Governo de Sampaio/ Fontes (1881-1886). O 3º governo fontista.

1881 Portugal
Contemporâneo, cinco anos de fontismo, epidemia positivista e imperialismo
1882 Centenário
do marquês de Pombal e anticlericlismos
1883 Entrada
dos constituintes no governo fontista, consolidando-se o rotativismo
1884 Alargamento
do sufrágio, Cartilha do Povo e candidaturas católicas
1885 Da
Conferência de Berlim aos pares electivos – Oliveira Martins adere
aos progressistas
1886 Governo
de José Luciano:
quatro anos de velha raposa
Governo
nº 38 Sampaio/ Fontes (14
de Março, 1794 dias). Voltam ao poder os regeneradores, aí permanecendo
durante cerca de cinco anos. É o terceiro governo de Fontes e
o 14º do reinado de D. Luís. Configura-se um novo situacionismo, marcado
por aquilo que Salazar definirá ao
proclamar que a essência do poder é alguém procurar manter-se.
Naturalmente, o fontismo reforça-se nas eleições de Agosto, com uns esmagadores
89%. O presidente do conselho é considerado como o dono da locanda,
como alguém que maneja um poder oculto (Rafael Bordalo Pinheiro),
apesar de se dizer oportunista à maneira inglesa e de reconhecer
que é ridículo dizer-se que em Portugal se podiam fazer eleições livres.
Rodrigues
Sampaio acumula a presidência e o reino. Miguel Martins Dantas (1821-1910)
nos estrangeiros (não chega a exercer essas funções). Lopo Vaz de Sampaio
e Melo (1848-1892) na fazenda. Caetano Pereira Sanches de Castro na guerra.
António José de Barros e Sá (n. 1823) na justiça. Júlio Marques de Vilhena (1846-1928)
na marinha. Ernesto Rudolfo Hintze
Ribeiro (1849-1907) nas obras públicas.
Fontes,
entre 1881 e 1883 acumula a presidência, a fazenda e a guerra. A partir
de 1883 acumula apenas a guerra, mas entre Fevereiro e Novembro assume
também as obras públicas. Entre os ministros constantes, embora mudando
de pasta, apenas Hintze Ribeiro.
Em 29 de Abril: Miguel Martins Dantas, que não chega a exercer, é substituído
por Hintze Ribeiro nos estrangeiros. Este exerce estas funções até 14 de
Novembro de 1881, quando é substituído por António
Serpa.
Nova
chefia do governo – Rodrigues Sampaio demite-se quando está gravemente
doente, invocando, como pretexto, um conflito de competências entre os
ministros da guerra e da fazenda. Falecerá em 13 de Setembro de 1882. Antes,
tinham morrido António José de Ávila (3
de Maio de 1881) e Alves Martins (5 de Fevereiro de 1882). Fontes exclui
Lopo Vaz da governação. Assim, prefere equilibrar, ir vivendo, durar,
segundo as palavras de Lopes d’Oliveira.
Em
14 de Novembro: Fontes substitui
Rodrigues Sampaio na presidência. Ocupa a fazenda, até então de Lopo Vaz,
director geral da instrução e das alfândegas. Substitui na guerra o general
Caetano Pereira Sanches de Castro; Tomás Ribeiro no reino; Júlio de Vilhena
na justiça; José de Melo Gouveia, na marinha; António
Serpa nos estrangeiros; Hintze
Ribeiro nas obras públicas (até 24 de Outubro de 1883
Remodelações
– Em 30 de Janeiro: José Vicente Barbosa
du Bocage (1823-1907) na marinha e ultramar; será substituído por Júlio
de Vilhena entre 14 de Julho e 23 de Agosto de 1883.
Em
31 de Maio: Hintze Ribeiro nos
estrangeiros.
Dois
ministros constituintes entram para o governo: em
24 de Outubro: Barjona de Freitas no reino; Hintze
Ribeiro na fazenda; António Augusto de Aguiar (1838-1887) nas obras
públicas; Lopo Vaz de Sampaio e Melo na justiça; Barbosa du Bocage nos
estrangeiros; Manuel Joaquim Pinheiro Chagas (1842-1895) na marinha.
