estado como Forma de Vida), obra de Rudolf Kjellen, onde o Estado nos aparece como uma manifestação biológica, como um indivíduo geográfico. Assim, este autor considera que os Estados são seres sensíveis e inteligentes — exactamente como os indivíduos (... ), são seres sensíveis e racionais como os homens (... ) fenómenos orgânicos profundamente enraizados nas realidades territoriais (... ) seres vivos supra-individuais tão reais como os indivíduos, mas infinitamente maiores e mais poderosos (... ) os Estados falam e trabalham, fazem uniões ou lutam nos campos de batalha, invejam-se, odeiam-se ou simpatizam entre si, atraem-se, repelem-se, ajudam-se ou combatem-se, da mesma maneira como os restantes seres de uma comunidade.
 
 
Stato É na frase inicial de Il Principe de Maquiavel que, pela primeira vez, se utiliza a expressão Stato: tutti gli stati, tutti e domini che anno avuto e hanno imperio sopra lei nomini, sono stato e sono o republiche o principati". Importa, pois, assinalar que a expressão "estado" era abundantemente utilizada na Idade Média para qualificar uma determinada condição ou situação social. O "estado"‑modo de viver, utilizado nas expressões compostas status regni ou status rei publicae, tenha a ver ou com uma das três classes da monarquia corporativa ou estamental ou ainda com o conceito que ainda hoje aparece subjacente aos chamados "discursos sobre o estado da nação". O "estado" medieval é apenas, segundo Lalinde Abadiá, "um dos grupos fundamentais em que se divide a sociedade, isto é, a condição ou situação de cada um desses grupos ou dos subgrupos que podem distinguir‑se dentro daqueles". Importa, contudo, assinalar que a partir da Renascença vai surgir um conceito político de Estado que, no entanto, ainda nada tem a ver com o conceito de Estado Moderno, como assinala Alexandre Passerin d'Entrèves . Trata‑se, com efeito, de um conceito de Estado que já diz directamente respeito às estruturas da governação, que, conforme o mesmo autor é "uma organização dotada da capacidade de exercer e de controlar o uso da força sobre um determinado povo e num dado território". Como ensina Jesus Lalinde Abadiá, trata‑se do Estado‑Domínio ou Estado‑Possessão. É o Estado‑Região, bem diferente do futuro Estado‑Nação ou do próprio Estado‑Império. É o Estado entendido apenas como uma das simples possessões do rei ou do principe. Para o mesmo autor, Maquiavel utilizou a expressão Estado neste sentido:"o Estado é em Maquiavel um domínio, isto é, uma das diversas possessões ou unidades possessórias do Principe (...) o que lhe interessa são as relações dos distintos domínios ou possessões de um principe entre si, o que constitui uma regio, dentro do conjunto mais amplo de todas as formas políticas, que é o que pode constituir um Império, por exemplo". A Itália de Maquiavel, por exemplo, estava, então, repartida por cinco diferentes unidades políticas:o reino de Nápoles, pertencente ao Rei de Espanha, o Ducado de Milão ‑ um principado novo com Francisco Sforza ‑, a República de Veneza, a República de Florença e os Estados do Papa.
 
 
Status Forma latina significando forma de governo. Daí deriva a expressão état utilizada por Bodin, a qual é diferente do conceito de stato em Maquiavel, entendida esta, não já como um dos possíveis estados do domínio político. Diz-se hoje da específica posição que um indivíduo ocupa num grupo, ou a que um grupo tem face a outro grupo, no contexto da hierarquia de uma dada estratificação social.
 
Status, Grupos de. ÖEstamentos
 
RStatus Civilis Para Kant, um Estado (civitas), ora é status civilis, quando relação recíproca dos indivíduos reunidos num povo, ora Estado propriamente dito, quando entendido como o todo em relação com cada seu próprio membro.
 
Stein, A., The Nation at War, Baltimore, The Johns Hopkins University Press, 1980.
 
Stein, Heinrich Friedrich, barão de (1757- 1831) Liberal prussiano. Promove a edição dos Monumenta Germaniae Historica, em 1815.
 
Stein, Michael B., Easton, David, Gunnel, John, eds., Regime and Discipline. Democracy and the Development of Political Science, Ann Arbor, University of Michigan Press, 1995.
 
