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Da aliança PS/CDS, aos governos presidenciais
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Ministros do CDS apresentam demissão (31 de Julho)
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Detenção de
Edmundo Pedro, então membro do Secretariado Nacional do PS, deputado e
membro do conselho de administração da RTP. Está na posse de 36 metralhadoras
G3, das 150 que haviam sido entregues ao PS na noite do referido dia 25 por Tomé
Pinto, de acordo com um Plano Global de Operações, liderado por Ramalho
Eanes. Edmundo será absolvido em Novembro de 1978 (11 de Janeiro).
Dissolvida a FEPU,
pela saída da FSP. PCP e MDP irão constituir a APU (16 de Janeiro) que tem três
argolas como símbolo, à maneira das Olimpíadas, para evitar a foice e o martelo.
Mas como dizem os anticomunistas, das três argolas da APU, das quais duas são
verdes e uma vermelha, porque de cada três comunistas, dois foram da Legião
(Vergílio Ferreira).
PS e CDS assinam
acordo político de incidência governamental e Ramalho Eanes convida
oficialmente Mário Soares para formar governo (19 de Janeiro).
Sá Carneiro
contra Eanes – Sai no Jornal Novo um artigo de Francisco Sá Carneiro
onde o general é acusado de ter impedido a formação de um governo de salvação
nacional (18 de Janeiro). O artigo não é publicado no jornal do partido,
Povo Livre, por oposição da directora, Helena Roseta. A Presidência da
República emite uma nota onde declara que Eanes aceitou governo, com base num
acordo PS/CDS.
V Congresso do
PSD (dias 28 e 29 de Janeiro), no Cine Valformoso, no Porto. António Sousa
Franco na liderança, depois de Sá Carneiro recusar o cargo de presidente da
comissão política e renunciar ao mandato de deputado. Sérvulo Correia é o novo
secretário-geral. Pouco antes, o novo líder dera uma entrevista onde dividia o
partido entre uma ala rural, liderada por Sá Carneiro, e uma ala
urbana, que seria mais moderada e verdadeiramente social-democrata, próxima
das posições de Helmut Schmidt. Por outras palavras, o coerente militante
católico, sinceramente social-democrata, que chegou a ponderar a hipótese de
fazer parte do círculo de fundadores do CDS, quando colaborava com Basílio
Horta, e que será ministro de Pintasilgo e Guterres, antes de falecer em Junho
de 2004, em plena campanha de candidatura a deputado europeu pelo PS, mantém
certa perspectiva de uma burguesia de memória cabralista, sempre temerosa de uma
revolta nortenha e ruralista, susceptível de manipulação pelos fantasmas de uma
miguelismo populista. Isto é, católicos ou maçons, os filhos da grande burguesia
da capital continuam a ter a ilusão de educarem as selvagens massas populares do
Centro e Norte do país que, infelizmente, já não podem emigrar e até passaram a
ter direito de voto.
Convenção
Nacional da União de Esquerda Socialista e Democrática (UEDS), em 28 de
Janeiro. Assistem ao evento, muito paternalmente, figuras como Melo Antunes e
Eduardo Lourenço. Mobilizam-se membros da Fraternidade Operária, como
António Lopes Cardoso, Fernanda Lopes Cardoso, Brás Pinto, Vital Rodrigues e
César Oliveiraö,
surgida em Fevereiro de 1977, bem como antigos militantes da LUAR, como Camilo
Mortágua e Fernando Pereira Marques, e do Movimento Socialista Unificado, de
Joel Hasse Ferreira, José Maria Brandão de Brito, António Vitorino e Rui
Namorado que, vindos do MES, não alinham na Intervenção Socialista de Jorge
Sampaio. Juntam-se também figuras como Jacinto Prado Coelho, Fernando Alves,
Américo Ramos dos Santos, Vítor Hugo Sequeira, João Mendes Espada, Vítor
Martins, Jofre Justino e Mário Murteira. Pouco depois, o remanescente do ex-MES,
liderado por Jorge Sampaio, acaba por se integrar no PS, precedendo convite de
Mário Soares, apesar da oposição de Francisco Salgado Zenha, Jaime Gama e Jorge
Campinos.
Governo nº 111
de Mário Soares II Governo constitucional (23 de Janeiro, 211 dias).
Formalmente, continua a ser um governo do PS, embora inclua militantes do CDS,
como Vítor Augusto Nunes Sá Machado, nos estrangeiros, e Basílio Adolfo Mendonça
Horta da Franca, no comércio e turismo, e Rui Pena, na reforma administrativa.
