
1908 Do
regicídio à impossível acalmação
1909 A
conspiração republicana e monárquicos discutindo o sexo dos anjos
Governo
nº 51 (26 de Dezembro 1908) Campos Henriques (108 dias). Apoio
de dissidentes regeneradores (21 dos 63 deputados) e de lucianistas, gera
a oposição de um bloco de vilhenistas e dissidentes progressistas. Apenas é concretizado
depois de D. Manuel II tentar uma solução liderada por Veiga
Beirão, Sebastião Teles e
António de Azevedo. Esta aliança entre os regeneradores de Campos
Henriques, apoiados pelo Notícias de Lisboa, e os progressistas
de José Luciano, apoiados
pelo Correio da Noite, levou à constituição de um bloco entre
os regeneradores de Júlio de Vilhena, apoiados pelo Diário Popular,
e os dissidentes progressistas de José de Alpoim, movimentação que leva,
aliás, à queda do governo.
Presidente
acumula o reino. D. João de Alarcão na justiça. António Cabral, a quem chamam
as pernas de José Luciano, na marinha e ultramar. D. Luís de Castro
(1868-1928), 2º conde de Nova Goa, nas obras públicas. Sebastião
Teles mantém-se na guerra. Wenceslau de
Lima nos estrangeiros.
O
sobe e desce dos partidos – Os partidos subindo ao poder, ou descendo
do poder, como sobem, ou descem os pratos de uma balança, onde verdadeiramente
não havia já governos, mas uma oligarquia ( João
Chagas)
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Governo de Campos Henriques |
De 26 de Dezembro de 1908 a 11 de Abril de 1909 |
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29º governo depois da Regeneração 6º depois da desagregação partidária 2º governo do reinado de D. Manuel II |
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·Presidente acumula o reino ·D. João de Alarcão na justiça ·António Cabral na marinha e ultramar ·D. Luís de Castro, conde de Nova Goa, nas obras públicas ·Sebastião Teles mantém-se na guerra · Wenceslau de Lima nos estrangeiros. |
·Antes da chamada de Campos Henriques, D. Manuel II chamou várias pessoas para a chefia do governo: Veiga Beirão; Sebastião Teles e António de Azevedo. ·Henriques era amigo político de Júlio de Vilhena, mas foi elevado ao poder por José Luciano. Com efeito, o governo foi efectivamente constituído na Rua dos Navegantes, lugar da residência de José Luciano, a fim de ter apoio da maioria parlamentar. Júlio de Vilhena que esperava ser chamada para constituir governo demitiu-se do próprio Conselho de Estado. Este, nas páginas do Dário Popular, chega mesmo a chamar ao novo governo o ministério dos trinta dinheiros. ·Esta aliança entre os regeneradores de Campos Henriques, apoiado pelo Notícias de Lisboa, e José Luciano, apoiado pelo Correio da Noite, levou à constituição de um bloco entre os regeneradores de Júlio de Vilhena, apoiado pelo Diário Popular, e os dissidentes progressistas de José de Alpoim, movimentação que leva, aliás, à queda do governo[1]. Segundo António Teixeira de Sousa, José Luciano não cuidou de princípios políticos, de programas do novo governo. Isso eram coisas de pequena monta. Era preciso que o governo desse garantias de que Alpoim não obteria um regedor e de que o meu partido não poria o pé em ramo verde… Era um governo contra homens e inspirado em más vontades pessoais, e tanto bastaria para ser mal recebido e vivamente combatido[2] ·Alfonso XII de Espanha vem a Vila Viçosa encontrar-se com D. Manuel II no dia 13 de Fevereiro. ·No dia 10 de Março deu-se um grave incidente parlamentar, quando o deputado regenerador Caeiro da Matta, não afecto a Campos Henriques, acusa Campos Henriques de traidor e Manuel Afonso Espregueira, de burlão, por causa de um empréstimo para os Caminhos de Ferro do Estado. Segue-se um duelo entre Caeiro da Matta e o ministro da fazenda. ·Em 15 de Março D. Miguel II renuncia aos direitos sobre a coroa portuguesa. ·Motins de vinicultores no Douro em Março de 1909 |
[1] Júlio de Vilhena, II, p. 162; António Teixeira de Sousa, Responsabilidades Históricas, II, p. 155; António Cabral, O Agonizar da Monarquia, p. 303.
[2] Teixeira De Sousa, Para a História da Revolução, I, pp. 80-81.