Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004


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Políticos Portugueses da Ditadura Nacional e do Estado Novo (1926-1974)
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Macedo, Adriano da Costa. Ministro do interior da Ditadura, de 25 de Janeiro a 26 de Agosto de 1927.

 

 

Macedo, António Cândido Miranda (1906-1989) Advogado portuense. Tradicional oposicionista ao Estado Novo, detido pela primeira vez em 1958. Participa nas mais relevantes actividades oposicionistas desde o MUD. Membro do Partido Socialista Político português. Licenciado em direito em 1931. Advogado no Porto. Começa como activista do Centro Republicano Académico em 1929-1930. Surge no Núcleo de Doutrinação e Acção Socialista, na União Socialista e no MUD. Participa na campanha eleitoral de Norton de Matos. Candidato a deputado pela oposição em 1953, 1957, 1961 e 1964. Em 1954 é membro do Centro Eleitoral Democrático. Em 1955, da Causa Republicana. Em 1957 da Comissão Promotora do Voto. Está com Humbero Delgado em 1958, na ASP, em 1964, e na CEUD em 1969. Presidente do PS desde a respectiva fundação em 1963. Deputado desde 1975.

 

 

Macedo, Henrique Veiga de (n. 1914) Licenciado em direito por Coimbra. Uma das principais figuras do salazrismo na década de cinquenta. Começa a carreira profissional no INTP. Subsecretário da educação de 22 de Julho de 1949 a 7 de Julho de 1955. A partir desta data, ministro das corporações e previdência social até 4 de Maio de 1961. Deputado desde 1965 e dirigente da União Nacional desde 1961. Presidente da Federação de Caixas de Previdência.

 

 

Macedo, Jorge Borges (1921-1996) Historiador português. Filho de um destacado elemento do partido radical, começa como militante comunista, destacando-se no MUD, com Mário Soares, com quem abandona o PCP logo nos primeiros tempos da década de cinquenta. Professor da Faculdade de Letras de Lisboa desde 1957. Licenciado em 1944, é até 1949 professor do ensino técnico. Doutor em 1964 e Professor Catedrático desde 1969. Vice-presidente da Academia Internacional da Cultura Portuguesa. Chega a ser sondado para ministro da educação em 1969. Director do Arquivo Nacional da Torre do Tombo de 1990 a 1996, durante o cavaquismo, a convite do Secretário de Estado da Cultura, Pedro Santana Lopes. Pai do economista Jorge Braga de Macedo. Depois de 1974, colabora na revista Futuro Presente, aparece como presidente do Conselho Consultivo do CDS, durante a liderança de Adriano Moreira, mas acaba por apoiar Cavaco Silva nas eleições legislativas de 1987. Autor de A Situação Económica no Tempo de Pombal [dissertação de licenciatura de 1944, publicada pela primeira vez em 1950], Lisboa, Moraes Editores, 1982; Portugal e a Economia Pombalina. Temas e Hipóteses, São Paulo, 1954; O Conde de Castelo Melhor. Ensaio Biográfico, Lisboa, 1961; O Pensamento Económico do Cardeal Mota, Lisboa, 1961; O Marquês de Pombal. Ensaios Biográficos, Lisboa, 1962; Elementos para a História Bancária de Portugal (1797-1830. Introdução e Notas, Lisboa, 1963; Problemas de História da Indústria Portuguesa no Século XVIII, Lisboa, 1963; Vias de Expressão da Cultura e da Sociedade Portuguesas nos Séculos XVII e XVIII, in BAICP, nº 1, 1966, pp. 119-133; «A Cultura Portuguesa no Mundo Contemporâneo. Um Problema Geral», In BAICP, nº 4, 1968, pp. 345-364; «Constantes e Linhas de Força da História Diplomática Portuguesa», In Nação e Defesa, ns. 2, 6, 7 e 10; «História e Doutrina do Poder n’“Os Lusíadas”» Separata de Garcia de Orta, Lisboa, 1972; «Uma Perspectiva Histórica para a Integração Europeia», in Democracia e Liberdade, n. º 9/Fev., pp. 11-24, Lisboa, 1979; «O “1984” de George Orwell e as Resistências ao Sistema», in Futuro Presente, n. º 19-20, Jul. -Set., Lisboa, 1984; História Diplomática Portuguesa. Constantes e Linhas de Força. Estudo de Geopolítica, Lisboa, Instituto de Defesa Nacional, 1987; «Portugal na Nova Distribuição das Forças Europeias», in Defesa Nacional. Anos 90, Lisboa, Nação e Defesa, Set. 1990.

