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1896
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Revolta na Índia e crise financeira
(Ver Arquivo antigo do anuário CEPP
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Campanhas africanas – António
Enes regressa a Lisboa (19 de Janeiro). A questão angolana emerge na imprensa,
discutindo-se o republicanismo da câmara de Luanda e os custos da colónia, que
custaria à coroa cerca de um conto de reis por dia (Abril). Mouzinho de
Albuquerque assume o governo-geral em Maio e passa a comissário régio em
Novembro, mantendo-se em tal posto até 1898.
Quanto à revolta na Índia,
denunciam-se os actos de dura repressão levados a cabo pelo governador Rafael de
Andrade e pelo capitão Manuel de Oliveira Gomes da Costa (1863-1929), com
Constâncio Roque da Costa, no Universal, a defender os direitos dos
locais. O governo nomeia, então, um novo governador, Neves Ferreira (Abril).
Hintze volta à conciliação –
Governo tenta voltar a ser conciliador, como em 1893. Vive-se, contudo, uma
certa tensão, com censura prévia e apreensão de jornais.
Aprovada lei contra os anarquistas
(13 de Fevereiro). Pedradas contra a carruagem real (29 de Fevereiro),
lançadas por um alienado que estava internado em Rilhafoles. Mas o novo diploma
apenas copia disposições idênticas de leis de 1894 publicadas em Espanha (11 de
Julho), Itália (19 de Julho), Suíça (25 de Julho) e França (28 de Julho), dado
que o fenómeno assume dimensão global, sendo até sustentado teoricamente pelo
niilismo e por certas perspectivas defensoras da destruição criadora que mistura
anarquismo e messianismo.
Remodelação – Em 7 de Abril:
José Estevão de Morais Sarmento (1843-1930) na guerra.
Ratificado parlamentarmente o Acto
Adicional, em 3 de Abril de 1896.
Nova lei eleitoral (21 de
Maio). O governo regenerador de Hintze propõe, na ratificação do decreto
ditatorial de 1895, uma conciliação com o modelo anterior dos círculos
uninominais. Dois grandes círculos plurinominais em Lisboa e no Porto, agregados
às respectivas parcelas rurais.
Boatos sobre golpe de Estado e
quadrilhas de ladrões – Chega a falar-se na hipótese de um golpe de Estado,
com Fuschini, José Dias Ferreira e Soares Guedes, falando-se até que estaria
marcada data para 18 de Junho. Pelo menos, Zé Dias declara que no poder têm
estado verdadeiras quadrilhas de ladrões. E o progressista Eduardo Abreu
defende então um inequívoco rompimento com a coroa. Outros referem mesmo que se
instauraria a república, apontando-se para presidente o nome de José Luciano...
Contudo, as divisões também são intensas entre os próprios republicanos. Pelo
menos João Chagas insurge-se contra a aliança que estava ser feita com a
oposição monárquica.
Lisboa às escuras – Começa uma
greve dos trabalhadores da Companhia de Gás de Lisboa, que deixa a capital às
escuras durante três dias (3 de Agosto).
Crise financeira. Começa na
praça do Porto, quando, devido ao jogo dos fundos espanhóis, o Banco do Porto e
o Banco Comercial de Viana se tornam insolventes (4 de Agosto). Nova sexta-feira
negra, corrida aos bancos em geral e suspensão de pagamentos (18 de
Agosto).
& Ferrão, Almeida: 274; Oliveira, Lopes: 161, 163; Paixão, Braga (II, 1968): 191; Serrão, J. Veríssimo (X): 87; Valente, Vasco Pulido (1976): 87..