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União Europeia, Partido Popular, TVI e PS vencendo autárquicas
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Partido
Popular O
velho CDS, agora liderado por Manuel Monteiro, passa a Partido Popular (24 de
Janeiro). O jovem líder, que conclui a licenciatura em Direito, querendo uma
nova ideia para a Europa, reúne algumas contribuições estratégicas em
Viva Portugal, com os contributos de Adriano Moreira, Paulo Portas e António
Marques Bessa, entre outros.
Guerra das
propinas Manifestações diante do Ministério da Educação são policialmente
reprimidas (26 de Março). Cerca de cem mil estudantes candidatam-se à
entrada no ensino superior (17 de Junho). A crise agrava-se em 24 de Novembro,
quando a polícia carrega sobre os protestantes nas escadarias da Assembleia da
República. No dia seguinte, é decretada uma greve às aulas e o próprio
Presidente da República trata de criticar a atitude da polícia. O PSD fala em
desordeiros e defende a hierarquia policial. Se antigamente, no tempo da
ditadura, eram os polícias contra os estudantes, agora vira-se o disco, porque
são os estudantes contra os polícias, embora continue a tocar-se o mesmo. Muitos
questionam se vamos regressar à agitação universitária por causa de uma
questiúncula. Poucos reparam que está em causa um problema de fiscalidade, e uma
incompreensão relativamente ao Estado de Direito e à sociedade aberta.
Iniciam-se as emissões experimentais da TVI
(30 de Janeiro), o quarto canal televisivo e o segundo não-público, da
responsabilidade da Igreja Católica. As emissões regulares do canal começam em
20 de Fevereiro, sob a direcção de dois antigos ajudantes de Diogo Freitas do
Amaral, Roberto Carneiro, o ministro da educação de Cavaco Silva, e José Ribeiro
e Castro, o futuro deputado europeu de Paulo Portas.
Satélites –
Em 26 de Setembro entra em órbita o primeiro satélite português, o Posat 1,
enquanto se agrava o conflito institucional entre o governo e a presidência da
república. Na equipa que coordena um projecto mais mediático do que científico,
dado visar apenas o chamado reforço da auto-estima nacional, destaca-se o
dirigente do LNETI, Professor Fernando Carvalho Rodrigues, antigo colaborador de
Veiga Simão, que então se aproxima do PSD, de quem virá a ser candidato a
deputado pela Guarda.
Vitória do PS nas
eleições autárquicas (12 de Dezembro). Consegue 126 câmaras contra 116 do
PSD. CDU com 49 e CDS com 13. Os socialistas Fernando Gomes e Jorge Sampaio
vencem nas câmaras do Porto e de Lisboa, respectivamente, mas o homem do
futebol, Valentim Loureiro, do PSD, conquista Gondomar. O PSD decide combater
nas autárquicas de Lisboa e do Porto com dois dos seus ambientalistas mais
afamados: Macário Correia e António Taveira. Isto é, tenta colocar dois altos
dirigentes do PS numa postura situacionista e trata de fingir-se o contra-poder.
Isto é, os dois irmãos-inimigos continuam o ritmo do bloco central europeísta.
Os dois não passam de dois pratos da mesma balança do poder, de duas faces do
mesmo oceano situacionista. Os que procuram monopolizar a democracia e que a
afogam numa demagogia verbalista.
Aristides
Pereira que, durante dezasseis anos, foi
presidente de Cabo Verde, confidencia ao semanário Expresso que o povo
crioulo, em 1974, não queria a independência, mas um estatuto de autonomia que
lhe garantisse o estatuto de ilhas adjacentes da metrópole. Afinal, os adeptos
da descolonização talvez tivessem tão pouca razão quanto os da colonização.
Todos repudiaram um espaço universal de portugalidade que não devia ter sido
confundido com um regime, um sistema ou um governo. Todos foram simples peões do
xadrez internacional da guerra fria, não faltando os idiotas úteis
de um retórico anti-colonialismo que não passaram de meros agentes objectivo de
neo-colonialismos ainda mais devoristas e sangrentos.