Stein, Lorenz von (1815-1890) Um monárquico que mistura Hegel, Marx, Comte e Spencer, para a defesa do socialismo catedrático e da democracia social reformista. Aceita o dualismo entre o Estado e a sociedade. Se esta é dominada pelo egoísmo, já o Estado é a inteligência consciente. Um dos que confunde a sociologia com o socialismo, mas não segue a ideia de revolução, preferindo aa democracia social e a reforma económica, pelo alargamento do sufrágio e da educação. O Estado é entendido como a comunidade dos homens elevada a uma personalidade autónoma e agindo por ela própria, a mais alta forma de personalidade, com uma tarefa indefinida, onde o Governo é a cabeça do corpo social, o pensamento que dirige e a Administração o braço que executa.
·Der Begriff der Gesellschaft
1849.
·System der Staatswissenschaft
1852 - 1856.
·Die Verwaltungslehre
1864.
 
 
 
Stelandre, Yves, L’Idée Européenne dans l’Entre-Deux-Guerres, M. Dumoulin, org., Lovaina, Académie Louvain-la-Neuve, 1992.
 
Stepan, Alfred
·The Military in Politics. Changing Patterns in Brazil
Princeton, Princeton University Press, 1971.
·The State and Society. Peru in Comparative Perspective
Princeton, Princeton University Press, 1978.
·The Breakdown of Democratic Regimes
Baltimore, The Johns Hopkins University Press, 1978. Com Juan J. Linz.
 
Sterba, James P., Justice. Alternative Political Perspectives, Belmont, Wadsworth, 1992.
¾ Contemporary Social and Political Philosophy, Belmont, Wadsworth, 1995.
¾ Social and Political Philosophy. Classical Western Texts in Feminist and Multicultural Perspectives, Belmont, Wadsworth, 1995.
 
 
Sterckx, ...*, Couloubaritsis, Lambros, Leeuw, Marc, Noel, Emil, Aux Sources de l’Identité Européenne, Bruxelas, Presses Interuniversitaires Européennes, 1993.
 
Stern, Fritz, Politique et Déséspoir. Les Ressentiments contre la Modernité dns l’Allemagne Préhitlérienne [ed. orig. 1961], trad. fr., Paris, Librairie Armand Colin, 1990.
 
Sternhell Historiador israelita, especialista nas origens dos movimentos nacionalistas e fascistas em Frañça-
·Maurice Barrès et le Nationalisme Français
Paris, Librairie Armand Colin, 1972 [reed., Bruxelas, Éditions Complèxe, 1986].
·Naissance de l’Idéologie Fasciste
Paris, Librairie Arthème Fayard, 1989. Com M. Sznajder e M. Asheri.
·La Droite Révolutionnaire. Les Origines Françaises du Fascisme
Paris, Éditions du Seuil, 1978 (reed. de 1984).
·Ni Droite, ni Gauche. L’Idéologie Fasciste en France
Paris, Éditions du Seuil, 1990. A primeira edição é de 1983, revista em 1987.
 
Stevens, O., Children Talking Politics. Political Learning in Childhood, Oxford, Martin Robertson, 1982.
 
 
Stewart, R., Lewis, R., The Boss, Londres, J. M. Dent
& Sons, 1963.
 
Stirn, François, Violência e Poder [ed. orig. 1978], trad. port., Lisboa, Editorial Inquérito, s.d..
 
 
 
Stirner, Max 1806-1873 Pseudónimo de Johann Kaspar Schmidt. A partir de 1839 passa a professor de um colégio de raparigas. Começa como hegeliano de esquerda e acaba por assumir-se como um anarquista libertário, marcado por um individualismo radical que, ao contrário do anarquismo de Proudhon, rejeita o Estado. Invoca o cocneito de alienação, desenvolvido por Feuerbach e é fortemente influenciado pelo seu amigo Bauer.. Considera o homem como o único (Einzige) que não pode ser propriedade de ninguém, nomeadamente do Estado, mesmo que seja liberal e critica frontalmente este modelo de Estado que conduz à escravidão do eu. Considera que o Homem feito para ser proprietário de todas as coisas não pode ser possuído por ninguém, propondo que a sociedade seja fundada no egoísmo, no culto de um eu  soberano, propondo a constituição de uma associação de egoístas, todos eles soberanos.
·Der Einzige und sein Eigenstuhm
1844. Cfr. trad. fr. L’Unique et sa Proprieté, Lausanne, Éditions l’Âge de l'Homme, 1988).
·Kleinere Schriften
Escritos editados em 1888 por John Henry Mackay (cfr. a trad. port. Textos Dispersos, Lisboa, Via Editora, 1979, com apresentação de J. Bragança Miranda, onde se incluem, entre outros os artigos O Falso Princípio da nossa Educação, de 1842, e Algumas Observações Provisórias Respeitantes ao Estado Fundado no Amor, de 1844)
 
4Blondel, Jacqueline, «L'Individualisme Radical: Stirner et Nietzsche», apud Ory, Pascal, op. cit., pp. 428 segs.. 4Prélot, Marcel, As Doutrinas Políticas, 3, secção «O Egotismo: Stirner».
 
