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  Anuário de 1896

1896

 

Revolta na Índia e crise financeira

A Pátria, a crise e o cinema

(Ver Arquivo antigo do anuário CEPP

Governo tenta voltar a ser conciliador, como em 1893.

Ratificado parlamentarmente o Acto Adicional, em 3 de Abril de 1896.

Lei de 21 de Maio de 1896, com regresso aos círculos uninominais

Campanhas africanas – António Enes regressa a Lisboa (19 de Janeiro). A questão angolana emerge na imprensa, discutindo-se o republicanismo da câmara de Luanda e os custos da colónia, que custaria à coroa cerca de um conto de reis por dia (Abril). Mouzinho de Albuquerque assume o governo-geral em Maio e passa a comissário régio em Novembro, mantendo-se em tal posto até 1898.

Quanto à revolta na Índia, denunciam-se os actos de dura repressão levados a cabo pelo governador Rafael de Andrade e pelo capitão Manuel de Oliveira Gomes da Costa (1863-1929), com Constâncio Roque da Costa, no Universal, a defender os direitos dos locais. O governo nomeia, então, um novo governador, Neves Ferreira (Abril).

Hintze volta à conciliação – Governo tenta voltar a ser conciliador, como em 1893. Vive-se, contudo, uma certa tensão, com censura prévia e apreensão de jornais.

Aprovada lei contra os anarquistas (13 de Fevereiro). Pedradas contra a carruagem real (29 de Fevereiro), lançadas por um alienado que estava internado em Rilhafoles. Mas o novo diploma apenas copia disposições idênticas de leis de 1894 publicadas em Espanha (11 de Julho), Itália (19 de Julho), Suíça (25 de Julho) e França (28 de Julho), dado que o fenómeno assume dimensão global, sendo até sustentado teoricamente pelo niilismo e por certas perspectivas defensoras da destruição criadora que mistura anarquismo e messianismo.

Remodelação – Em 7 de Abril: José Estevão de Morais Sarmento (1843-1930) na guerra.

Ratificado parlamentarmente o Acto Adicional, em 3 de Abril de 1896.

Nova lei eleitoral (21 de Maio). O governo regenerador de Hintze propõe, na ratificação do decreto ditatorial de 1895, uma conciliação com o modelo anterior dos círculos uninominais. Dois grandes círculos plurinominais em Lisboa e no Porto, agregados às respectivas parcelas rurais.

Boatos sobre golpe de Estado e quadrilhas de ladrões – Chega a falar-se na hipótese de um golpe de Estado, com Fuschini, José Dias Ferreira e Soares Guedes, falando-se até que estaria marcada data para 18 de Junho. Pelo menos, Zé Dias declara que no poder têm estado verdadeiras quadrilhas de ladrões. E o progressista Eduardo Abreu defende então um inequívoco rompimento com a coroa. Outros referem mesmo que se instauraria a república, apontando-se para presidente o nome de José Luciano... Contudo, as divisões também são intensas entre os próprios republicanos. Pelo menos João Chagas insurge-se contra a aliança que estava ser feita com a oposição monárquica.

Lisboa às escuras – Começa uma greve dos trabalhadores da Companhia de Gás de Lisboa, que deixa a capital às escuras durante três dias (3 de Agosto).

Crise financeira. Começa na praça do Porto, quando, devido ao jogo dos fundos espanhóis, o Banco do Porto e o Banco Comercial de Viana se tornam insolventes (4 de Agosto). Nova sexta-feira negra, corrida aos bancos em geral e suspensão de pagamentos (18 de Agosto).

& Ferrão, Almeida: 274; Oliveira, Lopes: 161, 163; Paixão, Braga (II, 1968): 191; Serrão, J. Veríssimo (X): 87; Valente, Vasco Pulido (1976): 87..