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Novas lideranças do pós-AD. V Congresso do CDS (20
de Fevereiro). Lucas Pires novo Presidente do partido num Congresso realizado em
Lisboa no Teatro Maria Matos. X Congresso do PSD em Montechoro (dias 25 a 27 de
Fevereiro). Balsemão é substituído por uma direcção colegial. Nuno Rodrigues dos
Santos torna-se presidente e uma troika, constituída por Nascimento
Rodrigues, Eurico de Melo e Mota Pinto, dá assessoria à veneranda
liderança moral do velho maçon liberal. Sinais doutrinários do eanismo: Emitido
o manifesto Para um aprofundamento da democracia (15 de Março).
Subscrevem-no Henrique de Barros, Medeiros Ferreira, Manuela Silva e Maria de
Lurdes Pintasilgo.
O Semanário – Surge um novo semanário concorrente
do Expresso, com o dissidente Marcelo Rebelo de Sousa a aliar-se a Vítor
da Cunha Rego, José Miguel Júdice e Paulo Portas, desenvolvendo-se uma
estratégia que dará origem ao cavaquismo. Lançada a secção Mão Invisível,
onde se lança uma opinião neo-liberal com os professores de economia Diogo
Lucena, Miguel Beleza, Luís Campos e Cunha e Jorge Braga de Macedo.
Greves e tumultos. Confrontos em Valongo entre a
GNR e trabalhadores com salários em atraso. Um morto (27 de Janeiro). Greves da
CP, Carris e Metro (8 de Fevereiro). Começam onze dias de greve dos maquinistas
da CP, liderados por Jorge Godinho, próximo do PSD, que não acatam a requisição
civil decretada pelo governo (29 de Março). Incidentes no estaleiro da Lisnave:
polícia tem de intervir para libertar um navio grego que os trabalhadores retêm,
protestando contra salários em atraso (15 de Julho). Agitação em Canas de
Senhorim depois de manifestação de populares que defendem a elevação a concelho
(18 de Julho).
Terrorismo – Durante o XVI Congresso da
Internacional Socialista em Montechoro, é abatido, por um comando da organização
Abu Nidal, um observador da OLP, Issam Sartawi (7 de Abril).
Eleição nº 68 Eleição da Assembleia da República
(25 de Abril). 250 deputados. 7 337 064 eleitores. 5 707 695 votantes.
Assiste-se a uma espécie de empate técnico entre as principais forças
concorrentes. O PS de Mário Soares sai vencedor com 36,1%, mas o PSD, com 27,2%,
não soçobra. E se os comunistas podem ficar satisfeitos com os 18,1% alcançados
pela APU, eis que o CDS da jovem liderança de Lucas Pires, ao obter 12,6%,
alimenta algumas esperanças. O eleitorado, se pune a Aliança Democrática, não
volta a dar autonomia liderante ao Partido Socialista, pelo que, à maneira da
fusão de 1865, os candidatos ao modelo rotativista fazem um acordo de
irmãos-inimigos, nascendo o chamado Bloco Central, um acordo entre o PS e o
PSD visando um governo comum (4 de Junho de 1983).
Maçonaria – Instituti-se uma loja de maçonaria
feminina, a Unidade e Mátria, com Maria Belo, Júlia Maranha, Manuela
Cruzeiro e Maria Helena Carvalho Santos, a que também irá aderir a jornalista
Helena Sanches Osório..
Governo nº 118 de Mário Soares. IX Governo
Constitucional dito do Bloco Central, (9 de Junho) com o líder do PSD, Mota
Pinto, como vice-presidente, desde 9 de Junho. O novo gabinete é marcado tanto
pela política de austeridade, imposta pelo FMI, e que impõe um corte ao subsídio
estadual aos bens essenciais, como pelo processo de formal integração na CEE (9
de Junho). Na oposição parlamentar destaca-se o novo presidente do CDS,
Francisco Lucas Pires, anterior ministro da cultura e coordenação científica do
último governo da AD. A nova política fiscal é alvo de fortes contestações tanto
à direita como à esquerda. Surge, entretanto uma revisão da lei de delimitação
dos sectores da actividade económica, em 19 de Novembro, permitindo a abertura
da área nacionalizada à iniciativa privada.
Outros ministros são: António de Almeida Santos (ministro
de Estado), Rui Macheteö (defesa
nacional), Eduardo Pereira (administração interna), Jaime Gama (negócios
estrangeiros), Mário Raposo (justiça), Ernâni Lopes (finanças e plano), João de
Deus Pinheiro (educação), Amândio de Azevedo (trabalho e segurança social),
Maldonado Gonelha (saúde), Álvaro Barreto (agricultura), José Veiga Simão
(indústria e energia), Joaquim Ferreira do Amaral (comércio e turismo), Coimbra
Martins (cultura), Carlos Melancia (equipamento social) e José de Almeida Serra
(mar).
Austeridade e
privatizações – Escudo é desvalorizado em 12%. Mantém-se o regime de
desvalorização deslizante mensal de 1%. Mário Soares propõe uma trégua
política e social (21 de Junho). Ernâni Lopes, Ministro das Finanças,
anuncia corte dos subsídios aos bens essenciais, começando a chamada política
de austeridade. Aprovada moção de confiança (24 de Junho). Aumento do preço
dos combustíveis (2 de Julho). Revogado o tecto salarial (3 de Julho).
