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Lista de artigos

Artigos em grosso

Suárez, Francisco

Suástica

Suazilândia

Subdesenvolvimento

Súbdito

Subjectivismo

Subsidiariedade, Princípio da

Subsídio

Subsistências

Suécia

Suez, Crise do

Suffragii (De jure) in societate aequali, 1795

Suharto (n. 1921)

Suleiman, Ezra E.

Sully,  Duque de

Sultanismo

Summa Política, 1649

Summa Theologiae

Sumner, William Graham

Super-homem

Superpotência

Sureté  

Suriname

Surkin, Marvin

Surrealismo

Susser, Bernard

Sussex, Duque

Sutton, F. X.

 
Suárez, Francisco (1548-1617) Jesuíta natural de Granada, professor em Salamanca, Roma e Coimbra, dito o doctor eximius, é o grande marco da neo-escolástica peninsular, especialmente em Tractatus de legibus ac Deo Legislatore, editado em Coimbra em 1612. Retomando Aristóteles e São Tomás, considera que o poder político, ou principado, é um produto da natureza racional do homem e não do pecado ou da revelação. Não vem do pecado nem da revelação, mas da razão natural, da natural condição dos homens. A comunidade política, que ainda designa por sociedade civil, tem potestas politica, distinguindo-se das comunidades imperfeitas, dado que estas têm potestas dominativa ou oeconomica. A comunidade política é uma comunidade mística marcada pela integração, é uma universitas, por todos se transformam em universalidade (omni uti universi), ao contrário da mera perspectiva da societas, onde os homens são considerados separadamente, como uma multidão inorgânica, marcada pela justaposição, de acordo como o omnes ut singuli, numa distinção que precede a ideia de Rouseau, sobre a diferença entre a vontade de todos e a vontade geral. Visiona o contrato social em duas sequências: numa primeira, há um pactum unionis, o consentimento da comunidade, e numa segunda, o pactum subjectionis, pela instituição do principado, mas onde a comunidade conserva sempre o direito de resistência.
Poder Supremo
Considera que há um poder supremo, uma suprema potestas, em cada república, um poder que não reconhece acima de si nenhum poder humano da mesma ordem ou da mesma natureza, isto é, que prossiga o mesmo fim. Um poder que, contudo, não se confunde com o dominium, devendo entender-se como um officium, dado que apenas existe por causa do regnum e não do rex.
 
Considera que o corpo político não só designa os titulares do poder como também lhes confere a autoridade de que os titulares são meros depositários. Porque o poder vem de Deus para o povo e só depois é transferido para os príncipes.
Razão Natural
Partindo do princípio que os homens, segundo a ordem da natureza não se regem nas coisas civis pela revelação, mas pela razão natural, proclamou, contrariamente a Santo Agostinho e a Lutero, que o poder político não se funda no pecado ou em alguma desordem, mas na natural condição do homem (III, 1, 3). Para ele, o poder de dominar ou reger politicamente aos homens, a nenhum homem em particular lhe foi dado imediatamente por Deus (III, 2, 3. 5) este poder só em virtude do direito natural está na comunidade dos homens (III, 2, 4. 1), está nos homens e não em cada um ou num determinado (III, 2, 4. 2). Assim, o poder político é visto como algo de direito humano, como instituição dos homens e doação da república, algo que surge por vontade de todos (per voluntatem omnium).
Potestas Politica
A comunidade política, ou sociedade civil, é vista como uma sociedade perfeita, dotada de potestas politica, em contraste com as sociedades perfeitas, como a família que apenas teriam uma potestas dominativa ou oeconomica. Deste modo, a comunidade política, entendida como um corpus politicum et mysticum, resultaria de um específico acto de união para uma associação moral, seria sempre um produto da vontade humana, da vontade dos que nela contrataram. A comunidade política seria uma comunidade que se reúne ou cria por impulso do homem; a qual se diz que é uma reunião de homens que se associam por algum direito (I, 6, 12. 4), a tal comunidade política ou mística, por especial união numa congregação moralmente una (I, 6, 12. 1). Esta será perfeita porque é a que é capaz de governação política (I, 6, 12. 4).
 