 

 

Machado, Francisco José Vieira  (1898-1972) Licenciado em direito em 1919. Ministro das colónias entre 18 de Janeiro de 1936 e 6 de Setembro de 1944, depois de ser subscretário de Estado do sector desde 20 de Janeiro de 1934. Governador do Banco Nacional Ultramarino desde 1951. O Liceu de Dili conservou o seu nome durante a própria ocupação indonésia, de 1975 a 1999.

 

 

Machel, Samora Moisés (1933-1986) Dirigente da FRELIMO desde 1969, depois da morte de Eduardo Mondlane. Integra a organização a aprtir de 1963, sendo formado em Argel. Fortemente influenciado por Marcelino dos Santos. Presidente da República Popular de Moçambique desde 25 de Junho de 1975. Morre no acidente de viação, sucedendo-lhe o respectivo ministro dos estrangeiros, Joaquim Chissano.

 

 

Marchueta, Afonso (1919-1980) Licenciado em direito. Director-geral do comércio. Governador civil de Lisboa de 1968 a 1974.

 

 

Marinho, José Carlos de Araújo (1904-1975) Filósofo português, licenciado em Letras pelo Porto em 1926. Discípulo de Leonardo Coimbra. Um dos patriarcas do movimento da Filosofia Portuguesa. Autor de O Pensamento Filosófico de Leonardo Coimbra, 1941; Relação da Filosofia e da Teologia no Pensamento Português Moderno, 1950; Teoria do Ser e da Verdade, 1961; Verdade, Condição e Destino no Pensamento Português Contemporâneo, 1976.

 

 

Marques, Eduardo Augusto (n. 1893). Militar e engenheiro. Ministro das colónias de 8 de Julho de 1929 a 31 de Janeiro de 1931.

 

 

Martinez, Pedro Mário Soares  (n. 1925) Catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa, onde foi regente de Direito Corporativo, Economia Política, História Diplomática e Filosofia do Direito, produzindo lições em todas essas disciplinas. Ministro da Saúde e Assistência de Salazar, de 4 de Dezembro de 1962 a 15 de Outubro de 1963. Depois de aposentado da função pública, dirige o departamento de direito da Universidade Moderna. Dono de um saber clássico e de uma profunda erudição, assume uma perspectiva contra-revolucionária eclética, tornando-se um dos símbolos dos ultras antes de 1974 e da direita irredentista depois da mudança do regime. Autor de A Conjuntura Política Nacional, Lisboa, 1969; Manual de Direito Corporativo, Lisboa, 1971; Manual de Economia Política, Lisboa, Faculdade de Direito, 1973; Comentários à Constituição Portuguesa de 1976, Lisboa, Editorial Verbo, 1978; História Diplomática de Portugal, Lisboa, Verbo, 1986; Filosofia do Direito, Coimbra, Livraria Almedina, 1991; Textos de Filosofia do Direito, Coimbra, Almedina, 1993

 

 

Martins, F. J. Rocha (1879-1952) Francisco José da Rocha Martins. Jornalista e historiador. Monárquico e oposicionista do salazarismo. Maçon desde 1906. Director da Ilustração Portuguesa de 1903 a 1910. Dirige também o ABC nos anos vinte. Funda em 1932 o Arquivo Nacional. Franquista, é deputado monárquico em 1918. Nos anos quarenta, escreve na República e o grito dos ardinas proclamava: fala o Rocha! Fala o Rocha! Salazar está à brocha..

Martins, Rocha, Oliveira, Lopes, A Democracia. Sua Origem, Sua Eclosão e Seu Triunfo, Lisboa, Edições Excelsior, s.d..

Oliveira, Lopes, A Liberdade Portuguesa (1820), Lisboa, Edições Excelsior, s.d..

