Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
| || | Home |
ANO:1862
| Destaques | Cronologia | Acontecimentos | Bibliografia | Personalidades | Livros do Ano | Falecimentos e Nascimentos |
| PORTUGAL | MUNDO | |
|
Política |
· Remodelação governamental (Fevereiro) · Irmãs da Caridade abandonam Portugal (Junho) · Revolta da Maria Bernarda, em Braga (Setembro) · Instabilidade relacionada com legislação agrícola |
· Lincoln abole a escravatura (Setembro) · Bismarck assume o poder na Prússia (Setembro) · |
|
Ideias |
· José Teixeira, Da Estatística e da sua Aplicação aos Factos Sociais · José Ferreira Lapa, Química Agrícola.
|
· Vítor Hugo, Os Miseráveis. · Nihilismo. Do lat. nihil, nada. Expressão cunhada pelo romancista russo Turguenev em 1862, ligando-a à esterilidade do que existe. Uma forma de super-racionalismo individualista, ligado às utopias sociais anarquistas, segundo as quais o homem deve livrar-se de regras, construindo, na solidão, as suas próprias regras, numa ideia libertacionista. Conforme salienta Herzen, o homem verdadeiramente livre cria a sua própria moralidade.
|
|
NACIONAL |
|
· Janeiro 18 Morte de Manuel da Silva Passos 20 Proposta do governo proibindo a cultura do arroz. |
|
· Fevereiro 21 Remodelação governamental. Anselmo José Braamcamp substitui Loulé no reino (até 16 de Janeiro de 1864). Gaspar Pereira da Silva substitui Alberto António de Morais Carvalho nos negócios eclesiásticos e justiça; Sai António José de ávila, substituído por Joaquim Tomás de Lobo ávila na fazenda e por Loulé nos estrangeiros. José da Silva Mendes Leal substitui Carlos Bento da Silva na marinha (até 12 de Dezembro de 1864); Em 21 de Fevereiro de 1862, remodelação governamental, em consequência dos tumultos do Natal de 1861. Saída de António José de ávila e entrada de Braamcamp, Lobo de ávila e Mendes Leal. Apenas ficam no governo Loulé e Sá da Bandeira. A entrada de Braamcamp no reino levou a uma intensificação das medidas contra as congregações religiosas, sobretudo na área do ensino. 26 Ordenada a destruição das plantações de arroz não autorizadas - No mesmo dia, Loulé substitui interinamente o capitão Tiago Augusto Veloso da Horta nas obras públicas (de 12 de Setembro a 6 de Outubro de 1862, foi substituído por Lobo de ávila). |
|
· Março 7 Visconde de Vila Maior, director do Instituto de Agricultura, é nomeado comissário régio para a Exposição de Londres. 11 Questão das Irmãs da Caridade. S urge uma comissão da Câmara dos Deputados para dar parecer sobre a congregação. Toma uma posição transigente, contra a perspectiva mais radicalmente anti-congreganista, assumida por Vicente Ferrer de Neto Paiva. A questão terminará no dia 9 de Maio quando as irmãs embarcam para França. 12 Regulamento das intendências pecuárias. 17 A s cortes são adiadas por 36 dias, até 22 de Abril de 1862. - José Estevão grão-mestre da Confederação Maçónica Portuguesa em Março de 1862. Loulé mostra-se indisponível para um novo mandato face à chefia do governo. Estevão, que toma posse em 9 de Abril, vai falecer em 4 de Novembro desse mesmo ano. No discurso de posse. considera que a maçonaria é uma religião e pretende mobilizar no seu seio as excelências do país para que possam vigiar-se as praias da civilização, reconhecendo que as perseguições acabaram, mas alertando contra a reacção e os inimigos da verdadeira luz. - Na Confederação Maçónica Portuguesa, Lobo de ávila, ministro da fazenda, venceu a candidatura de Tiago Augusto Veloso da Horta. Seguem-se Abreu Viana (1863) e Mendes Leal (1863-1867). Em 1863-1865 destaca-se da Confederação Maçónica Portuguesa a Federação Maçónica Portuguesa, liderada por José Elias Garcia |
|
· Maio 1 A ssinalam-se tumultos populares no Minho. |
|