Stock, Maria José Licenciada pelo ISCSP. Doutora em ciência política pela Universidade de Évora. Professora na Universidade de Évora e na Universidade Lusíada. Vice-presidente da direcção da Associação Portuguesa de Ciência Política. Especialista em paridos políticos.
·La Situation Actuelle de la Recherche au Portugal dans le Domaine de la Science Politique
1984.
·«Sistema de Partidos e Governabilidade»
In Economia e Sociologia, n. º 37, pp. 43 segs., Lisboa, 1984. Com Luís Filipe Colaço Antunes.
·A Base Social de Apoio e o Recrutamento, Líderes do PSD e do CDS
Évora, 1985.
·«Delegados, Activistas e Quadros Médios. Importância de uma Abordagem Empírica»
In Economia e Sociologia, n. ºs 38-39, Lisboa, 1985.
· Os Partidos do Poder. Dez anos depois do 25 de Abril
Évora, 1986.
 
Stokey, Edith, Zeckhauser, Richard, A Primer for Policy Analysis, Nova York, W. W. Norton, 1978.
 
Stoker, Gerry, Marsh, David, Theory and Methods in Political Science, Nova York, Saint Martin’s Press, 1995.
 
Stokes, Donald E., Campbell, A., Converse, Philip E., Miller, W. E., Elections and Political Order, Nova York, John Wiley & Sons, 1966.
 
Stoppino, Mario
·Potere Politico e Stato
Milão, Giuffrè Editori, 1968.
·Le Forme del Potere
Nápoles, Guida, 1974.
 
Storing, J. H.,
·Essays in the Scientific Study of Politics
Nova York, Holt, Rinehart & Winston, 1962.
 
 
Strange, Susan, States and Markets. An Introduction to International Political Economy, Oxford, Basil Blackwell Publishers, 1988 [2ª ed., Nova York, Saint Martin’s Press, 1995].
¾ , Stopford, John, Henley, John S., Rival States, Rival Firms. Competition for World Market Shares, Cambridge, Cambridge University Press, 1991.
 
Strasser, Carlos, Para una Teoría de la Democracia Posible. Idealización y Teoría Política, Buenos Aires, Gel, 1990.
¾ Para una Teoría de la Democracia Posible. La Democracia y lo Democrático, Buenos Aires, Gel, 1991.
 
Stur
1815-1856
Outro dos precursores do pan-eslavismo é um eslavo ocidental, o luterano eslovaco, em Os Eslavos e o Mundo Futuro, obra escrita em alemão no ano de 1856, mas apenas publicada em tradução russa em 1867. Aliás, nunca tal autor visitara a Rússia, sendo, sobretudo, marcado pelo romantismo alemão de Jena. O movimento eslavófilo, com efeito, não só começou fora da Rússia como teve os seus principais impulsos em dois tradicionais adversários do ortodoxismo russo: o catolicismo e o luteranismo. Isto é, gerou-se no paradoxo do amor-ódio, assumindo-se, portanto, como um nacionalismo estrangeirado, apesar de, mais tarde, ter-se nacionalizado essa tendência importada. Contudo, o elemento marcante na conformação da escola vai ser o idealismo alemão, num crescendo que vai de Herder a Hegel, passando por Schelling. De facto, só a partir dos anos quarenta do século XIX é que a eslavofilia se assume como antiocidentalista. Ou melhor: como forma de reacção contra as ideias que se tornavam dominantes no Ocidente de então. Contudo, a eslavofilia foi tão antiocidentalista quanto os próprios movimentos culturais que, no Ocidente, também reagiam contra a filosofia triunfante dos meados do século XIX. Até podemos dizer, de forma simplificada, que a questão eslavófila no interior da Rússia não passou de um debate historicista entre os que pretendiam conservar a Rússia nas sendas abertas pela ruptura de Pedro o Grande e os que, com uma certa nostalgia pelo ventre materno, pretendiam retomar a autenticidade do modelo político, cultural e religioso da era pré-petroviana. A ideia de regresso às origens, visando retomar a tradição da Rússia profunda é tal que alguns dos eslavófilos até renegam as próprias teses da Rússia como Terceira Roma, consideradas como uma forma de colonização bizantina. Compreende-se, assim, que alguns deles reneguem o ortodoxismo estabelecido, procurando aproximar-se de outras formas de cristianismo, como o catolicismo e o luteranismo, conversões que talvez constituam meras formas de sublimação do instinto de Velhos Crentes.
 
