Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
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ANO:1940
| Destaques | Cronologia | Acontecimentos | Bibliografia | Personalidades | Livros do Ano | Falecimentos e Nascimentos |
| PORTUGAL | MUNDO | |
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Política |
· Concordata entre Portugal e a Santa Sé (Maio) · Marcello Caetano torna-se Comissário Nacional da Mocidade Portuguesa (Julho) · Criado um Ministério da Economia (Agosto) · Reorganização do PCP com Álvaro Cunhal (Novembro) · Comemoração dos Centenários |
· Tratado de paz URSS-Finlândia (Março) · Hitler invade a Bélgica (Maio) Alemães ocupam Paris (Junho) · Forma-se o governo de Pétain (Junho) · Itália declara guerra à França (Junho) · Países Bálticos são integrados na URSS (Agosto) · Criação do Eixo, com a Alemanha, a Itália e o Japão, a que, depois aderam a Hungria, a Roménia e a Eslováquia (Setembro) · Itália invade a Grécia (Outubro) · Hitler decide ataque à Rússia (Novembro) |
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Ideias |
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NACIONAL |
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· Janeiro 6 Aumento dos preços da gasolina e de outros derivados do petróleo |
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· Fevereiro 26 Fins e Necessidade da Propaganda Política |
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· Abril 12 Esquadra espanhola no Tejo. Salazar faz discurso a esta esquadra 14 Inaugurada a Base Aérea da Ota |
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· Maio 1 Lusitos da MP vão saudar Salazar a S. Bento que lhes responde com a saudação de braço ao alto 7 Concordata entre Portugal e a Santa Sé é assinada no Vaticano 20 Chega a Lisboa embaixada especial do Brasil para as comemorações dos Centenários 24 Chegam a Lisboa velhos colonos de Angola e Moçambique 25 Assembleia Nacional ratifica a Concordata e o Acordo Missionário. Salazar emite discurso intitulado Problemas político-religiosos da Nação Portuguesa e do seu Império 28 Presença de Moscardó em Lisboa. é condecorado Jorge Botelho Moniz. Discursos de Salazar e Santos Costa |
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· Junho 2 Começam as cerimónias dos Centenários. Te Deum na Sé de Lisboa e discurso de Carmona na Camara Municipal 3 Carmona em Guimarães 4 Salazar em Guimarães discursa sobre 800 Anos de Independência 5 Comemorações na Sé Primaz de Braga. 12 Declaração conjunta dos governos de Franco e Salazar sobre a guerra. Espanha sublinha a não beligerância e Lisboa a estrita neutralidade 19 Inaugurada a Refinaria da Sacor, em Cabo Ruivo 23 Inaugurada a Exposição do Mundo Português 24 Por iniciativa de Leitão de Barros, surgem as marchas populares de Lisboa 30 Partem tropas portuguesas para Angola e Moçambique - No mesmo dia, Cortejo do Mundo Português em Belém e Alcântara. No dia seguinte começa o Congresso do Mundo Português, até ao dia 13 de Julho. - I Semana Social Católica. Realiza-se, em Lisboa, sob o tema Aspectos Fundamentais da Doutrina Social Católica |
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· Julho 14 Discurso de Hernâni Cidade na Festa dos Lusíadas da Exposição do Mundo Português 24 Marcello Caetano empossado como Comissário Nacional da Mocidade Portuguesa. Ultrapassa as divergências com a Igreja Católica, permitindo a autonomia do Corpo Nacional de Escutas. Vai escrever A Missão dos Dirigentes |
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· Agosto 28 Remodelação Governamental. Surge um Ministério da Economia, assumido por Rafael Duque que anuncia plano para o abastecimento do país e mobiliza como subecretários de Estado Ferreira Dias (comércio e indústria) e André Francisco Navarro (agricultura). Extintos os ministérios do comércio e indústria e da agricultura. Salazar cede a pasta das finanças a Lumbralles, mantendo-se na guerra e assumindo os negócios estrangeiros, a fim de responder às circunstâncias da guerra. Vaz Serra na justiça e Mário de Figueiredo na Educação Nacional |
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· Setembro 3 Salazar discursa sobre a remodelação ministerial 5 Salazar discursa sobre a função pública e a burocracia |
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· Novembro 11 Inaugurado o Congresso Colonial 24 Colónia portuguesa do Brasil entrega ao Estado o Palácio da Independência no Largo de S. Domingos 30 Inaugurada a estátua de Pedro álvares Cabral na Estrela, oferecida pelo governo brasileiro - Libertados vários dirigentes comunistas, como Álvaro Cunhal, Militão Ribeiro e Júlio Fogaça que começam a reorganizar o PCP |
