Cerejeira, D. Manuel Gonçalves (1888-1977)

Símbolo do acordo entre a Igreja Católica e o Estado Novo, numa época marcada pela dupla de amigos Salazar-Cerejeira. Os dois instalam-se no poder de Lisboa no mesmo ano. Contudo, mantiveram sempre uma certa independência institucional, havendo algumas divergências de fundo, desde o facto do Cardeal rejeitar a dissolução dos escoteiros católicos, visando integrá-los na Mocidade Portuguesa, à sua intenção de institucionalização de uma universidade católica, sempre adiada por Salazar que pretendia restaurar a Faculdade de Teologia. Mais recentemente, veio a saber-se que Cerejeira chegou a pôr a hipótese da constituição de um partido democrata-cristão, sendo, para o efeito, contactado António Alçada Baptista. Professor da Faculdade de Letras de Coimbra. Fundador do CADC. Cardeal Patriarca de Lisboa (1929-1972).
Concluído o seminário em Braga (1909), logo se matricula na então Faculdade de Teologia de Coimbra, sendo ordenado sacerdote em 1911. Depois de formado na nova Faculdade de Letras (1916), torna-se aí professor de História Medieval. Doutora-se em 1918. Militância política católica Militante do CADC e companheiro de Oliveira Salazar, funda e dirige o jornal O Imparcial, em 1912. A partir de 1917, milita no Centro Católico Português. De Coimbra para Lisboa Em Março de 1928 vem para Lisboa como auxiliar do Patriarca D. António Mendes Belo. Nomeado Patriarca em Agosto de 1929, toma posse em 22 de Janeiro de 1930. Cardeal Patriarca de Lisboa Lança a Acção Católica Portuguesa em 1932. Apoia a institucionalização da Rádio Renascença em 1937. É um dos pilares da Concordata e do Acordo Missionário de 1940. Inaugura a Universidade Católica em 1967. Resigna em Maio de 1971.
Bibliografia ·O Renascimento em Portugal. Clenardo 1918. Dissertação de doutoramento. ·A Igreja e o Pensamento Contemporâneo 1925. ·A Idade Média 1936. ·Vinte Anos de Coimbra 1943.
Biografia oficial do patriarcado:
Nasceu em Lousado em 1888. Nomeado Arcebispo de Mitilene em 1928, foi Patriarca de Lisboa em 18 de Novembro de 1929. No dia 16 do mês seguinte foi elevado a Cardeal da Ordem dos Presbíteros, com o título dos Santos Marcelino e Pedro. Era o mais novo dos purpurados, tendo recebido o barrete das mãos de Pio XI, ao mesmo tempo que o Cardeal Pacelli, mais tarde Papa Pio XII.
Querendo apaziguar as relações com o Estado, devido às convulsões surgidas com a revolução republicana de 1910, tudo fez para que, em 1940, o Governo assinasse uma Concordata com a Santa Sé.
Outro marco fundamental na acção deste Patriarca foi a criação da Universidade Católica.
Projecto
CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia.
© José Adelino
Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em:
28-04-2007 ![]()