Dentro das comunidades perfeitas, distingue as reais ou locais, porque se encerram em certos limites reais ou locais, como são o Reino ou a cidade, das chamadas pessoais, porque se atende mais às pessoas do que aos lugares, como v. gr., uma relião, confraria, etc., as quais, se têm um regime perfeito e união moral, podem ser também comunidades perfeitas (I, 6, 12. 7).
Comunidades Imperfeitas
Como comunidades imperfeitas, dá o exemplo da casa privada, presidida por um pai de família: a razão disto é que tal comunidade não é suficiente. Além disso, porque nela as pessoas particulares não se congregam como membros principais para compor um só corpo político, mas que estão ali os inferiores só para utilidade do dono e enquanto de alguma maneira estão sujeitos ao seu domínio (I, 6, 12. 8). Nestas apenas haveria uma potestas dominativa, porque nem o poder tem perfeita unidade ou uniformidade, nem participa tão pouco propriamente do regime político(I, 6, 12. 8).
Para ele, o poder político não começou senão quando várias famílias começaram a reunir-se numa comunidade perfeita. Logo, embora aquela comunidade não tivesse começado por uma criação de Adão nem pela sua só vontade, mas pela de todos os que convencionaram nela (III, 2, 3. 4). O poder político estaria na comunidade politicamente organizada e não na multidão inorgânica, estaria no uti universi, em todos como universal, e não no uti singuli, em todos como particulares: este poder não está em todos os homens tomados separadamente nem na colecção ou multidão deles num corpo confuso e sm ordem, sem união de membros, apenas surgindo quando os homens se reúnem numa comunidade perfeita e se unem politicamente (III, 1, 5). Logo, considera que o poder não pertence aos homens a título particular, mas sim aos homens tomados colectivamente. Não seria resultante da justaposição puramente material, como num montão de areia, mas sim da integração, da existência de uma ordem moral, de uma comunidade mística, deste modo distinguindo a universitas do corpo político face à societas: A multidão dos homens, enquanto por especial vontade ou consentimento comum se reúnem num corpo político com um vínculo de saociedade e para ajudar-se mutuamente em ordem a um fim político, de modo que formam um corpo místico, que, moralmente, pode considerar-se uno em si mesmo; e que, em consequência, necessita de uma cabeça (III, 2, 4. 4). Este difere do mero agregado de alguns, sem ordem alguma ou união física ou moral, enquanto não forma algo de uno, nem física nem moralmente, e por isso não são própriamente um corpo político, e por tanto nãp necessitam de uma cabeça ou príncipe (III, 2, 4. 3). O poder político, que designa por potestas politica, potestas civilis, gubernatio politica, potestas suprema e principatus é indispensável para a emergência de um corpo político: sem governo político e uma ordem para ele não pode conceber-se um corpo político (III, 2. 4. 6).
Para ele, este poder político emana do povo, sendo atribuído a um príncipe por consentimento da comunidade, mas se o príncipe é assim superior ao povo, está, contudo, sujeito à lei eterna e ao próprio pacto estabelecido com a comunidade, a qual conservaria sempre o direito de resistência.
·Tractatus de Legibus ac Deo Legislatore
Coimbra, 1612. Cfr. ed. bilingue em latim e castelhano do Consejo Superior de Investigaciones Cientificas, Madrid, Corpus Hispanorum de Pace, 1971.
·Defensio Fidei Catholicae et Apostolicae Adversus Anglicanae Sectae Errores
(Coimbra, 1613) (cfr. ed. bilingue em latim e castelhano do Corpus Hispanorum de Pace, Eleuterio Elorduy, introd., vol. II - Defensio, e vol. III - Principatus Politicus, Madrid, 1965).
 
}Alves, Paulo Durão, A Filosofia Política de Suárez, Braga, Livraria Cruz, 1949. 4Merêa, Paulo, Suarez Jurista, Coimbra, 1917; Suarez. Grócio. Hobbes, Coimbra, Livraria Arménio Amado, 1941.. 4Rommen, Heinrich, La Teoria del Estado y dela Comunidad Internacional en Francisco Suarez, trad. cast., Madrid, 1951. 4Siches, Luís Recasens, La Filosofia del Derecho de Francisco Suarez, Madrid, Victoriano Suarez, 1927.
 