Oliveira, Lopes, Os Direitos do Povo (A Casa dos Vinte e Quatro), Lisboa, Edições Excelsior, s.d..

 

 

Martins, Rogério da Conceição Serafim.  Engenheiro. Secretário de Estado da Indústria de Marcello Caetano, desde 27 de Março de 1969. O tecnocrata por excelência, proponente da Lei de Fomento Industrial de 1972, ano em que lança o livro Caminho de País Novo. Tem como chefe de gabinete Magalhães Mota e como colaboradores João Cravinho. Um dos entusiastas do Complexo de Sines, cujo plano geral é aprovado em 30 de Novembro de 1972. Cria o Conselho Nacional da Produtividade (13 de Dezembro de 1972)

 

 

Matta, José Caeiro da  (1883-1963) Professor de direito. Membro da Academia das Ciências, Presidente da Academia Portuguesa da História. Diplomata, chegando a ambaixador junto do regime de Vichy. Reitor da Universidade de Lisboa. Ministro dos negócios estrangeiros de 11 de Abril de 1933 a 27 de Março de 1935. Ministro da educação nacional de 6 de Setembro de 1944 a 4 de Fevereiro de 1947. Volta à pasta dos negócios estrangeiros de 4 de Fevereiro de 1947 a 2 de Agosto de 1950. Presidente da Comissão para as Comemorações Henriquinas, de 1960. Parte da respectiva biblioteca foi oferecida ao Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Autor de Expansão Económica de Portugal, Lisboa, 1933; Ao Serviço de Portugal, Lisboa, 1937-1944 e 1951 (3 vols.); Projecção de Salazar no Estrangeiro 1928-1948, Porto, 1949. Entre outras missões diplomáticas, chefia por várias vezes a delegação portuguesa junto da Sociedade das Nações, de 1935 a 1939. Em 1946 é o chefe da delegação portuguesa em Genebra. Em 1947-1948 representa Portugal na Conferência de Paris sobre o Plano Marshall e a fundação da OECE. Integra o Tribunal Intermacional de Haia entre 1931 e 1945 e é o presidente da Academia Portuguesa de História de 1945 a 1963.

 

 

Mateus, António Lopes  (1877-1955) Oficial do Exército. Ministro do interior de 21 de Janeiro de 1930 a 21 de Outubro de 1931. Ministro da guerra de 21 de Outubro de 1931 a 5 de Julho de 1932. Fundador da União Nacional. Governador de Angola. Pela sua dureza, é conhecido como o cabo Mateus. Quando ministro do interior, convida o capitão Agostinho Lourença a formar aquilo que em 1933 se vai designar por PVDE. É também o responsável pelo assalto ao Grémio Lusitano, sede da Maçonaria, ele que tamém havia sido maçon. Destaca-se pela participação na camapanha do Cuamato em 1914-1916. Apoia a República, participando na repressão dos monárquicos em 1919. Volta a sobressair na repressão das revoltas de Fevereiro de 1927 e de 22 de Junho de 1928. Presidente da Câmara Municipal de Viseu em 1928-1929. Comandante da Polícia de Lisboa de 1932 a 1935. Membro do Conselho Político Nacional em Dezembro de 1931. Passa para a Comissão Central da União nacional em 1932. Organiza o I Congresos da organização em 1934. Torna-se governador de Angola de 1935 a 1939.

 

 

Matias, Marcello Gonçalves Nunes Duarte. (n. 1903) Ministro dos negócios estrangeiros de Salazar de 14 de Agosto de 1958 a 4 de Maio de 1961, sucedendo a Paulo Cunha. Licenciado em direito, começa como delegado do procurador da república e conservador do registo civil. Entra na carreira diplomática em 1930. Participa na elaboração do Pacto Ibérico em 1939. No ano seguinte chefia a delegação que assina a Concordata e o Acordo Missionário. É secretário-geral interno do ministério em 1945, depois da morte de Teixeira sampaio. Embaixador em Paris de 1948 a 1958 e, depois, de 1961 a 1971, sendo um confesso admirador de De Gaulle. Administrador da Diamang..

