Respublica           Repertório Português de Ciência Política            Total: T/Tr-Ts
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Lista de artigos

Artigos em grosso

Trabalho, Família, Pátria

Trabalhos (Sobre os)  dos Reis

Trácia

Tractado dos Estados Eclesiásticos e Seculares,1557

Tractatus de legibus ac Deo Legislatore, 1612

Tractatus Politicus, 1677

Tractatus Theologico-Politicus, 1670

Tracy,

Tradição

Tradicional, Herrschaft

Tradicionalismo

Trahison des clercs

Traité de Science Politique, 1949-1957

Traité des Seigneuries, 1610

Trancoso, Francisco Xavier Peres

Transformismo

Transilvânia

Translatio Imperii

Transleithania

Transnístria.

Transpersonalismo

Trasímaco

Tratado de Bruxelas (1948)

Tratado de Dunquerque (1947)

Tratado de Paris (1951)

Tratado de Roma (1957)

Tratado do Atlântico Norte (1949)

Tratado sobre a Índia (1878-1879)

Tratados de Paz

Trattato di Sociologia Generale, 1916

Traugott, M.,

Treitschke, Heinrich Gotthard Von

Trelles, Camilo Barcia

Trend, David

Trentin, Silvio

Trento

Três Estados (1828, Maio)

Três Idades

Trèves (em alemão Trier, de Augusta Treverorum)

Treves, R.

Tribalismo

Tribo

Tridimensionalidade do Direito

Trieste

Trigoso, Sebastião Francisco Mendo (1773-1821)

Trigueiros, Luís Forjaz (1915-1999)

Trindade e Tobago

Trindade, Hélgio

Trindade, Teófilo José da (1856-1936)

Tripartisme

Tríplice Aliança

Troeltsch, Ernst

Trotsky, Lev (1879-1940)

Truman, David B.

Truman, Harry S.

Trustee

Trusteeship

Tsebelis, George

TSETUNG, MAO (1893-1976)

 
Trabalho, Família, Pátria. A tríade do Estado Francês de Vichy, liderado por Pétain.
 
Trabalhos (Sobre os) dos Reis Lourenço de Cáceres, numa perspectiva mais marcada por aquilo que será o absolutismo quando fala na auto-limitação do poder pelos reis, inserindo-se no pessimismo antropológico próximo de Maquiavel, onde não é por acaso que Platão é citado e São Tomás de Aquino ignorado : o próprio poder que têm absoluto, eles por si o limitam e, sendo desobrigados das leis, querem, como diz um texto, viver por elas, afora que a mesma governança que a eles é tão trabalhosa, redunda somente em proveito dos súbditos, que também se assim não fosse, nenhuma razão haveria para que os homens, de geral consentimento, dessem poder a ninguém da morte e da vida sobre si mesmos que, porque a quem governe, se podem ajuntar as gentes em comum e povoar vilas e cidades, e ter leis e sacrifícios e celebrar matrimónios e viver em comunicação das artes, e ser cada um senhor do seu, e resistir às injúrias particulares, e ter de todos os outros bens da vida segura e conversável. O que, se governadores não houvesse, cairia tudo subitamente em confusão, dissipação e estrago, que em pouco momento se desfaria a comunidade das gentes, por insultos e roubos, e homicídios, de sorte que ficassem os homens poucos e sós, e em companhia das alimárias feras e ainda mal seguros delas .
 
Trácia Zona actualmente repartida entre a Grécia, a Turquia e a Bulgária; fez parte dos impérios bizantino e otomano; em 1885, a zona norte foi anexada pela Bulgária que em 1913 ocupou também toda a zona ocidental; contudo, em 1919, esta foi repartida entre a Bulgária e Grécia que ficou com a Trácia litoral
 
Tractado dos Estados Eclesiásticos e Seculares,1557
Obra de Diogo de Sá dedicada a D. Catarina. Principalmente na parte referente ao Estado Terceiro, Dos Reis e Príncipes Seculares e do que a seus Estados Pertence, sem primar pela originalidade teórica, reúne uma síntese das opiniões dominantes em Portugal, ao mesmo tempo que estabelece um elenco das autoridades que as fundamentam, invocando tanto a patrística, com destaque para S. João Crisóstomo e Santo Agostinho, como o tomismo, tudo misturando com citações de alguns dos juristas mais invocados naquele tempo. A defesa do poder absoluto é feita à imagem da omnipotência de Deus, embora tenha como limite a tirania: assim como Deus, sendo omnipotente, tudo diz Crisóstomo que pode até onde não deixa de ser Deus, assim o poder do Rei se estende e por Deus lhe foi dado até onde o nome de Rei se lhe não mudasse em nome de tirano. Defensor claro da origem popular do poder: posto que o principado e Senhorio sejam adquiridos por vários e diversos títulos, originalmente se reduzem à eleição e consentimento do povo. Porque o primeiro Príncipe legítimo, no principado político pelo principado paterno que de direito lhe veio, por eleição do povo foi constituído. Com cujo consentimento foram ordenados os direitos e leis civis. Nenhum no princípio se pode fazer rei a si mesmo, mas o povo, criando Rei que quis eleger. O rei é obrigado a fazer tudo como bom pai de família, pois lhe é dado o poder para apascentar e não para perturbar nem molestar, e para proceder por rectitude da justiça e não por afeição particular. O fim do político é a justiça: por outra coisa não reinam os reis senão pela justiça, considerada suma virtude ou fonte, donde todas as outras virtudes nascem. Ataca todos os que defendem o absolutismo através das cláusulas de plenitude potestatis e motu proprio. E isto porque haveria uma diferença fundamental entre o poder e o não poder: que poder de pecar não é poder mas não poder; e só aquele que se possa chamar poderoso que no mal e na injustiça não pode, porque pode o que é poder: o Rei e Príncipe se pode em sua governança chamar poderoso, se no bem faz o que convém à sua potestade. Porque, por todo o direito divino, civil e canónico, poder mal não é poder, mas não poder. Neste sentido, defende a obediência do rei face à sua própria lei: quanto à força directiva, é sujeito à lei por própria vontade e obrigação de cristão e Rei justo. Que todo o que estatui direito e lei noutro, deve usar do mesmo direito e sofrer a lei e direito que para os outros ordena. Não pode o príncipe fazer lei para não haver de estar nela. Advoga a resistência contra a lei injusta: toda a lei que consigo traz gravame injusto aos súbditos, não é obrigado o súbdito a lhe obedecer se, sem escândalo ou maior detrimento, lhe puder resistir.
 
 
 
Tracy, Antoine-Louis-Claude Destutt de (1754-1836) Um dos fundadores do grupo sensualista dos ideólogos. Militar de carreira, adere à Revolução, destacando-se como deputado. Faz parte do grupo dos sensualistas, que teriam sido liderados por Condorcet se este não se tivesse suicidado. Companheiro de Cabanis. O grupo aliado a Bonaparte, antes deste subir ao poder, acaba por entrar na oposição republicana. É então que Bonaparte os acusa de idéologues. Exilado em Bruxelas, publica aí a primeira edição dos seus Elementos de Ideologia, dito um tratado de economia social, que apenas será reeditado em 1826. Escreve também, em 1810, um Comentário ao Espírito das Leis, impresso nos Estados Unidos, graças a Jefferson, em 1811, mas apenas editado em França em 1822. Inspira o positivismo de Comte e tem como discípulos Stendhal e Sainte-Beuve. Acredita no jogo harmonioso das forças sociais, defende a distribuição de poderes e põe acento na liberdade política, considerando que esta não pode florescer sem liberdade individual e sem liberdade de imprensa.
·Éléments d'Idéologie
(4 vols., 1800 - 1815). Ver a reed. Paris, Vrin, 1970.
·Commentaire sur l'Esprit des Lois
(1811).
·Traité d'Économie Politique
(1822).
·Oeuvres Complètes
 (4 vols., Paris, 1824 - 1825).
 
Tradição Segundo as escolas desenvolvimentistas, a tradição é um conjunto de traços culturais, sociais, políticos e económicos que caracterizam as sociedades rurais pré-industriais, traços esses permanentes que contrariam as exigências da modernização.
 
