Guerreiro, Emídio (1899-2005)

Maçon. Destaca-se como oposicionista ao regime ditatorial de Salazar.
Exilado
em França, onde se assume como activista da Resistência. Participa na criação da LUAR.
Patrocina a fundação do PPD, de que é secretário-geral em 1975. Abandona o partido ainda nesse ano.
Tradição e Revolução, vol. II
1945
●Estrutura-se no exílio parisiense uma União Patriótica e Democrática Portuguesa, dirigida por José Domingues dos Santos, com Emídio Guerreiro, em secretário-geral (Maio). Tentam, através de Armando Cortesão, então no exílio de Londres, que Domingues dos Santos visite a Grã-Bretanha, o que não conseguem, mesmo com a intercessão de Harold Laski, que também é contactado por António Sérgio.
LUAR (1967)
●Fundada em Paris, sob a liderança de Palma Inácio, em 19 de Junho de 1967, depois do assalto ao banco de Portugal na Figueira da Foz. Entre os principais aderentes, Camilo Mortágua e Fernando Pereira Marques, futuro deputado do PS. O grupo está ligado a ilustres exilados como Emídio Guerreiro e José Augusto Seabra, futuros militantes do PPD.
1975
●Emídio Guerreiro no PPD. Emídio Guerreiro novo secretário-geral do PPD. Sá Carneiro, que chega a Lisboa no dia 24, para assistir ao Conselho Nacional, instalando-se em casa de Rui Machete, segue logo depois para Londres e antes de regressar a Portugal, passa a residir em Espanha, nos arredores de Torremolinos, onde vai recuperar. Guerreiro vence as candidaturas de Magalhães Mota e Mota Pinto (25 de Maio).
Emídio Guerreiro [1899-2005]
«um homem digno é um homem livre e só se é livre quando se é digno» [E.G.]
"Emídio Guerreiro nasceu em Guimarães
em 6 de Setembro de 1899 e ali morreu, ao fim de 105 anos de andanças por um
mundo que lhe apareceu à luz da candeia e o viu partir em plena aventura
espacial. O tempo andou depressa e ele fez tudo por acelerá-lo. Gostava de falar
e prolongava os prazeres da vida, mas nunca ao ponto de perder a ocasião de ver
a história passar diante de si.
Aos 17 anos ofereceu-se como voluntário do Corpo Expedicionário Português, com
guia de marcha para as trincheiras da Flandres, onde
queria ser soldado na Grande Guerra de 1914-18 (...) O homem teve sempre uma
atitude democrática e quando perdia afastava-se. A sua cidadania exerceu-a na
divulgação dos princípios da liberdade,
igualdade e fraternidade (...)
A 5 de Dezembro de 1917, Sidónio Pais fez um golpe de Estado e
desmobilizou as tropas que deviam ir render os que estavam na
Flandres, desviando Guerreiro do conflito. Mas outras viriam e
nelas participou: a Guerra Civil de Espanha
(1936-1939) e a II Guerra Mundial (1939-1945).
Regressou aos estudos e tornou-se um brilhante aluno de Matemática, na
Universidade do Porto. Mereceu a distinção de em 1931 ser nomeado assistente
extraordinário de Cálculo Diferencial, trabalhando com Gomes Teixeira,
um insigne mestre. Foi-o por três meses. A nomeação não foi homologada por
insubmissão política. O seu nome estava já referenciado pela polícia política do
regime do Estado Novo desde 3 de Fevereiro de 1927, quando participou no
levantamento militar contra a ditadura, liderado pelo general Sousa Dias,
pelo director da Seara Nova, Jaime Cortesão,
e pelo republicano de esquerda José Domingos Oliveira (...)
A interdição quanto à realização de uma carreira docente (...) foi a gota de
água na paciência daquele jovem assistente. Ele fora convidado e, num acto de
intolerância política, despediam-no (...) É certo que já estava ligado à
oposição democrática, através da loja maçónica Comuna,
onde adoptara o significativo nome de «Lenine» ..." [António
Melo, in Público, 30 Junho 2005]
[colabora no semanário Humanidade (1 de Set. 1929 a 5
Abril 1931) - periódico do Grupo de Estudos Filosóficos Social «Lux»,
do Porto, e sob direcção de Carlos Cal Brandão - juntamente com Viriato
Gonçalves (Grupo Liberdade), Mem Verdia, M. Sousa Cabral, Barros Lima, Ângelo
Vaz, Guedes do Amaral, Alfredo Leitão, Jaime Cirne, Sentieiro de Almeida, Luís
de São-Justo, A. Barros Júnior, Gonçalo Moura, José Manuel de Deus, Elmano
Lavrar, Diógenes Fernandes Costa, Luiz Andrade, ...]
"Em 1932, a autoria de um panfleto contra o presidente Óscar Carmona levou-o à
prisão, de onde se evadiu no mesmo ano. Partiu então para o exílio em Espanha,
onde deu aulas. Quando, em 1936, começou a Guerra Civil de Espanha,
Emídio Guerreiro lutou ao lado dos republicanos. Em 1939, com a vitória
dos franquistas, fixou-se em França, passando à clandestinidade quando os nazis
invadiram o país, já em plena Segunda Guerra Mundial. Durante os anos da guerra,
Emídio Guerreiro foi um membro activo da Resistência contra a
ocupação alemã.
Findo o conflito, Emídio Guerreiro voltou ao ensino de
Matemática na Academia de Paris. Na capital francesa, foi um dos fundadores da
Liga Unificada de Acção revolucionária (LUAR), em
1967. De regresso a Portugal, depois do 25 de Abril, participou na fundação do
PSD e foi presidente do partido em 1975, devido a
doença de Sá Carneiro" [in Jornal de Notícias,
30 Junho 2005]
Bibliografia de "Estudos sobre o Comunismo" (José Pacheco Pereira):
António Melo, “Emídio Guerreiro.” (Entrevista), Público, 5/9/2004
Rui Perdigão, “As Relações do PCP com Dois Eminentes Anti-Fascistas: Emidio Guerreiro e Manuel Valadares”, Nova Renascença, 45-47, 1992
Testemunhas do Século Português - Emídio Guerreiro, 99 anos, sonhador da liberdade
A. Encarnação Viegas, Emídio Guerreiro. Uma vida pela Liberdade, Lisboa, Editorial Noticias, 1998
Projecto
CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência Política e Estratégia.
© José Adelino
Maltez. Cópias autorizadas, desde que indicada a origem. Última revisão em:
22-04-2007 ![]()