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Lista de artigos

Artigos em grosso

Tocqueville,

Todd, Emmanuel

Todo  e partes

Todo e Estado

Todo o real é ideal

Todorov, T.,

Toffler, Alvin

Togliatti, Palmiro 

Togo

Toinet, Marie-France

Toland

Tolerância

Tolstoi, Conde LEV ou LEO Nikolayevich (1828-1910)

Tomás (São) de Aquino  (

Tomás, Américo (1894

Tomás, Manuel Fernandes  (1770-1822)

Tonga, Reino de

Tönnies, Ferdinand Julius (1855-1936)

Tópica

Torga, Miguel

Torgal, Luís Reis

Tories

Torres, Alberto

Torres, Camilo

Torres, João Camilo de Oliveira

Torres, Joaquim José Monteiro

Torstendahl, Rolf

Tortura

Toscana

Totaler Krieg

Totalitarismo

Totalitarismo, características do

Totalitarismo, interpretações do

Touchard, Jean

Toulemon, A.

Toulemont, Robert

Toulmin, Stephen

Toulouse

Tour du Pin, René de la (1834-1924)

Touraine, Alain (n. 1925)

Toynbee, Arnold Joseph (1889-1975)

 

Tocqueville, Charles Alexis Clérel de (1805-1859) Filho de altos dignitários do ancien régime (o pai foi prefeito durante a Restauração). Estuda em Metz e Paris, onde se forma em direito (1825). Juiz em Versalhes desde 1827. De Maio de 1831 a Fevereiro de 1832, visita os Estados Unidos na companhia de Gustave de Beaumont para estudar o sistema penitenciário. Demite-se da magistratura em 1832. Publica, com Baeumont, em 1833, Du Système Pénitenctiaire aux étas-Unis et de son application en France. Nesse ano visita a Inglaterra. Em 1835 aparecem os dois primeiros tomos de La Démocratie en Amérique. Visita novamente a Inglaterra e a Irlanda nesse ano. Em 1836, a Suíça. Candidata-se às eleições legislativas em 1837, sem sucesso. Eleito membro da Academia das Ciências Morais e Políticas em 1838. Ascende a deputado em 1839, mantendo-se em tais funções até 1851. Surgem os dois últimos tomos de La Démocratie en Amérique em 1840. Eleito para a Academia Francesa em 1841, visitando a Argélia nesse ano. Repete a viagem cinco anos depois. Apoia Cavaignac em 1848. De 2 de Junho a 30 de Outubro de 1849 é ministro dos estrangeiros, tendo Arthur de Gobineau como chefe de gabinete. Retira-se da vida política em 2 de Dezembro de 1851. Visita a Alemanha em 1854. Publica a primeira parte de L'Ancien Régime et la Révolution em 1856. Visita a Inglaterra em 1857.
·De la Démocratie en Amérique
(1835 e 1840
·De l'Ancien Régime à la Révolution
(1856).
 
4«L'Actualité de Tocqueville», Actas do Colóquio de Saint-Lô, Setembro de 1990, in Cahiers de Philosophie Politique et Juridique, Universidade de Caen, 1991, com artigos de: Bénéton, Philippe, «La Culture Démocratique», pp.*. Furet, François, «L'Importance de Tocqueville Aujourd'hui», pp. 135 segs.. Goyard-Fabre, Simone, «La Pensée Politique d'Alexis de Tocqueville», pp. 21 segs.. Manent, Pierre, «Intérêt Privé, Intérêt Public», pp. 67 segs.. Polin, Raymond, «Tocqueville entre l'Aristocracie et la Démocratie», pp. 45 segs..4Corral, Luis Diez Del, La Mentalidad de Tocqueville con especial referencia a Pascal, 1965. ¾La Desmitificación de la Anteguedad Clásica por los Pensadores Liberales, con especial referencia a Tocqueville, 1969. ¾El Pensamiento Político de Tocqueville, 1989.4Hadari, Saguiv A., Theory in Pratice. Tocqueville’s New Science of Politics, Stanford, Stanford University Press, 1989.4Lamberti, Jean-Claude, Tocqueville et les Deux Démocraties, Paris, Presses Universitaires de France, 1983.4Aron, Raymond, Les Étapes de la Pensée Sociologique, Paris, Éditions Gallimard, 1967, pp. 221 segs..}Diez del Corral, Luis, La Mentalidade Politica de Tocqueville con especial referencia a Pascal, Madrid, Ediciones Castilla, 1965. 4Prélot, Marcel, As Doutrinas Políticas, 3, secção «A Realidade Democrática: Alexis de Tocqueville», pp. 172.
 
Todd, Emmanuel Analisando o confronto entre autoridade e liberdade, contraria as teses de Weber sobre a emergência do capitalismo, salientando o papel das estruturas familiares em lugar das clivagens entre protestantismo e capitalismo. O liberalismo nasceu a partir da família nuclear do ocidente europeu, contrariamente ao modelo da família extensa do Leste da Alemanha, marcada por um modelo patriarcal e autoritário. O modelo inglês foi mais longe, devido à liberdade de disposição testamentária, que originou uma maior plasticidade social, favorecendo a iniciativa individual (1983).
·La Chute Finale
Paris, Éditions Robert Laffont, 1976.
·L’Invention de la France
Paris, Éditions Hachette, 1981.
·La Troisième Planète. Structures Famililaes et Systèmes Politiques
Paris, Seuil, 1983.
·L’Invention de l’Europe
Paris, Éditions du Seuil, 1990.
 
Todo e Estado Rousseau define o Estado como a acção do todo sobre o todo. Kant refere-o como um ser comum instaurado a partir de uma multidão de seres razoáveis, algo que passa a ser um fim em si mesmo. Aron, nesta sequência, refere-o como a colectividade considerada como um todo.
 
Todo e partes A dialéctica de Hegel começa por considerar o todo antes das partes e o complexo antes do simples.
 