Tradicional, Herrschaft. Uma das quatro actividades sociais inventariadas por Weber é a acção tradicional, considerada como uma conduta mecânica na qual o indivíduo obedece inconscientemente a valores considerados evidentes e que daria origem ao tipo de Herrschaft tradicional, onde emergem os fiéis, como seria timbre do patriarcalismo, da gerontocracia, do patrimonialismo e do sultanismo. Seria baseada na crença quotidiana na santidade das tradições vigentes desde sempre e na legitimidade daqueles que, em virtude dessas tradições, representam a autoridade.
 
Tradicionalismo A tradição transformou-se na palavra-chave congregadora do Integralismo Lusitano. Segundo António Sardinha, tradição não é somente o passado; é antes a permanência no desenvolvimento. Outro integralista, Luís de Almeida Braga, salienta que a tradição não é contrária ao progresso: o passado é força que nos arrasta, não é cadeia que nos prende. Toda a exacta noção de Progresso está numa sã interpretação da Tradição, pois o verdadeiro tradicionalismo é, antes de tudo, uma interpretação crítica do Passado, quer dizer, uma atitude de razão. Nega-se assim a identificação da tradição com a inércia, o passadismo e a rotina.
 
Tradicionalismo consensualista LOUREIRO,130,904
Tradicionalismo e nação,56,364
 
Dentro do movimento contra-revolucionário. Vendeia. Carlistas. Miguelistas. A Acção Francesa e o Integralismo Lusitano.
4 Torgal, Luís Reis, Tradicionalismo e Contra-Revolução. O Pensamento e a Acção de José da Gama e Castro, Coimbra, Universidade de Coimbra, 1973.4
äConservadorismo
 
Trahison des clercs. Expressão francesa querendo significar traição dos intelectuais, título de um livro de Julien Benda, de 1927, visando combater as teses de Charles Maurras.
 
Traité de Science Politique, 1949-1957  de Georges Burdeau (7 vols., Paris, Librairie Générale du Droit et de la Jurisprudence, 1949 - 1957).Tomo I - Le Pouvoir Politique (1949).A obra divide-se em três títulos. No primeiro, a teorização da sociedade como estado de consciência (a formação do estado de consciência social; a ordem social, a ideia de direito e a regra de direito; ideia de direito e direito internacional); no segundo aborda o Poder (o que é o poder, o poder como fenomeno jurídico e como fenómeno psicológico; formas e evoluções do poder; o regresso ao poder individualizado; a função do poder); no terceiro título confronta o poder estatal e os poderes de facto, analisando a concorrência dos poderes e os partidos políticos. Tomo II - L'Etat (1949). O Estado é abordado em três títulos: a formação do Estado, o poder estatal, as formas de Estados. O título sobre a formação do Estado divide-se nos seguintes caps.: exame crítico de algumas teorias relativas à formação do Estado; as condições de existência do Estado e a institucionalização do poder. O segundo título, sobre o poder estatal divide-se nos seguintes caps.: a estrutura do poder no Estado; teoria geral do poder do Estado. Quanto às formas de Estados, o autor parte da tensão entre o Estado unitário e os federalismos, para finalmente se deter nas extensões do federalismo ao nível do problema colonial e como princípio da organização internacional.
 
 
Traité de Science Politique Organizado por Jean Leca e Madeleine Grawitz
 
 
Traité des Seigneuries, 1610 Charles Loyseau considera que a soberania é a forma que dá ser ao Estado..Porque Estado e soberania tomada in concreto são sinónimos... a soberania consiste em potência absoluta, isto é, perfeita e inteira globalmente, o que os canonistas chamam plenitudo potestas. E, por consequência, não tem grau de superioridade, dado que aquele que tem um superior não pode ser supremo ou soberano sem limite de tempo, de outro modo, não seria potência absoluta, nem mesmo senhorio... E tal como a Coroa não pode existir se o o seu círculo não for inteiro, assim a soberania não o será se qualquer coisa lhe faltar.
 
Trancoso, Francisco Xavier Peres Ministro das finanças de 5 de Novembro a 16 de Dezembro de 1921, no governo outubrista de Maia Pinto.
 
Transcendente no Estado,79,525
 
La Transformazione dello Stato, 1927 Obra do jurista fascista Alfredo Rocco, onde de define o Estado como a nação politicamente organizada. Ele tem a sua moral, a sua religião, a sua missão política no mundo, a sua função de justiça social, porque é a única fracção da espécie humana que se organizou para atingir os fins da espécie.
 
Transformismo Nome dado ao sistema italiano de governo, entre 1883 e 1919, protagonizado por Agostino Depretis (1813-1887). O governo italiano era de esquerda moderada, conseguindo a maioria por meio de coligações temporárias e de programas de curto prazo. Teve a oposição da esquerda radical de Cavalotti. Outro político italiano seguidor do transformismo foi Giolitti.
 
Transilvânia Conquistada pelos turcos, foi cedida à Áustria em 1690, integrando-se depois no reino da Hungria; passou para a Roménia depois da Grande Guerra
 
Translatio Imperii Na discussão sobre a origem do poder na Idade Média, discute-se a questão da translatio imperii, da transferência de poder do populus romanus, primeiro para os reis, através da lex regia e depois para os imperadores. Para uns, houve uma alienação definitiva e de pleno direito, isto é, o povo renunciou a todo o poder, pelo que o imperador ficou maior que o povo (é a posição de Acúrsio e de Bártolo). Para outros, o povo apenas transferiu um officium publicum e um usus, pelo que o povo é maior que o imperador (é a posição de autores como Ockham e que está na base do consensualismo, do pactismo e do contratualismo). Consideram, neste sentido, que a substância do imperium permanece no povo, o qual conserva o direito de legislar e pode sempre retomar o imperium. O imperador é considerado commissarius populii e não um dominus.
 
Transleithania Nome dado ao reino da Hungria, entre 1867 e 1918, no âmbito da monarquia dual austro-húngara
 
Transnacionais, empresas
 
Transnístria. Ver Moldova
 
Transpersonalismo Segundo Gustav Radbruch, um modelo de organização das relações entre o Estado e o indivíduo diverso do individualismo e do suprapersonalismo que o autor considera nunca ter existido historicamente. Equivale ao melhor regime, dado adoptar a cultura como fim último, entender o Estado como construção e assumir o conceito de comunidade como forma de vida em comum, tendo como valores fundamentais os valores de obra. Refira‑se que este transpersonalismo tem mais a ver com o que outros autores designam por culturalismo e está bastante próximo do personalismo de Emmanuel Mounier e do humanismo integral de Jacques Maritain.
 
