Respublica     Repertório Português de Ciência Política         Edição electrónica 2004


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Políticos Portugueses da I República (1910-1926)
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Galhardo, Herculano Jorge (1868-1944) Oficial do exército e engenheiro. Professor da Escola de Guerra. Ministro das finanças no governo de Pimenta de Castro, na qualidade de membro do partido democrático, de 28 de Janeiro a 6 de Março de 1915, quando é substituído por Rodrigues Monteiro. Ministro do fomento no governo de Afonso Costa, de 25 de Abril a 10 de Dezembro de 1917. Maçon, desde 1905, e destacado dirigente do Grande Oriente Lusitano, começa como unionista, entre 1911 e 1915, passando depois para os democráticos, onde enfileira na ala esquerda dos mesmos. De 1921 a 1926 é administrador geral do porto de Lisboa. Antes, de 1900 a 1910, tinha sido director da Fábrica de Cimento Tejo. Cabe-lhe a criação do sistema de caixas de correio nos domicílios.

 

 

Garcia, António Alberto Torres (1889-1937) Professor da Faculdade de Ciências de Coimbra. Maçon desde 1909. Democrático, de 1910 a 1920, torna-se reconstituinte, para, depois, voltar ao grupo maioritário. Ministro da instrução pública de 19 de Outubro a 22 de Outubro de 1921, no governo de Manuel Maria Coelho, mas não chega a tomar posse. Ministro da agricultura no governo de Rodrigues Gaspar, de 22 de Julho a 22 de Novembro de 1924. Ministro da agricultura no governo de António Maria da Silva, de 1 de Julho a 1 de Agosto de 1925. Ministro das finanças no governo de Domingos Pereira, de 1 de Agosto a 17 de Dezembro de 1925. Ministro da agricultura no governo de António Maria da Silva, entre 17 de Dezembro de 1925 e 30 de Maio de 1926. Chega a governador interino de Angola, em 1928. Salienta-se também como director do Diário de Coimbra, até à sua morte.

 

 

Gaspar, Alfredo Rodrigues (1865-1938). Oficial da armada, começa como franquista, tornando-se, depois de 1910, membro do partido democrático, sendo várias vezes deputado. Ministro das colónias em 1914, 1915,1916 e 1919, nos governos de Azevedo Coutinho (de 12 de Dezembro de 1914 a 25 de Janeiro de 1915), José de Castro (desde 22 de Julho de 1915 a 29 de Novembro de 1915), Afonso Costa (de 29 de Novembro de 1915 a 15 de Março de 1916), Sá Cardoso (de 30 de Junho de 1919 a 3 Janeiro de 1920); António Maria da Silva (de 7 de Fevereiro de 1922 a 15 de Novembro de 1923). Presidente do ministério de 6 de Julho a 22 de Novembro de 1924, acumulando a pasta do interior.

 

 

Godinho, Vitorino Henriques (1878-1962) Político da I República. Oficial do exército, chega a adido militar em Paris. Democrático, é várias vezes deputado, desde 1911. Ministro dos negócios estrangeiros no governo de Rodrigues Gaspar, de 6 de Julho a 22 de Novembro de 1924. Ministro do interior de 15 de Fevereiro a 1 de Julho de 1925, no governo de Vitorino Guimarães.

 

 

Gomes, Amaro de Azevedo (1853-1928). Oficial da armada. Ministro da marinha do governo provisório de 5 de Outubro de 1910 a 4 de Setembro de 1911. Camachista, é membro dos unionistas e dos liberais.

 

 

Gomes, António Luís (1863-1961) Advogado. Ministro do fomento do governo provisório de 5 de Outubro de 1910. Ligado ao grupo dos republicanos históricos do Porto, sai do governo em 22 de Novembro de 1910, discordando dos comités carbonários que pretendiam demitir inúmeros funcionários, sendo substituído por Brito Camacho. Torna-se ministro de Portugal no Rio de Janeiro até 1912. Era um antigo emigrante nesse país. Regressado a Portugal, assume-se como provedor da Misericórdia do Porto, de 1912 a 1921, enquanto se torna director do Diário do Norte em 1913. Deputado em 1921-1922 pelos liberais. Reitor da Universidade do Porto (1921-1924). Assumindo a luta política parlamentar, durante o governo de António Granjo, num discurso de 1 de Setembro de 1921, considera que o sistema parlamentar está condenado por causa do regime de mentira, ao mesmo tempo que os ministros são uns verdadeiros crimonosos que estão a arrancar o sangue do povo português. Conclui salientando: cada vez enjoo mais a política. Nunca entrei para partido algum, porque os partidos da República têm colocado os homens acima dos partidos … Por isso é que os homens de bem se retraem, afastando-se da política. Em finais desse mês de Setembro de 1921, é um dos animadores do movimento de salvação pública, também subscrito por José de Castro, Jaime Cortesão, João de Deus Ramos, Francisco António Correia, Ramada Curto, Cunha Leal, Leonardo Coimbra e Sá Cardoso. Novamente provedor da Misericórdia do Porto, de 1930 a 1944, ainda surge como presidente do 1º Congresso Republicano de Aveiro, em Outubro de 1957.

