
1920 A
instabilidade crescente – Entre greves e atentados, forças vivas e
governo da GNR
Governo
nº 78 de António Granjo (124 dias, cerca de quatro meses, desde
19 de Julho). Ensaia-se uma fórmula liderada por um liberal oriundo dos
evolucionistas, em aliança com os reconstituintes e apenas com um democrático,
mas com oposição dos populares.
Presidente
acumula com a agricultura. No interior, o republicano independente Felisberto
Alves Pedrosa (desde 22 de Julho). Na justiça, o reconstituinte Artur Alberto
Camacho Lopes Cardoso. Nas finanças, o liberal Inocêncio Rodrigues Camacho
(1867-1943). Na guerra, o reconstituinte Hélder Ribeiro. Na marinha, o advogado
reconstituinte Ricardo Pais Gomes (1868-1928). Nos negócios estrangeiros,
o reconstituinte Melo Barreto. No comércio, o democrático Francisco Gonçalves
Velhinho Correiaö.
Nas colónias, o liberal Manuel Ferreira da Rocha. Na instrução pública, o
democrático Artur Octávio do Rego Chaves (até 14 de Setembro de 1920) e o
reconstituinte Júlio Dantas (1876-1962), desde 21 de Outubro. Em 21 de Outubro
de 1920 o reconstituinte Júlio Dantas substitui o democrático Rego Chaves
na pasta da instrução pública. No trabalho, o liberal Júlio Ernesto Lima
Duque.
Governo de António Granjo |
De 19 de Julho a 20 de Novembro de 1920 |
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22º governo republicano 8º governo pós-sidonista[1] |
145 dias Cerca de quatro meses. |
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·Presidente acumula com a agricultura. ·No interior, o republicano independente Felisberto Alves Pedrosa (desde 22 de Julho); ·Na justiça e cultos, o reconstituinte Artur Alberto Camacho Lopes Cardoso. Já havia sido titular de tal pasta entre 29 de Junho de 1919 e 15 de Janeiro de 1920, no governo de Sá Cardoso. Voltará a tal pasta com Álvaro de Castro (20 a 30 de Novembro de 1920), Liberato Pinto (30 de Novembro de 1920 a 2 de Março de 1921), Bernardino Machado (2 de Março a 23 de Maio de 1921) e Ginestal Machado (15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923). ·Nas finanças, o liberal Inocêncio Camacho. Era governador do Banco de Portugal desde 1911. Tinha sido secretário-geral do ministério das finanças em 1910, por nomeação de José Relvas. Irmão de Manuel Brito Camacho. ·Na guerra, o reconstituinte Helder Ribeiro. Membro dos jovens turcos, já tinha sido ministro da guerra por duas vezes: nos governos de Sá Cardoso e Domingos Pereira, de 29 de Junho de 1919 a 8 de Março de 1920. No de Álvaro de Castro, de 28 de Fevereiro a 6 de Julho de 1924, assumirá a pasta da instrução, sucedendo ao amigo António Sérgio, acumulando, no mesmo governo, a pasta do comércio, de 23 de Junho a 6 de Julho de 1924. No de José Domingues dos Santos, de Novembro de 1924 a Fevereiro de 1925, voltará à pasta da guerra. ·Na marinha, o advogado reconstituinte Ricardo Pais Gomes. Voltará a ocupar a pasta da marinha em dois governos liberais sucessivos: o de Barros Queirós e o de de António Granjo, entre 23 de Maio e 19 de Outubro de 1921. ·Nos negócios estrangeiros, o reconstituinte Melo Barreto; ·No comércio, o democrático Francisco Gonçalves Velhinho Correia. Voltará ao governo como ministro das finanças de António Maria da Silva, de 19 de Outubro a 5 de Novembro de 1921. ·Nas colónias, o liberal Manuel Ferreira da Rocha; ·Na instrução pública, o democrático Artur Octávio do Rego Chaves (até 14 de Setembro de 1920) e o reconstituinte Júlio Dantas (desde 21 de Outubro). ·No trabalho, o liberal Júlio Ernesto Lima Duque. Voltará a tal pasta com Tomé de Barros Queirós (de 24 de Maio a 30 de Agosto de 1921), António Granjo (de 30 de Agosto a 19 de Outubro de 1921) e Álvaro de Castro (de 18 de Dezembro de 1923 a 6 de Julho de 1924). |