Todo de ordemÖTomás (São)
 
Todo o real é ideal Se para todos os jusnaturalismos era imprescindível a tensão entre o direito estabelecido e uma ordem superior, a Escola Histórica do Direito considera que todo o real é ideal, naquilo que Radbruch qualifica como uma uma atitude piedosa em face de toda a realidade. Neste sentido, retoma o conceito hobbesiano de direito natural, assumindo uma espécie de humanidade naturalizada através de um direito que se estabelece espontaneamente no seio da cidade, que rege as regras da vida colectiva, mesmo que a sua actualização não reclame uma decisão deliberada, uma vontade expressa, um projecto consciente. Deste modo, o direito natural dos românticos não tem nenhuma realidade ideal que seja prévia à humanidade particular que o mesmo reja …não transcende, de nenhuma maneira, as diversas humanidades particulares (Legros).
 
Todorov, T., Nous et les Autres. La Réflexion Française sur la Diversité de la Nature Humaine, Paris, Éditions du Seuil, 1989.
 
Toffler, Alvin
· The Third Wave
Londres, Collins, 1980. Cfr. trad. port., A Terceira Vaga, Lisboa, Livros do Brasil, 1984. A edição brasileira A Terceira Onda, Rio de Janeiro, Record, 1982.
·Choque do Futuro. Do Apocalipse à Esperança
[ed. orig. 1970], trad. port., Lisboa, Livros do Brasil, 1983.
·Os Novos Poderes
[ed. orig. 1990], trad. port., Lisboa, Livros do Brasil, 1991.
·Guerra e Anti-Guerra
[ed. orig. 1993], trad. port., Lisboa, Livros do Brasil, 1994. Com Heidi Toffler.
 
Togliatti, Palmiro (1893-1964) Líder dos comunistas italianos depois de 1944. Adopta as teses de Gramsci. Defende, em 1964, o chamado policentrismo do movimento comunista internacional, base do chamado eurocomunismo de Berlinger. Fala no comunismo das pátrias e da transformação do internacionalismo proletário num movimento com vários conjuntos regionais.
 
Togo Estado africano com 56 785 km2 e 4 300 000 habitantes. Antiga possessão alemã, desde 1884, ocupada por tropas franco-britânicas durante a Grande Guerra. A parte oriental desta colónia de 85 000 km2 integra-se na colónia britânica do Ghana em 1956, depois de referendo. A parte ocidental, como possessão francesa, entra em regime de autonomia logo em 1958, sendo eleito como líder Sylvannus Olympio, do clã dos brasileiros, antigos escravos libertados que constituem uma das elites do país. Alcança a independência em 27 de Abril de 1960. É na capital do território que se assinam os Acordos de Lomé entre a CEE e os Estados ACP:
 
Toinet, Marie-France, ed., L’État en Amérique, Paris, Presses de la Fondation Nationale des Sciences Politiques, 1989.
 
 
Tolerância A tolerância é um dos tais valores que se mede sobretudo pela intolerância. Tem, sobretudo, a ver com a tolerância religiosa, com a liberdade de cultos. Não nos esqueçamos também que o próprio conceito de soberania nasceu conjunturalmente no seio de um Estado em guerra civil religiosa, constituindo primacialmente um expediente teórico destinado a propagar a tolerância e a conciliação entre grupos incapazes de se coordenaram pelo princípio do cujus regio.
adepto da tolerância e também membro destacado do partido dos malcontents ou  politiques,Jean Bodin É desta intenção de unidade religiosa que vão resultar as perseguições aos cristãos,mais por uma Razão de Estado do que pela intolerância religiosa,até ao momento em que pelo Edito de Tessalonica,de 380,o feitiço se volta contra o feiticeiro e o cristianismo se vai transformar na religião oficial do Império :ordenamos que...todas as pessoas abracem o nome de cristãos e católicos,declarando que os dementes e insensatos que sustentam a heresia e cujas reuniões não recebem o nome de igrejas,hão‑de ser castigados primeiro pela justiça divina e depois pela pena inerente ao incumprimento do nosso mandato,mandato que provém da vontade de Deus.
Para Locke a vox populi,não é vox Dei:os que negam a existência de um poder divino,não devem ser tolerados...Suprimindo a crença em Deus,tudo se dissolve...Ninguém pode reivindicar em nome da religião, o privilégio da tolerância,se elimina completamente toda a religião,professando o ateísmo.
Neste sentido Mill vai procurar os princípios fundamentais dos fundadores do liberalismo,como os de Locke da tolerância,considerando que a liberdade é procurar o nosso próprio bem à nossa própria maneira mas de tal forma que não tentemos privar os os outros da liberdade deles ou entravar os respectivos esforços para a obterTolerância em Mill,116,807
Tal como dizia Voltaire, que Popper cita a tolerância é a consequência necessária do reconhecimento de que somos falíveis: errar é humano, e todos nós cometemos erros permanentemente.Então perdoemo‑nos uns aos outros as nossas loucuras.É este o fundamento do direito natural
 
 
 
Tolstoi, Conde LEV ou LEO Nikolayevich (1828-1910) Autor de Guerra e Paz, de 1869, Ana Karenina, de 1877, e de Ressurreição, de 1899.
 