Suástica Símbolo ariano que aparece na Índia no século IV antes de Cristo, bem como na China e no Japão, no século V da nossa era, quando em tais sítios se deu a recepção do budismo. Terá sido o fundador da geopolítica, Karl Haushofer, o principal responsável por esse culto indo-europeu junto de Hitler. Alguns autores salientam até, baseando-se em declarações de Rudolf Hess, antigo assistente de Haushofer na Universidade de Munique, que este era o mestre secreto do ritual mágico do nazismo. Acrescente-se que, na Rússia, a introdução da suástica ficou a dever-se à alemã Alexandra, a esposa de
Nicolau II e a grande protectora de Grigori Rasputine.
 
Subdesenvolvimento Conceito da escola desenvlvimentista, divulgado nos anos cinquenta deste século.
 
Súbdito Súbdito distingue-se do cidadão e do escravo. Cidadão é o que participa na decisão política, aquele que ora governa, ora é governado. Escravo é aquele que tem um senhor, um dono. O súbdito tem mais a ver com o paternalismo político, onde o chefe político, à maneira do chefe de família, tem um poder que lhe é atribuído para bem do súbdito. Tal como o poder do pai relativamente aos filhos, trata-se de um poder-dever, até porque o súbdito, ao contrário do escravo não é considerado intrumento de um senhor.
 
Subileau, F., Toinet, M.-F., Les Chemins de l’Abstention. Une Comparaison Franco-Américaine, Paris, Éditions La Découverte, 1993.
 
Subirats, J., Vilanova, Perez, La Evolución del Estado en el Pensamiento Político, Barcelona, Petrel, 19 ...*.
 
Subsídio Concessão de fundos públicos a empresas ou outras entidades privadas. O mesmo que ajudas públicas.
 
Subsistências Os meios mínimos que sustentam a vida humana. O mínimo de bens necessários para a sobrevivência individual, os bens essenciais. A chamada questão das subsistências foi marcante na história portuguesa da I República, implicando um processo de intervenção estadual quanto à garantia do abastecimento público quanto aos bens essenciais, bem como quanto ao controlo do preço dos géneros, principalmente dos alimentícios, mas também quanto aos combustíveis. Neste quadro se inseriu a chamada questão do pão político, o subsídio estadual ao pão, levando ao establecimento de tipos obrigatórios de pão e ao consequente conflito entre os produtores de cereais e a indústria das moagens. Se os primeiros sempre defenderam o proteccionismo, já os segundos eram naturalmente partidários da livre importação. Curiosamente, Oliveira Salazar nos seus principais trabalhos académicos abordou precisamente A Questão das Subsistências e O Regime Cerealífero. A questão volta a ser fulcral durante o período de economia de guerra do salazarismo, nomeadamente quanto à questão do racionamento. Também depois do 25 de Abril de 1974 se estabeleceu um modelo de intervencionismo público no tocante ao abastecimento e aos preços, chegando o próprio I Governo Constitucional a estabelecer um modelo de cabaz de compras, de garantia estadual quanto ao abastecimento público e do controlo dos preços dos bens essenciais. Só com o II Governo da Aliança Democrática é que fundou o sistema do pão político.
 
Suazilândia 17 364 km2. 906 000 habitantes.
 

Subjectivismo Sistema que apenas admite uma realidade: a do sujeito que pensa
 
Subsidiariedade, Princípio da O mesmo que princípio do Estado supletivo. Defendido pela doutrina social da Igreja e próximo das teses do pluralismo inglês e do institucionalismo. Num corpo político, as parcelas, apesar de relacionarem hierarquicamente, cada uma delas desempenha a sua função, ou o seu ofício, e, para tanto, são dotadas de autonomia, a base da diversidade onde a união é conseguida pelo movimento de realização do bem comum. O poder político não está apenas concentrado na cabeça do corpo político. Pelo contrário, reparte-se originariamente, constituintemente, por todos os corpos sociais dotados de perfeição. Deste modo, cada corpo social tem um certo grau de autonomia para a realização da sua função. E o corpo político não passa de uma instituição de instituições de um macrocosmos de microcosmos e macrocosmos sociais, de uma rede de corpos sociais, de um network structure. Porque há uma diversidade que apenas se une pela unidade de fim, pela unidade do bem comum que a mobiliza. Portanto, uma sociedade de ordem superior não deve intervir na esfera de autonomia de uma sociedade de ordem inferior, da mesma maneira como uma sociedade de ordem inferior também pode transferir funções e consequentes poderes para uma sociedade de ordem superior. Porque o princípio da subsidariedade é o mesmo que o princípio da subjectividade da sociedade. Da consideração de cada sociedade como um sujeito e não como um objecto ou como um contrapoder. Que vários níveis de sociedades políticas podem coexistir sobre a mesma multitudo. Porque sendo a polis mera essência relacional, cuja essência substancial é o indivíduo, pode este desdobrar-se participativamente, conforme os interesses e os bens comuns que lhe dão comunhão com os outros. Trata-se de um corporatismo ou de um corporacionismo pluralista que se distingue tanto do individuaalismo atomicístico como do holismo colectivista, dado que pretende conciliar os contrários da diversidade, sem fragmantação, e da unidade, sem negação da autonomia das parcelas que integram o todo.
 
