Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
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ANO:1856
| Destaques | Cronologia | Acontecimentos | Bibliografia | Personalidades | Livros do Ano | Falecimentos e Nascimentos |
| PORTUGAL | MUNDO | |
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Política |
· Governo de Loulé (Junho) · Revolta das Subsistências (Agosto) · Eleições (Novembro) |
· Termina a Guerra da Crimeia com o Tratado de Paris (Março) · Guerra entre a Inglaterra e a Pérsia · Constituição Espanhola de 1856 |
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Ideias |
· Publicadas as Poesias de Soares dos Passos. · Surge o Almanaque do Cultivador em 1856-1857
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· Rudolf Hermann Lotze (1817-1881), na sua obra Mikrokosmos, 1856- 1864, quando distinguiu realidade, verdade e valores, mundos a que corresponderiam as conexões causais, as conexões de sentido e as conexões de fim. O modelo foi adoptado por Heinrich Rickert e pela escola neo-kantiana de Baden. Também Nietzsche usa a expressão valor, considerando-a como equivalente ao conceito clássico de bem. · Tchernichevski foi um dos mais importantes colaboradores da revista Sovremennik (O Contemporâneo), publicada em São Petersburgo de 1836 a 1866. Nela também colaboraram Belinski, em 1847-1848, e Turguenev. · O padre jesuíta russo Ivan S. Gagrine, tradutor de Tchaadaev para francês, em La Russie sera-t-elle catholique?, de 1856, atacava os eslavófilos por quererem estabelecer a mais completa uniformidade religiosa, política e nacional, dado que na sua política exterior, querem fundir todos os cristãos ortodoxos, de qualquer nacionalidade, e todos os eslavos de qualquer nacionalidade, num grande império eslavo e ortodoxo. · Alexis de Tocqueville critica nos intelectuais políticos, a sua falta de experiência e a sua tendência para propalarem ideias gerais que levam a extremismos simplistas. |
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NACIONAL |
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· Janeiro 5 As Cortes são adiadas por 14 dias, até 19 de Janeiro. |
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· Fevereiro 16 Confronto entre Saldanha e o conde de Tomar. Discussão na Câmara dos Pares entre Saldanha e António Bernardo da Costa Cabral, durante três horas. |
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· Março - Discurso do Visconde da Fonte da Arcada sobre a crise agrícola. |
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· Junho - D. Pedro V recusou a Saldanha uma fornada de vinte pares considerando que a oposição é uma condição essencial dos governos representativos, e todo o ataque que se lhe dirige é um ataque que vai recair sobre as próprias instituições. 6 Governo de Loulé. Até 16 de Março de 1859. 1014 dias. 2º governo da Regeneração. 1º governo histórico. 3º governo sob o reinado de D. Pedro V. Promove as eleições de 9 de Novembro de 1856 e de 2 de Maio de 1858. Presidente começou por acumular apenas os estrangeiros; logo em 25 de Junho de 1856 passou a acumular as obras públicas, até 14 de Março de 1857; desde esta data acumulou os estrangeiros e o reino. José Jorge Loureiro na guerra e na fazenda (até 23 de Janeiro de 1857). Júlio Gomes da Silva Sanches no reino, mas por ausência deste, a pasta foi interinamente assumida por Loulé até 25 de Junho de 1856. Elias da Cunha Pessoa nos negócios eclesiásticos e justiça (até 14 de Março de 1857). Sá da Bandeira na marinha e ultramar e nas obras públicas (até 25 de Junho de 1856). Sá da Bandeira foi sempre ministro da marinha, mas acumulou as obras públicas até 25 de Junho de 1856 e a guerra desde 23 de Janeiro de 1857. Silva Sanches começou no reino, acumulou com a fazenda, desde 23 de Janeiro de 1857, e ficou apenas na fazenda desde 14 de Março de 1857. 16 Carta de lei autoriza a criação do Banco Mercantil. Estavam apenas em funcionamento o Banco de Portugal em Lisboa e o Banco Comercial do Porto. 25 Sá da Bandeira cede as obras públicas a Loulé (até 14 de Março de 1857). Júlio Gomes da Silva Sanches assume efectivamente a pasta do reino (até 14 de Março de 1857) |
