Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004


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Políticos Portugueses da Ditadura Nacional e do Estado Novo (1926-1974)
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Galvão, Henrique Carlos Malta  (1895-1970) Militar e africanista, símbolo do reviralhismo a partir da década de cinquenta. Cadete sidonista. Revolucionário do 28 de Maio, defendendo uma ditadura constitucional. Participa na revolta de Filomeno da Câmara em Agosto de 1927. Ligado a João de Almeida. Governador da Huíla desde 1929, director da Emissora Nacional, desde 1935, e animador da Exposição Colonial do Porto de 1934. Chega mesmo a editar pelo Secretariado da Propaganda Nacional uma obra de divulgação, O Império, onde refere o império português como um agente construtivo, de ordem, de civilização e de espírito cristão. Inspector superior do ministério das colónias onde colaborou com o ministro Marcello Caetano. Deputado à Assembleia Nacional. A partir de 1947, depois de graves desinteligências com o ministro das colónias, Teófilo Duarte, passa opositor de Salazar. Defende no tribunal o coronel Carlos Selvagem, implicado na revolta de Cabeçadas. Apresenta, em 1947, na Assembleia Nacional um aviso prévio sobre o trabalho forçado nas colónias. O documento é publicado em 1949 pelo PCP que o publica sob o título A Exploração e Extermínio dos Povos Coloniais pela Camarilha de Salazar. Passa abertamente para a oposição quando colabora destacadamente na campanha eleitoral de Quintão Meireles em 1951. Preso em 7 de Janeiro de 1952, é condenado nos finais de 1952 por promover conspiração militar contra Salazar. Detido na Penitenciária de Lisboa faz emitir com regularidade um panfleto Moreano, depois reproduzido na revista brasileira Anhembi. Estando internado sob prisão no Hospital de Santa Maria, evade-se em 16 de Janeiro de 1959 e, no dia 17 de Fevereiro obtém asilo político na Embaixada da Argentina, partindo para Buenos Aires em 14 de Maio seguinte. Faz distribuir em Portugal um livro intitulado Carta Aberta a Salazar. Fixa-se na Venezuela a partir de Outubro de 1959. Cria em 1960 o DRIL e colabora com Delgado. Celebriza-se pelo assalto ao paquete Santa Maria em 1961: somos piratas que tentam recuperar a outros piratas a liberdade e a dignidade que estes roubaram a todo um povo.  Lança, no Brasil, pela editorial Germinal, em Julho de 1961 uma obra colectiva intitulada Colonialismo, Anticolonialismo e Autodeterminação. Promove também o desvio de um avião da TAP no voo Casablanca-Lisboa, em Novembro de 1962. Cria então uma Frente Antitotalitária dos Portugueses Livres Exilados e colabora no jornal O Estado de São Paulo. Considera-se em guerra contra o Estado Novo e o seu verdugo. Faz um ataque cerrado aos comunistas, invocando a social-democracia. Entra em desinteligências com Humberto Delgado. Em 13 de Dezembro de 1963 faz um depoimento na ONU onde se insurge tanto contra o salazarismo como contra os movimentos de libertação, em nome da tradicional perspectiva ultramarinista de Paiva Couceiro e Norton de Matos, alterada drasticamente pelo Acto Colonial de 1930. Morre em São Paulo em 25 de Junho de 1969.

·Da Minha Luta Contra o Salazarismo e o Comunismo

São Paulo, 1965 (2ª ed., Lisboa, Arcádia, 1976).

·Carta Aberta ao Dr. Salazar

Lisboa, Arcádia, 1975.

 

 

Garcia, Eduardo Chianca (n. 1898) Cineasta português, realizador da Aldeia da Roupa Branca.

 

 

Godinho, J. G. Marques (1881-1947) José Garcia Marques Godinho. General. Implicado na abrilada  de 1947. Morre em 27 de Dezembro desse ano quando se encontrava sob prisão. É advogado da questão Adriano Moreira.

 

 

Godinho, Vitorino Magalhães (n. 1918) Historiador português. Activista da oposição democrática. Licenciado pela Faculdade de Letras de Lisboa em 1940, casa onde é assistente até 1944. Liga-se ao MUD e ao MUNAF. Vai para França em 1947, onde é investigador do CNRS. Doutor pela Sorbonne em 1959. Em 1960 torna-se professor catedrático do ISCSPU, cargo de que foi demitido em 1962, por razões políticas. Professor catedrático em Clermont-Ferrand de 1971 a 1974. Ministro da Educação do III e Iv Governos Provisórios. Professor Catedrático da Universidade Nova de Lisboa de 1974 a 1988, é o animador da Revista de História Económica e Social, de 1978 a 1989. Director da Biblioteca Nacional em 1984. Salienta, sobre a nossa monarquia medieval: "feudal, não é na verdade esta monarquia visto não se ter edificado sobre o laço da vassalagem e feudo, mesmo se constatarmos algumas infiltrações; não o é sequer em primeiro grau, como teríamos de concluir se a definissemos sem mais um senhorio de senhorios, pois uma das suas características diferenciais é precisamente a largueza do âmbito das relações direrctas entre o rei e boa parte do reino e dos súbditos. Tem vincado cunho patrimonial e não diferencia público e privado nas suas relações  com terras e gentes do Reino".  Observa também que, a partir de certa altura começa a clarificar‑se a existência de uma "inalienabilidade de certas pertenças fundamentais" e o rei exerce já o regnare e não apenas o dominare, o senhoriar. O rei, além de diferente no ter, por ser o maior dos proprietários, passa também a ser diferente no ser.

