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1876
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Fundação do Partido Republicano e da Caixa Geral de Depósitos, antes do Pacto da Granja
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Surge a filoxera no Douro
(Maio) num ano que há-de ser marcado pela crise bancária e onde não falta um
duelo entre o ministro Tomás Ribeiro e o oposicionista Mariano de Carvalho.
África nossa – Sociedade de
Geografia de Lisboa aprova propor ao governo uma expedição portuguesa através
do sertão, de costa a costa, precedida por uma prévia subscrição nacional (7
de Julho). Estamos no ano em que se realiza a Conferência de Bruxelas, para onde
nem sequer foi convidado um representante do governo português e donde resultou
a criação de uma Associação Internacional Africana e, depois, o Estado Livre do
Congo.
Caixa Geral de Depósitos –
Carta de lei cria a Caixa Geral de Depósitos, administrada pela Junta de Crédito
Público (10 de Abril).
Vacas magras – Surge nova crise
financeira, num ano de acaso financeiro, devido ao jogo dos fundos espanhóis (4
de Agosto). Ocorre a chamada sexta-feira negra (18 de Agosto), com
corrida aos bancos e suspensão dos pagamentos. Sobre a matéria, J. Rodrigues de
Freitas, A Crise Monetária e Política de 1876.
O poder do dinheiro – A
antiga fascinação exercida nos espíritos pelo poder dos reis e poder dos
exércitos tem sido igualmente atenuada pelo poder superior que modernamente se
reconhece ter essa coisa impessoal chamada dinheiro (Ramalho Ortigão).
Estamos no ano de uma grave crise financeira.
Carta de Lei aprova um Código do
Processo Civil (8 de Novembro). Nascido de um projecto elaborado por
Alexandre Seabra. Revisto por uma comissão onde se destaca Bernardo Serpa.
Constituintes na oposição – Em
Janeiro, os constituintes passam para a oposição, destacando-se a acção do
jornal A Discussão, dirigido por Manuel Pinheiro Chagas. Passam a
integrar-se no grupo três deputados dissidentes dos regeneradores dependentes de
Manuel Vaz Preto.
Reforço das oposições –
Meeting contra o governo no Casino Lisbonense, com republicanos e
constituintes, discursando Mariano de Carvalho, Emídio Navarro e João Bonança.
Reclama-se sufrágio universal, responsabilidade ministerial e registo civil
obrigatório (19 de Março).
Oposição
boicota sessões parlamentares – Quatro dias depois, já o deputado Mariano de
Carvalhoö propõe um inquérito a todas as
secretarias de Estado o que, naturalmente, não foi aprovado. Como protesto, os
deputados oposicionistas deixam de comparecer às sessões da Câmara dos
Deputados, mantendo tal postura até 27 de Janeiro de 1877.
A emergência dos republicanos –
Reunião comemorativa da vitória da democracia em França, em casa do
milionário Mendes Monteiro, na rua do Alecrim, lançando-se as bases do partido
republicano (25 de Março) que passa da fase dita lunática a um período
platónico. Eleito o directório do novo partido, com 33 membros, entre os
quais Oliveira Marreca, Bernardino Pinheiro, Gilberto Rola, João Bonança,
Carrilho Videira, Elias Garcia, José Jacinto Nunes (1839-1931) e Zófimo
Consiglieri Pedroso (1851-1910) (3 de Abril). Directório declara querer o
desenvolvimento gradual e pacífico das ideias democráticas nas instituições do
país (Junho).
Caciquismo. A nível local
domina o caciquismo, expressão pejorativa proveniente da designação dada pelos
espanhóis aos chefes dos índios, aqui ditos influentes, que, conforme a
observação de Oliveira Martins, tanto podem ser o cacique proprietário, o
grande proprietário que tem populações mais ou menos vassalas, como o
cacique burocrático, isto é, o que tem influência adquirida
politicamente, dando empregos, livrando recrutas, etc. . O influente,
contudo, não se reduz ao mundo rural, dado que, também nos centros urbanos, em
vez do proprietário fundiário, temos tanto o patrão em sentido próprio, de
operários como lojistas, como o patrão burocrático, aquele que mete
cunhas ao poder ou consegue distribuir empregos, para não falarmos nos
formadores de opinião, onde, então, se destacam os professores, os médicos e os
farmacêuticos, para além de alguns artesãos e prestadores de serviços pessoais,
como os barbeiros.
Remodelação – Em 9 de Novembro:
António Cardoso Avelino na justiça. Para a pasta das obras públicas, é nomeado
Lourenço António de Carvalho (1837-1891), filho do antigo ministro de D. Isabel
Maria, o barão de Chanceleiros.
& Agostinho, José (III): 299, 300, 301, 302, 303, 304, 305; Bonifácio, Maria de Fátima (2002): 93; Chagas, Pinheiro/ Gomes, Marques (XII): 442 ss., 448; Ferrão, Almeida (1963): 179; Martins, F. Oliveira (Oliveira Martins e os seus Contemporâneos): 57; Martins, Francisco da Rocha (1929): 395, 396; Oliveira, Lopes d' (1947): 33, 34, 67; Ortigão, Ramalho (As Farpas, VII): 292; Paixão, Braga (1964): 402; (II, 1968): 12; Peres, Damião/ Carvalho, Joaquim de (VII): 406, 407; Queiroz, Eça de (Prosas Esquecidas, V): 48; Rego, António da Silva: 160; Santos, António Ribeiro dos: 195; Serrão, Joaquim Veríssimo (IX): 59; Teles, Basílio (Do Ultimatum...): 79; Tengarrinha, José (Sá da Bandeira, Diário da Guerra Civil, II): 263.