 

 

Meireles, Manuel Carlos Quintão (1880-1962) Ministro dos negócios estrangeiros de 19 de Dezembro de 1928 a 8 de Julho de 1929, no governo de José Vicente de Freitas. Um dos típicos republicanos liberais, apoiante do 28 de Maio. Candidato pela oposição à presidência da república em 1951. Começa como oficial da marinha mercante e destaca-se como combatente na Flandres. Contra-Almirante desde 1940. Na campanha presidencial, apela para a conciliação nacional sem recusar a Constituição de 1933. É apoiado por Mendes Cabeçadas, Vasco de Carvalho, Mário Pessoa, David Neto, Cunha Leal, Acácio Gouveia, Teófilo Carvalho Santos, Rolão Preto, Henrique Galvão e António Sérgio.

 

 

Mello, Jorge Augusto Caetano da Silva José de (n. 1921) Filho de D. Manuel de Melo e neto de Alfredo da Silva. Licenciado pelo ISCEF. Presidente do grupo CUF desde 1966.

 

 

Mello, José Manuel da Silva José de (n. 1927) Irmão de Jorge de Mello. Filho de D. Manuel de Melo e neto de Alfredo da Silva. Dirige a parte financeira do grupo CUF, sendo considerado o banqueiro da família. Presidente do Banco Totta & Açores, da Companhia de Seguros Império e da Lisnave.

 

 

Melo, Martinho Nobre de (1891-1985). Professor de direito em Lisboa. Republicano desde 1908, esteve na maçonaria de 1912 a 1915. Ministro da justiça de 7 de Março a 15 de Maio de 1918 e dos negócios estrangeiros de 6 a 9 de Julho de 1926. Inspirador dos decretos de 11 e 30 de Março de 1918, bases do sidonismo (decreto eleitoral e de modificação da Constituição de 1911 no sentido presidencialista). Impulsionador da Cruzada Nun’ Álvares, criada em 18 de Julho de 1918. Membro da União Liberal Republicana em 1926. Ligado a Gomes da Costa, de quem é ideólogo. Fundador da Liga Nacional 28 de Maio em 1927. Embaixador no Brasil, nomeado em Abril de 1932 e em cujas funções se mantém, até 1946. Director do Diário Popular de 1958 a 1974. Aquele que os seareiros viam como a potencial besta negra do fascismo lusitano, depois de assumir a atitude típica dos embaixadores políticas em fim de carreira, terminou os dias como uma espécie de dandy intelectual.

 

 

Melo, Pedro Homem de (1904-1984) Advogado e poeta. Folclorista. Assume-se como monárquico.

 

 

Melo, Romeu, A Evolução Humana, 2ª ed., Lisboa, 1969.

Sobre a Liberdade, Lisboa, Estúdios Cor, 1973.

Introdução à Liberdade, Lisboa, Moraes Editores, 1979.

 

 

Mendes, Manuel Joaquim (1906-1969) Escultor, ficcionista e político português. Maçon desde os anos trinta. Um dos organizadores da greve estudantil de 1931. Membro do MUD, é preso em 1948. Participa nas campanhas de Norton de Matos e Humberto Delgado. Fundador da Resistência Republicana e Socialista, juntamente com Mário Soares.

 

 

Mendonça, Camilo de (n. 1921)  Engenheiro agrónomo. Destaca-se como presidente dos Grémios da Lavoura do Nordeste Transmontano, tendo sido o responsável pelo lançamento do Complexo Industrial do Cachão. Foi o primeiro presidente da RTP.

 

 

Mexia, Joaquim Nunes (1870-1940) Membro do partido progressista, foi governador civil de Évora (1908-1910). Vice-presidente da Associação Central da Agricultura Portuguesa desde 1914. Deputado sidonista por Beja em 1918, volta a ser eleito em 1925. Apoia o 28 de Maio, sendo ministro da Agricultura do governo de José Vicente de Freitas,  de 18 de Abril a 7 de Julho de 1928. Membro da Comissão Central da União Nacional e procurador à Câmara Corporativa. Presidente da Junta Nacional dos Produtos Pecuários e fundador do Banco de Fomento Agrícola.

