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  Anuário de 1863

Abolição dos morgados, cisões maçónicas e federalismo

Recenseamento, Olivença e caminho-de-ferro até Badajoz

Os sociais-democratas

Federalismo e catolicismo liberal

Arquivo antigo do anuário CEPP

Cisão da CMP, com a constituição da Federação Maçónica Portuguesa de José Elias Garcia (até 1869)

 

 

Abolição dos morgados – Abolição definitiva de todos os morgados e capelas existentes, declarando-se alodiais os bens de que se compunham, à excepção dos da Casa de Bragança (19 de Maio), numa obra que pretende retomar o reformismo de Mouzinho da Silveira e que também passa pela instituição do crédito predial, enquanto surgem obras de fomento como franqueamento da barra do Douro, a extinção do contrato do tabaco e a reforma das alfândegas.

Capitalismo em português – Lei sobre as sociedades anónimas (22 de Junho), determinando-se que nenhuma delas que pretenda dedicar-se a operações de crédito agrícola ou comercial pode estabelecer-se sem prévia autorização do governo. Reforma da legislação hipotecária de 1836 (1 de Julho). Autorizado o quinto banco português, o Banco Aliança (13 de Julho).

Fomento agrícola – Quando se vende gado bovino para Marrocos e se exportam barris de vinho verde para o Brasil (Abril), logo vem a crise, com grandes chuvadas de Verão que levam a perder cerca de um terço das culturas (Junho). Generalizam-se as máquinas de ceifar no Ribatejo e Morais Soares defende o desenvolvimento da lavoura a vapor. Na quinta exemplar de agricultura em Sintra fabricam-se tubos de drenagem de campos, segundo tecnologia belga (Julho). Realiza-se a exposição agrícola e industrial de Braga, organizada pelo governador civil Januário Correia de Almeida (16 de Outubro). Morais Soares no Archivo Rural considera que a agricultura em Portugal precisa de dois melhoramentos: regime das águas e arborização de terrenos impróprios para outras produções (Outubro).

Maçonarias: Conde de Peniche é eleito grão-mestre do Grande Oriente de Portugal, dissidência anti-cabralista do Grande Oriente Lusitano. Antes, tinham sido grão-mestres, o visconde da Oliveira e Moura Coutinho, desde Março de 1854 (reeleito em 1859 até 1861). Desde então, chefia interina de Frederico Leão Cabreira (24 de Novembro de 1863).

Lobo de Ávila é o novo grão-mestre da Confederação Maçónica Portuguesa, eleito em Fevereiro de 1863, onde sucede a José Estevão (desde Março de 1862, até à data da sua morte, em Novembro do mesmo ano).

Em 1863 sai da mesma confederação a Federação Maçónica Portuguesa de José Elias Garcia (1830-1891), pró-republicana.

Reformas e protestos – Reforma da contabilidade pública (12 de Dezembro). Surge um decreto sobre a organização do exército referendado por Braamcamp e Sá da Bandeira que gera protestos e vai levar à queda dos dois ministros em 14 e 16 de Janeiro do ano seguinte. (21 de Dezembro).