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· Julho 24 Liberdade para os filhos dos escravos nascidos no ultramar, depois de atingirem os 20 anos |
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· Agosto 8 Revolta das subsistências. Por causa do mau ano agrícola (no Outono de 1855, grandes chuvadas e cheias), houve uma manifestação em Lisboa contra a alta do custo de vida, numa das primeiras revoltas dos abastecimentos. Tumultos e assaltos a lojas. Autorizadas importações de géneros alimentícios. 28 Constituída a Associação Geral do Comércio e Hipotecas. |
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· Setembro 5 é emitido o manifesto da comissão eleitoral progressista de Lisboa. Já antes, em 3 de Julho, O Portuguez anunciara que o partido progressita anunciaria em breve o respectivo programa. Com efeito, o grupo de Rodrigo e Fontes nunca tivera um programa formal 29 Decreto aumenta o número de deputados de 156 para 162. Mais cinco no Continente. Mais um em Ponta Delgada. |
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· Outubro 28 Tem lugar a inauguração solene do caminho de ferro entre Lisboa e o Carregado. |
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· Novembro 9 Eleições. Vitória dos governamentais, então ditos progressistas históricos (72%), contra os adeptos do anterior governo, ditos progressistas regeneradores, que apenas conseguem 41 deputados (25%). Miguelistas elegem cinco deputados que recusam prestar juramento (3%). Em Lisboa, grande votação nos regeneradores, que conseguem oito deputados. A anterior unidade entre os setembristas moderados e os homens novos do situacionismo regenerador começou a ser quebrada a partir de 1853, quando começou a publicar-se O Portuguez, bastante crítico de Fontes e que logo em 1854 mobiliza uma reunião do partido histórico, ou partido liberal, conforme a expressão de Alexandre Herculano, grupo que em 1856 se entifica numa Comissão Eleitoral progressista de Lisboa. A legislatura vai decorrer de 2 de Janeiro de 1857 a 26 de Maio de 1858. Por ocasião da discussão do discurso da Coroa, surgem discursos oposicionistas de José Maria Eugénio de Almeida e de António Bernardo da Costa Cabral (20 de Fevereiro de 1857). No entanto, em 14 de Março seguinte, dois antigos cabralistas, António José de ávila e Carlos Bento da Silva, passavam-se para os históricos, assumindo funções governamentais. - Epidemia de cólera instala-se e difunde-se. De Outubro de 1855 a Novembro de 1856, só em Lisboa há 3 275 mortos. Durante o mês a epidemia de cólera extingue-se, mas começa a da febre amarela, a partir de Agosto. |
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· Ainda em 1856... - Péssimo ano agrícola e subida dos preços. |
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INTERNACIONAL |
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· 30 de Março Fim da Guerra da Crimeia com o Tratado de Paris. Inglaterra, França e áustria garantem a independência da Turquia. - Pelo mesmo Tratado de Paris, a Bessarábia do Sul passou para o Principado da Roménia, retornando à Rússia em 1878. - Entre 1856 e 1859, a Valáquia e a Moldávia ficaram como protectorado comum das potências signatárias do Tratado de Paris; segundo os termos do tratado, cada uma delas elegeria um hospdar por sufrágio universal, que seria investido pelo sultão. |
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· 3 e 4 de Novembro Frota inglesa bombardeia Cantão |
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· Ainda em 1856... - Guerra entre a Inglaterra e a Pérsia - O czar Alexandre II concede amnistia aos rebeldes polacos. - Natal passa a colónia inglesa, reconhecendo-se os poderes de uma assembleia eleita. No Transvaal organiza-se uma República Sul Africana, com Marthinius Pretorius. - Constituição Espanhola de 1856, elaborada por nova constituinte, eleita em 1854. é a nonata, porque, apesar de aprovada, nunca entrou em vigor. |
