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  Anuário de 1902

1902

 

Suicídio de Mouzinho de Albuquerque e motins estudantis

Luz eléctrica em Lisboa

Elitismo e imperialismo

(Ver pormenores em anuário CEPP)

Suicídio de Joaquim Mouzinho de Albuquerque (8 de Janeiro)

Jacinto Cândido anuncia na Câmara dos Pares a formação de um Partido Nacionalista (Janeiro)

Motins estudantis em Lisboa, Porto e Coimbra (Março e Abril)

João Arroio abandona os regeneradores (Março)

Eleições municipais. Hintzáceos vencem em Lisboa (2 de Novembro)

9º Congresso do Partido Republicano. Votada nova lei orgânica (6 de Janeiro). A nova organização do Partido Republicano, aprovada no Congresso de Coimbra, como inteiramente anti-republicana, como ofensiva do sufrágio popular, da dignidade pessoal e jornalística, facciosa e absolutista e incompatível com os princípios e com os sentimentos democráticos (Sampaio Bruno, em entrevista ao jornal portuense, A Voz Pública, 8 de Outubro). Bruno demite-se, então, do partido e numa entrevista que concede ao jornal A Voz Pública, de 9 de Janeiro, ataca directamente Afonso Costa, a quem chama o doutor Alonso. Este, no dia 11, agride-o de forma bárbara, com um box de ferro, quando o escritor descia a Rua de Sá da Bandeira, no Porto.

Um país de suicidas – Suicídio de Joaquim Mouzinho de Albuquerque (8 de Janeiro). O fatídico desfecho tanto é objecto de interpretações político-profissionais, como até de justificações passionais, não faltando os que referem uma correspondida paixão platónica com a rainha D. Amélia.

Progressistas atacam governo no parlamento falando em nomeações ilegais de funcionários, os chamados comissários régios (31 de Janeiro). Hintze replica, indicando idênticas nomeações feitas pelos progressistas anteriormente. Fuschini clama contra a administração estrangeira. Grandes boatos sobre a corrupção. Fala-se em parasitas-devoristas e em negociatas.

Clientelismo – A que se deve atribuir esta situação? Digamos tudo ao País, para que ele possa julgar a todos: - vem dos desperdícios, da necessidade de se alimentarem as clientelas? Vem, em parte. Todos temos culpa nisso. A começar no País, a acabar nos homens públicos (José Luciano).

Convénio com credores estrangeiros – Pereira Carrilho consegue negociar em Paris um acordo dos credores estrangeiros quanto à dívida externa portuguesa (25 de Março).

Em Março e Abril, agitações e motins estudantis em Coimbra, Porto e Lisboa, com suspensão das aulas até Abril. Tumultos em Coimbra (29 de Abril). Reitor Pereira Dias não permite uma reunião de estudantes que clamam contra o convénio e os políticos dominantes. Conflitos com a polícia. Há pedradas e tiros. Soldados de Aveiro e de Lisboa ocupam a cidade. Tumultos estudantis no Porto e comícios em Lisboa dos alunos da Escola Politécnica. Governo encerra a Universidade de Coimbra.

Eleições municipais. Vitória dos regeneradores no Porto (2 de Novembro).

A mó da vida velha – Todos farão girar a mó da vida velha, porque não existe meio de mover outra (Mariano de Carvalho).

 

 

& Agostinho, José (V): 71; Ferrão, Almeida: 156; Gomes, Pinharanda (1984): 127; Oliveira, Lopes: 194, 195, 196; Oliveira, Miguel: 379; Paixão, Braga (III, 1971): 11 ss.; Rego, Silva (1966): 282, 283; Serrão, Joaquim Veríssimo (X): 104; Serrão, Joel (1958): 74.