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  Anuário de 1877

1877

A camarilha do Paço eleva Ávila ao poder, depois da queda de Fontes

Esquerda Dinástica

Morte de Alexandre Herculano (13 de Setembro)

Inaugurada Ponte D. Maria Pia (4 de Novembro)

arquivo antigo do anuário CEPP

Gov. Fontes

 

  Governo nº 35 Ávila (331 dias, desde 5 de Março). Os novos progressistas, que contavam ser chamados, atacam o rei, falando em camarilha do Paço. Apoiam, contudo, o gabinete no parlamento, ao lado dos regeneradores.

Partido Socialista – Surge a primeira cisão do Partido Socialista quando Azedo Gneco patrocina a candidatura de Oliveira Martins pelos progressistas, no círculo do Porto, com a desistência dos socialistas. Tudo acontece depois de em Fevereiro ter reunido o primeiro congresso do partido que dura até 1882.

Britânicos contra o sonho imperial lusitano – Na área ultramarina, os ingleses Cameron e Young lançam uma campanha contra Portugal, injuriado como um país de negreiros. Em resposta, a Academia das Ciências encarrega Manuel Pinheiro Chagas de realizar uma série de conferências sobre os descobrimentos portugueses.

Fontes demite-se, invocando estar doente e indica o nome de Ávila ao rei, depois do próprio número dois dos regeneradores, António Serpa, pretextar também um estado de doença. Os regeneradores são acusados de devoristas por uma oposição progressista, cada vez mais dinâmica. Os situacionistas criticam os progressistas por comprometerem o presente e o futuro do país.

Governo nº 35 de Ávila (331 dias, desde 6 de Março). Os novos progressistas, que contam ser chamados, atacam o rei, falando em camarilha do Paço. Apoiam, contudo, o gabinete no parlamento, ao lado dos regeneradores. Aliás, na Câmara dos Deputados, o governo nem sequer tem oposição, dado que os regeneradores e os progressistas apenas entram em competição sobre quem mais está disposto a apoiar o governo. Só o deputado independente António Augusto Ferreira de Melo (1838-1891), visconde Moreira de Rei, rema contra a corrente da hipocrisia. Já na Câmara dos Pares, José Dias Ferreira assume uma atitude claramente oposicionista. O monarca lavrou então o decreto mandando o seu antigo ministério bochechar e encarregou o senhor marquês de Ávila e Bolama de reunir com os seus amigos o número de dentes necessários para formar uma gerência duradoura e firme (Ramalho Ortigão).

 

Presidente acumula o reino e os estrangeiros. José de Sande Magalhães Mexia Salema (1812-1873) na justiça. António Florêncio de Sousa Pinto na guerra. João Gualberto de Barros e Cunha (1826-1882) nas obras públicas. José de Melo Gouveiaö na marinha. Carlos Bento da Silva na fazenda. Em 10 de Setembro de 1877: Melo Gouveia passa a acumular a fazenda, substituindo aqui Carlos Bento da Silva

De costa a costa – A. Serpa Pinto (1846-1900), Hermenegildo Brito Capelo (1841-1917) e Roberto Ivens (1850-1898) partem para Luanda, a fim de iniciarem as suas célebres viagens de exploração africana (7 de Julho).

A questão do empréstimo internacional (10 de Setembro) Melo Gouveia passa a acumular a fazenda, substituindo, aqui, Carlos Bento da Silva. O governo tenta contrair um empréstimo internacional de 6 500 000 libras, junto da casa Baring Brothers, em Londres, mas a imprensa de britânica e francesa levanta suspeitas sobre Portugal, acusado de não pagar os juros ajustados. Daí que o governo apenas consiga uma operação de 3 milhões de libras.

Morte de Alexandre Herculano (13 de Setembro). Pouco antes fora visitado pelo Imperador do Brasil. Para Oliveira Martins, não o mata o cepticismo, mata-o o excesso de uma doutrina imperfeita porque o estóico foi romântico e individualista, exprimindo a reacção contra a religião dos Jesuítas e contra a doutrina da Razão de Estado que, depois de ter feito as monarquias absolutas, fizera a Convenção e Napoleão. E o singular génio de Herculano estava na força de uma convicção que, em vez de religiosa, era cívica... a palavra que o retrata é o Carácter, porque nele a vida moral e intelectual eram uma e única...

Inaugurada a ponte D. Maria Pia no Porto em 4 de Novembro. Começara a ser construída em 5 de Janeiro de 1875, pela casa Eiffel de Paris.

 

& Agostinho, José (III): 308, 309, 311, 313, 314, 315, 316, 317, 318; Chagas, Pinheiro/ Gomes, Marques (XII): 471; Martins, Francisco da Rocha (1929): 396, 397; Martins, Joaquim Pedro d'Oliveira (1881, II): 242, 243, 245, 246, 250; Oliveira, Lopes d' (1947): 34; Ortigão, Ramalho (As Farpas, IV): 37, 57; Paixão, Braga (I, 1964): 408; (II, 1968): 15; Peres, Damião/Carvalho, Joaquim de (VII): 407, 408; Rego, António da Silva: 186; Serrão, Joaquim Veríssimo (IX): 59; Serrão, Joel (Alexandre Herculano...): 137; Teles, Basílio (Do Ultimatum...): 45, 54.