 
Tractatus de legibus ac Deo Legislatore, 1612 Francisco Suárez, partindo do princípio que os homens, segundo a ordem da natureza não se regem nas coisas civis pela revelação, mas pela razão natural, proclamou, contrariamente a Santo Agostinho e a Lutero, que o poder político não se funda no pecado ou em alguma desordem, mas na natural condição do homem (III,1,3). Para ele, o poder de dominar ou reger politicamente aos homens, a nenhum homem em particular lhe foi dado imediatamente por Deus (III,2,3.5) este poder só em virtude do direito natural está na comunidade dos homens (III,2,4.1), está nos homens e não em cada um ou num determinado (III, 2, 4.2). Assim, o poder político é visto como algo de direito humano, como instituição dos homens e doação da república, algo que surge por vontade de todos (per voluntatem omnium). A comunidade política, ou sociedade civil, é vista como uma sociedade perfeita, dotada de potestas politica, em contraste com as sociedades perfeitas, como a família que apenas teriam uma potestas dominativa ou oeconomica. Deste modo, a comunidade política, entendida como um corpus politicum et mysticum, resultaria de um específico acto de união para uma associação moral, seria sempre um produto da vontade humana, da vontade dos que nela contrataram.A comunidade política seria uma comunidade que se reúne ou cria por impulso do homem; a qual se diz que é uma reunião de homens que se associam por algum direito (I, 6, 12.4), a tal comunidade política ou mística, por especial união numa congregação moralmente una (I, 6, 12.1). Esta será perfeita porque é a que é capaz de governação política (I, 6, 12.4). Dentro das comunidades perfeitas, distingue as reais ou locais, porque se encerram em certos limites reais ou locais, como são o Reino ou a cidade, das chamadas pessoais, porque se atende mais às pessoas do que aos lugares, como v.gr., uma relião, confraria, etc., as quais, se têm um regime perfeito e união moral, podem ser também comunidades perfeitas (I, 6, 12.7).Como comunidades imperfeitas, dá o exemplo da casa privada, presidida por um pai de família: a razão disto é que tal comunidade não é suficiente. Além disso, porque nela as pessoas particulares não se congregam como membros principais para compor um só corpo político, mas que estão ali os inferiores só para utilidade do dono e enquanto de alguma maneira estão sujeitos ao seu domínio (I, 6, 12.8). Nestas apenas haveria uma potestas dominativa, porque nem o poder tem perfeita unidade ou uniformidade, nem participa tão pouco propriamente do regime político(I, 6, 12.8).
Para ele, o poder político não começou senão quando várias famílias começaram a reunir-se numa comunidade perfeita. Logo, embora aquela comunidade não tivesse começado por uma criação de Adão nem pela sua só vontade, mas pela de todos os que convencionaram nela (III, 2, 3.4). O poder político estaria na comunidade politicamente organizada e não na multidão inorgânica, estaria no uti universi, em todos como universal, e não no uti singuli, em todos como particulares: este poder não está em todos os homens tomados separadamente nem na colecção ou multidão deles num corpo confuso e sm ordem, sem união de membros, apenas surgindo quando os homens se reúnem numa comunidade perfeita e se unem politicamente (III, 1,5). Logo, considera que o poder não pertence aos homens a título particular, mas sim aos homens tomados colectivamente. Não seria resultante da justaposição puramente material, como num montão de areia, mas sim da integração, da existência de uma ordem moral, de uma comunidade mística, deste modo distinguindo a universitas do corpo político face à societas: A multidão dos homens, enquanto por especial vontade ou consentimento comum se reúnem num corpo político com um vínculo de saociedade e para ajudar-se mutuamente em ordem a um fim político, de modo que formam um corpo místico, que, moralmente, pode considerar-se uno em si mesmo; e que, em consequência, necessita de uma cabeça (III, 2, 4.4). Este difere do mero agregado de alguns, sem ordem alguma ou união física ou moral, enquanto não forma algo de uno, nem física nem moralmente, e por isso não são própriamente um corpo político, e por tanto nãp necessitam de uma cabeça ou príncipe (III, 2, 4.3). O poder político, que designa por potestas politica, potestas civilis, gubernatio politica, potestas suprema e principatus é indispensável para a emergência de um corpo político: sem governo político e uma ordem para ele não pode conceber-se um corpo político (III, 2.4.6).
 
&Tractatus Politicus, 1677 Obra de Bento Espinosa, incompleta. Publicada por amigos do autor pouco depois da morte do autor. Distingue entre status civilis (a constituição, ou regime político), Imperium, ou organização política), civitas (o corpo íntegro da organização política) e respublica (os assuntos comuns da organização política, os assuntos públicos, cuja administração depende de quem é detentor do poder). No estado de natureza (status naturae), no estado anterior à formação das sociedades organizadas e da ordem moral, teríamos um homem sem responsabilidade perante qualquer lei, sem saber do justo e do injusto e sem poder distinguir a força do direito, um homem ainda submetido às paixões, vivendo num estado de insegurança, onde o direito se confunde com o poder, onde cada um goza de tanto direito como o poder que possui, um homem que, como Deus, tem direito a tudo e o direito de Deus não é outra coisa senão o seu próprio poder enquanto absolutamente livre, segue-se que cada coisa natural tem por natureza tanto direito como o poder, para existir e actuar, onde o direito natural de toda a natureza e, por isso mesmo, de cada indivíduo, estende-se até onde chega o seu poder.Se nesse estado de natureza os homens actuam pelo instinto universal de conservação, relacionando-se uns com os outros, tal como os peixes grandes devoram os peixes pequenos, segundo a lei de destruição do mais débil pelo mais forte, já na associação, no status civilis, nasce a simpatia de uns pelos outros e o sentimento de humanidade, esse esforço de racionalidade que pretende superar o regime das paixões. A passagem do estado de natureza para o status civilis ou estado político aconteceria através de um contrato, pelo qual os homens se comprometem a ser governados pela razão. Mas vários elementos do pensamento de Espinosa o distanciam de Hobbes. Em primeiro lugar a ideia de que os homens tendem por natureza para o estado político e que é impossível que o destruam totalmente alguma vez porque o medo à solidão é inato em todos os homens e o solitário não tem forças para defender-se nem para procurar os meios necessários à vida. Em segundo lugar, a defesa da paz e da esperança: uma multidão livre guia-se mais pela esperança do que pelo medo, enquanto a que está subjugada se guia mais pelo medo do que pela esperança. Aquela, com efeito, procura cultivar a vida, esta, pelo contrário, evitar asimplesmente a morte; aquela, repito. procura viver para si, enquanto esta é, por efeito da força, do vencedor. Por isso dizemos que a segunda é escrava e que a primeira é livre. Finalmente, a consideração de que no status civilis se conserva uma esfera pessoal intangível, que o próprio Estado tem interesse em manter: o poder supremo num Estado não tem mais poder sobre um súbdito que em proporção ao poder pelo qual é superior ao súbdito, e isto é o que ocorre sempre no estado de natureza.O modelo de organização do político proposto por Espinosa parte de uma leitura política que faz dos factos históricos narrados no Antigo Testamento, propondo uma recuperação do Estado dos hebreus, onde o momento fundacional é um contrato donde deriva uma aliança comandada pela lei: cada um dos hebreus não transferiu o seu direito para nenhuma pessoa em particular, mas todos, à maneira dos membros de uma democracia, fizeram igual esse direito. Só que o pacto não tem apenas uma dimensão legal, aquela que cria o Leviatão da força estatal, dado também possuir uma dimensão moral, quando pretende subordinar a paixão à razão, surgindo o modelo do Estado-razão, onde todos têm de viver segundo o ditame da razão.
 
Está assim dividido: I - Do Método; II - Do Direito Natural; III - Do Direito Político; IV - Do Âmbito do Poder Político; V - Do Fim Último da Sociedade; VI - Da Monarquia; VII - Da Monarquia; VIII - Da Aristocracia; IX - Da Aristocracia; X - Da Democracia. (cfr. trad. cast. de Atilano Domínguez, Tratado Politico, Madrid, Alianza Editorial, 1986).
 
&Tractatus Theologico-Politicus, 1670 Obra de Bento Espinosa publicada anonimamente. O poder político aparece como a anti-razão ao serviço da razão, como a força ao serviço da ideia, como a espada ao serviço da palavra. Se, por um lado, o Estado é cessão de direitos e união de forças e, portanto, poder absoluto ou supremo poder, por outro lado, não deixa de ser poder colectivo e democrático: pode formar-se uma sociedade e conseguir-se que todo o pacto seja sempre observado com a máxima fidelidade, sem que ele contradiga o direito natural, com a condição que cada um transfira para a sociedade todo o direito que possua, de maneira que ela só mantenha o supremo direito da natureza a tudo, isto é, o poder supremos, a que todo o mundo tem que obedecer, seja por iniciativa própria, seja por medo do máximo suplício. E aí temos o Estado perspectivado mais como aliança do que como conjunto unificado, uma memória do dualismo das tribos israelitas, onde, de um lado, estavam os poetas e, do outro, os soldados. Contudo, Espinosa, se proclama a necessidade de separação entre o poder civil e o religioso, ao contrário de Hobbes, também considera que o Estado, como poder supremo, deve controlar os assuntos religiosos e permitir a tolerância e a liberdade de expressão. Isto é, Espinosa defende uma aliança, mas não uma confusão entre coisas divinas e as coisas do poder, à semelhança da moisaica.
 