 
Tomás (São) de Aquino (1225-1274) Oriundo de uma família nobre do Sul de Itália, aparentada com Frederico Barba Ruiva, nasceu no castelo de Roccasecca, perto de Aquino, nos arredores de Nápoles. Depois dos primeiros estudos no convento beneditino de Monte Cassino e de ter seguido o trivium e o quadrivium na cidade de Nápoles, eis que, contrariando os desejos da família, entrou em 1244 na ordem dos dominicanos. Vai então estudar com Santo Alberto Magno, primeiro na universidade de Paris e depois em Colónia. Em 1257, já como professor em Paris, recebe o título de mestre em teologia. Canonizado logo em 1323 por João XXII, papa de Avinhão. Com ele dá-se o regresso da política que havia sido expropriada pelo imperialismo e pela teocracia, retomando-se as teses de Aristóteles, numa perspectiva paralela à assumida por Averróis no islamismo e por Maimónidas no judaísmo. Dá-se também uma cristianização da política aristotélica. Tudo foi provocado pela emergência de uma nova realidade nascida na Europa dos séculos XII e XIII, o regnum que também designa por civitas, communitas civilis e societas politica. Considera que este tanto deriva de um elemento natural ou necessário (a inclinação natural do homem para viver em sociedade) como de um elemento voluntário (o consentimento dos membros do reino). Porque os homem é um animale civile, um animal cívico, um naturaliter sociale animal, um animal naturalmente social. A civitas é vista como uma unidade de ordem e não como uma unidade substancial, isto é, não se dá a fusão dos respectivos membros num ser único, como assume o organicismo posterior, dado que ela apenas engloba os cidadãos, não os absorvendo. Porque todas as coisas estão ordenadas para um fim, a civitas é entendida como mera unidade de relação apenas dotada de uma essência relacional, porque só o indivíduo tem substância própria. A cidade não passa de mera forma, dado que os indivíduos é que constituem a matéria. Há apenas um todo de ordem e não um todo contínuo, uma perspectiva orgânica ou totalista, mas não uma visão organicista ou holística. Neste sentido considera que a unidade de ordem, como unidade de fim, implica que o bem individual tenha de submeter-se ao bem comum. Porque o todo, por causa do fim, é mais do que a soma das partes. O que o marca é o bem comum, a síntese da ordem e da justiça, deste modo divergindo do atomicismo. A cidade assume-se como uma comunidade perfeita, onde tanto se atinge a auto-suficiência, o facto da cidade se bastar a si mesma, como se procura o bem viver. Como efeito, há duas condições para que se atinja a boa sociedade: uma secundária e quase instrumental, a suficiência dos bens corporais; outra, primária, o viver segundo a virtude, onde virtude é aquilo por que se vive.
·Summa Theologiae
(1266 - 1273) Cfr. Trad. cast., Suma Teologica, Madrid, Biblioteca de Autores Cristianos, 1967 - 1968 (ed. bilingue em latim e castelhano); trad. fr., La Somme Théologique, 4 vols., Paris, Éditions du Cerf, 1984 - 1986; trad. port. Suma Teológica, de Alexandre Correia, São Paulo, Editora Odeon, 1936.
·De Regimine Principum
(1265 - 1266), obra dedicada ao rei de Chipre e continuada por Ptolomeu de Luca (cfr. trad. cast. Del Gobierno de los Principes, Buenos Aires, Losada, 1964). Também dita De Regno.
·Commentaria à Politica de Aristóteles.
 
 
 
4Ambrusetti, G., coord., San Tommaso e la Filosofia del Diritto Oggi, Città Nuova, 1980.4Ameal, João, S.Tomás de Aquino, Porto, Livraria Tavares Martins, 1938. Brito, António José, «S.Tomás e o Personalismo», in Revista Futuro Presente, nºs. 5-6.4Moncada, Luís Cabral, Universalismo e Individualismo na Concepção de Estado. São Tomás de Aquino, Coimbra, Livraria Arménio Amado, 1943.
 
 
 Tomás, Américo (1894 Américo de Deus Rodrigues Tomás. Presidente da República de 1958 a 1974. Oficial da marinha. Ministro da marinha. Autor do célebre despacho nº 100, de 10 de Agosto de 1945, sobre a renovação da marinha mercante. Opõe-se ao modelo de reforma de Santos Costa e tem como principal conselheiro José Soares da Fonseca. Em 1 de Julho de 1972 a ANP anuncia que o propõe para a reeleição presidencial.Publica em 1983
 
 
 
Tomás, Manuel Fernandes (1770-1822) Jurista. Nomeado em 1796 síndico e procurador fiscal da Figueira da~Foz, sua terra natal. Demitido e preso por entrar em conflito com o juiz de fora. Reabilitado por José Seabra da Silva em 1801, é então noemado juiz de fora em Arganil. Em 1805 aparece como superintendente das alfândagas de Coimbra, Leiria e Aveiro. Retira-se em finais de 1807 para a Figueira, aderindo à revolta contra os franceses. Provedor da comarca de Coimbra de 1808 a 1810, quando é nomeado pelos ingleses intendente-geral de víveres do exército. Passa em 1811 para desembargador da Relação do Porto. Funda o Sinédrio em 1818. Chefia o golpe de 24 de Agosto de 1820. Deputado, é autor do Relatório sobre o estado e administração do reino de 3 de Fevereiro de 1821. Encarregado dos negócios do reino e da fazenda, assistente da junta de governo nomeada em 27 de Setembro de 1820, auxiliado por Ferreira Borges e Silva Carvalho. Morre em 19 de Novembro de 1822. Autor de um Repertorio Geral ou Indice Alphabetico das Leis Extravagantes do Reino de Portugal, 1815.
1
·Humberto de Sousa Araújo, Manuel Fernandes Tomás, in Jurisconsultos Portugueses do Século XIX, 2º vol., edição do Conselho Geral da Ordem dos Advogados, Lisboa, 1960, pp. 90 ss.
 
Tönnies, Ferdinand Julius (1855-1936) Sociólogo alemão. Doutor rm filologia clássica por Tubinga (1877). Professor em Kiel de 1881 a 1933. Presidente da Sociedade Alemã de Sociologia. Celebrizado pela sua distinção entre comunidade e sociedade, a primeira baseada na vontade orgânica e a segunda na vontade reflectida, mas entendidas como casos ideais. Na sua Introdução à sociologia, de 1931, abandonou a rigidez da primitiva distinção, fazendo acrescer à oposição sociedade/ comunidade, outras noções como as de relação social, unidade social e corporação, chegando, por cruzamentos vários , a doze tipos de sociabilidade. Detido pelos nazis em 1933.
·Gemeinschaft und Gesellschaft
1887. Cfr. trad. Ing. Community and Association, Londres, Routledge & Kegan Paul, 1955.
·Entwicklung der sozialen Frage
1907.
·Die Sitte
1909.
·Der englische Staat und der deutsche Staat
Berlim, Karl Curtius, 1917.
·Thomas Hobbes, der Mann und der Denker
1922 (2ª ed.). Trad. cast. de Eugenio Imaz, Thomas Hobbes, su Vida y su Obra, Madrid, 1932.
·Kritik der öffentlichen Meinung
Berlim, Stringer, 1922.
·Soziologische Studien und Kritiken
1925-1929, 3 vols..
·Einfuhrung in die Soziologie
1931.
 ·Geist der Neuzeit
1935.
 