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AUTORES |
OBRAS |
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CASTRO, J. Luciano de |
A Questão das Subsistências |
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COMTE, Auguste |
Synthèse Subjective ou Système des Concéptions Propres à l’état normal de l’humanité. I. Système de Logique Positive, ou Traité de Philosophie Mathématique |
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FERRãO, Francisco António Fernandes da Silva (1798-1874) |
Theoria do Direito Penal Applicada ao Código Penal Portuguez, Lisboa, Typ. Universal, 1856 |
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FLAUBERT, Gustave |
Madame Bovary |
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HERCULANO, Alexandre |
Portugaliae Monumenta Historica , I |
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LOTZE, Rudolf Hermann (1817-1874) |
Mikrokosmos, 1856
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MELO, Clemente José de |
Saint-Simon considerado como reformador religioso, Braga, 1856 |
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NOGUEIRA, J. F. Henriques |
O Município no século XIX |
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NOGUEIRA, Joaquim Félix Henriques (1825-1858) |
O Município no Século XIX, 1856
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TAINE |
Essai sur Tite-Live |
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TOCQUEVILLE, Alexis de |
L’Ancien Régime et la Révolution |
Outro dos precursores do pan-eslavismo é um eslavo ocidental, o luterano eslovaco, em Os Eslavos e o Mundo Futuro, obra escrita em alemão no ano de 1856, mas apenas publicada em tradução russa em 1867. Aliás, nunca tal autor visitara a Rússia, sendo, sobretudo, marcado pelo romantismo alemão de Jena. O movimento eslavófilo, com efeito, não só começou fora da Rússia como teve os seus principais impulsos em dois tradicionais adversários do ortodoxismo russo: o catolicismo e o luteranismo. Isto é, gerou-se no paradoxo do amor-ódio, assumindo-se, portanto, como um nacionalismo estrangeirado, apesar de, mais tarde, ter-se nacionalizado essa tendência importada. Contudo, o elemento marcante na conformação da escola vai ser o idealismo alemão, num crescendo que vai de Herder a Hegel, passando por Schelling. De facto, só a partir dos anos quarenta do século XIX é que a eslavofilia se assume como antiocidentalista. Ou melhor: como forma de reacção contra as ideias que se tornavam dominantes no Ocidente de então. Contudo, a eslavofilia foi tão antiocidentalista quanto os próprios movimentos culturais que, no Ocidente, também reagiam contra a filosofia triunfante dos meados do século XIX. Até podemos dizer, de forma simplificada, que a questão eslavófila no interior da Rússia não passou de um debate historicista entre os que pretendiam conservar a Rússia nas sendas abertas pela ruptura de Pedro o Grande e os que, com uma certa nostalgia pelo ventre materno, pretendiam retomar a autenticidade do modelo político, cultural e religioso da era pré-petroviana. A ideia de regresso às origens, visando retomar a tradição da Rússia profunda é tal que alguns dos eslavófilos até renegam as próprias teses da Rússia como Terceira Roma, consideradas como uma forma de colonização bizantina. Compreende-se, assim, que alguns deles reneguem o ortodoxismo estabelecido, procurando aproximar-se de outras formas de cristianismo, como o catolicismo e o luteranismo, conversões que talvez constituam meras formas de sublimação do instinto de Velhos Crentes. Os movimentos em causa foram, ainda assim, particularmente apoiados pelos russos, que tinham criado, a partir de 1856, uma Sociedade Eslavófila, destinada a apoiar os povos eslavos na construção de escolas e igrejas.