 
Está assim dividido: I - Da profecia; II - Dos profetas; III - Da vocação dos hebreus e de se o dom profético foi peculiar dos hebreus; IV - Da lei divina; V - Qual a razão por que foram instituídas as cerimónias; VI - Dos milagres; VII - Da interpretação da Escritura; VIII - Onde se prova que o Pentateuco e os livros de Josué, dos Juízes, de Rute, de Samuel e dos Reis não são autógrafos; IX - Investigam-se outros detalhes sobre os mesmos livros; X - Examinam-se os demais livros do Antigo Testamento; XI - Investiga-se se os apóstolos escreveram as suas cartas como apóstolos e profetas ou antes como doutores; XII - Do verdadeiro original da lei divina; XIII - A obediência; XIV - A fé, os fiéis e a filosofia; XV - A teologia e a razão; XVI - Dos fundamentos do Estado, do direito natural e civil do indivíduo e do direito dos supremos poderes; XVII - A transferência do poder para o soberano e o Estado dos hebreus; XVIII - Lições políticas que se extraem da história dos hebreus; XIX - O soberano e o poder sobre as coisas sagradas; XX - Demonstra-se que no Estado livre está permitido que cada um pense o que quiser e diga o que pensa. (cfr. trad. cast. de Atilano Domínguez, Tratado Teológico-Político, Madrid, Alianza Editorial, 1986)
 
Traição
 
Trasímaco Sofista grego do séc. V a. C.. Platão utiliza-o nos dialogos de Politeia atribuindo-lhe a célebre definição da justiça como a conveniência dos mais fortes, contra a perspectiva de Sócrates.
 
Tratado de Bruxelas (1948) Tratado de Bruxelas de 17 de Março de 1948, onde o novo medo já era o do avanço soviético, na sequência do chamado golpe de Praga, de 24 de Fevereiro. Neste, os subscitores de Dunquerque, juntamente com os três do Benelux, instituíam uma União Ocidental, um sistema comum de defesa que previa estender-se aos domínios da economia e da cultura. Agora já se invocava a unidade europeia, como parcela da civilização comum, já se caminhava para o ocidentalismo que vai ser consagrado em 4 de Abril de 1949 pelo Tratado do Atlântico Bélgica, Luxemburgo, Países Baixos, Reino Unido e França, numa resposta ao chamado golpe de Praga, de 24 de Fevereiro, instituíam, em 17 de Março de 1948, pelo Tratado de Bruxelas, uma União Ocidental, um sistema comum de defesa que também previa extensão ao campo económico e cultural que visava ligar esses Estados durante 50 anos estipulando que no caso de uma das partes contratantes ser objecto de uma agressão armada na Europa, os outros signatários prestar-lhe-iam ajuda e assistência por todos os meios dentro do respectivo poder, militares e outros. Surgia assim um pacto de defesa e de integração económica, aberto a outros países europeus, onde também se previa um incremento dos intercâmbios culturais e uma concertação de políticas aduaneiras. Um pacto a que a Itália e a Grécia logo manifestaram a intenção de aderir e que imediatamente recebeu a frontal oposição soviética.
 
Os princípios básicos da civilização comum O Tratado de Bruxelas não se tratava de um pacto exclusivamente militar, dado que procurava também abranger o campo económico e cultural, falando, inclusivamente no esforço comum para levar os povos a compreender melhor os princípios básicos da civilização comum. Faz-se portanto apelo aos valores da civilização ocidental, isto é, aos direitos do homem, às liberdades e aos princípios democráticos.
 
A União Ocidental Neste sentido, criava uma União Ocidental, organizando a consulta intergovernamental, através de um conselho consultivo dos cinco ministros dos negócios estrangeiros, de carácter intermitente e sem periodicidade, de um comité de defesa ocidental, com os cinco ministros da defesa e com um comité permanente de embaixadores, com sede em Londres, reunindo uma vez por mês e sujeito à regra da unanimidade, que era dotado de u
 
Tratado de Dunquerque (1947) entre a França e o Reino Unido, logo surgiu, em 4 de Março de 1947, o Tratado de Dunquerque, contra o perigo de regresso do militarismo alemão Nos termos do artigo 1º do Tratado de Dunquerque, a ameaça eventual é a adopção pela Alemanha de uma política de agressão ou uma iniciativa alemã de natureza a tornar possível uma tal política
 
Tratado sobre a Índia (1878-1879)Durante o governo de Fontes, em 26 de Dezembro de 1878, o ministro Andrade Corvo conclui com os britânicos a negociação de um tratado sobre a Índia que será apresentado na Câmara dos Deputados em 19 de Maio de 1879 e aprovado em 18 de Junho desse ano, já com um governo progressista, presidido por Anselmo Braamcamp. A troco de uma renda de 160 contos anuais, cedia-se aos britÂnicos o monopólio do sal. Isto é, o nosso Estado da Índia era integrado no sistema alfandegário britânico. Admite-se também a construção de uma linha de caminho de ferro a partir de Mormugão. Para executar o tratado foi designado o então constituinte António Augusto de Aguiar que partiu para a Índia em 6 de Setembro.
 
Tratado de Lourenço Marques (1879)
 
Assinado em 31 de Maio de 1879, durante o governo regenerador de Fontes. Não só se admite o desembarque de tropas britÂnicas nesse porto, como se permite o patrulhamento das costas moçambicanas por navios britânicos. Isto é, Portugal perdia as vantagens conseguidas em 1875, pela arbitragem de Mac Mahon. O tratado apenas foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 8 de Março de 1881, já durante o governo progressista de Anselmo Braamcamp, adocicando-se algumas passagens, nomeadamente pela eliminação da referências a concessões perpétuas. Na altura há fortes protestos, tanto de monárquicos como de republicanos. Associam-se ao protesto a Sociedade de Geografia de Lisboa e a Associação Primeiro de Dezembro. O processo insere-se num moviento desencadeado em 1880 com a comemoração do centenário de Camões e o começo de publicação do jornal O Século. Há comícios republicanos em Lisboa, no Olival, e em Coimbra, este último promovido por Manuel Emídio Garcia e Augusto Rocha. No dia 13 de Março novo comício republicano na Rua de S. Bento, com forte carga policial. Os próprios regeneradores promovem um comício de protesto no Teatro de S. Carlos.
 
Tratado de Paris (1951)
 
Em 18 de Abril de 1951, pelo Tratado de Paris, era instituída a CECA. Os princípios No prâmbulo, consagravam-se as soluções da ideologia de Monnet e Schuman. Em primeiro lugar, considerava-se que a paz mundial face aos perigos que a ameaçam, só poderia ser salvaguardada por esforços criadores correspondentes. Em segundo lugar, falava-se na contribuição europeia para a civilização marcada por relações pacíficas, mas exigindo-se uma Europa organizada e activa. Em terceiro lugar, refere-se a metodologia: a edificação da Europa por meio de realizações concretas, que criem antes de mais uma solidariedade efectiva, e pelo estabelecimento de bases comuns de desenvolvimento económico. Para tanto, importava  substituir as rivalidades seculares , entre povos durante muito tempo opostos por dissenções sangrentas. O que só poderia ser conseguido por uma fusão de interesses essenciais. E que se concretizaria pelo estabelecimento de uma comunidade económica, os primeiros alicerces de uma comunidade mais ampla e mais profunda ... e lançar assim as bases de instituições capazes de orientar um destino doravante partilhado. Dentro deste espírito é que criavam um primeiro instrumento: criar uma Comunidade Europeia do Carvão e do Aço que, de acordo com o artigo 1º, era baseada num mercado comum, em objectivos e instituições comuns. Como dizia Monnet, era a solução mais simples, mas também a de mais difícil execução, pois todos os interesses selhe opunham.
 
