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1963
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●O Tempo e o Modo – A revista tem como primeiro director António Alçada Baptista (29 de Janeiro), estando ligada à Editora Moraes e à colecção do Círculo do Humanismo Cristão. Mobiliza, na sua primeira fase, uma série de intelectuais católicos, críticos do salazarismo, não desdenhando do próprio empenhamento do ex-deputado salazarista Manuel José Homem de Melo, especialista nos meandros de todas as transições políticas, incluindo a que levou à ascensão de José Manuel Durão Barroso a primeiro-ministro. Alarga-se, depois, a outros sectores da esquerda, como a Mário Soares e a Salgado Zenha, vindos do MUD, ao então comunista Mário Sottomayor Cardia, e à jovem geração de líderes estudantis, como Manuel Lucena, Vítor Wengorovius e Medeiros Ferreira, acabando por preponderar esta última.
●Análise Social – Surge também a revista Análise Social, fundada no âmbito do Gabinete de Investigações Sociais do Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa, organismo que resulta do ideológico Gabinete de Estudos Corporativos, onde se pretendia dar ciência sociológica e militância católica à única revolução corporativa vigente na Europa. Tem como primeiro director J. Pires Cardoso, até 1973. Entre 1973 e 1990, surge a direcção de Adérito Sedas Nunes, a quem há-de suceder Manuel Braga da Cruz.
●Ponte da Arrábida – Inaugurada nova ponte sobre o Douro, no Porto, num arrojado projecto da autoria do engenheiro Edgar Cardoso (n. 1913), professor do Instituto Superior Técnico desde 1951.
●Guerra colonial intensifica-se – Em Setembro, começa a guerrilha do PAIGC, na Guiné, de forma sistemática, enquanto abre a segunda frente de guerra, em Angola, no enclave de Cabinda e surge, em Argel, o Governo de Angola no Exílio (Fevereiro). Realizam-se pela primeira vez cerimónias militares no Terreiro do Paço, por ocasião do Dia de Portugal, onde se condecoram militares (10 de Junho). Craveiro Lopes dá uma entrevista ao jornal Diário de Lisboa defendendo a livre informação e uma evolução na política ultramarina que está na tradição, advogando a participação útil de todos (10 de Agosto).
●Incidentes domésticos – Incidentes na Baixa de Lisboa por ocasião das comemorações do Dia do Trabalhador, retomadas no ano anterior, novamente sob a direcção do PCP. Um morto, Agostinho Fineza (1 de Maio). PIDE provoca rombo na direcção do PCP, com a prisão de Blanqui Teixeira, Guilherme de Carvalho, José Carlos e Jorge Araújo, por denúncias de um detido, Verdial (28 de Maio).
●Oposição – Directório Democrato-Social dirige mensagem ao Presidente do Conselho solicitando o reconhecimento da personalidade jurídica da oposição (25 de Agosto). Também em Agosto se dá uma reunião do comité central do PCP, onde, pela primeira vez, se manifestam as divergências daquilo que virá a ser a cisão de Francisco Martins Rodrigues, membro do comité central, que elabora o relatório Luta pacífica e luta armada no nosso movimento. Será expulso em Janeiro seguinte. Cunhal tem, então, intimas relações com a hierarquia soviética, sendo directamente recebido por Mikhail Suslov. Enquanto começam as emissões da emissora Rádio Voz da Liberdade, a partir de Argel, onde se destacará a voz de Manuel Alegreö , o irreverente conspirador Carlos Vilhena (1889-1988), maçon e um dos tenentes do 28 de Maio, activista do reviralho desde 17 de Junho imediato e não falhando quase nenhum dos golpes anti-Ditadura desde então, chega a esboçar a fundação de uma Organização Republicana, fiel ao lema de que a história é feita em última análise com o gatilho. Continua infelizmente por fazer o inventário profundo destas conspiratas, algumas delas revelando a manutenção do velho espírito carbonário, onde as parelhas conspiratórias actuaram ingloriamente durante os anos cinquenta, numa chamada ORP, Organização da República Portuguesa.