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1889
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Morte de D. Luís e república no Brasil
(Ver Arquivo antigo do anuário CEPP
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Conflito colonial com os britânicos
– A rainha Vitória confere personalidade jurídica e poderes majestáticos à
British South Africa Company, a célebre Chartered (25 de Outubro).
Portugal tenta responder à pressão com a ocupação do Vale do Zambeze por Paiva
de Andrade, do Niassa por António Maria Cardoso, do Barotze por Henrique
Mitchell de Paiva Couceiro (1861-1944) e do Alto Chire pelos soldados
dependentes de Serpa Pinto. Os ingleses, entretanto, lançam a sua rede de
aliciamento não apenas entre os macololos, mas também entre os machonas e o
chamado imperador de Gaza, Gungunhana. Tentam também armar os matabeles de
Lobengula. Macololos hasteiam a bandeira inglesa em ambas as margens do Chire.
Estes antigos carregadores de David Livingstone, instalados no Tete, haviam sido
deslocados para tal zona pelas autoridades portuguesas (8 de Novembro). Lord
Salisbury notifica Barros Gomes. Protesta contra a criação do governo do
distrito do Zumbo (21 de Novembro). Na nossa resposta, defendemos a prioridade
portuguesa na descoberta do Niassa. Há forte apoio na imprensa nacional e certa
simpatia da própria opinião europeia (29 de Novembro). Os ingleses não replicam,
mas lançam vários boatos. Acusam Serpa Pinto de ter massacrado os macololos na
batalha do Chire, considerando tal território como seu protectorado. Expedição
militar portuguesa, comandada por João de Azevedo Coutinho, derrota os macololos
no Chire (8 de Dezembro). Ministro inglês em Lisboa protesta formalmente contra
a expedição. Acusa Serpa Pinto e pede para não continuarmos a avançar em tal
zona (18 de Dezembro). Barros Gomes responde imediatamente, dizendo que a
expedição é apenas para trabalhos de engenharia e que não fizemos qualquer
ataque, dado que apenas nos defendêramos de actos de agressão.
Greve do comércio do Porto, de
19 a 21 de Janeiro, por causa dos privilégios concedidos à Real Companhia
Vinícola do Norte. Inúmeros protestos contra Emídio Navarro e Mariano de
Carvalho.
Remodelações: Em 23 de
Fevereiro: Eduardo José Coelho nas obras públicas. Frederico Ressano Garciaö
na marinha e ultramar. Barros Gomes na fazenda.
Em 9 de Novembro: Augusto José da
Cunha na fazenda; José Joaquim de Castro na guerra.
Partido legitimista publica um
manifesto, onde anuncia estar disposto a fazer o jogo demo-liberal
(Setembro).
Guerra Junqueiro entra em
conflito com o ministro Ressano Garcia e não volta a ser deputado. Chega, então,
a tentar uma aproximação com a então oposição regeneradora.
Eleição nº 31
(20 de Outubro) Progressistas com nova vitória (68%), 104 dos 169
deputados, contra 25% dos regeneradores (38 deputados) e 5% da Esquerda
Dinástica (8 deputados). Mantém-se a representação republicana.
República no Brasil –
Instaurada a república no Brasil (15 de Novembro). Chega a Lisboa, refugiado, o
destituído Imperador do Brasil (7 de Dezembro). No jornal O Século,
inúmeros artigos de congratulação e propaganda republicana, subscritos por
Latino Coelho, defendendo a necessidade de uma confederação luso-brasileira,
como ponto de partida para uma confederação ibero-americana, consideradas
obras de equilíbrio mundial, quando o republicanismo ainda se dizia
kantista.
Morte de D. Luís, sucedendo-lhe
D. Carlos que presta juramento em 28 de Dezembro. Segundo José Maria de Alpoim,
às vezes fazia-se com os ministros contra o Presidente do Conselho.
Chegou a andar em confidências com Mariano de Carvalho e Emídio Navarro, mas
depois de os largar, voltou-se para o presidente do conselho e disse: olha
lá, quando é que tu pões fora estes gatunos? (Raul Brandão).