Constituído em nome
da política de austeridade em matéria financeira, devido à pressão do
FMI, destacando-se a acção do ministro das finanças, Victor Manuel Ribeiro
Constâncio. A questão agrícola há-de ser o pretexto para a queda do governo,
face às críticas que ao modelo são lançadas no interior do CDS, principalmente
por Amaro da Costa e Francisco Lucas Pires.
Outros ministros:
António de Almeida Santos (adjunto), Mário Firmino Miguel (defesa nacional),
Alberto Marques de Oliveira e Silva (administração interna, até 27 de Fevereiro,
sucedendo-lhe Jaime Gama), José Dias dos Santos Pais (justiça), Luís Silvério
Gonçalves Saias (agricultura), Carlos Montês Melancia (indústria e tecnologia),
António Manuel Maldonado Gonelha (trabalho), Mário Augusto Sottomayor Leal
Cardia (educação e investigação científica), António Duarte Arnaut (assuntos
sociais), Manuel Branco Ferreira Lima (transportes e comunicações) e António
Francisco Barroso de Sousa Gomes (habitação e obras públicas).
Fundação Antero
Quental Em Fevereiro, o PS constitui a Fundação Antero Quental, presidida
por Jorge Campinos. Outras estruturas de intervenção da política sosrista serão
a Fundação Azedo Gneco, dirigida por Eduardo Pereira, e o Instituto de Estudos
para o Desenvolvimento, onde actua o grupo de Francisco Salgado Zenha e que, a
parti de 1979, será dirigido por Teresa Ambrósio.
Primeira greve da
função pública em Portugal depois de 1926 (10 de Março)
Posse da Comissão
Consultiva das Regiões Autónomas, presidida por Almeida Costa. Eanes
considera que a autonomia regional não dará lugar a novos Estados dentro do
Estado (14 de Março).
Governo retoma
negociações com o FMI (29 de Março)
Alterações nas
chefias militares – Rocha Vieira exonerado de CEME (30 de Março). Vasco
Lourenço, de Comandante da Região Militar de Lisboa. CGT promove-lhe uma
manifestação de apoio (31 de Março), depois de, em 1975, o ter diabolizado como
inimigo dos comunistas, quando a direita clamava: Vasco só há um, o Lourenço
e mais nenhum. Vasco Lourenço, comentando a respectiva exoneração, declara à
RDP: por trás disto tudo anda o dedo de Sá Carneiro (2 de Abril). General
Pedro Cardoso toma posse como Chefe de Estado-maior do Exército (4 de Abril).
Jardim presidente
do Governo Regional Alberto João Jardim passa a presidir ao Governo
Regional da Madeira (31 de Março).
Sá Carneiro
contra Ramalho Eanes – Novo ataque de Sá Carneiro a Ramalho Eanes, numa
entrevista à RDP. Diz que não voltará à política activa com esta
Constituição e este Presidente, considerando-se um político
retirado (3 de Abril). Voto de protesto na Assembleia da República contra os
ataques ao General Eanes, apoiado pelo PS, CDS e PCP (6 de Abril). José Luís
Nunes dá entrevista ao Diário de Notícias onde declara a solidariedade do
PS a Eanes, considerando que o partido o apoiará em próxima candidatura (7 de
Abril). Conselho da Revolução emite um comunicado criticando a escalada
anti-Presidente da República e qualificando-a como terrorismo verbal (21
de Abril). Freitas do Amaral, em Setúbal, defende Ramalho Eanes (23 de Abril).
Novo discurso crítico de Eanes face à actividade do Governo (25 de Abril). Sá
Carneiro volta a criticar Eanes e demite-se na Comissão Política, depois de
acusar o general-presidente como responsável pelo impasse nacional.
Conselho Nacional
do PSD reúne-se no Hotel Sheraton, em Lisboa. A comissão política tinha-se
demitido dias antes, depois de Francisco Sá Carneiro ter participado numa sessão
de militantes no Vimeiro, promovida por Moura Guedes. Aí o líder retirado
insiste em atacar directamente Eanes, falando na necessidade de um referendo. Da
reunião do Conselho Nacional sai uma nova comissão administrativa do partido,
agora com a liderança de Menères Pimentel, tendo em vista a convocatória de um
novo congresso (15 de Abril).