 
Tonga, Reino de Estado polinésio, com 748 km2 e 100 000 habitantes. Antigo protectorado britânico, independente desde 1970.
 
Tópica Os topoi são os fundamentos consensuais, comunitariamente pelo contexto social. Para Chaim Perelman o raciocínio prático não deve inspirar-se num modelo matemático, mas na virtude (phronésis) aplicável às ocorrências, à medida e consideração de aspirações diversas e interesses múltiplos. Neste sentido, em vez de definições, importa o estabelecimento de tópicos, isto é, dos pontos de vista utilizáveis em múltiplas instâncias, com validade geral, que servem para a ponderação dos prós e dos contras das opiniões e podem conduzir-nos à verdade, conforme a definição de Theodor Viehweg.
 
 
Torga, Miguel (1995) Nome literário do médico Adolfo Correia da Rocha. Morre em 17 de Janeiro de 1995.
 
Torgal, Luís Reis Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Discípulo de José Sebastião da Silva Dias.
·Tradicionalismo e Contra-Revolução. O Pensamento e a Acção de José da Gama e Castro
Coimbra, Universidade de Coimbra, 1973.
·Ideologia Política e Teoria do Estado na Restauração
2 vols., Coimbra, Biblioteca Geral da Universidade, 1981.
 
Torres, Alberto de Seixas Martins (1865-1917) Político e pensador brasileiro. Formado em direito por São Paulo em 1865. Participa nas lutas abolicionistas e assume a militância republicana e positivista. Parlamentar e governador do Estado do Rio de Janeiro. Membro do Supemo Tribunal Federal. Critica o modelo parlamentar, defendendo o que qualificou como autoritarismo instrumental. Influenciado por Spencer e pelo darwinismo social, acaba por influenciar o modelo político brasileiro de Getúlio Vargas, principalmente através do seu discípulo Oliveira Viana. É fortemente criticado por Alceu Amoroso Lima. Assume o cientificismo de Comte e teoriza o nacionalismo brasileiro.
·A Organização Nacional
Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1914.
·O Problema Nacional Brasileiro
Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1914.
·As Fontes da Vida no Brasil
Rio de Janeiro, 1915.
 
Torres, Camilo (1926-1966) Sacerdote, sociólogo e guerrilheiro colombiano. Estuda direito em Bogotá e teologia num seminário dominicano. Já depois de ordenado, aperfeiçoa estudos de sociologia em Lovaina. Em 1965 lança uma plataforma para aquilo que qualificou como Movimento Popular Unido, visando um compromisso de democratas-cristãos e liberais com os próprios comunistas. A hierarquia eclesiástica considera a ideia inconciliável com a doutrina social da Igreja. Expulso, passa a cooperar com o movimento guerrilheiro Fidelista Ejercito de Liberación Nacional e funda o jornal Frente Popular, onde advoga um programa socialista moderado. Acaba como simples guerrilheiro, invocando o grito Liberdade ou Morte. Cai numa emboscada e é morto em combate no dia 15 de Fevereiro de 1966.
 
Torres, João Camilo de Oliveira Tradicionalista católico brasileiro, assumidamente monárquico, tradutor de Juan Donoso Cortés.
·A Libertação do Liberalismo
Rio de Janeiro, Casa do Estudante do Brasil, 1949.
·Democracia Coroada
Rio de Janeiro, José Olympio, 1957.
·O Positivismo no Brasil
Petrópolis, Vozes, 1957.
·Do Governo Régio
1958.
·Harmonia Política
1961.
·O Mundo em Busca de Segurança
1961.
·A Estratificação Social no Brasil
São Paulo, Difel, 1965.
·Natureza e Fins da Sociedade Política
Petrópolis, Vozes, 1968.
·História das Ideias Religiosas no Brasil
São Paulo, Grijalbo, 1968.
·A Evolução do Catolicismo no Brasil
Petrópolis, Vozes, 1972.
 
 
Torres, Joaquim José Monteiro Almirante. Nomeado pela regência estabelecida pelas Cortes, ministro da marinha, em 26 de Janeiro de 1821. Ministro da marinha e ultramar no governo nomeado por D. João VI em 4 de Julho de 1821, até 7 de Setembro do mesmo ano. Ministro da marinha e ultramar de 7 de Setembro de 1821 a 28 de Maio de 1823. Ministro da marinha e ultramar de 15 de Janeiro de 1825 a 1 de Agosto de 1826, no governo de Lacerda/ Barradas.
 
 
Tories O grupo foi afastado do poder em 1714 quando passaram a reina os Hanover, mas regressam com Jorge III, dominando o poder entre 1783 e 1830, à excepção dos anos de 1806-1807.
 
Torstendahl, Rolf, ed., State Theory and State History, Newbury Park, Sage Publications, 1992.
 
Tortura Inflingir maus tratos extremos. O anterior processo inquisitório admitia o uso da tortura para a obtenção da confissão do arguido, dado considerá-la como a rainha das provas. Foi contra esta opinião dominante que o iluminismo humanitarista reagiu, nomeadamente através dos escritos de Cesare Beccaria.
 
