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  Anuário 1845

 

Governamentais esmagam eleitoralmente a coalizão dos oposicionistas urneiros

Arquivo antigo do anuário CEPP

Em Janeiro, oposições unificadas começam a editar o jornal Coalizão. Têm reunião geral em 15 de Março.

Eleição nº 10 ( 3e 17 Agosto) Vencem os cabralistas contra a Comissão Geral Eleitoral do Reino (oposição unificada, unindo cartistas puros, isto é anti-cabralistas, e setembristas, já sem miguelistas). O miguelista António Ribeiro Saraiva aconselha a abstenção, contrariando os chamados urneiros.

Grupos políticos (Comissão Geral Eleitoral do Reino, Católicos Liberais, Cabralistas e Miguelistas)

 

Oposições à procura de sistema – Em Janeiro, oposições unificadas editam o jornal Coalizão. Têm reunião geral em 15 de Março em casa do Visconde de Fonte de Arcada, presidida por Luís Mouzinho de Albuquerque, onde também Sá da Bandeira e Manuel da Silva Passos apelam à resistência, visando opor a força moral à força bruta e ao não abandono da urna (15 de Março).

Relações com a Igreja – São criados seminários em todas as dioceses do reino (28 de Abril). Reabertura ao culto da capela da Universidade de Coimbra (15 de Abril). Autorizado o estabelecimento das Irmãs da Caridade no Porto (9 de Julho).

Remodelações – Em 3 de Maio: José Bernardo da Silva Cabral (1801-1869) sucede ao irmão interinamente nas pastas do reino e dos negócios eclesiásticos e justiça (mantém-se na justiça até 20 de Maio de 1846).

Em 24 de Julho: António Bernardo da Costa Cabral regressa à pasta do reino.

Conselho de Estado – Em 3 de Maio é criado um Conselho de Estado administrativo, que se funde com o Conselho de Estado político, derivado do artigo 107º da Carta. O modelo dura até 9 de Junho de 1870, quando se institui o Supremo Tribunal Administrativo.

Eleição nº 10 (3 e 17 de Agosto), com nova vitória cabralista. Ampla manipulação eleitoral que passa pela falsificação do recenseamento, listas marcadas e prisão arbitrária dos opositores, pelo uso de mandatos de captura assinados, mas em branco. De qualquer maneira, apenas fica um terço da câmara eleita em 1842.

A oposição urneira, reunindo cartistas puros e setembristas, mas já sem miguelistas, concorre sob a égide de uma Comissão Geral Eleitoral do Reino. Só no Alentejo é que a oposição consegue fazer eleger seis deputados.

Miguelistas de fora – Os miguelistas, da facção de António Ribeiro Saraiva, aconselham a abstenção, enquanto os do grupo de Caetano Beirão querem ir a votos. Estão contra os urneiros o conde de Barbacena, D. João de Castelo Branco, D. José de Lencastre e o morgado de Vilar de Perdizes: a nossa urna deve ser dentro de um obus.

Cabral, conde – A Rainha e o Duque da Terceira deslocam-se a Tomar, onde António Bernardo é feito conde (9 de Agosto).

A maçonaria armada – O exército era no tempo de Costa Cabral um Club Armado; os oficiais estavam na sua loja, os postos e as gratificações dependiam da graduação, da ordem, e a manobra de um regimento era o resultado de uma sessão nocturna. Cada eleição foi uma batalha, a urna estava na boca dos arcabuzes, e os votos eram exprimidos por metralhadas (palavras do miguelista João de Lemos em 1847).