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· Dezembro 2 Encerramento das Comemorações com Te Deum na Sé e discurso de Salazar na Assembleia Nacional 12 Decorre o 8º Recenseamento Geral da População 17 Lei nº 1985 aprova o plano dos Centenários. Construção de 12 500 salas de aula do ensino primário em dez anos 31 Aprovado novo Código Administrativo - Inicia-se, em Coimbra, o movimento neo-realista em torno da revista O Novo Cancioneiro |
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· Ainda em 1940... - José Hipólito Vaz Raposo, um dos teóricos e dirigentes do Integralismo Lusitano vê uma das suas obras ser apreendida pela polícia, levando-o ao desterro. |
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INTERNACIONAL |
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· Fevereiro 11 Acordo económico entre a URSS e a Alemanha |
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· Março 2 Exército vermelho atinge Vyborg 12 Tratado de paz URSS-Finlândia assinado em Moscovo |
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· Maio 10 Hitler ocupa a Bélgica |
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· Junho 4 Itália declara guerra à França 5 Os britânicos evacuam de Dunquerque 14 Alemães ocupam Paris 15 e 17 URSS ocupa a Estónia, a Letónia e a Lituânia 16 Forma-se o governo Pétain 18 Apelo de De Gaulle, em Londres |
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· Julho 2 URSS invade a Bessarábia e a Bucovina |
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· Agosto 1 a 5 Estónia, Letónia e Lituânia são formalmente integrados na URSS. Segundo Khruchtchev, o acesso que ganhámos ao Báltico melhorou, de maneira significativa, a nossa situação estratégica. Atingindo as praias do Báltico, privámos as potências ocidentais de uma posição donde poderiam lançar ataques contra nós -- que elas tinham realmente utilizado durante a guerra civil -- e estabelecer uma frente contra a URSS |
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· Setembro 27 Criado o Eixo. Pacto da Alemanha, da Itália e do Japão para uma nova ordem mundial |
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· Outubro 23 Hitler e Franco têm encontro em Hendaia 28 Itália invade a Grécia |
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· Novembro 18 Gorada a possibilidade do Império Continental alemão derrotar o Império marítimo inglês, Hitler decide-se pelo ataque à Rússia, abrindo uma nova frente de batalha. Os alemães tinham como objectivo principal aniquilar a Grã-Bretanha, segundo um raciocínio estratégico que envolvia quatro hipóteses: 1- Invasão Directa - mas o Reino Unido possuía a maior frota do mundo e depressa se equiparou à inicial supremacia aérea dos alemães; 2- Bloqueio- contudo, o radar e ajuda maciça dos norte-americanos fizeram gorar a inicialmente vitoriosa guerra submarina total; 3- Ataque ao coração do Império, isto é, através do Norte de áfrica e do Egipto, atingindo a índia- mas a não progressão do Afrika Korps obrigou a uma inesperada fuga para a frente: o ataque à Rússia.
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· Ainda em 1940... |
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AUTORES |
OBRAS |
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ALVES, Paulo Durão |
Política e Sentido Cristão , 1940 |
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BACHELARD, Gaston |
Philosophie du Non , 1940 |
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BARBOSA, Arnaldo Miranda |
Lógica, 1940 |
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BURNHAM, James |
Managerial (The) Revolution , Nova Iorque, John Day, 1940 |
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CAMPOS, Ezequiel de |
Enquadramento Geo-Económico da População Portuguesa Através dos Séculos, O, 1940 |
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CORTEãO, Jaime |
A Geografia e a Economia da Restauração, 1940 |
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EVANS-PRITCHARD, Edward |
- Nuer, 1940- African Political Systems, Oxford, Oxford University Press, 1940; (trad. port. Sistemas Políticos Africanos, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1981). |
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FREUD, Sigmund |
Psychopathologie des Alltagslehren, 1940 (port. Psicopatologia da Vida Quotidiana) |
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FREYRE, Gilberto |
Mundo (O) que o Português Criou. Uma Cultura Ameaçada: a Luso-Brasileira , Rio de Janeiro, 1940 |
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GURVITCH, Georges |
éléments de Sociologie Juridique , 1940 |
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KOESTLER, Arthur |
Zero (O) e o Infinito, 1940 |
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LEDERE, émile |
The State of the Masses , Nova York, W. W. Norton, 1940. |