Eanes autoriza
Américo Tomás a regressar a Portugal por razões de humanidade (11 de
Maio). Regressará a Lisboa em 23 de Julho.
Manifestação de
vários grupos da direita não parlamentar, ditos nacionalistas,
em Lisboa. Incidentes com a polícia fazem um morto (10 de Junho).
Comemorações
oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. Sessão solene
em Portalegre (10 de Junho).
Prisão de Carlos
Antunes e Isabel do Carmo, dirigentes do PRP (20 de Junho)
Eanes encontra-se em
Bissau com Agostinho Neto (24 de Junho), assinando-se um Acordo Geral de
Cooperação
Opções Inadiáveis
Surge o grupo das Opções Inadiáveis, uma quase dissidência do PSD que se
assume como não seguidista face à acutilância anti-sistémica de Sá Carneiro (29
de Junho).
Os
nacionais-revolucionários – Em Junho, José Miguel Júdice, ainda não liberto
totalmente da nebulosa criativa do espaço dito nacional-revolucionário, que
glosa José António Primo de Rivera, edita Portugal à Deriva nas edições
do Templo, dirigidas por Luís Sá Cunha e José Valle de Figueiredo.
VI Congresso do
PSD no cinema Roma em Lisboa (dia 1 e 2 de Julho). Regresso de Sá Carneiro à
liderança. O grupo das Opções Inadiáveis mantém a maioria do grupo
parlamentar. Nas eleições para o Conselho Nacional, os sá-carneiristas consegue
21 lugares contra 9 da oposição, liderada por Francisco Pinto Balsemão e
Ferreira Júnior. Sob a alçada de Sá Carneiro, regressa ao partido Carlos Macedo,
dissidente de Aveiro, e entram como militantes, entre outros, Natália Correiaö,
Dórdio Guimarães e Luís Fontoura.
Conselho Europeu de Bremen dá um parecer
favorável ao pedido de adesão de Portugal (dias 5 a 7 de Julho).
Conselho Nacional
do CDS (8 de Julho). Surgem várias críticas a Ramalho Eanes. Proposta a
substituição do ministro da agricultura, Luís Saias. Diogo Freitas do Amaral, em
audiência em Belém, pede, contudo, a intervenção do Presidente da República (11
de Julho).
Encontro de
Mateus de Vila Real, entre vários políticos apoiantes de Ramalho Eanes:
António Barreto, Medeiros Ferreira e Francisco Sousa Tavares. Em sentido
diverso, manifestam-se Eduardo Lourenço, Sottomayor Cardia e António Reis (9 de
Julho).
Dirigentes do PS,
reunidos em Nafarros, na casa de campo de Mário Soares, pedem a Eanes que
presida a um conselho de ministros (16 de Julho).
Sá Carneiro
advoga um governo de salvação nacional com exclusão dos comunistas,
depois de audiência em Belém (17 de Julho). Na Madeira, repete críticas ao
presidente numa conferência de imprensa (23 de Julho).
Jardim contra o
Exército e o CR Polémicas declarações de Alberto João Jardim, num comício na
Madeira: Portugal não tem Exército, tem homens com medo... as forças armadas
efeminaram-se e não têm a coragem para reconhecer que os homens que estão no
Conselho da Revolução não foram eleitos (22 de Julho).
Comício do PCP
nos Olivais, em Lisboa. Proposta a constituição de um governo democrático com
base na Assembleia da República (23 de Julho).
Ministros do CDS
apresentam a demissão e Freitas do Amaral defende um acordo de incidência
governamental com o PS. No interior do CDS são críticos da participação do
partido no governo, importantes militantes, como Adelino Amaro da Costa e
Francisco Lucas Piresö.
Já Mário Soares considera que o governo tem de continuar a ser de base PS,
apenas com personalidades do CDS (24 de Julho).
Comissão
directiva do PS fala em pressão intolerável da extrema-direita.
Critica Sá Carneiro pela acção desestabilizadora e irresponsável (25 de
Julho).
Exoneração do II Governo de Mário Soares
CDS força à exoneração do II Governo de Mário Soares, invocando divergências
sobre a política de reforma agrária. À saída de Belém, citando Manuel Teixeira
Gomes, declara sentir-se como um pássaro a quem abriram a gaiola.
Exoneração será publicada no Diário da República do dia 28.