As instituições
Surgia uma Alta Autoridade de recorte supranacional, independente dos governos, gozando de largos poderes que lhe eram conferidos pelos Estados membros. Esta Alta Autoridade, instalada no Luxemburgo, a partir de 1952, era assistida por um Comité Consultivo, com representantes dos produtores, dos sindicatos e dos consumidores, e politicamente controlada por uma Assembleia comum, com sede em Estrasburgo. Surgia também um Tribunal de Justiça. Contudo, procurando obstar ao carácter tecnocrático e despótico  da Alta Autoridade, os países do Benelux reclamaram pela instituição de um Conselho especial de ministros, enquanto representante dos vários governos, a fim de que o executivo da comunidade não ficasse muito dependente das inevitáveis influências predominantes das principais potências, subscritoras do tratado, a França e a RFA. Instituía-se deste modo uma entidade transnacional, um novo centro político, para o qual eram transferidos parcelas de soberania estadual e que dentro das suas funções passava a dispor de um pleniotude de poderes. Não era mais uma organização interestadual, mas uma verdadeira comunidade. Dava-se assim cumprimento à proposta surgida da primeira reunião da Assembleia consultiva do Conselho da Europa, onde se propunha o estabelecimento de uma autoridade política europeia, com funções limitadas, mas poderes reais
 
Tratado de Roma (1957)
 
 O Tratado de Roma tanto é um recuo face aos projectos da CED e da Comunidade Política Europeia como até, em termos de desenvolvimentos institucionais, chega a ser menos supranacional e funcionalista que o próprio Tratdo de Paris instituidor da CECA.Com efeito, as novas instituições europeias são obrigadas à moderação estratégica, a uma redução nos ímpetos de certo integrismo supranacional, como haviam sido assumidos pela Bélgica e pela Holanda.Em vez de uma Alta Autoridade, um órgão até nominalmente dominante, entendido como centro da decisão, surge uma Comissão que, pela própria designação, constitui um órgão de carácter subordinado, onde o próprio presidente deixa de ser cooptado e passa a ser escolhido directamente pelos representantes dos Estados membros, através do Conselho. Isto é, em vez da acentuação federalista, opta-se por um estilo mais confederacionista da liderançaEm Março de 1957, o móbil político primordial era uma união cada vez mais estreita entre os povos europeus, para a defesa da paz e da liberdade e apelando para os outros povos da Europa que partilham dos seus ideais para que se associem aos seus esforços.Ideais que, através de uma Declaração Comum da Assembleia, do Conselho e da Comissão, de 5 de Abril de 1977, foi sublinhada quando se acrescentou o respeito dos direitos fundamentais consagrados designadamente nas Constituições dos Estados membros assim como na Convenção europeia sobre a defesa dos direitos do homem e das liberdades fundamentais.As novas comunidades visavam assegurar , mediante uma acção comum, o progresso económico e social dos países eliminando as barreiras que dividem a Europa, tendo como objectivo essencial a melhoria constante das condições de vida e de trabalho dos povos.Nos termos do artigo 2º do Tratado CEE a missão desta era a de promover, através do estabelecimento de um mercado comum e da aproximação progressiva das políticas económicas dos Estados membros, um desenvolvimento harmonioso das actividades económicas no conjunto da Comunidade, uma expansão contínua e equilibrada, uma estabilidade acrescid, uma subida acelerada do nível de vida e relações mais estreitas entre os Estados que a compõem.O Tratado de Roma, marcado pelo fracasso da CED, é mais uma vez inspirado por Jean Monnet que obrigou o chamado integrismo supranacional de Spaak a entrar na via da moderação. Assim, em vez de uma Alta Autoridade, aparece uma Comissão,onde esta deixa de ser um centro de decisão com o monopólio da decisão : on substitue un organe subordonné à un organe dominant, un organe qu'on veut abaisser à un organe qu'on voulait grandir .O próprio presidente da Comissão passa a ser escolhido directamente pelo Conselho, isto é, pelos Estados, deixando a escolha de ser pertença exclusiva do colégio dos comissários, como acontecia na CECA.O órgão fundamental passa pois a ser o Conselho, o que constituiria, segundo Duverger, la revanche du conféderalisme qu'incarne le Conseil sur le féderalisme qui définissait la Haute Autorité. Conforme Hallstein vem a reconhecer, neste sistema podemos reconhecer claramente as características de uma constituição federal; uma estrutura que depende da cooperação entre a entidade mais elevada e os Estados constituintes. Em 10 de Julho de 1957 já a Assembleia Nacional francesa ratificava o Tratado de Roma, sem dificuldades, nomeadamente pela circunstância do grupo de deputados gaullistas, face aos resultados eleitorais, ter passado de 121 para 21 membros. Mesmo anteriores opositores ao tratado de CED, como o relator do parcer parlamentar, o socialistas Alain Savary, saudavam a CEE e a CEEA, consideradas como meios para a obtenção do desesenvolvimento económico. No entanto, o restrito grupo gaullista decidiu votar contra a Europa de Jean Monnet. Agrava-se assim a ambiguidade institucional do projecto europeu, agora acompanhada pelo afrouxamento do sonho e pela quebra da unidade metodológica, pelo que se vão sesenvolvendo os métodos furtivos da eurocracia, dessa Europa confidencial, cada vez mais marcada pelo modelo da Razão de Estado.A partir do Tratado de Roma, a integração europeia em vez de ser sector por sector e passa a ser plurifuncional, isto é, aumenta em extensão, procurando abranger agora toda a economia. A nova palavra mágica, capaz de evitar as tradicionais disputas entre os cultores da federação e os invocadores da confederação, chama-se construção europeia. Se se conserva o modeleo das integrações sectoriais, agora alargadas à política agrícola e aos transportes, eis que, sob o nome de mercado comum, já se apela para uma fusão progressiva do conjunto das economias nacionais, em nome do princípio da liberdade de circulação de pessoas, mercadorias, serviços e capitais. Isto é, a largueza quantitativa é acompanhada pela menor intensidade funcional, dado que se abandona a ideia de pool, de partilha de poderes soberanos através de uma autoridade supranacional.Ficam as solidariedades de facto e as intenções não declaradas. Fica todo um espaço praeter legem cujo vazio passa a ser preenchido pelo florentinismo da eurocracia. O que levava Spaak a considerar que o mercado comum era um estádio no caminho para a união política, ou Hallstein a considerar que não estamos integrando economias, estamos integrando políticas.Deste modo, eis que a integração para o mercado comum ganha em pragmatismo aquilo que perde em sonho. Avança economicamente, mas restringe-se politicamente. Com o desaparecimento do protagonismo dos visionários programáticos do imediato pós-guerra, eis que, aos políticos, sucedem os tecnocratas. Chegava o tempo do fim das ideologias, como acontece sempre que, em qualquer construção, se entra numa fase de acabamentos, dado que deixam de ser fundamentais os esforços dos que lançam os alicerces ou as visões dos que os esboçam e os esforços planeamentistras dos que os arquitectam. A própria dialéctica do confronto entre democratas-cristãos e sociais-democratas cede lugar a lógicas de coligações, marcadas pelo pragmatismo e pelo um inevitável utilitarismo, de que se aproveitam associações económicas e financeiras.A Europa deixa de ser dos sonhadores da Europa e passa a ser dos tecnocratas e dos bancoburocratas. Os partidos europeus deixam também de ser partidos de militantes e passam a partidos de eleitores, a esquemas de catch all, moluscularmente interclassistas, vivendo constantemente os dramas populistas de um Estado Espectáculo.
Tratado de Verona de 1822,61,395
Tratado de Versalhes,61,396
Tratado de Versalhes,90,596
 
Tratado do Atlântico Norte (1949)
 
 NATO Contudo, não vai ser a União Ocidental a executar as principais dessas tarefas, dado que as funções económicas previstas no Tratado de Bruxelas foram quase todas absorvidas pela OECE as de defesa pela NATO, principalmente depois da criação, em 1951, do Supremo Comando Aliado na Europa, e as culturais pelo Conselho da Europa. No plano militar, as estruturas do Tratado de Bruxelas evoluem assim para a forma de um pilar europeu da Aliança Atlântica. A pressão soviética e a experiência organizacional da Europa ocidental vão levar os USA a um salto em frente. Os senadores Arthur Vandenberg e Tom Connoly, impulsionados pelo Secretário de Estado George Marshall, tinham conseguido fazer adoptar pelo Senado norte-americano em 11 de Junho de 1948, uma moção que recomendava a associação dos Estados-Unidos , pela via constitucional, com as medidas regionais ou colectivas, fundadas sobre uma ajuda individual e mútua, efectiva e contínua e a sua contribuição para a manutenção da paz afirmando a sua determinação de exercer o direito de legítima defesa individual ou colectiva em caso de ataque armado que afectasse a sua segurança nacional. As negociações entre norte-americanos, canadianos e membros da União Ocidental começaram logo em 6 de Julho de 1948, na sequência do Bloqueio a Berlim, de Junho de 1948. Em 9 de Setembro já cada governo dispunha de um relatório sobre a matéria. Em 15 de Março já os desencadeadores do processo convidavam ao que o mesmo aderissem a Dinamarca, a Islândia, a Itália, a Noruega e Portugal. Finalmente, em18 de Março de 1949, já se publicava o texto do acordo que viria a ser assinado, em Washington, em 4 de Abril de 1949.
 