Subversão (A) do Estado Dissertação de doutoramento de António Sousa Lara.
 
Suécia (Konungariket Sverige) 450 000 km2 e 8 800 000 habitantes; 3% de finlandeses e lapões; segundo a fórmula de Cline, 15. Nos séculos XII e XIII a Suécia emerge como um reino independente que, no século XIV se vai unir à Noruega, entre 1319 e 1343, com o rei Mgnus Eriksson. Em seguida passa a ser dominada pela Liga Hanseática que consegue a coroa sueca para um membro da família Mecklenburg. Em 1397 passa a ser dominada pelos dinamarqueses através da união de Kalmar, quando Margarida da Dinamarca passa a concentrar em Copenhaga tanto os reinos da Noruega como da Suécia. No século XV surge um movimento autonomista que leva à reunião de Arboga em 1435, liderada por Engelbrekt Engelbrektsson. Foi a partir de 1520 que os suecos empreenderam uma luta pela independência, sob a liderança de Gustavo Vasa, contra os nobres e eclesiásticos que apoiavam o rei da Dinamarca. Em Junho de 1523, Gustavo já era eleito rei pelo Riksdag, seguindo-se o confisco dos bens da Igreja e a separação face a Roma, consumada em 1571, a que se segue, em 1593, a adopção do luteranismo. Nos inícios do século XVII, já a Suécia se assume como a grande potência do norte. No reinado de Gustavo II, Adolfo, iniciado em 1611, a Suécia passa a assumir-se como grande potência, com sucessivos confrontos vitoriosos com a Dinamarca (1611-1613), a Rússia e a Polónia, e com intervenção na própria Guerra dos Trinta Anos (1611-1648). Foi no Verão de 1630 que os suecos intervieram na Alemanha do norte para ajudarem os protestantes. Em 1699 o império sueco no Báltico é disputado por uma aliança da Dinamarca, da Rússia e da Polónia. Têm os suecos o apoio de ingleses e holandeses. Carlos XII (1697-1718). Em Agosto de 1700 forçam os dinamarqueses a sair da guerra. Três meses depois, passam o Báltico e derrotam os russos na batalha do Narva, de Novembro de 1700 Seguem-se vitórias sobre a Polónia e a invasão da Saxónia. Avançam sobre a Rússia, mas sofrem o inverno de 1708-1709 e são derrotados por Pedro o Grande na Batalha de Poltava, de Julho de 1709. Carlos XII é obrigado a refugiar-se junto dos turcos. Regressa à Suécia em Dezembro de 1715. A Suécia entra em declínio. Perdera os seus domínios transbálticos e vê uma parte da Finlândia passar para a Rússia. Novas guerras com os dinamarqueses, onde morre Carlos XII em 1718. Em 1721, pelo Tratdo de Nystad, terminam as hostilidades e a Rússia. A Rússia passa a ser a primeira potência do norte. E pedro Grande assume o título de Imperador. Os suecos podem invocar a origem da sua democracia em 1523. As reformas constitucionais de 1865-1866 transformam o Riksdag que passou de umas côrtes com quatro ordens (clero, nobreza, burguesia e camponeses) a uma bicamaral. Uma câmara eleita por sufrágio directo censitário, outra pelo sufrágio indirecto das assembleias locais. Reformas eleitorais de 1907-1909 e a grande reforma de 1918-1921 que consagra o sufrágio universal para homens e mulheres. Em 1323 integrava a Finlândia que em 1809 cedeu à Rússia; recebe a Noruega em 1814 que se torna independente
em 1905
 