Toscana Entidade herdeira de Florença, desde os fins do século XVI; de tusci, nome dado aos etruscos; em 1530, Carlos V restabeleceu o poder dos Medicis em Florença, elevando Alexandre à categoria de duque de Florença; em 1569, Cosme de Medici tornou-se Grão-Duque da Toscana. Em 1737 é extinta a linha Medici e o Grão-Ducado é dado a Francisco de Lorena, marido da imperatriz Maria Teresa; o filho destes, Leopoldo I passa a imperador em 1790. Foi ocupada pelos franceses em 1799; em 1801 Napoleão cria o reino da Etrúria que, em 1807, é directamente integrado no Império francês, sendo nomeada Grã-duquesa da Toscana, Elisa, irmã de Napoleão; em 1814 volta para os Habsburgos. Actual região do centro de Itália, com a capital em Florença, incluindo as cidades de Piesa, Sienna e Carrara
 
Totaler Krieg A guerra total. Método advogado pelo nazismo, invocando-se num slogan o facto da guerra total ser a mais curta.
 
Totalitarismo A invenção do conceito. Giovanni Gentile e o Stato totalitario. Mussolini e a defesa de um partido que governa totalitariamente uma nação. Carl Schmitt e o totale Staat. — Os antecedentes históricos. A ditadura teocrática de Calvino. O modelo inquisitorial da Contra-Reforma. O modelo de totalitarismo racional de Hobbes. O terrorismo jacobino. — As experiências contemporâneas. Nazismo, estalinismo e maoismo. — As primeiras teorizações antifascistas e anticomunistas. Raul Proença, Luigi Sturzo e Victor Serge. — Os modelos teóricos da guerra fria. As teses de C.J. Friedrich e Zbigniew Brzezinski, Totalitarian Dictatorship and Autocracy, 1956 (ideologia oficial, partido único de massas, sistema terrorista de controlo policial, monopólio quase completo dos meios de comunicação de massas e dos meios armados, controlo e direcção central da economia). A posição de Hannah Arendt, The Origins of Totalitarianism, 1951 (a ideologia como instrumento de manipulação, o terror). Raymond Aron, Democratie et Totalitarisme, de 1965 (um partido que monopoliza a vida política, uma ideologia transformada em verdade oficial do Estado, terror ideológico e policial). J.L. Talmon, The Rise of Totalitarian Democracy, 1952. — As revisões do conceito. Aproximação ao marxismo: o despotismo oriental (Wittfogel e Barrington Moore). Teses de H. J. Spiro, de 1972; Leonard Schapiro (Totalitarianism, 1981) e Giovanni Sartori (1992). — Tese de Vaclav Havel: diferença entre ditaduras clássicas, totalitarismos e pós-totalitarismos. — Os modelos concentracionários. — Os modelos autoritários. Estado de Segurança Nacional.
 
Qualitativamente diferente da tirania é a experiência contemporânea do totalitarismo, como se manifestou no estalinismo, no nazismo e no maoísmo, apesar de alguns antecedentes históricos, como a ditadura teocrática de Calvino, o modelo inquisitorial da Contra-Reforma, a república dos santos de Cromwell ou o terrorismo jacobino. Segundo Carl J. Friedrich e Zbigniew Brzezinski, o totalitarismo teria seis grandes características: -uma ideologia oficial entendida como corpo de doutrina que abrange todos os aspectos vitais da existência humana, À qual todos os que vivem nessa sociedade deve aderir, pelo menos, passivamente
-um único partido de massas dirigido tipicamente por um homem e que é organizado hierarquicamente e de forma oligárquica, acima ou totalmente ligado à organização burocrática do governo
- a existência de um sistema de controlo policial terrorista que é dirigido não só contra inimigos declarados, mas também arbitrariamente para certas classes da população, com uma polícia secreta que utiliza a psicologia científica;
-os meios de comunicação de massa estão sob monopólio quase completo
- a existência de situação idêntica no que diz respeito aos meios armados
- controlo e direcção central de toda a economia. Mais recentemente Giovanni Sartori, veio utilizar outro modelo para a conceitualização do totalitarismo, fazendo nele imbricar as degenerescências do autoritarismo e da ditadura. Utilizando cada uma das três categorias como modelos abstractos, marcados por determinadas características, vem considerar que na realidade, os diversos regimes degenerados vão pontuando, segundo vários critérios, numa de três tipologias - totalitarismo (t), autoritarismo (a) e ditadura simples (d), conforme os critérios da ideologia, da penetração do Estado na sociedade civil, da coerção, da independência dos subgrupos dentro do Estado em causa, as políticas face a outros Estados, da arbitrariedade do poder, do centralismo do partido.. Quanto à ideologia, ela pode ser forte e totalística (t), não totalística (a) e irrelevante ou fraca (d). A penetração do Estado na sociedade civil pode ser extensiva (t), modesta (a) ou nenhuma (d). A coerção pode ser alta (t), média (a) ou média baixa (d). A independência dos subgrupos pode ser nenhuma (t), limitada a grupos políticos (a) ou permitida com excepções (d). As políticas face a outros grupos estaudais pode ser destrutiva (t), exclusivista (a) ou errática (d). A arbitrariedade pode ser ilimitada (t), dentro de limites prévios (a) ou errática (d). O centralismo do partido pode ser essencial (t), útil (a) ou mínimo ou nenhum (d). Segundo o critério da ideologia, entendida como um sistema de crenças idêntico ao de uma religião, uma interpretação substantiva do mundo ou uma simples forma mentis, a gradação passaria por um crescendo. Quanto à penetração do Estado (aparelho de poder) na sociedade civil, o totalitarismo seria aquele regime que destrói a separação entre o público e o privado. Já não estaríamos perante o L'État c'est moi, do despotismo esclarecido, mas antes naquilo que Trotski disse de Estaline: La Societé c'est moi.
Mussolini, por exemplo, apesar de ter proclamado o tudo no Estado, nada fora do Estado, não passou da retórica, dado que na Itália fascista continuaram a florescer vários nichos de autonomia da sociedade civil..
O totalitarismo assumir-se-ia sempre como uma negação de uma concepção pluralista da sociedade. Seria, pelo menos, a destruição da crença no valor do pluralismo.
Já quanto ao critério da coerção ou mobilização, Sartori refere que a capacidade de mobilização tanto pode resultar da densidade organizacional como do fervor ideológico, sublinhando que a concentração do poder (isto é, a não separação dos poderes) não pode ser confundida com a respectiva centralização, da mesma forma como um sistema monista não tem que ser monolítico.
A este respeito, se C. J. Friedrich colocava como um dos elemento definidores do totalitarismo, um sistema policial terrorista (terrorist police system), já Sartori considera que o terror é contingente num sistema totalitário, não sendo uma característica necessária, porque quando o controlo totalitário entrou na rotina, o terror tornou-se supérfluo.
Quanto ao critério da arbitrariedade, Sartori define-o como o exacto contrário da rule of law, do Estado de Direito.
Aceitando o essencial desta perspectiva, acrescentaremos que são possíveis três concepções de totalidade política e, consequentemente três modelos de totalitarismo.
No Estado fascista e, em certo sentido, no absolutismo, é o Estado, qua tale, que domina e forma a sociedade, suprimindo a liberdade desta;
No Estado soviético, surge o Estado-Partido, primeiro, com Lenine, onde temos um partido totalitário visando a reconstrução total da sociedade, depois, com Estaline, com um Estado totalitário que subordinou totalmente a sociedade, e, finalmente, com Brejnev, onde surge um Estado totalmente estagnado, dominado por um partido totalitário corrupto.
Num terceiro modelo, como foi praticado pelo nazismo, o Estado e a Sociedade já se reúnem numa unidade nova, através de uma espécie de terceira força: o povo político formando um todo, através de um movimento que transforma o Estado num simples aparelho administrativo.
 