Tratados de Paz
 
 
Jassi, 1792. Põe fim à guerra dos russos contra os trucos, começada em 1787.
Versalhes, 1783. Põe fim à guerra da independência norte-americana.
Cambrai, 1529. Põe fim à segunda guerra dos Habsburgos contra os Valois.
Crépy, 1544. Põe fim à guerra dos Habsburgos contra os Valois, desencadeada a partir de 1542.
Cateau-Cambrésis, 1559. Põe fim à sexta guerra entre os Habsburgos e os Valois, iniciada em 1556.
Augsburgo, 1555. Põe fim às guerras religiosas na Alemanha de Carlos V contra a Liga de Smalkalde, iniciada em 1546.
Vervins, 1598. Põe fim à guerra da Espanha contra a França, iniciada em 1590.
Lubeque, 1629. Põe fim à guerra dinamarquesa, iniciada em 1625.
Vestefália, 1648. Põe fim à Guerra dos Trinta Anos iniciada em 1630.
Pirinéus, 1659. Põe fim à guerra da França contra a Espanha, inciada em 1648.
Westminster, 1654. Põe fim à guerra dos ingleses contra os holandeses, inciada em 1652.
Aix-la-Chapelle, 1668. Põe fim à Guerra da Devolução, iniciada em 1667.
Ratisbona, 1684. Põe fim à guerra do Luxemburgo, iniciada em 1681.
Viena, 1689. Põe fim parte da guerra do Palatinado, iniciado em 1688.
Ryswijk, 1697. Põe fim à guerra do Palatinado.
Nystad, 1721. Põe fim à Guerra do Norte iniciada em 1699.
Utreque, 1714. Põe fim à Guerra da Sucessão de Espanha, iniciada em 1700.
Viena, 1738. Põe fim à guerra da sucessão da Polónia iniciada em 1733.
Aix-la-Chapelle, 1748.
Belgrado, 1739
Breslau, 1742
 
 
&Trattato di Sociologia Generale, 1916 Pareto procura formular através de um processo dito lógico-experimental, as relações invariantes entre chefes políticos e militantes e entre governantes e governados, reconhecendo a existência de elites em todas as actividades sociais. Neste sentido, procura observar as elites independentemente de uma perspectiva moral
 
Considera que a classe governante e o governo efectivo tanto usam a força, pela coerção, como o consentimento manipulado, através da arte política. Este segundo modo é principalmente actuado pela clientela política e no domínio dos bastidores.
Circulação de elites
Com efeito, os governantes usam as técnicas do leão e da raposa. Como estas raramente se reúnem na mesma pessoa, gera-se uma circulação de elites, entendida como a capilaridade que permite a passagem da elite não-governamental para a elite não governamental, dado que a elite não é estática, vivendo uma situação de transformação que embora lenta é contínua.
Relações com Marx
Toda a sua perspectiva assenta no dualismo elite- massa, uma variante psicologista que pretendia substituir o dualismo economicista de Marx. Mas, se se afasta deste no plano epistemológico, acaba por coincider com ele nas conclusões.
Os resíduos e as derivações
O dualismo assenta nos conceitos de resíduos e derivações. Os resíduos são sentimentos persistentes dentro do comportamento social. Derivações, as ideias desenvolvidas para se justificar o comportamento social, os meios pelos quais as acções dos homens são explicadas e racionalizadas. Nos resíduos, há, por um lado combinações, a mistura de símbolos antigos ou sentimentos tradicionais com usos modernos (v.g. as cores verdes e vermelhas dos semáforos) e, por outro, agregações persistentes, os resíduos em estado puro, sem qualquer combinação. As elites correspondem, em geral, a combinações. As massas, a agregações persistentes.
 
Traugott, M., Repertoires and Cycles of Collective Action, Durham, Duke University Press, 1995.
 
 
 
 
 
¾Treitschke, Heinrich Gotthard Von (1834-1896) Professor de história e política em várias universidades alemãs, como Leipzig, Friburgo, Kiel, Heidelberg e Berlim. Deputado entre 1871 e 1884. Autor de uma História da Alemanha no Século XIX, em sete volumes, onde assume o nacionalismo, acreditando no espírito do povo como capaz de produzer a unidade e a potência do Estado. Defensor de um Estado prussiano forte e de uma Weltpolitik que deveria desprezar os tratados internacionais que vinculavam a Alemanha. Considera que a moralidade de um Estado passa por este assegurar formas de poder que lhe permitam defender os respectivos interesses. É inspirador de uma série de autores do pangermanismo como F. Wohltmann e Johannes Unold. as respectivas teses justificam a política colonial germânica.
·Politik, 1897.
 
Trelles, Camilo Barcia, «Dos Interpretaciones Divergentes Respecto al destino de Europa. Nicolas Maquiavelo y Francisco de Vitoria. Su Reflejo en el Mundo Posbelico», in Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, vol. XXXIII, pp. 112-160, Coimbra, FDUC, 1958.
 
Trend, David, ed., Radical Democracy. Identity, Citizenship and the State, Londres, Routledge & Kegan Paul, 1995.
 
Trentin, Silvio Considera que "o Estado não pode conceber‑se senão como o regime das autonomias, isto é, como um regime, que conservando quanto à sua razão de ser um carácter rigidamente monista, permanece, ao mesmo tempo, essencialmente pluralista quanto à sua estrutura, à sua constituição orgânica".
·Les Transformations Récentes du Droit Public Italien
Paris, 1929.
·La Crise du Droit et de l’État
Paris, 1935.
 
Trento Actualmente a capital de Trentino-Alto Adige região italiana que inclui a província de Bolzano-Bolzen, bilingue, que faz fronteira com o Tirol austríaco. Aí se realizou o Concílio de 1545-1563 que marca a Reforma Católica.
 
