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Lista de artigos

Artigos em grosso

Tiberghien

Ticino (Tessin)

Tilly, Charles

Timarquia

Timasheff, N. S.

Timocracia

Tinbergen, Jan

Tindemans, Relatório (1975)

Tinder, Glenn

Tinoco, António Lepierre (1913-1915)

Tipo Ideal (Weber)

Tirania

Tirania da Maioria

Tirania do Statu quo

Tiranicídio 

Tirol

Tismeneanu, Vladimir

Titmuss, R. M.

Tito

Tivey, L.

Tkaktchev, Piotr (1844-1885) 

 
Tiberghien Sucessor de Ahrens, no ensino, em Bruxelas
·Théorie de l'Infini
1846.
·Esquisse de Philosophie Morale
1854.
·Science de l'Âme
1862.
·Logique
1865.
 
óTicino (Tessin) Cantão suiço desde 1803
 
Tierno Galvan. Ver Galvan
 
 
 
Tilly, Charles Doutor em sociologia por Harvard (1958). Professor em Delaware, Harvard, Toronto e Michigan, aqui desde 1969. A partir de 1984, em Nova Iorque. Funda, com Barrington Moore e Theda Skocpol, o movimento norte-americano da chamada sociologia histórica do político. Partindo da análise da Vendeia, salienta que na revolução, há uma soberania múltipla: a revolução começa quando um governo, controlado anteriormente por uma entidade política soberana se torna objecto de reivindicações efectivas, concorrentes e exclusivas, provindas de duas ou mais entidades políticas. Conclui-se quando uma entidade política soberana única retoma o controlo do governo. Elabora a seguir uma teoria sobre a formação dos estados nacionais na Europa Ocidental, considerando o Estado como o contrário da sociedade tradicional, assinalando que o mesmo é constituído por três elementos: um povo, um território e uma organização política diferenciada.
·The Vendée
Cambridge, Mass., Harvard University Press, 1964. Cfr. trad. Fr. La Vendée, Révolution et Contre-Révolution, Paris, Librairie Arthème Fayard, 1970.
·An Urban World
Boston, Little, Brown, 1974.
·Strikes in France
Cambridge, Mass., Harvard University Press, 1974. Com Edward Shorter.
·The Formation of National States in Western Europe
Princeton, Princeton University Press, 1975 (ed.).
·Big Structures, Large Process, Huge Comparison
Newbury Park, Sage Foundation, 1977.
·The Rebellious Century. 1830-1930
Cambridge, Massachussetts, Harvard University Press, 1975. Com Luise A. Tilly e Richard Tilly.
·From Mobilization to Revolution
Reading, Massachussetts, Addison-Wesley, 1978.
·As Sociology Meets History
Nova Iorque, Academic Press, 1981.
·The Contentious French. Four Centuries of Popular Struggle
Cambridge, Mass., Belknap Press of Harvard University Press, 1986. Cfr. Trad. fr., La France Conteste, Paris, Librairie Arthème Fayard, 1986.
·Coercion, Capital and European States. AD 990-1992
Oxford, Blackwell, 1990. Cfr. Trad. port. De Geraldo Gerson de Souza, Coerção, Capital e Estados Europeus, São Paulo, Edusp, 1996.
·European Revolutions. 1492-1992
Oxford, Blackwell, 1992.
 
Timarquia Segundo Platão, é o governo dos nobres que buscam a honra e a fama; os nobres já estão divididos ao contrário do que acontecia no estado anterior; a desunião é produzida pela ambição; o conflito é entre a virtude e o dinheiro.
 
Timasheff, N. S. Considera que o Estado é totalitário "se o número de funções auxiliares do Estado é tão elevado que quase todas as actividades humanas são por ele reguladas", pelo que "o totalitarismo é um aspecto possível de qualquer sociedade" ÖTotalitarismo.
 