 
Foi com o modelo fascista de Benito Mussolini (1883‑1945), que em 1925 se assumiu o lema do nada fora do Estado, acima do Estado, contra o Estado. Tudo no Estado, dentro do Estado, ao mesmo tempo que se tentava substituir à velha tríade da revolução francesa, da liberté, égalité, fraternité, pela fascista trindade de autoridade, ordem, justiça. O próprio Mussolini, no artigo Fascismo, publicado em 1929, e rescrito por Giovanni Gentile, na Enciclopedia Italiana, definia o respectivo Estado como stato totalitario, proclamando: pode pensar‑se que o século actual é o século da autoridade, um século de 'direita', um século fascista; e que se o século XIX foi o século do indivíduo (liberalismo significava individualismo), podemos pensar que o século actual é o século 'colectivo' e, por consequência, o século do Estado. Três anos depois, em La Dottrina del Fascismo, já considerava que para o fascista, tudo está no Estado e nada de humano e espiritual existe, e muito menos tem valor, fora do Estado. Neste sentido, o fascismo é totalitário e o Estado fascista, síntese e unidade de todos os valores, interpreta, desenvolve e potencia toda a vida do povo. O fascismo, com efeito, sublimou o Estado, transformando‑o num fim em si mesmo. Como dizia Sergio Panunzio, um dos seus doutrinadores, tal como a matéria tende para a forma, a sociedade tende para o Estado.
 
Já o nacional‑socialismo alemão vai desvalorizar o ideia de Estado, considerando-o como simples aparelho (Apparat) ao serviço da comunidade do povo (Volksgemeinschaft). Como salientava Adolf Hitler em Mein Kampf, de 1924, o Estado não passa de simples forma cujo conteúdo é a raça: o Estado é um meio de atingir um fim. Deve manter, em primeiro lugar, os caracteres essenciais da raça. Segundo as palavras de Pierre Birnbaum, Hitler opôs-se à concepção hegeliana do Estado como instrumento da razão universalista ou ainda da teoria weberiana do poder racional‑legal, que se aplicam, tanto uma como a outra, muito particularmente, ao Estado prussiano fortemente burocratizado, fazendo sua uma perspectiva anti‑estatista e desejando confiar a uma elite o cuidado de realizar a união da raça. Não se estranhe, pois, que alguns teóricos nazis cheguem a considerar o mesmo Estado como mero produto do direito romano, criticando particularmente a noção de personalidade do Estado, considerada como resultante de uma concepção jurídica individualista, apenas baseada em relações meramente interpessoais.
 Alfred Rosenberg, o célebre autor de Der Mythus des zwanzigsten Jahrhunderts, de 1930, por exemplo, assinalava que o Estado já não é, hoje, para nós um ídolo que se baste a si mesmo e perante o qual todos nos devemos prostrar; o Estado também não é um fim, é apenas meio para a conservação étnica. Um meio como os outros, como deveriam sê‑lo a Igreja, o Direito, a Arte, a Ciência. As formas do Estado mudam e as leis passam, mas o povo permanece. Donde resulta que a Nação é o princípio e o fim perante o qual tudo o resto deve vergar‑se.
Outros autores, como Reinhard Höhn, em Volk und Verfassung, chegam mesmo a propor que o nazismo dispense a própria noção de Estado, dado que para a construção do novo direito público alemão seriam suficientes os conceitos de povo (Volk) e de condutor (Führer).
Apesar desta doutrina não se ter tornado dominante entre os juristas nazis, o facto é que o movimento fez sempre uma clara distinção entre o Estado-Aparelho(Staat) e o Estado‑Comunidade (Reich), desvalorizando particularmente o primeiro. Como ensina Burdeau, o Estado deixou de ser o titular do poder político e a doutrina levou ao desaparecimento do Estado como construção constitucional.
Do mesmo modo, se alterou o clássico conceito de governo, que deixou de ser um regierung, passando a entender-se führing, emanando directa e organicamente da própria comunidade. Daí o Führer ser entendido, não como órgão do Estado, mas como representante directo da nação, não como mandatário mas como o próprio poder incarnado.
O Estado Aparelho, entendido como um conjunto de meios técnicos, pessoais e materiais ao serviço de um interesse geral que ele já não determina, como assinala Georges Burdeau, passou a estar nas mãos do führer para, como assinala Höhn servir a Volksgemeinschaft, por um lado, para preencher certas funções nacionais (ordem, segurança interior, defesa nacional) e, por outro, como instrumento para a educação do povo no espírito da Volksgemeinschaft. Nestes termos, o Estado já não tem a qualidade de uma pessoa moral à qual o particular deve obediência... A base do novo pensamento jurídico é a ideia de comunidade do povo. O Estado não é senão um instrumento para realizar os fins da mesma.
Os direitos do Estado passaram, pois, a ser considerados como um mito demoliberal e a fonte de todo o poder a estar nessa vaga entidade chamada volk, marcada por uma concepção quase mística, cujo espírito se incarnava na subjectivíssima vontade do führer.
Também Hitler no Mein Kampf considerava que o objectivo do Estado reside na conservação e desenvolvimento de uma comunidade de seres vivos da mesma espécie, física e mentalmente e que os Estados que não correspondem a essa finalidade são fracassos, impondo‑se, portanto, a defesa da alma racial (Rassenseele).
Hitler refere que o fim supremo do Estado racista deve ser o de procurar a conservação dos representantes da raça primitiva, criadores da civilização, que fazem a beleza e o valor moral de uma humanidade superior. Nós, enquanto arianos, não podemos representar um Estado senão como organismo vivo que constitui um povo, organismo que não apenas assegura a existência desse povo, como ainda , desenvolvendo as suas faculdades morais e intelectuais, o faz atingir o mais alto grau de liberdade.
O Estado não tem outro papel senão o de tornar possível o livre desenvolvimento do povo, graças ao poder orgânico da sua existência.
Paradoxalmente tem uma concepção feita à imagem e à contraposição daquilo que ele considera a concepção judaica do Estado: o Estado judeu nunca foi delimitado no espaço; expandindo‑se sem limites no universo, compreende exclusivamente os membros de uma mesma raça. É por isto que este povo formou em todo o lado um Estado no Estado, até porque a religião de Moisés não é senão a doutrina de conservação da raça judaica.
Assim, Hitler também considera que o Estado é um organismo racial e não uma organização económica onde o instinto de conservação da espécie é a primeira causa da formação de comunidades humanas, pelo que acredita que nunca nenhum Estado foi fundado pela economia pacífica, mas sempre o foi pelo instinto de conservação da raça, tanto o heroísmo ariano gerando Estados marcados pelo trabalho e pela cultura, como a intriga geradora das colónias parasitas de judeus.
 
