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1954 |
Catarina Eufémia, defluxo revolucionário, Satyagrahis e anexação de Dadrá e Nagar-Aveli
(Ver Tradição e Revolução, vol. II) Ver Cosmopolis
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Sociedade Portuguesa de Escritores
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O recuo da Europa – A Assembleia Nacional,
na sequência de um debate sobre a matéria europeia, apenas aprovara, em
27-11-1953, uma vaga moção favorável à construção da Europa Unida, o que
levou a intensas pressões norte-americanas e britânicas, no sentido da
ratificação, principalmente durante da Conferência dos Três Grandes, nas
Bermudas (4 a 8-12-1953). O próprio Fuster Dulles, numa conferência de imprensa
realizada em Paris (14-12-1953) chegou mesmo a proclamar que os Estados Unidos
teriam que rever a respectiva política externa se a França não ratificasse a CED,
dizendo tratar-se de um reexame trágico e fundamental. Depois da rejeição
da CED, eis que, em sinal de protesto, Jean Monnet, em 9-11, anuncia não pedir a
renovação do seu mandato como presidente da Alta Autoridade da CECA, cargo que
exercia desde 1952, num ano em que também falece um dos pais-fundadores da
Europa, o italiano Alcide de Gasperi. Contudo, os sinais de Paris eram pouco
animadores, como o manifestou a turbulenta eleição do Presidente da República,
René Coty (23-12-1953). Tudo se precipita com a derrota francesa na batalha de
Dien Bien Phu (7 de Maio) e com o início da Conferência de Genebra sobre a paz
na Indochina (26 de Abril). A partir de então o Vietname do Norte passa a ser
denominado por Ho Chi Min e pelo seu partido comunista, o Partido dos
Trabalhadores Vietnamitas, oriundo dos vietminhs de 1941, extinto em 1941
e reconstruído em 1951.
União Indiana
proíbe todas as exportações para Goa, Damão e Diu.
Destaque também para o movimento
dos Satyagrahis em Goa. Salazar, através da Emissora Nacional, faz um discurso
sobre a questão (12 de Abril). Recebe goeses residentes em Lisboa e faz novo
discurso (27 de Abril). União Indiana ocupa os enclaves de Dadrá e Nagar Aveli
(22 de Julho). Em Lisboa há várias cerimónias de romagem ao túmulo de Vasco da
Gama, bem como uma manifestação na Praça do Município. Craveiro Lopes dirige-se
ao país através da Emissora Nacional. Governo britânico informa Lisboa que não
intervirá militarmente em caso de conflito de Portugal com a União Indiana (5 de
Agosto). Nova comunicação de Salazar, através da Emissora Nacional (10 de
Agosto). Prisão de vários dirigentes do MND, entre os quais Ruy Luís Gomes, que
serão julgados pelo Tribunal Plenário do Porto, por crime de traição à pátria.
Tinham defendido a necessidade do governo entabular negociações com a União
Indiana (19 de Agosto). Salazar faz mais uma comunicação à Assembleia Nacional
(30 de Novembro).
Questão colonial
Aprovado o Estatuto dos Indígenas Portugueses das Províncias da Guiné,
Angola e Moçambique (20 de Abril). A população é dividida em três grupos: os
brancos, os assimilados e os indígenas. Estabelecida a natureza provisória do
estatuto, na senda da revisão constitucional de 1951 que revogara o Acto
Colonial. Assinado acordo luso-britânico sobre as fronteiras de Moçambique (18
de Novembro)
Questão angolana
– Agostinho Neto, como militante do MUD Juvenil, participa em Viena no I
Encontro da Juventude Rural. Passa por Paris, onde se encontra com Marcelino dos
Santos e Mário Pinto de Andrade. Fundada em Léopoldville, capital do Congo
Belga, a União dos Povos do Norte de Angola, sob a direcção de Holden Robertoö.
A organização vai dar origem à UPA.
Encerrada a Colónia Penal do Tarrafal. O último preso que ainda está detido, é o comunista Francisco Miguel, conenado em 1948 (26 de Janeiro)
Remodelações – Em 2 de Abril: Arantes de
Oliveira, novo ministro das obras públicas. Em 14 de Agosto: Antunes Varela no
ministério da justiça; Almeida Fernandes no exército.
Comunistas
– Cunhal
define o ano como momento de refluxo revolucionário,
na altura em que o PCP tenta desmantelar uma fracção de direita,
com João Rodrigues e Cândida Ventura. De Fevereiro a Março surgem
várias greves de operários têxteis no norte, nomeadamente em Riba d’Ave e Vila
do Conde. Inserem-se na luta desencadeada pelo PCP contra a chamada campanha
da produtividade. Recomeça a comemoração do Dia do Trabalhador, com
manifestações em várias localidades (1 de Maio). Morte de Catarina Eufémia no
Baleizão. Terá sido assassinada pelo tenente Carrajola da GNR (19 de Maio). Em
Outubro, Joaquim Gomes e Pedro Soares evadem-se da cadeia do Porto.
Oposição
– Vários
oposicionistas subscrevem, em requerimento dirigido ao governador civil de
Lisboa, o pedido de aprovação dos estatutos de uma Liga Cívica (15 de
Março).
Em Abril, começa a
circular o jornal clandestino Moreano (sigla de Movimento de Resistência
Antitotalitária, dito de militares e para militares) que Henrique
Galvão edita a partir da cadeia onde está detido. Colabora também com o
jornal brasileiro Anhembi que repete os panfletos. Só muito depois é que
a polícia detecta que o jornal é feito na Penitenciária de Lisboa, através de um
copiógrafo, emitindo-se cerca de 500 exemplares de cada edição. Depois de busca,
encontram-se outras edições de livros de Galvão.
Oposicionistas
do Porto,
liderados por António Macedo, requerem ao Governador Civil do Porto autorização
para a constituição no distrito de um Centro Eleitoral Democrático (5 de
Julho).
Criada uma Grande
Comissão Nacional para a organização da Causa Republicana, cuja
constituição é indeferida em Junho de 1955 por despacho do ministro do interior.
Reunião na Casa do Alentejo, visando a constituição daquilo que, em 1956, vai
formalizar-se como a Sociedade Portuguesa de Escritores (6 de Maio).
Conflito
latente entre Craveiro Lopes e Salazar.
Marcello Caetano ao lado do primeiro (Setembro). O ambiente é bem expresso por
oacasião da visita do presidente grego marechal Papagos em Outubro, contando-se
que os papagos vieram visitar os bempagos à custa dos malpagos.
Confronto entre
Salazar e D. Duarte Nuno sobre o destino dos bens da Casa de Bragança, no
ano em que Franco chega a acordo com D. Juan de Bourbon sobre a educação do
príncipe Juan Carlos, visando a restauração da monarquia em Madrid. No princípio
do ano há também um conflito com Amílcar Passos e Sousa, lugar-tenente de D.
Duarte, que vê a censura cortar mensagem que enviou às comemorações do terceiro
aniversário de O Debate.