1º Governo de Hintze Ribeiro (1893-1897)

1893 A
esperança da nova geração regeneradora no governo:
entre Hintze e Franco
1894 A
experiência autoritária de Hintze – Concentração monárquica contra
a coligação liberal
1895 Ditadura
hintzácea, solar dos barrigas e campanha de África
1896 Revolta
na Índia e crise financeira
1897 José Luciano
regressa ao poder
Governo
nº 43 de Hintze Ribeiro (1446
dias, desde 22 de Fevereiro de 1893). O sétimo governo regenerador e o
primeiro de Hintze. Barbosa Colen há-de chamar-lhe imediatamente o ministério
dos bandidos. Tem várias flutuações tácticas. Em 1893 é liberal e
até com laivos anticlericais, mobilizando como ministros Bernardino
Machado, deputado regenerador desde 1882 e futuro republicano, e Augusto
Fuschini, activista da Liga Liberal e mobilizando, com sinecuras,
Pinheiro Chagas e Oliveira Martins. Em 1894 defende a autoridade,
já com a ascendência do ministro João
Franco e as manobras do Carlotinha, o ministro Carlos Lobo
d'Ávila. Em 1895 revolucionou a política, numa febre reformista
e legalista. Em 1896 tenta voltar a ser conciliador, mas acaba
por fenecer.
Presidente
começa por acumular os estrangeiros (até 1895); desde os fins de 1893 gere
também a pasta da fazenda. Ministros constantes: João
Franco, no reino e António de Azevedo Castelo Branco (1843-1916) na justiça.
Numa primeira fase, o gabinete mobiliza também: Augusto Maria Fuschini (1846-1911),
na fazenda; Bernardino Luís Machado Guimarães (1851-1944), nas obras públicas;
João António de Brissac das Neves Ferreira (1846-1902) na marinha; Luís Augusto
Pimentel Pinto (1843-1913) na guerra; Artur Alberto Campos
Henriques nas obras públicas.
Queda
do governo de Hintze – D. Carlos não sanciona a proposta de nomeação
de novos pares do reino. E o governo de força cai, de inanição (6
de Fevereiro). João Franco vai
considerar que o poder real, abandonando-se a si próprio, abandonou,
abateu e desprestigiou os que o defenderam e apoiaram. Alfredo Gallis
observa que o estarem as câmaras abertas, e delas não receber nenhuma
indicação que determinasse essa queda, não teve influência maior na vida
a extinguir-se o governo. Isto revela mais uma vez o que é o parlamento
no nosso país, que dele os governos não precisam, nem para cair nem para
os erguer.
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Governo de Hintze Ribeiro |
De 23 de Fevereiro de 1893 a 7 de Fevereiro de 1897. 1446 dias |
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22º governo depois da Regeneração 9º governo do rotativismo 7º governo regenerador 1º governo de Hintze 5º governo do reinado de D. Carlos |
Promove as eleições de 15/ 30 de Abril de 1894 e de 17 de Novembro de 1895 |
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·Presidente começou por acumular os estrangeiros (até 1895); desde os fins de 1893 acumula também com a fazenda. Ministros constantes: ·João Franco na pasta do reino ·António de Azevedo Castelo Branco na justiça Numa primeira fase, o gabinete mobilizou também: ·Para a fazenda Augusto Maria Fuschini ·Bernardino Machado, para as obras públicas ·João António de Brissac das Neves Ferreira para a marinha e ultramar ·Luís Augusto Pimentel Pinto para a guerra |
·O rei começou por chamar o chefe dos regeneradores, António Serpa, mas este não pôde aceitar por ser administrador da companhia dos Caminhos de Ferro do Norte e Leste. Entretanto, outro dos chefes dos regeneradores, Júlio de Vilhena, considerando que Serpa for a desprestigiado, também recusou fazer parte do gabinete[1]. |
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Em 20 de Dezembro de 1893: ·Hintze substitui Augusto Maria Fuschini na fazenda. ·Frederico de Gusmão Correia Arouca substitui Hintze nos estrangeiros ·Carlos Lobo de Ávila nas obras públicas |
·Emídio Navarro em Paris intrigou com Lobo de Ávila para a substituição de Bernardino Machado e Augusto Fuschini. No Conselho de Estado de 17 de Outubro de 1893, João Franco, em nome da ameaça anarquista, defende meios extraordinários de governo. Deu-se a dissolução parlamentar em 9 de Dezembro de 1893. Em 17 de Dezembro, reunião dos progressistas com o apoio de João Crisóstomo. Em Janeiro de 1894, o cacique progressista do Porto Oliveira Monteiro declarou ou vasmos para casa; ou vamos para a república; ou para o miguelismo. Outro progressista, Albano de Melo diz: se não formos um partido monárquico, seremos um partido republicano. ·Manifestações das associações comerciais e industriais de Lisboa contra a política fiscal do governo. Anunciado comício para o dia 29 de Janeiro de 1894, é proibido. Em 31 de Janeiro, as eleições são adiadas sine die e surgem decretos dissolvendo a Associação Comercial de Lisboa, a Associação Industrial e a Associação de Lojistas. Em 12 de Fevereiro, Carlos Lobo de Ávila cria a Câmara do Comércio e Indústria. Oliveira Martins está gravemente doente. Em 4 de Maio o governo decreta a abertura da Câmara dos Deputados apenas para o dia 1 de Outubro. ·As eleições haviam ocorrido em 15 e 30 de Abril. Os progressistas quase desaparecem de Lisboa. |
[1] JÚLIO DE VILHENA, Antes da República, I, pp. 266-268.
