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  Anuário de 1862

D. Luís I: entre José Estêvão e a Maria Bernarda

Do Amor de Perdição a Bismarck

Arquivo antigo do anuário CEPP

Em Fevereiro, Ávila sai do governo.

  Tumultos no Minho (Maio)

  Tumultos em Braga em Sever do Vouga (Agosto de 1862)

  Revolta da Maria Bernarda (Setembro de 1862)

 

Remodelações governamentais – Em 24 de Fevereiro, como consequência dos tumultos do Natal de 1861, saem António José de Ávila e Carlos Bento da Silva. José Estêvão, convidado para integrar o governo, declina, mas indica Mendes Leal. Os avilistas passam para a oposição e aproximam-se de Sá da Bandeira. D. António Alves Martins, bispo de Viseu de 1862 a 1882, apoia então António José de Ávila.

Anselmo José Braamcamp (1819-1885) no reino (até 16 de Janeiro de 1864). Gaspar Pereira da Silva (1801-1870) na justiça. Joaquim Tomás de Lobo Ávila (1822-1901), 1º conde de Valbom, desde 1875, na fazenda. Loulé nos estrangeiros. José da Silva Mendes Leal (1820-1886) na marinha (até 12 de Dezembro de 1864).

Em 26 de Fevereiro: Loulé nas obras públicas.

Nova fornada de 25 pares pró-governamentais (Dezembro).

Fomento agrícola – Rodrigo Morais Soares considera no Archivo Rural que o latifúndio trava o progresso agrícola. Defende também a criação de uma rede de canais (Junho). Surge carta de lei que institui em Sintra uma quinta exemplar de agricultura (10 de Setembro). Trabalhadores rurais boicotam o funcionamento de uma máquina de debulhar na Quinta da Cartuxa. Há grande esforço de povoamento florestal, reconhecendo-se que, nos últimos dois anos, se plantaram mais árvores que nos cem anos anteriores. Começa a divulgar-se o modelo bávaro de associações agrícolas, enquanto Friedrich Welwitsch estuda os carvalhos em Portugal. (Outubro)

 

Tratados de olhos em bico – Assinado o Tratado de Tientsin entre Portugal e a China (13 de Agosto). Negociado por Isidoro Francisco de Guimarães, que será o primeiro visconde da Praia Grande de Macauö , reconhecendo o estabelecimento como território português. O contrato nunca será ratificado por Pequim, sendo considerado um dos chamados tratados desiguais, estabelecidos entre as potências ocidentais e o Celeste Império.

Questão das Irmãs da Caridade: Surge uma comissão da Câmara dos Deputados para dar parecer sobre a congregação (11 de Março). Toma uma posição transigente, contra a perspectiva mais radicalmente anti-congreganista, assumida por Vicente Ferrer de Neto Paiva. As Irmãs da Caridade saem de Portugal (9 de Junho). A Imperatriz viúva, D. Amélia, acompanhada por outras damas do Paço, abandonam, em sinal de protesto, várias associações filantrópicas e de beneficência a que pertenciam. A Confederação Maçónica Portuguesa, tenta colmatar a lacuna, lançando várias obras de assistência social.

Chefia interina do governo – De 12 de Setembro a 6 de Outubro de 1862, Loulé esteve fora do governo, indo a Turim como procurador do rei, a fim de tratar do casamento deste. A presidência é então assumida por Sá da Bandeira. Nas obras públicas ficou Joaquim Tomás de Lobo Ávila.

Casamento de D. Luís: Celebrado em Turim o contrato matrimonial de D. Luís com D. Maria Pia de Sabóia, filha de Vítor Emanuel (9 de Agosto). A cerimónia de ratificação, com a presença dos dois noivos, ocorre na Igreja de S. Domingos em Lisboa. D. Maria Pia havia chegado a Lisboa no dia anterior (6 de Outubro).