Suez, Crise do Do mesmo modo, urge ressaltar a chamada Crise do Suez, subsequente à subida ao poder de Nasser, em 18 de Abril de 1954, que, dois anos depois, inicia um processo de aproximação aos soviéticos, pelo que, em 10 de Julho de 1956, já o Egipto começa a receber armamento de Moscovo. Tudo se agrava quando os USA recusam financiar a construção da projectada barragem de Assuão, em 19 de Julho de 1956, posição a que, dois dias depois, a URSS responde, prometendo examinar as possibilidades de apoio. Nasser decide então nacionalizar o canal de Suez, em 26 de Julho de 1956, afrontando directamente tanto os interesses como o orgulho dos europeus ocidentais e em 5 de Novembro eis que se dá o desembarque de tropas franco-britânicas em Port Said. A Europa ocidental verifica, então, que deixara de ser protagonista na cena mundial. Sem o apoio norte-americano, vê-se alvo de um ultimato soviético, ao mesmo tempo que Nehru ameaça abandonar a Commonwealth, não faltando sequer uma formal condenação da ONU. As tropas franco-britânicas são assim obrigadas a recuar e o fruto amargo dos ventos da história mostra quem foi o efectivo derrotado na Segunda Guerra Mundial.
 
Sufrágio
 
Sufragismo Movimento que visa defender o direito de voto para as mulheres. Em Inglaterra, logo em 1848, surge a primeira grande reivindicação de Elizabeth Cady Stanton, na Declaração de Sentimentos. Já antes Mary Woollstencraft em Vindictation of the Rights of the Women de 1792 esboçara o modelo. E John Stuart Mill num discurso proferido na Casa dos Comuns em 1867 mostrou-se favorável à reivindicação. Destaca-se depois a acção de Emmeline Pankhurst que em 1903 funda Women’s Social and Political Union que defende a imediata instauração do direito de voto. Detida e libertada cerca de uma dezena de vezes, celebriza-se pelas greves da fome que promove. Em 4 de Junho de 1913 dá-se um acontecimento trágico quando a sufragista Emily Davison de lança sob o cavalo do rei no Derby Day do hipódromo de Epson Downs, falecendo alguns dias mais tarde. Mas é apenas em 1928 que o direito acaba por ser alcançado. Nos Estados Unidos, surgem também várias greves da fome e o direito conquista-se logo em 1920. Em França, em 1909, é fundada a Union Française pour le Suffrage des Femmes. O parlamento aprova uma moção nesse sentido, mas esta é recusada pelo Senado em 1922 e só em 1944 é que as mulheres passam a poder votar. Noutros países, as mulheres vão alcançando direito de voto: Nova Zelândia (1893), Finlândia (1906), Noruega (1913), Dinamarca (1915), Holanda e Rússia (1917), Alemanha e Áustria (1918), Polónia, Suécia e Checoslováquia (1919). Seguem-se Portugal e Espanha (1931), Brasil e Turquia (1934), Canadá (111940), Itália, Japão e Hungria (1945), Bélgica (1948) e Suíça (1971).
 