Timocracia. O governo de homens de mérito e de honra, onde, segundo Santayana, "a única igualdade subsistente seria a de oportunidades"
 
Tinbergen, Jan, The Study of Instinct, Oxford, Oxford University Press, 1951.
 
Tindemans, Relatório (1975)No ano de 1975 continua a senda das boas intenções no sentido da União Europeia. Leia-se, por exemplo, o relatório de Leo Tindemans onde se esboçam algumas das linhas de reforma institucional das comunidades que, contudo, apenas virão a ser concretizadas na era de Delors, tanto no Acto Único do Luxemburgo, como no próprio Tratado de Masstricht, desde o reforço do Parlamento Europeu e o esboço de uma política exterior e de uma política de defesa comuns, bem como a extensão da construção europeia aos domínios da cidadania e da cultura. O Conselho de Paris, de 10-11 de Dezembro de 1974, mandatara o primeiro-ministro belga Leo Tindemans para apresentar um relatório-síntese sobre o os objectivos da União Europeia e sobre os meios de a atingir. Em 29 de Dezembro de 1975, depois de uma série de consultas junto de instituições comunitárias, governos dos Estados Membros e diversas forças vivas, o relatório era remetido aos restantes parceiros europeus. Em vez de propor uma nova carta europeia ou uma constituição, criadora de uma organização nova, estabelece um cionjunto de medidas tendentes a aperfeiçoar a a aprofundar as instituições existentes. Primeiro, o reforço das competências do Parlamento europeu, nomeadamente pelo estabelecimento de um direito de iniciativa para o mesmo. Retorno ao sistema da deliberação por maioria no seio do Conselho. Transferância da cooperação política do puro quadro intergovernamental para o quadro comunitário, com a transformação do Conselho num centro de decisão único, de maneira a poder estabelecer-se uma política exterior comum.Que a União europeia se ocupe da política de defesa, nomeadamente pela cooperação na produção de armamento.Segundo as palavras do próprio Tindemans, a União Europeia implica que nos apresentemos unidos no mundo exterior. A nossa acção deve tornar-se comum em todos os domínios essenciais das nossas relações externas, quer se trate dwe política estrangeira, de segurança, de relações económicas, de cooperação. Acentua mesmo que a União Europeia ficará incompleta enquanto não tiver uma política de defesa comum.No mesmo sentido apontava o relatório Bertrand do Parlamento Europeu sobre a União Europeia, aprovado em 10 de Julho de 1975, onde se visian a reforma comunitária pela atribuição de poderes orçamentais para o Parlamento Europeu, pela criação de um centro de decisão europeu, independente dos governos nacionais e responsável perante o parlamento, bem como com a criação de uma Câmara dos Estados.A política de pequenos passos prosseguia: em 18 de Março de 1975, o conselho de ministros decidia a instituição de um Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional; em 22 de Julho, era assinado um tratado criando um Tribunal de Contas, que irá entrar em funcionamento em 1977.
 
Tinder, Glenn, The Crisis of Political Imagination, Nova York, Scribners, 1964.
Community, Baton Rouge, Louisina State University Press, 1980.
Political Thinking. The Perennial Questions, 5ª ed., Nova York, Harper Collins, 1991.
 
Tinoco, António Lepierre (1913-1915) Jornalista. Colabora em Revolução e no Diário de Notícias. Destacado militante do nacional-sindicalismo. O primeiro director do Diário Popular, até 1946.
 
Tipo Ideal (Weber) em Weber,33,218 Tipo ideal ou caso puro em Weber equivale à essência de Husserl,33,218
 