Strategic Defense Iniciative A Iniciativa de Defesa Estratégica, logo conhecida por Star Wars. Programa de defesa anunciado pelo presidente norte-americano Ronald Reagan em 1983. Um projecto de segurança nacional que visava a destruição de mísseis soviéticos no espaço extra-atmosférico, através de meios electrónicos. Uma perspectiva virtual que, no entanto, demonstrou a superioridade dos norte-americanos face aos soviéticos no domínio da guerra electrónica.
 
Strauss, David Friedrich (1808-1874) Téólogo alemão que utiliza as categories hegelianas para estudar a vida de Jesus. Criticando a velha fé, acaba por abandonar o cristianismo e abraçar a chamada religião da humanidade.


Strauss, Leo (1899-1973) Judeu alemão, combatente da Grande Guerra de 1914-1918, doutora-se em Hamburgo em 1921. Assistente da Academia Judaica de Investigação em Berlim, de 1925 a 1932. Bolseiro da Fundação Rockefeller desde esta última data, trabalha em Inglaterra e em França, até emigrar para os Estados Unidos em 1940, naturalizando-se quatro anos depois. Professor de ciência política na New School for Social Research de Nova Iorque (1938-49), na University of Chicago (1949-68), Claremont (California) Men's College (1968-69), e no St. John's College, Annapolis (1969-73). Um dos principais defensores do movimento neoclássico, pugnando pelo regresso à filosofia política pré-moderna, contra as heranças do maquiavelismo, do iluminismo e do cientismo positivista.
A ideia de direito natural
Considera que o direito natural é um padrão do justo e do injusto que é independente do direito positivo e que lhe é superior: um padrão pelo qual somos capazes de julgar o direito positivo. Um padrão mais elevado e menos mutável que o próprio ideal de sociedade: há no homem qualquer coisa que não está totalmente sujeita à sua sociedade e, por conseguinte, que somos capazes e, portanto, obrigados a procurar um padrão que nos permita julgar o ideal da nossa sociedade ou de qualquer outra.
Contudo, todo o direito natural é variável…Os princípios do direito natural, os axiomas donde derivam as regras particulares são universais e imutáveis; o que muda são as regras particulares … Há uma hierarquia universalmente válida de fins, mas não há regras de conduta universalmente válidas… O único critério universlamente válido é a hierarquia de fins.
A procura do melhor regime
O direito natural, que se identifica com a procura racional do melhor regime político (politeia) e que, neste sentido é parte integrante do direito político foi destruído pelas três waves of modernity.
Waves of modernity
A primeira onda de choque, que teve o respectivo epicentro em Maquiavel, foi propagada pelo movimento da Razão de Estado, laicizante, católica ou protestante; a segunda veio a ser desencadeada pelo jusracionalismo e pelo iluminismo, levando à vitória da burguesia durante o século XIX; o choque da terceira onda da modernidade, com o positivismo e o historicismo, depois de Marx, Nietszche e Freud. Com efeito, a partir de Maquiavel, deu-se um rebaixamento dos fins, o abandono do modelo ideal, da teleologia natural, da ideia greco-latina de um kosmos natural, hierarquizado e objectivo, com a redução do problema moral e político a mero problema técnico. Com Hobbes, acabou o primado da perfeição, da virtude e do dever, passando a preponderar os direitos. Segue-se o historicismo, o abandono du padrão de dever-ser, de uma ideia que transcende a própria história, passando a haver uma coincidência do racional e do real, do dever-ser e do ser. A partir de então, a teoria passa a estar ao serviço da prática, torna‑se