| Governo de Rodrigues Sampaio/ Fontes | De 25 de Março de 1881 a 20 de Fevereiro de 1886 1794 dias |
| 17º governo depois da Regeneração 4º governo do rotativismo 5º governo regenerador 3º governo fontista 14º governo sob o reinado de D. Luís | Dura cerca de cinco anos Promove as eleições de 21 de Agosto de 1881 e de 29 de Junho de 1884 |
| Presidência | Rodrigues Sampaio acumula a presidência e o reino. |
| Em 14 de Novembro de 1881: Fontes substitui Rodrigues Sampaio na presidência; ocupando a fazenda, até então de Lopo Vaz, director geral da instrução e das alfândegas, e substituiu na guerra o general Caetano Pereira Sanches de Castro. | |
| Reino | Rodrigues Sampaio, acumulando a presidência |
| Em 14 de Novembro de 1881: Tomás Ribeiro sucede a Rodrigues Sampaio no reino. | |
| Em 24 de Outubro de 1883: Barjona de Freitas substitui Tomás Ribeiro no reino | |
| Estrangeiros | Miguel Martins Dantas nos estrangeiros (não chega a exercer essas funções) |
| Em 29 de Abril de 1881: É substituído por Hintze Ribeiro. | |
| Em 14 de Novembro de 1881: António Serpa nos estrangeiros | |
| Em 31 de Maio de 1883: Hintze Ribeiro. | |
| Em 24 de Outubro de 1883: Barbosa du Bocage | |
| Guerra | Caetano Pereira Sanches de Castro |
| Em 14 de Novembro de 1881: Fontes passa a acumular a pasta. | |
| Marinha | Júlio Marques de Vilhena na marinha |
| Em 14 de Novembro de 1881: José de Melo Gouveia | |
| Em 30 de Janeiro de 1883: José Vicente Barbosa du Bocage | |
| Em 24 de Outubro de 1883: Manuel Joaquim Pinheiro Chagas | |
| Fazenda | Lopo Vaz de Sampaio e Melo |
| Fontes passa a acumular a pasta em 14 de Novembro de 1881. | |
| Em 24 de Outubro de 1883: Hintze Ribeiro substitui Fontes | |
| Justiça | António José de Barros e Sá na justiça. Era deputado desde 1854. |
| Em 14 de Novembro de 1881: Júlio de Vilhena sai da marinha e ultramar e substitui o juiz Augusto José de Barros e Sá na justiça. | |
| Em 24 de Outubro de 1883: Lopo Vaz de Sampaio e Melo | |
| Em 4 de Fevereiro de 1885: Barjona de Freitas passa a acumular a justiça, mantendo a pasta do reino | |
| Em 19 de Novembro de 1885: Manuel da Assunção substitui Barjona de Freitas na justiça. | |
| Obras Públicas | Ernesto Rudolfo Hintze Ribeiro |
| Em 24 de Outubro de 1883: António Augusto de Aguiar | |
| Em 4 de Fevereiro de 1885: Fontes assume as obras públicas. | |
| Em 19 de Novembro de 1885: Tomás Ribeiro substitui Fontes nas obras públicas |
| Governo de Rodrigues Sampaio/ Fontes | De 25 de Março de 1881 a 20 de Fevereiro de 1886 1794 dias |
| 17º governo depois da Regeneração 4º governo do rotativismo 5º governo regenerador 3º governo fontista 14º governo sob o reinado de D. Luís | Dura cerca de cinco anos Promove as eleições de 21 de Agosto de 1881 e de 29 de Junho de 1884 |
·Rodrigues
Sampaio acumula
a presidência e o reino.
·Miguel
Martins Dantas nos estrangeiros (não chega a exercer essas funções)
·Lopo
Vaz de Sampaio e Melo na fazenda.
·Caetano
Pereira Sanches de Castro na guerra
·António
José de Barros e Sá na justiça. Era deputado desde 1854.
·Júlio
Marques de Vilhena na marinha
·Ernesto
Rudolfo Hintze Ribeiro nas
obras públicas
|
· Fontes, entre 1881 e 1883 acumulou a presidência, a fazenda e a guerra. A partir de 1883 acumulou apenas a guerra, mas entre Fevereiro e Novembro assumiu também as obras públicas. Entre os ministros constantes, embora mudando de pasta, apenas Hintze Ribeiro. ·Uma das primeiras medidas do novo executivo, tomada em 21 de Maio de 1881, foi a suspensão do imposto de rendimento que havia sido criado em 18 de Junho de 1880. Em 7 de Julho de 1881 era decretado o inquérito industrial. ·Em 29 de Março de 1881, as Cortes são adiadas por 62 dias, até 30 de Maio de 1881. |
| Em 29 de Abril de 1881: ·Miguel Martins Dantas, que não chega a exercer, é substituído por Hintze Ribeiro nos estrangeiros. Este exerce estas funções até 14 de Novembro de 1881, quando é substituído por António Serpa. | ·Eleições de 21 de Agosto de 1881 ·Ferreira Lapa defende a criação de um ministério da agriculttura |
| Continuação do Governo de Fontes | Desde 25 de Março de 1881 a 20 de Fevereiro de 1886 1794 dias |
Em
14 de Novembro de 1881:
· Fontes substitui
Rodrigues Sampaio na presidência; ocupou a fazenda, até então de Lopo Vaz,
director geral da instrução e das alfândegas, e substituiu na guerra o
general Caetano Pereira Sanches de Castro;
·Tomás
Ribeiro sucede a Rodrigues Sampaio no reino;
·Júlio
de Vilhena sai da marinha e ultramar e substitui o juiz Augusto José de
Barros e Sá na justiça;