Suharto (n. 1921) Presidente da Indonésia desde 1968
 
Suiça, Svizzera; em francês Suisse) Estado Federal actual, com 41 293 km2 e 7 300 000 de habitantes; segundo a fórmula de Cline, 11. Em 1 de Agosto de 1291 foi constituída uma aliança perpétua de três cantões alpinos, Uri, Schwyz e Unterwalden, recusando a soberania territorial dos Habsburgos; pedem, depois, apoio aos Hohenstaufen; em 1315 vencem Leopoldo de Áustria na batalha de Morgarten e renovam a aliança, tornando-se companheiros ligados por um juramento. A esse núcleo duro de cantões montaheses, vão agregar-se comunidades urbanas ao longo do século XIV, como Lucerna (1332), Zurique (1351) e Berna (1353), até que em 1389 os Habsburgos reconhecem a independência da confederação, depois de derrotados na batalha de Sempach de 1386; em 1474, nova paz com os Habsburgos, pela qual estes renunciam a todos os direitos e privilégios sobre os confederados; Paz de Basileia de 1499. O núcleo duro da confederação assenta nos cantões que controlam o acesso a Saint-Gothard, o local de passagem da bacia do Reno para a planície do Pó; são estes montanheses que constituem o núcleo fundador da Suíça, representados pela mitificação de Guilherme Tell, lenda do século XV que o romantismo de Friedrich Schiller erigiu em símbolo da Suíça. A Suiça torna-se então uma forte potência militar, dado que, tendo estabelecido o serviço militar obrigatório para todos os homens entre os 16 e os 60 anos, era capaz de mobilizar imediatamente mais homens do que o rei de França ou o imperador; passam assim a constituir a principal fonte de recrutamento de mercenários das várias potências da Europa; a Reforma vem dividir religiosamente os vários cantões que, no entanto, conservam a respectiva unidade política; no tratado de Vestefália, de 1648, as várias potências da Europa reconhecem a independência da confederação. Com a emergência da Revolução francesa, vários exilados suiços dirigidos por Frédéric César de la Harpe, desencadeiam umprocesso de aproximação com a nova república vizinha; no fim de 1792 instala-se em Genebra um governo revolucionário que aí repete o período do Terror; em 1793, a França anexa os territórios do arcebispado de Basileia, constituindo-os em departamento francês; pela paz de Campoformio de 1797, a França retira alguns territórios à onfederação, integrando-os na República Cisalpina; a proclamação em Vaud de uma República Lemânica forneceu ao regime do Directório um pretexto para a cupação militar de toda a Suíça, que vai acontecer em Março desse ano; criada uma República helvética una e indivisível que substituiu o sistema confederativo de cantões soberanos; torna-se em Maio de 1799 campo de batalha entre as tropas russas de Suvarov e as tropas francesas de Massena. Em Fevereiro de 1803, com Napoleão, a Suíça, através do chamado Acto de Mediação, volta a ser uma Confederação, agora com 19 cantões, já que parte deles são directamente integrados no Império francês; depois da derrota de Napoleão, regressa-se ao sistema aristocrático de governo; o Congresso de Viena confirma a Confederação Helvética; pelo Pacto Federal de 7 de Agosto de 1815, surgem 22 cantões soberanos, ao mesmo tempo que se decreta a neutralidade permanente. É a partir de então que termina o regime do pacto feudal, essa justaposição de unidades políticas desiguais ligadas por uma rede de alianças, sobretudo, defensivas, onde participavam cidades livres, principados eclesiásticos e laicos, bailios e outras diversidades organizacionais; regressa-se também, em vários cantões, nomeadamente em Berna, Zurique e Lucerna, ao modelo aristocrático de governo; nos cantões católicos, passa a haver forte influência dos jesuítas, aliados ao modelo de política internacional do sistema Metternich: 1291 - Schwyz, Uri, Unterwalden; 1322- Lucerna; 1351- Zurique; 1352- Glarus e Zug; 1353 - Berna; 1481 - Friburgo e Solothurn; 1501- Basileia e Schaffhausen; 1513- Appenzel; 1803- Graubúnden, Saint Gallen, Ticino, Turgau e Vaud; 1815- Genebra, Neuchâtel, Valais. Em Dezembro de 1845, os cantões catolicos de Lucerna, Friburgo, valais, Uri, Schwyz, Unterwalden e Zug constituem uma aliança defensiva secreta o Sonderbund; em 1847, depois da Dieta considerar inconstitucional a aliança, surge uma guerra civil entre os cantões actólicos, conservadores, e os restantes, dominados por governos liberais radicais, vencendo estes, mas os cantões católicos não sofreram represálias; em Setembro de 1848 surge uma nova constituição que estabeleceu um modelo de Estado federal, aprovada por referendo, com 1 897 887 votos favoráveis contra 293 371; o modelo de Estado Federal qual foi reforçado pela revisão constitucional de 1874
 
 
Suleiman, Ezra E., Les Hauts Fonctionnaires et la Politique, Paris, Éditions du Seuil, 1976.
Les Élites en France, Grands Corps et Grandes Écoles, Paris, Éditions du Seuil, 1979.
 
Sullivan, John L., Pierce, J. C., eds., The Electorate Reconsidered, Newbury Park, Sage Publications, 1980.
 
