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1877 |
A camarilha do Paço eleva Ávila ao poder, depois da queda de Fontes
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Gov. Fontes |
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Partido Socialista – Surge a
primeira cisão do Partido Socialista quando Azedo Gneco patrocina a candidatura
de Oliveira Martins pelos progressistas, no círculo do Porto, com a desistência
dos socialistas. Tudo acontece depois de em Fevereiro ter reunido o primeiro
congresso do partido que dura até 1882.
Britânicos contra o sonho imperial
lusitano – Na área ultramarina, os ingleses Cameron e Young lançam uma
campanha contra Portugal, injuriado como um país de negreiros. Em
resposta, a Academia das Ciências encarrega Manuel Pinheiro Chagas de realizar
uma série de conferências sobre os descobrimentos portugueses.
Fontes demite-se, invocando
estar doente e indica o nome de Ávila ao rei, depois do próprio número dois dos
regeneradores, António Serpa, pretextar também um estado de doença. Os
regeneradores são acusados de devoristas por uma oposição progressista,
cada vez mais dinâmica. Os situacionistas criticam os progressistas por
comprometerem o presente e o futuro do país.
Governo nº 35 de Ávila
(331 dias, desde 6 de Março). Os novos progressistas, que contam ser chamados,
atacam o rei, falando em camarilha do Paço. Apoiam, contudo, o gabinete
no parlamento, ao lado dos regeneradores. Aliás, na Câmara dos Deputados, o
governo nem sequer tem oposição, dado que os regeneradores e os progressistas
apenas entram em competição sobre quem mais está disposto a apoiar o governo. Só
o deputado independente António Augusto Ferreira de Melo (1838-1891), visconde
Moreira de Rei, rema contra a corrente da hipocrisia. Já na Câmara dos Pares,
José Dias Ferreira assume uma atitude claramente oposicionista. O monarca
lavrou então o decreto mandando o seu antigo ministério bochechar e encarregou o
senhor marquês de Ávila e Bolama de reunir com os seus amigos o número de dentes
necessários para formar uma gerência duradoura e firme (Ramalho Ortigão).
Presidente acumula o reino e os estrangeiros. José de Sande Magalhães Mexia
Salema (1812-1873) na justiça. António Florêncio de Sousa Pinto na guerra. João
Gualberto de Barros e Cunha (1826-1882) nas obras públicas. José de Melo Gouveiaö
na marinha. Carlos Bento da Silva na fazenda. Em 10 de Setembro de 1877: Melo
Gouveia passa a acumular a fazenda, substituindo aqui Carlos Bento da Silva
De costa a costa – A. Serpa
Pinto (1846-1900), Hermenegildo Brito Capelo (1841-1917) e Roberto Ivens
(1850-1898) partem para Luanda, a fim de iniciarem as suas célebres viagens de
exploração africana (7 de Julho).
A questão do empréstimo
internacional (10 de Setembro) Melo Gouveia passa a acumular a fazenda,
substituindo, aqui, Carlos Bento da Silva. O governo tenta contrair um
empréstimo internacional de 6 500 000 libras, junto da casa Baring Brothers, em
Londres, mas a imprensa de britânica e francesa levanta suspeitas sobre
Portugal, acusado de não pagar os juros ajustados. Daí que o governo apenas
consiga uma operação de 3 milhões de libras.
Morte de Alexandre Herculano
(13 de Setembro). Pouco antes fora visitado pelo Imperador do Brasil. Para
Oliveira Martins, não o mata o cepticismo, mata-o o excesso de uma doutrina
imperfeita porque o estóico foi romântico e individualista, exprimindo a
reacção contra a religião dos Jesuítas e contra a doutrina da Razão de Estado
que, depois de ter feito as monarquias absolutas, fizera a Convenção e Napoleão.
E o singular génio de Herculano estava na força
de uma convicção que, em vez de religiosa, era cívica... a palavra que o retrata
é o Carácter, porque nele a vida moral e intelectual eram uma e única...
Inaugurada a ponte D. Maria Pia
no Porto em 4 de Novembro. Começara a ser construída em 5 de Janeiro de 1875,
pela casa Eiffel de Paris.
& Agostinho, José (III): 308, 309, 311, 313, 314, 315, 316, 317, 318; Chagas, Pinheiro/ Gomes, Marques (XII): 471; Martins, Francisco da Rocha (1929): 396, 397; Martins, Joaquim Pedro d'Oliveira (1881, II): 242, 243, 245, 246, 250; Oliveira, Lopes d' (1947): 34; Ortigão, Ramalho (As Farpas, IV): 37, 57; Paixão, Braga (I, 1964): 408; (II, 1968): 15; Peres, Damião/Carvalho, Joaquim de (VII): 407, 408; Rego, António da Silva: 186; Serrão, Joaquim Veríssimo (IX): 59; Serrão, Joel (Alexandre Herculano...): 137; Teles, Basílio (Do Ultimatum...): 45, 54.