inteligência do que a prática engendrou, a inteligência do actual, e deixou de ser a procura do que devia ser: … deixou de ser teoricamente prática. O direito natural surge assim como um espaço de conciliação entre o humanismo laico e o humanismo cristão. Não admira, aliás, que a perspectiva de regresso ao direito natural atravesse diacronicamente o cristianismo e mergulhe na raiz romana e helénica do estoicismo, assumindo aquelas dimensões panteístas que identificam Deus com a natureza ou esta com a própria razão. Na verdade, mesmo para um católico, o jusnaturalismo não tem de ser confessional, dado que as doutrinas sociais, jurídicas e políticas expressas por um autor católico se destinam a todos os homens de boa vontade.
A defesa do regresso à filosofia política
foram os autores dos séculos XVII e XVIII que passaram a considerar a teoria como algo que está ao serviço da prática, a uma depreciação e a um cepticismo face à teoria conosiderada, pejorativamente, como algo de metafísico. Para ele "a teoria política torna‑se inteligência do que a prática engendrou, a inteligência do actual, e deixou de ser a procura do que devia ser: a teoria política deixou de ser teoricamente prática... para se tornar puramente teórica no sentido em que a metafísica (e a física) eram tradicionalmente compreendidads como puramente teóricas. É então que apareceu um novo tipo de teoria, de metafísica, tendo por tema supremo a actividade humana e o que ela engendra mais que a totalidade que não de maneira nenhuma objecto da actividade humana"
considera que "a filosofia ou ciência ‑ a mais alta actividade do homem ‑ é a tentativa de substituir opiniões acerca de todas as coisas pelo conhecimento de todas as coisas", pelo que "respeitar opiniões é algo completamente diferente de aceitá‑las como sendo verdadeiras" porque haveria um verdadeiro ensinamento, o ensinamento esotérico, e o "ensinamento socialmente útil, ou seja, o ensinamento exotérico; enquanto este é de compreensão fácil para qualquer leitor, aquele só se revela aos leitores muito bem e cuidadosamente preparados, após um estudo demorado e concentrado".
a maior parte das nossas relações sociais tem carácter inconsciente e que cada membro da sociedade tem, desta, uma visão que não corresponde à realidade do todo
Urge, como diz Leo Strauss, "conhecer realmente a natureza das coisas políticas". Um conhecer realmente que tem de ser partir da opinião para chegar‑se ao conhecimento, segundo os modelos da tradição socrática, isto é através de um "esforço consciente, coerente e infatigável tendente a substituir por conhecimento opiniões sobre os fundamentos da política". Uma procura da verdade que é o acordo entre seres diferenciados, acordo que se inscreve na natureza das coisas.
falar em doutrinarismos, considerando como tal uma visão nascida no século XVIII por certo jusracionalismo que concebia uma ordem social justa válida para qualquer lugar e qualquer tempo, independentemente das circunstâncias. Algo completamente diferente do gradualismo do direito natural de conteúdo relativo, variável ou progressivo, que sempre considerou que há uma variedade de regimes políticos legítimos, conforme as circunstâncias e estando todos dependentes da arte de governar e não das boas intenções dos governantes.
influenciado também pelo neo‑hegelianismo de Croce, defendendo a procura do valor ético do bem político e a necessidade de se estudar a coisa política através de um discurso sobre os fins.
que "toda a acção política tem em si uma orientação para o conhecimento do bonum :tanto da vida como da sociedade boa".
 