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Ancien (De l') Régime à la Révolution, 1856 Obra de Alexis de Tocqueville que abrange os seguintes temas - no Livro Primeiro: juízos contraditórios sobre a Revolução no momento do seu nascimento; o objectivo fundamental e final da Revolução não era, como se acreditou, destruir o poder religioso e enfraquecer o poder político; de que modo a Revolução Francesa foi uma revolução política que procedeu à maneira das revoluções religiosas e porque razão; como quase toda a Europa tinha precisamente as mesmas instituições e como essas instituições caíram por todo o lado em ruína; qual foi a obra específica da Revolução Francesa. No Livro Segundo: porque razão os direitos feudais se tornaram mais odiosos ao povo em França do que em qualquer outro lugar; como a centralização administrativa é uma instituição do Antigo Regime e não obra da Revolução nem do Império, como se afirma; como aquilo que hoje se denomina tutela administrativa é uma instituição do Antigo Regime; como a justiça administrativa e a segurança dos funcionários são instituições do Antigo Regime; como a centralização conseguira introduzir-se deste modo entre os antigos poderes e supantá-los sem os destruir; acerca dos hábitos administrativos sob o Antigo Regime; como a França já era, de todos os países da Europa, aquele em que a capital havia adquirido maior preponderância sobre as províncias e melhor absorvia todo o império; como a França era o país onde os homens se tinham tornado mais parecidos uns com os outros; de que modo estes homens tão semelhantes estavam mais separados que nunca em pequenos grupos estranhos e indiferentes uns aos outros; como a destruição da liberdade política e a separação de classes causaram quase todos os males de que morreu o Antigo Regime; que espécie de liberdade se encontrava sob o Antigo Regime e da sua influência sobre a Revolução; como, apesar do progresso da civilização, a condição do camponês era por vezes pior no século XVIII do que fora no século XIII. No Livro Terceiro: como, por meados do século XVIII, os homens de letras se tornaram os principais homens políticos do país, e os efeitos que disso resultaram; como tinha podido a irreligião tornar-se uma paixão geral e dominante entre os franceses do século XVIII, e que espécie de influência isso teve sobre o carácter da Revolução; como os Franceses quiseram reformas antes mesmo de quererem as liberdades; de que modo o reino de Luís XVI foi a época mais próspera da antiga monarquia, e como essa mesma prosperidade apressou a Revolução; de como revoltaram o povo querendo libertá-lo; sobre algumas práticas com o auxílio das quais o governo concluiu a educação revolucionária do povo; como uma grande revolução administrativa havia precedido a revolução política, e as consequências daí advindas; como a Revolução saiu de si própria atendendo ao que precede. |
VII - FALECIMENTOS E NASCIMENTOS FALECIMENTOS NASCIMENTOS CABET, étienne (1788-1856) CARVALHO, José da Silva 1782-1856 KIRIEVSKI, Ivan Vasiljevic (1806-1856) SANTARéM, Visconde de, Manuel Francisco de M. M. L. e Carvalhosa, 2º (1791-1856) STIRNER, Max (1806-1856) STúR, L'udevit (1815-1856) TCHAADAEV , Piotr (1794-1856) THIERRY, Augustin (1795-1856) BABBIT, Irving (1856-1933) BASTOS, F. J. Teixeira (1856-1901) FERRI, Enrico (1856-1929) FREUD, Sigmund (1856-1939) HAURIOU, Maurice (1856-1929) KELLOG, Frank Billings (1856-1937) LOWELL, Abbot Lawrence 1856-1943 MENENDéZ y PELAYO, Marcelino (1856-1912) PéTAIN, Philippe (1856-1951) PLEKHANOV, Giorgy (1856-1918) SHAW, George Bernard (1856-1950) STAMMLER, Rudolf (1856-1938) TAYLOR, Frederic Winslow (1856-1915) TELES, Basílio (1856-1923) WOODROW WILSON, Thomas (1856-1924)
© José Adelino Maltez.
Todos os direitos reservados.
Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência:
Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info).
Última revisão em: 01-05-2009
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