· Junho 9 As Irmãs da Caridade abandonam Portugal. A Imperatriz viúva, D. Amélia, acompanhada por outras damas do Paço, abandonam, em sinal de protesto várias associações filantrópicas e de beneficência a que pertenciam. A Confederação Maçónica portuguesa, tenta colmatar a lacuna, lançando várias obras de assistência social. - Duarte Caldas importa uma máquina de debulhar. Multiplicam-se as máquinas de ceifar. Governo funda um grande potril na Companhia das Lezírias. - Rodrigo Morais Soares considera no Archivo Ruaral que o latifúndio trava o progresso agrícola. Defende também a criação de uma rede de canais. |
|
· Julho - Autorizada a compra da Quinta da Cartuxa. Comissários do governo foram a França estudar processos técnicos de resinagem. |
|
· Agosto 13 Assinado o Tratado de Tientsin entre Portugal e a China. Negociado por Isidoro Guimarães. A China nunca ratificará este tratado. 16 Importação de cereais. - Tumultos populares nas zonas de Aveiro (Sever do Vouga) e Braga |
|
· Setembro 10 Carta de lei institui em Sintra uma Quinta exemplar de agricultura. - Trabalhadores rurais boicotam o funcionamento de uma máquina de debulhar na Quinta da Cartuxa. 12 Loulé esteve fora do governo. A presidência foi então assumida por Sá da Bandeira. Nas obras públicas ficou Joaquim Tomás de Lobo ávila. Loulé foi a Turim. Foi o procurador de D. Luís no casamento deste com D. Maria Pia, filha de Vitor Emanuel, em 27 de Setembro de 1862. 15 R evolta da Maria Bernarda em Braga contra a carga fiscal. Insurreição do quartel de Infantaria 6, chefiada militarmente pelo capitão Guilherme Macedo, contando com o apoio civil de Manuel Joaquim Alves de Passos, professor de liceu e jornalista. O processo é pacificado por José Gerardo Ferreira Passos, então nomeado governador civil e militar de Braga. |
|
· Outubro 6 Ratificado em Lisboa o casamento de D. Luís com D. Maria Pia. A cerimónia, com a presença dos dois noivos, ocorre na Igreja de S. Domingos em Lisboa. D. Maria Pia havia chegado a Lisboa no dia anterior. - Grande esforço de povoamento florestal. Reconhece-se que nos últimos dois anos se plantaram mais árvores que nos cem anos anteriores. Começa a divulgar-se o modelo bávaro de associações agrícolas. Friedrich Welwitsch estuda os carvalhos em Portugal. |
|
· Novembro 4 Morte de José Estevão 5 A s cortes são adiadas por 58 dias, até 2 de Janeiro de 1863. |
|
· Dezembro - F oi criada a sociedade para-maçónica do Raio. Entre os estudantes que integram o grupo, Antero de Quental, Alberto Sampaio e José Falcão. Assumem-se contra o reitor da Universidade de Coimbra, Basílio Alberto de Sousa Pinto. - Nova fornada de 25 pares pró-governamentais. |
|
· Ainda em 1862... - Ano da publicação do Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco. -Tomás Ribeiro publica Dom Jaime. -Visconde da Esperança encomenda a primeira ceifeia Burges & Key - Olímpio Leite publica A Organização do Crédito Agrícola. |
|
INTERNACIONAL |
|
· 1 de Maio Inaugurada a Exposição Universal de Londres. |
|
· 22 de Setembro Abolição da escravatura por Lincoln - Otto von Bismarck, primeiro ministro prussiano. |
|
· Ainda em 1862... - Intervenção de Napoleão III no México, até 1867. |
|
AUTORES |
OBRAS |
|
ACTON, Lord |
Nationality , 1862 |
|
HUGO, Victor |
Les Misérables, 1862 |
|
LASSALE |
Uber Verfassungswesen, 1862 |
|
MILL, John Stuart |
Considerations on Represntative Government |
|
TCHERNICHEVSKI |
Que Fazer, 1862 |
|
TIBERGHIEN |
Science de l’âme, 1862 |
|
TURGUENEV, Ivan (1818-1883) |
Pais e Filhos |
|
ZAITCHNEVSKY |
Manifesto da Jovem Rússia, 1862 |
Lassalle, Ferdinand (1825-1864) Socialista alemão, de origens judaicas. Nasce em Breslau, de uma família rica. Estuda filosofia em Berlim, sendo influenciado por Hegel, Fichte e, sobretudo, por Ricardo. Instala-se em Paris a partir de 1845. Destaca-se, não como teórico, mas como propagandista e agitador. Preso logo em 1848, por participar nos movimentos revolucionários. Relaciona-se com Marx a partir de 1849. Considerado por este como um ambicioso e um presunçoso, como um negro judeu. Via-se como uma espécie de potencial ditador social: eu sou o servo e o senhor de uma ideia, o sacerdote de um deus que sou eu mesmo. Fiz de mim um actor e um artista plástico e todo o meu ser é uma manifestação da minha vontade só