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Revoltas pedristas no continente e abdicação de D. Pedro
Da revolta polaca à Jovem Itália |
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D. Pedro abdica de Imperador do Brasil (7 de Abril). Vai para França em Agosto. Obtém empréstimo junto dos Ardouin em 23 de Setembro.
Remodelação do governo miguelista (1 de Julho).
Conde de Basto
Papa reconhece o regime miguelista (5 de Agosto)
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A dependência –
O miguelismo tem algum brilho externo
enquanto dura a conjuntura europeia que lhe é favorável, mas com a saída de
Wellington do governo britânico e a Revolução de 10 de Julho de 1830 em França,
a derrocada do regime torna-se inevitável. E as atitudes de repressão terrorista
em que o respectivo governo se enreda, levam a imediatos protestos dos governos
europeus que o poderiam favorecer. Em Julho de 1831 já a esquadra francesa do
almirante Albin Roussin chega a Cascais e, depois de um ultimato, apresa todas
as forças navais de D. Miguel. No dia 1 de Junho de 1833, já desembarca no
Porto, ocupado pelos pedristas, Palmela, acompanhado pelo inglês Napier, logo
feito almirante, que promove a estratégia vitoriosa de desembarque dos pedristas
em Cacela e derrota os restos da esquadra miguelista na batalha do cabo de São
Vicente, de 3 a 5 de Julho, permitindo que Vila Flor ocupe a Lisboa miguelista,
no dia 24 de Julho, sem necessidade de disparar um único tiro. E todo o processo
atinge o seu termo em 22 de Abril de 1834, quando Luís Filipe de França e Jorge
IV do Reino Unido, manobrando o regente D. Pedro de Portugal e Maria Cristina de
Espanha, instituem a chamada Quádrupla Aliança, com a península ibérica
definitivamente integrada na esfera de influência do bloco franco-britânico da
balança da Europa. Dois anos depois já somos pressionados para enviarmos
tropas para Espanha, a fim de se combaterem os carlistas, tal como em 1847
chegam até nós tropas espanholas para defenderem o cabralismo, dizendo que eram
miguelistas as forças da Patuleia. Em 1836, a jovem rainha, depois da
morte do primeiro consorte, D. Augusto, é casada com um D. Fernando, sobrinho de
Leopoldo I da Bélgica e primo do príncipe Alberto, marido da rainha Vitória. E
Londres passa a influenciar-nos também através de Bruxelas. Como se há-de ver
nas manobras do embaixador belga durante a belenzada de 1836, contra
Passos Manuel e se notará na emboscada de Saldanha de 1846, a favor do
restabelecimento dos cabrais. Portugal é, efectivamente, um Estado exíguo,
dependente da pressão diplomática e do empréstimo externo. Porque o Estado
português não sabe que para continuarmos independentes somos, muitas vezes,
obrigados à gestão de efectivas dependências. Que o digam as humilhações
sofridas com a questão da barca Charles et Georges, por parte dos
franceses, e o Ultimato britânico de 1890. Ora, a ilusão de afastarmos os
Braganças não nos fez recuperar a força perdida, mas, apesar de tudo, talvez
tenha sido um milagre resistirmos em autonomia política, mesmo condicionada.
Como ainda hoje.
Revolta liberal em Lisboa em 7 de
Fevereiro. No processo terá participado Alexandre Herculano.
Remodelação – Em 1 de Julho: Duque do
Cadaval é substituído pelo conde de Basto na chefia do governo (ministro
assistente ao despacho).
Em 27 de Setembro: Rio Mendonça regressa à pasta
da justiça.
O barão de Roussin, almirante francês,
comanda as operações da esquadra francesa no Tejo contra D. Miguel. (6 de
Julho). Estão presos em S. Julião da Barra dois cidadãos franceses, o pretexto
para a intervenção que humilha Lisboa, principalmente quando a nossa esquadra é
apresada e levada para Toulon.
Papa Gregório XVI
reconhece o regime de D. Miguel (5 de Agosto). Na encíclica Mirari vos,
onde condena o liberalismo católico, volta a incluir-se a maçonaria entre os
males que afectam a cristandade.
Nova revolta anti-miguelista em Lisboa, com
movimentações da Infantaria 4, onde participa Alexandre Herculano (1810-1877)
(21 de Agosto). Há cerca de 200 mortos nas refregas e 39 dos principais
implicados serão fuzilados a 10 de Setembro, seguindo-se bárbaras repressões,
degredos e desterros, onde a ala do conde de Basto marca a loucura do terrorismo
de Estado, onde se aliam caceteiros de rua, beatos intelectuais e vingativos
magistrados.
D. Pedro abdica
de Imperador do Brasil face a uma revolta dos chamados nativistas. Segue-se o
domínio destes sob a liderança do regente Diogo António Feijó, um liberal
contra quem se levantam os conservadores (7 de Abril). Vai para França,
em Agosto, onde é protegido por Luís Filipe, que pretende casar um dos filhos
com D. Maria II. Tem aí o apoio de Lafayette. Contudo, entre os exilados
portugueses, há uma forte oposição ao Imperador do Brasil, encabeçada por
Saldanha, com o apoio de Rodrigo Pinto Pizarro, o futuro barão de Sabrosa, e dos
irmãos Passos. Saldanha é acusado de querer a união ibérica e os Passos falam
até na instauração da república.
Enpréstimos –
Pedristas obtêm empréstimo de dois milhões de libras junto do banqueiro Ardouin,
de Paris (23 de Setembro).