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Renúncia de Cavaco, vitória eleitoral do PS de Guterres e CDS a tornar-se Partido Popular
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Renúncia de
Cavaco Silva que anuncia não se recandidatar à presidência do PSD, não
aceitando, consequentemente, a indigitação como Primeiro-Ministro (23 de
Janeiro).
Fernando
Nogueira vence o Congresso do PSD,
derrotando José Manuel Durão Barroso por 33 votos. Pedro Santana Lopes fica
em terceiro lugar (dias 17 a 19 de Fevereiro). Os dois últimos hão-de ser
efectivamente os primeiros e o vencedor há-de sair derrotado. O debate é
pobre, sem ideias, mas com muitas tricas de corredores. Nogueira canta a
“portugalidade” e o “personalismo social-democrata”, num programático
estudantil que quase soa a falsete. Barroso, confuciano, é sinicamente
esfíngico, no alto do pedestal de uma imagem de ministro dos estrangeiros de
Portugal. Os dois são equilibristas e demonstram que hão-de ser sempre o que
a conjuntura neles provocar. A terceira-via de Pedro Santana Lopes não é
melhor nas ideias, apesar de magistral no bluff. Entre mil e tal
delegados, Nogueira ganha com cerca de três dezenas de votos de diferença.
Se Mota Amaral logo reclama os quarenta votos dos delegados açorianos, fica
nos ouvidos de todos a tirada do nortenho Luís Filipe Meneses que chama aos
não-nogueiristas sulistas, elitistas e liberais, lapso que o faz
voltar a casa antes das urnas abrirem. Dizendo em voz alta o que gosta de
pensar até repete o maurrasiano em política o que parece, é. Mais uma
vez, mil e tal iniciados ditam os partidocratas que em nós todos vão mandar.
Desses poucos que falam em nome de todos, nesta democracia assim
partidocratizada, onde se misturam certos mais ricos com alguns mais
expeditos. A crise de representação passa assim pelo Coliseu, nome de circo,
pátio de cantigas, onde todos proclamam, na linha de Cavaco que é
preciso mais país, que primeiro está o país e que só depois está o partido.
Na prática a teoria tende sempre a ser outra e até o partido vem sempre
depois da carreira pessoal.
Socialistas. Jorge Sampaio anuncia a
respectiva candidatura a Presidente da República, na Reitoria da
Universidade de Lisboa, reavivando a memória da sua luta como líder
estudantil nos anos sessenta (7 de Fevereiro de 1995). Encerram os Estados
Gerais do PS no Coliseu dos Recreios em Lisboa (11 de Março).
Populares.
Manuel Monteiro vence Congresso do CDS que passa a designar-se Partido
Popular. Apoio do grupo de Paulo Portas, considerado o inspirador da
mudança, alterando-se a tradicional política europeia do partido (12 de
Fevereiro de 1995).
Mais sinais de nevoeiro – Assembleia da
República aprova legislação sobre a transparência do rendimento dos
políticos (7 de Julho). Surgem sinais de ataques de militantes skinheads
nas noites de Lisboa e no Centro e Norte do país, há algumas milícias
populares contra traficantes de droga (Junho). Entra em vigor o espaço
Schengen, a que adere Portugal. É abolido o controlo de fronteiras entre
sete Estados Membros da União Europeia (24 de Março). D. Duarte, duque de
Bragança, casa com D. Isabel Herédia no mosteiro dos Jerónimos (13 de Maio).
José Saramago vence o Prémio Camões, enquanto o Prémio Pessoa é atribuído a
Vasco da Graça Moura.
Eleição
nº 72 (1 de Outubro de 1995).
Eleição da Assembleia da República. 8 906 608 eleitores. 5 904 854 votantes.
PS: 112 deputados, 43, 76%;. PPD/PSD: 88 deputados, 34, 12%. CDS/PP: 15
deputados, 9,05%. PCP/PEV: 15 deputados, 8, 57%. Socialistas ficam a quatro
deputados da maioria absoluta. Nova alternância do poder, com o Partido
Socialista, já liderado por António Guterres, a vencer o PSD, entretanto
liderado por Fernando Nogueira.
Governo nº 121 de António Manuel de
Oliveira Guterres (28 de Outubro). XIII Governo Constitucional Cavaco
Silva que, no dia 10, anuncia a respectiva candidatura a Presidente da
República, desmaia na cerimónia de tomada de posse do sucessor. O novo
governo socialista é marcado pela falhada promessa do no jobs for the
boys, enquanto Cavaco Silva mantém a respectiva candidatura à
presidência da República, contra a do socialista Jorge Sampaio. Guterres
anuncia o propósito de concretização de duas intenções programáticas
apresentadas ao eleitorado, a regionalização e a modificação do sistema
eleitoral. Cairão no inferno do adiamento.
Outros ministros: António Vitorino
(presidência e defesa nacional), Jorge Coelho (adjunto), Sousa Franco
(finanças), Jaime Gama (estrangeiros), Alberto Costa (administração
interna), João Cravinho (planeamento e administração do território), Vera
Jardim (justiça), Daniel Bessa (economia, indústria, comércio e turismo),
Gomes da Silva (agricultura, desenvolvimento rural e pescas), Eduardo Marçal
Grilo (educação), Maria de Belém Roseira (saúde), Maria João Rodrigues
(qualificação e emprego, até 25 de Novembro de 1997), Eduardo Ferro
Rodrigues (solidariedade e segurança social), Elisa Ferreira (ambiente),
Manuel Maria Carrilhoö
(cultura), José Mariano Gago (ciência e tecnologia), António Costa (assuntos
parlamentares).
Henrique Costantino, nomeado ministro do
equipamento social, faleceu em 27 de Dezembro, sucedendo-lhe Luís Francisco
Murteira Nabo, até 12 de Janeiro de 1996, quando é substituído por João
Cravinho.