Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004

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ANO:1812


SUMÁRIO:
Destaques Cronologia Acontecimentos Bibliografia Personalidades Livros do Ano Falecimentos e Nascimentos

I – DESTAQUES

PORTUGALMUNDO

Política

· Campanha da Sexta Coligação (Junho a Dezembro)

· Napoleão entra em Moscovo (Setembro)

· Napoleão retira de Moscovo (Outubro)

Ideias

· Manuel Borges Carneiro Em 1812 aparece na comarca de Leiria

· Doceanismo:

- Cádis, Revolução de. A revolução liberal espanhola de 1812 que deu origem a uma Constituição que inspirou a portuguesa de 1822.

- Constituições Espanholas A primeira constituição escrita é a Constituição de Cádis, promulgada em 19 de Março de 1812 e anulada por Fernando VII em 4 de Maio de 1814. Reposta em 1820 volta a ser revogada em 1823.

· Guizot Professor de história moderna na Sorbonne

 

 

II – CRONOLOGIA

NACIONAL

INTERNACIONAL

· Palmela nomeado embaixador em Londres

· 19 de Março Constituição de Cádis. Será anulada por Fernando VII em 4 de Maio de 1814. Reposta em 1820 volta a ser revogada em 1823.

 

· 12 de Abril Alexandre havia ultimado Napoleão para este abandonar a Prússia, depois de ter alterado drasticamente as linhas fundamentais da respectiva política de alianças. A Rússia estava em guerra com a Turquia e, em troca do apoio britânico, abandonara o Bloqueio Continental. Além disso, juntava-se à Suécia, onde reinava um antigo marechal napoleónico, Jean-Baptiste Bernadotte.

 

· Setembro

7 Batalha de Borodino Miguel Kutosov, um velho general, depois da indefinida Batalha de Borodino, onde os russos apenas obtiveram uma meia vitória, optou pela retirada e pela política de terra queimada visando conseguir a ajuda do General Inverno.

15 Napoleão, apoiado pela Prússia e pela áustria, com uma Grande Armé de 500 000 homens ainda entra em Moscovo, de onde tinham fugido praticamente todos os habitantes, e incendeia o Kremlin. Contudo, a resistência russa (opoltchénie) ganha alento com a ofensa e começa a luta pela libertação .

 

· 18 de Outubro Napoleão é forçado a ordenar a retirada da Rússia dos seus exércitos, que são particularmente dizimados, no mês seguinte, na travessia do Berezina. Era, como então dizia Talleyrand, le commencement de la fin de Bonaparte, ao mesmo tempo que ocorriam as derrotas na península ibérica.

 

· Ainda m 1812...

- Tratado de Bucareste integra a Bessarábia na Rússia. Através deste Tratado, russos e austríacos obrigam o Sultão a conceder ma certa autonomia ao sérvios.

 

 

III - ACONTECIMENTOS DO ANO

 

Campanha da Rússia- Sexta Coligação- (Junho a Dezembro de 1812) Em 24 de Junho de 1812 Napoleão, apoiado pela Prússia e pela áustria, inicia a campanha contra a Rússia, com a Grande Armé de 500 000 homens· Em 1808 Napoleão tivera um novo encontro com Alexandre em Erfurt; em 1811 a França anexara o ducado de Oldenburgo; em 12 de Abril de 1812, Alexandre ultima Napoleão para este abandonar a Prússia; a Rússia estava em guerra com a Turquia e furava o Bloqueio Continental, em troca do apoio britânico; aliava-se também à Suécia; vitória dos russos sobre os franceses em Borodino (7 de Setembro de 1812); Napoleão entra em Moscovo em 14 e 15 de Setembro; em 18 de Outubro começa a retirada de Napoleão da Rússia; em Fevereiro de 1813 já os russos estão em Varsóvia.