 

 

Gomes, António Paiva  (1878-1939) Médico, maçon e democrático. Ministro das finanças do governo de José Relvas, de 27 de Janeiro a 30 de Março de 1919. Ministro das colónias  de 30 de Novembro de 1920 a 2 de Março de 1921, no governo de Liberato Pinto. Ministro das colónias de 2 de Março a 23 de Maio de 1921, no governo de Bernardino Machado. Ministro das colónias de 15 a 16 de Fevereiro de 1925, no governo de Vitorino Guimarães.

 

 

Gomes, Francisco José de Sousa. Fundador do Centro nacional Académico em 18 de Março de 1901, base do CADC.

 

 

Gomes, Manuel Teixeira  (1860-1941) Escritor, diplomata e político português. Ministro de Portugal em Londres em 1911-1918. Presidente da República 1923-1925. Eleito em 6 de Agosto de 1923. Posse em 5 de Outubro de 1923. Demite-se em 11 de Dezembro de 1925. Sobe à presidência da república por sugestão de Afonso Costa, muito desgostando Bernardino Machado. Ver Norberto Lopes, O Exilado de Bougie. Perfil de Teixeira Gomes, Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 1942.

 

 

Gomes, Mário Azevedo (1885-1965) Natural de Angra do Heroísmo. Engenheiro Agrónomo em 1907. Professor do ISA de 1914 a 1946 e de 1951 a 1955, depois de ter sido demitido por Salazar. Ministro da agricultura 1923-1924. Colaborador da Seara Nova. Director-geral da instrução agrícola de 1919 a 1925. Um dos patriarcas da oposição ao salazarismo, aparece nas candidaturas de Norton de Matos e de Humberto Delgado, em lugar de destaque. Membro do directório Democrato Social. Filho de Manuel Azevedo Gomes e sobrinho de António Luís, faz parte de uma dinastia de republicanos, continuada pela respectivo filho que chega a ser Secretário Estado das Florestas num dos governos de Mário Soares. Como silvicultor é um dos incentivadores do processo de povoamento florestal que vai influenciar os modelos salazaristas de política agrícola. Autor de A Situação Económica da Agricultura Portuguesa, Lisboa, 1920. Dois Meses no Ministério da Agricultura, Lisboa, 1924. Evolução da Agricultura Portuguesa entre as Duas Guerras Mundiais, Lisboa, 1945. Com Henrique de Barros e Eugénio Castro Caldas. Estudos Sociais, Lisboa, 1946 e 1955 (em dois tomos). Silvicultura, Lisboa, 1956.

 

 

Gomes, Ricardo Pais (1868-1928) Advogado em Viseu. Deputado em 1911. Maçon desde 1899, é sucessivamente evolucionista, liberal e reconstituinte. Ministro da marinha de 19 de Julho a 20 de Novembro de 1920, no governo de António Granjo. Ministro da marinha de 23 de Maio a 30 de Agosto de 1921, no governo de Tomé de Barros Queirós. Ministro da marinha de 30 de Agosto a 19 de Outubro de 1921, no governo de António Granjo.

 

 

Gonçalves, João (1874-1956) Médico, sem filiação partidária. Várias vezes deputado, entre 1911 e 1921.

 

 

Granjo, António Joaquim  (1881-1921) Membro do grupo evolucionista, e dirigente do partido liberal, sendo, por duas vezes, presidente do ministério. Como deputado, logo em 1912, destaca-se como um defensor da amnistia para os inimigos do novo regime republicano, criticando acerbamente a existência de tribunais marciais especiais para o julgamento dos conspiradores monárquicos.  Destaca-se na luta contra o sidonismo, liderando uma revolta militar logo em Outubro de 1918. Depois do assassinato de Sidónio, aparece a liderar mais uma revolta militar em 10 de Janeiro de 1919. Constitui um dos principais actores políticos da república velha, quando, durante os seus dois últimos anos de vida, se assume como alternativa consistente ao domínio do partido democrático. Ministro da justiça do governo de Domingos Pereira, de 30 de Março a 30 de Junho de 1919, é reponsável pelos Decretos nº 5 609 e nº 5 610 que reformam os serviços prisionais, instituindo um modelo que vai estar em vigor durante cerca de uma década. Depois da instituição do Partido Republicano Liberal, em Outubro de 1919, é imediatamente líder do respectivo grupo parlamentar. Ministro do Interior do frustrado governo liberal de Fernandes Costa, em 15 de Janeiro de 1920, gabinete que, apesar de nomeado, não chega a tomar posse. Neste mesmo dia, há uma tentativa de assalto ao jornal A Luta, e Granjo trata de defender o jornal de pistola na mão, seguindo depois para as instalações d’ A República, onde gora idêntica tentativa. No dia 22 de Janeiro seguinte, tem uma intervenção no parlamento, onde declara que os acontecimentos do dia 15 tiveram ligações militares, numa alusão indirecta à GNR. Presidente do ministério e ministro da agricultura, de 19 de Julho a 20 de Novembro de 1920, quando ensaia uma fórmula liderada, em aliança com os reconstituintes e apenas com um democrático (Velhinho Correia). Propõe, então propõe restabelecer gradual e sucessivamente a liberdade do comércio, relativamente a todos os artigo em que se possa presumir que la livre concorrência resultará o seu barateamento.  Em 29 de Outubro, Granjo propõe um amnistia geral para os crimes políticos, que não foi aprovada. O governo demite-se em 15 de Novembro, face aos ataques de reconstituintes e populares sobre questões de abastecimento de trigo e carvão, apesar de aprovada moção de confiança. Ministro do comércio de 23 de Maio a 10 de Agosto de 1921, no governo liberal do ex-unionista Tomé de Barros Queirós. Mas Granjo demite-se a meio do percurso desse govern por ter entrado em conflito com o ministro da Guerra. Presidente do ministério e ministro do interior de 30 de Agosto a 19 de Outubro de 1921, quando é assassinado no decorrer da chamada Noite Sangrenta. Ver Rodrigo de Castro, Cinzas Imortais. Na Morte de António Granjo, Porto, 1922.