·Prix et Monnaies au Portugal

Paris, 1955.

·Os Descobrimentos e a Economia Mundial

Lisboa, 1962. A primeira edição em língua francesa data de 1958.

·Ensaios, em três volumes.

Lisboa, 1968, 1969 e 1971.

·O Socialismo e o Futuro da Península

Lisboa, Livros Horizonte, 1969.

·«Finanças Públicas e Estrutura do Estado»

In Serrão, Joel, ed., Dicionário de História de Portugal

·A Estrutura da Antiga Sociedade Portuguesa

Lisboa, 1971.

·«O Naufrágio da Memória Nacional»

In Bethencourt, Francisco, Curto, Diogo Ramada, eds., A Memória da NaçãoLisboa, Livraria Sá da Costa, 199

 

 

Gomes, D. António Ferreira (1906-1989) Bispo do Porto de Outubro de 1952 até 1982.  Curso teológico concluído em 1925. Doutor em Filosofia pela Universidade Gregoriana de Roma. Bispo de Portalegre a partir de 1949. Exilado por Salazar de 1959 a 1969.

·Endireitai as Veredas do Senhor! Alguns Documentos Pastorais do Bispo do Porto, desde 1952 até Janeiro de 1959

Porto, Livraria Figueirinhas, 1970­.

·Ecumenismo e Direitos do Homem na Tradição Antiga Portuguesa

Porto, Edições Telos, 1974.

·Paz em Portugal pela Reconciliação dos Portugueses

Porto, Edições Telos, 1975.

·Rearmamento Moral e Desmilitarização

Porto, Edições Telos, 1976.

 

 

Gomes, António Bressane Leite Perry de Sousa. Filho de Francisco de Sousa Gomes. Formado em medicina. Amigo e companheiro de Salazar, com quem colabora no ministério das finanças e que é o seu primeiro chefe de gabinete na presidência do conselho. Governador civil de Setúbal, director do Diário da Manhã e deputado eleito em 1934.  Amigo pessoal de Jacques Maritain, François Perroux e de Emmanuel Mounier. Colabora com os padres Abel Varzim e Joaquim Alves Correia. Editorialista do Novidades.  Logo nos anos trinta critica activamente o fascismo italiano e o nacional-sindicalismo português.

 

 

Gomes, Augusto Ferreira (1892-1953) Poeta e jornalista. Amigo de Fernando Pessoa. Militante nacional-sindicalista, colabora depois com o regime, como chefe de redacção do Diário da Manhã. Autor de O Quinto Império, Lisboa, 1934.

 

 

Gomes, Francisco da Costa  (n. 1914) Subsecretário do exército durante a Abrilada de 1961. Implicado no processo, é colocado em Beja como chefe do Distrito de Recrutamento e Mobilização. Passa em Agosto de 1962 para comandante do RL1 de Elvas. Inspector da Arma de Cavalaria. Brigadeiro desde 1964. 2º comandante da região militar de Moçambique desde Agosto de 1965. Comandante da mesma região em 1967. General desde Novembro de 1968. Comandante chefe de Angola desde Abril de 1970. Sucede a Venâncio Deslandes como CEMGFA em 15 de Setembro de 1972. Demitido em 14 de Março de 1974. Membro da Junta de Salvação Nacional desde 25 de Abril de 1974, assume o cargo de Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas. Presidente da República de 30 de Setembro de 1974 até 13 de Julho de 1976. Presidente do Conselho Mundial da Paz desde 13 de Maio de 1977. Considera-se um católico progressista que partilha muitas ideias do marxismo. Tem um primeiro livro de autojustificação em 1979, Sobre Portugal. Diálogos com Alexandre Manuel, Lisboa, A Regra do Jogo.

 

 

Gomes, João Maria Paulo Varela (n. 1924) Militar e político português. Em 1958 adere ao Movimento Militar Independente que apoia Delgado. Ligado à revolta da Sé de 1959, é deterrado para os Açores. Assume-se como candidato a deputado pela oposição em 1961. Líder operacional do golpe de Beja de 1 de Janeiro de 1962. Preso, é julgado em 1964. Apenas sai da cadeia de Peniche em 1968. Colabora com a CDE em 1973. Depois de 1974 circula pelos meandros do MFA sendo um dos principais operacionais do COPCON. Autor de Tempo de Resistência, Lisboa, 1980.