 

 

Miguéis, José Rodrigues (1901-1980) Romancista português, ligado à oposição ao salazarismo. Licenciado em Direito em 1924 e em Ciências Pedagógicas por Bruxelas em 1933. Começa como militante da Liga da Mocidade Republicana, colaborando na Seara Nova. Ligado ao PCP. Funda, com Bento de Jesus Caraça a revista O Globo e colabora em O Diabo. Emigra para os Estados Unidos da América em 1935, onde vai residir até morrer.

 

 

Miranda, Artur Cupertino de  n. 1892 Um dos principais capitalistas portugueses. Ajuda a financiar a campanha de Norton de Matos em 1949.

 

 

Mondlane, Eduardo (1924-1969) Líder histórico do movimento independentista de Moçambique. Completa o ensino secundário na África do Sul. Aí começa os estudos universitários em sociologia, mas em Outubro de 1950 vem para Lisboa, onde frequenta a Faculdade de Letras. Depressa passa para os Estados Unidos, onde recebe uma bolsa de estudos, onde termina a licenciatura em sociologia e obtém o doutoramento em Antropologia e Socialogia na Northwestern University, Evanston, Illinois. Torna-se investigador da ONU a partir de Maio de 1957. Professor na Syracuse University de Nova Iorque, em 1961. Funda a FRELIMO em Dar-es-Salam, em 25 de Junho de 1962. Morreme 3 de Fevereiro de 1969, vítima de uma carta-bomba. Autor de Struggle for Mozambique, Londres, Penguin Books, 1969. Contacta e faz amizade com alguns dos peritos portugueses que participam no primeiro grupo de representantes portugueses na ONU. Um deles é Adriano Moreira que se torna em padrinho numa das filhas dos professor moçambicano, que chega a ser sondado para docente do Instituto da Junqueira.

 

 

Moniz, Jorge Botelho (1898-1961) Ajudante de campo de Sidónio Pais e depois director-geral das Subsistências (1918). Secretário da CUF desde 1928. participa na criação da União Liberal Republicana. Apoiante do 28 de Maio. Fundador do Rádio Clube Português (1931). Influencia a criação da Legião Portuguesa em 1936. Intervém na guerra civil espanhola. Reprime os movimentos grevistas de 1943-1944. Participa na campanha eleitoral contra Norton de Matos. Procurador à Câmara Corporativa em 1957.

 

 

Moniz, J. E. A. C. Canto José Estevão Abranches Couceiro do Canto Moniz. Ministro das comunicações de 28 de Agosto de 1968 a 27 de Março de 1969. Um dos engenheiros do Estado Novo, a quem se deve o impulso fundamental para a construção da Ponte sobre o Tejo, entre Lisboa e Almada, dita sucessivamente Ponte Salazar e Ponte 25 de Abril.

 

 

Moniz, Júlio Carlos Alves Dias Botelho (1900-1970) Entre 1949 e 1951 exerce as funções de adido militar em Madrid e Washington. Ministro do Interior de 6 de Setembro de 1944 a 4 de Fevereiro de 1947. Terá então dito que as eleições apenas se não perderam por causa da batota. General desde Fevereiro de 1953. Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas desde 1955. Ministro da Defesa Nacional de 14 de Agosto de 1958 a 13 de Abril de 1961, onde tem como subsecretários de Estado Almeida Fernandes e Costa Gomes. O organizador do falhado golpe de Abril de 1961, a chamada abrilada, onde se pretendia a demissão de Salazar no âmbito da legalidade do regime. O golpe, apoiado pelos norte-americanos, visava, sobretudo, dar uma solução política ao conflito armado colonial que se avizinhava. Estava ligado a elementos da União Liberal Republicana e a dissidentes do 28 de Maio como o tenente Moreira Lopes, Mário Pessoa, David Neto e Carvalho da Silva. Sobre a matéria, Fernando Valença, As Forças Armadas e as Crises Nacionais. A Abrilada em 1961 e Viana de Lemos, Duas Crises, 1977.

 

 

Moniz, Milton Açoriano. Actualmente consultor bancário. Foi funcionário da delegação portuguesa na ONU antes de 1974, sendo então correspondente da Emissora Nacional em Nova Iorque. Autor de um Ensaio sobre a Filosofia do Poder, Lisboa, Polis, 1968.