Assembleia da República autoriza o governo a legislar sobre a privatização dos
sectores bancário, segurador, cimenteiro e adubeiro (5 de Julho). Aprovadas
alterações à lei de delimitação dos sectores económicos, no sentido
liberalizante (6 de Julho). Anuncia-se que a inflação é de 23%. Governo diz
optar pelo modelo de fusão das agências de notícias públicas (13 de Julho).
Chega a Lisboa uma delegação do FMI, tendo em vista a concessão de um empréstimo
a Portugal (19 de Julho). Mário Soares declara que as reservas de ouro não
estão à venda (25 de Julho). Instituída Alta Autoridade para o combate à
corrupção (5 de Agosto). Assinada carta de intenções do governo face ao FMI,
depois de, no dia anterior, Mário Soares consultar os partidos (10 de Agosto).
Ferraz da Costa, da CIP, declara que o Governo perderá credibilidade se não
pagar indemnizações (30 de Agosto). Aumentam preços dos transportes e da
água (1 de Setembro). Soares declara que está afastado o espectro da fome e
do racionamento. Aprovado o novo pacote fiscal no parlamento (13 de
Setembro). CIP fala em rapina fiscal (24 de Setembro). Conselho de
Ministros aprova o modelo de lay off (7 de Outubro). Publicado o pacote
fiscal (23 de Outubro). Confederação do Comércio considera que o governo está
a matar a iniciativa privada (24 de Outubro). Lucas Pires fala em estado
de sítio fiscal (26 de Outubro). Intersindical comunica que há 117 000
trabalhadores com salários em atraso (30 de Outubro). Torres Couto da UGT
considera que o governo pode ser o coveiro da democracia (31 de Outubro).
Revisão da lei da delimitação dos sectores, permitindo a abertura da área
nacionalizada à iniciativa privada, nos sectores do cimento, da banca e dos
seguros (19 de Novembro). Cavaco Silva declara que o imposto de 2,8% deve ser
o imposto mais inequitativo que foi lançado em Portugal nos últimos 50 anos
(21 de Dezembro).
Mais tumultos –
Polícia de Intervenção ocupa a Marinha Grande, a fim de impedir uma
manifestação dos operários vidreiros (8 de Setembro). Há confrontos na Marinha
Grande entre a GNR e operários vidreiros (22 de Outubro) que isolam a localidade
(10 de Novembro).
Mais terrorismo –
Uma
carrinha de transporte de valores é assaltada à mão armada (23 de Junho), sendo
desviados cerca de 5 000 contos. Comando arménio ataca embaixada turca em
Lisboa, com sete mortos (28 de Julho). Atentado das FP 25 contra viatura de
gestores da COMETNA (15 de Novembro). Novo atentado do grupo terrorista na Cruz
de Pau (26 de Novembro). Petardos espalham propaganda de tal entidade (6 de
Dezembro).
Questiúnculas
político-militares –
Governo pede ao
Presidente da República a exoneração de Garcia dos Santos de CEME, por falta de
confiança política (26 de Julho). Apenas se concretiza em 22 de Novembro,
sucedendo-lhe Salazar Braga (17 de Dezembro).
Tempos de
interregno – Criação da Associação Nacional de Municípios num encontro que
decorre em Alcobaça (17 de Setembro). Conselho Nacional do PSD reúne no Porto:
necessidade de reafirmação da identidade própria do PSD na coligação, a qual
pode e deve ser feita com maior ênfase, implicando a defesa de uma
candidatura presidencial própria (18 de Setembro). Grandes inundações nos
distritos de Lisboa e Setúbal. Dez mortos (19 de Setembro). Conferência de
imprensa do CDS sobre os tristes cem dias do Governo PS/PSD (20 de
Setembro). Lançado o Movimento Nova Monarquia em conferência de imprensa (7 de
Outubro)
Aventais e
sacristias –
RTP transmite
saudação do Grão-mestre da Maçonaria, Adão e Silva e Bernardino Machado é
reintegrado a título póstumo na Universidade de Coimbra (5 de Outubro). D.
António Ribeiro denuncia a corrupção moral expressa pelos projectos de
liberalização do aborto e de legalização dos campos de nudismo (13 de Outubro).
Norte-americanos
– Assinado acordo com os norte-americanos para a utilização da base das
Lajes e criada a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, uma forma de
institucionalização do sistema de ajudas norte-americanas a Portugal. O novo
organismo há-de vir a ser presidido por Rui Machete (13 de Dezembro), sendo um
sustentáculo do chamado Bloco Central dos interesses, onde a distribuição de
subsídios e o convite para viagens e bolsas de estudo transatlânticas acirra o
pró-americanismo da classe política dominante. Não é por acaso que ilustres
ministros, deputados e até chefes do governo acabem desempenhando funções de
docentes convidados em universidades norte-americanas, antes de serem chamados
como estadistas portugueses.
Soviéticos –
Gorbatchev participa no Porto no X Congresso do PCP. Excluído o apoio do partido
a uma eventual candidatura de Mário Soares à presidência da República (18 de
Dezembro).