Três Estados (1828, Maio) Em 5 de Maio de 1828, depois de uma representação da nobreza pedir aclamação de D. Miguel, o regente, por decreto, convoca os Três Estados, de acordo com a constituição histórica, conforme estudo levado a cabo pela junta para a reforma eleitoral segundo os usos, e estilos, desta Monarquia, e na forma praticada em semelhantes ocasiões, considerando que o faz conforme a necessidade já reconhecida por El-Rei Meu Senhor e pai, que Santa glória haja, na Carta de Lei de 4 de Junho de 1824 e para que reconheçam a aplicação dos graves pontos de direito português, e por este modo se restituam a concórdia e sossego público, e possam tomar assento e boa direcção todos os importantes negócios do Estado. Esta convocação, de acordo com os conselhos do duque de Cadaval e do visconde de Santarém, terá, aliás, desagradado ao grupo absolutista, à facção apostólica do partido absolutista de D. Carlota Joaquina e do Conde de Basto. Em 6 de Maio seguem as cartas de convocação, recomendando-se que a escolha dos procuradores dos povos pelas Câmaras incidisse sobre pessoas não suspeitas, que pretendam somente o serviço de Deus e do trono, e zelo do bem público, havendo o maior cuidado em que se não receba voto para procurador que não recaia em pessoa que não mereça aquele conceito. Em 7 de Maio são emitidos avisos do ministro da justiça aos corregedores das comarcas, onde se apela à manutenção da ordem pública, para que o mundo conheça que por uma vez acabaram entre nós essas tentativas revolucionárias com que uma facção perversa desde o ano de 1820 tanto mal nos tem feito e tanto nos tem desacreditado Os condicionamentos às escolhas são óbvios. Uma circular do intendente-geral da polícia do dia 17 classifica como subornados os votos a favor de D. Pedro e da Carta. E manda proceder a devassas a pessoas mal intencionadas, facciosas e inimigas das instituições e leis fundamentais da monarquia (que) premeditem subornar os eleitores para obterem votos ... devendo considerar e classificar como subornados os votos que recaírem em indivíduos facciosos, e que pelos seus sentimentos e opiniões políticas se tenham pronunciado inimigos dos verdadeiros princípios da legitimidade e sectários das novas instituições. Os membros dos braços do clero e da nobreza são convidados individualmente, não sendo advertidos para a eleição dos respectivos representantes. Contudo, segundo textos miguelistas de propaganda, estas cortes eram as mais numerosas que houverão desde o princípio da Monarchia, dado que nenhuma Eleição... foi mais livremente feita do que a dos Procuradores dos Povos para as Cortes de 1828 ... Eleições cercadas por toda a parte de obstáculos extraordinários... pois foram feitas por entre fileiras de Soldados revoltados que os Procuradores dos Povos atravessaram para virem cumprir a Missão que a Nação lhes dava. Em 23 de Maio já reuniam os Três Estados na Ajuda: 155 delegados do braço popular, entre os quais delegados de 84 concelhos; 29 delegados do Clero (o Patriarca de Lisboa, seis bispos, grão-priores de todas as ordens militares, prelados abades e priores); 110 da nobreza (12 marqueses, 41 condes, viscondes e barões), num total de 294 membros. Os delegados de Braga, Viseu, Guimarães e Aveiro não puderam comparecer porque as cidades em causa estavam na posse dos revoltosos. Alguns dias depois, no parlamento inglês, o novo ministro dos estrangeiros de Wellington, no poder desde o dia 8 de Janeiro desse ano, o conde de Aberdeen, referia que em Portugal jamais se tinha visto assembleia mais numerosa e respeitável pela dignidade, fortuna e carácter dos seus membros. O que era verdade, caso comparássemos a reunião com as assembleias de 1821 e de 1826, já que ninguém podia lembrar-se de a comparar com as Cortes de 1698. Inaugura a sessão D. Miguel. O bispo de Viseu, D. Francisco Alexandre Lobo, que fora ministro do reino cartista, em 1826, profere o discurso de proposição. Responde-lhe, pelo braço popular, o procurador letrado por Lisboa, José Acúrsio das Neves. No dia 25, reúnem-se separadamente: o estado do povo no Convento de S. Francisco; o do clero, na Igreja de Santo António da Sé; o da nobreza, na Igreja de S. Roque. O modelo obedecia ao mais rigoroso constitucionalismo, significando o triunfo daquela ala moderada do miguelismo que, à semelhança de idêntica franja dos pedristas, procurava retomar o consensualismo do Portugal Velho que havia sido eliminado pelo ministerialismo iluminista do absolutismo. Mas a solução continuava a chegar tarde demais e, ainda hoje, muitos analistas continuam a alcunhar esta reunião como manifestação do absolutismo, quando o recurso às cortes tradicionais constituía a mais profunda das reivindicações de todos quantos sempre se tinham oposto ao despotismo iluminado. No dia 25, os três braços das Cortes reuniram-se separadamente: o do povo no Convento de S. Francisco; o do clero, na Igreja de Santo Antóonio da Sé; o da nobreza, na Igreja de S. Roque. Uma comissão redigiu a declaração final: considera-se que desde 15 de Novembro de 1825, data da ratificação do tratado que confirmou a independência do Brasil, que D. Pedro, como soberano de um Estado estrangeiro, perdeu o direito à sucessão de Portugal que, portanto, nunca podia transmitir a um dos seus descendentes o direito a uma coroa que não herdara; muito menos a uma filha menor, a Princesa do Grão Pará, também ela estrangeira. Neste sentido, estando excluído o filho primogénito de D. João VI, de acordo com as leis fundamentais da monarquia, devia suceder-lhe o filho segundo, o Infante D. Miguel. As Cortes Gerais eram tão ou mais representativas que as Cortes Constituintes de 1821 tanto no plano quantitativo como no plano qualitativo. Certo que as eleições ocorreram sob pressão, talvez a mesma que incidiu sobre todos os actos eleitorais de 1821 a 1974...
 
[Três Idades Vários autores adoptam a visão cíclica da história como três idades ou três tempos. No passado há uma disfunção entre o bem e mal. No presente, dá-se a mistura entre os dois. O futuro, ou final, é o triunfo do bem sobre o mal. É o caso de Fiore, Turgot, Condorcet, Vico, Comte e Marx. Uma perspectivas típica do gnosticismo que também aparece na divisão da história em Antiguidade, Idade Média e Idade Moderna. ESPE I, p. 159. Comte: Tempo dos Reis ou Idade Teológica. Tempo dos Povos ou Idade Metafísica. a doutrina dos povos exprime o estado metafísico da política. Está fundada em totalidade na suposição abstracta e metafísica de um contrato social primitivo, anterior ao desenvolvimento das faculdades humanas pela civilização. Tempo dos Sábios ou Idade Cientifica e Industrial. Para ele os sábios devem elevar a política à categoria de ciências de observação
 
Treves, R., ed., L’Elite Politiche, Bari, Edizioni Laterza, 1961.
 
Trèves (em alemão Trier, de Augusta Treverorum) Um dos três principados eclesiásticos eleitores do Sacro Império, segundo a Bula de Ouro de 1356; em 1815 foi anexada pela Prússia; terra natal de Karl Marx; a cidade é hoje a capital da land  Renânia-Palatinado.
 
[Tribalismo Arendt considera ainda que o chauvinismo originou um nacionalismo tribal com a sua romântica glorificação do passado e o seu mórbido culto dos mortos. A consciência tribal ampliada , pelo contrário, pretende a identificação da nacionalidade do individuo com a sua alma ou a sua origem,estando na base dos movimentos de unificação étnica do pan‑eslavismo e do pan‑germanismo e surgiu como o nacionalismo daqueles povos que não haviam alcançado soberania de  Estado‑Nação ,sendo a força do imperialismo continental Cada uma dessas formas mentais dá origem a dois tipos ideais de nacionalismo:o nacionalismo tribal dos objectivistas e o chauvinismo dos subjectivistas.Segundo Hannah Arendt,o chauvinismo é extrovertido,interessado nas evidentes realizações espirituais e materiais da nação,enquanto o nacionalismo tribal é introvertido,concentrado na própria alma do indivíduo,que é tida como a encarnação íntrínseca de qualidades nacionais.Para a mesma autora,a mística chauvinista ainda aponta algo que de facto existiu no passado e procura elevá‑lo a um plano fora do controlo humano;o tribalismoo,por outro lado,parte de elementos pseudo‑míticos inexistentes,que se propõe realizar inteiramente no futuro
4 Isaacs, Harold, Power and Identity. Tribalism in World Politics, Nova York, Foreign Policy Association, 1979.4 Maffesoli, Michel, Le Temps des Tribus. Le Déclin de l’Individualisme dans les Societés de Masse, Paris, Méridien, 1988.4Idem, La Transfiguration du Politique. La Tribalisation du Monde, Paris, Éditions Bernard Grasset, 1992.
 
Tribalização
 
Tribo Comunhão de linguagem MALINOWSKY,47,299. a tribo de Malinowski, segundo as suas próprias palavras, consiste num grupo de pessoas que tëm a mesma tradição,o mesmo direito consuetudinário e as mesmas técnicas e igualmente a mesma organização de tipos menores,tais como a família,a municipalidade,a corporação ocupacional ou a equipa económica.Refere mesmo que o índice mais característico de unidade tribal lhe parece a comunhão de linguagem,pois uma tradição comum de habilidades e conhecimento,de costumes e crenças,apenas pode ser levada avante conjuntamente por pessoas que possuam a mesma língua. Malinowski refere que o estatuto de uma tribo‑nação pode ser sempre encontrado nas tradições ligadas às origens de um determinado povo e que definem as suas realizações culturais em termos de acção heróica ancestral.As lendas históricas, as tradições genealógicas e as explicações utilizadas para justificar as diferenças entre a sua própria cultura e a dos vizinhos entram nisso também A tribo como uma unidade cultural existiu provavelmente antes que a tribo política fosse organizada sob o princípio da força
Tribo -Malinowsky,47,299
Tribo -Obediência a fins conhecidos e perceptíveis HAYEK,39,240
 