 

 

Monsaraz, Alberto (1899-1959) 2º conde de Monsaraz. Formado em direito em 1915. Um dos fundadores do Integralismo Lusitano e director da revista A Nação Portuguesa. Combate em Monsanto, em 1919, mas logo larga a arma que usava, dizendo não querer combater o povo, sendo, então, gravemente ferido. Julgado em 1920, evade-se para Marrocos, passando, depois, para França. Secretário do nacional-sindicalismo em 1933. Expulso para Espanha em 1934, é amnistiado em 1936. Em 1945, num folheto Altura Solar. Marcando Posição, Lisboa, 1945, denuncia violentamente o salazarismo. Chama ao Estado Novo a II República, considerando-o como a eternização do provisório, como algo de ilógico, onde reina uma ordem à maneira sepulcral dos cemitérios.

 

 

Monteiro, Adolfo Casais (1908-1972) Poeta português. Licenciado pela Faculdade de Letras do Porto, alinha no movimento da revista Presença. Discípulo de Leonardo Coimbra. Adopta das teses de Bergson, em Considerações Pessoais, de 1933, sendo, então, fortemente criticado por António Sérgio. Professor no Brasil desde 1954.

 

 

Monteiro, Armindo Rodrigues Sttau (1896-1955) Licenciado em Direito por Lisboa em 1918, concluindo, ao mesmo tempo, o curso da Escola de Guerra. Doutor em 1921 com uma dissertação intitulada Do Orçamento Português. Catedrático desde 1925. Destaca-se como crítico financeiro do Diário de Notícias. Liga-se, então, ao grupo de Moses Bensabat Amzalak, para o qual também é mobilizado o regente de Finanças em Coimbra, Oliveira Salazar. Apoia o movimento do 28 de Maio. Administrador do Banco Português do Continente e Ilhas. Director-geral de Estatística, fundador do Instituto Nacional de Estatística. Subsecretário de Estado das Finanças de 27 de Novembro de 1929 a 31 de Janeiro de 1931. É um dos co-autores do projecto de Acto Colonial. Ministro das Colónias de 31 de Janeiro de 1931 a 11 de Maio de 1935, período em que promove a Exposição Colonial de 1934 e a Conferência Económica do Império Colonial de 1935. Ministro dos negócios Estrangeiros desde esta data até 24 de Novembro de 1936. Embaixador em Londres entre 1936 e 1943, assume-se como anglófilo, ligando-se à própria casa real de Windsor. Os britânicos olham-no então como alternativa a Salazar. Em 1943 chega a ser agraciado com a Ordem do Banho e quando deixou o cargo de embaixador foi-lhe oferecido um banquete que contou com a presença de Winston Churchill e Anthony Eden. Procurador à Câmara Corporativa e membro viatlício do Conselho de Estado. Administrador de várias empresas, assume-se como uma espécie de plutocrata do regime. Pai do escritor e oposicionista Luís Sttau Monteiro, nascido em 1926.

 

 

Monteiro, Domingos (1903-1980) Domingos Monteiro Pereira Júnior. Romancista português. Licenciado em direito em 1927. Apresenta doutoramento, convidado por José Tavares, na Faculdade de Direito de Lisboa em 1931, mas foi rejeitado. Defensor gracioso de várias centenas de oposicionistas, nomeadamente de militantes anarco-sindicalistas nos anos trinta. Ficaram a célebre as defesas que fez de Mário Castelhano, Manuel Henriques Rijo e Sarmento Beires, bem como dos grevistas da Marinha Grande. Presidente do directório da Renovação Democrática. Deixa de advogar no final da década de trinta. Colabora no Diário Liberal e em o Sol, dirigido por Lelo Portela. Ligado aos serviços culturais da Fundação Calouste Gulbenkian e à Guimarães Editores. Apoia o movimento da Filosofia Portuguesa. Impulsiona a editora SEC (Sociedade de Expansão Cultural). Já depois de 1974, financia o semanário A Pátria. Membro da Academia das Ciências. Elogiado por Álvaro Cunhal em Rumo à Vitória. Em 1932 critica tanto as democracias imperfeitas e a ditadura violenta da Rússia como as ditaduras italiana e alemã, consideradas como uma ameaça para a paz do mundo. Criticando a democracia vigente, chamando-lhe democracia de fachada, defende outra em que desapareçam não só os despotismos centrais mas também os despotismos privados, aquela em que a liberdade abstracta se transforme em liberdades concretas, em que a igualdade tenha uma base e um sentido económico, em que a fraternidade não morra como uma ave ferida, nos silveirais das fronteiras. Já depois de 1974 crita a censura interna de certos jornais que só admitem a colaboração dos que pensam como eles, negando assim o pluralismo ideológico que é a base da verdadeira Democracia.