Julho de 1920 ·Ensaia-se uma fórmula liderada pelo liberal António Granjo, em aliança com os reconstituintes e apenas com um democrático (Velhinho Correia). ·Em 20 e 21 de Julho, apresentação parlamentar. Governo apoiado por democráticos, liberais e reconstituintes. Cooperação condicionada dos socialistas. Oposição dos populares[2]. Granjo propõe restabelecer gradual e sucessivamente a liberdade do comércio, relativamente a todos os artigo em que se possa presumir que la livre concorrência resultará o seu barateamento. ·Greve dos motoristas e bombas em Lisboa em 19 de Julho. ·Ministro das finanças, Inocêncio Camacho, afirma na Câmara dos Deputados que a maior parte do ouro proveniente das exportações fica depositado em bancos estrangeiros ou é utilizado em aquisições sumptuárias (28 de Julho)[3]. ·A agitação social prossegue, principalmente pela acção da Legião Vermelha, com os seus bombistas alcunhados Bela Kun e Gavroche. Greve da Carris de Lisboa de 30 de Julho até 2 de Setembro. Assaltos a armazéns de víveres em Santarém (30 de Julho). Agosto de 1920 ·Secretário geral interino da CGT, Alfredo Lopes, em entrevista a O Século refere energias entregues a si mesmas que não têm sido canalizadas pela Central, referindo o possível agravamento das revoltas depois das falências dos governos a que seguirá a falência do povo[4]. ·Aprovada no parlamento nova lei de autonomia administrativa das colónias, em 7 de Agosto. ·Lei de 7 de Agosto deixa ao arbítrio do governo estabelecer ou suprimir qualquer restrição à liberdade do comércio e trânsito de géneros de primeira necessidade. ·Proposta financeiras de Inocêncio Camacho são apresentadas parlamentarmente, no dia 9 de Agosto. Não chegarão a ser votadas[5]. ·Em 11 de Agosto é criado o comissariado das subsistências. Nesse dia, no Porto, grande agitação, por causa de greves e lock out de resposta. ·As revoltas da fome são mais violentas do que em Julho. No dia 5 de Agosto na Guarda e em Coimbra. Depois, em Aviz e na Azambuja, em nome dos baldios[6]. ·Em 19 de Agosto o parlamento encerra por dois meses. Concedidas várias autorizações legislativas ao governo, nomeadamente para nomear Norton de Matos (concretizada em 31 de Agosto) e Brito Camacho (18 de Outubro) como altos-comissários em Angola e Moçambique, respectivamente[7]. ·Novo atentado contra um membro do Tribunal de Defesa Social, Dr. Félix Horta, alvejado na Rua 1º de Dezembro em Lisboa (20 de Agosto)[8]. ·Descoberta uma revolta em 21 de Agosto. ·Tabelamento dos preços do carvão vegetal. Alteração da limitação da composição das refeições fornecidas em hotéis e restaurantes. Em 22 de Agosto. ·Comemora-se no Porto o centenário da revolução liberal. Inaugurado o novo Clube dos Fenianos (24 de Agosto). ·Assaltos a armazéns de víveres na Figueira da Foz (25 de Agosto). Setembro de 1920 Outubro de 1920 |
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Em 21 de Outubro de 1920: O reconstituinte Júlio Dantas substitui o democrático Rego Chaves na pasta da instrução pública. Dantas será ministro dos negócios estrangeiros no governo de Cunha Leal, de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922 e ministro dos negócios estrangeiros no governo nacionalista de Ginestal Machado, de 15 de Novembro a 18 de Dezembro de 1923. |
Novembro de 1920 |
[1] Fernando Tomás Rosa Gouveia, Orgânica Governamental…, p. 43 (27º ministério; 6º do mandato presidencial de António José de Almeida); ROCHA MARTINS, p. 363 ss; OLIVEIRA MARQUES, p. 729; Damião Peres, p. 281.
[2] Damião Peres, pp. 281-282.
[3] Marcello Caetano, p. 305.
[4] Fernando Medeiros, p. 231.
[5] Damião Peres, p. 284.
[6] Fernando Medeiros, p. 230.
[7] Damião Peres, p. 284.
[8] Rocha Martins, p. 363.
[9] Damião Peres, p. 285.
[10] Fernando medeiros, pp. 241 ss..
[11] Damião Peres, p. 286.
[12] Damião Peres, p. 286.
[13] Damião Peres, p. 286.
[14] Alberto Xavier, pp. 188-189.
[15] Damião Peres, p. 287.
[16] Fernando de Medeiros, pp. 214-215.