Sullivan, William M., Reconstructing Public Philosophy, Berkeley, University of California Press, 1986.
 
 
 
Sully, Duque de (1560-1640) Maximilien de Béthune, barão de Rosny e duque de Sully. Um huguenote, colaborador de Henrique IV. Depois de o aconselhar a converter-se ao catolicismo, torna-se no seu superintendente das finanças. Deixa umas Mémoires des sages et royales oeconomies d'estat, domestiques, politiques et militaires d'Henry le Grand, l'Exemplaire des Roys, le Prince des Vertus, des Armes et des Loix, et le Père en effet de ses peuples François. Et de Servitudes Utiles, obeissances Convenables et Administrations Loyales de Maximilien de Bethune l'un des plus Confidens, familiers et Utiles Soldats et Serviteurs du Grand Mars des Français, publicadas pela primeira vez em 1632 e escritas cerca de duas décadas depois de abandonar o poder, já durante o reinado de Luís XIII e o governo de Richelieu, quando foi feito marechal de França. Aí se esboça um grand dessein, atribuído ao rei de França, Henrique IV, que transformaria toda a Europa numa Cristianíssima República, dividida em quinze Estados, todos congregados num conselho. Mas, por trás das proclamadas boas intenções universalistas, manifesta-se a reacção do soberanismo francês contra a ideia de monarquia universal, assumida então pelos Habsburgos.
E não é por acaso que, em tal projecto, a Espanha fica reduzida ao território ibérico e a Áustria, desmembrada. Isto é, procura-se uma tradução francesa da balance of power, um dividir para reinar, um dividir a Europa em grupos regionais conforme as conveniências da política internacional do reino de França.
Aí se atribui a Henrique IV, assassinado em 1610, o grand dessein de constituir uma cristianíssima república (République très chrétienne), englobando os diversos Estados da Europa sob a forma confederativa, dividindo-a arbitrariamente em quinze Estados de igual poder e estabelecendo, como religiões admitidas, a católica, a calvinista e a luterana. Tal unidade seria comandada por um Cristianíssimo Conselho (Conseil très chrétien), também dito conseil général de l'Europe, de 60 pessoas, 4 por cada uma das quinze unidades, ao qual caberia arbitrar todas as questões. O órgão seria renovado de três em três anos e mudaria de sede anualmente. Na directa dependência deste órgão estariam mais três conselhos, de vinte pessoas. Ao mesmo tempo, prevê-se a criação de um exército europeu cosmopolita e, no plano fiscal, planeia-se também um fundo comum.
Os quinze domínios ou Estados previstos são os seguintes: seis monarquias hereditárias, six grandes dominations monarchiques héréditaires (França; Espanha; Inglaterra; Dinamarca; Suécia; Lombardia), cinco monarquias electivas (papado, a cujos Estados juntava o reino de Nápoles; império germânico; Polónia; Hungria, a que juntava a Transilvânia, a Moldávia e a Valáquia; e Boémia) e quatro repúblicas, por ele recompostas, à custa de territórios governados pelos Habsburgos (o senhoriado, la République de Vénise ou seigneuriale, a que juntava a Sicília; a república itálica, ou ducale, que fazia pela união dos pequenos potentados e das cidades de Itália, isto é, Florença, Génova, Luca, Mântua, Parma e Mónaco; a república belga ou dos países baixos, onde juntava dezassete províncias protestantes e católicas mais algumas cidades e principados alemães; e a república suíça, a que acrescentava o Franco-Condado, a Alsácia, o Tirol, e os países de Trento). Portugal não era evidentemente destacado, dado ainda se encontrar sob administração filipina.
A memórias são escritas de uma forma curiosa, dado que Sully põe os secretários a contarem-lhe a sua própria vida. Não há propriamente um capítulo onde expressamente se desenvolva o projecto de Henrique IV. São os comentadores do texto, de acordo com os interesses da política externa de França, no tempo de Luís XIII e de Richelieu, que formulam o modelo de grand dessein, induzindo-o a partir de determinadas passagens das memórias, cerca de trinta, algumas das quais nem sequer constam do Livre trentième da primeira edição, em 1632.
Não são, de facto, Sully e Henrique IV que falam, mas antes os próceres de um certo modelo de imperialismo francês, na altura em que se esboça aquilo que virá a ser o sistema da Paz de Vestefália
·Mémoires
1632.
 