A invasão da Rússia por Napoleão Em 24 de Junho de 1812, o Imperador francês, apoiado pela Prússia e pela áustria, acaba por invadir a Rússia, depois de, no ano anterior, já ter anexado o ducado de Oldenburgo. Trata-se de uma espécie de guerra total, dado que, para além da operação militar, Napoleão entra nos domínios da guerra psicológica, chamando aos russos os bárbaros do Norte e chegando até a forjar um falso Testamento Políticode Pedro o Grande. Tal como na posterior invasão hitleriana, há uma cobertura ideológica para o processo. E não é por acaso que o português Gomes Freire de Andrade, que há-de vir a ser Grão Mestre da nossa Maçonaria, depois de ter sido condecorado como herói russo na guerra contra os turcos, acaba por sobrepor a ideologia às antigas amizades, integrando as forças napoleónicas que invadiram a Rússia. Refira-se que os meios armados utilizados por Napoleão constituíam um dos primeiros modelos de exército nacional, organizado segundo uma ideia neo-imperial sobre a Europa. Por isso lhe foi dado vencer a manta de farrapos dos exércitos mercenários e corporativos que teve de combater. A unidade maior, a Europa napoleónica, nascia assim da conjugação de três factores: uma força armada eficaz; uma ideia-força - a ideologia da liberdade, igualdade e fraternidade - e, sobretudo, um Estado Director - a França. A síntese dessa tríade vai ser um Robespierre a cavalo: Napoleão. E tudo se vai transformar, tanto entre os aderentes como no seio dos próprios opositores. O Estado Moderno na Alemanha, por exemplo, acaba por nascer dessa invasão napoleónica, dado que a mesma levou a um reordenamento da paisagem política, com a supressão de centenas de entidades ditas soberanas, oriundas da Paz de Vestefália. Acontece apenas que o feitiço vai voltar-se contra o próprio feiticeiro. Com efeito, depois da áustria ter sido batida em 1805 e 1809 e de idêntica circunstância ter ocorrido com a Prússia em 1806 e 1809, vai surgir a reacção. O rei da Prússia é obrigado a assumir a libertação nacional proposta por intelectuais como Fichte, nos seus Discursos à Nação Alemã. E utilizando generais como Clausewitz e políticos como Stein, o Estado prussiano vai copiar os modelos franceses. Institui-se, sobretudo, um exército nacional, assente no serviço militar obrigatório. Assim, o corpo auxiliar prussiano, conduzido por Yorck, mesmo sem ordem directa do rei da Prússia, vai colocar-se ao lado de Alexandre, por ocasião da contra-ofensiva russa. E são os prussianos, comandados por Blücher, que, em Waterloo, acabam por salvar Wellington, no último momento. No entanto, como, mais tarde, vai acontecer com a invasão hitleriana, a guerra psicológica do invasor napoleónico acaba por dividir os russos e amortecer a resistência. Alguns movimentos messiânicos referem mesmo que, com Napoleão, regressará o desejado Pedro III, para cumprir a promessa de libertação dos servos, apesar da Igreja Ortodoxa desde logo qualificar o Imperador dos Franceses como o Anti-Cristo. Só a médio prazo se refazem os laços russos da solidariedade patriótica e se organiza um exército capaz de repelir o invasor.

 

 

IV – BIBLIOGRAFIA

AUTORES

OBRAS

BYRON, Lord

Childe Harold’s Pilgrimage 1812.

FICHTE

Rechtslehre , 1812.

HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich (1770-1831)

Wissenschaft der Logik, 1812-1816.

LISBOA, José da Silva

Extracto das Obras Politicas e Economicas de Edmund Burke Rio de Janeiro, 1812, 2 vols..

OWEN, Robert

The New View of Society

V - PERSONALIDADES DO ANO

Castlereagh, Visconde de (1769-1822) Robert Stewart Castlereagh. Político britânico. Secretário da guerra (1805-1806 e 1807-1809). Secretário dos negócios estrangeiros (1812-22). Não aprovou a Santa Aliança. Suicidou-se.

Martínez Marina, Francisco 1754-1833 Inspirador do liberalismo espanhol. Eclesiástico perseguido pela Inquisição, chegando a reitor da universidade de Alcalá de Henares. Autor de Teoría de las Cortes e Grandes Juntas Nacionales de los Reinos de León y Castilla, onde proclama que os tais áustrias e Bourbons produziram uma monstruosa reunião de todos os poderes numa pessoa, o abandono e a abolição das Cortes e três séculos de escravidão e do mais horroroso despotismo. Procurando retomar o contratualismo e o regime misto, herdeiro das teses de São Tomás de Aquino e de Suarez, reflecte um ambiente que teve alguns reflexos nalguns dos principaisa textos da própria revolução de Cádis: nada oferece a Comissão no seu projecto que não tenha saido consignado do modo mais autêntico e solene nos deferentes corpos da legislação espanhola, a não ser que se considere como novo o método com que se distribuíram as matérias, ordenando-as e classificando-as para que formassem um sistema de lei fundamental e constitutivam de maniera que nele estivesse contido, com enlace, harmonia e concordância quanto têm disposto as leis fundamentais de Aragão, de Navarra e de Castela

VI - LIVROS DO ANO

VII - FALECIMENTOSE NASCIMENTOS

FALECIMENTOS

NASCIMENTOS

COUTINHO Teixeira de Andrade Barbosa, Rodrigo de Sousa (1745-1812)

HERZEN, Aleksandr (1812-1870)

HILDEBRAND, Bruno (1812-1878)


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© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 01-05-2009 © José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 01-05-2009