"Em Hobbes, a razão, usando a sua autoridade, tinha libertado a paixão... Em Rousseau é a própria paixão, ela mesmo, que toma a iniciativa e se revolta. Usurpando o lugar da razão e renegando com indignação o seu passado libertino, a paixão começa a estigmatizar com a virtuosa severidade de um Catão as torpezas da razão"
 
"Nenhuma visão da totalidade, e mais particularmente nenhuma visão da totalidade da vida humana, não pode ter a ambição de ser definitiva ou universalmente válida. Toda a doutrina que se pode crer decisiva será mais tarde ou mais cedo substituída por outra"
Noutra perspectiva, Leo Strauss em Natural right and history, obra editada em 1953, mas recolhendo conferências proferidas em Chicago, quatro anos antes, representa uma posição jusnaturalista marcada pelo humanismo laico neo‑clássico.
Aliás, para Luc Ferry e Alain Renaut "o regresso à concepção antiga do direito natural apresenta a dupla vantagem, contra o historicismo, de restaurar uma transcendência do justo ( uma distinção do ideal e do real) e, contra o positivismo, de enraizar a validade dos valores jurídicos na própria objectividade ‑ conferindo, assim, às normas uma consistência que ameaça, em vez de lhe retirar, nos Modernos, o enraizamento dos valores na subjectividade"
Posição próxima à de Hannah Arendt, já referida, onde o existencialismo é reentusiasmado por um vitalismo romântico, ou de H. ‑G. Gadamer, onde numa linha de inspiração fenomenologista e hermenêutica se defende o primado da política sobre o direito e a economia.
Para Strauss o direito natural é a lei universal do justo e do injusto e foi o respectivo abandono que gerou o niilismo:"se os nossos princípios não têm outro fundamento senão as nossas preferências cegas, seja o que for que o homem queira fazer, isso ser‑lhe‑á lícito".
Para ele "rejeitar o direito natural equivale a dizer que todo o direito é positivo, por outras palavras que o direito é determinado exclusivamente pelos legisladores e pelos tribunais dos diferentes países. Ora é evidente que é perfeitamente razoável e por vezes até necessário falar de leis ou de decisões injustas", pelo que se torna necessário "um padrão do justo e do injusto que é independente do direito positivo e lhe é superior".
Trata‑se de um padrão mais elevado que o ideal mutável da nossa sociedade, dado que "há no homem qualquer coisa que não está totalmente sujeita à sua sociedade e por conseguinte que somos capazes, e portanto obrigados, a procurar um padrão que nos permita julgar o ideal da nossa sociedade ou de qualquer outra".
Com efeito, Strauss considera que o natural tem a ver com a natureza, devendo ser entendido segundo o conceito socrático, isto é, com uma coisa na sua inteireza ou perfição. Ora, deste conceito de natureza não pode inferir‑se que é bom o que está ou que é bom o que é antigo. A natureza é sempre algo de mais antigo do que o que estabeleceram os fundadores de uma determinada comunidade, implicando o desejo de conhecimento da ordem eterna e levando, inclusive, a que se considere que uma vida privada, que uma vida dedicada à procura do conhecimento, é melhor que uma vida política.
Strauss, cuja biografia intelectual foi desde sempre marcada pelo combate contra os monstros sagrados da modernidade, nomeadamente Maquiavel, Hobbes e Schmitt, considera que os principais adversários do direito natural são o historicismo, filiado no idealismo alemão, e o positivismo.
Para ele um dos principais erros da modernidade pós‑maquiavélica foi o de, partindo do princípio que a realização de um melhor regime é altamente improvável, tratou de rebaixar o nível e de considerarem de forma revolucionária que o melhor regime pode ser realizado em qualquer parte.
O que sempre importaria é a procura da "ordem política certa ou boa" e do "melhor regime"
Todo este ambiente de neo‑jusnaturalismo marca o neo‑liberalismo ético e conservador de Hayek que, no seu classicismo se distancia de Popper e John Rawls, mais próximos do jusracionalismo iluminista. Contudo, ambos se distanciam tanto do organicismo da nova direita
como do pan‑racionalismo da velha nova esquerda, que teve em Marcuse um dos principais epígonos.
o nome politeia designa a forma de governo entendida como a forma da polis, isto é, como aquilo que dá à cidade o seu carácter, determinando o fim que a polis em questão prossegue, ou aquilo que ela sonha de forma mais transcendente, e simultaneamente, o género de homens que governa a cidade.
A partir da modernidade, desencadeada com a Renascença, começa um longo processo de decadência da filosofia política, provocada pelas sucessivas ondas da modernidade que tiveram o epicentro em Maquiavel, desde o movimento da razão de Estado, laicizante, católica e protestante, a que se seguiram o iluminismo e o cientismo, para utilizarmos a metáfora de Leo Strauss
principalmente pelo apelo que faz ao regresso ao direito natural e à sua lei universal do justo e do injusto, um padrão que não serviria apenas para aferir da validade do direito estabelecido, posto, positivo, mas algo de mais global que também seria mais elevado que o ideal mutável da nossa sociedade, dado que há no homem qualquer coisa que não está sujeita à sua sociedade e por conseguinte que somos capazes, e portanto obrigados, a procurar um padrão que nos permita julgar o ideal da nossa sociedade ou de qualquer outra.
O padrão deveria ser o conceito socrático de natureza, a coisa na sua inteireza ou perfeição. Um padrão que até se não identificaria com a ideia de ser bom aquilo que é antigo, dado que este tipo de natureza até é sempre mais antigo do que aquilo que foi estabelecido pelos fundadores de uma determinada comunidade, prendendo-se com a própria ordem eterna.
Neste sentido, o direito natural seria sempre equivalente à procura do melhor regime, contrariando certa tendência da modernidade, de extracção maquiavélica, que considerando a realização desse melhor regime como altamente improvável, tratou de baixar os níveis e de considerar que o melhor regime
 
 Leo Strauss, é a tentativa de substituir a opinião sobre todas as coisas pelo conhecimento de todas as coisas, a passagem do exotérico, do socialmente útil, daquilo que é compreensível por qualquer leitor, ao esotérico, isto é, aquilo que só se revela depois de um estudo demorado e concentrado. Porque a ciência, para utilizarmos as
 
 
 