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MARITAIN, Jacques |
De la Justice Politique. Notes sur la Présente Guerre , Paris, Librairie Plon, 1940. |
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MERêA, Manuel Paulo |
Liberalismo (O) de Herculano , in Biblos, XVII, tomo II, Coimbra, 1940 |
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MISES, Ludwuig von |
Nationaloekonomie (trad. ing., Human Action, 1949) |
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QUADRI, G. |
Il Problema dell’Autorità , 2 vols., Florença, La Nuova Italia, 1940. |
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RAPOSO, J. Hipólito |
Amar e Servir , 1940 |
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REALE, Miguel |
- Fundamentos do Direito , São Paulo, Revista dos Tribunais, 1940.- Teoria do Direito e do Estado, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1940; (reed. São Paulo, Martins, 1960). |
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RECáSENS, Luís |
Vida Humana, Sociedad y derecho, 1940 |
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SANTAYANA |
- Realm (The) of Spirit , Nova Iorque, 1940- Winds of Doctrine, Nova Iorque, 1940 |
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SANTOS, Delfim |
Conhecimento e Realidade , 1940 |
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SAUER, Wilhelm |
Juristischen Methodenslehre , 1940 |
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SCHMITT, Carl |
Positionen und Begriffe , 1940 |
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SFORZA, Carlo |
Living (The) Thoughts of Macchiavelli , 1940 |
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SOUZA, J. P. Galvão de |
Positivismo Jurídico e o Direito Natural , 1940 |
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THOMAS, Lothar |
Contribuição para a História da Filosofia Portuguesa , 1940 |
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VITAL, Fezas |
- Curso de Direito Corporativo, 1940- Existência, Legitimidade e Princípios Fundamentais Orientadores da Doutrina Social Católica, 1940 |
Pétain, Philippe (1856-1951) Henri Philippe Omer Pétain. Marechal de França. Vencedor de Verdun. Embaixador em Madrid desde 1939. Chamado por Paul Reynaud para o cargo de vice-presidente do conselho em 18 de Maio de 1940, depois da derrota francesa. Toma posição contra Reynaud que pretendia continuar a luta nas colónias e assume a presidência do conselho de ministros em 16 de Junho. Assina o armistício em 22 de Junho. Em 10 de Julho a Assembleia Nacional dá plenos poderes ao marechal, então com 84 anos, que passa a assumir o título de Chefe de Estado. Inaugura a chamada revolução nacional, chamando ao governo os tecnocratas. Tem como lema a tríade Trabalho, Família, Pátria. Em 8 de Julho de 1941 no Conseil National de la Réforme Constitutionnel considerava que um povo não é um número determinado de indivíduos arbitrariamente contados no seio do corpo social, mas antes uma hierarquia de famílias , de profissões, de comunas , de responsabilidades administrativas, de famílias espirituais, articuladas e federadas para formar uma pátria animada de um movimento, de uma alma, de um ideal, motores do futuro para produzir em todos os escalões uma hierarquia de homens que se seleccionam pelos serviços prestados à comunidade. Condenado a prisão perpétua, morre no cárcere de Yeu em 23 de Julho de 1951.
Gaulle, Charles André Joseph Marie de (1890-1970) Presidente da República Francesa de 1961 a 1969. Oficial francês, combatente da Grande Guerra, onde foi feito prisioneiro, distingue-se como professor militar e cultor da ciência da estratégia, publicando várias obras sobre a matéria, onde reflecte uma profunda cultura. Marcado por Chateubriand, Péguy, Barrès e por Maurras, nem por isso deixa de fazer pontes com a esquerda institucional dos anos trinta, nomeadamente com Léon Blum. Apesar de ter sido íntimo colaborador de Pétain, entra em rota de colisão com este, a partir da publicação de La France et son Armée, em 1938, onde defende um modelo defensivo assente em blindados. Por ocasião da invasão alemã, depois de ser comandante militar que tentou resistir acaba por alinhar com as posições de Paul Reynaud. O então coronel, rebelando-se contra o regime de Pétain, vai a partir de Londres comandar a Resistência.
· 1932, Le Fil de l'épée, Paris, Berger-Levrault; (reed. Paris, UGE, 1962)
· 1938, La France et son Armée,Paris, Plon; (reed. de 1971)
· 1954, Mémoires de Guerre, (vol. I - 1940 - 1942, Paris, Librairie Plon, 1954;
vol. II - 1942 - 1944, idem, ibidem, 1956; vol. III - 1944 - 1946, idem, ibidem, 1958).
· 1958, Mémoires d'Espoir, (vol. I - 1958 - 1962, Paris, Librairie Plon, 1970;
vol. II - 1962 - ..., idem, ibidem, 1971).