se expressando conforme for a minha vontade. O tremor na minha voz, o brilho dos meus olhos, tudo isso deve representar aquilo que dita a minha vontade. Defende a unificação alemã logo em 1859. Edita em 1863-1864 uma série de pequenas brochuras, onde defende a ä lei de bronze (ehernes Gesetz) dos salários. Advoga então o modelo britânico da formação de cooperativas operárias de produção com o apoio do Estado. Funda em 1863 a Associação Geral dos Trabalhadores Alemães (Allgemeiner deutscher Arbeitervereiner). Considera que, pelo sufrágio universal, o Estado pode passar a reflectir os interesses dos trabalhadores, pelo defende a instituição de cooperativas de produção com apoios financeiros públicos. Morre em duelo, por uma questão passional em Agosto de 1864. Como provou em 1927, chegou a entrar em negociações directas com Bismarck, para uma aliança visando o combate ao centro. De qualquer maneira, a sua fulgurante actividade política lançou as bases da organização política dos trabalhadores alemães. Considera que a constituição de um país nada mais é do que um conjunto de relações de facto entre poderes. Porque um rei a que obedece um exército com canhões, eis aí um bom pedaço de Constituição!...Uma nobreza possuidora de influência sobre o Rei e a Côrte, eis aí um bom pedaço de Constituição...Os senhores Borsig e Egels, ou seja ,os grandes industriais, eis aí um pedaço de Constituição...Os banqueiros Mendelsohn, Schickler, ou, de um modo geral, a bolsa...Eis aí também um bom pedaço de Constituição
· A Guerra de Itália e a Missão da Prússia
1859.
· Das System der erworbenen Rechte
(O Sistema dos Direitos Adquiridos, 1861).
· Uber Verfassungswesen
(1862)
Trad. cast. Qué es una Constitución?, Barcelona, Ediciones Ariel, 1976
Trad. port. de Walter Stonner, Porto Alegre, Ed. Vila Martha, 1980.
Hugo, Victor Marie (1802-1885) Poeta e romancista francês. Filho de um general francês, o conde Sigilbert Hugo, passa a infância em Itália e na Espanha. Assume-se como deputado depois da Revolução de 1848. Exilado desde 2 de Dezembro de 1851 em Jersey, apenas regressa à pátria em 4 de Setembro de 1870. Autor de Notre-Dame de Paris, de 1831, e de Les Misérables, de 1862. Começando por ser legitimista católico, durante a restauration, passa para o campo liberal a partir do orleanismo de 1830. Assim, aparece em 1848, enquanto deputado eleito pela burguesia, como um apoiante da repressão contra os revolucionários, embora defendesse a liberdade de imprensa e a educação popular. O jornal que então dirige, L'événement, tem aliás, como divisa: Haine vigoureuse de l'anarchie, tendre et profond amour du peuple. Adepto do republicanismo, começa por apoiar Luís Napoleão para, logo o defrontar e ver-se condenado ao exílio, entre 1852 e 1870. Volta às lides políticas episodicamente em 1871, como deputado, funções de que logo se demite. Acaba por morrer laureado como profeta da República Universal.
|
Verfassungswesen (Uber), 1862 Ferdinand Lassalle considera que a constituição de um país nada mais é do que um conjunto de relações de facto entre poderes. Assim, um rei a que obedece um exército com canhões - eis aí um bom pedaço de Constituição!... Uma nobreza possuidora de influência sobre o Rei e a Côrte, eis aí um bom pedaço de Constituição... Os senhores Borsig e Egels, ou seja, os grandes industriais, eis aí um pedaço de Constituição... Os banqueiros Mendelsohn, Schickler, ou seja outro de um modo geral, a bolsa... Eis aí também um bom pedaço de Constituição. |
VII - FALECIMENTOS E NASCIMENTOS
|
FALECIMENTOS |
NASCIMENTOS |
|
BASTOS, José Joaquim Rodrigues de (1777-1862) ESTEVãO, José Coelho de Magalhães (1809-1862) PASSOS, Manuel da Silva (Passos Manuel). (1801-1862) THOREAU, Henry David (1817-1862) |
BARRÈS, Maurice (1862-1923) BRIAND, Aristide (1862-1932) CAMACHO, Manuel Brito 1862-1934 CASTRO SILVA ANTUNES, João do Canto e (1862-1934) EHRLICH, Eugen (1862-1923) GRAíNHA, Manuel Borges (1862-1925) MAETERLINCK, Conde Maurice 1862-1949 MEINECKE, Friedrich (1862-1954) |