·Die Religionskritik Spinozas als Grundlage seiner Bibelwissenschaft: Untersuchungen zu Spinozas Theologisch-politischen Traktat
Berlim, Akademie Verlag cfr. trad. ingl. Spinoza’s Critique of Religion, Chicago, The University of Chicago Press.
·Philosophie und Gesetz: Beitrage zum Voerstandnis Maimunis und seiner Vorlaufer
cfr. trad. fr. com pref. de Rémy Brague, Maïmonide, Paris, Presses Universitaires de France, 1988.
·The Political Philosophy of Hobbes: its basis and its genesis
Oxford, Clarendon Press, 1936.
·On Tyranny. An Interpretation of Xenophon’s “Hiero”
Nova York, Political Science Classics, 1948 cfr. trad. fr. Paris, Éditions Gallimard, 1954; nova ed. de Victor Gourevitch e de Michael S. Roth, On Tyranny. Revised and Expanded Edition. Including the Strauss-Kojève Correspondence, Nova York, The Free Press of Glencoe, 1991.
·Persecution and the Art of Writing
Nova York, The Free Press of Glencoe, 1952 cfr. trad. fr. La Persécution et l'Art d'Écrire, Paris, Presses de la Cité, Agora, 1989. Obra que reúne ensaios publ. entre 1941 e 1948.
·Natural Right and History
Chicago, The University of Chicago Press, 1953 cfr. trad. fr. Droit Naturel et Histoire, Paris, Librairie Plon, 1954.
·What is Political Philosophy?
Nova York, The Free Press of Glencoe, 1959 cfr. trad. fr. de Olivier Sedeyn, Qu'est-ce que la Philosophie Politique?, Paris, Presses Universitaires de France, 1992.
·History of Political Philosophy
Chicago, Rand MacNally & Co., 1963. Com Joseph Cropsey, Ed.
·The City and Man
Chicago, Rand MacNally, 1964.
·Liberalism Ancient and Modern
1968 cfr. trad. fr. Libéralisme Antique et Moderne, Paris, Presses Universitaires de France, 1990.
·Xenophon's Socrates
Ithaca, Nova Iorque, 1972.
·The Argument and the Action of Plato's Laws
 Chicago, The University of Chicago Press, 1973. Obra póstuma, com ensaios datados desde 1967.
·Studies in Platonic Political Philosophy
Chicago, 1983.
·An Introduction to Political Philosophy. Ten Essays by Leo Strauss
ed. de Hilail Gildin, Detroit, Wayne State University, 1989.
 
 
Drury, Shadia, The Political Ideas of Leo Strauss, Basingstoke, Hampshire, Macmillan, 1988. Miller, Eugene F., «A Recuperação da Filosofia Política», in Crespigny, Anthony, Minogue, Kenneth R., Filosofia Política Contemporânea, trad. port., Brasília, Editora Universidade de Brasília, 1982, pp. 73 segs.. Udoff, Alan, ed., Leo Strauss's Thought. Toward a Critical Engagement, Boulder, Lynne Riener, 1991. Châtelet, François, Pisier-Kouchner, Evelyne, Les Conceptions Politiques du XXème Siècle. Histoire de la Pensée Politique, Paris, Presses Universitaires de France, 1981, pp. 825 segs.. Edmond, Michel-Pierre, «Leo Strauss», in Dictionnaire des Oeuvres Politiques, pp. 781-794. Possenti, Vittorio, A Boa Sociedade. Sobre a Reconstrução da Filosofia Política, Lisboa, IDL -
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Straussman, Jeffrey D., The Limits of Technocratic Politics, New Brunswick, Transaction Books, 1978.
 
 
Obra de Alfred Reginald Radcliffe-Brown que está na origem do estruturo‑funcionalismo (structural‑functional analysis). Considera que "a função social de um uso particular é a contribuição que ele traz à vida social considerada como o conjunto do funcionamento do sistema social. Esta definição pressupõe um sistema... tem uma certa unidade que devemos chamar unidade funcional". A estrutura é um "acordo de pessoas que têm entre elas relações institucionalmente controladas ou definidas, tais como as relações do rei com os seus súbditos ou as do marido e da mulher". Considera que "a realidade concreta é, não uma entidade, mas um processo, o processo da vida social. O processo em si mesmo consiste num imenso número de acções e interacções de seres humanos agindo como individuos ou em combinações ou grupos... Os componentes ou unidades da estrutura social são pessoas, e uma pessoa é um ser humano, considerado não como um organismo, mas ocupando uma posição na estrutura social". Salienta expressamente que "quando se lida com um sistema estrutural, trata‑se de um sistema de posições sociais, ao passo que na organização estamos em presença dum sistema de papéis sociais". Isto é, a função passa a ser vista em termos teleológicos como a contribuição que uma actividade parcial oferece à actividade total da qual é parte. (cfr. trad. fr. Structure et Fonction dans la
Societé primitive, Paris, Éditions de Minuit, 1968)
 
Streeck, Wolfgang, Schmitter, Phillipe, eds., Private Interest Government. Beyond Market and State, Newbury Park, Sage Publications, 1985.
 
Stretton, H., The Political Sciences, Londres, Routledge & Kegan Paul, 1969.
 
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¾ The Idea of Political Theory. Reflections on the Self in Political Time and Space, Notre Dame, University of Notre Dame Press, 1990.
 