não é obtido pela generalização, mas pela racionalização utópica permitindo racionalizar o irracional. Para Weber pode, assim, explicar‑se um facto sem o compreender,porque a compreensão passa pelo caso particular, pela média ou aproximação e pela construção do tipo ideal ou caso puro.Uma concepção logicamente controlada,que,segundo o seu pensamento,corresponde às essências de Aristóteles e de Husserl.Entende,neste sentido,a sociologia como uma ciência que se propõe compreender por interpretação a actividade social e através disso explicar causalmente o seu desenvolvimento e os seus efeitos.
Uma relação compreensível não passaria de uma pura hipótese que só ganha valor científico pelas possibilidades de imputação causal.Só que a causalidade é múltipla, existindo sempre uma constelação causal que vai mudando.De qualquer modo a investigação causal não passa de um simples meio que tende para um fim,a inteligibilidade do real.
Esta ideia de causalidade adequada que se funda na racionalidade, teria de ser a do homem sociológico, do homem que age em função de fim, donde o reconhecimento da força histórica das ideias no desenvolvimento das sociedades.
 
Tirania Aquela forma de governo que não procura o consentimento nem a persuasão, mas a opressão e a violência, como já dizia Platão. Trata-se de um modelo que segue algumas das ideias de Xenofonte, o admirador de Esparta, que concebia, para Atenas, um governo militar.
São Tomás de Aquino
Tal como considera que a lei injusta não é propriamente lei, assim considera o tirano como o sedicioso, pelo que a luta contra o tirano (aquele que utiliza o poder no seu próprio interesse e não ao serviço do bem comum) não é sedição e a resistência à tirania é legítima. Salvo se da resistência resultar maior dano que a tirania ou se a tirania for considerada como justo castigo dos pecados cometidos pelo povo Mas a resitÊncia é prerrogativa da comunidade que só através dos seus representantes qualificados pode cometer o tiranicídio, nunca podendo os particulares matar o tirano por sus própria iniciativa ( teses contrárias à de João de Salisbúria (1110-1180) e de Juan Mariana (sec. XVI)
John Locke
Locke define a tirania como o exercício do Poder para além do Direito, onde o uso do Poder não é para o bem dos que lhe estão submetidos, mas para as vantagens privadas de quem o exerce. A vontade do detentor do poder passa a regra e os comandos e acções do mesmo não são dirigidas para a presrevação das propriedades do respectivo povo, mas para a satisfação das paixões desse detentor. A tirania não afecta apenas a monarquia, mas qualquer outra forma de governo. Assim, onde o direito termina, a tirania começa.
 
Fernando Pessoa
Entre nós, Fernando Pessoa, em Cinco Diálogos sobre a Tirania, refere-a como o exercício de força; de força para obrigar alguém a fazer ou não fazer qualquer cousa; que é exercida em virtude de um princípio exterior ao individualismo tiranisado; que esse princípio não é por ele aceite; e que da aplicação desse princípio nenhum benefício, mediato ou imediato, para ele resulta.
Hannah Arendt
Para Hannah Arendt, na tirania o poder é destruído pela violência, onde a violência de um destrói o poder de muitos, gerando-se um Estado em que não existe comunicação entre os cidadãos e onde cada homem pensa apenas os seus próprios pensamentos e levando ao banimento dos cidadãos do domínio público, para a intimidades das suas próprias casas, exigindo-lhes que se ocupem apenas dos assuntos privados. Assim, a tirania privou as pessoas da felicidade pública, embora não necessariamente do bem-estar privado. O governo que não procura o consentimento, mas antes a opressão e a violência. — A teoria escolástica do tirano. Tirano que não tem título e tirano pelo modo como exerce o poder. O tiranicídio. Os monarcómacos. –Tirania ministerial,130,904
4 Boesche, Roger, Theories of Tyranny. From Plato to Arendt, University Park, The Pennsylvania State University Press, 1995.4 Centre de Philosophie Politique et Juridique de L’Université de Caen, La Tyrannie, Caen, 1984.
4 Fishkin, James S., Tyranny and Legitimacy, New Haven, Yale University Press, 1979.4Strauss, Leo, On Tyranny. Including the Strauss-Kojève Correspondence, Victor Gourevitch, Michael S. Roth, eds., Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1991.
 
Tirania da Maioria
Guinier, Lani, The Tyranny of the Majority. Fundamental Fairness in Representative Democracy, Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1995.
 
