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  Anuário 1838

Moderação constitucional, ordeiros e revoltas radicais

( Arquivo antigo do anuário CEPP

Revoltas radicais de 4, 7 e 9 de Março

Nova revolta em 13 de Março

Revolta do Corpo de Deus (14 de Junho)

Fuzilamento do Remexido (2 de Agosto)

 

Silva Carvalho regressa a Lisboa (Fevereiro de 1838)

Revoltas radicais desencadeadas pelo Batalhão do Arsenal e por parte da Guarda Nacional, exigindo um governo puro. Apoiada por Soares Caldeira, administrador-geral de Lisboa e director da Guarda Nacional (4, 9 e 13 de Março de 1838)

Costa Cabral é nomeado administrador-geral de Lisboa. Tem como programa reprimir a anarquia (7 de Março de 1838)

Ricardo França é demitido de inspector do Arsenal (9 de Março)

Nova revolta radical (9 de Março de 1838)

Terceira revolta radical. Sediciosos são esmagados no Rossio (13 de Março de 1838)

Jurada a nova constituição e amnistiados os implicados na revolta dos marechais (4 de Abril de 1838)

Tumultos do Corpo de Deus. Sá da Bandeira e Silva Carvalho são atacados pelos revoltosos (14 de Junho de 1838)

Prisão do Remexido (28 de Julho de 1838)

Fuzilamento do Remexido (2 de Agosto de 1838)

Eleições (12 de Agosto e 12 de Setembro de 1838)

Aprovada nova Constituição em 4 de Abril

    Eleição nº 7 (12 Agosto e 12 Setembro)

Vitória da Associação Eleitoral do Centro apoiada por Sá da Bandeira (aliança de setembristas moderados com ex-cartistas, base dos futuros ordeiros). Passos Manuel e Vieira de Castro apoiam a Associação Eleitoral Pública e os radicais a Associação Cívica. Rodrigo da Fonseca apoia governo.

Grupos políticos

As revoltas radicais – A primeira de três revoltas radicais é de 4 de Março, comandada pelo então administrador-geral de Lisboa, Soares Caldeira, também director da Guarda Nacional, com o apoio de Rodrigues França, à frente do batalhão dos arsenalistas, a quem chamam os maltrapilhos da Ribeira. António Bernardo da Costa Cabral, com o programa de reprimir a anarquia, é nomeado administrador geral de Lisboa (7 de Março). Na manhã de 9 de Março, o batalhão dos operários do Arsenal aparece de armas na mão e volta a exigir um governo puro. Não há confronto, depois de ser ter chegado a um compromisso no botequim do Pelourinho, o primeiro café que abrira em Lisboa, no tempo do Marquês de Pombal.

Remodelação. Em 9 de Março: Tojal no reino (até 22 de Março). Sá da Bandeira na guerra e na marinha (até 17 de Abril). Tojal na justiça.

Nova revolta com a Guarda Nacional a participar em força, mobilizando cerca de mil pessoas (13 de Março). Do lado do governo, o comando militar cabe a Jorge Avilez, com o apoio de Bonfim. Tudo termina com um sangrento combate no Rossio e a ilusão revolucionária de Setembro acaba com um banho de sangue. Logo tenta acalmar-se a ira, decretando-se uma ampla amnistia e formando-se até um frustrado "Clube Conciliador". Mas nessa tristíssima batalha cívica… onde correu sangue português, e sangue que uma "imprudente" Rainha portuguesa foi no dia seguinte calcar, no seu passeio, com os pés dos cavalos ingleses, como testemunha amargamente José Liberato Freire de Carvalho.

Sufocar a feroz anarquia – Proclamação de D. Maria II lamenta os que ameaçam com as armas na mão a ordem social provocando convulsões políticas quando estava a ponto de ser jurada a constituição da monarquia, e que deveria tornar-se como íris de paz, e sinal de aliança, e de conciliação entre todos os portugueses. Considera que é preciso que todos concorramos para que a feroz anarquia que ameaça o país, seja para sempre sufocada.

Remodelação. Em 22 de Março: António Fernandes Coelho no reino. Manuel Duarte Leitão na justiça.

Uma constituição meio-termo – Aprovada nova Constituição em 4 de Abril, dia dos anos da rainha. A terceira constituição que D. Maria II jura em quatro anos. Um campo neutro, onde todos se podiam encontrar pacificamente e procurar, sem sair da legalidade, o predomínio das respectivas opiniões (Alexandre Herculano).
Ideias – Começa a publicação da História de Portugal desde o reinado da Srª D. Maria I até à Convenção de Évora Monte, em 5 vols., de José Maria Sousa Monteiro, António de Oliveira Marreca edita Noções Elementares de Economia Política e Silvestre Pinheiro Ferreira apresenta um Projecto de Código Político para a Nação Portuguesa.

Remodelação. Em 17 de Abril: Manuel António de Carvalho, futuro barão de Chanceleiros, na fazenda. Bonfim na guerra.

No dia de Corpo de Deus, 14 de Junho, no fim da procissão solene, Sá da Bandeira, então acompanhado por Silva Carvalho que, no mês anterior regressara do exílio, são atacados pela populaça, salvando-os o próprio Costa Cabral que é obrigado a disparar sobre os sediciosos. Sá da Bandeira apenas escapa do golpe de baioneta de que é alvo, porque este toca na parte metálica das condecorações com que está ornado. Costa Cabral é exonerado, a seu pedido, de administrador-geral de Lisboa (7 de Dezembro)

Dissolvidos os batalhões da Guarda Nacional de Lisboa (15 de Junho).

Fuzilamento do Remexido, José Joaquim de Sousa Reis (1797-1838), em 2 de Agosto, que havia sido preso em 28 de Julho. Entretanto, continuam as guerrilhas anti-miguelistas de João Brandão na Beira e de Galamba, no Alentejo.

Brigadeiro dos reais exércitos de sua majestade o senhor D. Miguel I, governador do reino do Algarve e comandante em chefe das forças realistas ao sul do Tejo (título assumido pelo Remexido, quando dominava o Sul do País em 1836 e 1837).

Eleição nº 7 (12 de Agosto e 12 de Setembro) de Deputados e Senadores, com inevitável vitória dos governamentais. O segundo acto eleitoral do setembrismo e o primeiro de acordo com a nova Constituição. Vitória da Associação Eleitoral do Centro apoiada por Sá da Bandeira (aliança de setembristas moderados com ex-cartistas, base dos futuros ordeiros). Passos Manuel e Vieira de Castro apoiam a Associação Eleitoral Pública e os radicais, a Associação Cívica, na senda da Associação Eleitoral Setembrista, criada por José Estêvão em 1837, pela união dos restos do Clube dos Camilos e do Clube do Arsenal, onde participam António Rodrigues Sampaio e Francisco António de Campos, ligados à Maçonaria do Sul. Rodrigo da Fonseca apoia o governo.

Remodelação. Em 22 de Agosto: Fernandes Coelho na justiça.

Nasce D. Luís (31 de Outubro).