Sultanismo Uma das manifestações da legitimidade tradicional, segundo Weber.
 
Summa Política, 1649 Obra de Sebastião César de Menezes oferecida ao Príncipe D. Teodósio. Reflecte as teses do barroco político e da respectiva adequação ao movimento da razão de Estado. Considera que o Rei, e o Reino, formam um corpo político entre si; ambos vivem com o mesmo espírito, se não por união, ao menos por recíproca dependência. Salienta que o estado bem fundado na disciplina militar, resiste facilmente às próprias rebeliões, com dificuldade se deixa vencer das armas estranhas, e com algum cuidado pode estender seus limites. Neste sentido, observa que a prudência é seguir os costumes dos maiores que o tempo e experiência tem qualificado e que o vassalo cumpre com sua obrigação sendo bom, mas o Príncipe deve sê‑lo e parecê‑lo. Estado e disciplina militar, 129, 897– Política e razão de Estado 1649, 16, 115 (2ª ed. em latim, 1645; cfr. ed. port., Lisboa, Edições Gama, 1945, com
estudo de Rodrigues Cavalheiro).
 
Summa Theologiae ÖAquino, São Tomás de
 
Sumner, L. W., The Moral Foundations of Rights, Oxford, Oxford University Press, 1987.
 
 
 
 
Sumner, William Graham (1840-1910) Sociólogo e teólogo norte-americano. Professor em Yale, de 1872 a 1909. Adepto do darwinismo social. Nasce em New Jersey e estuda sociologia e teologia em Yale, Genebra, Gotinga e Oxford. Professor em Yale de 1866 a 1869 e de 1872 a 1910, na cadeira de Political and Social Sciences. Pastor da igreja episcopal. Presidente da Associação Americana de Sociologia.
·What Social Classes Owe to Each Other, Nova Iorque, 1883.
·Folkways. A Study of the Sociological Importance of Usages, Manners, Customs, Mores, and Morals,
Boston, Ginn., 1907.
·The Science of Society
4 vols., 1927-1928. Obra editada por Albert G. Keller.
·Essays of W. G. S.
New Haven, Yale University Press, 1934. Org. de A. G. Keller e Maurice Davie.
 
Sundquist, James L., The Dynamics of Party System, Washington D. C., Brookings Institution, 1973.
 
Super-homem Para Nietzsche, em Assim falava Zaratustra, de 1883, o mundo está dividido entre a raça dos super-homens ou senhores, os criadores de valores, e a dos escravos, ou degenerados, aqueles que não podem liberatar-se da moral.
 
Superpotência Em inglês superpower. Em Estado que, no plano internacional, dispõe de suficiente poder militar e económico que lhe permite ter uma influência global ou mundial, pelo que poder pressionar um qualquer outro Estado durante um longo período de tempo e sendo capaz de ter acções efectivas em zonas dependentes de outro Estado sem necessitar que o mesmo lhe dê de consentimento.
 
Supra-individualismo(nação, organismo, totalidade
unitária), 45, 290
 
Suratteau, Jean-René, L’Idée Nationale de la Révolution à nos Jours, Paris, Presses Universitaires de France, 1972.
 
 
Surkin, Marvin, Wolfe, Alan, eds., An End to Political Science. The Caucus Papers, Nova York, Basic Books, 1970.
 
Surrealismo Movimento litarário fundado em 11 de Outubro de 1924, por um grupo onde se destacam, Louis Aragon, Paul Éluard e André Breton. Este último define o movimento como dictée de la pensée, en l’absence de tout contrôle exercé par la raison, en dehors de toute préocupation esthétique et morale. Insurgiam-se contra o unanimismo de Jules Roman, o cubismo e o dadaísmo.
 
Susser, Bernard, Approaches to the Study of Politics, Basingstoke, Macmillan Press, 1992.
 
 
Sussex, Duque de Filho do rei inglês Jorge III. Reside em Portugal em 1801-1805, sendo hóspede do Senhor de Pancas. Venerável da maçonaria.
 
Sutton, F. X. Considera que todas as estruturas sociais se revelam poder e autoridade e que o território é que constitui o
cerne do sistema político.