Tirania do Statu quo
Friedman, Milton e Rose, Tyranny of the Status Quo, Nova York, Harcourt Brace Jovanovich, 1984.
 
Tiranicídio Assume particular destaque a teoria do tiranicídio.Se a anterior teoria escolástica considerava que o tirano apenas podia ser morto por representantes autorizados do povo,alguns autores escolásticos vão passar a defender que ele pode ser morto até por um indivíduo isolado. Entre estes,o jesuíta espanhol Juan de Mariana(1536‑1624) que,em De Rege et Regis Institutione,editado em Toledo em 1599,assume tal posição radical,que o coloca ao lado dos próprios monarcómanos. Para ele só a qualificação do tirano é que não pode ser arbitrária,exigindo‑se notoriedade ou prévia decisão da colectividade.O facto de ter dado como exemplo de justo tiranicidio,o assassinato do rei de França Henrique III,ocorrido em 1589,levou a que o livro fosse queimado publicamente em Paris,em 1610,na sequência do assassinato de um novo rei,Henrique IV.
 
Tirol Região dos Alpes orientais que, desde 1919, ficou repartida entre a Áustria (Tirol, com a capital em Innsbruck) e a Itália (Trentino-Alto Ádige, com a capital em Trento). Antigo condado que foi legado aos Habsburgos em 1363; entre 1805 e 1814, Napoleão integrou a região na Baviera
 
Tismeneanu, Vladimir, Reinventing Politics. Eastern Europe from Stalin to Havel, Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1993.
 
Titmuss, R. M., Essays on the Welfare State, Londres, Unwin, 1958.
 
 
Tivey, L., ed., The Nation-State. The Formation of Modern Politics, Oxford, Martin Robertson, 1980.
 
Tkaktchev, Piotr (1844-1885) Tkatktchev, que não era marxista, introduziu na Rússia as teses jacobinas e blanquistas, influenciando profundamente Lenine, nomeadamente quanto à concepção organizacional de um partido revolucionário. Também Berdiaev salienta que Tkaktchev, ao preconizar a utilização pela minoria revolucionária do aparelho governamental, será muito mais precursor do bolchevismo do que Marx e Engels Assume-se como defensor de uma espécie de homem novo, preconizando a conquista do poder por uma minoria revolucionária, com utilização do aparelho governamental para o lançamento de uma revolução a partir de cima. Com efeito, Tkaktchev, a partir do jornal O Rebate (Nabat), rejeitava as teses espontaneístas defendidas pelo populismo, considerando que o povo deixado a si próprio não seria capaz de realizar a revolução social... esse papel e essa missão pertencem exclusivamente à minoria revolucionária. Assim, partindo do princípio que a força material se centra no poder estatal, dizia que a autêntica revolução só pode realizar-se com uma condição: a conquista do poder estatal pelos revolucionários. Por outras palavras, o objectivo próximo e imediato da revolução tem de consistir precisamente em conquistar esse poder e em transformar o Estado conservador num Estado revolucionário. Para ele, a luta só pode realizar-se com êxito nas seguintes condições: centralização, severa disciplina, rapidez, decisão e unidade na acção. A concessão, a incerteza, o compromisso, a fragmentação da ordem, a descentralização das forças na luta não fazem mais do que debilitar as suas energias, paralizar a sua obra, eliminar toda a possibilidade de vitória. A actividade revolucionária construtiva, pelo contrário, ainda que tenha de levar a cabo a actividade destrutiva, tem que basear-se, pelo seu carácter fundamental, em princípios absolutamente opostos. Se a primeira se baseia, antes de mais, na força material, a segunda apoia-se numa força moral. A primeira tem sobretudo em conta a rapidez e a unidade, a segunda, a solidez e a vitalidade das transformações conseguidas. A primeira deve realizar-se com a violência, a segunda com a convicção. A última ratio da primeira é a vitória, a última ratio da segunda é a vontade, a razão do povo.