Eanes rejeita governo minoritário socialista
Presidente da República comunica ao país rejeitar novo governo minoritário
socialista, apelando a um acordo interpartidário, até ao dia 5. No dia 7
reconhece ter fracassado esta iniciativa. No dia 9 já indigita Alfredo Nobre da
Costa (1 de Agosto). O Presidente da República, depois de reconhecer a
impossibilidade de se basear em acordo interpartidário a solução da crise,
desencadeia o novo ciclo pós-revolucionário com três governos de iniciativa
presidencial. A primeira tentativa, sob a presidência do antigo ministro da
Indústria do governo de Mário Soares, apesar de apoiada pelo PPD, recebe uma
moção de rejeição. Com efeito, a flexibilidade táctica de Sá Carneiro
permite-lhe, agora, coincidir com o eanismo, quando este provoca um rombo no
sistema de apoio ao soarismo.
Governo nº 112 de Nobre da Costa
ö–
I Governo presidencial (29 de Agosto, 85
dias). Novo Primeiro-Ministro declara: somos um governo de recurso, sem
opções políticas de fundo (7 de Setembro). PS, CDS e PCP apresentam moções
de rejeição ao programa de governo (11 de Setembro). Aprovada a do PS, com votos
contra do PSD. 141 votos a favor da moção de rejeição (PS, CDS, UDP e seis
independentes; abstenção do PCP) (14 de Setembro).
Entre os ministros: Costa Freitas (ministro
adjunto), Firmino Miguel (defesa nacional), José da Silva Lopes (finanças e
plano), António Gonçalves Ribeiro (administração interna), Mário Raposo
(justiça), Correa Gago (negócios estrangeiros), Vaz Portugal (agricultura e
pescas), Santos Martins (indústria e tecnologia), Pires de Miranda (comércio e
turismo), Costa Leal (trabalho), Carlos Lloyd Braga (educação e cultura), Acácio
Pereira Magro (assuntos sociais), Amílcar Gouveia Marques (transportes e
comunicações) e Almeida Pina (habitação e obras públicas).
Dissidências de
direita no PS – Medeiros Ferreira e António Barreto renunciam ao mandato de
deputado e demitem-se do PS (6 de Setembro). Medina Carreira também abandona o
partido de que foi ministro (13 de Setembro).
Abertura oficial das
negociações entre Portugal a CEE tendo em vista a adesão (17 de Outubro)
Criada a UGT,
unindo sindicalistas do PS e do PSD. Triunfam as ideias de Maldonado Gonelha,
contra as perspectivas de Lopes Cardoso (28 de Outubro)
Teófilo Carvalho
Santos é eleito presidente da Assembleia da República (30 de Outubro).
Surge o Partido
Socialista Revolucionário (PSR) pela unificação de vários movimentos
trotskystas (31 de Outubro)
Governo nº 113 de Mota Pinto – II
Governo Presidencial, desde 22 de Novembro, 253 dias, sob a liderança de um
ex-PPD, crítico de Sá Caneiro, que Mário Soares fez ministro do comércio e
turismo. O PS logo o saudou como o mais conservador depois do 25 de Abril.
Entre os ministros: Manuel Jacinto Nunes
(vice-primeiro ministro para os assuntos económicos e integração europeia),
Álvaro Monjardino (ministro adjunto), Loureiro dos Santos (defesa nacional),
Gonçalves Ribeiro (administração interna), Eduardo Correia (justiça), Freitas
Cruz (negócios estrangeiros), Vaz Portugal (agricultura e pescas), Álvaro
Barreto (indústria e tecnologia), Abel Repolho Correia (comércio e turismo),
Eusébio Marques de Carvalho (trabalho), Valente de Oliveira (educação, culura e
investigação científica), Acácio Pereira Magro (assuntos sociais), Marques da
Costa (transportes e comunicações), Almeida Pina (habitação e obras públicas) e
Daniel Proença de Carvalho (comunicação social).
Primeira reunião de
negociações entre Portugal e a CEE, a nível de suplentes (1 de Dezembro)
III Congresso do
CDS. Recusa de alianças com o PS e abertura a um acordo com o PSD (8 de
Dezembro)
Pinheiro de Azevedo
abandona a presidência do PDC (26 de Dezembro).
Em Dezembro, sai o
livro de António de Spínola País sem Rumo.
Apresentado o
Programa do PS para os Anos 80, coordenado por António Guterres, então
director do gabinete de estudos do partido (Dezembro).
Frank Carlucci
regressa a Washington, assumindo as funções de subdirector da CIA (Dezembro).