
1909 A
conspiração republicana e monárquicos discutindo o sexo dos anjos
Governo
nº 52 (11 de Abril) Sebastião
Teles (34
dias). Com quatro progressistas, dois henriquistas e um amaralista. Diz-se um
ministério de liberdade, de acalmação e de administração. Segundo os
críticos, estão três ministros que são da casa militar de el-rei e
outros tantos que são a casa civil de José Luciano.
Teles
havia sido indicado por Veiga Beirão,
tendo em vista o controlo do Exército, bastante infiltrado pelos republicanos.
Presidente
acumula a guerra. Alexandre Cabral, reitor da Universidade de Coimbra, no
reino. Amadeu Teles da Silva de Afonseca Mesquita de Carmo (n. 1875), conde
de Castro e Sola, magistrado e chefe dos regeneradores em Braga, na justiça.
Major José Soares Branco na fazenda. João de Azevedo Coutinho (1865-1944),
governador civil de Lisboa, na marinha e ultramar. D. João de Alarcão nos
estrangeiros. D. Luís de Castro nas obras públicas.
A
demagogia liberal – Os progressistas são a demagogia liberal. Vem
hereditariamente da praça pública. Sempre que não estão no poder, estão
na bernarda ( João Chagas)
O
governo cai por causa de uma questão estranha à governação. O ex-ministro
Espregueira e o deputado Caeiro da Mata,
depois de uma polémica, envolvem-se em duelo. No dia 25, a maioria abandona
os trabalhos parlamentares, invocando a circunstância de Caeiro da Mata,
ao regressar à Câmara dos Deputados, não apresentar desculpas. Segue-se
novo duelo protagonizado por Caeiro da Mata, agora com Moreira Júnior,
líder de uma maioria parlamentar que, no entanto, continua a retirar-se
da Câmara quando aquele deputado pede a palavra e o governo é obrigado
a demitir-se. Os regeneradores não henriquistas colocam-se ao lado dele.
Dizia-se que a rigidez da maioria é inspirada por José Luciano,
a fim de obter uma dissolução. Mas o próprio Sebastião
Teles se desvincula da atitude do respectivo chefe e aconselha o rei
a não dar a dissolução, para assim não ceder à pressão do chamado Paço
dos Navegantes, nome dado à residência lisboeta do velha raposa que
tem então como delfim António Cabral..
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Governo de Sebastião Teles |
De 11 de Abril a 14 de Maio de 1909 |
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30º governo depois da Regeneração 7º depois da desagregação partidária 3º governo do reinado de D. Manuel II |
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·Presidente acumula a guerra ·Alexandre Cabral, reitor da Universidade de Coimbra, no reino ·Amadeu Teles da Silva de Afonseca Mesquita de Carmo, conde de Castro e Sola, magistrado, na justiça ·Major José Soares Branco na fazenda ·Capitão João de Azevedo Coutinho, governador civil de Lisboa, na marinha e ultramar ·D. João de Alarcão nos estrangeiros ·D. Luís de Castro nas obras públicas |
·Júlio de Vilhena, chefe dos regeneradores, com maioria parlamentar, continua a não conseguir ser nomeado, face à oposição de José Luciano. Teles foi indicado por Veiga Beirão, tendo em vista a pacificação do exército, bastante infiltrado por oficiais republicanos. ·Terramoto em Benavente. Morte de meia centena de pessoas (23 de Abril) ·Congresso do Partido Republicano em Setúbal. Novo directório, afecto aos radicais, afectos à carbonária, com o mandato de fazer a revolução. Do directório, fazem parte Teófilo Braga, Basílio Teles, José Relvas, Eusébio Leão e Cupertino Ribeiro. Os anteriores notáveis do partido são remetidos para uma junta consultiva. Nomeada uma Comissão Financeira, presidida por Bernardino Machado, visando angariar fundos para a revolução. Criado um comité revolucionário, dito Comissão Executiva de Lisboa, composto por João Chagas, Afonso Costa, António José de Almeida e Cândido dos Reis (24 e 25 de Abril)[1] ·O governo cai por causa de uma questão estranha à governação. O ex-ministro Espregueira e o deputado Caeiro da Matta, depois de uma polémica, envolveram-se num duelo. Em 25 de Abril, a maioria abandonou os trabalhos parlamentares, invocando a circunstância de Caeiro da Matta, ao regressar à Câmara dos Deputados, não apresentar desculpas. Segue-se novo duelo entre Caeiro da Matta e o líder da maioria parlamentar, Moreira Júnior, mas a maioria continua a retirar-se da Câmara quando Caeiro da Matta pede a palavra e o governo é obrigado a demitir-se[2] |
[1] Vasco Pulido Valente, O Poder e o Povo, p. 95.
[2] António Cabral, O Agonizar da Monarquia, p. 347; António Maria da Silva, O Meu Depoimento, p. 155; António Teixeira de Sousa, Para a História da Revolução, I, pp. 19-20. Os regeneradores não henriquistas colocaram-se ao lado de Caeiro da Matta. Dizia-se que a rigidez da maioria era inspirada por José Luciano, a fim de obter uma dissolução. Mas o próprio Sebastião Teles se desvinculou da atitude do respectivo chefe e aconselhou o rei a não dar a dissolução.