 

 

 

Guedes, João Teixeira de Queirós Vaz (1871-1926) Advogado, maçon desde 1909 e militante democrático. Ministro do comércio de 9 de Janeiro a 15 de Novembro de 1923. É também governador civil de Viseu, de 1913 a 1918..

 

  Guedes, Armando Marques (1886-1958) Jurista. Professor do Instituto Superior do Comércio do Porto entre 1918 e 1926, passa para a escola equivalente de Lisboa, o ISCEF, de 1926 a 1957. Maçon desde 1911, é deputado, ministro e presidente da câmara municipal do Porto durante a I República (1919-1920), militando nas fileiras dos democráticos. Ministro das Finanças de António Maria da Silva no último governo da I República, entre 17 de Dezembro de 1925 a 30 de Maio de 1926. Cria em 1930 um Centro de Estudos Democráticos, com Newton de Macedo, Joaquim de Carvalho, Hernâni Cidade, Vitorino Nemésio e José Ribeiro dos Santos. Divulgador dos modelos do Plano Beveridge, destaca-se também como director do jornal O Primeiro de Janeiro. Autor de Cinco Meses no Governo, Porto, Livraria Chardron de Lello & Irmão, 1926; A Aliança Inglesa. Notas de História Diplomática, 1938. Páginas do Meu Diário, Lisboa, 1957. Silvestre Pinheiro Ferreira, in Jurisconsultos Portugueses do Século XIX, 2º vol., edição do Conselho Geral da Ordem dos Advogados, Lisboa, 1960, pp. 26 ss..

 

Guerra, António Guerreiro Mimoso (1867-1950) Oficial do exército e governante da I República em 1916-1917 e 1925. Maçon desde 1911, é alto dirigente do Grande Oriente Lusitano em 1930-1931. Especialista em serviços geodésicos, é governdor de Angola em 1914 e 1919. Subsecretário de Estado da Guerra no governo de António José de Almeida (de 18 de Maio de 1916 a 25 de Abril de 1917). Subsecretário de Estado da Guerra no governo de  Afonso Costa (de 25 de Abril de 1917 a 9 de Dezembro de 1917). Ministro da guerra de 23 de Abril a 18 de Junho de 1925, no governo de Vitorino Guimarães.

 

 

Guimarães, Luís Brito Monteiro de. Ministro dos abastecimentos no governo de Domingos Pereira, de 30 de Março a 30 de Junho de 1919, na qualidade de unionista. Deputado em 1913.

 

 

Guimarães, José Maria Teixeira (n. 1845) Ministro das colónias de 30 de Março a 29 de Junho de 1919. Oficial da armada, chega a director da Escola Naval. Assume-se também como director-geral das colónias em 191o-1911.

 

 

Guimarães, Vitorino (1876-1957) Vitorino Máximo de Carvalho Guimarães. Oficial de administração militar. Começa como franquista, mas logo em 1908 surge como um dos líderes da revolta contra a monarquia. Membro da Jovem Turquia e do partido democrático. Professor na Escola Militar, no Instituto Superior de Comércio e na entidade que lhe sucedeu, o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras. Assumiu-se politicamente como centrista dos democráticos, entre a ala dos bonzos e dos canhotos. Autor da reforma tributária de 1923.

Deputado às constituintes. Chefe dos serviços administrativos da 2ª divisão do CEP. Ministro das finanças do governo de José de Castro (de 19 de Junho a 29 de Novembro de 1915). Ministro das finanças do governo de Cunha Leal (de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922). Ministro das finanças do governo de António Maria da Silva (de 14 de Setembro a 13 de Agosto de 1923). Presidente do ministério de 15 de Fevereiro a 1 de Julho de 1925. A sua principal obra é Contabilidade Pública. Sua Origem e Evolução em Portugal, publicada na Revista da Contabilidade Pública, entre 1941 e 1943.

 

 © José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info). Última revisão em: 20-12-2003