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1960
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Comemorações henriquinas, fuga de Cunhal, prisão de Agostinho Neto e revolta de Mueda
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(Ver Tradição e Revolução, vol. II) Ver Cosmopolis |
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1960
●Católicos – No plano de organização dos católicos, destaque para a introdução do Movimento por um Mundo Melhor, e para a criação dos Cursilhos de Cristandade, que constituem uma espécie de alternativa à Acção Católica, quando já mostra uma certa pujança o Opus Dei, aqui chegado em 1958, sobretudo a partir da Editorial Aster e da revista Rumo que chegam a ser dirigidos pelo poeta Ruy Belo. Não tarda que surjam os Casais de Santa Maria, 1963. os Focolares, 1966, e o Renovamento Carismático, 1967, bases em que se fundará um movimento social-cristão que, pela primeira vez, desde 1820, não entrará em directo conflito com a maçonaria. Bem pelo contrário: a respectiva facção esquerdista tanto se aliará aos comunistas como receberá o apoio dos próprios maçons, opondo-se a um regime que havia sido conformado pela ideologia e pela liderança do Centro Católico Português que assim vê perder a sua fundamental base ideológica de apoio. Mas para cair ainda era preciso que o situacionismo perdesse o pé militar, o que só acontecerá depois de treze anos de guerra colonial.
●Oposição republicana – Reactivada a Liga Portuguesa dos Direitos do Homem, que se filia na Fedération Internationale des Droits de L’Homme (2 de Janeiro). Em Maio assume a presidência deste grupo para-maçónico Luís Hernâni Dias Amado (1901-1991). Surge no Porto uma Frente Eleitoral Independente (30 de Setembro), para apoiar a candidatura da oposição nas eleições.
●Manifestações oposicionistas – Oposicionistas reúnem-se no Cemitério do Alto de S. João e manifestam-se, depois, nas ruas da Baixa de Lisboa (5 de Outubro). Alguns deles são presos pela PSP, como Mário Soares, libertado no dia seguinte. Terá havido uma carta de Mário de Azevedo a Américo Tomás intercedendo por Soares junto do Ministro do Interior Arnaldo Schultz. Segue-se nova manifestação oposicionista num almoço de homenagem a Mário de Azevedo Gomes (23 de Outubro). São mobilizados para a campanha nomes como os de Acácio Gouveia, Mário Soares, Mayer Garção, Armando Castanheira, Nuno Rodrigues dos Santos, Adão e Silva, Gustavo Soromenho, Fernando Piteira Santos, Rui Cabeçadas, Areosa Feio e Fernando Homem de Figueiredo. Alguns deles subscrevem uma representação dirigida ao Presidente da República solicitando autorização para a realização de um Congresso dos Democratas Portugueses, o lançamento de um semanário da oposição e uma amnistia para os presos políticos (Novembro).
●Eleição nº 60 (Novembro). 816 965 000 votantes. Oposição acaba por desistir
●Questão colonial – Em 3 de Março é recrutado para o cargo de subsecretário de estado da administração ultramarina o ex-oposicionista, ex-marcelista e futuro anti-salazarista, Adriano José Alves Moreira, então famado como o maravilhas, sucedendo a Álvaro da Silva Tavares, nomeado governador-geral de Angola. Em 17 de Dezembro chega a Lisboa, vindo de Lourenço Marques o jovem moçambicano Eusébio da Silva Ferreira, que será um dos maiores jogadores de futebol do século e um dos símbolos do Portugal luso-tropical.
●Dá-se a revolta de Mueda em Moçambique (16 de Junho) e surge uma Frente Revolucionária Africana para a Independência Nacional das Colónias Portuguesas. Entre os fundadores da Frente, Mário Pinto de Andrade, Lúcio Lara e Viriato Cruz, do MPLA, Amílcar Cabral, do PAIGC, e Hugo de Meneses, do MAC (Março).
●Prisão de Agostinho Neto em Luanda (8 de Junho), seguindo-se várias manifestações de protesto que são violentamente reprimidas. A Amnistia Internacional há-de considerá-lo o prisioneiro político do ano. Transferido para Lisboa em 8 de Agosto de 1960, é depois deportado para Cabo Verde e enviado novamente para Lisboa, em 17 de Outubro de 1961, para a cadeia do Aljube. Mal é posto em residência fixa, evade-se em Julho de 1962. Joaquim Pinto de Andrade, preso em Luanda, é transferido para a cadeia do Aljube, em Lisboa. Libertado em 8 de Novembro seguinte (4 de Julho).
●Adesão à EFTA –Parecer da Câmara Corporativa nº 30/VII, de 13 de Abril, que tem como relator, o professor de economia Francisco Pereira de Moura, onde se critica a CEE por ter nascido sob o signo da profunda integração política, mas com uma enganadora aparência de arranjo de política económica e comercial. Isto é, o salazarismo faz suas as palavras de quem virá a ser um dos mais irrequietos responsáveis pela leveza das ideias do PREC, quanto à pesada herança económica do regime do Estado Novo.
●Política externa –Há um certo fulgor na política externa portuguesa, no ano em que aderimos ao BIRD e ao FMI e Lisboa recebe as visitas de Franz Joseph Strauss a Lisboa (10 a 17 de Janeiro), Sukarno (5 de Maio), Eisenhower (19 de Maio) e dos reis da Tailândia (22 de Agosto), enquanto se inaugura a I Feira Internacional de Lisboa (9 de Junho).
●Comunistas – Álvaro Cunhal e outros militantes comunistas fogem da cadeia de Peniche, com o apoio de um militar da GNR que aceita ser subornado, permitindo um dos mais ousados e heróicos episódios da luta comunista contra o regime (3 de Janeiro). Greve em Aljustrel com ocupação das minas e da sede do sindicato. Cerca de uma centena de detidos (Abril). Greves de protesto comemoram o Dia do Trabalhador (1 de Maio). Reunião do comité central do PCP, onde é apresentado um relatório de Álvaro Cunhal intitulado A tendência anarco-liberal no trabalho de direcção, onde se criticam alguns elementos do próprio comité central (Dezembro). Neste ano, Cunhal subscreve um acordo com a comunista espanhola Dolores Ibarruri, representando o PCE, onde decidem apoiar o modelo frentista para a Península Ibérica, tendo como símbolos o general Humberto Delgado e Emílio Herrera, o chefe do governo republicano espanhol no exílio.