·Bases da Organização Política dos Regimes Democráticos. I A Organização da Vontade Popular e a Criação da Vontade Legislativa

(dissertação de doutoramento em direito, 1931; obra proibida de circular).

·Crise da Idelaismo Na Arte e na Vida Social, 1932.

 Livro proibido de circular.

·Paisagem Social Portuguesa, 1944.

Obra proibida de circular.

·O Livro de Todos os Tempos. História da Civilização

3 volumes, 1951.

·O Homem Contemporâneo. Subsídio para a sua História

(1957).

·Livros Proibidos

Lisboa, Sociedade de Expansão Cultural, 1974. Publica as obras de 1932 e 1944.

 

 

Monteiro, Jaime da Fonseca. Ministro dos negócios estrangeiros da Ditadura Nacional de 11 de Setembro de 1929 a 21 de Janeiro de 1930.

 

 

Monteiro, José da Silva. Ministro da justiça na Ditadura Nacional, de 18 de Abril a 10 de Novembro de 1928.

 

 

Monteiro, Luís de Sttau (1926-1989) Escritor português e oposicionista ao regime do Estado Novo. Licenciado em Direito, abandona a profissão de advogado e dedica-se a actividades literárias e jornalistícas, principalmente no Diário de Lisboa.  Destaca-se a sua peça de teatro Felizmente Há Luar, de 1961.

 

 

Morais, Jaime alberto de Castro (1882-1973) Médico e oficial da Armada. Revolucionário do 5 de Outubro de 1910. Participa nas campanhas de pacificação da Guiné e de Angola. Governador da Índia entre 1919 e 1925. Defensor da Republica no combate de Chaves em 1919. Um dos líderes do golpe de 3 de Fevereiro de 1927, no Porto, vai passar o resto dos dias em contantes actividades reviralhistas. Em 1928 é deportado para S. Tomé e demitido da Armada. Foge para França. Cria em Madrid, com Jaime Cortesão e Moura Pinto, o grupo dos Budas. Participa na criação da Frente Popular Portuguesa. Amnistiado em 1950. Vive no Brasil, onde se dedica a actividades comerciais.

 

 

Morais, Manuel Tito de (1910-1999) Filho do Almirante Tito de Morais. Licenciado em Engenharia por Gand. Activista do MUD. Preso em 1947 e 1949. A partir de 1952, radica-se em Luanda onde exerce a função de engenheiro. Aí preside à Sociedade Cultural de à intervenção do ministro Adriano Moreira. Passa então para o exílio, estabelecendo-se em Argel a partir de 1963. Membro activo da FPLN. É um dos fundadores da ASP em 1964, em Genebra, juntamente com Mário Soares e Francisco Ramos da Costa. Passa para Roma onde funda o jornal Portugal Socialista. Um dos fundadores do PS. Deputado a partir de 1975. Membro do governo, como Secretário de Estado do Trabalho do VI Governo Provisório e Secretário de Estado do Emprego no I Governo Constitucional, presidido pelo seu amigo Mário Soares.