Totalitarismo, características do. Segundo Carl J. Friedrich e Zbigniew Brzezinski, o totalitarismo tem cinco características: uma ideologia oficial; um partido único de massas; um sistema de controlo policial terrorista; monopólio quase completo dos meios de comunicação de massa; monopólio dos meios armados; controlo e direcção central de toda a economia.
 
Totalitarismo, interpretações do. Para Cabral de Moncada, tal como para Claude Polin, o totalitarismo é o produto do homem económico. Para Vaclav Havel, deriva da concepção dominante da ciência moderna. 93,620
 
Totalitarismo, produto do racionalismo e do cientismo,93,621
4 American Academy of Arts and Sciences
Totalitarianism. Proceedings of a Conference Held at the American Academy of Arts and Sciences, March, 1953, Carl Joachim Friedrich, introd., Cambridge, Massachussetts, Harvard University Press, 1954.4Aquarone, Alberto, L’Organizzazione dello Stato Totalitario, Turim, Edizioni Einaudi, 1965.4 Arendt, Hannah, The Burden of Our Time [ou The Origins of Totalitarianism], Nova York, Harcourt, Brace & World, 1951 [trad. port. O sistema totalitário, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1978].4Aron, Raymond, Démocratie et Totalitarisme, Paris, Éditions Gallimard, 1965.4 Bénéton, Philippe, Introduction à la Politique Moderne. Démocratie Libérale et Totalitarisme, Paris, Éditions Hachette, 1987.4 Buchheim, Hans, Totalitarian Rule, Middletown, Wesleyan University Press, 1968.4 Friedrich, Carl Joachim, Brzenzinski, Zbigniew Totalitarian Dictatorship and Autocracy, Cambridge, Massachussetts, Harvard University Press, 1956 [2ª ed., Nova York, Praeger Press, 1965]4Idem, ed., Totalitarianism, Cambridge, Massachussetts, Harvard University Press, 1954.4Idem, com Curtis, M., Barber, B., Totalitarianism in Perspective, Nova York, Praeger Press, 1969.4 Gleason, Abbot, Totalitarianism. The Inner History of Cold War, Oxford, Oxford University Press, 1995.4Hermet, Guy, Totalitarismes, Paris, Éditions Oeconomica, 1984.4 Kirkpatrick, Jeane J., The Withering Away of the Totalitarian State... and Other Surprises, Lanham, University Press of America, 1991.4 Mason, Paul T., O Totalitarismo, Nuno Carvalho Santos, trad., Lisboa, Delfos, s.d. [com textos de Carl Joachim Friedrich, Zbigniew Brzezinski, N. S. Timasheff, Karl Popper, Franz Neumann, George Orwell, Hannah Arendt, Arthur Koestler, Theodor W. Adorno, Edward Shills, J. J. Talmon, Erich Fromm, Ortega y Gasset, Teilhard de Chardin e Raymond Aron].4 Menze, E. A., ed., Totalitarianism Reconsidered, Port Washington, Kennikat Press, 1981.4 Romano, R., Conservadorismo Romântico. Origem do Totalitarismo, São Paulo, Brasiliense, 1981.4Sartori, Giovanni, «Totalitarianism, Model Mania and Learning from Error», in Journal of Theoretical Politics, vol. 5, n.º 1, 1993.4 Schapiro, Leonard, Totalitarianism, Nova York, Praeger Press, 1972 [trad. cast. El Totalitarismo, México, 1981].4 Talmon, Jacob Leib, The Origins of Totalitarian Democracy, Londres, Secker & Warburg, 1952 [trad. fr. Histoire de la Démocratie Totalitaire, Paris, Éditions Calmann-Lévy, 1966].4
 
Totem und Tabu, 1913 Obra de Sigmundo Freud, segundo a qual o homem seria um animal de horda, dado que o grupo humano, nas suas origens não passaria de uma massa aglutinada em torno de um macho dominante, de um pai despótico e omnipotente, que se apropriava de todas as mulheres e perseguia os filhos quando estes cresciam. Certo dia, os irmãos, revoltaram-se, matando e comendo o pai, transitando-se, a partir deste parricídio, da horda biológica e instintiva, para a comunidade, diferenciada e orgânica. Num terceiro tempo, terá vindo o remorso, o sentimento de culpabilidade, gerando-se tanto o tabu (por exemplo, a proibição de tomar mulheres dentro do próprio grupo) como o totem, o culto do antepassado assassinado que, assim, se diviniza e idealiza. E nesse complexo de Édipo estão os começos da religião, da moral, da sociedade e da arte. Neste sentido, o príncipe aparece como substituto do pai.
 
