| || | Governos | || | Grupos | || | Eleições | || | Regimes | || | Anuário | || | Classe Política |
|
|
1971 |
De Sá Carneiro à revisão constitucional
(Ver Tradição e Revolução, vol. II) Ver Cosmopolis |
|
|
Lei nº 3/71 revê
a Constituição de 1933. As províncias ultramarinas passam a poder ter
estatutos próprios, como regiões autónomas, podendo ser designadas como
Estados (16 de Agosto).
Remodelação –
Cotta Dias sucede a Dias Rosas. Mendes Ferrão é o novo Secretário de Estado da
Agricultura (11 de Agosto).
As batalhas da
educação – Estabelecido um regime de excepção para as universidades,
permitindo a presença policial no interior das instalações (21 de Janeiro).
Veiga Simão, em pleno conselho de ministros, confessa-se impotente para dominar
a agitação estudantil (26 de Janeiro). Nesse mês anuncia ao país o início de uma
discussão pública sobre a reforma educativa. Nova lei orgânica do Ministério da
Educação Nacional, visando aquilo que o ministro Veiga Simão propagandeia como
batalha da educação (Setembro). O ministro, nos começos do ano, já
proclamava que o anarquismo e o reaccionarismo niram-se como irmãos inimigos
do progresso e pretendem destruir sem construir.
Sá Carneiro
faz requerimento na Assembleia Nacional sobre presos políticos (23 de Janeiro).
Em Agosto, Sá Carneiro Francisco Pinto Balsemão e Magalhães Mota visitam Angola
A
Igreja pós-Cerejeira –
Anunciada a nomeação
de D. António Ribeiroö
como Cardeal de Lisboa, como sucessor de Cerejeira (13 de Maio). Sucede-lhe em
29 de Julho. D. António, bastante ligado às actividades da comunicação social,
principalmente à televisão, havia sido professor de doutrinas sociais e
políticas no ISCSPU, mas fora afastado da escola, por ser mais um dos que,
depois de ter brilho próprio entrara em conflito com a omnipotência do director,
à semelhança do que acontecera a José Hermano Saraiva e Alfredo de Sousa ou à
própria compressão de que vítima Jorge Dias, nesse processo dito de
privatização de uma escola pública posta ao serviço das manobras de uma
personalidade que se candidatou a sucessor de Salazar na condução do regime.
Turbulências –
Manifestações contra a guerra colonial (23 de Janeiro). Manifestações do 1
de Maio. Em Abril, Amílcar Cabral visita a Suécia a convite do Partido Social
Democrata. Bomba em Tancos (7 de Março). Navio Angoche encontrado à
deriva em Moçambique (26 de Abril). Marcello Caetano, que depois do 28 de Maio
chegara a ponderar a extinção da Legião Portuguesa, decide assistir a
concentração realizada em Braga, apresentando mensagem (30 de Maio). Reunião do
Conselho da Nato em Lisboa. ARA sabota o sistema de comunicações de Lisboa com o
estrangeiro. O ministro dos negócios estrangeiros da Noruega critica
frontalmente a política africana portuguesa (3 de Junho). Explosão no paiol da
Escola Prática de Cavalaria em Santarém (17 de Julho). Decreto-Lei nº 520/71
sobre cooperativas não económicas. Passam a estar sujeitas ao controlo do
governo como as restantes associações (24 de Novembro)
Socialistas
– Reunião
da Acção Socialista Portuguesa em Paris, sendo constituída a respectiva direcção
(Maio). Conforme diz Álvaro Cunhal, é um misto do social-democratismo sem
base operária e do liberalismo burguês. Manuel Tito de Morais fica com o
pelouro da organização; Mário Soares, com o das relações internacionais; Ramos
da Costa, com a tesouraria; Fernando Loureiro e Rui Mateus com a juventude.
Ainda há dúvidas sobre a integração do grupo na Internacional Socialista e a
consequente transformação em partido. Debatem-se as tensões entre a linha
social-democrata e a linha marxista, ainda assumida por Mário Soares, para quem
importaria colectivizar os meios de produção.
Mais
extrema-esquerda – Surge O Grito do
Povo, base da OCMLP, Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa,
instituída em finais de 1972.
Comunistas
cunhalistas. Álvaro Cunhal edita O
Radicalismo Pequeno-Burguês de Fachada Socialista, onde, reconhecendo que o
modelo marcelista é o governo dos monopólios associados ao imperialismo
estrangeiro e dos latifundiários, denuncia a extrema-esquerda e os
dissidentes do PCP, salientando que a guerra colonial tornou-se uma questão
central na situação política e da luta popular..