Koestler, Arthur 1905-1983 Koesteler era natural de Budapeste, oriundo de uma família judaica, com origens russas. Depois de ter militado pelo sionismo, trabalhando na própria Palestina, eis que a partir de 1927 regressa à Europa, entrando na sua fase de militante comunista. Aderindo, em 1931, ao Partido Comunista Alemão, acaba por, no ano seguinte, emigrar para a URSS, donde regressa em 1933, mas continuando a colaborar com o Komintern como jornalista, nomeadamente na cobertura da Guerra Civil de Espanha. Em meados da década de cinquenta, acabou por abandonar totalmente a militância política, dedicando-se àquilo que vai qualificar como a procura da síntese, isto é, de uma nova concepção de ciência, depois de ter perdido a ilusão quanto à procura da utopia, como ele próprio vai caracterizar o seu período de militância política pelo sionismo e pelo comunismo.
Critica a chamada ideologia reducionista da modernidade, segundo a qual pela análise podem atingir-se os elementos simples, considerados como uma parte da complexidade. Defende a síntese que considere o conjunto como algo mais que a soma das parcelas. Neste sentido critica o marxismo, o freudianismo e o estruturalismo. Liga-se, no final dos anos sessenta, a Piaget, Hayek e Bertalanffy, promovendo a publicação conjunta Beyond Reductionism, Londres, Hutchinson, 1971.
Nesta última fase, onde considera que o homem é uma realidade e a Humanidade, uma abstracção, depois de estudar em Stanford, acaba por teorizar o holismo, um misto de sistemismo e de organicismo, que tem entusiasmado muitos cultores da chamada nova direita. Para Koestler, um ser vivo seria um holon, onde o todo se assumiria como algo mais do que a simples soma das partes, dado que o mesmo holon, tal como Janus, sempre teria duas faces: uma, voltada para o nível superior da hierarquia, outra para o nível inferior, havendo sempre uma sucessão de subconjuntos abertos e hierarquizados. Estas teses constam da sua obra Bricks to Babel, de 1980, onde considera que fazer tijolos para Babel não é nem um dever nem um privilégio; é, aparentemente, uma necessidade inscrita nos cromossomas da nossa espécie.
· O Zero e o Infinito, 1940; (ed. ingl., 1941; ed. fr., 1946).
· Darkness at Noon, 1948.
· Les Racines du Hasard Paris, Calmann-Lévy, 1972.
· The Art of Creation,Nova York, Macmillan, 1964.
Benjamin, Walter (1892-1940) Filósofo e crítico literário alemão. Membro da Escola de Frankfurt. Emigra para França em 1933. Suicida-se em 1940, quando tentava escapar da França ocupada, em direcção a Espanha. Assume-se como um nihilista que pretende destruir a violência do Estado, considerando que, desde Bakunine, a Europa tem falta de uma ideia radical de liberdade. Os surrealistas têm essa ideia. Considera que o nazismo entende a história como Estado de excepção, dado que o Estado de excepção é um conceito limite que se manifesta num caso limite onde a ordem jurídica não assenta numa norma , mas no monopólio da decisão, onde soberano é o que decide num Estado de excepção. Ora acontece que a excepção transformou-se em regra, o caso limite no caso normal, onde o soberano representa a história. Tem nas suas mãos o acontecimento histórico como se este fosse um ceptro.
· Ursprung des deutschen Trauerspiels;
Tese de doutoramento apresentada em 1925 em Frankfurt que não deu ao autor acesso à carreira académica. Apenas publicada em 1928.· Thesen uber den Begriff der Geschichtliche;
Obra escrita em 1939- 1940, mas apenas publicada postumamente; (cfr. trad. fr. Mythe et Violence, Paris, Librairie Denoël, 1971).· Iluminatione
; Escritos dispersos publicados em 1961.
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O Zero e o Infinito, obra de Arthur Koestler onde são particularmente estigmatizados os processos de Moscovo. Refira-se que, desta obra, editada pela primeira vez em Inglaterra no ano de 1941, só em França, em 1946, se venderam cerca de meio milhão de exemplares. Em O Zero e o Infinito, faz-se uma vigorosa denúncia do estalinismo e, por causa disso o seu autor é marginalizado pelos antigos companheiros de ideologia, desde Merleau-Ponty a Sartre. |
VII - FALECIMENTOS E NASCIMENTOS
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FALECIMENTOS |
NASCIMENTOS |
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áLVARES, José Maria (1875-1940) BALBO, Italo (1896-1940) BENJAMIN,Walter (1892-1940) CASTELHANO, Mário (1896-1940) CHAMBERLAIN, Arthur Neville (1869-1940) HERZL, Theodor (1860-1940) KANTOROWICZ, Hermann (1877-1940) MACHADO, António Ginestal (1874-1940) MEXIA, Joaquim Nunes (1870-1940) PENHA GARCIA, (1872-1940). TROTSKI, Lev (Lev Davidovitch Bronstein) (1879-1940) |
ANSELMO, Artur (n. 1940) OFFE, Claus (n. 1940) |