Touchard, Jean
·La Gauche en France depuis 1900
Paris, Éditions du Seuil, 1967-1968.
·Histoire des Idées Politiques
 [1ª ed., 1959], Paris, Presses Universitaires de France, 1981 [trad. port. História das Ideias Políticas, 7 vols, Mem Martins, Publicações Europa- América, 1970; 2ª ed., 4 vols., idem, ibidem, 1976].
 
Toulemon, A., Le Retour à l’Esclavage ou la Démocratie des Mandarins, Paris, Librairie Générale de Droit et de Jurisprudence, 1957.
 
Toulemont, Robert, La Construction Européenne. Histoire, Acquis, Perspectives, Paris, Éditions Fallois, 1994.
 
Toulmin, Stephen, Cosmopolis. The Hidden Agenda of Modernity, Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1990.
 
Toulouse Actual capital do departamente do Alto-Garona em França. Foi a capital do reino da Aquitânia, em 780, que se converteu no condado de Toulouse que em 1271 foi incorporado na coroa francesa. Ver Aquitânia
 
Tour du Pin, René de la (1834-1924) Um dos primeiros teóricos do catolicismo político. Uma perspectiva antiliberal. Defende a sociedade como um todo orgânico, dependente da lei de Deus (clef de voûte de l’édifice sociale). Assume a defesa do corporativismo, a partir da família, da oficina e das corporações. 134,921
·Aphorismes de Politique Sociale, de 1909.
 
 
Touraine, Alain (n. 1925) Director da Escola Prática de Altos Estudos. Em 1969 era professor de sociologia da universidade de Nanterre, envolvendo-se nos comités revolucionários de professores. Não foi, entretanto, seguido pelos estudantes em revolta.
·La Societé Post-Industrielle
Paris, Éditions Denoël, 1969.
·Production de la Societé
Paris, Éditions du Seuil, 1973.
·Pour la Sociologie
Paris, Éditions du Seuil, 1974.
·La Societé Invisible
Paris, Éditions du Seuil, 1977.
·La Voix et le Regard
Paris, Éditions du Seuil, 1978.
·Critique de la Modernité
Paris, Librairie Arthème Fayard, 1992 [trad. port. Crítica da Modernidade, Lisboa, Instituto Piaget, 1994].
·Qu'est ce que la Démocratie?
Paris, Fayard, 1994.
 
Tout Empire Périra, 1981 Obra do fundador da escola francesa de história das relações internacionais, Jean-Baptiste Duroselle, subtitulada Une Vision Théorique des Relations Internationales, nascida do ensino na Sorbonne. Considerando o império como um excès de puissance, enumera várias formas do mesmo: o império efémero do conquistador, marcados pela combatividade de um povo e pela ambição de um homem, como foi o de Alexandre da Macedónia (1); o império ligado a uma dinastia, mais durável que o primeiro, como foi o império bizantino (2); o império marítimo ou colonial, como os dos fenícios, dos vikings ou da expansão europeia de portugueses, espanhóis, franceses e ingleses (3); o império clandestino do actual imperialismo económico (4). Ver a reed., Paris, Librairie Armand Colin, 1992.
 
 
Toynbee, Arnold Joseph (1889-1975) Historiador britânico. Educado em Oxford, professor em Londres. Director do Royal Institut of International Affairs de 1925 a 1955. Considera que o Estado não é intelligible field para o estudo da história, preferindo a civilization, equivalente ao conceito de Kultur de Spengler. Estuda vinte e duas civilizações, salientando que cada uma delas passa por vários estádios: crescimento, colapso, dissolução. A fase final de cada uma delas é marcada pela formação de um estado universal. Admite que há uma lei do desafio e da réplica (challenge and response) em cada um dos estádios civilizacionais. As várias civilizações constituem um só mundo (One World), uma super-civilização, sem bárbaros nas fronteiras. Este mesmo autor falava em cinco civilizações: a ocidental-cristã, a cristã oriental, a islâmica, a indiana e a chinesa, referindo que todas elas ousaram transformar-se em Estado Universal. Segundo as respectivas teses, cada civilização seria produto de uma minoria criadora, que responderia a sucessivos reptos, desenvolvendo-se. Haveria contudo um momento de paragem, quando a minoria deixa de ser criadora e passa ao estádio de Igreja Universal, aquela que nasce da existência dos humilhados e ofendidos da conjuntura interna (o proletariado interno) para se unir aos bárbaros vindos do exterior (o proletariado externo) e uma posterior desintegração, já no momento da instituição do Estado Universal.
·A Study of History
Oxford, Oxford University Press, 10 vols., 1934-1954. Vols I-III, 1934. Vols. IV-VI, 1939. Vols. VII-X, 1954. Cfr. A trad. Parcelar portuguesa, Um Estudo de História, Lisboa, Ulisseia, 1964.
·Civilization on Trial
Londres, Oxford University Press, 1948 (cfr. trad. fr. Paris, Gallimard, 1951).
·The World and the West
Londres, Oxford University Press, 1952. Trad. fr., Le Monde et l’Occident, Gauthier, 1964.
·Guerre et Civilization
trad. fr., Paris, Gallimard, 1954.
·An Historian's Approach to Religion
Londres, Oxford University Press, 1956.
·America and the World Revolution
Nova Iorque, Oxford University Press, 1962.
·Acquaintances
1967
·Experiences
1969