Strum, Philippa, Shmidman, M., On Studying Political Science, Pacific Palisades, 1969.
 
Stuart Rothsay, Lord Charles Embaixador britânico junto de D. Pedro é emissário deste a Lisboa para a entrega da Carta em 1826. Será 1º conde do Machico e 1º marquês de Angra. Foi embaixador inglês em Paris, em 1820. Nomeado pelo governo de Canning, chega a Lisboa em 25 de Março de 1825, ainda durante o governo de Lacerda/Barros. D. João VI, que, então, estava em Mafra, demora muito tempo a recebê-lo. O governo português é obrigado a nomeá-lo nosso plenipotenciário para as negociações do reconhecimento da independência do Brasil, assinando em 29 de Agosto o Tratado do Rio de Janeiro (o negociador brasileiro foi o barão de Santo Amaro, Luís José de Carvalho e Melo), ratificado por D. João VI em 15 de Novembro seguinte. Quando da entrega da Carta, em Julho de 1826, Stuart mostra-se favorável a que ela fosse jurada através de uma reunião dos Três Estados tradicionais.
 
®Stuart, Jaime 1566 - 1625 Rei da Escócia, como Jaime VI, e da Inglaterra, como Jaime I
·The True Law of Free Monarchies
1598).
 
Stubbs, Thomas William (1776-1884) 1º Visconde de Vila Nova de Gaia. Fez a guerra peninsular, tendo-se estabelecido em Portugal. Governador de armas do Porto desde 1820. Demitido em 1827, depois das archotadas. Ligado aos saldanhistas. Tenente-general, comandante do depósito
de Plymouth.
 
Stúr, L'udevit (1815-1856) Luterano eslovaco, autor de Os Eslavos e o Mundo Futuro, obra escrita em alemão no ano de 1856, mas apenas publicada em tradução russa em 1867.
 
Sturm, Roland, Jeffery, Charlie, Federalism, Unification and European Integration, Newbury Park, Frank Cass Publishing Co., 1993.
 
Sturm und Drang O mesmo que Tempestade e Impulso. Nome de um drama de Klinger (175-1831) surgido em 1775, que serve para qualificar a revolução cultural alemã surgida entre 1765 e 1785. Reage contra o Aufklarung em nome do irracional e segue o grito de Rousseau no sentido de um revenons à la Nature. Invoca o sentimento contra a razão, a Idade Média contra a Antiguidade e valoriza a Alemanha contra o estrangeiro. Apela ao subjectivo, à alma do povo, à poesia popular, que o génio deve ser livre e não estar preso a normas. Entre os principais impulsionadores do movimento destacam-se Goethe e Friedrich von Schiller.
 
Sturzo, Luigi (1871-1959) Sacerdote católico italiano. Fundador do primeiro partido democrata cristão, que transformou em partido laico, ao contrário das perspectivas confessionais, directamente dependentes dos episcopados, assumidas então por outros movimentos políticos católicos, como o Centro Católico Português, de 1917. Começa a vida política como presidente da câmara da sua terra natal, Caltagirone (1905). Destaca-se como secretário-geral da Acção Católica (1915). Em Janeiro de 1919 funda o Partido Popular Italiano que nas eleições de Novembro desse ano já consegue 100 deputados. Depois da Marcha sobre Roma e contra a opinião do papa, abandona a direcção do partido (Julho de 1923). Vai para o exílio em 1924. Apenas regressa a Itália em 1946. A sua doutrina pode ser qualificado como de popularismo, para se distinguir do populismo. Defende o modelo do autogoverno local, que as regiões e a nação devem ser articuladas num todo complexo organizado de forma electiva e com responsabilidades bem delineadas sem interferência de poderes e competência de tipo centralizador.
·La Democrazia Cristiana nel Pensiero e nella Vita
Conferência proferida em Palermo, 1902.
·La Funzione Storica del Partito Popolare Italiano
1923
·La Comunità Internazionale e il Diritto di Guerra
(ed. ingl., Londres, 1929).
·L’Église et l’État
(1937).
·La Societá, sua Natura e Leggi. Sociologia Storicista
1949).
·Saggi e Discorsi Politici e Sociali
(ed. de Vincenzo Clemente, Roma, Edizioni inque Lune, 1973).
·Scritti Inediti:
I - 1890 - 1924, ed. de Francisco Piva; II - 1924 - 1940, ed. de Franco Rizzi; III - 1940 - 1946, ed. de Francisco Merlgeri (Roma, Edizioni Cinque Lune, 1971).
 
Ver Francesco Piva e Francesco Malgeri, Vita di Luigi
Sturzo, Roma, Edizioni Cinque Lune, 1972.