·José de
Melo Gouveia, na marinha e ultramar;
·António
Serpa nos estrangeiros
·Hintze
Ribeiro nas obras públicas (até 24 de Outubro de 1883) |
·Rodrigues Sampaio demite-se quando estava gravemente doente, invocando, como pretexto, um conflito de competências entre os ministros da guerra e da fazenda. Falecerá em 13 de Setembro de 1882. Antes, tinham falecido António José de Ávila (3 de Maio de 1881) e Alves Martins (5 de Fevereiro de 1882)[1]. · Fontes exclui Lopo Vaz da governação. Conforme as palavras de Júlio Vilhena, Fontes era liberal, mas a questão religiosa aterrava-o e bulir nela, ainda de leve, punha-lhe calafrios na medula. Assim, prefere equilibrar, ir vivendo, durar, segundo as palavras de Lopes d’Oliveira[2] ·Em 2 de Janeiro de 1882, reabrem as Cortes. ·No ano de 1882, centenário do Marquês de Pombal. |
| Em 30 de Janeiro de 1883: ·José Vicente Barbosa du Bocage substitui Melo Gouveia na marinha e ultramar; será substituído por Júlio de Vilhena entre 14 de Julho e 23 de Agosto de 1883. | ·Em 22 de Maio as Cortes são adiadas por 13 dias até 4 de Junho |
| Em 31 de Maio de 1883: ·Hintze Ribeiro substitui António Serpa nos estrangeiros. | ·Em Agosto de 1893, deu-se um pronunciamento republicano em Badajós |
Em
24 de Outubro de 1883:
·Barjona
de Freitas substitui Tomás Ribeiro no reino;
·Hintze
Ribeiro substitui Fontes na
fazenda;
·António
Augusto de Aguiar substitui Hintze nas obras públicas;
·Lopo
Vaz de Sampaio e Melo substitui Júlio de Vilhena na justiça;
·Barbosa
du Bocage passa da marinha para os estrangeiros;
·Manuel
Joaquim Pinheiro Chagas assume a pasta da marinha. |
·A remodelação de Outubro de 1883 foi provocada pela extinção do partido constituinte, recrutando-se dois antigos membros desse grupo liderado por José Dias Ferreira: António Augusto de Aguiar e Manuel Pinheiro Chagas. ·A entrada de Lopo vaz é de assinalar, dado que o ministro em causa vai tentar assumir o papel de uma espécie de salvador da ordem, com uma nova lei de imprensa, dita de lei das rolhas ·Em 21 de Maio de 1884 era aprovada nova lei eleitoral, com o apoio da oposição progressista. Dissolução em 24 de Maio. ·Eleições em 29 de Junho de 1884. |
[1] Sobre esta remodelação, António Ribeiro dos Santos, p. 201; Pinheiro Chagas/Marques Gomes, 12º, pp. 483-486; 494-496; 498-501; 510-511; 514-517; 519-523; Damião Peres/ Joaquim de Carvalho, VII, pp. 409-410; Rocha Martins, História de Portugal, pp. 398-400.
[2] Lopes d’Oliveira, pp. 50-51.
| Continuação do Governo de Fontes | Desde 25 de Março de 1881 a 20 de Fevereiro de 1886 1794 dias |
| Em 4 de Fevereiro de 1885: Saem do governo Lopo Vaz e António Augusto Aguiar; ·Barjona de Freitas passa a acumular a justiça, mantendo a pasta do reino; · Fontes assume as obras públicas. | ·Em 30 de Outubro de 1884 as cortes eram adiadas por 46 dias até 15 de Dezembro. |
| Em 19 de Novembro de 1885: ·Tomás Ribeiro substitui Fontes nas obras públicas ·Manuel da Assunção substitui Barjona de Freitas na justiça. | ·Em
17 de Julho, grande assembleia dos progressistas no Porto, consagrando-se
a adesão de Oliveira Martins, concretizada em Fevereiro. O partido
diz então prentender ser dos herdeiros do Passos ·Por lei de 24 de Julho de 1885, segundo acto adicional. Entre 1884 e 1885, Conferência de Berlim. Em 1885, António Cândido lança a proposta da Vida Nova, logo secundada por Oliveira Martins. Antero acusa os regeneradores de oligarquia burocrático-financeira. António Cândido, Oliveira Martins e Carlos Lobo de Ávila aderem aos progressistas. Corrida em massa dos depositantes do Montepio Geral em 18 de Julho de 1885. ·Morte de Anselmo Braamcamp em 16 de Setembro de 1885. A 10 de Novembro de 1885, reunião magna de 500 progressistas. Sob proposta de Barros Gomes é eleito José Luciano para a chefia do partido, com o apoio de Oliveira Martins, mas com a oposição de Emídio Navarro e Mariano de Carvalho. ·Morte de D. Fernando em 15 de Dezembro de 1885. ·Governo de Fontes acaba por demitir-se, invocando uma polémica entre Guimarães e Braga. Aquela cidade queria ser integrada no distrito do Porto. O rei recusara a Fontes o adiamento da sessão parlamentar, a fim do presidente do ministério poder resolver o incidente com as Cortes encerradas. Mas havia também grande descontentamento popular pela restauração do velho imposto do real d’água |
Projecto
CRiPE- Centro de Estudos em Relações Internacionais, Ciência
Política e Estratégia. © José Adelino Maltez. Cópias autorizadas,
desde que indicada a origem. Última revisão em:
31-03-2009