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Governamentais esmagam eleitoralmente a coalizão dos oposicionistas urneiros
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Oposições à
procura de sistema – Em Janeiro, oposições unificadas editam o jornal
Coalizão. Têm reunião geral em 15 de Março em casa do Visconde de Fonte de
Arcada, presidida por Luís Mouzinho de Albuquerque, onde também Sá da Bandeira e
Manuel da Silva Passos apelam à resistência, visando opor a força moral à
força bruta e ao não abandono da urna (15 de Março).
Relações com a
Igreja – São criados seminários em todas as dioceses do reino (28 de Abril).
Reabertura ao culto da capela da Universidade de Coimbra (15 de Abril).
Autorizado o estabelecimento das Irmãs da Caridade no Porto (9 de Julho).
Remodelações –
Em 3 de Maio: José Bernardo da Silva Cabral (1801-1869) sucede ao irmão
interinamente nas pastas do reino e dos negócios eclesiásticos e justiça
(mantém-se na justiça até 20 de Maio de 1846).
Em 24 de Julho:
António Bernardo da Costa Cabral regressa à pasta do reino.
Conselho de
Estado – Em 3 de Maio é criado um
Conselho de Estado administrativo, que se funde com o Conselho de Estado
político, derivado do artigo 107º da Carta. O modelo dura até 9 de Junho de
1870, quando se institui o Supremo Tribunal Administrativo.
Eleição nº 10 (3 e 17 de Agosto), com nova
vitória cabralista. Ampla manipulação eleitoral que passa pela falsificação do
recenseamento, listas marcadas e prisão arbitrária dos opositores, pelo uso de
mandatos de captura assinados, mas em branco. De qualquer maneira, apenas fica
um terço da câmara eleita em 1842.
A oposição urneira, reunindo cartistas puros e
setembristas, mas já sem miguelistas, concorre sob a égide de uma Comissão
Geral Eleitoral do Reino. Só no Alentejo é que a oposição consegue fazer
eleger seis deputados.
Miguelistas
de fora – Os miguelistas, da facção de
António Ribeiro Saraiva, aconselham a abstenção, enquanto os do grupo de Caetano
Beirão querem ir a votos. Estão contra os urneiros o conde de Barbacena,
D. João de Castelo Branco, D. José de Lencastre e o morgado de Vilar de
Perdizes: a nossa urna deve ser dentro de um obus.
Cabral,
conde – A Rainha e o Duque da Terceira
deslocam-se a Tomar, onde António Bernardo é feito conde (9 de Agosto).
A maçonaria armada – O exército era no
tempo de Costa Cabral um Club Armado; os oficiais estavam na sua
loja, os postos e as gratificações dependiam da graduação, da ordem, e
a manobra de um regimento era o resultado de uma sessão nocturna. Cada eleição
foi uma batalha, a urna estava na boca dos arcabuzes, e os votos eram exprimidos
por metralhadas (palavras do miguelista João de Lemos em 1847).