O
colapso do rotativismo – A partir de 1900, o modelo rotativista entra
em colapso, com sucessivas dissoluções, adiamentos de Cortes e ditaduras
administrativas, principalmente a de João
Franco, de Maio de 1907 a Fevereiro de 1908. Apesar disso, mantém-se
a imagem do poder, cultivando-se a manutenção do modelo tradicional de
monarquia constitucional, com instituições representativas. Este modelo
não será, aliás, alterado com a edição do decreto eleitoral de 8 de Agosto
de 1901, a chamada ignóbil porcaria que visa evitar a subida ao
parlamento da facção de João
Franco e dos republicanos. A principal novidade está na base teórica
que dá cobertura à experiência governativa de João
Franco, com o efectivo apoio do rei. Continuávamos, contudo, no domínio
do modelo liberal representativo e o intervencionismo do monarca pertence às
próprias regras do jogo constitucional, ao mesmo tempo que o presidente
do conselho sempre se manteve nos domínios das ideias regeneradoras.
Fúria
anticlerical Dá-se também um recrudescimento da fúria anticlerical,
ou anti-congreganista, como então se dizia, não só por parte dos republicanos,
como também pelos principais representantes das forças monárquicas, talvez
pela circunstância de se organizarem movimentos políticos católicos,
desde o CADC ao partido nacionalista. Na sede efectiva do poder, eis
que o paço trata de jogar um efectivo papel, tanto na chamada ao poder
de João Franco, com D. Carlos
a assistir a conselhos de ministros, como também com D. Manuel I
Rotativismos
– Desempenha, contudo, um papel fundamental a relação entre os directórios
dos dois principais partidos monárquicos. Veja-se o acordo estabelecido
entre José Luciano e
Hintze Ribeiro, em Junho de 1903, visando evitar que qualquer deles tivesse
uma relação privilegiada com as dissidências do outro. Hintze teme que
os progressistas se entendam com os franquistas e Luciano quer isolar
José Maria de Alpoim. Mas esse acordo é rompido várias vezes. Primeiro,
quando José Luciano se
entende com João Franco. Depois, a partir da liderança de Júlio de Vilhena,
nos regeneradores, quando José Luciano favorece
a dissidência de Campos
Henriques e Vilhena responde, fazendo um bloco com os dissidentes
de José Maria de Alpoim. De qualquer maneira, tanto progressistas como
regeneradores deixam de fazer entendimentos com os republicanos. Apenas
os dissidentes progressistas prosseguem nessa via em Janeiro de 1908,
com as trágicas consequências do regicídio. Do lado da maçonaria, a unidade
mantém-se, permitindo a constituição de uma nova organização conspirativa,
a Carbonária.
Dissidentes
– É neste período que surgem duas grandes dissidências: dos regeneradores
sai, em 1901, o grupo de João
Franco, surgindo os chamados regeneradores liberais; dos progressistas,
emerge, em 1905, o grupo de José de Alpoim, constituindo a chamada dissidência
progressista. Mesmo entre os oposicionistas, se, à esquerda, começa
o confronto entre republicanos e socialistas, eis que, à direita, se
institucionaliza um partido legitimista, enquanto os católicos começam
a organizar-se, surgindo em 1901, um Centro Naciona Académico,
depois dito Centro Académico da Democracia Cristã, e em 1903,
um Partido Nacionalista.
A
dinâmica governamental – Nos primeiros anos do século XX o sistema
rotativista vive as últimas experiências governamentais dos grandes partidos
unificados. Primeiro, o governo regenerador de Hintze
Ribeiro, entre 26 de Junho de 1900 e 20 de Outubro de 1904, mas já sem
a colaboração de João Franco.
Depois, o governo de José Luciano, entre 1904 e 1906, durante o qual
surgirá a dissidência de José Maria de Alpoim. A relativa estabilidade
governamental só voltará com o governo de João
Franco entre Maio de 1906 e Fevereiro de 1908. Mas a estatística
não desmente a instabilidade desses dez últimos anos da monarquia, com
dez governos e sete eleições gerais (25 de Novembro de 1900, 6 de Outubro
de 1901, 26 de Junho de 1904, 12 de Fevereiro de 1905, 29 de Abril de
1906, 19 de Agosto de 1906, 5 de Abril de 1908 e 28 de Agosto de 1910).