Respublica Repertório Português de Ciência Política Edição electrónica 2004 |
De 29 de Outubro de 1870 a 13 de Setembro de 1871
320 dias
Promove as eleições de 9 de Julho de 1871 (governamentais não obtêm maioria própria)
·Alves Martins não quis formar governo. Oposição parlamentar de Dias Ferreira. Há uma certa continuidade face ao anterior gabinete, mantendo-se todos os membros do governo, à excepção de Sá da Bandeira. Alves Martins e Saraiva de Carvalho são os dois reformistas que se demitem em Janeiro de 1871, depois dos respectivos correligionários, sob a liderança de Latino Coelho, terem desencadeado um processo de oposição parlamentar, a propósito nomeação do patriarca de Lisboa. Com efeito, Saraiva de Carvalho levou ao rei, sem passar por Ávila, a nomeação do bispo do Algarve, D. Inácio do Nascimento Morais Cardoso, considerado liberal, capelão de D. Pedro V, em vez da do arcebispo de Goa, D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa, apoiado por Ávila, acusado de congreganismo romano e ultramontanismo. Ramalho Ortigão questionava Porque motivo são reformistas de oposição hoje os que eram reformistas governamentais ontem?, acrescentando que os reformistas ignoram qual é a divisa que os separa pela mesma razão que nunca souberam qual era o mote que os reunia. Um partido sem conhecimentos, sem princípios, sem bases de trabalho, sem plano de administração, sem consciência de progresso e sem carta, nem guia, nem lógica de acção, não tendo razão para existir, também não tem razão para deixar de ser. Reformista é uma palavra farfalhuda, mas oca, nome convencional sem objecto em política[2]
·Em 2 de Janeiro de 1871, as cortes são adiadas por 32 dias até 3 de Fevereiro de 1871. Em 3 de Fevereiro de 1871, por 36 dias, até 11 de Maio de 1871.
·Os reformistas no Diário Popular de 4 de Fevereiro observam: Pois governem esses ministros, mas lembrem-se de que o fazem por generosidade nossa. Acusam Carlos Bento da Silva de mentor da crise. Partido histórico decide manter apoio ao governo em 10 de Fevereiro. Alves Martins volta para Viseu.
·Extingue-se o ministério da instrução e elimina-se a reforma administrativa descentralizante. Sofre-se o choque da Comuna de Paris e começa a falar-se nuns Estados Unidos da Europa. Em Maio de 1871, Ramalho Ortigão e Eça de Queirós começam a publicar As Farpas. Conferências do Casino ( de 22 de Março a 26 de Junho de 1871). Anuncia-se a formação do partido constituinte de Dias Ferreira, o inspirador civil da saldanhada (Junho de 1871).
·Fala-se de um entendimento entre Ávila e Sá da Bandeira. Dias Ferreira anuncia a intenção de criar um novo partido. O grupo é acusado de ser o centro político Saldanha-Peniche, contando com a participação de Sena de Freitas e do conde de Magalhães[3] (Fevereiro/ Março)
·Em 3 de Junho de 1871, a Câmara dos Deputados, onde havia uma maioria reformista, foi dissolvida.
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Governo de Ávila
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12º governo da Regeneração 9º governo sob o reinado de D. Luís |
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·O presidente começa por acumular os estrangeiros e as obras públicas (até 1 de Março de 1871). Acumulará depois o reino (desde 30 de Janeiro de 1871). Ministros constantes são ·Carlos Bento da Silva, na fazenda (acumulará as obras públicas a partir de Março de 1871); ·José Maria Morais Rego na guerra; ·José Eduardo de Melo Gouveia, na marinha (acumulará a justiça). Outros: ·Alves Martins no reino (até 30 de Janeiro de 1871); ·Augusto Saraiva de Carvalho na justiça (até 30 de Janeiro de 1871)[4] |
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Em 30 de Janeiro de 1871: ·Ávila substitui Alves Martins no reino, de foma interina. ·José de Melo Gouveia substitui Saraiva de Carvalho na justiça, de forma interina[5].
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Em 1 de Março de 1871: ·José Marcelino de Sá Vargas substitui Melo Gouveia na justiça; ·Visconde de Chanceleiros, Sebastião José de Carvalho assume a pasta das obras públicas, substituindo Ávila
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[1] RAMALHO ORTIGÃO, Correio de Hoje, Tomo II, p. 73
[2] RAMALHO ORTIGÃO, Correio de Hoje, Tomo II, p. 73
[3] Idem, pp. 116 ss.
[4] VERÍSSIMO SERRÃO, IX, pp. 54-55; DAMIÃO PERES, VII, p. 407.
[5] Ver RAMALHO ORTIGÃO, Correio de Hoje, Tomo II, p. 63, artigo Está sanada a crise!
[6] Segundo António Cândido, esta proposta seguia o sistema dinamarquês e citava exemplos ingleses. Pp. 131 ss. Alexandre Herculano, então em Vale de Lobos, apoiou expressamente o projecto.
[7] Segundo artigo de fundo publicado no órgão radical-reformista que era então o Diário Popular dizia-se: Pois governem esses ministros, mas lembrem-se de que o fazem por generosidade nossa. Apud RAMALHO ORTIGÃO, Correio de Hoje, II, p. 85.
[8] Os constituintes instituíram-se em Fevereiro de 1871. Os respectivos críticos diziam então que se tratava do Centro Político Saldanha-Peniche.
[9] As Conferências foram proibidas em 26 de Junho. Se o jornal Nação falava de meia dúzia de indivíduos desvairados pelas teorias do filosofismo liberal, já Eça de Queirós assinalava que era a primeira vez que a revolução sob a sua forma científica tem em Portugal a palavra. Prosas Esquecidas, V, p. 209.
[10] Prosas Esquecidas, V, p. 159
[11][11] Idem, p. 164.
[12] Idem, p. 166
[13] Idem, p. 169.
[14] V, p. 201
[15] IV, p. 163
[16] V, pp. 253-254
[17] As Farpas, 4º tomo, pp. 77-78. Texto de Janeiro de 1874.
[18] Idem, p. 87.
[19] Prosas Esquecidas, V, p. 219.