 

 

Moreira, Adriano Josá Alves (n. 1922) Ministro do Ultramar de Salazar, de 13 de Abril de 1961 a 4 de Dezembro de 1962, depois de ter sido subsecretário de Estado da admministração ultramarina desde 3 de Março de 1960. Assume tais funções face ao prestígio alcançado como professor do Instituto Superior de Estudos Ultramarinos, na altura em que Salazar o qualifica como o maravilhas. Está, então, ligado ao grupo de Sarmento Rodrigues, ilustre maçon, e à tradição ultramarinista da Sociedade de Geografia de Lisboa, defensora de um patriotismo abrangente e científico, unificador das heranças monárquica e republicana de defesa do património ultramarino. Basta recordar que em finais dos anos quarenta Norton de Matos aparecera a prefaciar obras de Paiva Couceiro, tal como no começo da década de cinquenta o mesmo general edita um manifesto A Nação Una, prefaciado pelo seu antigo adversário Egas Moniz. Aliás, a SGL teve como inspirador Luciano Cordeiro e o acto instituidor da Escola Colonial nasceu do impulso de um governo monárquico progressistas, transformando-se em Escola Superior Colonial em 1919, como ministro João Lopes Soares. Assumindo o estilo de Talleyrand, consegue projectar-se no regime antifascista, depois de um breve exílio brasileiro. Ascende a deputado pela AD e depois a presidente do CDS. Ligando-se a Mário Soares e à Fundação do Oriente transforma-se num informal senador do sistema, onde pontifica na avaliação das universidades e na opinião institucional ligada aos interesses atlantistas.

 

 

Moreira, Guilherme Luiselo Alves. Filho do professor Guilherme Alves Moreira foi subsecretário de Estado das Finanças de Salazar (1928-1929)

 

 

Moreira, José Carlos (1895-1977) Professor da Faculdade de Direito de Coimbra. Influenciado por Duguit e Kelsen. Adopta um positivismo epistemológico, embora politicamente adira a esquemas jusnaturalistas, assumindo-se como monárquico e salazarista. Juntamente com Beleza dos Santos e Cabral de Moncada visita a Alemanha nazi em Março de 1941. Uma das figuras típicas de Coimbra, objecto de um longo anedotário, estava vivo depois do 25 de Abril de 1974, passeando-se ostensivamente pela cidade com um emblema da Legião Portuguesa, sem nunca ter sido importunado.

·Lições de Direito Constitucional

[1ª ed., 1937], Coimbra, 1959.

·«O Princípio da Legalidade na Administração»

I Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, vol. XXV, Coimbra, FDUC, 1949.

·«Do Direito, do Estado e das suas Relações. Oração de Sapiência na Abertura Solene da Universidade no Ano Lectivo de 1957-1958»

In Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, vol. XXXIV, Coimbra, FDUC, 1959.

 

 

Moura, Francisco José Pereira de (n. 1925) Licenciado em Finanças pelo ISCEF em 1950. Doutor em 1961 e Professor Catedrático a partir de 1972. Católico, colabora com o Estado Novo como procurador à Câmara Corporativa, de 1957 a 1961, quando é relator do parecer sobre a adesão de Portugal à EFTA, de 1960. Chega a ser professor convidado do Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina em 1962-1963. Em meados da década de sessenta passa a lainhar com a oposição, pela via dos cristãos progressistas. Um dos dirigentes das CDE. Participa na vigília da Capela do Rato e chega a ser demitido como professor, embora episodicamente, destacando-se também no Congresso da Oposição Democrática de 1973. Depois do 25 de Abril de 1974, transforma-se em figura cimeira do PREC, sendo ministro no I, IV e V Governos Provisórios. Nos seus últimos anos de vida, dedica-se inteiramente à Escola da Rua do Quelhas, como presidente do Conselho Directivo, 1979-1980, e, depois, do Conselho Científico. Jubila-se em 1995. Autor de Lições de Economia, 1964. Análise Económica da Conjuntura, 1969.

 

 

Múrias, Manuel (1900-1960) Jornalista. Licenciado pela Faculdade de Letras de Lisboa. Director da Nação Portuguesa, depois da morte de Sardinha. Dissidente do nacional-sindicalismo, como apoiante de Salazar. Deputado a partir de 1940, director do Diário da Manhã, de 1943 a 1956, secretário da Junta de Educação Nacional e director do Arquivo Histórico Ultramarino.

1923

O Seiscentismo em Portugal, Lisboa, 1923.

1940

História Breve da Colonização Portuguesa, Lisboa, 1940

1942

A Restauração e o Império Colonial Português, 1942

 

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