 

 

Gomes, Joaquim Soeiro Pereira (1910-1949) Escritor português do neo-realismo. Militante comunista. Regente agrícola. Autor de Esteiros, de 1941, uma das obras paradigmáticas do movimento dito neo-realista.

 

 

Gomes, Ruy Luís (1901-1984) Professor da Universidade do Porto. Licenciado e doutorado em Matemática. Professor desde 1930, é afastado em 1947. Candidato às eleições presidenciais de 1951, com o apoio dos comunistas do Movimento Nacional Democrático, liderados pela engenheira Virgínia Moura, vê a sua candidatura rejeitada pelo Supremo Tribunal de Justiça. Preso entre 1954 e 1957. No exílio, ensina na Argentina e no Brasil. Depois de 1974, é reitor da Universidade do Porto.

 

 

Gonçalves, Bento (1902-1942) Operário do Arsenal da Marinha. Adere ao PCP em 1928, reorganizando-o no sentido estalinista a partir de 1929. Preso entre 1930 e 1933. Vai a Moscovo em 1935, juntamente como José de Sousa e Júlio Fogaça, mas no rgresso é preso. Morre no campo de detenção do Tarrafal. Figura como uma espécie de pai fundador do comunismo português de cepa cunhalista, servindo de contraponto para a história do partido desde 1921, dominada pelo secretário-geral Carlos Rates, afastado em 1925 e que chega a conciliar-se e a colaborar com os tempos heróicos do salazarismo corporativo.

 

 

Guardiola, Maria Baptista dos Santos (1895-1987) Licenciada em Matemática. Professora de lideu, desde 1920. Destaca-se como militante do 28 de Maio e do salazarismo. Deputada de 1935 a 1945. Reitora do Liceu Maria Amélia Vaz de Carvalho, de 1928 a 1946, e fundadora do Liceu Rainha D. leonor em 1949. Membro da Junta Nacional de Educação. Activista e inspiradora do modelo da Obra das Mães pela Educação Nacional e Comissária Nacional da Mocidade Portuguesa Feminina de 1937 a 1968.

 

 

Guedes, Francisco José  Nobre  (1893-1969)  Engenheiro mecânico. Figura destacada dos primeiros tempos do salazarismo, como deputado (1935-1938) e burocrata na área da educação (director-geral do ensino técnico e secretário-geral do ministério). Foi o primeiro comissário nacional da Mocidade Portuguesa (1936) e termina a sua vida pública como embaixador em Berlim, durante a guerra (1940-1941). Abandonou Berlim sem prévia autorização do Ministério, pelo que nunca mais teve um cargo político no regime.

 

 

Guerra, João Pedro Miller (1911-1993) Médico, Catedratico da Faculdade de Medicina de Lisboa. Chega a Bastonário da Ordem dos Médicos e a Presidente do Instituto Nacional de Investigação Científica e Tecnológica. Torna-se num dos mais destacados deputados da chamada ala liberal do marcelismo, dado ser íntimo de Melo e Castro. Não se assume como fundador do PPD, aparecendo como deputado do PS em 1975. Nos primeiros dias do 25 de Abril de 1974, Spínola chega a indigitá-lo como Primeiro-Ministro. Inspirador do modelo de Serviço Nacional de Saúde.

 

 

Guimarães, Francisco Vale (n. 1913) Advogado. Destaca-se como colaborador do marcelismo.

·Governador civil de Aveiro de 1954-1959 e de 1968-1974.

·Autoriza a realização dos Congressos Republicanos de Aveiro.

 

 

Guimarães, João Antunes (1877-1951) Médico pelo Porto. Ministro do Comércio e Comunicações de 1929 a 1932, nos governos de Ivens Ferraz e Domingos de Oliveira. Participa no I Congresso da União Nacional de 1934, sendo deputado salazarista a partir de 1935.

 

 

Gulbenkian, Calouste sarkis (1869-1955) Milionário arménio. Residente em Portugal desde 1942. Cidadão otomano, forma-se em engenharia em Londres. Durante a Segunda Guerra Mundial, vive em França, sob o regime de Vichy, onde se torna amigo do nosso embaixador Caeiro da Matta. É este que lhe indica como advogado Azeredo Perdigão. Instalado em Lisboa no velho Hotel Aviz, tem como médico pessoal o Professor Fernando da Fonseca. Passa a gostar do viver habitualmente do regime de Salazar, a quem admira. Já instalado em Lisboa, redige, com a ajuda de Perdigão, um segundo testamento, em 18 de Junho de 1953, a partir do qual vai surgir a Fundação Calouste Gulbenkian em 18 de Julho de 1956. Morre em 20 de Julho de 1955. O estatutos da Fundação são directamente redigidos por Salazar, Marcello Caetano e Azeredo Perdigão.

 

© José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 20-12-2003