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Em 1 de Setembro de 1894: ·Lobo de Ávila substitui Frederico Arouca nos estrangeiros ·Artur Alberto Campos Henriques nas obras públicas. |
·1894 é considerado o ano de tosquia dos progressistas ·Em 11 de Maio é encerrada a questão da salamancada. Em 8 de Junho, António Cândido anuncia o respectivo regresso aos progressiats a fim de continuar a pelejar pelas conquistas liberais. Em 2 de Julho já se constitui uma União Liberal entre progressistas e republicanos , enquanto os alemães ocupam Quionga no norte de Moçambique. Em 24 de Agosto morre Oliveira Martins. ·Em 27 de Maio de 1894, o jornal Correio da Tarde observa: a Constituição está suspensa, a soberania nacional foi atacada nos seus foros e nas suas franquias mais valiosas, os direitos do povo foram ofendidos e conspurcados, o regime representativo foi suprimido, sob a responsabilidade do Rei, que, faltando aos seu juramento, se colocou for a da Constituição unicamente porque à sua vontade aprouve fazê-lo, porque assim lhe pareceu melhor, segundo declarou, para os altos interesses da Nação[1] ·Em 1 de Outubro, quando reabre o parlamento, João Franco considera: não é já com ficções constitucionais que o País vai. O País conhece-nos a todos! Conhece-nos a todos, sabe o que cada um de nós exerce, o que cada um de nós ganha. O País sabe bem que a oposição progressista é uma oposição bifronte. ·Em 28 de Novembro de 1894 são encerradas as Cortes e deixa de haver parlamento até Janeiro de 1895. Situação semelhante apenas ocorrera em 1847. ·As oposições coligadas logo se reunem na redacção do Correio da Noite. Em 3 de Dezembro formava-se a Coligação Liberal, juntando progressistas e republicanos. Surgem importantes comícios anti-governamentais. ·No dia 9 de Dezembro, grande comício no Campo Pequeno, com republicanos e progressistas junto. José Maria de Alpoim proclama que a pátria está em perigo. No Porto, o conde de Samodães também preside a comício de protesto no teatro do Príncipe Real. |
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Em 17 de Janeiro de 1895: ·José Bento Ferreira de Almeida na marinha |
·João Franco vai fazendo uma revolução nas páginas do Diário do Governo, tal como antes fizera Mouzinho . |
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Em 20 de Setembro de 1895: · Luís Soveral nos estrangeiros, em lugar de Carlos de Lobo de Ávila, entretanto falecido |
·Morte de Carlos Lobo de Ávila em Setembro de 1895. Na altura celebrou-se um Congresso Católico Internacional em Lisboa, nas comemorações de Santo António. O Correio Nacional apelava para uma coligação de conservadores. Mas as manifestações anti-clericais, por ocasião da procissão antonina, levaram a uma autêntica caçada aos padres que a própria imprensa republicana considerou selvagem. |
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Em 26 de Novembro de 1895: · Jacinto Cândido da Silva na marinha e ultramar |
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Em 7 de Abril de 1896: · José Estevão de Morais Sarmento substitui Luís Augusto Pimentel Pinto na guerra |
·O governo regenerador de Hintze teve várias flutuações tácticas. Em 1893 foi liberal e até com laivos anticlericais. Em 1894 defendeu a autoridade. Em 1895 revolucionou a política. Em 1895 tentou voltar a ser conciliador[2] . |