[Tridimensionalidade do Direito. A consideração do direito como unidade dialéctica da validade, vigência e eficácia. Em primeiro lugar o direito é o ideal do direito, tem valores. Em segundo lugar, o ideal do direito é mediatizado pelo direito positivo, tal como os valores são positivados pelas normas. Em terceiro lugar, o direito existe para ser realizado, isto é, as normas têm de ser cumpridas. Essas três dimensões existem reciprocamente, estão em interacção, são elos de um só processo, coexistem numa unidade concreta. A validade corresponde aos valores à essência: é a justiça, o ideal do direito, uma ordem positiva de valores. A vigência impõe um sistema, mas um sistema aberto tanto à validade, aos valores, como à histórica realidade social, porque o direito se estabiliza numa determinada ordem jurídica. A eficácia tem a ver com as circunstâncias, com a realização do direito no caso concreto, porque o direito existe para ser realizado. O direito é valor, norma e facto. Só para o valor se realiza (o momento teleológico), só pela norma se sistematiza (o momento estrutural), só no facto social se realiza (o momento situacional). O direito é assim ordo ordinans (o momento da validade), ordo ordinata (o momento da vigência), é uma intenção axiológico-normativa para uma determinada situação histórica. Tem uma dimensão axiológico-normativa, uma dimensão normativo-racional e uma dimensão normativo-real. Se a validade tem a ver com o irrealizável, já a eficácia é a procura da realização, levando a sucessivas antinomias, como a que transparece das tensões justiça/ oportunidade, liberdade/ ordem, ou justiça/ segurança. Daí a interacção: o padrão das normas, a validade ética, quer a justiça no caso concreto através da sentença. A validade formal, a mediatização dos valores, diz que o vigente tanto quer ser legítimo como eficaz. A validade social, o cumprimento ou aplicação do direito, diz que a lei quer assumir a consensualidade do costume. Assim, o direito só no facto social se realiza, só pela norma, só para o valor.
 
óTrieste Capital da península da Istria; foi governada pelos seus bispos do século X ao século XIII, colocou-se a partir de 1382 sob a protecção dos Habsburgos austríacos, para evitar as pressões de Veneza; ocupada pelos franceses em 1805, voltou à Áustria em 1814; em 4 de Novembro de 1918 voltou à Itália; ocupada pelas tropas de Tito em 1945 que pretendeu integrar a cidade na Jugoslávia; pelo Tratado de Paris de 10 de Fevereiro de 1947 foi criado o território livre de Trieste, neutro e desmilitarizado, sob a protecção da ONU, com uma zona sob administração anglo-americana e outra sob administração jugoslava; em 5 de Outubro de 1954, a zona de administração anglo-americana foi restituída à Itália
 
Trigoso, Sebastião Francisco Mendo (1773-1821) Irmão de Francisco Trigoso Aragão Morato. Censor régio da mesa do Desembargo do Paço. Membro da comissão da Academia das Ciências, autora do projecto constitucional de 21 de Outubro de 1820.
 
 
Trigueiros, Luís Forjaz (1915-1999)
Visão Sócio-Política dos Séculos XV e XVI na Europa, Lisboa, 1972.
Camões e a Europa da Encruzilhada, Viana do Castelo, 1982.
 
Trindade, Hélgio, Integralismo. O Fascismo Brasileiro na Década de 30, São Paulo, Edições Difel, 1974.
 
Trindade, Teófilo José da (1856-1936) Ministro das colónias do governo de Pimenta de Castro, de 28 de Janeiro a 10 de Março de 1915, passando para a pasta dos negócios estrangeiros até 15 de Maio do mesmo ano.
 
Trindade e Tobago República das Caraíbas. 5 128 km2 e 1. 262 000 habitantes. 40% de negros e 40% de hindus, trazidos estes no século XIX. Duas ilhas. Trinidad, a 12 km das costas da Venezuela, depois do domínio espanhol passou a possessão britânica em 1802. Tobago, holandesa desde 1632 e, depois, francesa, conquistada pelos britânicos em 1814. Importantes jazigos de petróleo que começam a ser explorados nos anos vinte. Autonomia interna desde 1950, ganhando as eleições Eric Williams, chefe do Movimento Nacional Popular, que se mantém no poder até à morte, em 1981. Independência em 1962. Descoberta de importantes jazigos de gás natural em 1973.
 
Tripartisme (1947) Nome da coligação de democratas-cristãos, socialistas e comunistas que em França sustentou o governo de Paul Ramadier, em Janeiro de 1947. Reacção de De Gaulle que em 7 de Abril funda o RPF.
 
Tríplice Aliança (1882) Aliança entre a Alemanha, a Áustria e a Itália. Contra, vai surgir a Tríplice Entente (1907), a partir da Entente Cordiale, reunindo o Reino Unido, a França e a Rússia.
 
Troeltsch, Ernst (1865-1923) Historiador e sociólogo alemão, discípulo de Dilthey, responsável pela criação da expressão historicismo, em Der Historismus und seine Uberwindung, de 1922.
 
 
 
Trotsky, Lev (1879-1940) Pseudónimo de Lev Davidovitch Bronstein. Judeu russo. Começa como menchevique. Adere aos bolcheviques em 1917, sendo um dos principais organizadores da Revolução de Outubro. Comissário do Povo para as Relações Exteriores, negoceia a Paz de Brest-Litovsk de 1918. Comissário do Povo para a Guerra, de 1918 a 1924, organiza o Exército Vermelho e alcança a vitória na guerra civil. Expulso do PCUS em 1927. Funda a IV Internacional em 1937. Exilado no México, onde é assassinado por agentes de Estaline. Teoriza a chamada revolução permanente. Dessa Revolução de 1905, irá dizer Trotski, então ainda ligado aos mencheviques e que se vai destacar como um dos principais líderes do soviete de São Petersburgo: a Revolução morreu, viva a Revolução. A partir de 8 de Outubro de 1917, já é presidente do Soviete de Petrogrado. Às 22 horas Às dez da noite desse mesmo dia, já Trotski pode proclamar: o Governo Provisório foi derrubado. O poder foi transferido para o comité revolucionário que garantirá a conclusão de uma paz democrática, a abolição da propriedade privada na indústria, o controlo operário da produção e a formação de um governo dos sovietes.
 
 
A Revolução Desfigurada, Lisboa, Antídoto, 1977
A Revolução Permanente na Rússia, Lisboa, Antídoto, 1977
Como Fizemos a Revolução, Porto, Livraria Latitude, 1971
 
 
 
Trotskismo
 
Truman, David B. Politógo norte-americano que retoma a senda da teoria dos grupos de Bentley.
·The Governmental Process. Politic Interests and Public Opinion
Nova York, Alfred A. Knopf, 1951.
·Community Power and Political Theory
New Haven, Yale University Press, 1963. Com Nelson W. Polsby.
·«Disillusion and Regeneration. The Quest for a Discipline»
In American Political Science Review, n.º Dez., pp. 865-873, Washington D. C., APSA, 1965.
·«The Behavioral Movement in Political Science. A Personal Document»
In Social Research, n.º Mar., 1968.
 
 
 
Truman, Harry S. Presidente norte-americano que sucede a Franklin Roosevelt. Um dos principais protagonistas da Guerra Fria, elaborando a chamada doutrina Truman, segundo a qual os norte-americanos deveriam apoiar todos os povos livres na sua resistência face a um ameaça de subjugação levada a cabo por minorias armadas ou por pressões externas. O modelo justificou o apoio a forças anticomunistas na guerra civil grega, bem como o apoio à Turquia face às pessões soviéticas. Ver Memoirs, Garden City, Doubleday, 1955-1956.
 
trust
Trust,55,355
 
Trustee Quando um representante actua de forma independente, decidindo o que é melhor para o interesse dos respectivos constituintes. O contrário do mandato imperativo dos deputados.
 
Trusteeship Locke considera também que o poder político como uma delegação parcial dos poderes dos indivíduos em certos homens,concebendo‑o,portanto,como simples trust ou trusteeship,como um fiduciary power. Este trust não é propriamente um contrato, mas um poder‑dever, uma missão, um encargo que o povo confia àqueles que o representam.Como ele diz em Two Treatises (I,93) os membros do povo não têm obrigação contratual face ao governo, e os governantes beneficiam do governo somente como membros do corpo político Nega cruamente a possibilidade de um poder absoluto oriundo da comunidade e teme,inclusive, os excessos da vontade da maioria,considerando que o problema do poder é um problema moral.
 
Truyol y Serra
 
Tsebelis, George, Nested Games. Rational Choice in Comparative Politics, Berkeley, University of California Press, 1990.
 
TSETUNG, MAO (1893-1976)