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1945 |
Vitória dos aliados e criação do MUD
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diplomado pela Escola Colonial, Marcelo Gonçalves Nunes Duarte Matiasö (n. 1903) que em 10 de Fevereiro de 1946 passará a director-geral dos negócios políticos e da administração interna, para, em Julho de 1958, ascender a ministro. Sampaio, que estivera saneado das respectivas funções de 1919 a 1926, assume em 1929 o cargo de secretário-geral do ministério, atingindo o topo da carreira sem nunca exercer funções no estrangeiro, mas conhecendo minuciosamente os arquivos e as pessoas.
●Conselho de Ministros. De 9 a 19 de Fevereiro, Salazar realiza o segundo conselho do remodelado gabinete, abordando directamente a situação política interna. Só em 5 de Dezembro será convocado um terceiro plenário do governo, para se fazer o balanço das eleições. Entretanto, em 9 de Junho, Marcello Caetano parte para uma demorada viagem pelo império, pelo que não está em Lisboa durante o período eleitoral.
●Revoltas do reviralho – Em Janeiro, anulada tentativa de golpe militar, liderado por republicanos conservadores e monárquicos liberais. Em Agosto falha conspiração a ser liderada por Norton de Matos, com João Soares, Miguel dos Santos, Teófilo Carvalho Santos e José António Cardoso Vilhena. Tem origem no modelo do golpismo palaciano, concebido pelo comité revolucionário secreto do MUNAF.
●Comunistas – O processo de subversão oposicionista não desarma. Greves de trabalhadores rurais no Ribatejo e Alentejo em Abril de 1945. Voltam a tomar como pretexto o aumento de preços, resultante das circunstâncias da economia de guerra. Em Junho, são especialmente intensas no Alentejo, sendo preso Germano Vidal em Montemor-o-Novo. Em 4 de Julho o militante comunista Alfredo Dinis (Alex) é morto em Bucelas por uma brigada da polícia política, ainda PVDE, dirigida por José Gonçalves. ●Socialistas – Surge uma clandestina União Democrato-Socialista, resultante da fusão do Núcleo de Doutrinação e Acção Socialista com a União Democrática. Em Abril, aparece o jornal O Combate considerado órgão de um Partido Trabalhista Português, que tem como secretário-geral Castanheira Lobo. Ainda se mantém em 1947.
●Estrutura-se no exílio parisiense uma União Patriótica e Democrática Portuguesa, dirigida por José Domingues dos Santos, com Emídio Guerreiro, nas funções de secretário-geral (Maio). Tentam, através de Armando Cortesão, então no exílio de Londres, que Domingues dos Santos visite a Grã-Bretanha, o que não conseguem, mesmo com a intercessão de Harold Laski, que também é contactado por António Sérgio.
●Opus Dei – Escrivá de Balaguer visita Portugal. O foco irradiador da obra passa pela Residência dos Estudantes da Beira em Coimbra, graças à cooperação de Guilherme Braga da Cruz, alargando-se depois a dois ministros de Salazar, Daniel Barbosa e Cavaleiro Ferreira.
●O pós-guerra – No dia da capitulação da Alemanha, em 8 de Maio, com discurso de Salazar na Assembleia Nacional, grande manifestação em Lisboa pela vitória dos Aliados, de que aproveitam os oposicionistas. Uma greve estudantil acompanha o processo. Surgem, entretanto, sinais de apoio de britânicos e norte-americanos ao regime salazarista, a partir de Junho. Os Aliados ocidentais desconfiam da capacidade da oposição não-comunista e preferem a manutenção da Salazar.
●Marcação de eleições – Dissolução da Assembleia Nacional e marcação de eleições em 6 de Outubro de 1945. Salazar declara que estas serão Tão livres quanto na livre Inglaterra.
●MUD. É neste ambiente que nasce o MUD (Movimento de Unidade Democrática) numa sessão do Centro Republicano Almirante Reis, na Rua do Bem-Formoso (8 de Outubro 1945).
●Regime procura uma imagem de tolerância – Decreto-Lei nº 35 041 de 18 de Outubro estabelece uma amnistia parcial para os presos acusados de crimes contra a segurança interna e externa do Estado.
●Eleições para as Juntas de Freguesia sem a presença do MUD, em 21 de Outubro. Ministro do Interior havia substituído todos os governadores civis, numa altura em que lavra um certo mal-estar nas fileiras situacionistas.
●Nas eleições para os sindicatos nacionais, surgem listas dominadas pelo PCP, cujos influenciados conseguem obter bastantes lugares.
●Eleição nº 56 da Assembleia Nacional, em 18 de Novembro. 120 deputados. Candidaturas da oposição, pelo Movimento de Unidade Democrática que desiste em 11 de Novembro.
●O salazarismo do pós-guerra – Lei de 17 de Setembro altera a Constituição, nomeadamente o Acto Colonial. Criados Tribunais Plenários de Lisboa e Porto, competentes para o julgamento de crimes de imprensa e de crimes contra a segurança do Estado. De 1932 a 1960 serão julgados 4 792 indivíduos. Só nos Tribunais Plenários, de 1945 a 1960, acabam condenadas 3 562 pessoas. Surge a PIDE, Polícia Internacional e de Defesa do Estado, em substituição da PVDE (Decreto-Lei nº 35 046, de 22 de Outubro), invocando-se, hipocritamente, um sistema similar ao adoptado na Inglaterra, onde idênticas funções são desempenhadas por um ramo especial, com autonomia, do Departamento de Investigação Criminal, vulgarmente conhecido por "Scotland Yard"..
●Católicos da oposição O jornal República publica, em 23 de Outubro, um artigo do Padre Alves Correia intitulado O Mal e a Caramunha, que o hão-de levar ao exílio. Critica o regime por dar cobertura aos monárquicos, eventuais instigadores da Noite Sangrenta.
● Surgem outras divisões entre os católicos, com o antigo companheiro de Salazar, Francisco Veloso, a aderir ao MUD, em nome das teses de Leão XIII e Jacques Maritain. Considera que em democracia não há soberano e que tem-se governado longe do povo, em círculo fechado e de portas cerradas. Daí, proclamar a necessidade da instauração perfeita da democracia em Portugal.
●O Padre Abel Varzim, instigado por Cerejeira, chega a sondar algumas personalidades católicas, incluindo membros do governo no sentido da constituição de um eventual partido democrata-cristão.
●Surgem monárquicos como Francisco Vieira de Almeida (1888-1962) a denunciarem o pessoalismo do poder. Refira-se, também, a criação de outros grupos, como o Centro Nacional de Cultura, fundado por um grupo de monárquicos não alinhados com o regime, sob a liderança de Fernando Amado (Dezembro)
●O Grande Oriente Lusitano escreve ao presidente norte-americano Truman, solicitando-lhe os bons ofícios contra a Gestapo lusitana, mas o pedido de socorro não é atendido.
●Oposição no Brasil – Entretanto, surge no Brasil a Sociedade dos Amigos da Democracia Portuguesa com Manuel Bandeira, Jorge Amado, Carlos Drumond de Andrade, Gilberto Freyre e Graciliano Ramos. Apoiam o Comité Central do Movimento Anti-Fascista dos Portugueses do Brasil, onde se destaca Lúcio Pinheiro dos Santos. Outros oposicionistas movem as suas influências nesse país, com destaque para Jaime Cortesão, Moura Pinto, Jaime de Morais e Sarmento Pimental, com a protecção financeira de Ricardo Seabra.